Tese do 3º mandato é obra do Estadão

8 11 2007

O berço do factóide da re-reeleição
por Luiz Weis

É verdade que o deputado petista Devanir Ribeiro tem culpa no cartório pelo aranzel que se armou sobre o alegado plano do presidente Lula de ficar no Planalto por mais quatro anos depois de 2010 – o tal do terceiro mandato que já deve tê-lo deixado rouco de tanto desmentir.
Amigo e companheiro de Lula desde os heróicos tempos sindicalistas no ABC, Devanir fez saber, no momento politicamente mais inoportuno – quando o governo forceja para ver aprovada a prorrogação da CPMF no Senado – que tem um projeto de emenda constitucional que permitiria aos presidentes da República convocar plebiscitos e referendos.
A Constituição, acertadamente, estabelece que isso é prerrogativa do Congresso: presidentes já têm poderes demais para ganharem mais esse ainda.
Mas, qualquer que tenha sido a intenção do deputado, deu azo a que se visse na sua iniciativa uma jogada continuista, à la Chávez. Porque, se a sua equivocada emenda vingasse, um dos plebiscitos que o presidente poderia convocar seria sobre a mudança da regra que só permite uma reeleição consecutiva.
Mas é falso, como se lê hoje na coluna Dora Kramer, do Estado, que “Lula deixou que sua tropa lançasse a idéia do terceiro mandato, semeou o grão, o assunto virou tema ‘inventado’, uma ‘bobagem’ de interesse exclusivo dos meios de comunicação carentes de matéria-prima e uma ‘fabulação’ alimentada pela oposição com o intuito de prejudicar o governo e atrapalhar a votação da CPMF.”
É falso porque não foi a tropa de Lula que lançou a idéia nefasta – seja lá o que o seu oficialato ruminasse em privado a respeito.
O factóide da reeleição nasceu na imprensa quase nove meses antes de Devanir virar notícia – por sinal, uma raridade no seu apagado currículo parlamentar.
Nasceu na página A6 do Estado de 23 de janeiro, ao lado, aliás da coluna Dora Kramer.
Ali, sob o título entre aspas “Estratégia é criar condições para um terceiro mandato”, se lê uma entrevista do repórter Gabriel Manzano Filho com o cientista político paulista Leôncio Martins Rodrigues.
Nela, o professor afirma que o PAC, se der certo, poderá ser o ás na manga do presidente para tentar mudar a Constituição a fim de ganhar mais quatro anos.
Leôncio ressalvou não estar “prevendo que isso acontecerá”. Mas advertiu – o verbo é dele – “que os analistas e os eleitores pensam nisso com seriedade”. E argumentou:
“A história está cheia de golpes dentro da lei. Não apenas os casos célebres, como os de Hitler ou Mussolini, que montaram suas ditaduras depois de chegar legalmente ao poder.”
A partir dessa entrevista ad terrorem, o ex-presidente Fernando Henrique, também em entrevistas e artigos, deu corda ao cenário catastrofista traçado por seu amigo Leôncio.
Então foi, sim, com a oposição e com a mídia – no caso, o Estadão – que tudo começou. O resto, como diria a colunista, são fabulações.

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