OTAN – NATO


OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte

Bandeira da OTAN

Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) é uma aliança política e militar formada por países-membros, que tem como objetivo proteger uns aos outros em ataques militares.

Atualmente, os países que fazem parte da OTAN são 30:

  1. Albânia
  2. Alemanha
  3. Bélgica
  4. Bulgária
  5. Canadá
  6. Croácia
  7. Dinamarca
  8. Eslováquia
  9. Eslovênia
  10. Espanha
  11. Estados Unidos
  12. Estônia
  13. França
  14. Grécia
  15. Hungria
  16. Islândia
  17. Itália
  18. Letônia
  19. Lituânia
  20. Luxemburgo
  21. Macedônia do Norte
  22. Montenegro
  23. Noruega
  24. Países Baixos
  25. Polônia
  26. Portugal
  27. Reino Unido
  28. Romênia
  29. Tchéquia
  30. Turquia

A OTAN foi criada em 4 de abril de 1949, durante a Guerra Fria, que teve início em 1947 e terminou em 1989.

Na altura, o objetivo era conter a influência do socialismo da URSS no mundo, por isso era formada pelas principais potências capitalistas e ocidentais.https://a61a57c2e2dc1a899fac2981ef2704ee.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html?n=0

URSS é a sigla da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, que existiu entre 1922 e 1991 e era formada por 15 nações, dentre as quais a Rússia.

A OTAN também é conhecida pela sua sigla em inglês NATO (North Atlantic Treaty Organization).Bandeira da OTAN

História da OTAN

Após a derrota do nazimo na Europa, Estados Unidos e União Soviética seguiram por caminhos diferentes.

Os países que foram libertos do nazismo pelos soviéticos, adotaram o regime socialista e passaram à órbita de influência da URSS. Como bem lembrou o ex-ministro britânico Winston Churchill, uma cortina de ferro caía sobre a Europa.

Dessa forma, as relações entre os Estados Unidos e a União Soviética começaram a se deteriorar.

Criação e objetivos da OTAN

Por iniciativa dos americanos, a OTAN foi criada após o fim da Segunda Guerra Mundial. O objetivo era proteger as nações signatárias, na Europa e América do Norte, de ataques exteriores.

O artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte afirma que:

Um ataque armado contra um ou mais países membros será considerado uma agressão contra todos.

Igualmente, esta união tinha como objetivo conter a expansão do socialismo, representada pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Os principais pontos do acordo eram:

  • fornecer assistência militar mútua;
  • conservar a liberdade e a segurança de seus membros;
  • unificar e padronizar as estratégias militares e sistemas de armamentos do comando integrado das Forças Armadas do Atlântico Norte.

Além de manter os interesses políticos e militares das potências ocidentais pelo mundo, o tratado garante que nenhum dos signatários assine outro compromisso internacional conflitante com os termos da OTAN.

Quanto à sua composição, destacam-se delegações nacionais dos países membros, compostas por escritórios civis e militares, orientados pelo Presidente do Comitê Militar. A sede da OTAN fica em Bruxelas, na Bélgica.

Os presidentes dos países membros, bem como os seus ministros militares, se reúnem regularmente para tratar de assuntos pertinentes ao bloco.

OTAN e Pacto de Varsóvia

Alguns anos mais tarde, em resposta à OTAN, o bloco soviético cria o Pacto de Varsóvia. O tratado foi assinado na capital polonesa em 14 de maio de 1955.https://a61a57c2e2dc1a899fac2981ef2704ee.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html?n=0

As tensões entre os blocos capitalistas e socialistas, a ameaça de uma choque bélico entre essas duas alianças foi uma constante no período da Guerra Fria.

OTAN hoje

Com o fim da URSS no ano de 1991 e com a consequente dissolução do Pacto de Varsóvia, a OTAN precisou adequar-se ao novo paradigma mundial. Afinal, não existia mais o “inimigo vermelho” para combater.

Assim, com base no Novo Conceito Estratégico (New Strategic Concept, 1991), garantiu a perpetuação e expansão das alianças militares.

Atualmente, os objetivos da OTAN são:

  • preservar a segurança do bloco contra as operações de pirataria, guerras civis e terrorismo;
  • evitar ao máximo a proliferação de armas de destruição em massa.

