A DITADURA MILITAR NO BRASIL – 45 ANOS ( 01 DE ABRIL DE 64 / 31 DE MARÇO DE 2009)

30 03 2009

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Gregório Bezerra, símbolo da luta e da resistência do povo contra a ditadura militar no Brasil

O 1º de abril está chegando de novo! Para muitos brasileiros e brasileiras é uma data fatídica de péssimas recordações, de se ter saudade de entes queridos que se foram (mortos!) e nunca mais voltaram, de tantas crueldades contra nosso povo, nossos intelectuais mais comprometidos, de tanta perseguição e cassação de direitos políticos vitimando governadores, deputados, vereadores, prefeitos, artistas, escritores, operários, camponeses, professores, religiosos, pessoas que sonhavam com um País melhor e mais decente. Tantos jovens arrancados de seus lares, tantos livros queimados como numa grande inquisição.
Quarenta e cinco anos e parece que foi ontem!
Os militares dão um golpe em nosso presente e promessas de futuro, tiram do poder o presidente João Goulart e sob as bençãos dos Estados Unidos da América (sempre eles!) mergulharam o Brasil numa escuridão e atraso de toda ordem por longos anos. Até hoje sente-se os efeitos nefastos da época!
Mas teve resistência, organização, clamores públicos no Brasil e no exterior e luta… muita luta e muitos personagens que desfraldaram suas bandeiras na conquista pela democracia.
Em memória desse período lembro aos nossos visitantes que bem ao lado em nosso blog temos vários sites à disposição, onde você leitor/pesquisador, encontrará farto material sobre o tema. Logo abaixo, deixo um link do Brasil Cultura, que considero um bom ponto de partida para que você conheça ou recobre um dos momentos mais impactantes de nossa história.
Boa pesquisa e boa reflexão!

Luís Carlos Lins.

Clique aqui.





AGRADECIMENTOS!!!

30 03 2009

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Não importa se os visitantes deste blog nos encontram casualmente ou de forma deliberada. O que interessa de verdade é que não pára de crescer o número de pessoas que contatam nossa página, seja porque tem as informações que lhes interessam, seja porque buscando nos sites de busca os temas que pesquisam, encontram acolhida no endereço Mania de História.

De dezembro do ano passado até o final do mês de março/2009 foram mais de 7.300 acessos, com cliques em diversos de nossos links. Por isso, é com muita satisfação que venho a público agradecer a todos e reforçar nosso desejo de dar continuidade a esta parceria exitosa entre o Mania de História e vocês.

Mais uma vez, muito obrigado!!!!!!!!!!!





QUEM CONQUISTOU O BRASIL? CABRAL OU GOUVEIA?

29 03 2009

Quem descobriu (invadiu ou conquistou) o Brasil?
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Pela tradição portuguesa de então os livros didáticos deveriam grafar : Pedro Álvares Gouveia. É o seguinte: como o tal Pedro era o segundo filho de dois irmãos, ele só poderia herdar o sobrenome do pai (Cabral) após a morte do irmão mais velho. Portanto, o invasor europeu desembarcou em terras de Pindorama com o sobrenome da mãe (Gouveia). Quando perguntarem pra vocês o nome do colonizador português que aportou por essas bandas em 1500, podem dizer sem medo de errar: “PEDRO ÁLVARES GOUVEIA”

Fonte: RHBN





PRINCESA ISABEL ABORTOU CRIANÇA DE OITO MESES

29 03 2009

Reproduzimos aqui parte de matéria que o Jornal do Commercio/PE fez sobre documentos da Assembléia Legislativa de Pernambuco que estariam sendo digitalizados e que virão a público em breve, via internet. Um deles traz este furo historiográfico. Nunca li ou ouvi comentários que a Princesa Isabel tenha abortado uma criança. E talvez este seja o primeiro blog a tratar do assunto.
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Revelado aborto da Princesa Isabel
Publicado em 29.03.2009 – Jornal do Commercio/PE

A despeito das violações, o trabalho de digitalização dos documentos revela a riqueza dos arquivos da Assembleia, principalmente referente ao Brasil Império. Um exemplo é um documento que relata um aborto que a princesa Isabel teria sofrido em 1874 de uma menina, aos oito meses de gestação, antes do nascimento seu primogênito, Pedro de Alcântara. O fato é pouco conhecido. A informação oficial sobre o caso consta de um comunicado do imperador d. Pedro II à Assembleia Provincial de Pernambuco. Um documento raro em meio a tantos outros, depositado nos arquivos do Legislativo.





PROCURANDO DARWIN

28 03 2009

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A Revista de História da Biblioteca Nacional lançou um desafio super interessante. Os leitores estão convidados/as a embarcarem numa investigação com o objetivo de identificar onde Charles Darwin ficou hospedado durante sua passagem pelo estado do Rio de Janeiro. A pista que o famoso evolucionista que se estivesse vivo estaria completando 200 anos, é que ele esteve por alguns dias no bairro do botafogo.
O projeto Caminhos de Darwin é patrocinado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e aquele/aquela que elaborar o melhor trabalho de pesquisa, que necessariamente não precisa desvendar o mistério mas apresentar um bom texto e fontes de qualidade, estará concorrendo a uma assinatura da Revista de História da BN, DVDs e livros sobre Darwin.
Mande sua pesquisa para o e-mail: redacao@revistadehistoria.com.br ou pelo correio: Av. Churchill, 109/1.101, Rio de Janeiro, CEP: 20020-050, com o assunto “Procurando Darwin”.

Para saber mais, acesse o site da revista clicando aqui.





MARCO POLO

27 03 2009

As viagens e histórias contadas por este homem, inundou a cabeça dos europeus de curiosidade e desejo de riqueza. O Eldorado, “terra de ouro sem fim”, esta imagem das Índias do Oriente, selou para sempre o destino de milhares de pessoas e culturas e terras distantes. Marco Polo deu uma contribuição decisiva para que os aventureiros da Europa invadissem, fizessem fortuna e provocassem um choque cultural sem precedentes.
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As fantásticas (e verdadeiras) aventuras de Marco Polo

A narrativa de uma viagem de 24 anos ao longínquo Oriente, que encantou a muitos durante séculos, teve sua autenticidade confirmada no século XIX.
por Jacques Brosse

Quando Marco Polo voltou a Veneza em 1295, seus compatriotas não o reconheceram – o que não foi uma surpresa, já que ele os havia deixado 24 anos antes, quando tinha apenas 17. Foi isso, sem dúvida, que inspirou o relato exagerado, quase lendário, narrado por Giovanni Battista Ramusio (1485-1557), autor que escreveu sobre os Polo, três séculos depois. Marco, Niccolo, seu pai, e Matteo, seu tio, teriam chegado em casa como peregrinos, vestidos com trajes miseráveis.

Tiveram, dificuldade em se fazer reconhecer pelos parentes, que, ocupavam a casa, pensando que estavam mortos. Os três viajantes convidaram, então, todos os seus aparentados para um banquete, no qual surgiram vestidos com hábitos de cetim violeta, logo trocados por outros de seda estampada, ainda mais preciosos, antes de retomarem seus hábitos à moda veneziana. Em seguida, Marco Polo trouxe os trapos com que estavam vestidos quando de sua chegada a Veneza; descosturou-lhes a barra, fazendo tombar “uma grande quantidade de jóias de um valor inestimável, rubis, safiras, granadas, diamantes e esmeraldas”. Imediatamente, sua família “lhes devotou sinais de estima e de respeito”.

