IGREJAS CATÓLICAS COM APENAS UMA TORRE


Por que algumas igrejas brasileiras têm só uma torre construída?

  • A história de que elas eram construídas com apenas uma torre para evitar impostos do governo português é apenas um mito
  • Por Juliana Sayuri22 jun 2020, 17h33 – Publicado em 22 Maio 2017, 18h18 

Principalmente por falta de dinheiro. Igrejas com orçamentos mais humildes tendiam a construir menos torres – que serviam para abrigar sinos, os quais marcavam as horas e sinalizavam acontecimentos importantes, como nascimentos. Existe a lenda de que muitas igrejas do estilo barroco tinham duas torres rabiscadas no projeto arquitetônico original, mas foram construídas com apenas uma delas por um “jeitinho brasileiro”. Acontece que, na época, o governo português cobrava altos impostos após a conclusão de uma obra – e, para escapar dos tributos lusitanos, o pessoal propositadamente não construía a segunda torre, deixando a obra inacabada. Segundo Gabriel Frade, professor de teologia no Mosteiro de São Bento de São Paulo, essa versão da história, amplamente divulgada na internet, é pura lenda. Ele explica que não eram construídas duas torres, pois, em muitos casos, simplesmente não sobrava dinheiro. Por exemplo, há igrejas que só receberam sua primeira torre séculos depois da inauguração, quando os fiéis finalmente tiveram grana para construí-la.

FONTES Eduardo Faust, arquiteto pós-graduado em espaço celebrativo litúrgico e arte sacra, sócio-fundador do escritório Faust Arquitetura, e Gabriel Frade, autor de Arquitetura Sagrada no Brasil e Antigos Aldeamentos Jesuíticos e professor de teologia no Mosteiro de São Bento de São Paulo

BREVE HISTÓRIA DE OLINDA


Em 1534, a Coroa portuguesa instituiu o regime de Capitanias Hereditárias. A Capitania de Pernambuco foi entregue ao fidalgo português Duarte Coelho, que tomou posse de sua capitania desembarcando, em 9 de março de 1535, na feitoria fundada em 1516, entre Pernambuco e Itamaracá. Pouco tempo depois, ele seguiu para o sul em busca de um lugar para se instalar. Encontrou um local estrategicamente ideal, no alto de colinas, onde existia uma pequena aldeia chamada Marim, pelos índios, instalando aí o povoado que deu origem a Olinda.

Um sítio protegido pela altura descortinando o mar, com um porto natural formado pelos arrecifes, água em abundância e terras férteis, e fácil de defender, segundo os padrões militares da época. O local era tão aprazível, que, conta-se, o nome Olinda foi dado a partir de uma frase dita por Duarte Coelho: “Ó linda situação para se construir uma vila”. Não se sabe o dia da fundação de Olinda; sabe-se que o povoado prosperou tanto, que em 1537, já estava elevado à categoria de vila. Em 12 de março de 1537, Duarte Coelho enviou ao rei de Portugal, D.João III, o Foral, carta de doação que descrevia todos os lugares e benfeitorias existentes na Vila de Olinda. Nas praias, a vila foi fortificada para a defesa e do alto das colinas se expandiu em direção ao mar, ao porto e ao interior onde ficavam os engenhos de açúcar.

Com o extrativismo do pau-brasil e o desenvolvimento da cultura da cana-de-açúcar, Olinda tornou-se um dos mais importantes centros comerciais da colônia, enriquecendo a tal ponto que disputava com a Corte portuguesa em luxo e ostentação. O traçado urbano da vila configurou-se, ainda no século XVI, com a definição dos caminhos e com a ocupação dos principais promontórios pelos religiosos. Com a chegada das primeiras ordens religiosas – carmelitas, em 1580, jesuítas, em 1583, franciscanos, em 1585, e beneditinos, em 1586, foi feita também a catequização dos índios, de fundamental importância para a conquista definitiva das terras.