Com a incorporação dos países do Pacto de Varsóvia, dentre eles a Rússia, a OTAN se torna a principal aliança militar no planeta.

Países integrantes da OTAN

Atualmente, 30 países fazem parte da OTAN. Abaixo, a lista dos países-membros da OTAN, de acordo com os anos de adesão. 

  • 1949: Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França*, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Portugal e Reino Unido
  • 1952: Grécia e Turquia
  • 1955: Alemanha
  • 1982: Espanha
  • 1999: Polônia, Hungria e Tchéquia
  • 2004: Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia
  • 2009: Albânia e Croácia
  • 2017: Montenegro
  • 2020: Macedônia do Norte

*Em 1966, a França abandona o Tratado do Atlântico Norte, retornando três décadas depois, em 1995.

Principais conflitos armados envolvendo a OTAN

Bósnia (1993), Iugoslávia (1999), Afeganistão (2001), Guerra do Iraque (2003), Líbia (2011).

Curiosidades

Após a OTAN, outras instituições militares foram criadas na Europa sem a presença dos EUA, a saber:

  • Organização de Segurança e Cooperação Europeia (OSCE);
  • Organização da Unidade Europeia (OUE);
  • EUROCORPS (exército europeu).

Cerca de 70% de todos os gastos militares do planeta são realizados pelos países membros da OTAN.

CARTA PARA “MAMÃE FALEI” | DO JORNALISTA JAMIL CHADE


MENINAS NA GUERRA
Texto arrasador de Jamil Chade.
Impossível não se emocionar

Carta para Arthur do Val: a condição feminina na guerra e na paz
Jamil Chade
5 de março de 2022.

Confesso que não conhecia seu nome, e nem sua denominação de guerra. Mas os áudios indigestos que vazaram com seus comentários sobre a situação na Ucrânia me obrigaram a escrever aqui algumas linhas sobre o que eu vi em campos de refugiados e filas de pessoas desesperadas para escapar da guerra e da pobreza ao longo de duas décadas.

Não estou acusando o senhor e sua comitiva do que estará exposto abaixo. Mas considero que, sem entender essa dimensão do sofrimento humano, fica impossível justificar uma viagem como a que o senhor faz para ajudar a defender um povo.

Ao longo da história, a violência sexual é uma das armas de guerra mais recorrentes para desmoralizar uma sociedade. Ela não tem religião, nem raça. Ela destrói. Demonstra o poder sobre o destino não apenas das vidas, mas também dos corpos e almas.

Percorrendo campos de refugiados em três continentes, o que sempre mais me impressionou foi a vulnerabilidade das mulheres nessa situação.

Mas, antes, vamos ser claros aqui. Não precisamos sair do Brasil para saber que as mulheres, simplesmente por serem mulheres, precisam passar a vida se explicando. Como se necessitassem de chancela ou justificativa para determinar o destino de seu corpo ou coração, se podem trabalhar ou ter tesão. Intolerável, não?

Então, o senhor pode imaginar o que isso significa em tempos de guerra, onde a lei e a moral são suspensas?

Conheci certa vez uma garota yazidi. Ela me contou como, depois de sua cidade ser tomada por islamistas, ela foi transformada em escrava sexual. Aqueles olhos verdes intensos se enchiam de lágrimas quando contava que, num calabouço, ela e as demais meninas se dividiam em dois grupos.

Aquelas que rezavam para sobreviver e aquelas que rezavam para morrer logo.

Ela também me contou que, num ato de solidariedade com as outras mulheres que viriam depois delas, foi iniciado um gesto espontâneo de escrever mensagens nas paredes daqueles quartos imundos, inclusive com dicas de como agir. Escreviam com a única cor que tinham. O vermelho do sangue de suas vaginas estupradas.

O senhor me diria: claro, isso é coisa de terrorista islâmico. Sim, sem dúvida. Mas quero lhe contar o que investigações e auditorias revelaram em um local mais próximo de nós: o Haiti.

Ali e em outros locais onde estão destacadas, as tropas de paz da ONU – repletas de moral, credibilidade e protocolos – foram acusadas de estupro e de abusos com mulheres, meninas e meninos. Alguns, em troca de comida. Num caso específico, um garoto era semanalmente estuprado por oficiais, em troca de bolachas. Há até mesmo uma categoria de crianças hoje nesses países, “os filhos da ONU”.