Apesar de se tratar apenas de um apólogo, essa cena reflete a emoção que tomou conta dos venezianos ao rever esses três homens, que há tempos se pensava que estavam mortos, e contemplar as riquezas trazidas de países tão longínqüos, dos quais nunca tinham ouvido falar.

Muitos curiosos dirigiam-se à casa dos Polo, em uma pequena praça perto da ponte do Rialto. Com bastante complacência, Marco relatava suas extraordinárias aventuras e descrevia os países que tinha percorrido. Como bom homem de negócios veneziano, avaliava suas enormes riquezas em milhões de moedas de ouro.

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Marco Polo foi à China?





O POVOAMENTO DA AMÉRICA

26 03 2009

pedra
Povoamento das Américas: um debate sem fim

O cenário

Milênios antes do período geológico e climático atual, o clima da Terra era mais frio. Grandes geleiras estendiam-se imediatamente ao norte das regiões hoje ditas temperadas do hemisfério norte; na maior parte das regiões intertropicais, embora o clima não fosse tão frio, imperavam climas geralmente mais secos que os de hoje. Como as águas ficavam retidas sob a forma de gelo nas zonas polares, o nível dos oceanos era cerca de 100m mais baixo. Assim, podia-se transitar a pé por uma passagem de terra entre a Sibéria e o Alasca na região da Beríngia. Com as precipitações, as geleiras aumentavam, bloqueando essa passagem. Os períodos em que a travessia podia ser feita eram, portanto, bastante restritos.

A probabilidade de que alguma leva de imigrantes tenha vindo pelo mar há mais de dez mil anos, quando as técnicas de navegação eram muito precárias, é remotíssima. A propósito, o povoamento das ilhas do Pacífico é comprovadamente muito mais recente.

Infelizmente, as regiões através das quais os imigrantes asiáticos alcançaram a América do Norte estão hoje sob as águas geladas do Ártico ou foram em algum momento ocupadas por geleiras. Os mais antigos locais de habitação da Beríngia e do Alasca encontram-se, portanto, submersos ou foram destruídos pelo gelo. Os sítios identificados pelos arqueólogos localizam-se mais ao sul e não correspondem às regiões habitadas pelas primeiras gerações de colonos.

Os indícios

Vestígios inquestionáveis da presença humana entre 12 e 11.500 anos atrás foram encontrados em abrigos ou, mais raramente, a céu aberto, na Califórnia e México (América do Norte) e no Chile central, no Peru e nas regiões Central e Nordeste do Brasil (América do Sul). Os sítios que permitem essa afirmação categórica contêm instrumentos de pedra lascada feitos com matéria-prima de boa qualidade trazida de fora da região. Muitos desses objetos, produzidos por meio de golpes certeiros, são complexos demais para terem sido feitos por fenômenos naturais. Foram datados a partir do carvão de fogueiras e, por estar associados a artefatos, pode-se inferir que resultem de ação humana. Muitas vezes os sítios apresentam ainda vestígios alimentares característicos.

O estudo das condições de deposição do sedimento (a terra dentro da qual se encontram os vestígios) permite verificar que não houve perturbações tardias capazes de misturar objetos recentes e antigos. A partir de onze mil anos atrás, aparecem também esqueletos, particularmente numerosos nas imediações de Lagoa Santa, Minas Gerais: Lapa Vermelha, Cerca Grande e Santana do Riacho.

Há vários sítios, no Brasil inclusive, com indícios de uma ocupação possivelmente mais antiga. Infelizmente, todos apresentam algum problema que impede de se chegar a uma conclusão definitiva. Vários parecem conter instrumentos de pedra, mas estes são feitos a partir de rochas do próprio local ou podem ter sido trazidos por fenômenos naturais. São tão toscos que o lascamento rudimentar pode ter resultado de um choque acidental: pedaços de blocos do teto, ao cair uns sobre os outros durante milênios, acabam se lascando espontaneamente. Restos de carvão e pedras queimadas podem ter sido produzidos por ação de raios. Embora, em outros casos, instrumentos e fogueiras pareçam inquestionáveis, há indícios de que as camadas sedimentares foram perturbadas e de que os vestígios arqueológicos podem ter-se infiltrado a partir de uma camada sedimentar mais recente.

Não há por que recusar a priori a possibilidade de uma presença humana mais antiga na América, mas os indícios propostos devem ser meticulosamente avaliados. Muitas vezes os arqueólogos acabam interpretando os dados disponíveis de modo divergente, fazendo com que o público não saiba em quem acreditar. Nos últimos anos, foi divulgada na imprensa a existência de sítios que comprovariam a presença do homem no Brasil há dezenas e até centenas de milhares de anos. É preciso que se saiba que os especialistas estão longe de alcançar unanimidade em torno desse assunto. De qualquer modo, se havia gente no sul dos Estados Unidos a 11,5 mil anos atrás e no Chile a 12.500 anos atrás, deduz-se que seus antepassados tenham chegado ao norte do continente — a milhares de quilômetros de lá — muito tempo antes.

A única possível conclusão é, quaisquer que sejam os trabalhos relacionados as Antigüidades, das mais distintas áreas do conhecimento, eles fornecem hipóteses reflexivas e de comparação que permitem levar mais longe a análise, e isto em todos os setores da ciência, contribuindo para um conhecimento mais profundo da história humana.

Os atores

Quem eram os primeiros imigrantes? Nada podemos dizer a respeito de possíveis indígenas anteriores a doze ou onze mil anos atrás. Verifica-se, no entanto, a partir desse instante a presença de populações muito diferentes tanto dos atuais asiáticos como dos índios modernos. Só a partir de aproximadamente oito mil anos atrás é que aparecem vestígios de homens com traços asiáticos, ditos “mongolizados”, já bastante parecidos com os indígenas atuais.

Estudos muito recentes sugerem que os primeiros habitantes das Américas (autores da cultura Clóvis nos Estados Unidos e de outras culturas da mesma época na América do Sul) descendiam de uma população não mongolizada da Ásia central. Parte dessa população teria migrado para o sul, chegando à Austrália, enquanto outra parte teria viajado para o norte, penetrando as Américas. Pode-se, assim, explicar a semelhança entre o chamado Homem de Lagoa Santa e as populações aborígines da Austrália, embora tenhamos certeza de que não houve navegação entre esses dois continentes. Na região de origem, esses primitivos Homo sapiens teriam sido substituídos por populações mongolizadas, que, por sua vez, produziram novas ondas migratórias em direção às Américas.

Essa hipótese, ainda em discussão, sugere que quatro ondas migratórias principais vindas da Ásia penetraram as Américas (os esquimós são representantes da última delas), sendo que pelo menos duas teriam alcançado a América do Sul.

Podemos chegar a um julgamento definitivo?

Enquanto a arqueologia fornece provas definitivas da presença humana na América entre 12,5 e 11 mil anos atrás, lingüistas e estudiosos de ADN mitocondrial acreditam que a diversificação biológica e lingüística que se verifica no continente permite supor um período de tempo maior, da ordem de vinte a trinta mil anos. Os arqueólogos não devem descartar essa possibilidade, mas o fato de os primeiros colonizadores terem sido provavelmente pouco numerosos faz com que sejam remotas as chances de identificação de seus vestígios. Caso alguns dos sítios polêmicos mencionados anteriormente sejam de fato marcas da sua presença, isso significaria que seus habitantes trabalhavam a pedra de modo muito grosseiro se levarmos em conta a habilidade de populações contemporâneas de outras partes do mundo. Mas essa hipótese é plausível, já que, sobretudo em meio tropical, a madeira pode ter sido muito mais utilizada do que a pedra.

