SEM CIÊNCIA E SEM EDUCAÇÃO, NÃO HÁ SOBERANIA

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Helinando Oliveira 27 de Abril de 2022 às 09:44

“O apoio ao desenvolvimento da educação, ciência e tecnologia de um país é o seu primeiro grito de libertação” – Foto: Ed Reed/Mayoral Photography Office/Fotos Públicas

A educação e, por conseguinte, a ciência são as verdadeiras bases da soberania nacional

A definição mais simples do termo soberania no dicionário é: “situação de independência de um órgão ou de um estado, autonomia”. Para a sociedade, o sentimento mais próximo ao termo soberania é a ação das forças armadas, que deve atuar na defesa das fronteiras. Todavia, contrariamente ao que se vê na guerra entre a Rússia e Ucrânia, o controle das fronteiras não vem sendo afetado por armas, tanques e blindados, mas sim pela informação. No mundo digital e neoliberal, com sequelas ambientais severas de uma revolução industrial que produziu oceanos de lixo, a arma que separa as nações desenvolvidas das não desenvolvidas é a informação (e também a falta dela). 

Senão vejamos: a tão propagada onda das fake news é, em última instância, uma consequência da ignorância e alienação coletiva. Usar notícias falsas para manipular a opinião pública é uma estratégia alicerçada pela pouca ou nenhuma habilidade das pessoas em buscar fontes confiáveis, a fim de recorrer ao benefício da dúvida. Este exemplo é também uma garantia ao argumento de que a educação e, por conseguinte, a ciência são as verdadeiras bases da soberania nacional. 

Sem elas, não há verdadeira independência com o resto do mundo, mesmo que na solução de problemas básicos. Isso faz com que todo conflito estoure no bolso dos mais pobres. Vale lembrar aqui da crise dos insumos agrícolas importados da Ucrânia, da importação dos insumos para as vacinas contra a covid-19, entre tantos outros.

O apoio ao desenvolvimento da educação, ciência e tecnologia de um país é o seu primeiro grito de libertação. E uma população que lê, entende e opina não cai tão fácil em falácias de fake news. Isso justifica toda a antipatia do “mercado” para com centros fornecedores de matéria-prima barata, rotulados corriqueiramente de “ditaduras”.

Onde fica a soberania de uma nação resumida a estes adjetivos? É por isso que as guerras modernas não se fazem mais por armas e tiros, mas sim com o confisco de papel, livro e caderno. A soberania de uma nação sem educação não existe. A manutenção do processo predatório exige o combate à produção do conhecimento, pois para existirem dominadores, sempre serão necessários os dominados. Associado à síndrome de vira-lata do brasileiro, o seu reconhecimento com os dominadores (por mais escravizado que seja) é apenas mais um ingrediente nesta mistura complexa que nos faz o gigante adormecido (em coma profundo) a ser explorado em toda a sua plenitude.   

A educação é a única ferramenta que pode remover o país do fundo do poço. O Brasil só volta aos trilhos quando mandar novamente seus jovens para as salas de aula. Até lá, é apenas mais um discurso de um nacionalismo privatista fajuto e de uma religiosidade que prega o que não pratica.

Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato Pernambuco.

Edição: Vanessa Gonzaga

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