Na Sérvia, num barracão onde eram depositados os refugiados que aguardavam para chegar até a Europa Ocidental, conheci uma mulher que não falava. Sua irmã, depois, veio me explicar que ela ficou muda depois de ter sido estuprada pelo “guia” que seus pais tinham contratado na Turquia para que elas cruzassem as fronteiras. Para pagar pelo guia, os pais venderam as únicas coisas que tinham: uma casinha e dois animais.

Em Dadaab, no Quênia, entendi toda a minha ignorância quando fui perguntar para um grupo de crianças do que elas tinham mais medo. Achei que a resposta seria: as bombas de Mogadíscio. Mas era do escuro do campo de refugiados. Quando pedi para saber o motivo, uma delas sussurrou: “não podemos nem ir ao banheiro pela noite. Um homem pode fazer coisas ruins com nosso corpo”.

Anos depois, voltei a viajar para a África. Da janela do avião a hélice em que eu voava, podia ver como um garoto usava um pedaço de galho para tentar dirigir o destino de vacas e outros animais. Enquanto ele conseguia dar direção ao gado, algumas reses escapavam um pouco adiante.

Do assento em que eu estava, quase não consegui ouvir quando o piloto se virou para trás e, competindo com o barulho do motor, gritou que estávamos iniciando a aterrissagem. Jamais imaginaria que, minutos depois, era sobre aquele local de terra de onde o garoto estava retirando os animais que o avião iria pousar. O que de fato eu tinha visto era a preparação da pista de pouso.

Eu tinha viajado para um lugar a oeste da cidade de Bagamoyo, na Tanzânia, para escrever sobre o impacto da Aids numa das regiões mais pobres do planeta. Mas seria naquele local que eu descobriria, de uma maneira inusitada, a dimensão do drama de imigrantes e refugiados. Ao longo dos anos, visitei campos de refugiados na fronteira do Iraque, entre o Quênia e a Somália, em Darfur, na rota entre a Turquia e a Europa. Vi milhares de pessoas sem destino. Mas, nas proximidades de Bagamoyo, aquela história era diferente. Oficialmente, não havia uma guerra. Não havia um acampamento de refugiados. Mas eu logo descobriria que nem por isso o desespero deixava de estar presente naquela população.

Eu fazia uma visita a um hospital e esperava para falar com o diretor. Por falta de médicos, ele fora chamado para fazer um parto. Sabia que aquilo significava que eu passaria horas ali, à espera de minha entrevista. Restava fazer o que eu mais gostava nessas viagens: descobrir quem estava ali, falar com as pessoas, perambular pelo local, ler os cartazes e simplesmente observar. No portão do centro de atendimento, centenas de mulheres com seus véus coloridos aguardavam de forma paciente. Tentavam afastar as moscas, num calor intenso, enquanto o choro de crianças rompia os muros descascados daquela entrada de um galpão transformado em sala de espera.

Ao caminhar para uma das alas, fui barrado. Os enfermeiros me pediram que não entrasse no local. Quando perguntei qual era a especialidade daquela área, disseram que não podiam revelar. Em partes da África, o preconceito e o estigma em relação aos pacientes de Aids obrigam os hospitais a não indicar nem em suas paredes o nome da doença. Decidi sair do prédio em ruínas e, num dos pátios do hospital, vi duas garotas brincando.

Não tinham mais de 10 anos de idade. E o único momento em que olharam para o chão, sem resposta, foi quando perguntei o que faziam ali. Mas a curiosidade delas em saber o que um rapaz branco, com um bloco de notas na mão e uma câmera fotográfica, fazia lá era maior que sua vontade de contar histórias. Desisti de seguir com minhas perguntas. Expliquei que era jornalista brasileiro e, para dizer meu nome, mostrei um cartão de visita, que acabou ficando com elas.

Quando iam responder à minha pergunta sobre os seus nomes, nossa conversa foi interrompida por uma senhora que, da porta do hospital, me avisava que o diretor já estava à disposição para a entrevista. Deixei aquelas crianças depois de menos de cinco minutos de conversa. Já caminhando, virei e disse uma das poucas expressões que tinha aprendido em suaíli: kwaheri – “adeus”. Ganhei em troca dois enormes sorrisos.