Os cientistas devem, portanto, continuar buscando indícios dos primeiros americanos e discutir sua validade caso a caso. O papel da controvérsia na arqueologia, que não está no domínio das ciências experimentais, é essencial. Os “advogados do diabo” são necessários para obrigar os que defendem a existência de sítios supostamente pleistocênicos na América a controlar suas informações, refinar seus argumentos e comprovar suas asserções. Mas nem sempre é fácil manter as discussões sobre esse tema — o mais polêmico da arqueologia americana hoje — nos limites da elegância desejável.

In: Ciência Hoje, vol.25, nº149, maio 1999

André Prous

Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas/Museu de História Natural,

Universidade Federal de Minas Gerais

Pesquisador do CNPq responsável pela Missão Arqueológica Franco-Brasileira de Minas Gerais





GUERRAS POR ÁGUA

22 03 2009

Em virtude do Dia Mundial da Água e pela sua importância vital, não poderíamos deixar de publicar uma matéria sobre um assunto tão urgente. O artigo abaixo não é recente, mas continua cada vez mais atual, e logo abaixo, o leitor/ra terá acesso a uma tabela de conflitos relacionados com a água pelo mundo inteiro.
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Guerra da água ameaça o século*
Previsões de escassez global impõem ação rápida para evitar catástrofe de abastecimento e crise de segurança

Por Flávio Henrique Lino**

A fartura de água no planeta Terra é enganadoramente aparente. Apenas 2,5% da massa líquida são compostos de água doce, e menos de 0,01%, de potável. Com o explosivo crescimento demográfico no século XX, a população triplicou nos últimos 70 anos, enquanto o consumo de água sextuplicou. Cerca de 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável e 2,4 bilhões, a saneamento básico. Dos recursos hídricos disponíveis anualmente, 54% já são utilizados e, em 2025, poderemos estar usando 70%. As previsões da ONU são de que nesse ano dois terços da Humanidade viverão em países sofrendo de escassez de água. Para atender às demandas de água potável e saneamento básico são necessários investimentos de US$ 23 bilhões por ano, mas apenas US$ 16 bilhões são investidos, abrindo espaço, segundo a Organização Mundial de Saúde, para a morte anual de 3,4 milhões de pessoas por doenças transmitidas pela água.

Acabar com o desperdício, o maior desafio das próximas décadas

O quadro anunciado de escassez mundial de água nas próximas décadas põe na ordem do dia uma questão básica: como aproveitar melhor os recursos hídricos em função do crescimento populacional acelerado. O melhor aproveitamento da água é um dos caminhos apontados para tentar desativar o que especialistas consideram uma bomba-relógio.

Nas últimas três décadas, a área de terra irrigada – que responde por 40% da comida produzida no planeta – subiu de 200 milhões de hectares para 270 milhões, sugando 70% da água doce consumida anualmente. No entanto, 60% dessa água (ou seja, 42% do total geral consumido a cada ano) se perdem por ineficiência dos sistemas de irrigação. Para corrigir esse e outros problemas estruturais de aproveitamento da água, a ONG de pesquisa ambiental americana Worldwatch Institute propõe uma “revolução azul”.

- À medida que a água se torna mais escassa no mundo, o desafio é descobrir como melhorar sua utilização e gastar menos – explica Sandra Postel, diretora do Projeto de Políticas Globais para Água do Instituto. – Teremos de combinar um uso mais eficiente da tecnologia com políticas corretas de alocação e gerenciamento de água. Assim, conseguiremos satisfazer as necessidades humanas sem tirarmos mais água do meio ambiente, protegendo a saúde dos rios, lagos e ecossistemas que sustentam nossas vidas e nossa economia.

Segundo Postel, está ocorrendo uma rápida deterioração dos ecossistemas de água doce e a não utilização do precioso líquido de forma sustentável já está gerando sérias conseqüências atualmente.

- Vários rios importantes secam em parte de seu percurso durante certas épocas do ano e muitas espécies de peixes e moluscos de água doce estão correndo o risco de extinção por mudanças em seu hábitat – adverte ela.

Uma outra mudança que o manejo adequado dos recursos hídricos vai exigir é a criação de uma nova mentalidade em relação à água. Até países como o Brasil – dono de quase um quinto das reservas de água doce da Terra e em tese a salvo de escassez – terão de se adaptar à futura realidade de um planeta que até 2050 verá sua população aumentar em 50%, passando a abrigar nove bilhões de habitantes.

- Precisamos mudar essa visão da sociedade de que a água é um recurso inesgotável e mostrar quer seu uso nos últimos séculos não foi eficiente – diz o pesquisador Samuel Roiphe Barreto, da sucursal brasileira da ONG ambientalista WWF, cujo Projeto de Conservação e Gestão de Água Doce visa a implantar um novo modelo de gerenciamento dos recursos hídricos do país por parte das autoridades e incutir uma nova mentalidade na população.

Além de incentivar uma postura mais responsável da sociedade em relação ao uso da água, Barreto cobra também do poder público uma linha de atuação diferente da atual.

- Qualquer intervenção nos rios hoje no Brasil passa por obras de engenharia, enquanto na Europa, por exemplo, já estão “renaturalizado” os cursos d’água, deixando-os correr livremente. Queremos garantir o atendimento da demanda de água, mas mantendo ao mesmo tempo a integridade dos sistemas aquáticos.

O Brasil já está dando passos na direção de uma nova visão de seu patrimônio líquido. Em 1997 foi aprovada a Lei no 9.433, instituindo a Política Nacional de Recursos Hídricos, que estabeleceu processos participativos da sociedade e novos instrumentos econômicos visando ao uso mais eficiente da água. Em 2000, foi criada a Agência Nacional de Águas (ANA) para implementar a lei. Com isso, espera-se que o país esteja finalmente rumando para corrigir a distorção de ser o detentor de 17% da água doce do planeta e ter 8,8 milhões de residências sem água. Estima-se que para garantir acesso à água a todos os brasileiros até 2010 seriam necessários investimentos da ordem de R$ 38 bilhões.

Na questão de saneamento básico, as estatísticas são piores: somente 49% dos brasileiros têm acesso a esses serviços. O investimento para resolver os dois problemas, no entanto, é autofinanciável a médio e longo prazos.

Estima-se que 70% das internações hospitalares no Brasil decorram de doenças transmitidas por água contaminada, gerando um gasto adicional anual de US$ 2 bilhões ao sistema de saúde. Ou seja, com água corrente na torneira e esgoto em casa garantidos a todos os brasileiros, tais recursos poderiam ser redirecionados para outras áreas.

Um outro aspecto importante em relação à água é que, num futuro de possível escassez generalizada, ela tem um potencial significativo de tornar-se fonte de conflitos armados, assim como o petróleo no século XX.

Há mais de 200 bacias hidrográficas partilhadas por dois ou mais países, abrigando 40% da população do planeta. Treze dos maiores rios – como o Amazonas, o Danúbio e o Nilo – cruzam as fronteiras de mais de cem nações.

- Uma feroz competição por recursos hídricos pode resultar em violentos conflitos internacionais – alertou o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, no Dia Mundial da Água, em março.

A solução, apontam os pesquisadores da área, é o manejo integrado dos recursos hídricos pelos países que partilham a mesma bacia hidrográfica, de forma que todos possam utilizá-la sem que uns prejudiquem os outros.

