OTAN – NATO


OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte

Bandeira da OTAN

Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) é uma aliança política e militar formada por países-membros, que tem como objetivo proteger uns aos outros em ataques militares.

Atualmente, os países que fazem parte da OTAN são 30:

  1. Albânia
  2. Alemanha
  3. Bélgica
  4. Bulgária
  5. Canadá
  6. Croácia
  7. Dinamarca
  8. Eslováquia
  9. Eslovênia
  10. Espanha
  11. Estados Unidos
  12. Estônia
  13. França
  14. Grécia
  15. Hungria
  16. Islândia
  17. Itália
  18. Letônia
  19. Lituânia
  20. Luxemburgo
  21. Macedônia do Norte
  22. Montenegro
  23. Noruega
  24. Países Baixos
  25. Polônia
  26. Portugal
  27. Reino Unido
  28. Romênia
  29. Tchéquia
  30. Turquia

A OTAN foi criada em 4 de abril de 1949, durante a Guerra Fria, que teve início em 1947 e terminou em 1989.

Na altura, o objetivo era conter a influência do socialismo da URSS no mundo, por isso era formada pelas principais potências capitalistas e ocidentais.https://a61a57c2e2dc1a899fac2981ef2704ee.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html?n=0

URSS é a sigla da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, que existiu entre 1922 e 1991 e era formada por 15 nações, dentre as quais a Rússia.

A OTAN também é conhecida pela sua sigla em inglês NATO (North Atlantic Treaty Organization).Bandeira da OTAN

História da OTAN

Após a derrota do nazimo na Europa, Estados Unidos e União Soviética seguiram por caminhos diferentes.

Os países que foram libertos do nazismo pelos soviéticos, adotaram o regime socialista e passaram à órbita de influência da URSS. Como bem lembrou o ex-ministro britânico Winston Churchill, uma cortina de ferro caía sobre a Europa.

Dessa forma, as relações entre os Estados Unidos e a União Soviética começaram a se deteriorar.

Criação e objetivos da OTAN

Por iniciativa dos americanos, a OTAN foi criada após o fim da Segunda Guerra Mundial. O objetivo era proteger as nações signatárias, na Europa e América do Norte, de ataques exteriores.

O artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte afirma que:

Um ataque armado contra um ou mais países membros será considerado uma agressão contra todos.

Igualmente, esta união tinha como objetivo conter a expansão do socialismo, representada pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Os principais pontos do acordo eram:

  • fornecer assistência militar mútua;
  • conservar a liberdade e a segurança de seus membros;
  • unificar e padronizar as estratégias militares e sistemas de armamentos do comando integrado das Forças Armadas do Atlântico Norte.

Além de manter os interesses políticos e militares das potências ocidentais pelo mundo, o tratado garante que nenhum dos signatários assine outro compromisso internacional conflitante com os termos da OTAN.

Quanto à sua composição, destacam-se delegações nacionais dos países membros, compostas por escritórios civis e militares, orientados pelo Presidente do Comitê Militar. A sede da OTAN fica em Bruxelas, na Bélgica.

Os presidentes dos países membros, bem como os seus ministros militares, se reúnem regularmente para tratar de assuntos pertinentes ao bloco.

OTAN e Pacto de Varsóvia

Alguns anos mais tarde, em resposta à OTAN, o bloco soviético cria o Pacto de Varsóvia. O tratado foi assinado na capital polonesa em 14 de maio de 1955.https://a61a57c2e2dc1a899fac2981ef2704ee.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html?n=0

As tensões entre os blocos capitalistas e socialistas, a ameaça de uma choque bélico entre essas duas alianças foi uma constante no período da Guerra Fria.

OTAN hoje

Com o fim da URSS no ano de 1991 e com a consequente dissolução do Pacto de Varsóvia, a OTAN precisou adequar-se ao novo paradigma mundial. Afinal, não existia mais o “inimigo vermelho” para combater.

Assim, com base no Novo Conceito Estratégico (New Strategic Concept, 1991), garantiu a perpetuação e expansão das alianças militares.

Atualmente, os objetivos da OTAN são:

  • preservar a segurança do bloco contra as operações de pirataria, guerras civis e terrorismo;
  • evitar ao máximo a proliferação de armas de destruição em massa.

Com a incorporação dos países do Pacto de Varsóvia, dentre eles a Rússia, a OTAN se torna a principal aliança militar no planeta.

Países integrantes da OTAN

Atualmente, 30 países fazem parte da OTAN. Abaixo, a lista dos países-membros da OTAN, de acordo com os anos de adesão. 

