ERA VARGAS


Era Vargas foi o período em que a república brasileira foi presidida por Getúlio Vargas, estendendo-se de 1930 a 1945. Politicamente falando, uma das grandes características da Era Vargas foi o autoritarismo sob o qual o Brasil foi governado. Os governos de Vargas nesse período (foram três) são muito associados, dentro da história, com o conceito de populismo.

Vargas ascendeu ao poder por meio da Revolução de 1930, foi eleito presidente de maneira indireta a partir de 1934, e, em 1937, implantou uma ditadura com censura e perseguição de opositores. A partir da década de 1940, ele inaugurou um projeto político de aproximação dos trabalhadores, mas o enfraquecimento de sua ditadura levou-o a ser deposto pelos militares, em 1945.https://6d4f42e0faae0bcbe5edff35b89356dc.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html?n=0

Revolução de 1930

No final da década de 1920, existia uma forte insatisfação com o sistema oligárquico que controlava a política brasileira, e um dos sinais evidentes disso foi o movimento de contestação dos oficiais do Exército, o tenentismo. Essa insatisfação seria levada a um novo patamar por conta da eleição presidencial de 1930.

Durante essa disputa, o presidente Washington Luís deveria ter apoiado um candidato mineiro como parte do acordo existente entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais. O presidente, no entanto, decidiu apoiar um candidato paulista — Júlio Prestes. Então a oligarquia mineira rompeu com São Paulo, aliou-se com a oligarquia gaúcha, e lançou Getúlio Vargascomo candidato.

A eleição aconteceu em um clima de grande rivalidade, e o vencedor foi Júlio Prestes. Uma parte da chapa de Vargas — chamada Aliança Liberal — não aceitou a derrota e começou a preparar-se para um levante armado. Quando o vice da chapa de Vargas, chamado João Pessoa, foi assassinado em Recife, os membros da Aliança Liberal deflagraram um movimento armado contra o presidente.

Esse movimento armado, conhecido como Revolução de 1930, foi iniciado em 3 de outubro de 1930 e estendeu-se até o dia 24 de outubro, resultando na deposição do então presidente Washington Luís. Uma junta militar assumiu o comando do Brasil, barrou a posse de Júlio Prestes à presidência e, em 3 de novembro de 1930, anunciou que Getúlio Vargas assumiria provisoriamente a presidência do Brasil.

Periodização

A Era Vargas durou 15 anos, iniciando-se em 1930 e encerrando-se em 1945. Os anos do governo de Vargas foram divididos pelos historiadores em três fases, que são:

Governo Provisório

A Era Vargas durou 15 anos. Vargas assumiu a presidência em 1930, após a Revolução de 1930, e foi deposto pelos militares em 1945.[1]

Essa foi a primeira fase do governo de Getúlio Vargas foi entendida, quando se iniciou, como um momento de transição até que o país elaborasse uma nova Constituição por meio da formação de uma Assembleia Constituinte. Todavia, não era intenção de Getúlio Vargas fazer a constitucionalização do Brasil, e sim promover a centralização do poder.

Assim, Vargas agiu para que essa centralização acontecesse promovendo a dissolução do Congresso Nacional e atuando politicamente de maneira a sustentar-se na presidência sem que fosse necessário recorrer-se à elaboração de uma Constituição. Essa atitude de Vargas desgastou sua relação com os paulistas, os grandes perdedores da Revolução de 1930.

Como consequência desse desgaste, iniciou-se a Revolução Constitucionalista de 1932. Nesse movimento, os paulistas exigiram ter o direito de nomear seu próprio interventor e demandaram que uma nova Constituição fosse elaborada. Militarmente, os paulistas perderam, mas, politicamente, eles conseguiram que o presidente autorizasse a formação de Assembleia Constituinte.

Dessa Assembleia nasceu a Constituição de 1934, reconhecida pelos historiadores como um documento bastante progressista para o momento e que foi inspirado na Constituição de Weimar (vigente na Alemanha). A promulgação da nova Carta também contou com uma eleição indireta que reelegeu Vargas para um mandato de quatro anos.