*Flávio Henrique Lino é jornalista.

** Artigo publicado no suplemento especial Planeta Terra do jornal O Globo, em 7 de agosto de 2002.

Tabela de conflitos relacionados com água. Clique aqui.

Leia também:
Na guerra do momento – Israel em Gaza -, por que a mídia não fala sobre a água – um dos itens mais importantes dos conflitos no Oriente Médio? Embora Israel tenha sérios problemas com recursos hídricos, detém o controle dos suprimentos de água, tanto seus como da Palestina. Além de restringir o uso d’água, luta pela expansão do seu território para obter mais acesso e controle deste recurso natural.

“Para além das manchetes do conflito do Oriente Médio, há uma batalha pelo controle dos limitados recursos hídricos na região. Embora a disputa entre Israel e seus vizinhos se concentre no modelo terra por paz, ‘há uma realidade histórica de guerras pela água’ – tensões sobre as fontes do Rio Jordão, localizadas nas Colinas de Golã, precederam a Guerra dos Seis Dias”. Raymond Dwek – The Guardian, [24/NOV/2002].

Para ler mais, clique aqui.





DICIONÁRIO DO TUPI-GUARANI

22 03 2009

indio
Antecipando o 19 de abril, pois “todo é dia de índio”, publicamos esta matéria especial em homenagem aos povos indígenas do nosso Brasil.

19 de abril – Dia do Índio

O dia do Índio é comemorado em 19 de abril, data instituída em 1940 no México durante um congresso indigenista. A data antes lembrada por comemorações oficiais e atividades e pesquisas escolares passa a ter hoje uma conotação profunda, sendo marcada por encontro políticos-culturais, debates, encontros protagonizados pelos índios e parceiros de causa durante todo este mês em vários estados do país.

“No dia em que eu conseguir abrir as páginas de minh’alma e contar essas linhas de meu inconsciente coletivo, com alegrias ou dores, com prazeres ou desprazeres, como amores ou ódio, no céu ou na terra – aí sim, aí sim, vou soltar a minha voz num grito estrangulador, sufocado há cinco séculos, porque 500 anos de pretenso reconhecimento de nossa identidade, não pagam o sangue derramado pelas avós, mães e filhas indígenas deste país. Esse dia, certamente chegará, mesmo que eu esteja em outros planos.”

Eliane Potiguara
Elaine é uma escritora indígena, remanescente da etnia Potiguara, professora formada em letras, fundadora da ONG GRUMIN (Grupo Mulher Educação Indígena)

DICIONÁRIO TUPI-GUARANI

Muito interessante este dicionário tupi-guarani. Estudando a língua de nossos ancestrais, nativos de Pindorama (do Brasil), identificamos a forte contribuição desta vertente linguística em nosso vocabulário que muitos chamam de língua portuguesa.
Logo abaixo, deixo o link pra você consultar as demais letras do dicionário.
Boa Leitura!
A

Aamo lua (xavante)
Aaní não, nada
Aaru espécie de bolo
Abá homem, índio, gente, pessoa
Abaçaí o que espreita
Abacataia espécie de peixe de água salgda
Abacatuaia abacataia, aracangüira
Abacatuia abacataia, aracangüira
Abaetê pessoa boa, pessoa honrada – abaeté
Abaetetuba lugar cheio de gente boa
Abaité gente ruim, repulsiva, gente estranha
Abanã cabelo forte, cabelo duro
Abanheém língua de gente, a língua que as pessoas falam
Abanheenga abanheém
Abapy pé de homem
Abaré amigo do homem
Abaquar homem que voa
Abaruna amigo de roupa preta, padre, amigo preto – abuna
Abati cabelos dourados, louro
Abequar Senhor do vôo
Abuna padre de batina preta
Acag cabeça
Açaí pequeno côco amarronzado
Acamim espécie de pássaro, espécie de árvore
Acará garça, ave branca
Acaraú rio das garças
Acemira o que faz doer
Açu grande, comprido, longo, considerável
Acuba quente
Aé mas, antes, finalmente, senão, ante
Aguapé redondo e chato, como a vitória-régia
Aiaiá colhereiro (espécie de garça)
Aicó ser, estar
Aimara árvore, araçá-do-brejo
Aimará túnica de algodão e plumas
Aimbiré aimoré, amboré
Aimirim formiguinha
Aimoré mordedor, tribo pertencente ao grupo dos jês, peixe cascudo
Airequecê lua
Airumã estrela d’alva
Airy variedade de palmeira
Aisó formosa
Aiyra filha
Ajajá colhereiro, espécie de garça de bico comprido – aiaiá – ayayá
Ajeru ajurú
Ajubá amarelo
Ajuhá fruta com espinho
Ajuru árvore de madeira dura, com frutos de polpa comestível
Akag cabeça – acag
Akitãi baixo, baixa estatura
Amana chuva
Amanaci a mãe da chuva – amanacy
Amanacy a mãe da chuva – amanaci
Amanaiara a senhora ou o senhor da chuva
Amanajé mensageiro
Amanara dia chuvoso
Amanda chuva
Amandy dia de chuva
Amapá árvore de madeira útil, cujo látex, amargo, atua no tratamento da asma, bronquite e afecções pulmonares
Amary espécie de árvore
Ama-tirí raio, corisco – ama-tirí
Amerê fumaça
Amãtiti raio, corisco – ama-tirí
Amboré Amboré
Ami aranha que não tece teia
An sombra, vulto, fantasma
Anaití grande
Anamí espécie de árvore
Ananã fruta cheirosa, ananás
Anauê salve, olá
Anassanduá da mitologia indígena
Andira o senhor dos agouros tristes
Andirá morcego
Anhangüera diabo velho
Anicê fogo
Anira anel
Anhana empurrado, impelido
Anacã dança
Anama grosso, espesso
Anomatí além, distante
Antã forte
Anacê parente
Anajé gavião de rapina
Anãmiri anão, duende
Anhê pois, assim é
Anjé até, até que
Aondê coruja
Angassuay nome de um espírito
Apê longe
Apecu coroa de areia feita pelo mar
Apecum apecu – apicum – apicu
Apicu apicum – apecu
Apicum mangue, brejo de água salgada – apicu – picum – apecu
Apoena aquele que enxerga longe
Apuama que não pára em casa, veloz, que tem correnteza
Apuê longe
Aquitã curto, pequeno
Ara relativo a ave, que voa, dia, luz, tempo, clima, hora, nascer
Aracambé espécie de peixe de água salgada – aracangüira
Araçary variedade de tucano
Aracê aurora, o nascer do dia, o canto dos pássaros(pela manhã)
Aracema bando de aves
Aracy a mãe do dia, a origem dos pássaros
Aram sol
Arani tempo furioso
Aracangüira espécie de peixe de água salgada – aracambé
Arapuã abelha redonda
Arapuca armadilha para aves
Arara ave grande
Araraúna arara preta
Ararê amigo dos papagaios
Araruna ave preta
Aratama terra dos papagaios
Ararama terra dos papagaios
Araruama terra dos papagaios
Arassá Araçá
Arassatyba araçazal (muito araçá)
Araueté povo de lígua da família do tupi-guaraní
Araxá lugar alto de onde primeiro se avista o Sol
Áribo em cima
Ariry depois
Assui logo, portanto, assim que
Assurini tribo pertencente à família lingüistica do tupi-guarani
Atá andar
Atã forte
Atássuera o que anda, ambulante
Ati gaivota pequena
Atiadeus tribo guaiacuru do Mato Grosso
Atiati gaivota grande
Atiçu tipo de cesta
Auá homem, índio
Auati gente loura, milho, que tem cabelo loiro (como o milho) – abati – avati
Auçá caranguejo – uaçá – guaiá
Aussuba amar
Avá homem, índio
Avanheenga língua de gente, língua que as pessoas falam
Avaré amigo, missionário, catequista – abaré – abaruna – abuna
Avati gente loura, milho – abati – auati
Awa redondo – ava
Awañene língua de gente – abanheém
Awaré avaré
Ayty ninho
Aymberê lagartixa
Ayuru árvore de madeira dura – ajuru

