Os movimentos sociais da América Latina são os mais originais

20 11 2007

Ramonet: Os movimentos sociais da América Latina são os mais originais
Por Brunna Rosa

O jornalista Ignácio Ramonet, editor do Le Monde Diplomatique e um dos expoentes do Fórum Social Mundial desde sua primeira edição, discutiu, com militantes de movimentos sociais latino-americanos, o cenário político da região. A palestra ocorreu na quinta-feira, 15, na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema, a 70 quilometros da capital paulista. Recém-chegado da 17º Cúpula dos povos Ibero-Americanos, realizada na semana passada em Santiago no Chile, Ramonet visitou a ENFF, construída por brigadas de militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Os militantes de movimentos sociais da América Latina estão há quatro meses em curso de teoria política sobre a região. Assuntos como Fórum Social Mundial, América Latina e Che Guevara foram abordados, mas o principal ponto comentado por Ramonet foi Fidel Castro. Tema do mais recente livro do francês, Fidel Castro, uma biografia a duas vozes, o dirigente cubano gravou 100 horas de entrevistas com Ramonet. No Brasil o livro foi publicado pela editora Boitempo. Segundo ele, Fidel Castro, no decorrer da sua vida, deu apenas 15 entrevistas importantes “Desde 1992 Fidel Castro não dava uma grande entrevista. Entrevistei-o em 2003, o que seguiu até 2005. No total foram 100 horas. Ele nunca tinha dado uma entrevista tão longa”, afimou. Ramonet declarou estar contente por se encontrar junto a uma variedade de militantes latino-americanos. “Vocês estão construindo algo novo na América Latina, com solidariedade e praticando a integração intelectual. Sem dúvida os movimentos sociais da América Latina são os mais originais”, avaliou. Confira os principais momentos da conversa. Entrevista Estava em Havana, em fevereiro de 2002, para uma conferência na Feira do Livro. Vinha do Fórum Social Mundial (FSM) e conversava sobre os debates e palestras que tinha acompanhado. Lembro-me que Fidel ficou muito interessado sobre o FSM e elogiou o processo do movimento altermundista. Eu também tinha acabado de lançar um livro de conversas com o Subcomandante Marcos e sabia que Fidel o tinha lido. Então propus que fizéssemos o mesmo, só que com maior amplitude. Seria uma espécie de biografia a duas vozes. Iniciamos a entrevista no começo de 2003. Em setembro de 2004, retornei a Havana e complementei alguns temas e, por fim, em 2005, voltei mais uma vez a conversar horas com ele. O resultado são 100 horas de conversa com Fidel Castro e uma biografia lançada em inúmeros paises. Fidel Fidel Castro é um homem fisicamente imponente, mas é calmo, tímido e austero, além de passar um sentimento de seguridade. Vive em plena simplicidade e tem uma alimentação macrobiótica. Ele tem uma capacidade de ficar horas falando Guerrilha Não havia o espectro da guerrilha na América Latina. Fidel Castro se inspirou em outros países e articulou a guerrilha que derrubou o ditador (Fulgêncio) Batista. A América Latina desconhecia a revolução por meio da guerrilha, Fidel a trouxe e posteriormente exportou. Ele construiu uma guerrilha com concepção política e não militar, criou um código de ética de comportamento do exercito revolucionário cubano. América Latina Fidel avalia que os partidos políticos não estão mais representando toda a vitalidade, energia e diversidade de riquezas das reivindicações do povo latino e os movimentos sociais estão se articulando e lutando pelos seus direitos. A América Latina vive momento histórico, com presidentes progressistas e uma população mais consciente de seus direitos. Che Guevara Desde que Guevara foi morto, não há nenhum parceiro intelectual a sua altura para acompanhar Fidel Castro. Muito se fala sobre o rompimento de Fidel e Che, principalmente devido às divergências de Che quanto à política econômica adotada em Cuba, mas não houve. Vocês me perguntam se era possível não compactuar com a União Soviética naquele período e eu respondo que não. Era necessário. Cuba Quando perguntado a Fidel se a Revolução Cubana começou no assaltado ao quartel de Moncada, em 26 de julho de 1953, Fidel respondeu que a Revolução começou em 1868, durante a primeira guerra pela libertação cubana da colonização espanhola. O que a revolução fez foi latinoamericanizar Cuba. Sobre Moncada, Fidel Castro afirmou que se o famoso episódio da tentativa de tomada do quartel de Moncada concretizasse, Batista teria caído em 1953. E que o único erro foi a inexperiência dos combatentes.

Brunna Rosa

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