Em 16 de fevereiro de 1630, a Holanda invadiu Olinda e conquistou Pernambuco. Tomada a cidade, os holandeses se estabeleceram no povoado e ilhas junto ao porto e abandonaram Olinda. Em 24 de novembro de 1631, os holandeses incendeiam Olinda, após retirar os materiais nobres das edificações para construir suas casas no Recife, que começa a prosperar sob a administração holandesa. Em 27 de janeiro de 1654, os holandeses foram expulsos e iniciou-se a lenta reconstrução da Vila de Olinda.

APÓS 1654 – Depois de 1654, não se pode mais mudar o destino do Recife, que passa a ocupar aquele lugar antes Olinda. Será o Recife a sede, embora não oficial, e Olinda, secundarizada, se reconstruirá lentamente, não tendo mais a importância que teve naqueles anos anteriores a 1630. Mapa de meados do século XIX revela uma cidade, título obtido em 1676, ainda com as mesmas dimensões da antiga vila. É bem verdade que se reconstruíram, de forma monumental, as suas casas religiosas. O mercantilismo presente no Recife e a racionalidade daquela nova relação, à luz do novo mundo dos séculos XVI e XVII venceram afinal. Olinda tem seu futuro traçado diante do crescimento da importância do Recife. O centro histórico (atual), nesses meados do século XIX, ainda se encontrava envolvido por propriedades rurais, as maiores, os engenhos, na maioria de fogo morto, os da várzea do Beberibe, e as menores, os sítios, nas margens do Rio Beberibe e do mar.

NOVO FLORESCER – Sendo Olinda lugar de moradias e onde estava instalada, desde 1827, a Academia de Direito, ela adquire certa importância com relação ao lugar de trabalho, o Recife. Mas é o interesse pelos salutares banhos de mar, recomendados pelos médicos, que lhe dá nova vida. Nova vida que é bem representada pelo interesse de uma ligação mais rápida, através de um trem urbano, com o Recife, esta se fez desde a Encruzilhada, por antigo caminho que existia desde o século XVI.

De princípio, os veranistas usavam casas de terceiros, alugadas para as temporadas de verão. Depois, são adquiridos imóveis e se torna hábito então morar na cidade, mesmo fora da temporada de veraneio. É o renascimento da cidade. Sente-se essa transformação naquelas casas próximas ao mar, onde elas se revestem com roupas ecléticas e, com as reformas das fachadas, são modernizadas. O que se restringia às áreas próximas às praias vai depois caminhar para as outras ruas da cidade. Uma transformação urbana que dá novo alento ao velho burgo. A água potável, levada às casas pela Companhia Santa Teresa, e a eletrificação, denotam a importância que readquire a cidade. Logo, o trem urbano é substituído pelos bondes elétricos, no início do século XX.

MENEZES, José Luiz Mota, in Evolução Urbana e Territorial de Olinda: do Descobrimento aos Tempos Atuais – A Vila de Olinda – 1537-1630

ERA VARGAS


Era Vargas foi o período em que a república brasileira foi presidida por Getúlio Vargas, estendendo-se de 1930 a 1945. Politicamente falando, uma das grandes características da Era Vargas foi o autoritarismo sob o qual o Brasil foi governado. Os governos de Vargas nesse período (foram três) são muito associados, dentro da história, com o conceito de populismo.

Vargas ascendeu ao poder por meio da Revolução de 1930, foi eleito presidente de maneira indireta a partir de 1934, e, em 1937, implantou uma ditadura com censura e perseguição de opositores. A partir da década de 1940, ele inaugurou um projeto político de aproximação dos trabalhadores, mas o enfraquecimento de sua ditadura levou-o a ser deposto pelos militares, em 1945.https://6d4f42e0faae0bcbe5edff35b89356dc.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html?n=0

Revolução de 1930

No final da década de 1920, existia uma forte insatisfação com o sistema oligárquico que controlava a política brasileira, e um dos sinais evidentes disso foi o movimento de contestação dos oficiais do Exército, o tenentismo. Essa insatisfação seria levada a um novo patamar por conta da eleição presidencial de 1930.