De acordo com a Constituição brasileira, Vargas não poderia reeleger-se presidente na disputa que aconteceria em 1938. Esse período provisório também contou com o surgimento de instituições importantes, como o Ministério do Trabalho. Além disso, uma reforma eleitoral que aconteceu em 1932 garantiu o direito de voto para as mulheres.

Governo Constitucional

Esse foi o período em que, em tese, deveria ter-se formado um governo constitucional e democrático no Brasil. Entretanto, o que se viu foi Getúlio Vargas atuando nos bastidores para implantar um regime ditatorial, e, no cenário político, presenciou-se a radicalização influenciada pelo que acontecia na Europa. Disso dois grandes grupos políticos surgiram: a Ação Integralista Brasileira (AIB) e a Aliança Nacional Libertadora (ANL).

Esses grupos tinham inspirações ideológicas distintas e eram adversários. Os integralistas estavam alinhados na extrema-direita e tinham como inspiração o fascismo italiano, sendo liderados por Plínio Salgado. Já os membros da ANL eram comunistas apoiados pelo regime stalinista e defendiam a saída revolucionária para o Brasil. O grande nome da ANL era Luís Carlos Prestes.

A radicalização da política brasileira foi utilizada por Getúlio Vargas como argumento para que ele tomasse medidas autoritárias. Em novembro de 1935, os comunistas da ANL deram início a um levante armado que ficou conhecido como Intentona Comunista. Esse levante aconteceu em três cidades brasileiras (Natal, Recife e Rio de Janeiro) e fracassou.

Vargas solicitou implantação do estado de sítio, e o Brasil permaneceu nessa situação até 1937. Os envolvidos com a Intentona Comunista foram severamente perseguidos e passaram por tortura nas prisões policiais. A partir disso, Vargas colocou em prática seu projeto de centralização do poder. Em novembro de 1937, ele apresentou o Plano Cohen, um documento falso que tratava de um suposto golpe comunista em curso no Brasil.

Explorando o medo do comunismo, Vargas realizou um autogolpe, cancelou a eleição de 1938, fechou o Congresso Nacional, e outorgou uma nova Constituição — bastante autoritária. Com isso foi inaugurado o Estado Novo, a fase ditatorial da Era Vargas.

Estado Novo

O Estado Novo foi a terceira e última fase da Era Vargas, e, nesse período, o Brasil esteve em uma ditadura. As marcas desses anos foram a centralização do poder, a redução considerável das liberdades civis, e a utilização da propaganda para ressaltar as realizações do governo e aproximar o ditador das massas.

Vargas governava o Brasil com base em decretos-leis, assim, não havia nenhum tipo de apreciação do que era proposto por ele porque não existia Legislativo e porque, como ditador, sua vontade era lei. Congresso, Assembleias e Câmaras ficaram fechados durante o Estado Novo, e não era permitida a existência de partidos políticos.

No Estado Novo existia censura, e áreas como as artes e a imprensa sofriam com a atuação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), o órgão responsável por realizar a censura das opiniões que não agradavam ao governo. O DIP conduzia ações de promoção da imagem do presidente e anunciava diariamente os feitos do governo.

Nesse período, Vargas realizou uma aproximação dos trabalhadores e desenvolveu um projeto político que ficou conhecido como trabalhismo. Nesse projeto, ele mantinha contato direto com os trabalhadores e implantava benefícios inéditos para essa classe. Entre esses benefícios, estão o salário-mínimo e a Consolidação das Leis de Trabalho, a CLT.

Durante esse período, o Brasil envolveu-se com a Segunda Guerra Mundial, e isso mudou o panorama político do nosso país. O apoio que a ditadura varguista tinha nas elites políticas e econômicas enfraqueceu-se, e a posição de Vargas começou a ser questionada. Vargas procurou realizar reformas políticas, mas foi obrigado pelos militares a renunciar ao governo no final de 1945. Assim, um golpe colocou Vargas no poder e um golpe retirou-o dele.

