25 ANOS DAS DIRETAS JÁ!

25 01 2009

1984 – Cresce o movimento pelas Diretas Já
25 January, 2009 |
Enviado por: denisedealmeida

O comício pelas eleições diretas para a Presidência da República levou 200 mil pessoas à Praça da Sé, em São Paulo, em um dia chuvoso. Artistas e políticos se revezavam nas apresentações conduzidas pelo locutor Osmar Santos. A palavra de ordem mais ouvida era um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos eleger o presidente do Brasil.

O então presidente do PMDB, Ulysses Guimarães, declarou que o comício marcou o fim do Colégio Eleitoral: “A bastilha, que é um símbolo da usurpação do povo, e que se chama Colégio eleitoral, caiu hoje aqui”.

Com o sucesso do comício em São Paulo todos os governadores de oposição resolveram fazer o mesmo. O governador do Rio, Leonel Brizola, garantiu a realização de uma manifestação ainda maior. A partir de fevereiro, os comícios foram se sucedendo nas principais capitais do país. O comício do Rio levou 1 milhão de manifestantes à Candelária. Em Belo Horizonte compareceram 300 mil manifestantes. Número igual ao de Goiânia. Até que no dia 16 de abril, pouco antes da votação da emenda Dante de Oliveira, que instituía o voto direto para a Presidência da República, realizou-se um último comício em São Paulo, que reuniu 1,5 milhões de pessoas no vale do Anhangabaú.

Para obter a aprovação, a emenda teria de obter 2/3 dos votos. A proposta recebeu 298 votos a favor e 65 contra, e foi derrotada por 22 votos. A população não pode acompanhar a votação dentro do plenário. Os militares reforçaram a segurança ao redor do Congresso Nacional com tropas, tanques e metralhadoras.

Restou a eleição indireta para a presidência, que foi disputada por Paulo Maluf (PDS) e Tancredo Neves (PMDB). Com o apoio das mesmas lideranças da campanha Diretas Já, Tancredo Neves venceu a disputa, mas não tomou posse. Um dia antes da cerimônia passou mal, foi internado e morreu no dia 21 de abril, de infecção generalizada. O vice-presidente José Sarney assumiu o cargo.





ENTREVISTA

19 01 2009


Falsa neutralidade
A crença de que a ciência e a tecnologia são politicamente neutras e de que as inovações são sinônimo de progresso afastam o conhecimento das necessidades sociais
Fábio de Castro, da Agência FAPESP

A ciência e a tecnologia estão longe de ser politicamente neutras e as novas descobertas não correspondem necessariamente a progressos para a sociedade, segundo o professor Fernando Tula Molina, da Universidade de Quilmes, na Argentina. Para ele, embora façam parte do senso comum, as noções de neutralidade científica e determinismo tecnológico representam obstáculo para uma ciência democrática, capaz de melhorar a sociedade.

Ideias como essas foram expostas por Molina em nove sessões entre agosto e dezembro de 2008, durante o 15º Seminário Internacional de Filosofia e História da Ciência, realizado pelo Grupo de Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia do Instituto de Estudos Avançados (IEA), da Universidade de São Paulo (USP).

O seminário foi um produto do Projeto Temático Gênese e significado da tecnociência: relações entre ciência, tecnologia e sociedade, Universidade de São Paulo, apoiado pela FAPESP e coordenado por Pablo Rubén Mariconda, do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Doutor em filosofia pela Universidade de Buenos Aires, Molina permaneceu no Brasil como professor convidado do projeto. No evento, discutiu o tema “Controle, rumo e legitimidade das práticas científicas”.

Para avaliar as implicações científicas e sociais das práticas tecnológicas, o professor propõe uma distinção entre a “eficácia” e a “legitimidade” dessas práticas – e busca elementos conceituais para a compreensão das origens culturais dessa distinção e da complexidade dos diferentes atores envolvidos.

Segundo Molina, que também é pesquisador adjunto do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet), na Argentina, “essa compreensão contribuirá para que se encontrem os caminhos que levem ao acordo requerido pelas políticas científicas nos espaços de diálogo das instituições democráticas”.