Durante essa disputa, o presidente Washington Luís deveria ter apoiado um candidato mineiro como parte do acordo existente entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais. O presidente, no entanto, decidiu apoiar um candidato paulista — Júlio Prestes. Então a oligarquia mineira rompeu com São Paulo, aliou-se com a oligarquia gaúcha, e lançou Getúlio Vargascomo candidato.

A eleição aconteceu em um clima de grande rivalidade, e o vencedor foi Júlio Prestes. Uma parte da chapa de Vargas — chamada Aliança Liberal — não aceitou a derrota e começou a preparar-se para um levante armado. Quando o vice da chapa de Vargas, chamado João Pessoa, foi assassinado em Recife, os membros da Aliança Liberal deflagraram um movimento armado contra o presidente.

Esse movimento armado, conhecido como Revolução de 1930, foi iniciado em 3 de outubro de 1930 e estendeu-se até o dia 24 de outubro, resultando na deposição do então presidente Washington Luís. Uma junta militar assumiu o comando do Brasil, barrou a posse de Júlio Prestes à presidência e, em 3 de novembro de 1930, anunciou que Getúlio Vargas assumiria provisoriamente a presidência do Brasil.

Periodização

A Era Vargas durou 15 anos, iniciando-se em 1930 e encerrando-se em 1945. Os anos do governo de Vargas foram divididos pelos historiadores em três fases, que são:

Governo Provisório

A Era Vargas durou 15 anos. Vargas assumiu a presidência em 1930, após a Revolução de 1930, e foi deposto pelos militares em 1945.[1]

Essa foi a primeira fase do governo de Getúlio Vargas foi entendida, quando se iniciou, como um momento de transição até que o país elaborasse uma nova Constituição por meio da formação de uma Assembleia Constituinte. Todavia, não era intenção de Getúlio Vargas fazer a constitucionalização do Brasil, e sim promover a centralização do poder.

Assim, Vargas agiu para que essa centralização acontecesse promovendo a dissolução do Congresso Nacional e atuando politicamente de maneira a sustentar-se na presidência sem que fosse necessário recorrer-se à elaboração de uma Constituição. Essa atitude de Vargas desgastou sua relação com os paulistas, os grandes perdedores da Revolução de 1930.

Como consequência desse desgaste, iniciou-se a Revolução Constitucionalista de 1932. Nesse movimento, os paulistas exigiram ter o direito de nomear seu próprio interventor e demandaram que uma nova Constituição fosse elaborada. Militarmente, os paulistas perderam, mas, politicamente, eles conseguiram que o presidente autorizasse a formação de Assembleia Constituinte.

Dessa Assembleia nasceu a Constituição de 1934, reconhecida pelos historiadores como um documento bastante progressista para o momento e que foi inspirado na Constituição de Weimar (vigente na Alemanha). A promulgação da nova Carta também contou com uma eleição indireta que reelegeu Vargas para um mandato de quatro anos.

De acordo com a Constituição brasileira, Vargas não poderia reeleger-se presidente na disputa que aconteceria em 1938. Esse período provisório também contou com o surgimento de instituições importantes, como o Ministério do Trabalho. Além disso, uma reforma eleitoral que aconteceu em 1932 garantiu o direito de voto para as mulheres.

Governo Constitucional

Esse foi o período em que, em tese, deveria ter-se formado um governo constitucional e democrático no Brasil. Entretanto, o que se viu foi Getúlio Vargas atuando nos bastidores para implantar um regime ditatorial, e, no cenário político, presenciou-se a radicalização influenciada pelo que acontecia na Europa. Disso dois grandes grupos políticos surgiram: a Ação Integralista Brasileira (AIB) e a Aliança Nacional Libertadora (ANL).