Características da Era Vargas

A comunicação direta com os trabalhadores como parte do projeto trabalhista foi uma das características mais fortes da Era Vargas.[1]

Durante os 15 anos da Era Vargas, o presidente foi um verdadeiro camaleão político, conseguindo adaptar-se aos diferentes cenários que apareceram. Vargas tinha um grande poder de negociação e procurava agir de maneira a agradar a todos os interesses possíveis. Essa, inclusive, é uma das grandes características da Era Vargas: a habilidade do presidente em realizar negociatas e manter o apoio de grupos que possuíam interesses diferentes.

aproximação com as massas também era uma forte característica da Era Vargas. O presidente discursava diretamente para essas classes e procurou dar-lhes benefícios como forma de conquistá-las. Essa apoio das massas serviu para esconder outra característica varguista — o apreço pelo poder centralizado.

Crédito das imagens

[1] FGV/CPDOC

Publicado por Daniel Neves Silva

Fonte: Mundo Educação UOL

A CAATINGA, NOSSA ARCA GÊNICA | POR GERALDO EUGÊNIO


O planeta Terra, nossa casa, testemunha uma mudança climática sem precedentes, se tornando mais quente na maioria dos locais, a exemplo do próprio Sertão. Nessas milhares de espécies nativas e adaptadas estão a chave da Arca: as informações genéticas que permitirão os contínuos ganhos de produtividade na agricultura, novos fármacos, novas enzimas, novos alimentos e uma outra revolução tecnológica através da genômica e ciências afins.WhatsAppFacebookMessengerPostado em 28/04/2022 2022 20:00 , Agronegócios. Atualizado em 28/04/2022 20:43

Colunista Geraldo Eugenio

Geraldo Eugênio,  Agrônomo | Professor Titular da UFRPE-UAST

Já se vão 69 anos, quando a partir do trabalho de alguns jovens em laboratórios do Reino Unido resolveram participar de uma gincana, que à época era a corrida para desvendar a estrutura física do DNA – Ácido desoxirribonucleico, a molécula que havia sido identificada como portadora das informações genéticas e, portanto, a chave da vida.

O desvendar da estrutura do DNA

​Dentre os concorrentes de um lado do Atlântico, nos Estados Unidos, afiava suas espadas ninguém menos do que o magnífico Linus Pauling, que havia desvendado a arquitetura molecular das proteínas. Do outro, no Laboratório Cavendish, da renomada Universidade de Cambridge, dois jovens talentosos, aventureiros e avessos a escrúpulos, o zoólogo John Watson e o físico James Crick.

​Os dois haviam avançado, mas não chegavam à imagem que queriam até que em uma visita a uma pesquisadora, a não menos inteligente e dedicada Rosalind Franklin, conhecendo seus trabalhos de raio-x com a molécula do DNA, saíram de fininho e publicaram, em 1953, um trabalho de três páginas, que talvez seja a mais importante publicação científica na história da humanidade.

​Em 1962, os espertalhões, junto com Maurice Wilkins, foram agraciados como Prêmio Nobel de Medicina. Rosalind foi passada para tràs, até que anos após sua morte precoce, morreu aos 37 anos, foi reconhecida como fundamental no feito que mudou a biologia de ponta cabeça.

A aceleração da biotecnologia​ – a biologia molecular avançou de forma acelerada. O trabalho dos pioneiros da genética foram sendo melhor conhecidos, a exemplo de Thomas Hunt Morgan, com suas mosquinhas Drosófilas, bem como a descoberta clássica da Dra. Barbara McClintok, de que os genes não eram tão fixos como se pensavam e, se moviam.

​O resultado foi espetacular e que houve de avanço na aplicação da biotecnologia em áreas como a saúde, a alimentação e a indústria de modo geral é absolutamente fenomenal. A humanidade avançou em sete décadas o que não havia feito em centenas de milhares de anos. A resposta ao vírus Covid 19, em se conseguir desenvolver, produzir e aplicar uma vacina em um período inferior a um ano é o melhor exemplo desta saga.

A genômica

Nos anos 80 vários países se uniram e lançaram um desafio titânico, conhecer todos os genes distribuídos em 23 pares de cromossomos e que constituem o genoma humano. Volta Crick à cena e lidera o programa em sua fase final quando, finalmente foi apresentado o feito homérico.