Agência FAPESP – Uma das idéias centrais desenvolvidas pelo senhor durante o seminário realizado no mês passado em São Paulo é a de que a ciência não pode ser dissociada da política. Como essa questão foi tratada nos debates?
Fernando Tula Molina – As discussões tiveram origem em um Projeto Temático apoiado pela FAPESP dirigido pelo professor Pablo Mariconda, do Grupo de Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia do IEA, responsável pelo seminário. Esse projeto discute a gênese e os significados da tecnociência. Isso envolve questões históricas, filosóficas e sociológicas, mas no fundo tudo está virando uma área importante ligada à política. Tentamos problematizar duas idéias que hoje são muito fortes em nossa cultura: a neutralidade da ciência e o determinismo tecnológico. Essas duas noções estabelecem no imaginário popular uma idéia de que a ciência é neutra, desprovida de política, quando, na verdade, a ciência – e sobretudo a tecnologia – tem muita política.

Agência FAPESP – Como esse aspecto político se manifesta?
Molina – Uma das linhas que está sendo desenvolvida é que essa política pode ser vista com clareza, por exemplo, no chamado código técnico. Esse gravador digital que você está utilizando, por exemplo, possui um design que encerra em si todo o contexto de sua concepção e está ligado a determinadas estratégias. Essas estratégias representam interesses – que, no caso de uma sociedade capitalista, correspondem aos interesses das corporações. São interesses que têm a ver com o consumismo tecnológico. O projeto do gravador já prevê quando ele sairá de linha, isto é, carrega consigo uma estratégia de obsolescência programada. Para que você consuma mais, é preciso que na sua cabeça a aquisição de novos produtos tecnológicos seja entendida como um progresso. Você acredita que está progredindo e tem um aparelho melhor, de última tecnologia. Mas eventualmente os aparelhos mais antigos tinham mais qualidade. Isso é pura política.

Agência FAPESP – Essa é a idéia do determinismo tecnológico? Uma crença de que o produto que acaba de ser lançado é necessariamente melhor, mais eficiente e mais desejável?
Molina – Sim. É uma estratégia de consumo que se baseia na novidade. O produto é um bem cultural que se vale do valor simbólico que tem a “eficácia” na nossa cultura, levando a pessoa a pensar que os produtos desenvolvidos mais recentemente são melhores. Mas isso é uma falácia. Outra falácia está no discurso político oficial dos nossos países: a idéia de que o cientista pode dizer o que é melhor para a sociedade. O cientista não sabe o que é melhor para a sociedade. Não existem nem mesmo elementos conceituais para abordar essa questão. O seminário teve, portanto, a tarefa central de instalar uma discussão e conscientizar sobre alguns erros. Muitos desses erros, como o individualismo, têm origem filosófica.

Agência FAPESP – Como o individualismo é tratado nessa discussão?
Molina – Quando a lógica predominante é a de que alguém só consegue ganhar quando os demais perdem, o resultado é que as pessoas passam a achar que podem ser livres apenas de portas fechadas. O que gostaríamos de opor a essa idéia individualista é a possibilidade de pensar que, ainda hoje, apesar das assimetrias e desigualdades do capitalismo, podemos aprender a nos organizar de um jeito diferente e reaprender a conviver. A convivência é o ponto central da política em um sentido muito antigo, do qual já falava Sócrates. Como todos os atores, tão diferentes, podem conseguir a felicidade e a plenitude no meio de todos, no espaço restrito da pólis? A ideia de democracia que está por trás do seminário é mais profunda que uma noção de igualdade: é a ideia de que somos todos diferentes.

Agência FAPESP – Qual o efeito desse contexto dominado pelo individualismo sobre o desenvolvimento tecnológico e científico?
Molina – Vamos tentar falar do conjunto ciência e tecnologia: a tecnociência. Se as pessoas acreditam que o investimento em ciência e tecnologia leva o país a crescer automaticamente, melhorando a vida da população, temos o determinismo tecnológico. Nesse caso, já que o resultado seria necessariamente bom para todos, o investimento poderia ser feito sem preocupação com a participação da coletividade – esse determinismo tecnológico é favorecido em um contexto individualista.