Esses grupos tinham inspirações ideológicas distintas e eram adversários. Os integralistas estavam alinhados na extrema-direita e tinham como inspiração o fascismo italiano, sendo liderados por Plínio Salgado. Já os membros da ANL eram comunistas apoiados pelo regime stalinista e defendiam a saída revolucionária para o Brasil. O grande nome da ANL era Luís Carlos Prestes.

A radicalização da política brasileira foi utilizada por Getúlio Vargas como argumento para que ele tomasse medidas autoritárias. Em novembro de 1935, os comunistas da ANL deram início a um levante armado que ficou conhecido como Intentona Comunista. Esse levante aconteceu em três cidades brasileiras (Natal, Recife e Rio de Janeiro) e fracassou.

Vargas solicitou implantação do estado de sítio, e o Brasil permaneceu nessa situação até 1937. Os envolvidos com a Intentona Comunista foram severamente perseguidos e passaram por tortura nas prisões policiais. A partir disso, Vargas colocou em prática seu projeto de centralização do poder. Em novembro de 1937, ele apresentou o Plano Cohen, um documento falso que tratava de um suposto golpe comunista em curso no Brasil.

Explorando o medo do comunismo, Vargas realizou um autogolpe, cancelou a eleição de 1938, fechou o Congresso Nacional, e outorgou uma nova Constituição — bastante autoritária. Com isso foi inaugurado o Estado Novo, a fase ditatorial da Era Vargas.

Estado Novo

O Estado Novo foi a terceira e última fase da Era Vargas, e, nesse período, o Brasil esteve em uma ditadura. As marcas desses anos foram a centralização do poder, a redução considerável das liberdades civis, e a utilização da propaganda para ressaltar as realizações do governo e aproximar o ditador das massas.

Vargas governava o Brasil com base em decretos-leis, assim, não havia nenhum tipo de apreciação do que era proposto por ele porque não existia Legislativo e porque, como ditador, sua vontade era lei. Congresso, Assembleias e Câmaras ficaram fechados durante o Estado Novo, e não era permitida a existência de partidos políticos.

No Estado Novo existia censura, e áreas como as artes e a imprensa sofriam com a atuação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), o órgão responsável por realizar a censura das opiniões que não agradavam ao governo. O DIP conduzia ações de promoção da imagem do presidente e anunciava diariamente os feitos do governo.

Nesse período, Vargas realizou uma aproximação dos trabalhadores e desenvolveu um projeto político que ficou conhecido como trabalhismo. Nesse projeto, ele mantinha contato direto com os trabalhadores e implantava benefícios inéditos para essa classe. Entre esses benefícios, estão o salário-mínimo e a Consolidação das Leis de Trabalho, a CLT.

Durante esse período, o Brasil envolveu-se com a Segunda Guerra Mundial, e isso mudou o panorama político do nosso país. O apoio que a ditadura varguista tinha nas elites políticas e econômicas enfraqueceu-se, e a posição de Vargas começou a ser questionada. Vargas procurou realizar reformas políticas, mas foi obrigado pelos militares a renunciar ao governo no final de 1945. Assim, um golpe colocou Vargas no poder e um golpe retirou-o dele.

Características da Era Vargas

A comunicação direta com os trabalhadores como parte do projeto trabalhista foi uma das características mais fortes da Era Vargas.[1]

Durante os 15 anos da Era Vargas, o presidente foi um verdadeiro camaleão político, conseguindo adaptar-se aos diferentes cenários que apareceram. Vargas tinha um grande poder de negociação e procurava agir de maneira a agradar a todos os interesses possíveis. Essa, inclusive, é uma das grandes características da Era Vargas: a habilidade do presidente em realizar negociatas e manter o apoio de grupos que possuíam interesses diferentes.

aproximação com as massas também era uma forte característica da Era Vargas. O presidente discursava diretamente para essas classes e procurou dar-lhes benefícios como forma de conquistá-las. Essa apoio das massas serviu para esconder outra característica varguista — o apreço pelo poder centralizado.

