PEQUENA CRONOLOGIA DA RELAÇÃO ENTRE O CRISTIANISMO E A ESCRAVIDÃO DOS POVOS AFRICANOS

2 03 2009

AS ETAPAS DA OPRESSÃO
afri
Em 1341, uma expedição Ítalo-portuguesa fundou um povoado nas ilhas Canárias. Os habitantes do lugar somavam em cerca de 80 mil pessoas. Em 1344, p papa Clemente VI ordenou a conquista da ilha. Os nativos foram totalmente exterminados.
escra
Em 1441, Antonio Gonçalves, ofereceu dez escravos ao infante de Portugal. Este os ofereceu ao papa Martinho V, que em troca, concedeu a Portugal a “soberania” sobre a África ao sul do Cabo Branco.

Em 1460, os jesuítas convenceram Ngola, rei angolano-congolês a conceder ao navegador Dias de Novais a permissão para capturar escravos e levá-los para Lisboa.

(…)

Em 1505, a cidade de Kilwa resistiu aos missionários e à conquista. Foi saqueada e destruída enquanto os missionários abençoavam o massacre.

Em 1534, São Tomé, sede principal do comércio, foi declarada cidade e arcebispado submisso aos missionários brancos.

Em 1553, uma nova missão Jesuíta chegou a Mbanza, no Congo, onde se ocupou também do tráfico de escravos.

(…)

Em 1633, o cardeal Richelieu concedeu à Companhia Senegaleza de Dieppe e Rouen, o monopólio do comércio de escravos por dez anos.

(…)

Em 1676, as revoltas contra os missionários latifundiários e escravocratas obrigaram os bispos portugueses abandonar São Salvador, na Angola Setentrional.

(…)

Em 1700, os escravistas retomaram Angola, mas a parte setentrional do país e São Salvador eram praticamente desertas e despovoadas, por causa do comércio de escravos. Calcula-se que,(…), foram massacrados 25 milhões de escravos.

Em 1707, na África do Sul, um escravo iniciou uma revolta. Os missionários holandeses, a título de demonstração, torturaram quatro rebeldes com a roda e estrangularam uma escrava com as mãos.

Em 1721, na África do Sul, os missionários holandeses obrigaram as crianças nativas a serem batizadas, mas proibiram os escravos, pais das crianças, presenciassem a cerimônia.

A relação é extensa. Resolvemos adiantar no tempo e encerrar o texto com o ano de 1977, onde na África do Sul, pela primeira vez no século, as escolas “brancas” católicas, anglicanas e metoditas admitiram não-europeus, através de critérios seletivos e limitados e com o consentimento tácito do governo, objetivando “desintrincar” a situação pós-Soweto.

Muita gente não consegue compreender o porquê das guerras e conflitos tribais em diversos países do continente africano na atualidade. Alguns dirão, que estes conflitos inter-tribais sempre existiram, mas a história, jamais, poderá esconder que a Europa Cristã Colonialista é uma das maiores, se não a maior, responsável pelo quadro de abandono e desastre humanitário vividos pela grande maioria dos povos africanos nos dias atuais.(grifo meu)

Fonte de pesquisa: O Livro negro do Cristianismo – Dois mil anos de crimes em nome de Deus, dos autores Jacopo Fo, Sergio Tomat e Laura Malucelli, Editora Ediouro, tradução de Monica Braga, Rio de Janeiro, 2007.

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10 responses

2 03 2009
boppë

Pena que essa cronologia comece em 1341 e, portanto, não mencione todos os muitos séculos em que a escravidão já ocorria na África antes da mencionada incursão às Canárias. Exemplo conhecidíssimo eram os escravos núbios e etíopes no Antigo Egito.

E é pena, sobretudo, que a cronologia termine no caso da África do Sul, e não mencione a abjetíssima escravidão que existe ainda, com todas as letras, na Mauritânia, onde, duas leis foram votadas nos últimos 25 anos, na tentativa de eliminar algo que é visto como um “costume”, uma “tradição”. Muçulmanos que escravizam muçulmanos, negros que escravizam negros. E, embora ilegal, a escravidão continua a ser praticada naquele país escandaradamente.