Agência FAPESP – Então, sem a participação da coletividade nas decisões científicas e tecnológicas, os avanços do conhecimento não chegam a beneficiar a sociedade?
Molina – Acho que é por isso que temos que combater o determinismo tecnológico. Com essa lógica, o investimento não volta diretamente para a população, mas para as corporações. Os investimentos públicos formam técnicos, especialistas e recursos humanos para a universidade e para o sistema tecnológico. Mas essas pessoas poderão desenvolver tecnologias que melhorem as corporações, não necessariamente o país. Se nossa sociedade tem base tecnológica e capitalista, mesmo que se possa desenvolver a melhor tecnologia, ela irá se limitar a desenvolver a tecnologia com melhor custo-benefício. Tudo o que está envolvido com essas tecnologias será avaliado do ponto de vista quantitativo, porque estará orientado pela produtividade. Incluindo as relações com trabalhadores.

Agência FAPESP – Esse tipo de modelo tecnológico tenderia a agravar o quadro de exclusão social?
Molina – Acredito que sim. A tecnologia orientada pela produtividade só é acessível a quem tem determinado poder de consumo. As distâncias sociais que deveriam ser diminuídas por conta da tecnologia começam a aumentar. O crescimento das diferenças sociais agrava a violência. No fim, a tecnologia, que poderia ter um papel de inclusão, acaba fazendo o contrário.

Agência FAPESP – As tecnologias sociais seriam um possível caminho para contornar esses problemas?
Molina – O Brasil tem uma rede muito boa de tecnologia social. Ela tem 700 organizações – a maioria organizações não-governamentais –, sendo 400 muito ativas. Todas pensam em confrontar essa idéia da tecnologia capitalista associada à corporação. Nesse modelo fundamentado na produtividade, não se pode acessar o conhecimento – que deve ser patenteado. O usuário não é dono do meio onde essa tecnologia vai se produzir e não se pode decidir para onde vai o benefício do desenvolvimento.

Agência FAPESP – Essas tecnologias teriam então mais legitimidade?
Molina – As tecnologias sociais têm um papel importante na democratização do conhecimento, mas elas não chegam a garantir a legitimidade da forma como a entendemos. É preciso distingui-la da eficácia. A tecnociência tem eficácia, mas não tem legitimidade social. Esses dois conceitos muitas vezes são confundidos no próprio discurso do desenvolvimento tecnológico, que está baseado na ideia de controle. O que é o controle? Uma coisa é poder controlar a matéria ou a partícula – como pode a nanotecnologia – no espaço e no tempo. Esse é o controle científico, que é necessário e desejável. Mas não suficiente. Outra coisa é poder dar legitimidade a esse controle.

Agência FAPESP – E como dar mais legitimidade ao controle das práticas científicas?
Molina – Para mim, a legitimidade não está no conteúdo das decisões sobre os rumos tecnológicos, mas no jeito como essas decisões são tomadas. Se a decisão foi tomada de maneira coletiva e democrática e daí gerou os rumos e decisões, isso a legitima, não pelo conteúdo, mas pela forma coletiva. O que temos que pensar é quais são os atores em cada âmbito que deveriam participar democraticamente, sendo reconhecidos como diferentes e igualmente importantes, do rumo mais democrático da enorme capacidade tecnológica que já temos. Mas se não conseguimos dar a isso um caráter democrático, então o rumo será tecnocrático e corporativo. A responsabilidade é nossa. A palavra-chave é participação.

Agência FAPESP – Há propostas para melhorar essa participação?
Molina – O controle tecnológico, voltado para o controle da matéria no espaço e no tempo, não tem, em si, nenhuma legitimidade. Propomos dois novos eixos para pensar essa legitimidade: o tempo da educação e o espaço da participação política. Para melhorar essa participação, temos que gerar um espaço de protagonismo social em que os outros atores possam interagir com os cientistas. O especialista tem uma função consultiva importante, um compromisso de indicar as possibilidades, mas não a prerrogativa de ditar os rumos. Com a ajuda dele, o leigo poderia ter a possibilidade democrática de decidir o futuro. Mas isso não acontece. Na nossa organização estamos excluídos de todas as decisões tecnológicas. Não temos o espaço da participação política.