Terminada a entrevista com o diretor do hospital, confesso que nem sequer notei se as meninas continuavam ou não no pátio. Estava ainda sob o choque de um pedido do gerente da clínica, que, ao terminar de me explicar o que faziam, me perguntou se eu não poderia deixar para eles qualquer comprimido que tivesse na mala. Qualquer um. Até mesmo se o prazo de validade já tivesse expirado.

Alguns meses depois, já na Suíça, abri minha caixa de correio de forma despretensiosa ao chegar em casa. Num envelope surrado e escrito à mão, chegava uma carta de Bagamoyo.

Pensei comigo: deve ser um erro e a carta deve ter sido colocada na minha caixa por engano. Eu não conheço ninguém em Bagamoyo. Mas o envelope deixava muito claro: era para Jamil Chade.

Antes mesmo de entrar em casa, deixei minha sacola no chão e abri o envelope. Uma vez mais, meu nome estava no papel, com uma letra visivelmente infantil. Eu continuava sem entender. Até que comecei a ler. No texto, em inglês, quem escrevia explicava que tinha me conhecido diante do hospital e que tinha meu endereço em Genebra por conta de um cartão que eu lhe havia deixado.

Como num sonho, as imagens daquelas garotas imediatamente apareceram em minha mente. Mas o conteúdo daquela carta era um verdadeiro pesadelo. A garota me escrevia com um apelo comovedor. “Por favor, case-se comigo e me tire daqui. Prometo que vou cuidar de você, limpar sua casa e sou muito boa cozinheira.” A carta contava que sua mãe havia morrido de Aids – naquele mesmo hospital – e que seu pai também estava morto.

Cada um dos oito filhos fora buscar formas de sobreviver e ela era a última da família a ter permanecido na empobrecida cidade. “Preciso sair daqui”, escrevia a garota. A cada tantas frases, uma promessa se repetia: “Eu vou te amar.”

Uma observação no final parecia mais um atestado de morte: “Com as últimas moedas que eu tinha, comprei este envelope, este papel e este selo. Você é minha última esperança.”

Deputado, talvez o senhor classificaria essa pessoa no grupo de “meninas fáceis”. Eu, porém, chorei de desespero e de impotência diante daquele pedido de resgate.

Eu e o senhor- homens brancos – nascemos como a classe mais privilegiada do planeta. Eu e o senhor não tivemos de fazer nada para adquirir esses privilégios. Existimos.

É nossa obrigação, portanto, desmontar o processo de profunda desumanização de uma guerra e da miséria. Cada um com suas armas.

Não sei qual será o destino que a Assembleia Legislativa em São Paulo, seu partido e seus eleitores darão ao senhor. Qualquer que seja ele, só espero que esse episódio revoltante sirva para que haja alguma insurreição de consciências sobre a condição feminina. Na guerra e na paz.

Grato pela atenção

Jamil

O ESCÂNDALO DA MANDIOCA


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😓🖤 Num dia como hoje, 3 de março, há exatos 40 anos, era assassinado com três tiros, na frente da padaria Panjá, no bairro de Jardim Atlântico, em Olinda, o procurador da República PEDRO JORGE DE MELO E SILVA, 35 anos, responsável pelo inquérito que apurou o desvio de dinheiro da agência do Banco do Brasil, em Floresta, no Sertão pernambucano. O caso ficou conhecido como o Escândalo da Mandioca e teve grande repercussão local e nacional na época. O executor foi o pistoleiro Elias Nunes Nogueira, que ao ser preso confessou o crime, deu detalhes e disse que tinha sido contratado por José Ferreira dos Anjos, o “Major Ferreira”, da Polícia Militar de Pernambuco.

Pedro Jorge de Melo e Silva era alagoano de Maceió. Ainda muito jovem, migrou pro Recife para estudar. Foi seminarista e depois decidiu pela carreira acadêmica, tendo sido o primeiro lugar no vestibular de Direito da UFPE. Aos 29 anos, foi aprovado com destaque num concurso público para uma vaga de procurador da República.

O golpe aos cofres públicos aconteceu no município de Floresta, interior de Pernambuco. Com documentos falsos e agricultores fantasmas, fraudadores se passavam por produtores rurais para conseguirem financiamentos no Banco do Brasil através do Proagro (programa de crédito agrícola federal). Contudo, não realizavam o plantio e, não satisfeitos, alegavam que a seca havia destruído as plantações. Com isso, os criminosos conseguiram duplo efeito: além de se apropriarem do dinheiro do financiamento, beneficiavam-se com os valores recebidos de um seguro agrícola.