  • 1949: Bélgica, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, França*, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Portugal e Reino Unido
  • 1952: Grécia e Turquia
  • 1955: Alemanha
  • 1982: Espanha
  • 1999: Polônia, Hungria e Tchéquia
  • 2004: Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e Eslovênia
  • 2009: Albânia e Croácia
  • 2017: Montenegro
  • 2020: Macedônia do Norte

*Em 1966, a França abandona o Tratado do Atlântico Norte, retornando três décadas depois, em 1995.

Principais conflitos armados envolvendo a OTAN

Bósnia (1993), Iugoslávia (1999), Afeganistão (2001), Guerra do Iraque (2003), Líbia (2011).

Curiosidades

Após a OTAN, outras instituições militares foram criadas na Europa sem a presença dos EUA, a saber:

  • Organização de Segurança e Cooperação Europeia (OSCE);
  • Organização da Unidade Europeia (OUE);
  • EUROCORPS (exército europeu).

Cerca de 70% de todos os gastos militares do planeta são realizados pelos países membros da OTAN.

CIPS, O SISTEMA DE PAGAMENTOS CHINÊS


Cips, a alternativa chinesa ao sistema de pagamentos Swift

EUA não querem dar margem a questionar domínio do dólar.

Marcos De Oliveira

Uma das sanções contra a Rússia avaliada pelos EUA é desconectar os bancos russos do sistema de pagamento Swift. Em teoria, o arcaico método de transferência de dinheiro internacional não sofre controle de nenhum governo. Mas só na teoria. Os Estados Unidos já bloquearam transferências em dólar e impuseram o banimento do Irã. A medida ainda não foi tomada contra a Rússia por, ao menos, 2 motivos: poderia ser um tiro no pé da Europa, especialmente Alemanha; e há dúvidas quanto ao efeito sobre as transações russas.

A punição também ajudaria a estreitar as relações entre Putin e a China. Apesar de anos de esforços para que o comércio bilateral se dê em rublos e renminbi, somente uma pequena parcela das transações entre os 2 países se dá à margem do dólar.

A China, porém, tem, desde 8 de outubro de 2015, um sistema de pagamento próprio para transações na moeda chinesa. O Cips (Cross-Border Interbank Payment System, também conhecido como China Interbank Payments System) é ainda um pequeno ator perto do Swift – lidou com 2,2 milhões de transações no ano passado, com um valor total de 45,3 trilhões de iuans (US$ 7,1 trilhões); o irmão famoso bateu, em novembro de 2021, um recorde de 50,3 milhões de mensagens trocadas em um único dia e processa cerca de US$ 6 trilhões diariamente, 40% delas em dólar. Mas o Cips vem crescendo, impulsionado pela Iniciativa Cinturão e Rota (CRI, na sigla em inglês).

O volume de tráfego de pagamentos pelo Cips em 2020 aumentou cerca de 20%, enquanto o valor total das transações aumentou mais de 30%. Até agora, são 53 participantes diretos e 1.137 participantes indiretos (876 na Ásia, 153 na Europa, 42 na África, 26 na América do Norte, 23 na Oceania e 17 na América do Sul). Para facilitar os acordos entre a Rússia e a China, vários bancos russos começaram a se conectar ao sistema chinês.

Ver o dólar perder espaço é tudo que os EUA não desejam.

Fonte: Monitor Mercantil

ORIENTE MÉDIO POR GEOTIP


Mapeando o Oriente Médio

A região é formada por 15 países: Afeganistão🇦🇫, Arábia Saudita🇸🇦, Bahrain🇧🇭, Catar🇶🇦, Emirados Árabes Unidos🇦🇪, Iêmen, Irã🇮🇷, Iraque🇮🇶, Israel🇮🇱, Jordânia🇯🇴, Kuwait🇰🇼, Líbano🇱🇧, Omã, Síria🇸🇾 e Turquia🇹🇷.

Geograficamente é delimitado pelos Mares Negro e Cáspio ao norte; Arábico ao sul; e Vermelho e Mediterrâneo a oeste. O litoral da Ásia Ocidental é constituído pela Península Arábica e Península da Ásia Menor, tendo uma população total estimada em 260 milhões de habitantes.

O Oriente Médio é o berço de três religiões monoteístas: Cristianismo✝️, Judaímo✡️ e o Islamismo☪️, sendo essas duas últimas as predominantes na região e possui uma representatividade Geopolítica extremamente importante em razão de suas riquezas energéticas como uma das principais regiões do mundo com vasta reserva petrolífera e uma das mais importantes produtora de seus derivados.