Agência FAPESP – E quanto ao tempo da educação?
Molina – Levamos tempo para educar alguém a ser crítico com a tecnologia e a conhecer sua própria capacidade de decisão e sua autonomia de criatividade. Essa é a dimensão do tempo da educação. Temos que introduzir essa discussão na escola inicial, porque ali as crianças já têm celular, videogames e muitas possibilidades tecnológicas. Seria importante começar a combater cedo a idéia introjetada de que a ciência é apolítica. Ao superar as idéias de neutralidade e determinismo do desenvolvimento tecnocientífico, só nos restará a possibilidade de um desenvolvimento político, democrático, com participação cidadã. Mas esse cidadão crítico ainda não existe, daí a importância dessa dimensão da educação.

Agência FAPESP – Ainda estamos muito distantes da formação desse cidadão crítico?
Molina – Talvez nem tanto. Podemos pensar no que aconteceu com a cultura ecológica. As crianças e as novas gerações já colocam o problema ecológico de forma mais prioritária. Isso ocorreu, entre outros fatores, porque a ecologia começou a ser apresentada às crianças de forma muito forte, desde a escola inicial. Acho que poderia acontecer o mesmo com o problema tecnológico. Para isso temos que começar a refletir com mais clareza sobre lixo tecnológico, obsolescência planejada, qualidade tecnológica, durabilidade, tecnologias para o futuro, tecnologias sustentáveis, tecnologias adequadas aos problemas – e não apenas ao consumo em massa – e tecnologias customizadas, que não impõem uma única solução, como se fôssemos todos iguais.





AS MULHERES DE DOM PEDRO II

15 01 2009

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Fonte: Aventuras na História





MAYSA – UMA BIOGRAFIA

14 01 2009

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Maysa Figueira Monjardim, de tradicional família de classe média alta, era filha de Alcebíades Guaraná Monjardim (Monja), boêmio, que Quando jovem jogou futebol amador, formado em direito tendo exercido cargo de deputado no Espírito Santo. Monja pertencia a uma família tradicional italiana onde seus antepassados seguiram a carreira militar e política. Casou-se com Inah Figueira, bela moça de olhos claros, que havia sido coroada Miss Vitória, Inah, também pertencia a uma tradicional família do Espírito Santo, era mestiça de lusitanos com brasileiros.
Maysa nasceu no Rio de Janeiro, no dia 6 de junho de 1936, às 11:50 horas, na casa de seu avô paterno que era médico e ex-senador e fez o parto. O nome de Maysa é uma mescla dos dois primeiros nomes de uma grande amiga de Dona Inah, Maria Luysa.
Seu pai, o popular Monja, tinha muitos amigo no meio mundo artístico do Rio de Janeiro e São Paulo. Costumava promover noitadas homéricas, em sua casa, regadas a uísque e muita musica, com presenças quase obrigatórias de artistas como Silvio Caldas e Elizeth Cardoso. Monja era um hedonista em um clã que se orgulhava da ascendência histórica e nobre. Maysa admirava a total ausência de convencionalismo com que fora criada.
A fama de Monja era de ser um sujeito amigo do samba e da noite. Seu
sogro não gostou muito do seu cartaz de mulherengo e bom de copo, quando o viu interessado em sua filha Inah, uma jovem de grande beleza.

SAIBA MAIS: http://www.fmu.br/site/graduacao/psicologia/arquivos/biografia_maysa_07.pdf

CRÍTICA DO JORNALISTA ARTHUR CARVALHO SOBRE A MINISSÉRIE DA REDE GLOBO DE TELEVISÃO

Pobre Maysa!
Publicado em 14.01.2009 no JC

Arthur Carvalho
Maysa, minissérie exibida na telinha, foi uma peça de singular mediocridade, representando, no mínimo, uma absurda simplificação, cheia de clichês, da vida de uma grande cantora – e também compositora –, transformando-a em lixo televisivo. Ainda mais porque a tal minissérie, com ou sem hífen, vem assinada pelo próprio filho da infeliz artista, que já havia transformado a biografia de Olga Benário em piada de mau gosto. Nesse filme, Jayminho Monjardim Matarazzo conseguiu ser pior do que a pantaneira novela da falecida Rede Manchete, ao mostrar, entre outros “assuntos relevantes”, a determinada ativista desvirginando o Cavaleiro da Esperança, Luís Carlos Prestes. Isso mesmo: Jayminho considerou importantíssimo o fato de Olga ter sido a primeira experiência sexual do casto tenente e comandante da Coluna…