O projeto Genoma Humano foi um investimento bilionário, consumindo a energia e o conhecimento de milhares de cientistas e centenas de milhões de dólares. A partir deste esforço inicial, as técnicas e o conhecimento avançaram de tal forma que, hoje um bom laboratório é capaz de sequenciar um genoma de alguma planta, microrganismo, vírus, ou animal em semanas a um custo infinitamente menor.

A caatinga e o tesouro que nela está depositado

A Caatinga é um Bioma único, contemplado de diversidade, com espécies nativas, adaptadas e resilientes/ Foto: Governo Federal

​O desafio é trazer Rosalind Franklin, James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins para uma trilha na Caatinga, tal qual um grupo de amigos fez a semana passada à Serra do Cruzeiro, em Serra Talhada. Não é, Ivanildo?

​Nesta subida íngreme e linda se discutia também a importância dos genes das espécies que formam o bioma caatinga, dos mecanismos adaptativos e do poder de resiliência que apresenta esta comunidade de organismos que evoluem em um ambiente às vezes hostil, por milhões de anos. Uma discussão boa mas um tanto abstrata, mas o que existe de concreto neste sítio mágico?

O futuro da humanidade

​Na caatinga está escondida a Arca Gênica da humanidade, pelo menos foi no que o Éwerton concordou. O planeta Terra, nossa casa, testemunha uma mudança climática sem precedentes, se tornando mais quente na maioria dos locais, a exemplo do próprio Sertão. Nessas milhares de espécies nativas e adaptadas estão a chave da Arca: as informações genéticas que permitirão os contínuos ganhos de produtividade na agricultura, novos fármacos, novas enzimas, novos alimentos e uma outra revolução tecnológica através da genômica e ciências afins.

Esse patrimônio genético não é algo trivial mas representa nada mais do que a vida no planeta e a permanência do homem por um longo período à frente. É neste sentido que se chama a atenção para todos os profissionais envolvidos com a biologia, de modo geral, sejam com árvores, minha amiga e Professora Isabelle Meunier, grãos, forragens, frutas, hortaliças, microrganismos e com a fauna que caberá a todos, sem exceção, conectar as pontas deste quebra cabeça e valer a máxima de que, aqui, na Caatinga, está nossa Arca Gênica.

​Louve-se o esforço da FACEPE em lançar um edital para projetos de pesquisa, intitulado Fronteiras do Conhecimento. Que se participe deste esforço fazendo com que outras iniciativas se sigam e que desvendemos os mistérios de nosso tesouro.

Geraldo Eugênio é professor Titular da UFRPE-UAST

Fonte: Jornal do Sertão

HISTÓRIA ANTIGA


Por Antonio Gasparetto Junior

Mestrado em História (UFJF, 2013)
Graduação em História (UFJF, 2010)

História Antiga compreende um vasto período da história da humanidade que se inicia com o aparecimento da escrita cuneiforme e vai até a tomada do Império Romano pelos bárbaros.

A historiografia tradicional costuma dividir o estudo da história em períodos. Esses períodos são baseados em grandes transformações das formas de vida do homem, seus relacionamentos e concepções de mundo. Sob esta perspectiva, a história da humanidade estaria dividida nas seguintes fases: Pré-HistóriaHistória AntigaHistória MedievalHistória Moderna e História Contemporânea. O atentado terrorista ocorrido no dia 11 de setembro de 2001 ficou reconhecido como um evento que rompeu com a estabilidade existente no mundo, por isso há rumores entre os historiadores e cientistas sociais que a data inaugurou uma nova fase na história da humanidade, chamada inicialmente de História Pós-Contemporânea.

O modelo clássico de divisão da história da humanidade, todavia, passou a ser muito questionado. O modo como é apresentado faz parecer que o mundo todo se alterou a partir de datas específicas, o que, obviamente, não corresponde à realidade. Todos esses períodos são dinâmicos, características de cada fase aparecem em períodos anteriores ou posteriores, como fruto das variáveis relações humanas. Outro argumento que desqualifica o modo tradicional de como a História é dividida tem por base o fato de que todos os períodos são determinados em relação aos eventos oriundos das civilizações européias. Assim, os continentes americano, africano e a Oceania só aparecem na História a partir da Idade Moderna, como se não houvesse civilizações nesses ambientes antes da chegada dos europeus.

