1929: QUEBRA NA BOLSA DE VALORES DE NOVA IORQUE

18 10 2008


Quebra na Bolsa de Valores de Nova Iorque

Em 24 de outubro de 1929, os preços das ações na Bolsa de Valores de Nova Iorque caíram subitamente. Estes preços estabilizaram-se ao longo do final de semana, para caírem drasticamente novamente na quarta feira, 28 de outubro. Muitos acionistas entraram em pânico. Cerca de 16,4 milhões de ações subitamente foram postas à venda na quinta feira, 29 de outubro, dia atualmente conhecido como Quinta-Feira Negra. O excesso de ações à venda e a falta de compradores fizeram com que os preços destas ações caísse em cerca de 80%. Com isto, milhares de pessoas perderam grandes somas em dinheiro. Os preços destas ações continuaria a flutuar, caindo gradativamente nos próximos três anos. As milhares de pessoas que tinham todas as suas riquezas na forma de ações eventualmente perderiam tudo o que tinham.
A súbita quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque causou grande incerteza entre a população americana, quanto ao futuro do país. Muitos decidiram cortar gastos supérfulos. Outras pessoas, aquelas que haviam comprado produtos através de empréstimo e prestações, reduziram ainda mais seus gastos, para assim poder economizar dinheiro para efetuar seus pagamentos. A súbita queda nas vendas do setor comercial americano estendeu a recessão ao setor industrial e comercial dos Estados Unidos.
As altas taxas de juros dos Estados Unidos foram um dos fatores que estenderam a Grande Depressão à Europa. Os países europeus — especialmente aqueles que utilizavam-se do padrão-ouro — para manter um câmbio fixo com os Estados Unidos, foram obrigados a aumentar drasticamente suas próprias taxas de juros, o que levou à redução de gastos por parte dos comerciantes e habitantes destes países, que levou a quedas na produção industrial destes países.
A economia dos Estados Unidos da América entrou em uma fase de grande recessão econômica que perduraria até 1933. Até este ano, a economia dos Estados Unidos somente colapsaria. Durante este período, milhares de estabelecimentos bancários, financeiros, comerciais e industriais foram fechados. Outros foram obrigados a demitir parte de seus trabalhadores e/ou a reduzir salários em geral.