O que vimos, recentemente, foi a dramática vida de uma mulher extraordinária, pasteurizada sob a assinatura do próprio filho “diretor” de TV. Jayminho poderia tentar se redimir do que fez com a história (trágica) de Olga, ao se dedicar, por fim, à trajetória da mãe, que ele deveria conhecer melhor do que ninguém. Ele não somente permitiu, como se associou ao projeto de transformar Maysa numa minissérie sensaborona com todos os chavões que a Globo pensa ter o direito de impingir a uma platéia que julga completamente analfabeta. Como se não bastassem a inteligência fulgurante, a envolvente simpatia, a erudição à flor da pele, a comovente humildade, as constantes e chocantes demonstrações de falta de ética profissional nas transmissões de futebol, o ufanismo histérico e a cultura enciclopédica de Gavião Bueno, o gênio da raça. Enfim, a pobre mãe de Monjardim terminou – coitada! – “pagando o pato” de ser mostrada como uma adolescente pré-gordinha que se casa com um homem mais velho (André Matarazzo) antes de ser cantora, sob a censura do marido paulista quatrocentão. E o que virá agora? Um retrato polaroide do mundo do rádio e da televisão “engatinhante”, entre 1950 e 1970? É o que prevejo. Vê-se que se Jayminho fosse o filho de Billie Holiday (outro azar da negona?), de quem sou admirador, ele teria transformado até a história – ainda mais sofrida – da magistral intérprete de blues americanos numa espécie de resumo biográfico da existência de Xuxa com a de Rita Pavone (lembram-se dela?)…

Estava no ar, portanto, uma distorção televisiva (mais uma, na verdade) de todas as vidas que se perdem – ou se ganham – entre as antigas fumaças etílico-tabagistas do chamado “show-business”. Só os “boêmios” de hoje conseguiram engolir essa Maysa, calados, “até o amargo fim”.

Existe um filme admirável – The Rouse (1979) – dirigido pelo americano Mark Rydell, com roteiro baseado na vida da difícil Janis Joplin. Ele conquistou o disputado prêmio Globo de Ouro e deveria ter sido visto (ao menos esse filme do competente Rydell) por Jayminho, como dever de casa, antes de derrapar na tele-biografia da criadora de Ouça. A fita que Clint Eastwood realizou sobre Charlie “Bird” Parker também poderia ser citada. O título é Bird, e foi rodada em 1988. Uma boa mostra, também, do que se pode fazer – de honesto – com o material da saga de pessoas como Joplin, Charlie Parker e… Maysa.

Hoje, dia em que escrevo esta matéria, já não verei o quarto capítulo de Maysa, nem sequer para ouvir velhos hits na trilha sonora (a única coisa boa da mini, mal roteirizada e burocraticamente dirigida por Jayminho). Quando o Brasil aprender a tratar gente, na TV, como pessoas de carne, osso e sangue, voltarei a ficar acordado para assistir a “minisséries” de fim de noite. Só espero que a poderosa Rede Globo – que alardeou grandes índices de audiência de Maysa, vista pelo “povão” anestesiado, indiferente(?) – não resolva exibir mais uma novelita cor-de-rosa, em outubro próximo, nos 50 anos da morte prematura de Dolores Duran, em 23 de outubro. Que seria de Amy Winehouse, Cássia Eller, Dalva de Oliveira e Elza Soares, nas mãos sacrossantas da “vênus platinada”?

» Arthur Carvalho, advogado, é da Federação Internacional de Jornalistas





Esquecidos e mal pagos

13 01 2009

Esquecidos e mal pagos
Professores reclamam de baixos salários e se sentem humilhados pelo governo. Há exatos 137 anos
Daniel Cavalcanti Lemos

“Não vedes que, tratados os professores como escravos, só conseguireis moldar por eles uma sociedade indigna do século em que viveis?!” Atualizada a linguagem, este questionamento valeria para os dias de hoje. Mas o alerta foi feito em 1871 por professores públicos primários da Corte imperial. Em manifesto aberto para chamar a atenção da sociedade civil, eles exigiam melhores condições de trabalho, respeito por parte do poder público, pagamento dos prêmios a que tinham direito, a desistência do Estado de promover uma reforma do ensino e, principalmente, aumento de salários.