História Antiga, por sua vez, possui um recorte temporal que se inicia em 4.000 a.C. e se estende até o ano 476. Essas balizas representam o surgimento da escrita cuneiforme e a invasão e tomada do Império Romano pelos bárbaros. Logicamente, esse vasto período da humanidade inclui muitas civilizações, não somente na Europa. É muito comum associar História Antiga com EgitoMesopotâmiaGrécia e Roma. Mas devemos atentar para várias outras civilizações importantes para a história da humanidade. Essa visão tradicional faz parecer que cada um desses povos eram auto-suficientes e herméticos, enquanto, na verdade, influenciaram e também receberam influências fundamentais de outros povos.null

É verdade, contudo, que é muito complicado estudar todos os povos da antiguidade. Identificá-los já é um trabalho árduo por si só. Além disso, a existência de fontes que permitam o trabalho dos historiadores é muito escassa. O trabalho com História Antiga necessita muito empenho, uma vez que muitas fontes se perderam no tempo e outras são redigidas em línguas as quais não foram ainda decifradas.

Entre as civilizações mais recorrentes e conhecidas da História Antiga estão: a civilização do Egito Antigo, a mesopotâmica, o povo Hebreu, os fenícios, os persas, os chineses, os hindus, os cretenses, os gregos, os macedônicos e os romanos.

A civilização do Egito Antigo se formou no vale do rio Nilo, no nordeste da África. Esse povo se organizou em torno de 3.200 a. C. como um império.

Mesopotâmia, localizada na Ásia Menor, reuniu uma civilização entre os rios Tigre e Eufrates e tinha como povos mais importantes os sumérios e os babilônios.null

O povo Hebreu representa um dos casos em que a origem ainda é desconhecida. Os hebraicos foram responsáveis pela história da Antiga Israel.

Os fenícios eram um povo de origem semitalocalizados na costa oriental do mar Mediterrâneo. Surgiram em torno do ano 3.000 a.C.

Império Persa ocupou toda a Ásia Menor ao longo de dois séculos de existência. Sua grande civilização começou em 549 a.C. e terminou em 330 a.C. quando foi dominada pelos macedônios.

Os chineses permaneceram isolados por muito tempo em decorrência de seu próprio isolamento geográfico. A civilização chinesa encontrava-se no extreme oriente, mas por si só foram responsáveis por grandes descobertas e invenções na história da humanidade. Sabe-se que em torno de 1.500 a.C. os chineses estavam bem organizados sob a forma de um reino. Sua civilização durou por muitos séculos.null

civilização hindu ocupou a Índia em torno de 2.000 a.C. e também ficou distanciada de outros povos por causa da posição geográfica. Da mesma forma que a China, muitas invenções importantes para a história da humanidade vieram dos hindus.

civilização de Creta foi contemporânea ao Egito Antigo e estava localizada numa ilha do mar Mediterrâneo. Estava perto da Grécia e da Ásia Menor. Desenvolveram uma cultura muito rica desde o terceiro milênio a.C. e foram muito influentes para a cultura grega.

Os gregos, por sua vez, ocuparam uma península banhada pelo mar Jônico, o Egeu e o Mediterrâneo desde o século XX a.C. Muito influentes para a história da humanidade, suas principais cidades eram Atenas e Esparta.

Império Macedônico foi organizado por Filipe II e conquistou um grande território sob o reinado de Alexandre, o Grande. A expansão do Império Macedônico, que começou no século IV a.C., causou a fusão de culturas, gerando a cultura helenística.null

Os romanos representaram uma enorme civilização desenvolvida a partir da península Itálica, na Europa. A fundação de Roma ainda é um mistério para os historiadores, mas o império que se formou influenciou a vida e a cultura na Europa, África e Ásia por séculos. Sua queda se deu em 476 d.C. e marcou o início de uma nova fase da história da humanidade.

