BREVE HISTÓRIA DA CLASSE OPERÁRIA EM ALUSÃO AO 1º DE MAIO

25 04 2009

Este artigo é em homenagem àqueles/as que fazem a produção, que fizeram e podem fazer revolução e que acima de tudo, são protagonistas da História.
Proletariado
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

classe
Proletariado (do latim proles, “filho, descendência, progênie”) é um conceito usado por anarquistas, comunistas e marxistas para definir a classe antagônica à classe capitalista. O proletário consiste daquele que não tem nada além da força de trabalho, vendendo-a para sobreviver. O proletário se diferencia do simples trabalhador, pois este pode vender os produtos de seu trabalho (ou vender o seu próprio trabalho enquanto serviço), enquanto o proletário só vende sua capacidade de trabalhar, e, com isso, os produtos de seu trabalho e o seu próprio trabalho não lhe pertencem, mas àqueles que compram sua força de trabalho e lhe pagam um salário. Ao vender sua força de trabalho, o proletário aliena-se de seus próprios atos e submete-os à vontade do comprador, que o domina autoritariamente. O comprador (o capitalista) comanda o trabalho do proletário e se apropria de seus produtos para vendê-los no mercado. A palavra proletariado define o conjunto dos proletários considerados enquanto formando uma classe social.

Na Roma Antiga, o rei Sérvio Túlio usou o termo proletarii para descrever os cidadãos de classe mais baixa, que não tinham propriedades e cuja única utilidade para o Estado era gerar proles (filhos) para engrossar as fileiras dos exércitos do império. O termo proletário foi utilizado num sentido depreciativo, até que, no século XIX, socialistas, anarquistas e comunistas utilizaram-no para identificar a classe operária do capitalismo.

História

Historicamente, o proletariado surge com o capitalismo (na Europa, entre os séculos XIV e XIX), quando todas as relações sociais entre os indivíduos passaram a ser mediatizadas pelo mercado, que substituiu os laços comunitários que caracterizavam as sociedades anteriores. Com isso, todos os bens passaram a ser mercadorias, ou seja, o acesso à eles passou a ser permitido apenas a quem tivesse o dinheiro para comprá-los. Isso só foi possível mediante a chamada acumulação primitiva do capital, que se caracteriza por expulsões de camponeses de suas terras e pela destruição dos laços não-mercantis do artesanato urbano (por exemplo, as corporações de ofício), formando uma massa de indivíduos destituídos de meios de produção e que nada tinham para oferecer ao mercado senão sua força de trabalho. Essa separação dos homens dos seus meios de produção é também chamada de proletarização e foi na maioria das vezes imposta pelo Estado. Além disso, os artesãos urbanos não podiam concorrer no mercado com os capitalistas, cujos capitais rapidamente se acumulavam mediante o uso de força de trabalho e pela extração da mais-valia que esta proporciona, e esses artesãos falidos contribuiram para aumentar ainda mais a massa de proletários disponíveis para a indústria capitalista nascente. A formação, manutenção e o controle (através do aparato repressivo do Estado) de uma massa de indivíduos destituídos de tudo e tendo somente a sua força de trabalho para vender (qualificada ou não) é a condição sine qua non da acumulação do capital em qualquer lugar do mundo, até os tempos presentes, pois a força de trabalho é a única mercadoria que produz mais-valia.

A idéia de proletariado como uma classe antagônica à dos capitalistas surgiu no século XIX, quando operários conseguiram pela primeira vez organizar greves de dimensões consideráveis e questionar a situação em que viviam de maneira que, para muitos, suas exigências eram irreconciliáveis com a sociedade capitalista. Os proletários desenvolveram idéias comunistas, socialistas e anarquistas que depois ficaram conhecidas através de autores como Karl Marx, Mikail Bakunin e Piotr Kropotkin. Do fim do século XIX até meados do século XX, mediante a pressão constante das lutas radicais dos operários, os Estados de diversos países resolveram conceder direitos trabalhistas e regular os sindicatos, que passaram a ser instituições de negociação entre o Estado, os empresários e os operários. Em 1917, na Rússia, também mediante a pressão de lutas radicais dos operários, os bolcheviques tomaram o poder do Estado usando o nome do proletariado, que, no entanto, foi massacrado por eles e submetido a um regime de trabalho militarista [2] que não tem absolutamente nada a ver com as reivindicações dos proletários, os quais, em suas lutas, sempre se opuseram à intensificação do trabalho, à ditadura dos chefes e à própria escravidão assalariada.

Atualmente, nos países capitalistas avançados, o proletariado tem padrão de vida muito superior em relação às suas condições do início da Revolução Industrial, quando jornadas de mais de doze horas e a intensa utilização de mão-de-obra infantil eram a regra. Apesar de que as condições de trabalho nesses países vem regredindo nos últimos anos com a introdução de reformas neoliberais, o trabalho infantil e jornadas cada vez maiores são práticas comuns na flexibilização do trabalho, chegando até o extremo do uso de mão-de-obra escrava. Os trabalhadores imigrantes, em especial, têm sido submetidos a condições de trabalho degradantes na Europa. E temos a migração das fábricas para países sem leis trabalhistas.

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1º DE MAIO

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SITE MUNDIAL DA UNESCO

24 04 2009

Biblioteca Digital Mundial
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A Unesco lançou oficialmente, nesta terça-feira, o site da Biblioteca Digital Mundial , em que é possível navegar pelo excepcional acervo de livros, manuscritos e documentos visuais e sonoros procedentes de bibliotecas e arquivos do mundo todo. Reproduções das mais antigas grafias e fotografias estão entre os vários documentos raros apresentados em sete idiomas (árabe, chinês espanhol, francês, inglês, português e russo). O lançamento aconteceu na sede parisiense da Unesco, na presença de seu diretor-geral Koichiro Matsuura, e de James H. Billington, diretor da Biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos, idealizador do projeto.

Veja alguns exemplos do que pode ser encontrado na Biblioteca Digital Mundial:

Crônica de Terras Estrangeiras (1623)

Trata-se de um mapa do mundo em chinês produzido pelo missionário italiano Matteo Ricci, em 1574. O mapa, que seguia os princípios ocidentais da cartografia, então desconhecidos na China, passou por várias revisões entre 1574 e 1603. Os sacerdotes compatriotas de Ricci, Diego de Pantoja e Sabatino de Ursis, foram instruídos, por ordem imperial, para compor um livro explicando o mapa. Acervo: Biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos.