Uma zona de extrema tensão internacional pela guerra de narrativas entre o Judeus🇮🇱 e Palestinos🇵🇸, onde questões relacionadas a cultura histórica religiosa coloca esses povos em conflitos que se acentuaram com a formação do Estado de Israel em 1948 e as constantes guerras que se sucederam ao longo desse tempo que resultaram numa espansão da presença israelense em territórios palestinos e respostas armadas por meio desses e contra-ataque das forças israelenses causando terror e morte em ambos os lados.

Esse impasse está longe de acabar fazendo com que os olhares do mundo se voltem mais uma vez para a região. O Oriente Médio precisa de Paz.

orientemedio #geografia🌎 #judeus #palestine🇵🇸 #geopolitics #geography

AS BRUXAS DA NOITE


As temidas mulheres soviéticas que venceram os nazistas

As “bruxas da noite” que aterrorizaram os alemães: acompanhe a história das temidas pilotas soviéticas que voavam na escuridão para bombardear tropas nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

A capitã de aviação Masha Dolina, do regimento de bombardeio pesado 587, em 1941

Em junho de 1941 a Alemanha nazista deu início à chamada Operação Barbarossa com o objetivo de invadir o território da URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Os soviéticos mobilizaram uma força militar gigantesca para conter as tropas de Adolf Hitler e um corajoso grupo de mulheres aviadoras tiveram um papel decisivo neste momento histórico: As Bruxas da Noite.

Na primeira metade do século XX, a presença feminina nas forças armadas de qualquer país era incomum, com exceção das mulheres que atuavam como enfermeiras ou faziam serviços burocráticos, além de outras tarefas pontuais. A União Soviética destoava das demais potências. Pioneiros, os russos abriram espaço para as mulheres na linha de frente do conflito: elas eram mecânicas, atiradoras de elite (função na qual tiveram grande destaque), instrutoras, médicas, pilotas de tanques e, como veremos, integrantes da força aérea do temido Exército Vermelho.

Celebridade Soviética

Os esforços para a criação de um regimento aéreo vieram em grande parte da coronel Marina Mikhailovna Raskova, que, na época, era uma celebridade na União Soviética. Além de quebrar vários recordes de distância de voo, ela era pioneira em diversas áreas. Foi a primeira mulher navegadora da Força Aérea Soviética e a primeira mulher instrutora na Academia Aérea Zhukovskii.

Havia um bom tempo que Raskova tentava convencer as lideranças soviéticas da importância de se criar regimentos femininos na aviação quando, no ano de 1941, o líder Joseph Stalin finalmente concordou com sua proposta. Nasciam ali três regimentos femininos na força aérea soviética.

Os regimentos criados eram o 586º de caças, o 587º de bombardeiros de mergulho bimotor e o 588º de bombardeiros noturnos. Apesar de inicialmente serem ocupados apenas por mulheres, no decorrer do conflito, algumas posições femininas foram ocupadas por homens, mas o regimento 588º se manteve composto exclusivamente por mulheres. Elas não só consertavam e pilotavam aeronaves como, também, comandavam e administravam tudo por lá.

A coronel aviadora russa Marina Raskova.

Diante das pressões impostas pelo avanço da Alemanha, o tempo de treinamento das voluntárias era curto, de apenas seis meses (antes, era de quatro anos). Elas eram formadas por Raskova, que, além da experiência como piloto, conseguia preparar as jovens para um ambiente até então predominantemente masculino. As missões femininas tiveram início oficialmente em 1942, na Ucrânia, quando Valerya Khomiakova ficou conhecida por ser a primeira pilota soviética a abater uma aeronave inimiga durante a noite – era um JU-99 alemão.

As temidas Bruxas da Noite

O 588º Regimento de Bombardeiros Noturnos (mais tarde conhecido como 46º Regimento de Aviação de Bombardeiros Noturnos da Guarda “Taman”) ficou conhecido graças às aviadoras que foram apelidadas pelo exército alemão de “bruxas da noite” (a pesquisadora russa Lyuba Vinogradova acredita que elas mesmo podem haver se apelidado assim). Comandado pela experiente major Yevdokia Bershanskaya, o regimento era formado por jovens voluntárias, em sua maioria universitárias, algumas ainda adolescentes, cujas idades não passavam dos 20 anos. O Regimento operava sempre à noite, como uma forma de cumprir as missões de modo inesperado para os alemães. Além de tropas, veículos de suporte e depósitos de combustíveis estavam entre seus alvos estratégicos.

O regimento feminino atuou em cerca de 24 mil missões e a maioria de suas combatentes participou de pelo menos 800 voos, em condições difícilimas nos aviões biplanos Polikarpov Po-2 com cabine de pilotagem era totalmente aberta, que não protegia as tripulantes dos ventos gelados, tampouco de disparos alemães. No auge de seu funcionamento, o regimento possuía 40 equipes formadas por duas mulheres cada.

