ILUMINISMO


A razão como instrumento de mudanças sociais, políticas e econômicas

iluminismo foi um movimento intelectual que começou na Europa a partir do século XVII e ganhou força no século XVIII. A França é considerada o país que liderou intelectualmente o iluminismo europeu. Tinha como principais características a valorização da razão, considerada o mais importante instrumento para se conseguir qualquer tipo de conhecimento. 

Para os filósofos, o pensamento era a única luz capaz de iluminar as “trevas” (antigo regime).  Os pensadores de grande reconhecimento dessa época foram René Descarts, Montesquieu, Voltaire, Jacques Rousseau, Denis Diderot, Adam Smith, etc. Foi um momento de contestar os ideais religiosos que eram predominantes na época, além da economia e política, provocando mudanças sociais e culturais.

O Iluminismo

Chamado de “século das luzes”, o iluminismo trouxe ideias voltadas à razão para deslegitimar o modelo de estado predominante na época. Seu ideal era defender a liberdade, progresso, tolerância, fraternidade, governo constitucional e afastamento entre igreja e estado.

Junto com o iluminismo, a Revolução Industrial abriu caminhos para a grande mudança política determinada pela Revolução Francesa. O matemático francês René Descartes (1596-1650), considerado o pai do racionalismo, foi um dos precursores desse movimento. 

Em sua obra “Discurso do método”, que repercutiu na época, Descartes convida as pessoas a questionarem tudo o quanto for possível para se chegar à verdade. Para ele, somente através da dúvida é possível compreender o mundo. 

No final do século XVII e na primeira metade do século XVIII, a influência dominante sobre a ideologia do iluminismo veio das percepções mecanicistas (doutrina segundo a qual os seres vivos são analisados ou entendidos a partir de uma sucessão de causas). Neste âmbito, o filósofo da natureza mais influente foi o físico inglês Isaac Newton. 

Contudo, na metade do século XVIII os iluministas iam se afastando pouco a pouco das ideias mecanicistas e começaram a se aproximar das teorias vitalistas. As teorias sociais e filosóficas desenvolvidas na segunda metade do século XVIII, por autores que contribuíram com o iluminismo como Denis Diderot e Johann Gottfried von Herder, entre muitos outros, tiveram grande influência das obras de naturalistas Johann Friedrich Blumenbach (classificou o ser humano em raças).

Algumas literaturas colocam o Iluminismo como uma escola filosófica, mas não existia somente um movimento. Pensadores e cientistas de áreas distintas colaboraram para as mudanças de pensamento estabelecidos pela época. Foi um momento de mentes brilhantes pesquisarem, escreverem e divulgarem suas descobertas e teorias.

O iluminismo desempenhou grande influência sobre o aspecto político e intelectual de boa parte dos países ocidentais. Algumas mudanças políticas importantes aconteceram, bem como a implantação e formação de estados-nação, a ampliação de direitos civis, além da diminuição do poder da igreja. As ideias dos iluministas espalharam-se com rapidez pela sociedade. Até os reis absolutistas, na época, receosos de perderem seu posto, passaram a adotar algumas ideias do iluminismo. Esses reis eram chamados de Déspotas Esclarecidos, pois tentavam conciliar a maneira absolutista de governar com as ideias de avanço iluministas.

Principais características do Iluminismo

•   A razão é considerada uma fonte legítima para o alcance de todo tipo de conhecimento;
•   Faz-se imprescindível os questionamentos, investigações para fomentar o conhecimento da sociedade, política e economia;
•   Alguns pensadores acreditam na natureza, de forma que ela seja capaz de explicar o comportamento humano e a sociedade;
•   Crítica ao absolutismomercantilismo e as vantagens da nobreza e da igreja;
•   Defendem a liberdade política, econômica e a igualdade de todos conforme as leis;

Crítica ao mercantilismo

O absolutismo foi intensamente atacado pelo iluminismo. O mercantilismo, modelo econômico do período, também foi censurado e novas propostas mais harmônicas e igualitárias surgiram com a nova realidade do capitalismo. Os fisiocratas foram os primeiros a indagar o mercantilismo. Para eles, a riqueza advinha da natureza, mais especificamente da agricultura e da pecuária. O comércio, portanto, não passava de uma troca de riquezas.  Além disso, os fisiocratas eram contra a intervenção do estado na economia. A fisiocracia inspirou pensadores como Adam Smith, considerado o pai da economia clássica. Um dos principais pensadores da escola fisiocrata foi o médico François Quesnay.