Aliás, sempre é bom lembrar que as primeiras expedições de europeus “modernos” para o interior da África só ocorreram no século XIX, pois antes o que havia eram entrepostos portugueses, espanhóis, franceses, ou ingleses na costa africana, onde os europeus negociavam a “mercadoria” com comerciantes africanos ou árabes, que tinham realizado as expedições para o interior do continente, na captura de pessoas de outras etnias para serem escravizadas.

Nenhum dos lados é totalmente mau ou totalmente inocente na triste história da escravidão. Todos foram coniventes, pois a escravidão é uma marca que se viu em todos os continentes, em todos as épocas, em todas as etnias, em todas as religiões, em todos os graus de desenvolvimento social, como algo considerado “normal” e “justificável” nas lutas e guerras.

Não podemos ver a História (com letra maiúscula) com os olhos com que enxergamos nossa sociedade atualmente.

3 03 2009
luislins

É verdade, Boppë! O que é inconcebível é uma tradição religiosa se arvorar de universal e redentora, seja ela qual for, e cometendo ou silenciando ao mesmo tempo, diante de tantas agressões aos seres humanos. Negando dessa forma a proposta inicial do cristianismo.

Luís Carlos.

29 06 2009
Gregorio

Caro poppé,

Segundo suas informações, a escravidão sempre foi comum em todas as etnias. Muitos, além de você, também fazem a mesma afirmação, mas não citam fontes de pesquisas. É sabido, através de historiadores e outros estudiosos das Ciências Sociais, que a escravidão foi praticada por vários grupos humanos, sob formas e concepções diferentes. Há até quem afirme que a escravidão foi praticada entre os nativos brasileiros na era pré-cabraliana, uma informação uma tanto equivocada, já que os índios de 500 anos atrás não produziam nem para estocar nem para comercializar, além de não construírem cidades. Além do mais, eles foram tachados de preguiçosos pelos próprios colonizadores porque não se ajustaram aos modos de trabalho do invasor.
Uma observação importante e assustadora que podemos fazer sobre escravidão, pois esta está bem registrada em todos os livros de história, é que as formas mais sangrentas e cruéis foram praticadas por povos que se auto-intitularam os mais cultos, humanistas, evoluídos, religiosos (cristãos) e, sobretudo, civilizados: veja em Império Romano e seus descendentes diretos (Os Europeus). Recentemente, (em pleno século XX), o mundo assistiu perplexo o holocausto e a escravidão dos judeus pelos nazistas cristãos.

29 06 2009
boppë

Prezado Gregório,
quando você cita os brasilíndios (que eu não citei eu meu comentário), parece afirmar que não havia escravidão entre os povos pré-colombinos americanos, por extensão.
Nesse caso, parece haver suficientes relatos sobre essa prática entre incas, maias e outros povos. Não posso afirmar sobre os nativos brasileiros, mesmo porque pouco se sabe sobre eles, exceto os que viviam à época da chegada de Cabral. Contudo, não podemos esquecer que outras etnias já haviam habitado o território brasileiro antes, ou não se falaria das cerâmicas marajoara e tapajoara, que derivaram de tribos que não mais habitavam a região Norte quando da chegada dos portugueses ao solo do que hoje é Brasil.
Quanto às formas mais cruéis, não sei se temos informações suficientes para julgar o grau de crueldade da escravidão que foi praticada em outras épocas e em outros locais, que não deixaram registros escritos, tais como os vários mongólicos, De todo modo, podemos também lembrar que no século XX, tivemos o abominável caso da escravidão de um povo por ele mesmo, como o caso do Khmer Vermelho, de Pol Pot, com alguns milhões de mortos cambojanos. Certamente não atingiu as proporções do holocausto judeu, mas, dadas as limitações geográficas e temporais, é algo assustador.
Temos sempre a tendência de pensar eurocentricamente, para o bem ou para o mal.

