FIDEL E O COMUNISMO

Fidel Castro e a Igreja

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“Bem, creio que, na história humana, não há nenhum povo que não tenha uma religiosidade difusa” – Fidel Castro a Frei Betto, 1985

D.Pérez Serantes, o bispo de Santiago de Cuba, sabedor das execuções sumárias a que estavam sendo submetidos os insurgentes que haviam atacado o quartel de Moncada, decidiu-se por intervir. Empunhando um megafone iniciou uma caminhada em direção a La Gran Piedra onde sabia-se que Fidel Castro havia se escondido. O bispo, em voz alta, garantia-lhe a vida caso viesse a se entregar.

Uma semana antes, em 26 de julho de 1953 – que tornou-se, mais tarde, data patriótica para a Revolução Cubana – um grupo de mais de cem homens e mulheres atacara num repente o segundo maior quartel da Ilha de Cuba. Foi um desastre completo. A guarnição, superada a surpresa, recuperou-se e saiu à caça dos rebeldes. Os capturados sofreram horrores nas mãos da soldadesca vingativa e furiosa. Fuzilaram 68 deles. Fidel Castro, o líder, escapou miraculosamente e terminou tendo a sorte de ser preso, em plena sesta, pelo humanitário tenente Sarriá, que o conduziu são e salvo ao cárcere. O bispo D.Pérez exigiu garantias dos funcionários da ditadura Batista que não matariam na cadeia e que subteriam-no a um julgamento justo.

Mas essas amistosas relações de Fidel com a Igreja não mais se repetiram. Alguns anos depois, já no poder, quando apresentou seu Projeto de Reforma Agraria, em 17 de maio de 1960, teve contra si grande parte dos bispos. A Igreja de Cuba, instituição mais eminente do antigo Império Espanhol, tinha históricas ligações com os donos de engenho. A tal ponto que eram eles quem garantiam os proventos dos 800 e poucos padres da ilha de Cuba. Além disso, para os nacionalista cubanos, ela havia cometido o pecado de excomungar seu herói nacional José Martí, morto numa escaramuça libertária em 1895.

No entanto, quem mais afastou a Igreja da sociedade cubana não foi a Revolução nacionalista de 1959 e sim a anterior presença americana. Quando os Estados Unidos ocuparam a ilha, depois da Guerra de 1898 contra a Espanha, entre 1898-1902, podaram a Igreja Católica de uma série de privilégios, apartando-a do Estado. Foram os americanos que instituíram o casamento civil obrigatório e que afastaram-na do controle dos cemitérios. Além disso estimularam a chegada de missionários protestantes para converter o máximo de gente possível.

Mas o conflito com Fidel passou a ser o mais grave. Além de repudiarem a reforma, um terço dos padres eram espanhóis de formação franquista e tinham verdadeira fobia ao comunismo. Fidel considerou-os contra-revolucionários e suspendeu seus vistos. De roldão os restos do catolicismo quase foram varridos da ilha. Conforme o regime radicalizou-se não era de bom tom ser visto freqüentando missas. Nem mais se admitiu que algum militante católico pudesse integrar o único partido oficial do pais, o Partido Comunista. Desta forma aqueles que eram reconhecidamente católicos não poderiam assumir funções publicas.

Foi apenas na metade da década seguinte que as relações de Fidel com parte do clero latino-americano melhoraram. E a razão disso foi a emergência da teologia da libertação. Os jovens teólogos, o Padre Gutierrez e Frei Leonardo Boff, entre tantos outros, passaram a ver no regime cubano, envolto em pobreza e escassez de consumo, uma espécie de retorno aos sagrados princípios do cristianismo primitivo. O ápice dessa aproximação foi a longa entrevista que Fidel Castro concedeu a Frei Betto e que teve várias edições publicadas depois de 1985.

A partir de então sabe-se que a pressão sobre os católicos diminuiu e as Igrejas voltaram a respirar. Tão bem sucedida foi essa operação de reconciliação que permitiu que o Papa João Paulo II, um anti-comunista histórico, terminasse por receber Fidel Castro em pleno Vaticano. A expectativa do caudilho cubano é que o manto sagrado papal possa em breve ser agitado para tentar levantar o embargo que estrangula a ilha faz 34 anos.

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2 responses

21 10 2016
HIDERALDO

Porque não abriu seu país ao “capitalismo ianque” logo após a queda do muro de Berlim??? Porque deixou seu povo na miséria??? Porque os fez sofrer tanto??? Por essas e outras, Fidel a história NUNCA te absolverá…
Porque ao menos não deixa seu povo criar vacas para comer carne???

21 10 2016
HIDERALDO

Seja como for, essas latrinas comunistas sempre desembocam no mesmo esgoto: Um ditador (que passa o poder para um filho ou familiar) Nada de eleição, MORTE PARA OS OPOSITORES, nada de capital estrangeiro, nada de produção, nada de emprego, povo APRISIONADO, quase nada de comida… PARABÉNS AOS AMIGOS DE ESQUERDA AQUI NO BRASIL QUE APLAUDEM ORGIASTICAMENTE E AUXILIAM FINANCEIRAMENTE COM O DINHEIRO PUBLICO DO CONTRIBUINTE BRASILEIRO ESSES DEMÔNIOS COMUNISTAS…

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