O dinheiro desviado era gasto com demonstrações de luxúria, como carros, cavalos de raça, imóveis, fazendas, festas, entre outras extravagâncias. O golpe foi descoberto em 1981, quando um fazendeiro da cidade teve seu pedido de empréstimo negado pelo Banco do Brasil e, sentindo-se injustiçado, indicou a fraude para as autoridades. O desvio alcançou Cr$ 1,5 bilhão (quase R$ 68 milhões em valor atualizado), configurando um dos maiores casos de corrupção daquele período.

O procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva recebeu o inquérito e, mesmo tendo sido ameaçado, denunciou o gerente da agência de Floresta, o deputado estadual Vital Cavalcante Novaes (PDS) e o ex-major PM José Ferreira dos Anjos (Major Ferreira), entre outros. Após denunciar os envolvidos no Escândalo da Mandioca, o procurador começou a sofrer várias ameaças de morte, que infelizmente acabaram se concretizando.

Um coronel da Polícia Militar de Pernambuco solicitou o impedimento de Pedro Jorge ao procurador-geral da República. Alegou que o procurador estaria sendo pouco ético e teria quebrado o sigilo funcional. Contudo, foi de pronto refutado.

Entre os dias 27 de janeiro e 1º de março de 1982, alguns dos envolvidos nas denúncias tentaram dissuadir o procurador por meio de ameaças através de ligações telefônicas. Isso não o intimidou e ele continuou fazendo seu trabalho, ciente dos riscos que corria. Somente em 2 de março de 1982, o então procurador-geral da República afastou Pedro Jorge da condução do inquérito que apurava o “Escândalo da Mandioca”, por precaução.

Segundo os Autos do Processo, foi o próprio Major Ferreira quem contratou seis pistoleiros, dentre eles, Elias Nunes Nogueira, que foi o executor do crime no dia 3 de março de 1982, disferindo contra a vítima seis tiros, dos quais três o atingiram à queima-roupa. Elias receberia 200 mil cruzeiros pelo crime, mas teria recebido apenas 50 mil do combinado.

O caso foi levado ao ar no programa “Globo Repórter” exibido em 20 de maio de 1982 com o título “Os Assassinos do Procurador”, com reportagem de Tonico Ferreira, apresentando revelações do próprio assassino. A fita com a edição do Globo Repórter chegou a ser mostrada no Jurí dos acusados, ainda que com a advertência do juiz de que não deveria ser levada em consideração enquanto prova.

O júri popular durou 6 dias e aconteceu em outubro de 1983, no Tribunal de Justiça de Pernambuco, na área central do Recife. O julgamento foi presidido pelo juiz federal Adaucto José de Melo. Atuaram na acusação o procurador da República Hélio Maldonado e o advogado criminalista Gilberto Marques. Na defesa, os advogados criminalistas Juarez Vieira da Cunha e Mírcio Ferreira.

Seis acusados da morte foram condenados: o major José Ferreira dos Anjos, mandante do assassinato, o pistoleiro Elias Nunes Nogueira, o sargento da PM José Lopes de Almeida, o agente de Polícia Euclides Ferraz Filho, o funcionário do Detran Jorge de Souza Ferraz e o topógrafo Heronides Cavalcanti Ribeiro.

O ex-Major Ferreira, expulso da Polícia Militar (condenado a dez anos de prisão), passou 12 anos foragido, sendo recapturado em 1995 quando, enfim, cumpriu a pena. Ferreira morreu de enfarte em 19 de novembro de 2018. Dos 24 denunciados pelo esquema de desvio de dinheiro em Floresta, 22 seriam condenados a penas de dois a dez anos de prisão, num julgamento que só veio a ocorrer em 24 de fevereiro de 1999, 17 anos depois do crime.

Pedro Jorge foi um exemplo de homem vocacionado à coragem e à justiça. Sua morte precoce e trágica deixou como legado uma mudança no modo como a população brasileira enxergava o Ministério Público, que passou a ser visto como instituição essencial à Justiça, defensora dos direitos e do regime democrático.

