Da Época

17 11 2007

O futuro do trabalho
Como lidar com a tecnologia, administrar empresas e construir carreiras num mundo totalmente globalizado

Alexa Salomão, Amauri Segalla e Maria Laura Neves

Confira a seguir um trecho dessa reportagem que pode ser lida na íntegra na edição da revista Época de 19/novembro/2007.
Assinantes têm acesso à íntegra no leia mais no final da página.
INTERNACIONALFelipe Athayde em Boats Quay, no centro financeiro de Cingapura. Ele diz que o profissional globalizado não pode ter medo de mudar
Uma das principais funções do carioca Luciano Oliveira, de 32 anos, é acolher executivos estrangeiros que visitam o Brasil, levá-los a restaurantes típicos, indicar hotéis e até roteiros de viagem para os fins de semana. Não, Oliveira não é guia turístico. Ele é gerente de projetos da consultoria Roland Berger. Os estrangeiros acolhidos por ele são seus colegas, que vêm dos 35 países onde a empresa atua. Oliveira também costuma ser ciceroneado por colegas quando viaja a trabalho. Só neste ano, foram três viagens, dentro do programa de transferência de conhecimento entre equipes da Roland Berger. “No final, eles aprendem meia dúzia de palavras em português e nós aprendemos meia dúzia de palavras na língua deles”, afirma.
Oliveira faz parte do novo mundo do trabalho globalizado. Mora em São Paulo, é funcionário de uma empresa de origem alemã, tem um chefe americano e seu principal cliente, hoje, é uma empresa japonesa com operações na América Latina. Para atendê-la, a equipe da qual faz parte costuma marcar reuniões às 8 horas (8 da noite do outro lado do planeta). “Há alguns dias, fizemos uma apresentação de 80 páginas numa conferência por vídeo com os japoneses”, diz. “Achei que nos encheriam de perguntas. Mas já eram 11 da noite lá.” Oliveira empregou-se na Roland Berger depois de ter cursado a faculdade (o Instituto Tecnológico da Aeronáutica, ITA, em São José dos Campos). Mudou-se então para a capital paulista. E fez um MBA na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Sua trajetória faculdade–empresa–MBA é similar à de centenas de jovens.
Não é de hoje que profissionais brasileiros saem do país. Há exemplos disso há décadas. (O mais famoso é Alain Belda, que se tornou presidente mundial da indústria de alumínio Alcoa.) Mas o avanço da globalização e das tecnologias está tornando esses casos a regra. Mais que isso. As empresas começam a considerar que suas diferentes equipes dos vários países são na verdade uma única equipe, espalhada pelo mundo. Isso acontece porque a concorrência entre empresas é atroz, e elas precisam de soluções rápidas, para problemas que não se circunscrevem a um único país. Façamos uma analogia com o futebol. O Brasil exporta craques desde Pelé, na década de 70. A prática se tornou uma febre na década passada. Agora, é como se, além dos craques exportados, os jogadores brasileiros, mesmo daqui, tivessem de jogar também algumas partidas dos campeonatos italiano, espanhol e inglês, cada semana com um time diferente. E tivessem, aqui, o reforço de jogadores estrangeiros. É o fim das fronteiras profissionais.

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