Regimento de aviadoras soviéticas em campo de treinamento

Com uma sucessão de missões bem-sucedidas, a fama das combatentes do 588º regimento só crescia. O apelido dado pelos alemães tinha um tom pejorativo. O nome “bruxas da noite” se deu pelo modo como as aviadoras atacavam os soldados nazistas. Ao se aproximarem dos alvos, elas desligavam os motores dos aviões para não chamar a atenção do inimigo e o som do vento em contato com as asas produzia um barulho apavorante para os soldados no solo, que só percebiam o que estava acontecendo quando já era tarde demais. No fim, o apelido acabou se tornando um elogio para as aviadoras.

Os bombardeios feitos pelo 588º Regimento configuravam uma tática psicológica que estressava o inimigo e diminuía sua capacidade de lutar. As aviadoras eram, ao mesmo tempo, desprezadas e temidas, e o piloto alemão que conseguisse abatê-las era condecorado com a medalha “Cruz de Ferro”, uma das mais altas honrarias do Exército alemão. As bruxas utilizavam as aparentes desvantagens do Po-2 a favor delas. Isso valia, por exemplo, para a baixa velocidade e a ótima manobrabilidade do avião, que facilitavam a localização precisa de alvos terrestres com voos em altitude bastante baixa e davam poucas chances aos soldados alemães de se esconder.

Responsável pela criação dos regimentos, Marina Raskova morreu em 1943, durante o conflito, com apenas 30 anos de idade, quando tentava fazer um pouso forçado na margem do rio Volga. Ela recebeu o primeiro funeral de estado de guerra. Raskova foi postumamente condecorada com a Ordem da Guerra Patriótica Primeira Classe. O regimento funcionou até o encerramento da Segunda Guerra, em 1945, e 23 de suas representantes foram agraciadas com a Estrela de Ouro de Herói da União Soviética.

Honra e glória imortalizadas

A URSS mobilizou suas mulheres na luta de vida ou morte contra os nazistas, de uma forma que nunca ocorrera antes nem voltou a ocorrer depois. Quase um milhão de soviéticas engrossaram as fileiras do Exército Vermelho, em todos os postos: sapadoras, tanquistas, franco-atiradoras (tema do próximo livro de Vinogradova), operadoras de metralhadora… Ao todo, 92 delas foram condecoradas como Heroínas da União Soviética.

As soviéticas foram as únicas mulheres do mundo a pilotarem aviões em missões de combate naquele sangrento conflito, enfrentando de igual para igual em numerosas ocasiões os ases da Luftwaffe de Hitler, aos quais impunham surpresas às vezes letais.

Fonte: Frente Trabalhista

Protestantes que justificam a guerra e a morte


Os pastores de Trump chegam a Brasília

Com financiamento do vice-presidente americano, Capitol Ministries, que tem o objetivo de “converter” políticos a uma visão evangélica da política, já abriu ministérios em seis países latinoamericanos desde 2017. Por Andrea Dip e Natália Viana, da Agência Pública

Os pastores de Trump chegam a Brasília

12 AGO 2019

“Esse estudo não é sobre se Deus aceita ou não uma guerra. Ele aceita”, anuncia o pastor americano Ralph Drollinger, em um dos seus estudos bíblicos semanais, com uma voz emotiva porém pausada, calculada para que os visitantes de seu site acompanhem o raciocínio. Em seguida, explica que a frase bíblica “Bem-aventurados são os que promovem a paz porque serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5:9) diz respeito apenas a “como os fiéis devem conduzir suas vidas pessoais”. Ou seja: não vale para os governos, que podem, sim, ir à guerra.

Publicado em maio de 2018, aquele “estudo bíblico” tinha razão de ser, segundo o próprio pastor: ajudar os membros do Governo americano a refletir sobre “a ameaça de guerra com a Síria, o Irã e a Coreia do Norte” —movimentos iniciados pelo presidente americano Donald Trump. E convencê-los de que ir à guerra é abençoado pela própria Bíblia. Dias depois, Drollinger seria ainda mais explícito na sua pregação, ao pedir que “você, como servidor público, ajude a reduzir a tendência antibíblica secular em direção ao pacifismo e não intervencionismo! Isso vai levar a um crescente caos global!”.