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AS GRANDES NAVEGAÇÕES: PROFISSÃO DE ALTO RISCO

21 03 2009

Nas escolas do Brasil inteiro durante o mês de abril, relembra-se e discute-se a conquista do Brasil pelo Império Português. Em virtude dessa necessária curiosidade histórica, publicamos esta matéria muito interessante extraída de “Veja na História” e logo abaixo do artigo, colocamos à disposição dos leitores/as o link para os interessados terem acesso a mais informações sobre o tema.
Boa pesquisa!

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A vida nos navios que partem para alto-mar é muito dura. Oficiais e marinheiros espremem-se em espaços exíguos, enfrentam os perigos dos mares desconhecidos e padecem de doenças terríveis. A principal causa de mortalidade, além dos naufrágios, é o mal das gengivas, um flagelo das tripulações. Depois de algumas semanas no mar, as gengivas incham e começam a apodrecer, exalando um odor insuportável. Às vezes, é preciso cortar a carne apodrecida antes que o inchaço cubra os dentes e leve o doente à morte – sem conseguir mastigar, os infelizes definham de fome. A tripulação se ressente da falta de alimentos frescos. Os oficiais têm permissão para embarcar animais vivos, como galinhas, cabritos e porcos, mas essa carga geralmente é consumida nos primeiros dias de viagem. A partir daí, a principal comida a bordo são os biscoitos da regra, feitos de farinha de trigo e centeio. Cada tripulante tem direito geralmente a 400 gramas diários de biscoito, a ração básica de sobrevivência no mar.

A má conservação dos alimentos é um problema grave. Armazenada em paióis pouco arejados, quentes e úmidos, a comida apodrece rapidamente. Os navios vivem infestados de ratos, baratas e carunchos. Insetos e vermes disputam com os homens o alimento escasso e comprometem as já precárias condições de higiene. Os temperos fortes são usados para disfarçar o gosto dos alimentos deteriorados. Peixes frescos são uma raridade – além de difíceis de pescar em alto-mar, a tripulação prefere não gastar o pouco alimento disponível como isca de resultados incertos. As refeições são preparadas num fogão a lenha existente no convés e cuidadosamente vigiado para evitar incêndios. À noite e durante as borrascas, os fogões ficam apagados. A água, transportada em grandes tonéis, também apodrece pelo acúmulo de algas e parasitas. Quando ela escasseia, nas longas viagens, o racionamento aumenta e cozinha-se com água do mar. Talvez venham daí as febres e diarréias que atormentam a todos. Essas doenças não só minam o corpo como entorpecem a mente. Suspeita-se que uma diarréia intermitente tenha contribuído para os delírios do grande almirante Cristóvão Colombo, que ultimamente deu até para duvidar que o mundo é redondo, atribuindo-lhe, ao contrário, o formato de uma “teta de mulher”, conforme escreveu em arrebatada carta enviada à piedosíssima rainha Isabel de Castela.

Os navios funcionam como organizações militares, com hierarquia e tarefas bem definidas, o que não tem impedido motins e rebeliões. Não é só a marujada ignara que se subleva nos momentos de desespero. Na viagem de volta das Índias, a tripulação da frota de Vasco da Gama estava tão devastada pelas doenças e pela exaustão que até os mestres e pilotos pediram ao almirante que retornasse à terra (numa reação típica de seu temperamento irascível, Gama prendeu os pilotos e assumiu ele mesmo o comando da navegação). A elite da tripulação é composta de representantes da nobreza e profissionais altamente especializados na arte de navegar. O posto mais alto é o do capitão-mor. Depois vêm o mestre e o contramestre, responsáveis pela contratação dos marujos e pela rotina de bordo. O piloto é o comandante das operações náuticas. Deve conhecer a posição do navio o tempo todo, definir seu curso, saber ir e retornar em segurança. O escrivão, representante direto da coroa, encarrega-se de fazer os relatos da viagem e os registros no livro de contabilidade. Agora, com a expansão da empresa das navegações, já começam a ser sistematicamente embarcados os representantes da Igreja. Eles prestam assistência espiritual à tripulação e viajam imbuídos da missão de propagar os ensinamentos cristãos entre os bárbaros e infiéis das novas terras, tarefa na qual até agora têm obtido pouco sucesso.

O restante da tripulação é dividido em três categorias. Os marinheiros são profissionais do mar com experiência em viagens anteriores. Nesse grupo estão os carpinteiros, calafates, tanoeiros, meirinhos, despenseiros, cozinheiros e bombardeiros. Os grumetes são aprendizes de marinheiros, novatos de primeira viagem. Aprendem a içar e recolher as velas, operar as bombas para drenar o navio e outras rotinas náuticas. Os que mostram aptidão são promovidos a marinheiros. Por fim, há os pajens, menores embarcados que servem os oficiais de bordo. Limpam as cabines, arrumam a mesa, servem as refeições e cantam hinos religiosos. Também cabe aos pajens virar a cada meia hora a ampulheta, o relógio de areia que marca as jornadas de trabalho a bordo e o progresso do navio durante a viagem. Os navios levam ainda a gente de guerra, os soldados equipados com os canhões que tanto efeito causam no além-mar.

Só os oficiais têm aposentos próprios. A maioria da tripulação vive esparramada pelo convés e dorme em lugares improvisados. Expostos ao sol, ao frio e à chuva, muitos marinheiros morrem de doenças pulmonares. Não há banheiros. As necessidades são feitas diretamente no mar, com a ajuda de pequenos assentos pendurados sobre a amurada. O uso de urinóis à noite e durante as tempestades aumenta a pestilência a bordo. O responsável pelos raros cuidados com a higiene da tripulação é o barbeiro. Seu estojo é composto de seis navalhas, duas pedras de limar, duas tesouras, dois espelhos, dois pentes, uma bacia de barbear e outra para se lavar. Também inclui apetrechos parar curar feridas e uma farmácia de bordo com ungüentos, óleos aromáticos, purgantes, água destilada e ervas medicinais. A função do barbeiro é tão importante que ele é dos poucos tripulantes com o privilégio de dividir a mesa de jantar com o capitão e o piloto.

Na longa solidão dos mares, as viagens são intermináveis e tediosas. O jogo de cartas constitui uma das poucas atividades de lazer a bordo, mas é malvisto pelos padres. Embora seja muito pequeno o número dos tripulantes instruídos nas letras, os padres também se opõem à leitura de livros profanos. Em seu lugar, distribuem obras que contam histórias de santos. A atividade religiosa a bordo é intensa. Os padres promovem rezas, ladainhas e representações teatrais de episódios religiosos, como o Mistério da Paixão. A adesão da tripulação é entusiasmada. Desde tempos imemoriais, os marinheiros demonstram grande fervor religioso, quando não superstição pura e simples. Sua profissão de alto risco explica esse apego.