Classificados pelo ministro do Império como “incompetentes”, estavam submetidos a salários que, segundo eles próprios, os condenavam à miséria. Além disso, reclamavam que o poder público ignorava solenemente suas reivindicações, como fizera com o primeiro “Manifesto dos Professores Públicos de Instrução Primária da Corte”, elaborado por um grupo de mestres em 1870. Enviado à Assembléia Legislativa, ao ministro do Império Paulino José Soares de Souza e ao imperador D. Pedro II, o documento não recebeu nenhuma resposta satisfatória.

Sentindo-se desprezados, os docentes acrescentaram-lhe então um novo trecho e o endereçaram desta vez ao “poder real da nação”, aquele que estaria acima dos políticos e do imperador: a sociedade civil. Publicado em julho 1871, divulgado na forma de um pequeno livro de 21 páginas, o manifesto aos cidadãos começa em tom de verdadeiro desabafo: “Em uma época de patriotismo e de reformas, quando parece despontar nos horizontes da pátria uma nova era de prosperidade; uma classe inteira de funcionários públicos, classe talvez a mais importante dos servidores do estado, vive oprimida, ludibriada e escarnecida, e, o que mais é, humilhada pela injustiça com que os poderes do estado a apelidam constantemente de ignorante”.

Ao escrever para a sociedade, os professores reuniram todos os manifestos produzidos anteriormente, como se juntos formassem um histórico de suas reivindicações. A coletânea incluía uma carta enviada a D. Pedro II. Nela, faziam referência à “época de patriotismo e de reformas”, já que, com o fim da Guerra do Paraguai (1864-1870), se anunciavam grandes mudanças. Uma das reformas era a da instrução, anunciada pelo próprio imperador: em suas palavras, os professores deixariam de ser uma “classe deslembrada” (esquecida) entre os funcionários públicos.

Em 1870, D. Pedro II, em sua fala do trono, reconheceu a situação difícil em que se encontrava o magistério. Conhecido como amante da cultura, das letras e das ciências, certa vez afirmou que, se não fosse imperador, gostaria de ser mestre-escola. Mas nem esta declarada simpatia nem o reconhecimento público do problema garantiram aos professores primários qualquer acréscimo aos seus ordenados.

Com a promulgação da Lei do Ventre Livre (1871) e a força crescente do movimento abolicionista, parecia claro que o fim da escravidão, cada vez mais próximo, reforçaria a importância da instrução popular. Não à toa, o texto fala em uma época de “justiça, quando os direitos de uma parte da humanidade oprimida vão ser reconhecidos”. O cenário favorável à valorização da escola estimulou a classe a reagir em público contra a forma como estavam sendo tratados pelo Estado. Queixavam-se, por exemplo, do relatório do conselheiro Paulino Soares de Souza sobre os negócios do Império. Apresentado em 1869, o documento dizia que “as condições da instrução primária nessa Corte estão ainda longe de satisfazer as necessidades sociais”. Os motivos apresentados pelo conselheiro eram a carência de escolas e “falta de bons professores”.

Ofendidos com a afirmação, os docentes respondem no manifesto dizendo que têm “sofrido resignados toda sorte de injustiças. Agora, porém, a taça transbordou com a repulsa que acabamos de sofrer”. A culpa pela degradação do sistema educacional público, afirmam, é do governo. Indignados por serem tratados como lacaios, rebatem as acusações feitas pelo conselheiro e respaldadas pelos deputados com o intuito de “humilhá-los com o baldeão de ignorante”. Afinal, argumenta o texto, a ignorância no Brasil não é uma característica da sua classe, mas “uma espécie de epidemia, que não respeita muitas vezes as mais elevadas posições”. As duras declarações iniciais abrem espaço para o arremate: “Nenhum de nós ignora o que pertence ao seu ofício, como acontece com muitos de vossos sábios bochechudos que se alimentam de vosso suor!”

