HISTÓRIA DA (deficiente) LEITURA NO BRASIL

15 03 2009

livros
Leiam atentos/as a esta matéria da Agência Senado e publicada pelo Blog da Folha/PE em 14 de março do corrente:

O brasileiro lê bem menos que os habitantes dos países desenvolvidos.

Aqui, são, em média, 2,5 livros por ano, contra 10 nos Estados Unidos ou 15 em países como a Suécia ou a Dinamarca. Mas apenas 0,9 desses 2,5 livros anuais lidos não são obras didáticas, que as escolas exigem dos alunos. As diferenças regionais brasileiras também conspiram contra o crescimento do hábito da leitura, já que só há livrarias em 30% dos 5.564 municípios.

Não é exato o número de livrarias existentes no país porque é fácil obter-se um registro de funcionamento, mesmo que o negócio principal não seja a venda de livros. Mas é seguro afirmar-se que o Brasil tem hoje menos de 2.700 livrarias, 70% das quais são de pequeno e médio porte. Um número muitíssimo inferior ao que seria ideal, na visão da Organização das Nações Unidas (ONU) para um país com 190 milhões de habitantes.

Para ler mais, clique aqui.

Para encontrar as raízes dessa nossa deficiência vergonhosa, pesquisamos e encontramos uma das explicações para o fato, e ela está na história de nossa colonização.
Reproduzimos abaixo, parte do artigo “A CENSURA NO BRASIL- Do século XVI ao século XIX, de Aguinaldo Martino e Ana Paula Sapaterra, mestrandos da USP.

Em 5 de abril 1768, instituída por ordem do Marquês de Pombal, a Real Mesa Censória unifica o sistema censório anteriormente dividido entre o Santo Ofício, o Ordinário e o Desembargo do Paço. A intenção de Pombal era secularizar a censura, para atender às necessidades do Estado. Então, o rei nomeava os censores, que eram Estudos Lingüísticos XXXV, p. 234-243, 2006. [ 236 / 243 ] eclesiásticos e funcionários leigos. Cabia à Real Mesa Censória fiscalizar a impressão e a circulação de livros no Reino e também aqueles vindos de outros lugares, pois nenhum material impresso deveria entrar na Colônia sem antes ser submetido à vistoria dos censores régios. Em 18 de maio de 1768, estabeleceu-se um regimento no qual constavam todas as atribuições e normas de funcionamento da Mesa. O seu regimento previa que os censores fossem particularmente ativos contra livros que disseminassem heresias, superstições, sátiras pessoais e críticas sediciosas ao Estado. Destacava-se que estavam proibidas “as pequenas obras dos pervertidos filósofos dos últimos tempos”, que deveriam ser conhecidas apenas pelos intelectuais capazes de refutá-las. Nessa época, a censura agia, principalmente, junto às bibliotecas conventuais, pois, até então, havia poucas livrarias particulares e as tipografias ou comércios de livros eram inexistentes.

“Foram proibidas em Portugal e em suas colônias as obras das seguintes categorias:
1) os livros de autores ateus,
2) os de autores protestantes que combatessem o poder espiritual do Papa e dos bispos ou
atacassem os artigos da Fé Católica,
3) os que negassem a obediência ao Papa,
4) os livros de feitiçaria, quiromancia, magia e astrologia,
5) os que, apoiados num falso fervor religioso, levassem à superstição ou fanatismo,
6) os livros obscenos,
7) os infamatórios,
(…)
9) os que utilizam os textos das Sagradas Escrituras em sentido diferente do usado pela Igreja,
10) dos autores que misturassem artigos de fé com os de mera disciplina,
11) os que impugnassem os Direitos, Leis, Costumes, Privilégios etc da Coroa e dos Vassalos,
12) as obras “dos pervertidos filósofos destes últimos tempos…”,
13) os livros publicados na Holanda e na Suíça atribuídos a advogados do Parlamento da França
e que tratavam da separação entre o “Sacerdócio e o Império,”
14) todas as obras de autores jesuítas baseadas na “autoridade extrínseca da razão particular,”
15) os livros “compostos para o Ensino das Escolas Menores que forem contrários ao sistema estabelecido por lei anterior,”

A burocracia pombalina utilizava-se de um dos meios criticados aos jesuítas, a leitura de obras censuradas era permitida a um número restrito de funcionários encarregados de contestá-las. Os limites eram relativamente claros: autores científicos como Bacon, Galileu, Descartes, Newton, Leibnitz, Linneu,Quesnay ou Buffon eram recebidos pelo grupo político intelectual português e brasileiro; já sobre as obras dos “pervertidos filósofos”, contrárias ao Absolutismo e fiéis ao Iluminismo, constavamnautores como Voltaire, Montesquieu, Holbach, Mably, Rousseau ou Diderot.

Para ler o artigo completo, clique aqui.

AOS 19 ANOS, ELE LÊ MAL. LEIA MAIS…

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