As consequências do assassinato de Pedro Jorge aconteceram em diversos campos da sociedade. Pedro Jorge de Melo e Silva dá nome ao prédio sede da Procuradoria Regional da República no Recife e a uma Fundação instituída pela Associação Nacional dos Procuradores da República, sediada em Brasília. Também tem seu nome a praça em Olinda, onde foi assassinado.

Em 27 de março de 2017, foi lançado o documentário “Pedro Jorge: uma vida pela justiça” no cinema São Luiz, no Recife (PE). O documentário é um relato da trajetória pessoal e profissional de Pedro Jorge. Familiares, amigos e colegas de profissão que conviveram com ele ou que tiveram papel decisivo para que os assassinos fossem condenados deixaram seus depoimentos na produção, atualmente disponível no Youtube. A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e a Fundação Pedro Jorge lançaram em 18 de novembro de 2021 o Podcast “Morto pela Causa”, com produção da Trovão Mídia. Ao longo de seis episódios narrativos, a série fala do trabalho de Pedro Jorge à frente do Escândalo da Mandioca, as circunstâncias do seu assassinato e os reflexos do crime para o país e o Ministério Público Federal – disponível nas principais plataformas de streaming de aúdio.

A morte de Pedro Jorge serviu para influenciar os movimentos de redemocratização e a Assembleia Nacional Constituinte para formatar, na Constituição Federal de 1988, bem como na Lei Complementar nº 75, de 1993, o Ministério Público Brasileiro como uma entidade com autonomia e independência. Até hoje, Pedro Jorge é lembrado como um exemplo de dedicação e honradez no exercício de seu ofício. Seu brutal martírio evidenciou os perigos de se combater a corrupção, mal sistêmico e que corrói nefastamente a sociedade. 40 anos depois, como faz falta a coragem e a determinação de pessoas como PEDRO JORGE DE MELO E SILVA! 👏👏👏👏👏👏

#40anosdamortedepedrojorgedemeloesilva

#historiadoescandalodamandioca

#lutoporpedrojorgedemeloesilva

#combateacorrupcao

🧭 Concepção e elaboração do post 📝 José Ricardo 🖋️ professor e historiador.

📖 Créditos do texto:

🖱️ Sites Memória Globo e Memorial da Democracia

💻 Perfil do Ministério Público Federal no Facebook.

📰 Sites dos Jornais Diário de Pernambuco, Jornal do Commércio e Folha de Pernambuco (adaptados)

⏳#muitahistoriapracontar⌛

BREVE HISTÓRIA DA UCRÂNIA


A Ucrânia é o segundo maior país da Europa(o maior é a Rússia). Sua capital é Kiev. O país tem 44.921.000 habitantes (estimativa de 2016) e área de 603.628 km2.

Ucrânia

Encyclopædia Britannica, Inc.

Geografia 

A Ucrânia compartilha fronteiras com a Moldávia, a Romênia, a Hungria, a Eslováquia, a Polônia, a Bielo-Rússia e a Rússia. O mar Negro e o mar de Azov ficam ao sul.

Ucrânia

O rio Dnieper, o maior da Ucrânia, passa por Kiev, a capital do país.

J. Allan Cash Photolibrary

Quase todo o território ucraniano é plano. Os montes Cárpatos ficam no oeste. A península da Crimeia se estende ao sul, adentrando o mar Negro; nela se encontram os montes da Crimeia, que atravessam toda a península. A savana que cobre o centro e o sul do país é chamada de estepe. No norte da Ucrânia estão os pântanos de Pripet, a maior região de charco da Europa. O maior rio ucraniano é o Dnieper.

Os meses de junho e julho são temporadas de muita chuva na Ucrânia.

Flora e fauna 

A maioria das florestas ucranianas fica nos montes Cárpatos, no oeste. Algumas árvores crescem também entre as áreas pantanosas e na Ucrânia central. Entre os animais, há veadoslobosursosraposas, gatos selvagens, castoresdoninhas e texugos.

Ucrânia

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Paisagem de pradaria na Ucrânia.

© Petro Feketa/Fotolia

População 

A maioria da população é formada por ucranianos. Os russos são o segundo maior grupo populacional. Também existem pequenos grupos de moldávios, tártaros e bielo-russos. O principal idioma é o ucraniano. A maioria das pessoas vive em pequenos centros urbanos.