Na pauta das críticas entra também a construção dos modernos edifícios escolares. Chamados de “palácios”, vinham sendo projetados para servirem ao ensino público primário, substituindo as escolas isoladas que funcionavam em diversas regiões do Rio de Janeiro. A maioria das antigas escolas não contava com espaços agora considerados indispensáveis para o bom ensino, como salas amplas, bem ventiladas e iluminadas, laboratórios, bibliotecas e salas para conferências. Com capacidade para receber aproximadamente 600 alunos, os “palácios” se apresentavam como expressões de um novo tempo e de um novo conceito de escola. As ressalvas não se dirigiam às construções em si, mas ao dinheiro empregado nelas: dentro daqueles “custosíssimos prédios”, o professor, segundo o manifesto, morria de fome.

Outra queixa ao novo modelo argumentava que a centralização do ensino nesses grandes edifícios levaria a uma interferência indevida do Estado nas atividades letivas. Pelo mesmo motivo, denunciavam a proposta do governo de criar uma inspeção vigilante, comparando os inspetores a feitores: “Mandai-nos feitores, um para cada escola, se vos aprouver. Falai-nos de emancipação, e quereis o professor escravo! Ah! (…) É que não compreendeis os vossos próprios interesses”.

O grupo que elaborou a série de documentos tinha à frente três professores: Candido Matheus de Faria Pardal, João José Moreira e Manoel José Pereira Frazão, que assinam “em nome da classe”. Maior expoente do grupo, Frazão foi o relator do manifesto e tentou organizar uma associação classista, o Instituto Profissional dos Professores, que, por brigas internas, não foi adiante. No ano seguinte, ele fundaria e seria redator do jornal A verdadeira Instrucção Pública, e havia quase uma década vinha escrevendo artigos relativos à situação da educação em vários periódicos, sendo os primeiros publicados sob o pseudônimo de “professor de roça”, no jornal Constitucional, em março e abril de 1863. Esses artigos continham críticas à política e às condições salariais a que estavam submetidos os professores. Num deles, de abril de 1863, o “professor da roça” afirmava que “o professorado hoje é a peior das recommendações! Perguntai a um pai o que é o professor de seu filho, e elle vos responderá: “Um criado de ensinar meninos!”

O tom duro do manifesto gerou descontentamento na Inspetoria Geral de Instrução Primária e Secundária da Corte. Quando o documento chegou às mãos do imperador, houve uma grande agitação na cúpula da Inspetoria, com trocas de ofícios e cartas em caráter reservado entre o inspetor geral e o ministro do Império. Em uma dessas correspondências, o inspetor José Bento da Cunha Figueiredo prometeu ao ministro João Alfredo obter informações sobre “os procedimentos a que podem estar sujeitos os professores Frazão, Pardal e Moreira pelo manifesto publicado no Jornal do Commercio no dia 30 do mês de julho”. Porém, apesar de a Inspetoria buscar uma forma de punir os professores, nada poderia ser feito: o próprio imperador defendia o direito de manifestação, ainda que as críticas ferissem a sua administração. Diante disso, o inspetor sugeriu que o Ministério dos Negócios do Império fizesse apenas uma “repreensão” por escrito, o que não afetou os rumos das reivindicações.

Mesmo sem alcançar nenhum de seus propósitos, a mobilização dos professores não foi em vão. Eles conseguiram melhorar sua forma de organização, tornando aquele um período de várias realizações. Em poucos anos, foram criadas suas primeiras associações profissionais e fundados jornais, revistas, associações de auxílio, científicas e beneficentes.

Nas novas publicações, eram discutidos métodos pedagógicos e as políticas do Império para a instrução. Na década de 1870, dois jornais organizados por professores travaram intensos debates. Um foi A Instrucção Publica, lançado em abril de 1872 e chefiado pelo diretor da escola normal de Niterói, José Carlos de Alambary Luz, e o outro, A Verdadeira Instrucção Publica, lançado dois meses depois. É possível perceber já pelos nomes o clima de disputa presente entre a classe, que em seguida se organizaria em diferentes associações. Algumas tinham caráter científico, como a Sociedade Literária Beneficente Instituto dos Professores Públicos da Corte, de 1874. Outras eram mais assistencialistas, com o objetivo de auxiliar financeiramente os professores em dificuldade, pagar enterros e uma pequena pensão às viúvas. Era o caso da Caixa Beneficente da Corporação Docente do Rio de Janeiro, criada em 1875.