30 06 2009
Gregorio

Prezado boppë

Não fuja do assunto em questão!

O assunto é cristianismo (principalmente catolicismo) matando, escravizando, pilhando, exterminando ou aculturando civilizações ao longo da história. E para tal façanha usara a doutrina cristã e o nome de Deus como máscara, arma e escudo.
Não é por acaso que o Vaticano é um estado, e este por sua vez um dos que mais ostenta riqueza, e o faz em nome de Jesus Cristo. Esse, que segundo o Novo Testamento e seguidores, deu exemplo de pobreza e humildade.
Remorando a história, se não fosse por Napoleão Bonaparte, o Vaticano ainda seria um estado poderoso e bem mais avantajado em propriedades, territórios contínuos e separados, além designar quais reis deveriam governar.
Relembro-te que não é novidade para quem estudou um mínimo de história ocidental, que o tal déspota francês conseguiu tamanha proeza porque foi um jogador quase a altura de seu adversário (foi tão sanguinário quanto o Vaticano e seu Tribunal do Santo Ofício).
Explico o “quase a altura”: Bonaparte não conseguiu se manter por muito tempo no poder como fez o Vaticano.

È lamentável que uma doutrina como o cristianismo seja usada para propósitos tão espúrios e contrários aos seus princípios!

30 06 2009
boppë

Prezado Gregório,
Não tinha reparado que o objetivo do post é massacrar o cristianismo e, especificamente o catolicismo. Pensei, de início, que o tema sobre o qual se discutia fosse a escravidão, que ocorre em todas as épocas e em todos os continentes.
Como não sou seguidor de nenhuma das religiões abrâmicas, originadas no Oriente Médio, embora tenha sobre elas vasta leitura sobre a absoluta falta de originalidade de seus princípios nada divinos e/ou santificados, não pretendo continuar a discorrer sobre o tema.
De modo algum vou tentar levantar as razões de seu ódio ao cristianismo, mas, no que se refere à escravidão, espero que a analise com a visão não-eurocêntrica, pois certamente esta já está inteiramente superada na História (com H maiúsculo) e na historiografia.
Saudações.

1 07 2009
Gregorio

Prezado boppë

Não sou seguidor de nenhuma religião, embora tenha, também, informação sobre várias delas, principalmente sobre as mais relacionadas com a história escrita até hoje. Conheço muito sobre o cristianismo, pois este é um dos meus objetos de atenção e estudos.
Em relação ao assunto em debate, não se trata de ódio ou amor por qualquer religião, mas sim da análise imparcial de fatos históricos que ninguém pode apagar ou negar até provar o contrário.
A revisão do passado não é para despertar ódio, mas sim evitar a persistência nos erros, opinião que não é exclusivamente minha, mas dos estudiosos de História e outros.
Encerro aqui o meu debate com você, visto que não está disposto a debater, mas sim usar sofisma.

Grato!

1 07 2009
boppë

Pontos de vista muito diferentes. Tendo em conta a ética dos séculos anteriores e a dos anos anteriores, considero MUITO MAIS GRAVE que o mundo permita que exista, no mundo de HOJE, africanos escravizados por africanos, como mencionei no caso da Mauritânia, do que o fato de que que se tenha admitido escravidão em outros momentos históricos, sejam eles na “democracia ateniense”, no “Sacro” Império Romano-Germânico, ou nas colônias das potências européias e asiáticas até o século XIX.
Certamente o grupo dos “politicamente corretos” prefere atirar pedras no passado do que fazer algo efetivo para acabar com a escravidão hodierna na África. Admitir isso vai contra os preceitos de indenização.

6 04 2010
MSilva

Opa, gostaria de te convidar para participar de uma rede de conteúdo, se tiver interesse me adiciona no msn smatosjr@gmail.com ou me manda um email. Abraços Junior

30 05 2010
andresa

gostaria de saber,quais foram os povos que habitavam a africa do sul antes da chegada dos europeus.

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