O Códice Huexotzinco (1531)

Coleção de oito páginas de documentos em linguagem pictográfica de parte do testemunho em um processo jurídico contra representantes do governo colonial no México, dez anos após a conquista espanhola em 1521. Acervo: Biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos.

Evangelho de Miroslav (1180)
Manuscrito do evangelho de Miroslav é uma obra litúrgica considerado o mais importante e o mais belo dos livros manuscritos Sérvios. Acervo: Biblioteca Nacional da Sérvia.

Cópia do Mapa do Novo Mundo (1562)

Desenhado pelo cosmógrafo Diego Gutierrez a mando do rei da Espanha. Acervo: Biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos.

Imperatriz Thereza Christina Maria , mulher do último imperador do Brasil, D. Pedro II. A foto faz parte do acervo de mais de 21 mil fotografias reunidas pelo Imperador D. Pedro II. Acervo: Biblioteca Nacional.

Pragmática (1584) é o primeiro documento impresso da América do Sul sobre a mudança do calendário juliano para o gregoriano, Lima, Peru. Acervo: Biblioteca John Carter Brown (Estados Unidos).

Evangelho de São Mateus (1840)

Tradução Aléute (referente ao povo nativo das ilhas Aléutas – próximas ao Alasca) feita pelo missionário russo Ioann Veniamiov. Acervo: Biblioteca Nacional da Rússia.

Ilustrações da China (1874)

Conjunto de 200 fotografias e cartas descritivas feitas pelo geógrafo escocês John Thomson durante a primeira incursão fotográfica feita sobre a China e seu povo. Acervo: Biblioteca da Universidade de Yale (Estados Unidos)

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DIVULGAÇÃO

22 04 2009

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HISTÓRIA DA LÍNGUA ÍNDIGENA

19 04 2009

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Quantas línguas indígenas se falam no Brasil?
por Sylvia Estrella
ENVIADO POR EDSON HELY SILVA
História das línguas indígenas

O tupi era a língua indígena mais falada no tempo do descobrimento do Brasil, em 1500. Teve sua gramática estudada pelos padres jesuítas, que a registraram. Era também chamada de língua Brasílica. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica. O tupi é considerado extinto hoje e deu origem a dois dialetos, considerados línguas independentes: a língua geral paulista e o nheengatú (língua geral amazônica). Esta última ainda é falada até hoje na Amazônia.

Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada sobre uma enorme extensão ao longo da costa. Já no século 16, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que, de início, eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população da colônia.

Em 1758, o Marquês de Pombal proibiu o uso da língua geral para favorecer o português. Nesta época, todos os habitantes da colônia falavam a língua geral, ou tupi, que deixou fortes influências no português falado no Brasil. No vocabulário popular brasileiro ainda hoje existem muitos nomes de coisas, lugares, animais, alimentos que vêm do tupi, o que leva muita gente a pensar que “a língua dos índios é (apenas) o tupi”, como explica o professor e pesquisador de tupi da Universidade de São Paulo, Eduardo Navarro.

A língua geral amazônica ou Nheengatú desenvolveu-se no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos 17 e 18. Até o século 19, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e brasileira.

Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatú continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os Baré e os Arapaço.

Língua original do Brasil

O Padre José de Anchieta foi o principal compilador do tupi
A língua tupi é aglutinante (uma frase é dita em uma palavra), não possui artigos, como o Latim e não flexiona em gênero e nem em número. Um bom exemplo do tupi é: Paranapiacaba = parana+epiaca+caba, mar+ver+lugar+onde. Ou, lugar de onde se vê o mar, a vila fica a 40km de São Paulo, bem na Serra do Mar e de lá se avista a Baixada Santista.

Por causa da obra do padre Anchieta, no final do século 16, com sua Arte de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil e do jesuíta Luís Figueira, com a A Arte da Língua Brasílica, “o tupi é a língua indígena mais bem-documentada e preservada que temos”, diz o professor Eduardo Navarro, pesquisador da matéria na Universidade de São Paulo.

Ele afirma que o tupi é importante para se entender a cultura brasileira. “O brasileiro já nasce falando tupi, mesmo sem saber. O português falado em Portugal diferencia-se do nosso principalmente por causa das expressões em tupi que incorporamos. Essa incorporação é tão profunda que nem nos damos conta dela. Mas é isso o que faz a nossa identidade nacional. Depois do português, o tupi é a segunda língua a nomear lugares no País”.

A lista de nomes é extensa e continua aumentando. Há milhares de expressões, como:

* Ficar com nhenhenhém – que quer dizer falando sem parar, pois nhe’eng é falar em tupi.
* Chorar as pitangas – pitanga é vermelho em tupi; então, a expressão significa chorar lágrimas de sangue.
* Cair um toró – tororó é jorro d’água em tupi, daí a música popular “Eu fui no Itororó, beber água e não achei”.
* Ir para a cucuia – significa entrar em decadência, pois cucuia é decadência em tupi.
* Velha coroca é velha resmungona – kuruk é resmungar em tupi.
* Socar – soc é bater com mão fechada.
* Peteca – vem de petec que é bater com a mão aberta.
* Cutucar – espetar é cutuc.
* Sapecar – é chamuscar é sapec, daí sapecar e sapeca.
* Catapora – marca de fogo, tatá em tupi é fogo.

O significado de grande parte dos nomes de lugares só se sabe com o tupi. Como nomes de bairros da cidade de São Paulo.

* Pari é canal em que os índios pescavam,
* Mooca é casa de parentes,
* Ibirapuera é árvore antiga,
* Jabaquara é toca dos índios fugidos,
* Mococa é casa de bocós – bocó é tupi.

Na fauna e flora brasileiras, o tupi aparece massivamente: tatu, tamanduá, jacaré. Até nas artes ele é encontrado – como o famoso quadro de Tarsila do Amaral, o Abaporu, que quer dizer antropófago (canibal) em tupi.