Não foi a primeira vez nem seria a última que o fundador do ministério evangélico Capitol Ministries encontraria na Bíblia uma justificativa para as ações mais radicais do governo Trump. Afinal, o objetivo da igreja fundada por Drollinger é basicamente “converter” políticos e servidores públicos a uma visão cristã evangélica da política que se casa perfeitamente com a visão da ultradireita americana. “Sem essa orientação, é bem mais difícil chegar a políticas públicas que satisfaçam a Deus e sejam benéficas ao progresso da nação”, resume Drollinger em um dos estudos em seu site.

Enquanto o presidente americano nega os acordos sobre o aquecimento global —e questiona abertamente se ele de fato existe—, Drollinger rechaçaem outro estudo bíblico que o homem possa impactar o meio ambiente. “Todos devem ficar seguros sobre a habilidade e vontade d’Ele de sustentar o ecossistema do nosso mundo”, diz, concluindo, com voz exaltada: “Que verdades gloriosas Deus nos deu! São um tapa na cara dos teóricos de moda que tentam nos assustar com o aquecimento global”.

E se alguém questiona se a maior promessa de Trump —construir um muro na fronteira com o México para evitar a entrada de imigrantes e refugiados— pode conviver com o princípio cristão da compaixão, ele tem a resposta pronta: “Compreende-se do Gênesis 11 que as nações, pelos desígnios de Deus, devem ter diferentes línguas, culturas, e fronteiras”, raciocina. “As leis imigratórias de cada nação devem ser baseadas na Bíblia e estritamente aplicadas— com a absoluta confiança e a garantia de que Deus aprova tais ações.” Quem garante é o pastor.

A Capitol Ministries —nome que significa “Ministério do Capitólio”, símbolo do Congresso americano— foi fundada pelo ex-jogador de basquete Ralph Drollinger na Califórnia, em 1996, para “criar discípulos de Jesus Cristo na arena política pelo mundo todo”. A ideia do pastor era levar para a política seu trabalho anterior, focado em evangelizar atletas.

Até o ano 2010, seu público eram deputados estaduais; naquele ano, o primeiro ciclo de estudos foi fundado em Washington, no Congresso americano. Mas foi em 2017 que Drollinger deu seu salto para o primeiro plano da política mundial, quando fundou o primeiro grupo de estudos dedicado apenas a membros do Governo de Donald Trump. O encontro semanal, em um local não revelado, reúne dez membros do alto escalão do Governo, incluindo o vice-presidente, Mike Pence, e o secretário de Estado, Mike Pompeo, que dirige a política externa. O ex-diretor da Agência de Proteção Ambiental Scott Pruitt, que articulou a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, sobre aquecimento global, e já questionou o efeito de emissões de carbono sobre o clima, também chegou a participar.

Muito além de um simples falatório, as pregações de Drollinger têm efeito prático em um Governo que mais de uma vez reconheceu ter sido eleito graças ao voto evangélico. Em junho do ano passado, um de seus sermões foi usado pelo ex-procurador-geral Jeff Sessions para apaziguar os corações dos eleitores quanto à detenção de milhares de crianças imigrantes em péssimas condições na fronteira com o México. “Eu citaria a vocês o apóstolo Paulo e seu comando claro e sábio em Romanos 13, para obedecer às leis do Governo porque Deus ordenou o Governo para seus desígnios”, disse Sessions, invocando a Bíblia, e não a legislação americana, como justificativa. Enquanto a imprensa americana reagia chocada, Drollinger fez questão de expor suas digitais por trás da declaração.

“Eu tive a distinta honra de ensinar a ele sobre esse assunto e muitos outros”, disse. “Não há nada mais animador, quando você é um professor da Bíblia, do que ver um dos caras com quem você está trabalhando articulando algumas coisa que você ensinou.” A frase, de fato, é uma repetição do manual básico de Drollinger, e Sessions, quando estava no Governo, realmente frequentava seus estudos bíblicos.

Separar pais dos seus filhos seria aprovado pela palavra de Deus, diz o pastor. “Quando alguém viola a lei de um país, deve antecipar que uma das consequências do seu comportamento ilegal será a separação dos seus filhos. É esse o caso de ladrões ou assassinos que são presos”, justifica.

Em busca de Bolsonaro, Capitol chega ao Brasil

Financiada pelo vice-presidente Mike Pence e pelo secretário de Estado Mike Pompeo, segundo afirmou o próprio Drollinger em seu site, a Capitol Ministries também se vale da influência do Governo americano para cumprir sua missão, entre aspas, divina: dominar o mundo. Desde o ano passado, abriu capítulos em cinco países latino-americanos —México, Honduras, Paraguai, Costa Rica e Uruguai—, anunciou que abrirá em outros dois —Nicarágua e Panamá— e acaba de aportar no Brasil, com lançamento oficial programado para a segunda quinzena de agosto no Senado Federal, “sem muita badalação, voltado apenas para autoridades” e “com a presença de Drollinger e sua esposa”, como explicou à Pública o pastor da Igreja Batista Vida Nova, Raul José Ferreira Jr., que será o responsável por conduzir os estudos bíblicos no Senado, na Câmara.