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CARTA DE DOM PEDRO II: DECIFRE SE FOR CAPAZ

18 03 2009

Abaixo, uma carta de D. Pedro II para a condessa de Barral, sua grande amiga e preceptora das princesas Isabel e Leopoldina.
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MULHERES DE ATENAS

18 03 2009

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Este texto se propõe a uma interpretação histórica do papel da mulher na sociedade grega, tendo como referência a famosa música de Chico Buarque de Hollanda: Mulheres de Atenas. Além de uma interessante explicação da canção do Chico, com certeza nos ajuda a compreender um pouco o papel exercido pela mulher em nossa sociedade.
Logo abaixo, a canção completa.

Elas tecem longos bordados

A principal ocupação das atenienses de todas as classes sociais era usar lã para fazer tecidos. O processo, longo e trabalhoso, envolvia desde a preparação do fio até a criação de peças em teares manuais.

Os novos filhos de Atenas

Cuidar das crianças também era uma ocupação exclusivamente feminina. Até os 7 anos, meninos e meninas passavam quase todo o tempo na barra da mãe. Depois os meninos podiam estudar, enquanto as meninas continuavam em casa.

Quando fustigadas não choram

As camponesas não precisavam ficar trancafiadas em casa, como ocorria com as atenienses urbanas ricas. Mas elas tinham de dar duro o ano inteiro. Uma de suas principais atividades era plantar e colher ervas, verduras e legumes.

Não fazem cenas

Além de cultivar feijão, cebola, condimentos e verduras silvestres, era preciso limpar constantemente o jardim para evitar ervas daninhas.

Ajoelham

As mulheres do campo também eram responsáveis pela pecuária. Elas ordenhavam cabras e ovelhas e usavam o leite para preparar queijo e coalhada. Ocasionalmente, ainda criavam abelhas para produzir mel. Tudo isso sem reclamar.

Vivem pros seus maridos

Fora o trabalho de fiar e de supervisionar o criados, as donas-de-casa de casa abastadas deixavam quase todo o trabalho para as escravas domésticas. As crianças, e às vezes até a amamentação, podiam ficar por conta das cativas.

Fonte: Revista Aventuras na História

Mulheres de Atenas
>> Chico Buarque

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seu maridos, orgulho e raça de Atenas
Quando andas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas
Cadenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos, poder e força de Atenas
Quando eles embarcam, soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam sedentos
Querem arrancar violentos
Carícias plenas
Obscenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar o carinho
De outras felenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas
Helenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm presságios
Lindas sirenas
Morenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas
Serenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas





A REVOLUÇÃO FRANCESA

17 03 2009

Revolução Francesa
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A Revolução Inglesa do século XVII marca o início da Era das Revoluções Burguesas, na medi da em que cria condições para o desenvolvimento acelerado do capitalismo. A Revolução Francesa, cabe definir o perfil ideológico desses movimentos, por seu caráter liberal e democrático.

Para muitos historiadores, a Revolução Francesa faz parte de um movimento revolucionário global, atlântico ou ocidental, que começa nos Estados Unidos em 1776, atinge Inglaterra, Irlanda, Holanda, Bélgica, Itália, Alemanha, Suíça e, em 1789, culmina na França com violência maior. O movimento passa a repercutir em outros países europeus e volta à França em 1830 e 1848. Há traços comuns em todos esses movimentos, mas a Revolução Francesa tem identidade própria, manifestada na tomada do poder pela burguesia, na participação de camponeses e artesãos, na superação das instituições feudais do Antigo Regime e na preparação da França para caminhar rumo ao capitalismo industrial.

Antecedentes

A França era ainda um país agrário em fins do século XVIII. Novas técnicas de cultivo e novos produtos melhoraram a alimentação, e a população aumentou. O início de industrialização j á permitia a redução de preços de alguns produtos, estimulando o consumo.

A burguesia se fortaleceu e passou a pretender o poder político e a discutir os privilégios da nobreza. Os camponeses possuidores de terras queriam libertar-se das obrigações feudais devi das aos senhores. Dos 25 milhões de franceses, 20 milhões viviam no campo. A população formava uma sociedade de estamentos (formas de estar), resquício da Idade Média. Mas j á se percebia uma divisão de classes. O clero, com 120 000 religiosos, dividia-se em alto clero (bispos e abades com nível de nobreza) e baixo clero (padres e vigários de baixa condição); era o primeiro estado. A nobreza constituía o segundo estado, com 350 000 membros; os palacianos viviam de pensões reais e usufruíam de cargos públicos; os provinciais vi viam no campo, na penúria. A nobreza de toga, constituída de gente oriunda da burguesia, comprava seus cargos. O terceiro estado compreendia 98% da população: alta burguesia, composta por banqueiros, financistas e grandes empresários; média burguesia, formada pelos profissionais liberais, os médicos, dentistas, professores, advogados e outros; pequena burguesia, os artesãos, lojistas; e o povo, camada social heterogênea de artesãos, aprendizes e proletários. As classes populares rurais completavam o terceiro estado; destacavam-se os servos ainda em condição feudal (uns 4 milhões); mas havia camponeses livres e semilivres.

O terceiro estado arcava com o peso de impostos e contribuições para o rei, o clero e a nobreza. Os privilegiados tinham isenção tributária. A principal reivindicação do terceiro esta do era a abolição dos privilégios e a instauração da igualdade civil.

No plano político, a revolução resultou do absolutismo monárquico e suas injustiças. O rei monopolizava a administração; concedia privilégios; esbanjava luxo; controlava tribunais; e condenava à prisão na odiada fortaleza da Bastilha, sem julgamento. Incapaz de bem dirigir a economia, era um entrave ao desenvolvimento do capitalismo.

O Estado não tinha uma máquina capaz dê captar os impostos, cobrados por arrecadadores particulares, quê espoliavam o terceiro estado. O déficit do orçamento sê avolumava. Na época da revolução, a dívida externa chegava a 5 bilhões de libras, enquanto o meio circulante não passava da metade. Os filósofos iluministas denunciaram a situação. Formavam-se clubes para ler seus livros. A burguesia tomava pé dos problemas ê buscava conscientizar a massa, para obter-lhe o apoio.

As condições estavam postas; faltava uma conjuntura favorável para precipitar a revolução.

A revolta aristocrática

A indústria sofreu séria crise a partir dê 1786. Um tratado permitiu quê produtos agrícolas franceses tivessem plena liberdade na Inglaterra em troca da penetração dê produtos ingleses na França. A principiante indústria francesa não agüentou a concorrência.

A seca de 1788 diminuiu a produção dê ali mentos. Os preços subiram ê os camponeses passavam fome. Havia miséria nas cidades. A situação do tesouro piorou depois quê a França apoiou a Independência dos Estados Unidos, aventura quê lhe custou 2 bilhões dê libras. O descontenta mento era geral. Urgiam medidas para sanear o caos. Luís XVI encarregou o ministro Turgot dê realizar reformas tributárias, mas os nobres reagiram ê ele sê demitiu. O rei então indicou Calonne, quê convocou a Assembléia dos Notáveis, dê nobres ê clérigos (1787). O ministro propôs quê esses dois estados abdicassem dos privilégios tributários ê pagassem impostos, para tirar o Estado da falência. Os nobres não só recusaram como provocaram revoltas nas províncias onde eram mais fortes.