Crédito das imagens

[1] FGV/CPDOC

Publicado por Daniel Neves Silva

Fonte: Mundo Educação UOL

A CAATINGA, NOSSA ARCA GÊNICA | POR GERALDO EUGÊNIO


O planeta Terra, nossa casa, testemunha uma mudança climática sem precedentes, se tornando mais quente na maioria dos locais, a exemplo do próprio Sertão. Nessas milhares de espécies nativas e adaptadas estão a chave da Arca: as informações genéticas que permitirão os contínuos ganhos de produtividade na agricultura, novos fármacos, novas enzimas, novos alimentos e uma outra revolução tecnológica através da genômica e ciências afins.WhatsAppFacebookMessengerPostado em 28/04/2022 2022 20:00 , Agronegócios. Atualizado em 28/04/2022 20:43

Colunista Geraldo Eugenio

Geraldo Eugênio,  Agrônomo | Professor Titular da UFRPE-UAST

Já se vão 69 anos, quando a partir do trabalho de alguns jovens em laboratórios do Reino Unido resolveram participar de uma gincana, que à época era a corrida para desvendar a estrutura física do DNA – Ácido desoxirribonucleico, a molécula que havia sido identificada como portadora das informações genéticas e, portanto, a chave da vida.

O desvendar da estrutura do DNA

​Dentre os concorrentes de um lado do Atlântico, nos Estados Unidos, afiava suas espadas ninguém menos do que o magnífico Linus Pauling, que havia desvendado a arquitetura molecular das proteínas. Do outro, no Laboratório Cavendish, da renomada Universidade de Cambridge, dois jovens talentosos, aventureiros e avessos a escrúpulos, o zoólogo John Watson e o físico James Crick.

​Os dois haviam avançado, mas não chegavam à imagem que queriam até que em uma visita a uma pesquisadora, a não menos inteligente e dedicada Rosalind Franklin, conhecendo seus trabalhos de raio-x com a molécula do DNA, saíram de fininho e publicaram, em 1953, um trabalho de três páginas, que talvez seja a mais importante publicação científica na história da humanidade.

​Em 1962, os espertalhões, junto com Maurice Wilkins, foram agraciados como Prêmio Nobel de Medicina. Rosalind foi passada para tràs, até que anos após sua morte precoce, morreu aos 37 anos, foi reconhecida como fundamental no feito que mudou a biologia de ponta cabeça.

A aceleração da biotecnologia​ – a biologia molecular avançou de forma acelerada. O trabalho dos pioneiros da genética foram sendo melhor conhecidos, a exemplo de Thomas Hunt Morgan, com suas mosquinhas Drosófilas, bem como a descoberta clássica da Dra. Barbara McClintok, de que os genes não eram tão fixos como se pensavam e, se moviam.

​O resultado foi espetacular e que houve de avanço na aplicação da biotecnologia em áreas como a saúde, a alimentação e a indústria de modo geral é absolutamente fenomenal. A humanidade avançou em sete décadas o que não havia feito em centenas de milhares de anos. A resposta ao vírus Covid 19, em se conseguir desenvolver, produzir e aplicar uma vacina em um período inferior a um ano é o melhor exemplo desta saga.

A genômica

Nos anos 80 vários países se uniram e lançaram um desafio titânico, conhecer todos os genes distribuídos em 23 pares de cromossomos e que constituem o genoma humano. Volta Crick à cena e lidera o programa em sua fase final quando, finalmente foi apresentado o feito homérico.

O projeto Genoma Humano foi um investimento bilionário, consumindo a energia e o conhecimento de milhares de cientistas e centenas de milhões de dólares. A partir deste esforço inicial, as técnicas e o conhecimento avançaram de tal forma que, hoje um bom laboratório é capaz de sequenciar um genoma de alguma planta, microrganismo, vírus, ou animal em semanas a um custo infinitamente menor.