Segundo o professor Navarro, o tupi foi a língua mais falada do Brasil até o século 18 e foi a segunda língua oficial do Brasil junto com o português até o século 18. Só deixou de ser falado porque o Marquês de Pombal, em 1758, proibiu o ensino do tupi. O tupi antigo era conhecido até o século 16 como língua brasílica. No século 17, ele passou a ser chamado de língua geral, pois incorporou termos do português e das línguas africanas. Mas continuava sendo uma língua indígena, assim como é até hoje o guarani no Paraguai, falado por 95% da população. A dissolução do tupi foi rápida porque a perseguição foi muito violenta. Mesmo assim, até o século 19 ainda havia muitos falantes do tupi. Hoje, a língua geral só é falada no Amazonas, no alto Rio Negro – chama-se nhengatú e tem milhares de falantes entre os caboclos, índios e as populações ribeirinhas.

O professor Navarro conta que o nheengatú foi preservado na Amazônia porque lá a presença do Estado era mais fraca. “Na Amazônia, o português só se tornou língua dominante no final do século 19. Isso porque, em 1877, houve uma seca terrível no Nordeste, o que ocasionou a saída de 500 mil nordestinos da região, que foram para a Amazônia levando o português”.

Apesar do tupi ser uma língua morta, é também uma língua clássica, pois foi fundamental para a formação de uma civilização, assim como o foram o latim, o sânscrito e o grego, que é uma língua clássica ainda falada. O tupi foi fundamental também para a unidade política do Brasil. Havia outras línguas indígenas que não tinham relação com o tupi, como a dos índios Guaianazes e Goitacazes. Mas eram línguas regionais. O tupi evoluiu para outras línguas além da geral. No Xingu, há línguas que vêm do tupi antigo e são faladas até hoje.

O curso de tupi da Universidade de São Paulo (USP) foi fundado em 1935, pelo professor Plínio Airosa e é o único dessa língua em todo o Brasil. Tem duração de um ano e a procura é muito grande – em cada semestre há cerca de 200 alunos.

MAIS DE MIL LÍNGUAS ERAM FALADAS NO BRASIL (CLIQUE AQUI E SAIBA MAIS)