Ucrânia

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Um grupo folclórico vestindo roupas tradicionais se apresenta em uma rua de Kiev, capital da Ucrânia.

© Schamin/Shutterstock.com

Cerca de metade da população ucraniana não segue nenhuma religião. Entre os demais habitantes, a maioria professa o cristianismo ortodoxo oriental. Há um pequeno número de judeus.

Economia 

A indústria e a mineração são importantes para a economia da Ucrânia. As fábricas produzem ferroaço, locomotivas, tratores, produtos químicos e outros bens. As minas fornecem manganêscarvão, minério de ferro, sal, enxofre e outros minerais. A Ucrânia tem ainda reservas de gás natural e petróleo.

Ucrânia

Uma mina de carvão na cidade de Donetsk, na Ucrânia.

Andrew Butko

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agricultura também é importante para a economia. Os ucranianos cultivam batatabeterrabatrigocevadamilhocenteio e aveia. Os fazendeiros criam gado, porcos, ovelhas e cabras.

História 

Durante os séculos V e VI, tribos de povos chamados eslavos chegaram ao território que hoje é a Ucrânia. No século IX, invasores vikings, os varegos, se mesclaram aos eslavos e fundaram o poderoso reino de Rus, cuja capital era Kiev. Esse país perdeu poder quando os mongóis o invadiram no século XIII.

Europa

Na Europa ainda é possível encontrar muitos castelos antigos. Este é o Ninho das Andorinhas, que fica no topo de um rochedo na cidade ucraniana de Ialta, à beira do mar Negro, na Europa oriental.

Lonely__—iStock/Getty Images

Poloneses e cossacos

No século XIV, a Lituânia conquistou o território. Depois de 1569, foi a Polônia que governou a maior parte da Ucrânia. Os poloneses transformaram muitos ucranianos em servos, colocando-os para trabalhar na terra, sem direito algum.

Alguns servos fugiram e se juntaram à força militar dos cossacos, que em 1648 liderou um ataque contra o domínio polonês. Os cossacos pediram a ajuda da Rússia para derrotar os poloneses. Eles conseguiram se libertar da Polônia, mas seu novo estado logo se tornou parte do Império Russo.

Controle soviético

No século XVIII, a Rússia lentamente obteve o controle sobre quase toda a Ucrânia. Em 1922, a Ucrânia tornou-se parte da União Soviética. Os soviéticos tomaram posse das fazendas ucranianas, levando à miséria milhares de pessoas. Na década de 1930, entre 5 milhões e 7 milhões de ucranianos morreram de fome.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha invadiu a Ucrânia. Forças alemãs transformaram milhões de ucranianos em escravos e mataram cerca de 600 mil judeus ucranianos. Os soviéticos expulsaram os alemães da Ucrânia em 1944.

Independência

Em 1991, a União Soviética se desmembrou e a Ucrânia ficou independente. Em 2004, muitos ucranianos protestaram contra os resultados da eleição presidencial. Eles achavam que a eleição havia sido fraudada. O protesto, conhecido como Revolução Laranja, levou a uma nova votação. No entanto, a instabilidade política do país continuou. Anos depois da independência, a Ucrânia enfrentou dificuldades econômicas. Embora sua economia tenha melhorado no início do século XXI, a crise econômica mundial que começou em 2008 atingiu duramente o país, já que a demanda mundial por seu aço e outros bens diminuiu rapidamente.

Outro movimento de protesto em massa teve início em novembro de 2013 e resultou na derrubada do governo em fevereiro de 2014. O movimento foi centrado na Maidan (Praça da Independência), em Kiev. Dezenas de pessoas morreram e centenas ficaram feridas durante os protestos. Nas eleições presidenciais de maio de 2014, o multimilionário Petro Poroshenko venceu com mais de 54 por cento dos votos.

CURIOSIDADES SOBRE O IDIOMA RUSSO, UM DOS MAIS ANTIGOS DO MUNDO


Curiosidades sobre o idioma de Dostoiévski

De Glicia

origens do russo
descendência étnica dos russos

A língua russa é uma das mais importantes línguas do mundo. Graças ao número de seus falantes, ela ocupa o quinto lugar como língua mais falada, depois do chinês, híndi, inglês e espanhol. O russo é também uma das línguas oficiais da ONU.

Apesar do russo não ser uma língua tão procurada quanto o inglês, o espanhol ou ainda, o francês e o alemão, a demanda por aulas desse idioma tem crescido. A Rússia possui uma história e cultura riquíssimas: da literatura às artes, a cultura russa é cheia de nuances e traz um rico repertório.

São Petersburgo, também conhecida como a “capital dos czares” é uma cidade com traços arquitetônicos imponentes e se tornou um destino cultural muito procurado pelos amantes de artes, arquitetura e história.

Com suas noites de inverno intermináveis e congelantes e seus longos dias de verão – as famosas “Noites Brancas” do romance de Dostoiévski –  a elegância é uma das características mais marcantes da cidade. São Petersburgo está situada às margens do rio Neva e foi construída pelo czar Pedro I, em 1703, justamente para ser a capital dos czares.

O fascínio exercido pela cultura russa desperta também o interesse por sua língua. Muito diferente do português e das línguas latino-romanas em geral, o que chama atenção no idioma é sua sonoridade e seu alfabeto completamente diferente do nosso.

Mas, a história da língua russa é longa e o idioma sofreu inúmeras mudanças ao longo dos séculos. Neste artigo tentaremos fazer uma retrospectiva para entender melhor as origens e a evolução do idioma de Dostoiévski.

A origem étnica dos russos

O povo russo é de origem eslava e são oriundos da Europa Central, das terras onde nascem os rios Danúbio, Elba e Vístula.

A partir dessa região eles migraram em direção ao leste, rumo às margens dos rios Dnieper, Prípiat e Desná, sendo as tribos dos polanos, dos devlanos e sieveranos as principais.

Os eslavos formaram um vasto grupo etno-cultural e linguístico de vários povos.  Durante a era pré-cristã, o território que hoje é a Rússia era habitado por grupos de diferentes tribos nômades.

A região do norte era povoada por tribos de eslavos. No sul, a região da Cítia foi ocupada por uma sucessão de povos asiáticos, como os cimérios, os citas e os sármatas. Os comerciantes e os colonos gregos estabeleceram numerosos assentamentos ao longo da costa norte do mar Negro e na Criméia.

Quando os vikings começaram a navegar e comerciar pelos rios russos, no século IX, a organização política dos eslavos orientais ainda era tribal. As divergências entre as diferentes tribos eram tantas que os vikings conseguiram impor sua supremacia através da  instauração de uma aristocracia escandinava sobre os povos eslavos.

A língua russa nasceu nesse contexto multicultural e linguístico e foi sendo moldada ao longo dos séculos, até chegar a forma que conhecemos hoje.

Quais são as origens da língua russa?

O russo é uma língua de origem eslava e pertence à família linguística indo-europeia, ou seja, a família de línguas faladas na região leste do continente europeu. Provavelmente, o russo surgiu nessa região entre os séculos IX e X.

Entre as línguas eslavas, o russo é a mais divulgada delas. Todas as línguas eslavas apresentam uma grande semelhança entre si, mas as mais semelhantes ao idioma russo são o bielorrusso e o ucraniano. Essas três línguas eslavas orientais formam um subgrupo, pertencente à família linguística indo-européia.

Como você deve imaginar, a história da origem da língua russa é bem antiga. Por volta do segundo e do primeiro século a.C., de um grupo de dialetos relacionados à família das línguas indo-européias surgiu uma língua proto-eslava, que foi, mais tarde, denominada de pré-eslavo.

Bem mais tarde, entre os séculos IX e XII, a chamada língua russa antiga tornou-se o meio de comunicação de algumas tribos de nacionalidades bálticas, fino-úgricas, turcas e iranianas. Nos séculos XIV e XVI, a variante  literária da língua dos eslavos orientais era também a língua do Estado e da Igreja Ortodoxa, no Grão-Ducado da Lituânia e no Ducado da Moldávia.

A fragmentação feudal contribuiu para a fragmentação do dialeto eslavo. Aos poucos, a unidade da língua russa antiga desintegrou-se por completo e formaram-se então, três novas famílias etno-linguísticas: os russos no nordeste,  os ucranianos no sul e os bielorrussos no oeste.

Nascem assim os idiomas eslavos orientais: russo, ucraniano e bielorrusso!

Fonte: superprof.com.br

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