BREVE HISTÓRIA DA MATA ATLÂNTICA DO BRASIL

6 06 2008

Por Cristiano Catarin “… a estender os olhos, não podíamos ver senão terras e arvoredos”. Pero Vaz de Caminha.

Apesar das sinceras palavras escritas por Caminha em sua carta de “batismo” ao Brasil, o “imenso verde a perder de vista” presente nas regiões litorâneas do Novo Mundo vem sendo brutalmente devastado há séculos, comprometendo amplamente toda sua reserva natural. Por outro lado, é interessante saber que há mais de 200 anos muitas vozes foram levantadas em defesa da Mata Atlântica brasileira. A mídia contemporânea, por meio dos mais diversos canais de comunicação existentes, dificilmente deixa de registrar uma pequena ou completa reportagem sobre os problemas ambientais que afligem o planeta Terra. Pode-se dizer que o “assunto está na moda”. Quem ainda não ouviu falar do “aquecimento global”? Infelizmente, a preocupação revelada atualmente é uma manifestação muito mais teórica duma diplomacia mundial focada demasiadamente em interesses capitalistas. Muito pouco foi feito para que uma conscientização maciça “contamine” positivamente toda comunidade mundial e também os interesses políticos das nações. O Brasil é um país privilegiado: cercado por oceanos, lagos e rios de água doce; possuidor duma floresta exuberante e repleto de um vasto território, composto duma terra fértil capaz de produzir as mais variadas culturas de consumo. No entanto, a realidade da Mata Atlântica brasileira é bem mais cinza do que se pode imaginar. Dos milhões de hectares que compunham toda mata original restam aproximadamente 7%. Embora tenha ocupado grande espaço nos relatos aferidos no período do “descobrimento”, a preservação da Mata Atlântica brasileira, especialmente na época da colonização não era prioridade. Os colonizadores logo perceberam o poder econômico oferecido pela fertilidade da terra. O relato a seguir, proferido pelo jesuíta André João Antonil em 1711, deixa evidente, mesmo que indiretamente, que a floresta brasileira era um empecilho para produção e assentamento na época colonial do Brasil: “feita a escolha da terra para a cana, roça-se, queima-se, alimpa-se, tirando-lhe tudo o que podia servir de obstáculo”. A cultura da cana-de-açúcar dependia de grandes áreas “limpas”. Para a colheita da cana no tempo apropriado, faziam-se grandes queimadas no solo. Este processo era repetido diversas vezes. O procedimento de queimadas também era utilizado para mudança de cultura de plantio. Em pouco tempo este mesmo solo outrora verde e extremamente fértil tornou-se fraco, opaco e pobre. Dentre os relatos em defesa da preservação da Mata Atlântica, vemos a seguir as palavras do naturalista italiano Domenico Vandelli que se quer visitou o Brasil. Porém, tudo que registrou em sua obra Memória sobre a agricultura de Portugal e de suas conquistas o caráter destrutivo da lavoura brasileira, datada de 1772, foi por meio de seus alunos: “vai-se estendendo a agricultura nas bordas dos rios no interior do país, mas isso com um método que com o tempo será muito prejudicial. Porque consiste em queimar antiqüíssimos bosques cujas madeiras, pela facilidade de transporte pelos rios, seriam muito úteis para a construção de navios, ou para a tinturaria, ou para os marceneiros. Queimados estes bosques, semeiam por dois ou três anos, enquanto dura a fertilidade produzida pelas cinzas, a qual diminuída deixam inculto este terreno e queimam outros bosques. E assim vão continuando na destruição dos bosques nas vizinhanças dos rios”. A prática da queima indiscriminada minava qualquer possibilidade de se explorar em sentido mais amplo a dimensão econômica dos recursos naturais do Brasil. Vandelli demonstra uma crítica pragmática neste aspecto.

SAIBA MAIS http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=925

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