COMO O BRASIL FOI (RE) INVENTADO

18 04 2009

Apesar de estarmos no mês de abril, não vou cair na tentação de escrever sobre nossa conquista pelos portugueses. Achei essa pérola de matéria, que com certeza deixará muita gente curiosa: que é como o Brasil foi (re)inventado com a chegada da família real portuguesa em nossas paragens.
Tenho discutido bastante sobre como a “Era Napoleônica” influenciou toda a América (Espanhola e Portuguesa em destaque) e este artigo é um verdadeiro achado sobre o assunto. Deleitem-se!
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Rascunho de Brasil: como era o país em 1808
Até 1808, os brasileiros comiam com as mãos e viviam numa terra sem universidades, imprensa ou médicos. Com a chegada da corte ao Rio de Janeiro, a colônia começou a ficar com cara de país
por Reinaldo José Lopes
Naquela manhã quente, seu Barroso levantou cedinho. Próspero comerciante carioca, ele tinha de ir até o Valongo, na zona portuária, examinar mercadorias recém-chegadas. Mandou um escravo enrolar as esteiras onde havia dormido, enquanto outro colocava uma tábua em cima de dois cavaletes e trazia as gamelas com o almoço. Entre um bocejo e outro, Barroso mergulhava os dedos na papa de farinha e feijão-preto. Terminou de comer limpou as mãos na roupa de algodão e, antes de ir para a rua, deu uma chinelada na ratazana que tentava invadir sua casa.
O comerciante precisou aplicar um golpe de bengala para atravessar a esquina – um bando de urubus estava distraí do demais para lhe dar passagem, banqueteando-se com um cachorro morto na véspera. Numa rua estreita, Barroso passou por seu barbeiro, o mulato Sebastião, e se deteve um instante. Suas hemorróidas estavam de matar. Seria o caso de pedir ao velho homem uma rápida aplicação de sanguessugas? Talvez uma outra hora. Mais alguns minutos e Barroso finalmente chegou ao Valongo, onde trocou uma bela quantidade de carne-seca e couro curtido por alguns negros trazidos da África.
Embora a cena descrita acima seja fictícia, ela traça um retrato fiel do que era o Brasil no começo do século 19. O pedaço mais lucrativo do império português também era um local tosco, desprovido de saneamento básico, educação superior, hospitais e até de moeda circulante (nosso Barroso não era um adepto do escambo à toa). A fuga do príncipe regente dom João e de todo o aparato estatal português para cá, entre o fim de 1807 e o começo de 1808, deu os primeiros passos para acabar com esse marasmo (o que colocaria a colônia, sem querer, no caminho da independência). E tudo graças a um certo Napoleão Bonaparte, que tinha decidido acabar com o sossego de Portugal e ocupar o pequeno país ibérico.
Deus-nos-acuda
Portugal tinha virado alvo de Napoleão por causa da sólida aliança do país com a Inglaterra. Enquanto expandia seus domínios pela Europa, o imperador da França enfrentava uma guerra prolongada com os britânicos e queria expulsá-los dos portos da Europa. Como Portugal era um dos poucos países ainda abertos à Marinha inglesa, Napoleão pressionava dom João a abandonar seus velhos aliados.
O indeciso príncipe regente adotou por meses sua tática favorita: enrolar. Mas a pressão britânica foi mais forte que a francesa, em especial porque a Inglaterra ameaçava ocupar o Brasil caso o monarca não concordasse com o plano de fugir para a colônia. Quando dom João finalmente aprovou a retirada estratégica, a situação logo virou um deus-nos-acuda. Os cerca de 40 navios carregavam um amontoado de cerca de 11500 pessoas. A frota, escoltada pelos britânicos, deixou Lisboa em 29 de novembro de 1807, quando o Exército francês já estava entrando na capital.
A comitiva aportou em Salvador em 22 de janeiro de 1808. Antes de rumar para o Rio de Janeiro, dom João ficou pouco mais de um mês na Bahia. Foi apenas o tempo estritamente necessário para se recuperar da travessia e emitir a famosa ordem de abertura dos portos brasileiros às “nações amigas” – leia-se Inglaterra –, acabando com o monopólio naval português por aqui. Era a primeira prestação devida aos britânicos por seu papel de cães de guarda do império lusitano. E a primeira mudança de peso a afetar uma colônia que estava, sob muitos aspectos, parada no tempo.
Tigres e bandoleiros
Os que estudam a situação brasileira em 1808 são quase unânimes: chamar a América portuguesa de “Brasil” seria quase força de expressão. A unidade estava longe de ser clara. “Os habitantes do Brasil se auto-identificavam como portugueses, sentimento que convivia com identidades particularistas, como ‘ser das minas’ ou ‘ser bahiense’”, diz Ana Rosa Cloclet da Silva, doutora em História pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Estima-se que o Brasil da época tivesse 3 milhões de habitantes – incluindo 1 milhão de escravos e 800 mil índios.
Cerca de 60 mil pessoas viviam no Rio de Janeiro, contra 46 mil em Salvador e 20 mil em São Paulo. Embora os paulistas já tivessem parado de falar tupi – que, durante séculos, chegou a ser mais usado que o português em São Paulo –, eles ainda tinham muito de índio, dormindo em redes, vestindo imensos ponchos que hoje nos lembrariam os gaúchos e usando, para cortar a carne no almoço, a mesma faca que manejavam em duelos.
Os paulistas com jeitão de bandoleiros eram só uma faceta da vida urbana caótica que dom João encontraria no Brasil. As ruas das principais cidades só poderiam ser definidas como uma zorra total. Estreitas e mal iluminadas, eram lotadas de vendedores ambulantes cuja gritaria não deixava ninguém em paz, bichos (principalmente porcos e galinhas) e lixo. Sem falar nos urubus, que se esbaldavam com tanta fartura.
No entanto, em termos de, digamos, saneamento básico, nada superava o sistema dos “tigres”, os escravos que desempenhavam o papel de carregadores de esgoto e lixo em cidades como o Rio, Recife e Salvador. Eles colocavam barris cheios de dejetos nas costas e os levavam para o mar. Com o passar do tempo, as substâncias que caíam em seus ombros deixavam listras brancas na pele negra – daí o apelido felino. As praias mais glamurosas do Rio moderno provavelmente eram um fedor completo no começo do século 19.
Os “tigres” eram só mais um lembrete de que, no dia 8 de março, dom João e sua corte tinham desembarcado no maior mercado de escravos das Américas, o Rio de Janeiro, cidade onde um terço da população de 60 mil pessoas correspondia aos cativos.
No olho da rua
O primeiro problema que o príncipe precisou resolver na chegada foi onde enfiar 11500 membros sem-teto da elite portuguesa. Simples: dom João mandava pintar as iniciais P.R. (oficialmente “Príncipe Regente”, mas interpretadas como “Ponha-se na rua”) nas casas desejadas para sua nobre trupe. Os donos originais tinham que deixá-las livres para os novos moradores e, supostamente, deveriam ter sido recompensados com uma espécie de aluguel, mas isso acabou acontecendo com freqüência bem inferior à necessária.
Dom João trouxe para o centro do Rio um novo tipo de música: a dos explosivos, pondo abaixo morros e rochedos que, segundo os urbanistas portugueses, atrapalhavam a circulação do ar e das águas e tornavam a cidade propensa a enchentes. Na base da pólvora, a região foi ficando mais plana e ampla. Era preciso expandir a cidade: em 1808, o Rio tinha apenas 46 ruas e um punhado de becos e travessas. Segundo cálculos do viajante inglês John Luccock, cada residência carioca espremia, em média, 15 pessoas.
Apesar do “Ponha-se na rua”, a elite carioca se mostrou mais que disposta a sustentar a corte nem um pouco austera de dom João. O maior exemplo disso veio com a fundação do Banco do Brasil, que iniciou um lucrativo sistema de toma-lá-dá-cá entre o rei e seus súditos brasileiros. O banco seria sustentado inicialmente pelos investimentos dos cariocas, que podiam comprar ações da instituição. Quem fosse generoso podia ser recompensado com títulos de nobreza e, melhor ainda, com dividendos bem superiores ao rendimento real do banco. Isso porque, como conta o jornalista Laurentino Gomes em seu livro 1808, o Banco do Brasil se pôs a emitir papel-moeda sem lastro correspondente em ouro – receita ideal para que a instituição quebrasse, o que aconteceu anos após a Independência.
A colônia não tinha autonomia completa nem para julgar seus próprios crimes. “Antes de 1808, o Judiciário do Brasil era composto essencialmente pelos Tribunais da Relação, com sedes no Rio de Janeiro, na Bahia e no Maranhão, mas a última instância ficava em Lisboa”, conta Márcio Antônio Ribeiro, consultor histórico do projeto Bicentenário do Judiciário Independente no Brasil, organizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Uma das medidas tomadas pelo príncipe regente foi criar a Casa de Suplicação no Rio, transformando a nova capital na última instância de todos os casos julgados em seus domínios. A Casa de Suplicação, após uma série de metamorfoses institucionais, daria origem ao atual STF.
Quase medieval
A verdade é que criar um banco e um tribunal ou abrir os portos era até a parte fácil do trabalho de dom João. Difícil mesmo seria cumprir o objetivo declarado de tornar o país “digno” da corte recém-chegada. O primeiro baque deve ter sido a diferença brutal de vestuário entre os fugitivos e os nativos. De um lado estavam as perucas empoadas, os sapatos de salto alto e os casacões bordados que Portugal copiara da corte francesa. De outro, os chinelos de dedo, calças leves e jaquetas de chita dos homens do Rio de Janeiro. Já as cariocas usavam rosários, camisas simples, saias curtas e mais chinelos.
Não demorou para que os brasileiros se pusessem a imitar o estilo da corte – até escravos libertos adotaram cartolas, bengalas e casacas. Mas estava na cara que esse tipo de vestuário não funcionaria direito num país tropical. Um diplomata da Prússia relatou o desastre de uma recepção de gala: “Às 8 horas, ombros e costas das damas, que trajavam vestidos decotados da moda, já tinham sido tão picados por mosquitos que, de tão vermelhos, assemelhavam-se a soldados após apanharem de chicote”.
Em vários aspectos do cotidiano, até mesmo os brasileiros mais ricos levavam uma vida quase medieval em 1808 (com a exceção do costume de tomar banhos regulares, impensável para os portugueses). Quem vivia por aqui em geral não sabia o que era usar talheres à mesa. Enquanto os homens utilizavam facas de cabo prateado para cortar carne – num almoço formal, cada convidado tinha de trazer a sua de casa –, mulheres e crianças mergulhavam as mãos na papa de comida.
O menu não era muito variado, incluindo em geral carne-seca, toucinho, feijão-preto, farinha de milho e, para beber, água. Vez por outra, as famílias comiam à mesa, embora o mais comum fosse fazer as refeições no chão, sentados em esteiras, com o prato no colo, enquanto ratazanas passavam correndo pelo aposento – se você queria saber se duas pessoas sentadas lado a lado eram íntimas, era só prestar atenção se uma delas enfiava a mão no prato da outra e pegava um pedaço do rango.

