JOSUÉ DE CASTRO E O TEMPO PRESENTE: experiências de pesquisa no campo da História


Esta obra é resultado das pesquisas desenvolvidas no âmbito do PIBIC-UNICAP a partir do Projeto intitulado: Entre homens, rios e caranguejos: um estudo sobre as representações da cidade do Recife na obra de Josué de Castro (1932-1967). Este projeto de pesquisa propôs estudar ao longo dos quatro últimos anos as narrativas produzidas por Josué de Castro sobre a cidade do Recife, procurou analisar quais foram as problemáticas, as cartografias e as representações do Recife em sua obra. O recorte cronológico proposto possibilitou estudar a produção de Josué de Castro desde a publicação do conto Ciclo do Caranguejo (1932), até o romance Homens e Caranguejos (1967).
— Ler em www.editoraolyver.org/josue-de-castro-e-o-tempo-presente/

O REI ESTÁ NU. VAMOS VESTIR O REI | POR GERALDO EUGÊNIO


“Era uma vez um falsário, fazendo-se passar por um alfaiate de terras distantes. Diz a um determinado rei que poderia fazer uma roupa muito bonita e cara, mas que apenas as pessoas mais inteligentes e astutas poderiam vê-la.”WhatsAppFacebookMessengerPostado em 10/03/2022 2022 19:43 , Agronegócios. Atualizado em 10/03/2022 20:05

Colunista Geraldo Eugenio

Geraldo Eugênio, Engenheiro Agrônomo Foto: divulgação

A miragem e a realidade

Roupa Nova do Rei é um conto de fadas do dinamarquês Hans Cristian Andersen, publicado em 1837. Retrata muito bem o que está ocorrendo neste maravilhoso país chamado Brasil. Nas últimas décadas, professores, pesquisadores, agricultores, gestores, tomadores de decisões, a mídia e o público em geral foram levados a um estado de êxtase coletivo, repetindo que tínhamos a mais dinâmica, sustentável e  importante agropecuária em todo o mundo. De uma hora para outra, uma guerra que se desenrola a 10.500 quilômetros de Brasília descortina a realidade tal qual ela é, fazendo com que o menino de Andersen gritasse em alto e bom tom, para quem quiser ouvir: o rei está nu.

Estamos fazendo o quê?

Se a nossa produção está assentada em uma base tecnológica completamente dependendo do exterior, há de merecer uma reflexão sobre onde nos equivocamos. Até há pouco tempo, quando se analisava o número de publicações científicas do país, as ciências agrárias apresentavam os números mais robustos. A grande maioria de artigos indexados e publicados nas revistas mais renomadas vêm das áreas relacionadas à agricultura e pecuária.

O fato é que, apesar das estatísticas serem importantes, mais relevante é a leitura fria e sensata dos números. Se o país importa 85% dos fertilizantes que usa, se 95% dos defensivos têm suas patentes protegidas fora do país, o mesmo pode ser dito em relação a tratores e máquinas, computadores, telefones celulares, sistemas de irrigação mais precisos, equipamentos de energia renovável, além da logística e do comércio exterior.

Reconhecemos que foi feito muito. O país tem um cardápio de conquistas magníficas como a fixação biológica de nitrogênio – FBN, graças ao trabalho incessante da Dra. Johanna Dobereiner e seus discípulos, a começar pela Embrapa Agrobiologia e outros tantas Unidades, dezenas de universidades, institutos de pesquisa e empresas privadas. Houve alguns anos em que somente a economia com adubo nitrogenado na soja equivalia a cinco vezes o orçamento total da Embrapa. Hoje este número deve ser mais discrepante. A agricultura passou a adotar o plantio direto, seguindo-se da Integração lavoura x pecuária x floresta em milhões de hectares, duas outras conquistas importantes.

O controle biológico poderia ter mostrado tanto impacto na soja e milho quanto na cana-de-açúcar, mas não o fez. Foram as cultivares geneticamente modificadas que demonstraram que a tolerância às pragas, aos estresses abióticos e ao glifosato, em especial, poderia ser controlada a partir da ativação ou silenciamento de sequências gênicas, do mesmo organismo ou não. Já quanto ao uso de imagens de satélites ou de veículos aéreos não tribulados – VANTs, ao desenvolvimento de novos materiais aplicados à agropecuária mostra uma dependência visceral aos parceiros e empresas do exterior.

O uso da genética no melhoramento de espécies cultivadas por se tratar de uma tecnologia específica aos respectivos ambientes ainda conta com exemplos de destaque. As gramíneas forrageiras são um caso à parte, em particular os materiais derivados dos gêneros Brachiaria, Pennisetum e Panicum. Aí também se encaixam um número significativo de frutíferas, de hortaliças, espécies florestais e ornamentais. 

Uma outra exceção é a cana-de-açúcar que, apesar de contar com uma forte agenda de pesquisa no âmbito empresarial, a maior parte das áreas de renovação ou de novos plantios conta com cultivares de um programa público, a RIDESA, rede composta pelo trabalho de técnicos e professores de dez universidades federais. No caso dos grãos, o crescimento da iniciativa privada no setor foi meteórico e atualmente são poucas as cultivares desenvolvidas por programas de melhoramento de instituições públicas, embora parte do germoplasma em uso haja sido selecionado nos programas liderados por instituições públicas.

Só a ciência e o bom senso podem ajudar

Que se comece pelo último. Impossível não se reconhecer o papel positivo das empresas privadas envolvidas com o agronegócio sejam estrangeiras ou brasileiras. Serão sempre bem-vindas. O que se espera é que o conjunto de centros de pesquisa, laboratórios, programas de graduação e pós-graduação estejam mais presentes no desenvolvimento e adoção de tecnologias que levem o país a um nível menor de dependência.

Este conjunto de entidades deve ser apoiado da melhor maneira possível, com uma condição, que dele saia as respostas às demandas produtivas, ambientais e sociais que a nação necessita. Que o país tem inteligência e conhecimento para a tarefa não há dúvida, mas que carece de visão estratégica e planejamento, está claro. O problema desta nova agenda de pesquisa, desenvolvimento e inovação é também financeiro, mas não se restringe apenas a orçamentos. 

O mais importante de tudo é se delinear objetivos e metas aferíveis, dentro de um determinado escopo tempo. O que foi feito quando a Dra. Johanna iniciou suas atividades com a FBN ou quando um grupo, do qual fez parte o Dr. Eliseu Alves, ainda em plena atividade, trabalhou na criação da Embrapa. Seguiram modelos que deram certo com a Petrobras, a Embraer, a Fiocruz e várias outras instituições.

E as fichas serão jogadas em quais números?

Basta a todos (as) acompanhar o exercício  do que foi o crescimento da agropecuária brasileira e internacional nas últimas três décadas. As fichas serão jogadas, predominantemente em melhoramento e recursos genéticos, controle biológico, gestão do uso da água, microbiologia do solo, biotecnologia e o ´nexus` ciências agrárias, engenharias e tecnologia digital.

Alguém dirá. Esta ideia é demasiado simplista uma vez que existem muitas outras áreas importantes. Certamente. Mas se o país não conseguir eleger prioridades não irá para lugar algum. É um jogo com data e hora para começar e terminar. Caso não se reverta a perda de protagonismo em desenvolvimento científico e inovação autóctone, em vinte anos, “bye, bye, Brasil”. 

E aí, país do futuro, não passarás de um exportador de solo, água, mão de obra barata e um oásis para aqueles que comandam o negócio mundial de alimentos e produtos agrícolas, bem representando seus papéis de executivos em uma nação que abdicou de ser próspera. 

Fonte: Jornal do Sertão

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