Ele diz ainda que, “se Deus permitir”, vai conduzir também estudos bíblicos na Casa Civil junto ao presidente Jair Bolsonaro e seus ministros, traduzindo as palavras do pastor americano para o presidente brasileiro. “Nós estamos realmente trabalhando firme para que possa haver ao menos um encontro do pastor Drollinger com o presidente Bolsonaro agora em agosto, para que a partir daí a gente possa desenvolver um trabalho. Mas, mesmo que o presidente não esteja entre eles, nós vamos tentar construir um trabalho dentro da Casa Civil, junto dos ministros diretamente ligados ao palácio”, diz.

O objetivo dos estudos bíblicos, que são traduzidos para o espanhol e em breve para o português, é disseminar a visão de Drollinger sobre o cristianismo aplicado à política. “Nossa ideia é chegar a nível de Presidência da República e ministros, primeiro escalão. A gente tem um slogan que é ‘first the firsts’, ou seja, primeiro os primeiros. Através dessas pessoas com relevância a gente pode mudar o destino da nossa nação”, diz o pastor Ferreira Jr., que, indicado pelo diretor regional no Brasil, pastor Giovaldo de Freitas, passou por uma semana de treinamento em Seattle com Ralph Drollinger e sua equipe.

As aspirações da Capitol Ministries no Brasil são ambiciosas, embora o pastor Ferreira Jr. chame de “trabalho de formiguinha”: conduzir, a portas fechadas nos gabinetes, reuniões bíblicas individuais com parlamentares, especialmente os não convertidos, além de reuniões coletivas semanais —e ainda garantir que cada parlamentar do Congresso Nacional receba os estudos impressos, por e-mail e por mensagem no celular. “Nosso objetivo é reconstruir a nação a partir de valores cristãos que são forjados através do estudo da palavra”, define o pastor.

Para tanto, ele diz que o ministério de Drollinger já conta com o apoio de alguns parlamentares que são membros atuantes da Frente Parlamentar Evangélica, como o senador e pastor Zequinha Marinho (PSC-PA), o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) e o deputado e também pastor Roberto de Lucena (Podemos-SP).

Giovaldo Freitas, o homem da Capitol Ministries no Brasil

As negociações para a chegada da Capitol Ministries ao Brasil começaram ainda no Governo Temer, em 2017, como explicou à Pública o diretor do ministério no Brasil e pastor da Igreja Batista de Moema, Giovaldo Freitas, em seu escritório em São Paulo. Naquele ano, Giovaldo era parte do Global Leadership Summit, uma organização evangélica americana que realiza grandes eventos de capacitação para lideranças empresariais no mundo todo. Em um dos eventos do grupo em Chicago, o pastor foi convidado pelo hoje coordenador da Capitol Ministries na América Latina, o peruano Oscar Zamora, a participar de um almoço que acertaria os detalhes da vinda do ministério para o Brasil.

Giovaldo passou então pelo treinamento de Drollinger em Washington com pessoas do mundo todo: “Tinha várias pessoas da América Latina, alguns do Caribe, da Europa, gente da Ásia… Gente da Argentina, Paraguai, Uruguai, Equador, Colômbia, Bermudas, Bahamas, Guatemala, Honduras, Costa Rica, México, Holanda, Romênia, Rússia…”, lembra. E acrescenta: “Foi muito interessante porque de repente eu me vejo ali conversando com um senador americano superempolgado porque estava vindo para o Brasil. Nessa reunião tinha oito senadores e dois deputados [americanos]”. O pastor não quis revelar os nomes dos políticos americanos presentes, mas disse que também houve, na ocasião, um painel com a presença de três secretários de Trump: a secretária de Educação, Betsy DeVos, o secretário de Energia, Rick Perry. e o da Agricultura, Sonny Perdue.

Segundo ele, os laços religiosos têm dado frutos políticos: “Inclusive, esse secretário de Energia tem mantido conversa com nosso ministro de Minas e Energia exatamente por causa da chegada da Capitol Ministries”, revela.

Desde então, o pastor descreve que várias negociações aconteceram no Congresso brasileiro, além de reuniões com embaixadores do Itamaraty e com o chefe de gabinete de Temer, em maio de 2018, “para decidir algumas coisas” sobre o lançamento no Brasil, segundo Giovaldo. Questionado pela reportagem, ele não quis entrar em detalhes. A Pública encontrou registros de uma reunião com o então ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Ronaldo Fonseca, em julho do ano passado, na qual estavam Giovaldo e outro ex-membro da Capitol Ministries, o pastor Evandro Beserra.