A caatinga e o tesouro que nela está depositado

A Caatinga é um Bioma único, contemplado de diversidade, com espécies nativas, adaptadas e resilientes/ Foto: Governo Federal

​O desafio é trazer Rosalind Franklin, James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins para uma trilha na Caatinga, tal qual um grupo de amigos fez a semana passada à Serra do Cruzeiro, em Serra Talhada. Não é, Ivanildo?

​Nesta subida íngreme e linda se discutia também a importância dos genes das espécies que formam o bioma caatinga, dos mecanismos adaptativos e do poder de resiliência que apresenta esta comunidade de organismos que evoluem em um ambiente às vezes hostil, por milhões de anos. Uma discussão boa mas um tanto abstrata, mas o que existe de concreto neste sítio mágico?

O futuro da humanidade

​Na caatinga está escondida a Arca Gênica da humanidade, pelo menos foi no que o Éwerton concordou. O planeta Terra, nossa casa, testemunha uma mudança climática sem precedentes, se tornando mais quente na maioria dos locais, a exemplo do próprio Sertão. Nessas milhares de espécies nativas e adaptadas estão a chave da Arca: as informações genéticas que permitirão os contínuos ganhos de produtividade na agricultura, novos fármacos, novas enzimas, novos alimentos e uma outra revolução tecnológica através da genômica e ciências afins.

Esse patrimônio genético não é algo trivial mas representa nada mais do que a vida no planeta e a permanência do homem por um longo período à frente. É neste sentido que se chama a atenção para todos os profissionais envolvidos com a biologia, de modo geral, sejam com árvores, minha amiga e Professora Isabelle Meunier, grãos, forragens, frutas, hortaliças, microrganismos e com a fauna que caberá a todos, sem exceção, conectar as pontas deste quebra cabeça e valer a máxima de que, aqui, na Caatinga, está nossa Arca Gênica.

​Louve-se o esforço da FACEPE em lançar um edital para projetos de pesquisa, intitulado Fronteiras do Conhecimento. Que se participe deste esforço fazendo com que outras iniciativas se sigam e que desvendemos os mistérios de nosso tesouro.

Geraldo Eugênio é professor Titular da UFRPE-UAST

Fonte: Jornal do Sertão

HISTÓRIA ANTIGA


Por Antonio Gasparetto Junior

Mestrado em História (UFJF, 2013)
Graduação em História (UFJF, 2010)

História Antiga compreende um vasto período da história da humanidade que se inicia com o aparecimento da escrita cuneiforme e vai até a tomada do Império Romano pelos bárbaros.

A historiografia tradicional costuma dividir o estudo da história em períodos. Esses períodos são baseados em grandes transformações das formas de vida do homem, seus relacionamentos e concepções de mundo. Sob esta perspectiva, a história da humanidade estaria dividida nas seguintes fases: Pré-HistóriaHistória AntigaHistória MedievalHistória Moderna e História Contemporânea. O atentado terrorista ocorrido no dia 11 de setembro de 2001 ficou reconhecido como um evento que rompeu com a estabilidade existente no mundo, por isso há rumores entre os historiadores e cientistas sociais que a data inaugurou uma nova fase na história da humanidade, chamada inicialmente de História Pós-Contemporânea.

O modelo clássico de divisão da história da humanidade, todavia, passou a ser muito questionado. O modo como é apresentado faz parecer que o mundo todo se alterou a partir de datas específicas, o que, obviamente, não corresponde à realidade. Todos esses períodos são dinâmicos, características de cada fase aparecem em períodos anteriores ou posteriores, como fruto das variáveis relações humanas. Outro argumento que desqualifica o modo tradicional de como a História é dividida tem por base o fato de que todos os períodos são determinados em relação aos eventos oriundos das civilizações européias. Assim, os continentes americano, africano e a Oceania só aparecem na História a partir da Idade Moderna, como se não houvesse civilizações nesses ambientes antes da chegada dos europeus.

