Ainda sobre Pe Edwaldo

1 11 2007

Se eu fosse um padre…

por Reinaldo de Oliveira

Se eu fosse um padre com mais de 75 anos e com mais de 50 de sacerdócio, eu já teria cristalizado em mim o fato de ser bom religioso. Se eu fosse um padre com mais de 75 anos e com mais de 50 de sacerdócio, eu já estaria convicto de meus deveres e de minhas obrigações para com a minha Igreja. Se eu fosse um padre com mais de 75 anos e com mais de 50 de sacerdócio, eu nem olharia para trás porque a minha estrada é repleta de luz e de amor ao próximo. Se eu fosse um padre com mais de 75 anos e com mais de 50 de sacerdócio, eu só pediria a Deus que conferisse a minha vida para ver se ela se desenvolveu conforme Sua vontade. Se eu fosse um padre com mais de 75 anos e com mais de 50 de sacerdócio, pediria aos do meu rebanho o testemunho, através de orações, dos quantos me viram sair dos caminhos da Igreja para maculá-la por atalhos escusos. Se eu fosse um padre com mais de 75 anos e com mais de 50 de sacerdócio, abriria um curso para padres pequenos e de pouca crença a fim de que pudessem se olhar para dentro de si mesmos e verem quanto veneno guardam em seus sentimentos duvidosos. Se eu fosse um padre com mais de 75 anos e com mais de 50 de sacerdócio, alardearia com toda a fé na força de meu peito, o que fiz, o que faço e o que reúno dentro de meu coração de religioso autêntico de forças para dar brilho à Igreja que venero. Se eu fosse um padre com mais de 75 anos e com mais de 50 de sacerdócio eu veria em cada hóstia que ministrasse aos meus fiéis, o pão da verdade que carrego comigo, jamais podendo ser julgado pelo que não sou. Se eu fosse um padre com mais de 75 anos e com mais de 50 de sacerdócio, perguntaria aos de menor estatura religiosa, se conhecem a minha obra, se passeiam pelo meu pasto e se ter amigos, em quaisquer classes sociais e poder abraçá-los em data festiva, significa a quebra do respeito religioso ou se é a prova do amor ao próximo, pregado por Deus, entre os verdadeiros cristãos? Se eu fosse um padre com mais de 75 anos e com mais de 50 de sacerdócio, perguntaria que tipo de pecado é esse que priva um pároco do convívio com seus fieis e o afasta do hábito de fazer o bem por obra e desgraça dos menos bafejados pela fé? Se eu fosse um padre com mais de 75 anos e com mais de 50 de sacerdócio, perguntaria à minha consciência se vale a pena ser um profissional correto, bem-quisto, para quem cada sacrifício de acorrer a um necessitado de Fé é um bálsamo para a sua própria alma? Se eu fosse um padre com mais de 75 anos e com mais de 50 de sacerdócio, me sentiria diminuído por uma reprimenda partida de quem quer que fosse, assacada contra minha Fé, minha cruz, meu breviário, meu terço de sândalo, bento pelo Papa?
Por tudo isso, seria tão bom que eu fosse um padre, com mais de 75 anos e com mais de 50 de sacerdócio. Nem ligaria para o que sentimentos, não muito católicos, fossem derramados sobre minha batina, esta sim, pura e imaculada, abençoada por Cristo, Nossa Senhora e todos os Santos que, para mim são os homens e mulheres que constituem o meu querido rebanho. Por fim se eu fosse um padre com mais de 75 anos e com mais de 50 de sacerdócio, eu faria como Alguém fez. Eu perdoaria tudo e repetiria o que Ele disse: Perdoai-os. Eles não sabem o que fazem.


* Membro da Academia Pernambucana de Letras e dos Conselhos de Cultura do Estado e do Município.

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