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Brasil: milagre do crescimento com a família real portuguesa

CURIOSIDADES DA HISTÓRIA

Dos réis ao real: as moedas no Brasil

A história do dinheiro no Brasil é cheia de reviravoltas
A gente sempre quis ter. Comida, roupas, terras – e coisas que pertenciam a outras pessoas. Há 10 mil anos, como não existia dinheiro, a solução era darmos algo que tínhamos de bastante valor em troca do que queríamos. De lá para cá, muita coisa foi usada para fazer essas negociações: bois (provavelmente a primeira forma de moeda), conchas (muito usadas na China e na Austrália), sal (que os gregos trocavam por escravos), sementes de cacau (adotadas pelos maias e pelos incas) e até tulipas (dadas na Holanda como dote de casamento).
No Brasil, já usamos açúcar, tabaco e até notas estrangeiras (no século 17, o florim holandês foi fabricado em Recife), além de um sem-número das nossas próprias moedas, que perdiam valor rapidamente. Com base no novo livro Linha do Tempo – Uma Viagem pela História da Humanidade, de autoria da editora de História Cláudia de Castro Lima, conheça os melhores momentos dos cinco séculos do dinheiro em nosso país.

Trocas malucas
Até concha já foi usada por aqui
1500 – Tostão
Ao chegar ao Brasil, os portugueses encontram cerca de 3 milhões de índios vivendo em economia de subsistência. Já os colonizadores usam moedas de cobre e ouro, que têm diversos nomes de acordo com a origem: tostão, português, cruzado, vintém e são-vicente.
Século 16 – Jimbo e réis
A pequena concha era usada como moeda no Congo e em Angola. Chegando ao Brasil, os escravos a encontram no litoral da Bahia e mantêm a tradição. Desde o descobrimento, porém, a moeda mais usada é o real português, mais conhecido em seu plural “réis”, que valeu até 1942.
1614 – Açúcar
Por ordem do governador do Rio de Janeiro, Constantino Menelau, o açúcar é aceito como moeda oficial no Brasil. De acordo com a lei, comerciantes eram obrigados a aceitar o produto para pagar compras.
1695 – Cara e coroa
A Casa da Moeda do Brasil, inaugurada na Bahia um ano antes, cunha suas primeiras moedas de ouro. Em 1727, surgem as primeiras moedas brasileiras com a figura do governante de um lado e as armas do reino do outro, conforme a tradição européia. Os termos “cara” e “coroa” vêm daí.
1942 – Cruzeiro
Na primeira troca de moeda do Brasil, os réis são substituídos pelo cruzeiro durante o governo de Getúlio Vargas. Mil réis passam a valer 1 cruzeiro; é o primeiro corte de três zeros da história monetária do país. É aí que surge também o centavo.
1967 – Cruzeiro novo
O cruzeiro novo é criado para substituir o cruzeiro, que levou outro corte de três zeros. Mais uma vez, isso ocorre por causa da desvalorização da moeda. Para adaptar as antigas cédulas que estavam em circulação, o governo manda carimbá-las.
1970 – Cruzeiro
A moeda troca de nome e volta a se chamar cruzeiro. Dessa vez, porém, só muda o nome, mas não o valor. Ou seja, 1 cruzeiro novo vale 1 cruzeiro.
1986 – Cruzado
Por causa da inflação, que alcança 200% ao ano, o governo de José Sarney lança o cruzado. Mil cruzeiros passam a valer 1 cruzado em fevereiro deste ano. No fim do ano, os preços seriam congelados, assim como os salários dos brasileiros.
1989 – Cruzado novo
Por causa de inflação de 1000% ao ano, ocorre uma nova troca de moeda. O cruzado perde três zeros e vira cruzado novo. A mudança é decorrência de um plano econômico chamado Plano Verão, elaborado pelo então ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega.
1990 – Cruzeiro
O cruzado novo volta a se chamar cruzeiro, durante o governo de Fernando Collor de Mello. O mesmo plano econômico decreta o bloqueio das cadernetas de poupança e das contas correntes de todos os cidadãos brasileiros por 18 meses.
1993 – Cruzeiro real
No governo de Itamar Franco, com Fernando Henrique Cardoso como ministro da Fazenda, o cruzeiro sofre outro corte de três zeros e vira cruzeiro real. No fim do ano, o ministro cria um indexador único, a unidade real de valor (URV).
1994 – Real
Após uma inflação de 3700% em 11 meses de existência do cruzeiro real, entra em vigor a Unidade Real de Valor (URV). Em julho, a URV, equivalendo a 2750 cruzeiros reais, passa a valer 1 real.





CIA – A INTELIGÊNCIA DOS EUA

18 04 2009

Quem dá as cartas no EUA: o Presidente da República ou a CIA?
Não se espantem com esta indagação! Uma companhia de inteligência como esta, a CIA, pode tornar-se tão poderosa que por dentro do Estado pode se constituir num Estado Paralelo, conspirando por fora – em outros países – e tramando por dentro do seu próprio país a serviço de forças e interesses inconfessáveis.
Para conhecermos um pouco – superficialmente – dessa organização espiã e também criminosa, publicamos a matéria abaixo que teve como fonte a “Revista Aventuras na História”, e disponibilizamos ao leitor/ra, o link de acesso à página original com o artigo completo.
Boa leitura!
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O surgimento da CIA: Nas garras da águia