O novo ministro, Necker, convenceu o rei a convocar a Assembléia dos Estados Gerais, quê não sê reunia desde 1614. As eleições dos candidatos para a Assembléia realizaram-se em abril dê 1789 ê coincidiram com revoltas geradas pela péssima colheita desse ano. Em Paris, os panfletos dos candidatos atacavam os erros do Antigo Regime ê agitavam os sans-culottes, isto é, os sem-calções, em alusão à peça de roupa dos nobres, que os homens do povo não usavam. Os nobres eram cerca de 200 000 numa Paris com 600 000 habitantes.

Em maio de 1789, os Estados Gerais se reuni ram no Palácio de Versalhes pela primeira vez. O terceiro estado foi informado de que os projetos seriam votados em separado, por estado. Isto daria vitória à nobreza e ao clero, sempre por 2 a 1. O terceiro estado rejeitou a condição. Queria votação individual, pois contava com 578 deputados, contra 270 da nobreza e 291 do clero, ou seja a, tinha maioria absoluta. E ainda contava com os votos de 90 deputados da nobreza esclarecida e 200 do baixo clero.

Revolução Burguesa

Reunindo-se em separado em 17 de junho de 1789, o terceiro estado se considerou Assembléia Nacional. Luís XVI, pretextando uma reforma na sala, dissolveu a reunião. Os deputados do terceiro estado foram então para a sala de Jogo da Péla, onde receberam adesão de parte do clero e de nobres influenciados pelo Iluminismo. O rei não teve alternativa senão aceitar a Assembléia Nacional.

Os fatos se desenrolaram com rapidez, como se algumas décadas fossem comprimidas em algumas semanas.

9 de julho – Proclamou-se a Assembléia Nacional Constituinte. Os deputados juraram só se dispersar depois de dar uma Constituição à França. Luís XVI procurava ganhar tempo, enquanto reunia tropas.

12 de julho – Necker se demite. Aumenta a tensão.

13 de julho – Forma-se a milícia de Paris, organização militar-popular. O povo armazena armas e prepara barricadas.

14 de julho – O povo toma a Bastilha. A explosão revolucionária alastra-se por todo 0 país. No campo, a violência é maior. Procurando destruir o jugo feudal, camponeses saqueiam as posses da nobreza, invadem cartórios e queimam títulos de propriedade.

Correm boatos de que bandidos aliciados pelos senhores vão atacar os camponeses, gerando o grande medo.

4 de agosto – A Assembléia Constituinte inicia reunião em que, para conter o movimento, os deputados aprovam a abolição dos direitos feudais: as obrigações devidas pelos camponeses ao rei e à Igreja a são suprimidas; as obrigações devidas aos nobres devem ser pagas em dinheiro.

26 de agosto – E aprovada a Declaração dos Diretos do Homem e do Cidadão. De inspiração iluminista, o documento defende o direito à liberdade, à igualdade perante a lei, à inviolabilidade da propriedade e o direito de resistir à opressão. Na sessão que votou o direito de veto (poder concedido ao rei de vetar decisões da Assembléia), os aristocratas sentam-se à direita do presidente; os democratas, à esquerda. Tal fato deu origem à separação que chega aos dias de hoje, entre direita e esquerda na política.

O rei se recusou a aprovar a Declaração e a massa parisiense revoltou-se novamente. Foram as jornadas de outubro: o Palácio de Versalhes foi invadido e o rei obrigado a morar no Palácio das Tulherias, em Paris.

Em 1790, foi aprovada a Constituição Civil do Clero. Estabelecia que os bens eclesiásticos seriam confiscados para servir de lastro à emissão dos assignats (bônus do Estado) e os padres passariam a ser funcionários do Estado. Muitos aceitaram e juraram fidelidade à Revolução, desobedecendo ao papa, que já se manifestara contra. Outros, os refratários, emigraram e de ram início às agitações contra-revolucionárias nas províncias.

A Constituição ficou pronta em 1791. O poder executivo caberia ao rei, e o legislativo, à Assembléia. O trono continuava hereditário e os deputados teriam mandato de dois anos. Só seria eleitor quem tivesse um mínimo de riqueza. Foi abolido o feudalismo. Foram suprimidos os privilégios e as antigas ordens sociais, com a proclamação da igualdade civil. Reorganizou-se e descentralizou-se a administração. Foram confirmadas a nacionalização dos bens eclesiásticos e a Constituição Civil do Clero. Foi mantida a escravidão nas colônias.

Luís XVI, em contato com outros soberanos absolutos, julgou o momento oportuno para escapar e, com apoio estrangeiro e dos emigrados, iniciar a contra-revolução. Fugiu em julho de 1791, mas foi preso em Varennes, recambiado ao Palácio e mantido sob vigilância.

O êxito da Revolução estimulou movimentos na Holanda, Bélgica e Suíça. Na Itália, Inglaterra, Irlanda, Alemanha e Áustria, simpatizantes organizaram demonstrações de apoio. Os déspotas esclarecidos sustaram as reformas e se reaproximaram da aristocracia. Escritores reacionários defendiam a idéia de uma contra-revolução. As potências européias, de início indiferentes, uni ram-se. A ameaça de invasão da França aumentou, o que tornou inevitável a radicalização inter na da Revolução.

A unidade inicial entre patriotas contra os aristocratas desapareceu, dando origem a complexa composição político-partidária. Os girondinos, representantes da alta burguesia, defendiam as posições conquistadas e evitavam a ascensão da massa de sans-culottes; os jacobinos, representando a pequena e média burguesia, constituíam o partido mais radical, ainda mais sob a liderança de Robespierre, que buscava o apoio dos sans-culottes; os cordeliers, independentes liderados por La Fayette, procuravam ficar no centro e oscilavam entre os feuillants, à direita, e os jacobinos, à esquerda.

Os girondinos tinham a maioria e o apoio do rei, que neles confiava para conter o avanço revolucionário. Graças a isto, o rei conseguiu vetar o projeto que deportava os refratários e convocava o exército para enfrentar os inimigos da Revolução, cada vez mais ativos fora da França.

Os inimigos, representados pelo exército austro-prussiano e pelo exército de emigrados, comandados pelo duque prussiano Brunswick e apoiados secretamente por Luís XVI, invadiram a França. Radicalizou-se a posição contra os nobres, considerados traidores. A massa parisiense, mais forte politicamente, apoiando os jacobinos e liderada por Danton e Marat, atacou os aristocratas nas prisões: foi o massacre de setembro.

O exército nacional foi convocado, com apresentação obrigatória de todos os homens válidos. Em 20 de setembro de 1792, os austro-prussianos foram batidos em Valmy. À noite, em Paris, foi proclamada a República. O rei, suspeito de traição, aguardaria julgamento.

Revolução Popular

Uma nova assembléia foi formada, a Convenção, que deveria preparar nova Constituição. Os girondinos perderam a maioria para os jacobinos, reforçados pelos montanheses, grupo mais radical. Robespierre e Saint-Just lideravam os jacobinos. O julgamento de Luís XVI abalou a opinião pública européia. Os girondinos trataram de defendê-lo. Saint-Just e Robespierre pediam a condenação. O rei acabou guilhotinado em 21 de janeiro de 1793.

O primeiro ano da República, 1793, foi chamado Ano I, no novo calendário. Uma nova representação tomou posse, eleita por sufrágio universal masculino, o que acentuou seu caráter popular; saíram vitoriosos os jacobinos e a Montanha. Pela nova Constituição, os 750 deputados eleitos escolheriam a mesa dirigente, com funções executivas.