Fonte: InfoEscola

SEM CIÊNCIA E SEM EDUCAÇÃO, NÃO HÁ SOBERANIA


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Helinando Oliveira 27 de Abril de 2022 às 09:44

“O apoio ao desenvolvimento da educação, ciência e tecnologia de um país é o seu primeiro grito de libertação” – Foto: Ed Reed/Mayoral Photography Office/Fotos Públicas

A educação e, por conseguinte, a ciência são as verdadeiras bases da soberania nacional

A definição mais simples do termo soberania no dicionário é: “situação de independência de um órgão ou de um estado, autonomia”. Para a sociedade, o sentimento mais próximo ao termo soberania é a ação das forças armadas, que deve atuar na defesa das fronteiras. Todavia, contrariamente ao que se vê na guerra entre a Rússia e Ucrânia, o controle das fronteiras não vem sendo afetado por armas, tanques e blindados, mas sim pela informação. No mundo digital e neoliberal, com sequelas ambientais severas de uma revolução industrial que produziu oceanos de lixo, a arma que separa as nações desenvolvidas das não desenvolvidas é a informação (e também a falta dela). 

Senão vejamos: a tão propagada onda das fake news é, em última instância, uma consequência da ignorância e alienação coletiva. Usar notícias falsas para manipular a opinião pública é uma estratégia alicerçada pela pouca ou nenhuma habilidade das pessoas em buscar fontes confiáveis, a fim de recorrer ao benefício da dúvida. Este exemplo é também uma garantia ao argumento de que a educação e, por conseguinte, a ciência são as verdadeiras bases da soberania nacional. 

Sem elas, não há verdadeira independência com o resto do mundo, mesmo que na solução de problemas básicos. Isso faz com que todo conflito estoure no bolso dos mais pobres. Vale lembrar aqui da crise dos insumos agrícolas importados da Ucrânia, da importação dos insumos para as vacinas contra a covid-19, entre tantos outros.

O apoio ao desenvolvimento da educação, ciência e tecnologia de um país é o seu primeiro grito de libertação. E uma população que lê, entende e opina não cai tão fácil em falácias de fake news. Isso justifica toda a antipatia do “mercado” para com centros fornecedores de matéria-prima barata, rotulados corriqueiramente de “ditaduras”.

Onde fica a soberania de uma nação resumida a estes adjetivos? É por isso que as guerras modernas não se fazem mais por armas e tiros, mas sim com o confisco de papel, livro e caderno. A soberania de uma nação sem educação não existe. A manutenção do processo predatório exige o combate à produção do conhecimento, pois para existirem dominadores, sempre serão necessários os dominados. Associado à síndrome de vira-lata do brasileiro, o seu reconhecimento com os dominadores (por mais escravizado que seja) é apenas mais um ingrediente nesta mistura complexa que nos faz o gigante adormecido (em coma profundo) a ser explorado em toda a sua plenitude.   

A educação é a única ferramenta que pode remover o país do fundo do poço. O Brasil só volta aos trilhos quando mandar novamente seus jovens para as salas de aula. Até lá, é apenas mais um discurso de um nacionalismo privatista fajuto e de uma religiosidade que prega o que não pratica.

Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato Pernambuco.

Edição: Vanessa Gonzaga

ERA VARGAS


Getúlio Vargas conseguiu destacar-se na cena política nacional e, por isso, a primeira fase de governo dele na chefia da República, entre os anos 1930 e 1945, ficou conhecida como Era Vargas. Há também historiadores que admitem que a Era Vargas compreende todo o período do primeiro governo até o fim do segundo governo de Getúlio Vargas (1930-1954). No entanto, é mais aceito denominar Era Vargas somente o período de 1930 a 1945, devido à centralidade da figura de Vargas nessa época. Essa centralidade da imagem de Vargas ocorreu, sobretudo, durante o Estado Novo quando conquistou a alcunha de “pai dos pobres”, por meio da massiva propaganda do Departamento de Imprensa e Propaganda e (DIP) e também por causa da popularidade alcançada pela legislação trabalhista.

