A CONTRA-PROPAGANDA NA HISTÓRIA POLÍTICA

21 09 2008

Contra-propaganda eleitoral já fez muitas vítimas no Estado de PE

Na eleição de 2002 a apreensão, por parte da Polícia, de cerca de 500 mil cartazes de contra-propaganda eleitoral envolvendo o prefeito do Recife, João Paulo, e o ex-governador Miguel Arraes, material que estava na sede da empresa Stampa Outdoor Ltda, gerou um grande bate-boca entre os políticos. Mas, esta não é a primeira vez que ocorre episódio dessa natureza em Pernambuco. A divulgação de panfletos anônimos é uma prática antiga e já vitimou muita gente.
Na eleição de 2000, a cidade de Olinda (onde, aliás, fica a sede da Stampa) foi inundada por panfletos contra a então candidata à prefeita Luciana Santos, do PCdoB. Duas dessas peças anônimas também vinculavam Luciana ao ex-governador Arraes e dizia, entre outras coisas, que ela não merecia votos, por ser comunista, “um partido cuja forma de governar é mantendo o povo sob a dominação da força das armas” e que “na América do Sul está associado às guerrilhas armadas da Colômbia”.
No material de propaganda contra Luciana Santos, não faltou nem o clássico do anti-comunismo de antigamente, expresso na frase “vitimando crianças inocentes”.
Outro político que também sofreu na pele com material de propaganda fraudulenta foi o ex-governador do Estado, Jarbas Vasconcelos, que durante uma campanha foi acusado de “bater no próprio pai”. Já em 1986, foi Jarbas quem flagrou e fez com que a Polícia Federal prendesse um grupo de 27 pessoas que estavam colando nas ruas do Recife cartazes vermelhos com a foice e o martelo e o slogan do então candidato ao governo pela Oposição, Miguel Arraes -“Ele está voltando”.
Além de contra-propaganda anônima, os cartazes contra Arraes em 1986 eram ilegais porque a campanha já estava encerrada e estava proibida a divulgação de qualquer peça eleitoral.
Mas, a mais sórdida e cruel contra-propaganda eleitoral já difundida em Pernambuco aconteceu durante a campanha eleitoral de 1982, quando o hoje falecido senador Marcos Freire era candidato a governador pela Oposição (PMDB) e tinha boas chances de vencer. Dias antes da eleição, foram jogados no Estado milhares de exemplares de um panfleto anônimo que reproduzia uma foto de Freire acrescida de um desenho representando um par de chifres.
O grotesco panfleto contra o senador era uma alusão ao seqüestro (até hoje nunca esclarecido) da esposa dele, Carolina Freire, e do então deputado federal Fernando Lyra, ocorrido em Brasília, em 1980, quando os dois foram levados e, sob a mira de metralhadoras, foram fotografados parcialmente despidos.
A princípio, as famílias pediram reservas à Polícia e o seqüestro permaneceu em sigilo por um ano. Depois, quando Freire declarou-se candidato a governador, passou a sofrer chantagens e tornou público o episódio.
As notícias sobre o seqüestro serviriam, assim, de prato cheio para os futuros autores dos panfletos que, bem como os responsáveis pelo primeiro crime, nunca foram identificados.
As eleições de 1982 aconteceram ainda no Brasil da ditadura militar e Marcos Freire tinha a convicção de que seria vitorioso: “Ninguém impedirá a vitória da Oposição com manobras que evidenciam a torpeza de quem está desesperado”. Mas, o senador acabou derrotado.
Veja, a seguir, como a imprensa brasileira divulgou o seqüestro e a nota divulgada pelo então presidente do PMDB, Jarbas Vasconcelos, que classificou o episódio como “uma estúpida agressão” e condenou “a vilania dos nossos adversários”.
Anúncios

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: