CHINA E OTAN


Pequim nunca esquecerá quem bombardeou sua embaixada em Belgrado, disse sua missão na UE.

A China rejeitou nesta quinta-feira os pedidos da Otan para não apoiar a Rússia de forma alguma, lembrando ao bloco que foram suas forças lideradas pelos EUA que bombardearam sua embaixada em Belgrado durante o ataque de 1999 à Iugoslávia.

“O povo chinês pode se relacionar plenamente com as dores e sofrimentos de outros países porque nunca esqueceremos quem bombardeou nossa embaixada na República Federal da Iugoslávia. Não precisamos de palestras sobre justiça do violador do direito internacional”, disse um porta-voz da missão diplomática de Pequim na UE, respondendo a comentários feitos pelo secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg.

Classificando a OTAN como um “remanescente da Guerra Fria”, o diplomata sugeriu que a organização precisava fazer uma auto-reflexão para examinar se estava contribuindo para a paz e a estabilidade mundiais, com sua expansão e operações militares.

Stoltenberg atacou a China na terça-feira antes de uma reunião de emergência dos ministros da Defesa da Otan. Ele sugeriu que Pequim deveria “juntar-se ao resto do mundo para condenar fortemente a brutal invasão da Ucrânia pela Rússia” e disse que qualquer tipo de apoio a Moscou agora a ajudaria “a continuar a travar uma guerra que está causando morte, sofrimento e uma enorme quantidade de destruição”.

“A China tem a obrigação, como membro do Conselho de Segurança da ONU, de realmente apoiar e defender o direito internacional”, acrescentou.

O ataque da Rússia contra a Ucrânia, lançado no final de fevereiro, foi parcialmente justificado pela crescente expansão da OTAN. Moscou disse que representa uma ameaça crescente à sua segurança nacional que teve que ser eliminada depois que os EUA e seus aliados se recusaram a diminuir a situação pacificamente. A Rússia também disse que tinha que proteger os rebeldes no leste da Ucrânia dos ataques contínuos das forças do governo ucraniano.

Pequim expressou apoio à integridade territorial da Ucrânia, mas concordou com o raciocínio de Moscou, dizendo que a expansão europeia da OTAN era claramente provocativa. A China se recusou a impor sanções contra a Rússia e criticou as nações que o fizeram, chamando tais medidas de ilegais e prejudiciais à economia mundial.

Um bombardeiro americano B-2 atingiu a embaixada chinesa em Belgrado por volta da meia-noite de 7 de maio de 1999, matando três jornalistas chineses e ferindo cerca de 20 pessoas. A segmentação foi feita pela CIA, que mais tarde alegou que queria fornecer coordenadas para um depósito militar próximo.

O presidente Bill Clinton pediu desculpas pelo ataque, chamando-o de acidente.

A OTAN lançou a campanha de bombardeio de 1999 contra a Iugoslávia sem autorização do Conselho de Segurança da ONU, onde Rússia e China vetaram todas as tentativas. A ação militar foi justificada pela necessidade de proteger os rebeldes no Kosovo dos ataques contínuos das forças iugoslavas.

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