O iluminismo e a ciência

A ciência ia se afastando da obrigação de agradar a igreja e começou a se desenvolver em muitas áreas para ganhar espaço e conquistar mais pensadores da época. Novas descobertas e invenções tomaram conta do continente.  Os progressos científicos desenvolvidos no período do iluminismo permitiam que os homens tivessem acesso às informações desde o detalhamento da órbita dos planetas, bem como a descoberta da pressão atmosférica, além da circulação do sangue. 

A Astronomia foi uma área de grandes revelações científicas. O já citado Isaac Newton organizou um modelo novo para explicar o universo. Newton detalhou a posição e a órbita de muitos corpos siderais, além disso, o cientista divulgou a lei da gravidade universal. Também contribuiu para os progressos na área do cálculo e pela decomposição da luz. 

Foi imprescindível expandir o campo de visão do homem. Por isso, os holandeses foram responsáveis por essa parte, descobriram que a aproximação de várias lentes aumentava bastante a capacidade da visão humana. Essa descoberta permitiu que Robert Hooke construísse o primeiro microscópio, que ampliava até 40 vezes pequenos objetos. 

Na área da química, pode-se citar Antoine Lavolsier, reconhecido pelo primor com o qual realizava seus experimentos. Essa particularidade ajudou o químico a provar que a matéria, embora mudasse de estado por conta de reações químicas, sua quantidade não é alterada.

Além desses avanços, as pesquisas científicas não pararam por aí. Houve a descoberta da eletricidade, o invento da primeira máquina de calcular, a descoberta dos protozoários e das bactérias, etc. Os cientistas foram fundamentais para os avanços técnicos que resultaram na Revolução Industrial. 

Principais iluministas

John Locke foi um filósofo inglês que não acreditava na ideia de que Deus decidia o destino dos homens e defendia que a sociedade que os moldava para o bem ou para o mal. 

Considerado o “pai do liberalismo”, John Locke foi um dos grandes representantes do iluminismo. (Foto: Wikipedia)

Montesquieu foi um filósofo francês que defendia a ideia de que o poder deveria estar dividido em três esferas: legislativo, executivo e judiciário. O pensador teve forte influência sobre os textos constitucionais modernos. Sua obra mais importante foi “Do Espírito das Leis”.

Voltaire foi um filósofo francês que defendia as liberdades individuais acima de tudo. Acreditada que para ter contato com Deus não era necessário ir até à igreja, e sim utilizar a razão. Entre as obras mais importantes estão: “Ensaio sobre os costumes”; “Dicionário Filosófico” e “Cartas Inglesas”. 

Rousseau foi um filósofo suíço que lutava pela participação do povo no governo através da eleição. Era a favor das reformas sociais e fazia críticas à nobreza e à burguesia. A publicação de maior destaque foi “Do Contrato Social”. 

Jean Jacques Rosseau foi um importante filósofo do período iluminista. (Foto: Wikipedia)

Adam Smith foi um grande economista e filósofo escocês. Ele defendia o fim dos monopólios, da concentração de poder na mão do rei e da igreja, além da política mercantilista. Sua obra de maior reconhecimento foi “A Riqueza das Nações”. 

Denis Diderot foi um filósofo e escritor francês de grande reconhecimento no período Iluminista. É conhecido por ter feito a Encyclopédie, junto com Jean le Rond d’Alembert, que reunia as descobertas científicas da época.

Fonte: Educa Mais Brasil

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