Criada no início da Guerra Fria, a CIA se especializou em sabotar e derrubar governos. Conheça sete casos em que a agência mudou os rumos da história – nem sempre do jeito que ela tinha planejado
por Tiago Cordeiro
Quando a Segunda Guerra acabou, em 1945, os americanos tinham mostrado ao mundo o alcance de seu poderio militar, selando o destino da Alemanha nazista na Europa e tirando o Japão de combate no Pacífico. Por trás desse sucesso, entretanto, se escondia uma perigosa fraqueza. Enquanto os soldados dos Estados Unidos haviam vencido no campo de batalha, os espiões americanos tinham colecionado fracassos, mostrando-se muito inferiores aos agentes britânicos, russos e alemães. Para um país que pretendia conter a crescente influência da União Soviética, era preciso investir num recurso decisivo: informação.
Foi pensando nisso que o presidente americano Harry Truman criou a Agência Central de Inteligência, a CIA (sigla para Central Intelligence Agency), em 1947. Tudo o que ele queria era saber o que acontecia nos países do bloco socialista. A missão incluía, é claro, infiltrar agentes na União Soviética. Mas os diretores da agência logo perceberam que isso era quase impossível – há alguns anos, Richard Helms, diretor da CIA entre 1966 e 1973, chegou a declarar que, naquela época, colocar e manter um espião em Moscou era tão difícil quanto mandar um homem para Marte.
Incapaz de vigiar de perto os rivais da Guerra Fria, os diretores da CIA ampliaram o ramo de atuação da agência. Em vez de se concentrar apenas em investigações, ela passou a intervir diretamente na política de diversos países, sempre procurando destruir qualquer possibilidade de aproximação com Moscou. A primeira intervenção bem-sucedida foi o financiamento do partido Democrata Cristão nas eleições italianas de 1948, para bloquear a ascensão da esquerda na Itália. Em pouco tempo, a CIA estaria apoiando grupos rebeldes e desestabilizando governos por todos os cantos do mundo.
“A agência deveria ser a cura para uma fraqueza crônica: a capacidade de guardar segredo e usar disfarces nunca foi nosso forte”, afirma o jornalista americano Tim Weiner em Legacy of Ashes (“Legado de cinzas”, inédito no Brasil), livro que conta a trajetória da CIA lançado recentemente nos Estados Unidos. “Quando a compreensão falhou, os presidentes do país ordenaram que a CIA mudasse o curso da história à força, por meio de operações clandestinas.” E assim foi. A seguir, você vai conhecer melhor sete momentos em que a agência foi capaz de mudar o mundo. E perceber que as mudanças nem sempre aconteceram do jeito que o governo americano desejava.
A arte de criar inimigos
O alvo da primeira intervenção militar da CIA foi o primeiro-ministro do Irã, Mohammed Mossadegh. Depois de assumir o poder, em 1951, ele propôs a nacionalização das companhias petrolíferas. A proposta irritou profundamente os ocidentais que lucravam com o petróleo iraniano. Nos Estados Unidos, Dwight Eisenhower assumiu a presidência em 1953 e encomendou à CIA a Operação Ajax, cujo objetivo era a deposição de Mossadegh. A ação ficou a cargo de Kim Roosevelt, chefe da divisão da agência no Oriente Médio e neto do ex-presidente Franklin Roosevelt. Com 1 milhão de dólares, ele iniciou uma campanha contra o premiê.
Contratadas pelos americanos, multidões de pessoas, em especial jovens religiosos, foram às ruas pedir a queda de Mossadegh – a agência fornecia a elas dinheiro e infra-estrutura (como carros e escritórios). Ao mesmo tempo, outros grupos, compostos por pessoas humildes, foram contratados pela CIA para fazer manifestações que vinculassem a imagem do premiê a Moscou – com palavras de ordem como “Eu amo Mossadegh e o comunismo”. A um preço de 150 mil dólares, os jornais passaram a criticar o primeiro-ministro. O problema é que o líder dos golpistas, o general Fazlollah Zahedi, não reuniu o apoio necessário.
No dia do golpe, 7 de julho, tudo saiu errado: os dissidentes foram presos e Mossadegh se manteve no poder. Mas Kim Roosevelt não desistiu. Em 19 de agosto, ele e um grupo de religiosos, liderados pelos aiatolás Ahmed Kashani e Ruhollah Khomeini, levaram centenas de pessoas armadas às ruas. O ataque à guarda de Mossadegh custou 200 vidas. Dessa vez o premiê não resistiu. Em seu lugar, assumiu Zahedi. “Gerações de iranianos cresceram sabendo que o governo americano tinha interferido em sua soberania. No médio prazo, essa ação foi péssima para a imagem dos Estados Unidos no Oriente Médio”, afirma Tim Weiner em seu livro.
O golpe mais duro contra os americanos veio em 1979. Foi quando o aiatolá Khomeini liderou a revolução que transformou o Irã em uma república islâmica. No mesmo ano, Khomeini deteve 52 americanos na embaixada dos Estados Unidos em Teerã. Eles só foram libertados após 444 dias – durante os quais a CIA participou de diversas ações de resgate malsucedidas. Meio século após a intervenção planejada pela agência, o Irã é uma enorme pedra no sapato da política externa americana.

Clique aqui para ler mais.

Kissinger, o arquiteto da Guerra Fria

Guerra Fria: o mundo por um fio





OPINIÃO DO LEITOR

18 04 2009

Reiteramos a gratuidade de nosso trabalho. Ele é movido a incentivos e comentários elogiosos ou não, da parte de nossos visitantes e, vez por outra, publicamos alguns desses pontos de vista.
Abaixo, a opinião de Josy, que não conhecemos pessoalmente, mas fazemos questão de agradecer-lhe à generosidade!

JOSY said 1 day ago:
Descobri, por acaso, esta importante fonte de pesquisa.
Já coloquei nos meus favoritos.
Parabéns pela iniciativa e principalmente pelos textos apresentados.
Textos ricos de informações.

Voltarei, com certeza, buscando aumentar meus conhecimentos.