Essa participação organizada de professores, produzindo jornais, abaixo-assinados e manifestos, teve importante papel na articulação e na criação das primeiras associações profissionais, como a Associação dos Professores Públicos da Corte (1877) e o Grêmio dos Professores Públicos Primários da Corte (1881).

Hoje, quase 150 anos depois, a classe dos professores permanece entre as “deslembradas” do poder. Os problemas da educação pública continuam a ser um dos grandes empecilhos enfrentados pelo Brasil. É preciso continuar lutando pelas mesmas causas às quais se entregaram o professor Frazão e seus colegas. Como dizia o pedagogo Paulo Freire, a luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente: um exercício de ética.

DANIEL CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE LEMOS é doutorando em Educação na UFMG e autor da dissertação “O discurso da ordem: a constituição do campo docente na Corte Imperial” (Uerj, 2006).

Saiba Mais – Livros:

GONDRA, José G. e MAGALDI, Ana Maria. A reorganização do campo educacional no Brasil: Manifestações, Manifestos e Manifestantes. Rio de Janeiro: 7letras, 2003.
GONDRA, José G. Emergência da Escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.
VILLELA, Heloísa. “O mestre e a professora”. In: LOPES, Eliane M. & FARIA FILHO, Luciano (orgs.). 500 anos de educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.





CONVITE

9 01 2009

PALESTRA/DEBATE

Com Gilvan Rocha

“Atuação dos Movimentos Sociais de forma autônoma e independente”

14 /JAN/ 2009

ÀS 15h30

Sede do MTC

Rua Gervásio Pires 404

Boa Vista

Promoção

Fórum Permanente Pela Ética na Política

Associação Pernambucana de Anistiados Políticos – APAP





CRIANÇAS: AS MAIORES VÍTIMAS DA INSANIDADE DE ISRAEL NA FAIXA DE GAZA

9 01 2009

Após 15 dias de combate extremamente desigual, as crianças (mais de 200, segundo órgãos de notícia internacionais), são as maiores vítimas desse holocausto promovido em nome do interesse econômico da indústria bélica americana e da ambição no controle das reservas de petróleo no Oriente Médio.

Acesse este site: http://maniadehistoria.ning.com/profiles/blogs/criancas-as-maiores-vitimas-da
O NAZISMO AINDA ESTÁ PRESENTE ENTRE NÓS!





ABAIXO-ASSINADO: PELO FIM DO HORROR NA FAIXA DE GAZA!!!

6 01 2009

PELO FIM DO HORROR NA FAIXA DE GAZA!!! :
Destinatário: GOVERNO FEDERAL / CONGRESSO NACIONAL / ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS

ABAIXO-ASSINADO

Os interesses são muitos e de muitos agentes poderosos! Sabemos que são interesses basicamente econômicos, e potências como os EUA têm, segundo muitos analistas, a meta de controlar o Oriente Médio com o apoio do Estado de Israel, devido sua principal riqueza: o petróleo.

A comunidade internacional não está passiva. O povo brasileiro no entanto, não está reagindo a altura da gravidade da situação!

PEDIMOS SUA PARTICIPAÇÃO! PRECISAMOS DEMONSTRAR NOSSA INDIGNAÇÃO CONTRA O HORROR DAS MORTES – EM ESPECIAL DAS CRIANÇAS PALESTINAS – ASSINANDO ESTE DOCUMENTO QUE SERÁ DISTRIBUÍDO ENTRE VÁRIAS INSTITUIÇÕES, COMO: GOVERNO FEDERAL, CONGRESSO NACIONAL, E ÓRGÃOS DA ONU!

ACREDITE!!! FAÇA SUA PARTE!!!

LINK DO ABAIXO-ASSINADO: http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/3624





O holocausto da faixa de Gaza(imagens fortes!)

4 01 2009





GAZA:UM POVO EM ESTADO DE COMA

4 01 2009

Gaza: um povo em estado de coma





Selo de nascimento do centenário de Dom Helder Camara

2 01 2009

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Para saber mais sobre Dom Helder Camara e seu centenário de nascimento, clique neste link:








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