Europa afora, coligavam-se forças absolutistas: Inglaterra, Holanda e Santo Império. A Convenção se defendeu, organizando uma série de instituições: Comitê de Salvação .Pública, encarregado de controlar o exército; Comitê de Segurança Nacional, para garantir a segurança interna; Tribunal Revolucionário, encarregado de julgar os contra-revolucionários. Os jacobinos controlavam a Convenção e os principais Comitês.

Começa então o expurgo de adversários. Os girondinos são acusados de partidários do rei e vários vão para a guilhotina. A jovem Charlotte Corday se vinga assassinando o jacobino Marat. Também é guilhotinada. Entramos no período do Terror, que se estenderia de junho de 1793 a julho de 1794.

A Montanha de Robespierre dirigia essa política. As perseguições se espalharam. Os indulgentes de Danton temiam que a onda os envolves se. Protestavam e pediam o fim das perseguições. No extremo oposto, os hebertistas, seguidores de Hébert, pregavam mais violência.

Robespierre tentava manter-se entre os extremistas da esquerda. Como a pressão popular era grande, fazia concessões: os preços foram tabela dos; os exploradores, perseguidos; os impostos sobre os ricos, aumentados; pobres, velhos e desamparados, protegidos por leis especiais; a instrução tornou-se obrigatória; bens de nobres e emigrados foram vendidos para cobrir as despe sas do Estado.

As leis sociais provocaram ondas contra-revolucionárias. Sobrevieram medidas drásticas. O Tribunal Revolucionário prendeu mais de 300 000 pessoas e condenou à morte 17 000. Muitos morre ram nas prisões esperando julgamento.

O Terror chegou ao auge e atingiu a própria Convenção. Para se manter no poder, Robespierre precisava eliminar toda oposição. Condenou Danton à morte. O radicalismo dos hebertistas igualmente criava problemas, levando-os também à guilhotina.

O sucesso militar diminuiu a tensão interna, e a população passou a desejar o afrouxamento da repressão. Os girondinos, que tinham se isolado durante o Terror para salvar suas cabeças, volta­ram à carga. Robespierre não tinha mais a massa parisiense para apoiá-lo, pois havia liquidado seus líderes. Em julho de 1794, ou 9 Termidor pelo novo calendário, Robespierre e Saint-Just foram presos e guilhotinados em seguida. A alta burguesia voltava ao poder através dos girondinos.

Contra-Revolução Burguesa

O poder da Convenção caiu nas mãos do Pântano, movimento formado por elementos da alta burguesia, de duvidosa moralidade pública e grande oportunismo político. Ligados aos girondinos, instalaram a Reação Termidoriana. Os clubes jacobinos foram fechados. Preparou-se nova Constituição, a do ano III (1795), que estabelecia um executivo com cinco diretores eleitos pelo legislativo, o Diretório. Os deputados com poriam duas câmaras: o Conselho dos S00 e o Conselho dos Anciãos.

A configuração política da Assembléia mu dou: no centro, os girondinos, que tinham deposto Robespierre; à direita, os realistas, que pregavam a volta dos Bourbon ao poder; à esquerda, jacobinos e socialistas utópicos, que reclamavam medi das de caráter social.

Os diretores equilibravam-se em meio a golpes, da esquerda e da direita. Em 1795, os realistas tentaram dar um golpe, abafado por um jovem oficial, Napoleão Bonaparte, presente em Paris por acaso. Como recompensa, ele recebeu dos diretores o comando do exército na Itália.

Em 1796, estourou a conspiração jacobina do Clube de Atenas. No ano seguinte, foi a vez dos realistas, derrotados novamente, pelo general Augereau, enviado por Napoleão, que acabava de assinar uma paz vantajosa com a Áustria. Em 1798, os jacobinos venceram as eleições. A burguesia queria paz. Queria um governo forte que conduzisse a França à normalidade. Alguns diretores, como Sieyès e Ducos, prepararam o golpe que levaria Napoleão ao poder, em 9 de novembro de 1799 ou 8 Brumário. Napoleão evitaria as tentativas jacobinas de tomar o poder, consolidando o poder da burguesia no contexto da Revolução. Uma revolução cujos ideais não tardariam a repercutir em longínquas terras, inclusive no Brasil.

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A HUMILHAÇÃO DAS COLABORACIONISTAS NA FRANÇA – II GUERRA MUNDIAL(CLIQUE AQUI)





A REVOLUÇÃO AMERICANA

17 03 2009

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1775: a revolução americana

» 1775: a revolução americana
» cresce a agitação anticolonialista

A Revolução Americana de 1776 foi a primeira grande rebelião do mundo colonial contra uma metrópole, no caso o reino da Grã-Bretanha. Uma série de incidentes crescentemente violentos foram colocando os colonos ingleses na América do Norte contra a sua terra natal. A repressão ordenada pelos ministros do Rei George III de nada adiantou. Os colonos mostraram-se cada vez mais decididos a conseguirem a sua independência total. Então deram-se as primeiras batalhas.
Na história muitas são as ações que terminam por transcender a vontade imediata daquele que a desencadeia. Pretendendo eliminar num ato de vingança o inimigo, um homem ateia fogo a um rastilho para lhe destruir a casa. As labaredas do incêndio terminam por fugir-lhe do controle e toda a região, inclusive sua residência, é devorada pelas chamas. Há pois um plus além da finalidade pretendida, uma substância da ação que, excedendo-se, volta-se contra o próprio autor. Este exemplo, dado por Hegel, serve perfeitamente para determinar o papel histórico do general Thomas Gage — comandante da guarnição militar de Boston às vésperas da Revolução.

Tomando ciência de que os colonos americanos haviam armazenado armas e munições num pequeno vilarejo nas cercanias de Boston, ordenou uma operação de busca e captura. Como este obscuro militar poderia saber que os tiros dados pelos colonos, tentando travar a marcha da coluna inglesa, terminariam por ecoar pelo mundo, ensurdecendo o despotismo e desencadeando a primeira revolução das Americas contra o colonialismo europeu? Revolução iniciadora de um ciclo de rebeldias e insurgências que — nas Américas — somente se encerraria cinqüenta anos depois, quando nos altiplanos peruanos, em 1824, os espanhóis foram definitivamente batidos em Ayacucho pelos chefes “criollos” sul-americanos.

De Concord a Bunker Hill

A milícia americana enfrenta um império
O porto de Boston, no decorrer do século XVIII, nada indicava ser um ninho revolucionário. Seu acolhedor ancoradouro, protegido pelas penínsulas de Charlestown e Dorchester, faziam da capital de Massachusetts um local aprazível para os esgotados marujos da rota atlântica. As suas lojas e mercados acolhiam os mais variados artigos, desde os exóticos produtos da manufatura oriental aos mais simples mantimentos nativos. Entre as colônias inglesas da América do Norte , ela era a terceira cidade em população, inferior apenas à Filadélfia e Nova York.

Os seus doze mil habitantes eram tidos como ordeiros e pacatos. Suas ruas estreitas apontavam para o mar e seus parques e bosques atulhavam-se durante as comemorações religiosas. Sim, porque Boston era a capital do puritanismo. A moral pública era severamente vigiada por sisudos pastores que não hesitavam em aplicar, com rigor, punições severas às ovelhas desgarradas. Uma sólida e ativa burguesia mercantil dominava as atividades econômicas, bem como a Assembléia Provincial, de onde os funcionários da coroa recebiam os proventos.

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CONVITE

16 03 2009

vieira2








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