Embora diga que a intenção do ministério não é “levantar bandeiras”, o pastor admite que existe uma aproximação natural com os partidos mais à direita. O novo Governo é, para ele, o cenário ideal para a chegada: “Na primeira semana de abril, nos reunimos com o Onyx Lorenzoni[ministro-chefe da Casa Civil], que foi muito receptivo, evangélico do Rio Grande do Sul, foi um tempo muito gostoso. O presidente Bolsonaro estava em Israel, então não pudemos ter contato, mas fomos muito bem recebidos”, comentou.

Segundo a professora de direito e diretora do Centro Jurídico sobre Gênero e Sexualidade na Universidade de Columbia, Katherine Franke, a exportação de missões fundamentalistas dos EUA para a América Latina, com a bênção do Governo federal, viola os princípios de separação de Estado e Igreja determinada pela Constituição dos Estados Unidos. “O Governo está promovendo a religião como um projeto oficial do Governo e isso claramente viola uma das cláusulas. Mais ainda, o Governo está promovendo uma visão particular da religião, sem fazê-lo imparcialmente. E esse é um segundo tipo de violação ”, disse a especialista à coalizão de veículos que faz parte do projeto “Transnacionais da Fé”, que publica esta reportagem.

Batistas à frente 

Para Christina Vital da Cunha, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião, alguns elementos se destacam nessa chegada do ministério de Drollinger ao Brasil: um deles seria o novo protagonismo político da Igreja Batista, antes vista como mais progressista e também mais afastada da política —ministra Damares Alves é pastora batista, a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também, além de outros integrantes do Governo. É o caso da Igreja Batista Vida Nova, de Raul José Ferreira Jr., que liderará os estudos dentro do governo.

“A gente pode observar um elemento diferente do que vinha acontecendo no Brasil desde então, que é uma afinação orgânica entre Estados Unidos e outros países da América Latina a partir desse elemento religioso e que tem na política institucional um lugar importante de atuação. Se vê um alinhamento conservador no Brasil, na América Latina e em outros países no mundo, que nos países da América Latina tem nesses religiosos evangélicos e católicos seus principais atores”, aponta. E chama atenção para a legitimação de um discurso à direita por meio da Bíblia, algo que já tem sido feito em certa medida no Brasil desde a campanha de Bolsonaro. “Outra coisa a se observar é se haverá disputas de poder com instituições já estabelecidas, como a Igreja Universal e a Assembleia de Deus.”

À Pública, o pastor Giovaldo adianta que existe distinção entre o trabalho da Capitol Ministries e o da Frente Parlamentar Evangélica: “São coisas diferentes. Nosso objetivo lá dentro não são os evangélicos. Os estudos bíblicos são pra quem não tem uma relação com a igreja, com Deus. É de evangelização, caminhar junto, orar. Aí, se porventura alguns reconhecerem Cristo como seu Senhor e salvador, eles poderão vir a fazer parte da FPE [Frente Parlamentar Evangélica]”, diz, apesar de reconhecer que a parceria com parlamentares evangélicos —como os citados pelo pastor Ferreira Jr.— é fundamental e que os primeiros estudos bíblicos serão conduzidos no gabinete do senador Zequinha Marinho e no do deputado Silas Câmara (PRB-AM), pastor da Assembleia de Deus e presidente da Frente Parlamentar Evangélica.

Na América Latina

Drollinger nega que sua organização faça lobby, reconhecendo apenas que seu objetivo é converter políticos para Cristo. Mas a Capitol Ministries chegou a Honduras, país centro-americano, pelas mãos do próprio vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence. Em junho de 2018, quando o presidente hondurenho, Juan Orlando Hernández, fazia uma visita oficial a Washington, Mike Pence e o secretário de Estado, Mike Pompeo,sugeriram a ele que iniciasse um capítulo da Capitol Ministries na presidência e em seu Congresso.

“Também é bom saber que o vice-presidente Pence e o secretário de Estado Pompeo influenciaram de maneira tão efetiva o presidente Hernández para lançar o Capitol Ministries entre os membros do gabinete”, escreveu Ralph Drollinger no comunicado de inauguração dos estudos bíblicos em Honduras, em 8 de novembro de 2018.