Movimento político de 1930

A ascensão de Getúlio Vargas à presidência do país em 1930 ocorreu em virtude da cisão política entre as oligarquias estaduais. Nas eleições para a presidência da República, em 1930, concorriam o candidato situacionista de São Paulo, Júlio Prestes, e o então presidente da oligarquia dissidente do Rio Grande do Sul, Getúlio Vargas. Foi declarado oficialmente vitorioso no pleito eleitoral o candidato paulista Júlio Prestes que também era apoiado pelo então presidente da República Washington Luís. A Aliança Liberal que impulsionava a candidatura de Getúlio Vargas reclamava o resultado das eleições, considerado fraudulento. Apesar disso, a princípio a Aliança Liberal não exigiu que Getúlio Vargas se tornasse presidente. Essa exigência somente foi feita com o atentado e assassinato do candidato à vice-presidência João Pessoa, em 26 de julho de 1930.

A concentração da influência política em Getúlio Vargas iniciou-se já na organização da Aliança Liberal. Getúlio Vargas mediava com destreza a diversidade de forças políticas presentes nessa aliança que era composta até mesmo por forças opostas como os antigos próceres da Primeira República e por lideranças do movimento tenentista. A Aliança Liberal corria o risco de dissolução antes mesmo de cumprir as reformas nas instituições republicanas a que se propunha realizar. Dentre essas reformas estavam a instalação de uma indústria básica, a centralização do poder e a unificação dos Estados federados.

Governo Provisório

Em outubro de 1930, a Aliança Liberal mobilizou as incursões armadas para alçar Getúlio Vargas ao governo do país. Nesse momento, uma junta provisória militar depôs o presidente Washington Luís e governou interinamente por dez dias, até a chegada das tropas lideradas por Getúlio Vargas que assumiu o Governo Provisório, em 3 de novembro de 1930. Durante essa fase provisória instaurou-se o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, conhecido como “Ministério da Revolução”, que passou a organizar a legislação trabalhista. No campo econômico investiu-se na industrialização para substituição de importações, no entanto, a produção cafeeira continuou a ser protegida pelo governo. O principal objetivo das políticas adotadas a partir desse período foi o fortalecimento do Estado alcançado por meio da concentração de poderes por Getúlio Vargas.

Governo Constitucional

A oligarquia paulista encontrava-se insatisfeita com a perda de poderes sofrida com a ascensão de Getúlio Vargas, por isso, em 1932, iniciou o processo de exigência da constitucionalização do país com a finalidade de restituir a centralidade política e econômica de São Paulo. No Estado de São Paulo foi instaurada uma guerra civil que militarmente foi derrotada, mas politicamente influenciou na convocação da Assembleia Nacional Constituinte (1933). Com a eleição do novo parlamento e a elaboração da Constituição de 1934 instituiu-se o Governo Constitucional, Getúlio Vargas foi eleito indiretamente para chefiar a nação nesse período.

Durante o Governo Constitucional de Getúlio Vargas foram realizadas a implementação do Código Eleitoral, a representação classista no Congresso, e a criação do Departamento de Propaganda e Difusão Cultural (DPDC). O Código Eleitoral previa o voto direto e o voto feminino. A representação classista no Congresso consistiu na indicação de sindicalistas por Vargas para negociarem com as demais forças os direitos das categorias das quais eram oriundos. E o DPDC realizou a promoção e a censura da produção cultural do país, de acordo com a política do regime. A fase constitucional também foi marcada por conflitos políticos, destacando-se os dissídios entre a frente de esquerda da Aliança Nacional Libertadora (ANL) e a Ação Integralista Brasileira (AIB), grupo de extrema direita.

A instabilidade política do Governo Constitucional foi utilizada por Vargas como subterfúgio para a instauração da ditadura do Estado Novo. Estavam previstas eleições para a presidência da República para o ano de 1938. Em 1937, iniciaram as campanhas dos candidatos para o pleito. Getúlio Vargas não se candidatou, porém articulava modos de permanecer no poder por meio de um golpe de Estado.