PARABÉNS MAIS UMA VEZ





TIRADENTES: O HERÓI DESPEDAÇADO

16 04 2009

Interessante este texto do historiador Laurentino Gomes, que demonstra como as punições contra os adversários políticos da Coroa Portuguesa no Brasil Colonial eram desumanas e chocantes.
tiradentes

História do Brasil
Suplício judiciário: A vingança de Portugal

Uma forma radical de punição na época do Brasil Colônia incluía tortura com ferro em brasa, trituração dos ossos, decapitação e esquartejamento
por Laurentino Gomes
Os estudantes de História costumam ficar chocados com a forma implacável com que Portugal punia os culpados de crimes políticos na época do Brasil Colônia. Depois de enforcado, Tiradentes, o herói da Inconfidência Mineira (1789), teve seu corpo esquartejado. Troncos e membros foram espalhados ao longo da estrada que ligava Minais Gerais ao Rio de Janeiro. Sua cabeça, espetada no alto de um posto em Vila Rica, atual Ouro Preto, foi misteriosamente roubada. Até hoje não se sabe seu paradeiro. Na Revolta dos Alfaiates, ocorrida em Salvador em 1798, 47 suspeitos foram presos, e três deles acabaram decapitados e esquartejados. Pedaços de seus corpos foram colocados na ponta de estacas pelas ruas da capital, onde ficaram até se decompor totalmente. Na Revolução Pernambucana de 1817, a sentença contra os revoltosos determinava que, “depois de mortos, terão cortadas as mãos, e decepadas as cabeças e se pregarão em postes (…) e os restos de seus cadáveres serão ligados às caudas de cavalos e arrastados até o cemitério”.

Para ler o artigo completo, clique aqui.

IMAGEM DE MÁRTIR, PERFIL DE HERÓI (CLIQUE AQUI)





DIA DO ÍNDIO

15 04 2009

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Por Edson Hely

O Dia do Índio

O 19 de abril foi escolhido como Dia do Índio em assembléia realizada na cidade de Patzcuaro (México), em 1940. Não é data de batalha, nem data que celebre a resistência indígena propriamente dita, mas sim a data em que pela primeira vez delegados indígenas se reuniram em assembléia no 1º Congresso Indigenista Interamericano que se realizava naquela cidade. Todos os países da América foram convidados a participar dessa celebração. Esse dia seria dedicado ao estudo dos problemas dos índios pelas diversas instituições de ensino, no sentido de facilitar aos governos a adoção de normas necessárias à orientação de suas políticas indigenistas. Pelo Decreto-lei nº 5.540, de 02 de junho de 1943, o Brasil adotou a recomendação do Congresso, sendo o Dia do Índio celebrado pela primeira vez no país em 1944.

No Brasil o dia 19 de abril, escolhido como DIA DO ÍNDIO, correspodeu a data de aniversário do então Presidente Getúlio Vargas.

Muita coincidência o populismo getulista!





RETOMADA DOS POVOS INDÍGENAS

14 04 2009

Após séculos de opressão, os povos indígenas recuperam, aos poucos, os seus direitos. Além da terra, eles lutam por respeito e manutenção de costumes e tradições. Os índios buscam um espaço igualitário na sociedade brasileira, mas não querem deixar de lado o espírito de coletividade que os une.
JC ONLINE
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CLIQUE AQUI PARA TER ACESSO À ESTA MATÉRIA MULTIMÍDIA.





PENA PARA ESTRUPADOR EM SERGIPE – SÉCULO XIX

12 04 2009

Excepcional esta matéria de jornal que recebi do Prof. Dr. Edson Hely (UFPE). É uma decisão judicial do século XIX no estado de Sergipe e pode servir como instrumento de pesquisa do cotidiano, da linguagem, e no âmbito do judiciário, às penas previstas em nosso código penal.
Leiam com bastante atenção e curiosidade.
decisao





OPINIÃO

12 04 2009

Vez por outra, expomos aqui a opinião de nossos leitores/as e colaboradores/as. Portanto, reproduzimos com muita satisfação a opinião desta Professora do Município de Gravatá/PE, pela pertinência de seu comentário e por ser uma pessoa ligada à causa indígena e acima de tudo da Educação.
Para a Professora Sunamita, nossos sinceros agradecimentos!
professorasunamitaoliveira
Por Sunamita Oliveira

Considero admissível o fato de algumas pessoas ainda não acreditarem que o homem pisou na lua, mas negar o massacre dos povos indígenas é mais que degradante. Um pensador disse certa vez: “Aquele que não conhece a verdade é simplismente um ignorante, mas aquele que conhece e diz que é mentira, este é um criminoso!”
Parabéns pelo texto! Bravo!

P.S.: Quem quiser conhecer o interessantíssimo blog da Professora Sunamita, clique ao lado no link EDUCAR ENCANTANDO
, na seção blogroll.





MILHARES DE FOTOS PARA PESQUISA

11 04 2009

Milhares de fotos históricas

Pesquisa de milhares de fotografias de arquivo, o alongamento de 1750 até hoje. A maioria nunca foi publicada e já estão disponíveis pela primeira vez através do trabalho conjunto da revista LIFE e Google.
Imagens como estas que expomos abaixo, refletem parte do cotidiano dos EUA.
indio-americanosoldado

clique aqui.





HISTÓRIA DO CHOCOLATE

10 04 2009

A época é mais do que apropriada para este artigo. Os Europeus se apropriaram desta iguaria maravilhosa (aliás, como de muitas coisas que vendem como suas) e tornaram-se grandes fabricantes e vendedores do “ouro negro”. Porém, muitos/muitas não sabem da origem, das transformações advindas a partir da descoberta dessa preciosidade que, remonta ao período colonial americano.
Se o Europeu conquistou a América, não é exagero dizer que o chocolate- antes mesmo do açúcar e do café – seduziu o velho continente.
Abaixo, reproduzimos parte de um artigo sobre o assunto e no final disponibilizamos um link para levá-lo/la à mais informações a respeito deste tema curioso e, delicioso.
montezuma
Montezuma, Rei Asteca, grande consumidor de chocolate

O caminho de uma delícia

Do xocolatl asteca aos bombons europeus, o cacau originário da Amazônia foi produto rentável no Brasil colonial e se transformou no chocolate, adorado em todo o mundo
Isabel Drumond Braga

Quando os castelhanos fizeram contato com os astecas pela primeira vez, no início do século XVI, não era possível prever o quanto esse encontro mudaria o mundo. Populações seriam dizimadas, civilizações desapareceriam, a Europa conheceria um fluxo de metais preciosos capaz de mudar seus rumos, e seus hábitos alimentares passariam por transformações definitivas com a introdução à mesa de novos ingredientes, como a batata, o milho e o tomate. O cacau, uma outra novidade nascida desse encontro, levaria muito tempo até chegar à forma apreciada nos dias de hoje por crianças e adultos das mais diferentes nacionalidades: ele, o chocolate.

