O BRASIL EM GUERRA

17 05 2008

GUERRA CISPLATINA

Quando da permanência de D. João VI no Brasil a região que hoje abrange o Uruguai foi anexada ao nosso país com o nome de Província Cisplatina. Diz o historiador SaBes Arcuri: “A invasão e anexação da Banda Oriental do Uruguai, entre 1818 e 21, encontra sua causa mais remota no velho sonho dos soberanos portugueses de alcançar a margem esquerda do Prata; o parentesco de D. João com D. Fernando VII de Espanha, prisioneiro de Napoleão, e as pretensões de sua esposa Dona Carlota Joaquina ao governo das colônias espanholas na América, robusteceram as ambições daquele monarca; finalmente, a luta entre os independentes de Buenos Aires e os fiéis de Montevidéu, trazendo invasões e depredações em território brasileiro, deu a Dom João o pretexto para a intervenção no Prata. Na verdade ele temia a formação de uma grande república sob a égide de Buenos Aires, e orientava-se por um sentimento imperialista. O exército luso-brasileiro, sob o comando de Lecor, Mena Barreto, Marques de Souza, Bento Ribeiro e outros, venceu a resistência uruguaia de Frutuoso Rivera e de Artigas. Em 1821 o Cabido de Montevidéu votava a anexação do Uruguai ao Brasil, dando a esta nova província brasileira o nome de Cisplati1J!l. A Província Cisplatina não era, todavia, um pedaço do Brasil: a influência espanhola, na colonização, na tradição e na língua, sobrepujara ali a influência portuguesa; seus habitantes viviam em mais íntimo contato com os da Argentina que com os do Rio Grande do Sul; a dissolução da Constituinte despertara o receio de um poder ab soluto; e a Confederação do Equador robustecia o ideal separatista e de uma federação no Prata.” Assim, com a proteção da Argentina(que na verdade pretendia anexar a chamada Cisplatina, logo que esta se libertasse do Brasil), em 17 de janeiro de 1825 o patriota uruguaio Juan Antonio Lavalleja, iniciou a chamada Expedição Libertadora dos 33 (ele liderava 33 combatentes), partindo de Quilmes e de Santo Izidro. Dois dias depois, burlando a vigilância do Brigadeiro Manuel Jorge Rodrigues transpôs a fronteira em Porto das Vacas e estabeleceu seu quartel-general em Flórida, de onde dirigiu uma proclamação aos uruguaios, convocando-os às armas para libertar a pátria do domínio brasileiro. Por esse tempo, comandava as forças brasileiras aquarteladas na Cisplatina o Coronel José Frutuoso Rivera, uruguaio que integrava o Exército Real do Brasil, desde a ocupação da Banda Oriental em 1821. Iniciada a luta pela independência, Rivera passou-se para o lado dos seus compatriotas: deu inteiro apoio a Lavalleja e concitou seus comandados do Quartel-General de Durazno a fazerem o mesmo. As forças do Brasil foram comandadas de início pelo Tenente-General Carlos Frederico Lecor (mais tarde Visconde da Laguna), que ocupou Maldonado, bloqueou e ocupou Montevidéu, a Colônia- do Sacramento e a Vila de Cerro Largo. Em janeiro de 1827 Lecor foi substituído pelo Marechal Felisberto Caldeira Brant Pontes (Marquês de Barbacena). Entrementes os aliados (uruguaios e argentinos), sob o comando de D. Carlos Alvear e Juan Lavalleja partiam do Arroio Grande, à frente de um exército de quase 10.000 homens, penetrando no Rio Grande do Sul. Defrontando-se com as forças de Barbacena na Batalha do Passo do Rosário, no Rio Santa Maria (chamada pelos argentinos de Batalha de Ituzaingó), ao cabo de seis horas de luta os brasileiros foram forçados à retirada. Escreve Ubiratan Rosa: “Não menos inglória era a situação dos imperiais no mar: apesar da vitória alcançada por Rodrigo Pinto Guedes em Monte Santiago, sofreu desastres irreparáveis a Esquadra Brasileira, sobretudo a divisão comandada por Jacinto Roque de Sena Pereira,seriamente derrotado em Juncal, ilha na confluência do Rio Uruguai com o Rio da Prata, pelo irlandês Almirante Brown, então a serviço da Marinha Argentina. Agravada a situação brasileira com o malogro da expedição naval enviada à Patagônia sob o comando do Capitão Shepperd, inglês a serviço do Brasil, bem assim a dos orientais e portenhos, exauridos por operações militares de longo curso mas de medíocres resultados, iniciaram-se as conversações preliminares de paz, já em abril de 1827, quando os platinos enviaram ao Rio de Janeiro Manuel José Garcia, encarregado de tentar o reconhecimento da separação da Cisplatina. Não o conseguiu; até pelo contrário: acabou firmando uma convenção, pela qual o Governo de Buenos Aires reconhecia a integração da antiga Banda Oriental ao Brasil. Mas, não sendo retificada essa convenção, permaneceu vigente o estado de guerra, registrando-se em seguida a entrada de Frutuoso Rivera na região dos Sete Povos das Missões Orientais do Uruguai. Não obstante, no primeiro semestre de 1828, com a mediação dos representantes ingleses no Rio de Janeiro e Buenos Aires, voltaram aos países beligerantes a tratar da paz. Desistiu o Brasil da anexação da Cisplatina, desistindo também as províncias Unidas do seu de incorporá-la, criando-se, então ,um novo país independente n América do Sul, a República Oriental do Uruguai.”
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