Desde a Revolta Comunista de 1935, ampliaram-se a perseguição aos comunistas e às ideias de esquerda asseverou-se. E a “ameaça comunista” foi utilizada como mote para a decretação do Estado Novo. A Ação Integralista Brasileira forjou um documento chamado de Plano Cohen que dizia que os comunistas pretendiam estimular insurreições no Brasil. Esse documento, evidentemente falso, foi veiculado nas mídias de massas e utilizado para decretar o “estado de guerra”. A decretação do “estado de guerra” viabilizou o fechamento do Congresso e a instauração de uma nova Constituição de teor autoritário, efetivando-se assim o Golpe de 1937, em 10 de novembro.

O Estado Novo

O Estado Novo teve cunho nacionalistacorporativista e desenvolvimentista e concentrou ainda mais poderes nas mãos de Getúlio Vargas. Os partidos políticos foram fechados e o parlamento eliminado, apenas permaneceu o poder Judiciário intrinsecamente atrelado ao regime. A centralização política no poder Executivo Federal também foi simbolizada pela cerimônia cívica da queima das bandeiras Estaduais, em dezembro de 1937. Durante o Estado Novo, Getúlio Vargas robusteceu a construção da imagem popular de “pai dos pobres” arregimentada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).

No período do Estado Novo foram implementadas a Justiça do Trabalho, em 1939, e a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), em 1943. Cada categoria de trabalho podia apenas ser representada por um sindicato, essa restrição inviabilizou a organização autônoma de sindicatos. Assim, toda categoria era apenas representada pelos sindicatos atrelados ao regime varguista. Nesse período também foram construídas muitas indústrias de base, como a Companhia Siderúrgica Nacional (1941), a Companhia Vale do Rio Doce (1942), e a Fábrica Nacional de Motores (1942). A Construção da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) resultava dos Acordos de Washington em que o governo brasileiro comprometia-se em fornecer aço aos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial em troca do subsídio estadunidense para a construção da Siderúrgica.

O acordo brasileiro com os Estados Unidos retirou o país da condição de neutralidade que assumiu inicialmente na guerra. As forças do Eixo atingiram submarinos brasileiros, impelindo o Brasil a declarar-se em guerra, em 22 de agosto de 1942. Um ano após ingressar na guerra, foram enviadas tropas da recém criada Força Expedicionária Brasileira (FEB) que combateram na Itália fascista até o término da guerra, em 8 de maio de 1945. Com a iminente derrota do nazi-fascismo na Europa, o apoio à ditadura de Vargas esvaia-se e iniciavam-se medidas liberais como o fim da censura à imprensa, a construção de partidos nacionais e a previsão de eleições diretas para o cargo de presidente da República e demais cargos políticos.

Em outubro de 1945, a campanha eleitoral para a presidência da República estava em curso e Getúlio Vargas participou de um comício para a continuidade do governo dele, realizado pelo movimento “queremista”. O termo “queremismo” surgiu das inscrições “Queremos Vargas” que apareceram nos muros das principais cidades do país na época. O crescimento desse movimento atemorizava a oposição ao regime varguista. Desse modo, o ministro da Guerra, Góis Monteiro destituiu Getúlio Vargas do governo do país. Assumiu interinamente o cargo o presidente do Supremo Tribunal Federal, José Linhares, assumiu interinamente o cargo até ocorrerem as eleições e o candidato eleito, o general Eurico Gaspar Dutra, tornar-se presidente. Assim encerrou-se o Estado Novo.

Getúlio Vargas assumiu o cargo de deputado federal, após o fim do Estado Novo. Com o término do mandato de Dutra, Getúlio Vargas governou novamente o país entre os anos de 1951 e 1954, dessa vez, respaldado pelos votos diretos.

Referências bibliográficas:

FAUSTO, Boris (org.). O Brasil Republicano: economia e cultura (1930-1964). tomo 3, vol.4. Rio de Janeiro: Ed. Bertrand Brasil, 1995. (Col. História da Civilização Brasileira).

FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucilia de A. N. (orgs). O tempo do nacional-estatismo: do início da década de 1930 ao apogeu do Estado Novo. vol. 2. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. (Coleção O Brasil Republicano).

GOMES, Angela de Castro (org.). Olhando para dentro: 1930-1964. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013. p. 229 – 274.

MARTINS, Luciano. “Estado Novo” (Verbete). Rio de Janeiro: FGV/CPDOC.

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