A Grande Depressão nos Estados Unidos da América

A Grande Depressão causou pobreza geral nos Estados Unidos e em diversos países do mundo. Aqui, família desempregada, vivendo em condições miseráveis, em Elm Grove, Califórnia, Estados Unidos.
Com a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque de 1929, bancos e investidores perderam grandes somas em dinheiro. A situação dos bancos era agravada pelo fato que muitos destes bancos haviam emprestado grandes somas de dinheiro a fazendeiros. Após o início da Grande Depressão, porém, estes fazendeiros tornaram-se incapazes de pagar suas dívidas. Isto, por sua vez, causou a queda dos lucros destas instituições financeiras. Pessoas que utilizavam-se de bancos, temendo uma possível falência destes, removeram destes os seus fundos. Assim, várias instituições bancárias foram fechadas. O total de instituições bancárias fechadas durante a década de 1920 e de 1930 foi de 14 mil.
Em 17 de maio de 1930, o governo dos Estados Unidos aprovou uma lei, o Ato Tarifário Smoot-Hawley, que aumentava as tarifas alfandegárias em cerca de 20 mil itens não-perecíveis estrangeiros. O Presidente americano Herbert Hoover pedira ao Congresso uma diminuição nos impostos, mas o Congresso, ao invés disto, votou a favor do aumento dos impostos. Um abaixo-assinado, assinado por mil economistas, pediu ao presidente americano para rejeitar este aumento. Apesar disto, Hoover assinou o Ato em 17 de maio. O Congresso e o Presidente acreditavam que isto iria reduzir a competição de produtos estrangeiros no país. Porém, outros países reagiram através da aprovação de leis e atos semelhantes, assim causando uma queda súbita nas exportações americanas. As taxas de desemprego subiram de 9% em 1930 para 16% em 1931, e 25% em 1933. Durante a década de 1930, a taxa de desemprego nos Estados Unidos não retornaria mais às taxas de 9% de 1930, se mantendo em perto da casa dos 20%.
Com o crescente fechamento de instituições bancárias, menos fundos estavam disponíveis no mercado americano, fazendo com que a produção industrial americana continuasse a cair. Em 1929, o valor total dos produtos industrializados fabricados nos Estados Unidos foi de 104 bilhões de dólares. Em 1933, este valor havia caído para 56 bilhões, uma queda de aproximadamente 45%. A produção de aço caiu em cerca de 61%, entre 1929 e 1933, e a produção de automóveis caiu em cerca de 70% no mesmo período.
1933 foi o ápice da Grande Depressão nos Estados Unidos da América. As taxas de desemprego eram de 25% (ou um quarto de toda a força de trabalho americana). Cerca de 30% dos trabalhadores que continuaram nos seus empregos foram obrigados a aceitar reduções em seus salários, embora grande parte dos trabalhadores empregados tenham tido um aumento nos seus salários por hora. Outro problema enfrentado foi a grande deflação – queda do preço dos produtos e custo de vida em geral. Entre 1929 e 1933, os preços dos produtos industrializados não-perecíveis em geral nos Estados Unidos caíram em cerca de 25%. Já o preço de produtos agropecuários caiu em cerca de 50%, por causa do excedente da produção destes produtos – primariamente trigo. A quantidade destes produtos à venda excedia largamente a demanda, o que causou uma queda dos preços destes produtos. Os baixos preços levaram ao endividamento de muitos fazendeiros.

FONTE: http://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Depressão





CARTA INÉDITA DE DOM HÉLDER SOBRE PE. HENRIQUE

14 10 2008


Carta inédita de Dom Helder Câmara narra os tensos momentos entre a informação do assassinato e o velório do Padre Henrique Pereira, trucidado em 1969 por integrantes da ditadura militar brasileira. Na época, a Igreja Católica em Pernambuco vivia sob censura e o arcebispo costumava escrever cartas para registrar os fatos que a imprensa não divulgava. No caso do Padre Henrique, a família não pôde, sequer, publicar nos jornais o tradicional anúncio fúnebre. A carta do Dom:

À querida Família Mecejanense
Recife 27/28 de maio de 1969

525ª. Circular

De repente, às 13:30h me chega o boato de que Pe. Antônio Henrique havia sido assassinado. Procura daqui, procura dali, ele foi identificado no necrotério de Santo Amaro , onde dera entrada como cadáver desconhecido.
Estaria com sinais de sevícias incríveis: 3 balas na cabeça,uma instalada na garganta, sinais evidentes de que foi amarrado pelos braços e pelo pescoço, e arrastado…28 anos de idade, 3 anos de sacerdote. Crime: trabalhar com estudantes e ser da linha do Arcebispo.
Coube-me procurar os velhos pais e dar-lhes a notícia terrível.
No necrotério – onde ficamos até as 19hs, quando o cadáver foi liberado pelos médicos legistas – vivi uma Avant-Premiére de minha própria morte. Burburinho na sala. Gente chegando de todos os cantos. A Imprensa escrita, falada, teve ordem de ignorar o acontecimento, mas demos avisos a todas as paróquias, por telefones e recados pessoais
Levei-o para a Matriz do Espinheiro. Escolhida sob meu divã, inclusive para causar impacto no meio independente.
Na primeira concelebração, às 21hs, tínhamos mais de 40 sacerdotes e a igreja, enorme, estava transbordante de jovens.
Dei uma tríplice palavra:

· Palavra de fé, aos velhos Pais, esmagados de dor;
· Palavra de esperança, aos jovens com quem ele trabalhava, assumi o compromisso de que eles não ficariam órfãos;
· Aos fieis que enchiam o templo – mais uma vez que a imprensa escrita e falada tinha ordem para recusar até o aviso pago de falecimento – pedi que ajudassem a espalhar que às 9hs, haverá nova concelebração, saindo o enterro, às 10hs, para o cemitério da Várzea, que é o cemitério da família.
Li então, a nota, assinada pelo Governo Colegiado, nota que a imprensa não divulgará, mas que nós tentaremos espalhar por toda a cidade, pelo País e… pelo Mundo.
1 . Cumprimos o pezaroso dever de comunicar o bárbaro trucidamento do Pe. Antônio Henrique Pereira Neto, cometido na noite de ontem, 26 do corrente, nesta cidade do Recife.

2. Com 28 anos de idade e 3 anos de sacerdote, o Pe. Henrique dedicou a vida ao Apostolado da Juventude, trabalhando, sobretudo, com os universitários.
Às 22:30h de ontem, segundo o testemunho de um grupo de casais, esteve reunido, em Parnamirim, com pais e filhos na tentativa, que lhe era tão cara, de aproximar as gerações.

3. O que há de particularmente grave no presente crime, além dos requintes de perversidade de que se revestiu (a vítima, entre outras sevícias, foi amarrada, enforcada, arrastada e recebeu 3 tiros na cabeça) é a certeza prática de que o atentado brutal se prende a uma série pré-estabelecida e objeto de ameaças e avisos.

4. Houve, primeiro, ameaças escritas em edifícios, acompanhadas, por vezes, de disparos de armas de fogo. O Palácio de Manguinhos recebeu numerosas inscrições. O Giriquiti foi alvejado. A residência do Arcebispo, a Igreja das Fronteiras, alvejada e pichada.

5. Vieram, depois, ameaças telefônicas, com o anúncio de que já estavam escolhidas as próximas vítimas.
A primeira foi o estudante Cândido Pinto de Melo, quartanista de Engenharia, presidente da União de Estudantes de Pernambuco. Acha-se inutilizado, com a medula seccionada.
A segunda foi um jovem sacerdote, cujo crime exclusivo consistia em exercer apostolado entre os estudantes.

6. como cristãos e, a exemplo de Cristo e do proto-mártir, S. Estevan, pedimos a Deus perdão para os assassinos, repetindo a palavra do Mestre: “Eles não sabem o que fazem”.
Mas julgamo-nos no direito e no dever de erguer um clamor para que, ao menos, não prossiga o trabalho sinistro deste novo Esquadrão da Morte.

7. Que o Holocausto do Pe. Antônio Henrique obtenha de Deus a graça da continuação do trabalho pelo qual doou a vida e a conversão de seus algozes.

Recife, 27 de maio de 1969
+ Helder, Arcebispo de Olinda e Recife
+ Lamartine, Bispo auxiliar e Vigário Geral
Mons. Arnaldo Cabral , vigário episcopal
Mons. Ernani Pinheiro, Vigário Episcopal

A enorme assembléia cantou e rezou durante todo o santo sacrifício. Quando irrompeu o “Prova de Amor maior não há, do que doar a vida pelo irmão”, ouviam-se soluços…
E aqui estamos em vigília e de plantão. Há o temor de que pretendam obrigar-nos a um sepultamento precipitado e sem assistência. Em caso contrário, será uma apoteose:
Após a segunda concelebração, o enterro seguirá a pé , até o inicio da Avenida Caxangá.
O que a muitos parecia fantasia, de repente tornou-se claro para a cidade inteira. Querem que eu me proteja; que não ande só, à noite; que não durma só.
Quem disse que eu ando só? Quem disse que eu durmo só? Andam e dormem comigo, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Velam por mim a Mãe querida e José o amigo fiel… nada acontece ou acontecerá por acaso. É graça, é privilégio viver a 8ª bem-aventurança!

Bênçãos Saudosas do Dom

Fonte: http://www.pe-az.com.br/especiais/pe_henrique_dom.htm