História Antiga, por sua vez, possui um recorte temporal que se inicia em 4.000 a.C. e se estende até o ano 476. Essas balizas representam o surgimento da escrita cuneiforme e a invasão e tomada do Império Romano pelos bárbaros. Logicamente, esse vasto período da humanidade inclui muitas civilizações, não somente na Europa. É muito comum associar História Antiga com EgitoMesopotâmiaGrécia e Roma. Mas devemos atentar para várias outras civilizações importantes para a história da humanidade. Essa visão tradicional faz parecer que cada um desses povos eram auto-suficientes e herméticos, enquanto, na verdade, influenciaram e também receberam influências fundamentais de outros povos.null

É verdade, contudo, que é muito complicado estudar todos os povos da antiguidade. Identificá-los já é um trabalho árduo por si só. Além disso, a existência de fontes que permitam o trabalho dos historiadores é muito escassa. O trabalho com História Antiga necessita muito empenho, uma vez que muitas fontes se perderam no tempo e outras são redigidas em línguas as quais não foram ainda decifradas.

Entre as civilizações mais recorrentes e conhecidas da História Antiga estão: a civilização do Egito Antigo, a mesopotâmica, o povo Hebreu, os fenícios, os persas, os chineses, os hindus, os cretenses, os gregos, os macedônicos e os romanos.

A civilização do Egito Antigo se formou no vale do rio Nilo, no nordeste da África. Esse povo se organizou em torno de 3.200 a. C. como um império.

Mesopotâmia, localizada na Ásia Menor, reuniu uma civilização entre os rios Tigre e Eufrates e tinha como povos mais importantes os sumérios e os babilônios.null

O povo Hebreu representa um dos casos em que a origem ainda é desconhecida. Os hebraicos foram responsáveis pela história da Antiga Israel.

Os fenícios eram um povo de origem semitalocalizados na costa oriental do mar Mediterrâneo. Surgiram em torno do ano 3.000 a.C.

Império Persa ocupou toda a Ásia Menor ao longo de dois séculos de existência. Sua grande civilização começou em 549 a.C. e terminou em 330 a.C. quando foi dominada pelos macedônios.

Os chineses permaneceram isolados por muito tempo em decorrência de seu próprio isolamento geográfico. A civilização chinesa encontrava-se no extreme oriente, mas por si só foram responsáveis por grandes descobertas e invenções na história da humanidade. Sabe-se que em torno de 1.500 a.C. os chineses estavam bem organizados sob a forma de um reino. Sua civilização durou por muitos séculos.null

civilização hindu ocupou a Índia em torno de 2.000 a.C. e também ficou distanciada de outros povos por causa da posição geográfica. Da mesma forma que a China, muitas invenções importantes para a história da humanidade vieram dos hindus.

civilização de Creta foi contemporânea ao Egito Antigo e estava localizada numa ilha do mar Mediterrâneo. Estava perto da Grécia e da Ásia Menor. Desenvolveram uma cultura muito rica desde o terceiro milênio a.C. e foram muito influentes para a cultura grega.

Os gregos, por sua vez, ocuparam uma península banhada pelo mar Jônico, o Egeu e o Mediterrâneo desde o século XX a.C. Muito influentes para a história da humanidade, suas principais cidades eram Atenas e Esparta.

Império Macedônico foi organizado por Filipe II e conquistou um grande território sob o reinado de Alexandre, o Grande. A expansão do Império Macedônico, que começou no século IV a.C., causou a fusão de culturas, gerando a cultura helenística.null

Os romanos representaram uma enorme civilização desenvolvida a partir da península Itálica, na Europa. A fundação de Roma ainda é um mistério para os historiadores, mas o império que se formou influenciou a vida e a cultura na Europa, África e Ásia por séculos. Sua queda se deu em 476 d.C. e marcou o início de uma nova fase da história da humanidade.

Fonte: InfoEscola

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