Em 2017, Drollinger recrutou Oscar Zamora, um pastor peruano que estudou teologia no West Coast Christian College, na Califórnia. Desde então, Zamora viaja pelo continente negociando a abertura de ministérios nos parlamentos da região, mantendo um perfil discreto e evitando dar entrevistas. Os pastores, como aconteceu com Giovaldo, são recrutados no Global Leadership Summit, programa que ele lidera na América do Sul. Três dos pastores de Drollinger afirmaram à reportagem que as reuniões são financiadas com recursos americanos.

Na Costa Rica, a Capitol Ministries ficará a cargo do presidente da igreja Assembleia de Deus, Ricardo Castillo Medina. O religioso vai dirigir os estudos da Bíblia entre os membros do Congresso, “para que possam tomar decisões baseadas em uma consciência pura e limpa”, diz. Em março deste ano, Ralph Drollinger e sua esposa, Danielle, foram até o paísse reunir com um grupo de congressistas em um café da manhã convocado sob o lema “Reconstruindo uma Nação” —nome do livro de sua autoria— no hotel Radisson, em um elegante bairro da capital.

“Quero dizer a vocês que o vice-presidente Mike Pence e o secretário de Estado Mike Pompeo me pediram que eu os saúde. Esses dois homens amam a Jesus Cristo com todo o seu coração e eles estão impactando, literalmente, o mundo inteiro. Eles estão tomando esses princípios e com sua personalidade os projetam”, disse Drollinger. E previu: “Se você conquista líderes políticos para Cristo, vai ter conquistas residuais para seu país; vai ter efeitos enormes, muito positivos sobre a direção que tomará a Costa Rica”.

Mas não é só de governos orgulhosamente de direita que a Capitol Ministries tem se aproximado. No último dia 19, durante as comemorações dos 40 anos da Revolução Sandinista na Nicarágua, lideradas com pompa por Daniel Ortega e sua esposa, Rosario Murillo, em meio a uma crise política que matou mais de 300 pessoas, levou mais de 500 manifestantes à cadeia e a milhares de exilados, Ralph Drollinger estava lá. Segundo uma nota à imprensa, foi o próprio Ortega quem convidou a Capitol Ministries a abrir o ministério no país. No convite, Ortega declarou: “Sabemos que, se as pessoas a quem Deus confiou o destino da nação nascerem de novo, nossos deputados legislarão de acordo com a Bíblia”. E foi assim que, diante de milhares de pessoas, Drollinger ressaltou os valores cristãos do país e agradeceu a oportunidade oferecida pelo Governo de Ortega. “Eu oro pela sua nação, oro por você, oro pelos líderes do Governo para que todos possamos refletir os atributos de Cristo todos os dias”, disse Drollinger, segundo o jornal oficial La Voz del Sandinismo.

A guerra contra a Igreja Católica liderada pelo Governo de Ortega certamente entra nessa conta. Em entrevista à Pública em julho de 2018, o escritor e ex-vice-presidente do país Sergio Ramírez disse que um dos pontos mais sensíveis à possível reeleição em 2021 era justamente este: “Ortega também tem a Igreja Católica contra ele. O governo começou a atacar igrejas católicas, como no caso do tiroteio de 15 horas na Igreja da Divina Misericórdia, em Manágua [em 13 de julho, estudantes refugiados na igreja sofreram 15 horas de tiros da polícia]. Estão atacando padres, quebrando templos católicos. Parece-me que se meter contra a Igreja Católica em um país eminentemente católico como o nosso é uma guerra perdida”.

Os estudos bíblicos no gabinete presidencial e no Congresso nicaraguense ficarão a cargo de Arsenio Herrera, pastor da maior igreja evangélica de Manágua, Hosanna Church. Herrera foi discípulo do criador da Hosanna, o americano David Spencer, a quem se atribui o feito de ter convertido mais de 500 almas por semana nos primeiros anos da igreja e que, pouco antes de sua morte, recebeu de Ortega e Rosario Murillo a cidadania nicaraguense em honra aos serviços prestados ao povo da Nicarágua.

Texto de Andrea Dip e Natália Viana (Agência Pública)

Essa reportagem faz parte do projeto “Transnacionais da Fé”, uma colaboração de 16 meios latinoamericanos, sob a liderança da Columbia Journalism Investigations da Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia (Estados Unidos). Os parceiros latinoamericanos são: Agência Pública (Brasil); El País (Uruguai); CIPER (Chile); El Surtidor (Paraguai); La República (Peru);Armando.info(Venezuela); El Tiempo (Colombia); La Voz de Guanacaste e Semanario Universidad (Costa Rica); El Faro (El Salvador); Nómada e Plaza Pública (Guatemala); Contracorriente (Honduras); Mexicanos Contra la Corrupción y la Impunidad (México); Centro Latinoamericano de Investigación Periodística (CLIP); e Univisión (Estados Unidos).

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