Produto nativo da região amazônica, o cacau se espalhou pelas florestas tropicais da América, sendo consumido pelas populações indígenas do continente. Os maias do período clássico (séculos III–X) foram os primeiros a cultivar o fruto de forma sistemática: usavam as favas como moeda e descobriram que as secando, moendo e misturando com água se obtinha uma bebida – o xocolatl. O cultivo do cacau passou ao povo toltec (séculos X–XII) e, posteriormente, aos astecas (séculos XII–XVI), que também o utilizavam como moeda e como bebida nutritiva consumida quente ou morna, considerada fortificante e afrodisíaca, à qual juntavam baunilha, especiarias – como a pimenta – e farinha de milho.

No Brasil, o cacau era inicialmente colhido pelos índios nas matas da Amazônia. Mas a Coroa portuguesa não demorou para perceber seu valor econômico e, assim, ordenou seu cultivo em ordem régia de 1º de Novembro de 1677. Na verdade, desde os primeiros relatos dos descobridores, a planta do cacau e a bebida despertaram a atenção no velho continente. As referências e as descrições do cacau, do cacaueiro ou da utilização das amêndoas como moeda e as alusões ao consumo da bebida foram abundantes por parte de viajantes, cronistas e até médicos. A primeira carga chegou a Sevilha em 1585, como tributo sobre a produção mexicana. Logo os castelhanos se esforçaram para intensificar a produção, para atender a demanda do consumo de cacau que se espalhava por outros reinos europeus. Mas é apenas no século XVII que os castelhanos passam a ter uma “paixão obsessiva” pelo chocolate, quando a bebida já tinha sofrido diversas transformações. A mais importante, atribuída aos carmelitas de Oaxaca, no México, constituiu em acrescentar açúcar de cana ao cacau e à baunilha, ao mesmo tempo em que suprimiram as especiarias anteriormente misturadas.

Clique aqui para saber mais.





OS HEBREUS

9 04 2009

Em época de Páscoa ( que do hebreu significa “passagem”, do cativeiro para a liberdade) é de fundamental importância conhecer a história do povo que nos legou este tributo cultural tão relevante e vivenciado nos dias atuais.
No final do texto, deixaremos à sua disposição o link que lhe levará às informações que parcialmente expomos na página principal do Mania de História.
Boa leitura!
moises
Os Hebreus

O povo hebreu tem o início de sua organização na Mesopotâmia. Segundo Jaime Pinsky, “Isso é contado na Bíblia e comprovado por diversas evidências. O hebraico é uma língua semita, pertencente ao mesmo grupo do aramaico e de outras faladas na Mesopotâmia, baseada em estrutura de raízes triconsonantais, uma particularidade delas. Notável mesmo é verificar a utilização de mitos mesopotâmicos entre os hebreus.” Mitos mesopotâmicos incorporados na teologia judaica, como o Dilúvio, a Epopéia de Gilgamesh. Da Mesopotâmia os hebreus migraram para o território hoje conhecido como Palestina, sempre travando contato, usualmente belicoso, com seus vizinhos mais próximos desde tempos imemoriais.

Possivelmente uma seca muito grave na Região os tenha forçado a nova migração, desta vez para o Egito, ali se estabelecendo como um povo associado. Não há – fora dos textos considerados sagrados do judaísmo e do cristianismo – confirmação quanto ao fato de os hebreus de Goshen haverem, em algum momento, sido escravizados pelos egípcios. Fosse como fosse, estavam sujeitos à mesma tributação – que incluía o trabalho para o Estado – que os nativos de sua nova terra.

Moisés e o monoteísmo

O Mito

Segundo o sociólogo peruano José Carlos Mariátegui, os povos capazes de construir um mito multitudinário, unificador e sólido, têm maiores chances de se perpetuar. O povo hebreu construiu um dos mais duradouros mitos multitudinários de que se tem notícia.

Conta a Torah – que consta do Pentateuco, bastante similar aos cinco primeiros livros da Bíblia cristã: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio – que Moisés era filho do casal hebreu Jocheber e Amram que, temendo por sua vida diante de um decreto de faraó sobre a morte dos recém-nascidos (de quem os hebreus esperavam um redentor para a escravidão em que viviam), colocou-o numa cesta de vime e o lançou a Nilo. Dali foi recolhido pela filha de faraó que o criou como se fosse fruto de seu próprio ventre, criando-o como príncipe de sangue real egípcio. Por algumas circunstâncias acaba descobrindo sua origem e passa a lutar pela libertação da escravização de seu povo, sendo banido por faraó, dali se dirige à região de Midiã, encontra o sacerdote Jetro e se casa com sua filha Zípora. Ao pé do monte Sinai vê uma sarça que arde em chamas sem queimar, fica curioso, se dirige ao local e recebe a voz do “Deus sem Nome” decretando que volte ao Egito e liberte seu povo da escravidão.

De volta ao Egito, realiza uma série de milagres inclusive lançando uma série de pragas sobre o Egito (nuvens de gafanhotos, chuva de granizo em chamas, o rio Nilo se converte em sangue por sete dias e assim por diante) que acabam por “abrandar o coração de faraó” que se decide por permitir ao povo hebreu sair do Egito e voltar à Canaã, “terra onde emana Leite e Mel”.

Subindo ao Monte Sinai, ficando o povo no sopé à sua espera, Moisés medita e ergue profundas preces por quarenta dias. O povo, fatigado de esperar no deserto, retorna às crenças egípcias populares construindo ícones de deuses animais e se propõe a voltar ao Egito. No entretempo, o “Deus sem Nome” fala a Moisés dando-lhe as Tábuas da Lei com os Dez Mandamentos. Ao descer, enfurece-se com a idolatria e falta de fé de seu povo, arroja sobre os hereges as Tábuas da Lei, sobe novamente ao Monte e obtém novas Tábuas, desta vez escritas “pela própria mão de Deus” e decide que o povo seja punido com 40 anos de peregrinação no deserto até a chegada a Canaã – havia um caminho bem mais curto.

Para ler mais, clique aqui.








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