O NAZISMO EM PERNAMBUCO

31 07 2011

A ligação com a família Lundgren.
“Não somos nazistas”
Por Suetoni Souto Maior
Descendentes da família Lundgren, que construiu um império econômico, negam ligação com nazismo

Entrevista com o empresário

Primos Lundgren abriram o casarão para contar a história da família e negar relação com o Partido Nazista. Passados 66 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, são quase inevitáveis
as referências à família Lundgren, uma das mais poderosas do Brasil no século
XX, sem que alguém lembre a proximidade dela com os alemães e, em alguns
casos, façam referências a uma suposta ligação do clã com o nazismo. Uma pecha
combatida sem trégua pelos descendentes, mas que ganhou força, recentemente,
com a abertura dos arquivos da Delegacia de Ordem Política e Social (Dops). As
referências, é fácil imaginar o porquê, são odiadas pela família.

“Os Lundgren não são, nunca foram e nunca serão simpáticos ao nazismo”,
garantem dois representantes da terceira geração da família de origem sueca
e dinamarquesa, radicada no Brasil, Nilson Nogueira Lundgren, 74, e Albenita
Lundgren Illi, 73. O objetivo deles é pôr fim a uma acusação que se arrastou ao
longo de praticamente todo o século passado e que ganhou fôlego em referências
feitas através de prontuários e fotos arquivadas pelo Dops.

Os documentos, fruto da espionagem feita pelo temido serviço secreto brasileiro
durante a Era Vargas (1930-1945), trazem relatos sobre reuniões do Partido Nazista em Pernambuco a partir de 1932 e que ocorreram com regularidade até 1938. O roteiro de encontros, segundo o Dops, incluía as instalações da Companhia de Tecidos Paulista e a própria casa grande, pertencentes à família. Uma informação negada veementemente pelos Lundgren.

“Olhei as fotografias. Desafio qualquer um a percorrer todos os cômodos dessa
casa e provar que aqui existe esse piso”, disse de forma enfática Nilson Lundgren,
apontando para reportagem publicada no Diario de Pernambuco, no dia 10 de julho, ilustrada com a foto de uma reunião do Partido Nazista, que teria ocorrido na casa grande, residência oficial da família. Uma informação tratada como errônea pela família.

O envolvimento com o nazismo é contestado pelos Lundgren, que se referem à
relação com os alemães apenas como o trato entre empregadores e empregados.
A informação, inclusive, conta com uma concordância do diretor do Arquivo Público
do estado, Paulo Moura. Ele assegura, no entanto, com base nos arquivos do Dops, que apesar de não haver registros sobre a participação da família nas reuniões, elas corriam, sim, em Paulista.

Os prontuários do Dops, pontua Moura, revelam que a fotografia da reunião do Partido Nazista, publicada pelo Diario, teria sido feita no escritório da Fábrica de
Tecidos Paulista. Uma informação contestada por Nilson Lundgren. “Não conheço,
mas arriscaria dizer que essa foto foi feita no consulado alemão. Não temos esse
piso por aqui”, enfatizou, sem fazer referência à arquitetura germânica também presente no casarão.

Na verdade, a relação dos Lundgren com os alemães é bastante antiga e remonta
à chegada do patriarca da família, Herman Theodor Lundgren, ao Recife, em 1852.
Fluente em quatro idiomas (sueco, inglês e alemão) e já dominando o português,
ele logo tornou-se cônsul dos países nórdicos em Pernambuco. Daí, fundou um
Ship Chandlers (abastecedora de navios) e, com isso, deu início à construção do
império da família no Brasil.

Um sucesso que teve seu maior impulso com a construção de uma fábrica
de pólvora, ainda no século XIX, a primeira da América Latina e que surgiu
da sociedade com um alemão. De terras germânicas vieram o maquinário e o
conhecimento técnico para o projeto. “A Alemanha era a maior potência do mundo.
Tudo o que era maquinário vinha de lá”, lembrou Nilson Lundgren, ao falar da
Pernambuco Powder Factory.

A afinidade com os alemães não acabou por aí. Com a morte de Herman, em
1907, Frederico João Lundgren assumiu os negócios da família e deu início, em
1908, ao plano para criar, a partir de Pernambuco, o maior grupo fabril da América
Latina. E tudo começou com a compra da Companhia de Tecidos Paulista, na
cidade que deu nome à fábrica. O plano, para sair do papel, exigia três coisas:
dinheiro, maquinário e mão de obra altamente especializada.

O dinheiro para financiar o projeto veio do Bank of London and South America. Já
o maquinário e a mão de obra vieram da Alemanha. Eram engenheiros, mecânicos, operadores de caldeira, etc. Eles montaram as máquinas, construíram as fábricas de Paulista, em Pernambuco, e Rio Tinto, na Paraíba. Depois ficaram para manter a operação. Uma imigração incrementada após a derrota da Alemanha na Primeira Guerra, que deixou a economia do país destruída.

O número de alemães trabalhando na fábrica era pequeno dentro do universo
de 30 mil operários das duas unidades fabris. Girava em torno de 100, todos em
funções técnicas. Eles, inclusive, tinham participação ativa na sociedade. Os cargos
de direção ficavam com os ingleses. O presidente da companhia, após a sua
fundação, era inglês. “Era mister Donald Valentine”, lembra Nilson. Havia também
cerca de 100 britânicos na empresa. Apesar da paridade entre alemães e britânicos nas fábricas, por causa do nazismo e da entrada do Brasil na Segunda Guerra, a presença alemã passou a ser vista com desconfiança. E sua imagem ligada aos Lundgren. Inclusive com muita carga negativa. “Ainda hoje somos abordados por pessoas que nos dizem: ‘Ah! Você é Lundgren. Sua família é alemã?’ Aí digo: de alemã eu não tenho nada. A origem da minha família é de suecos e dinamarqueses. Falo alemão porque meu marido é suíço. Só isso”, enfatizou Albenita Lundgren.

Saiba mais

Companhia de Tecidos Paulista

Hierarquia na fábrica

Ingleses cargos de direção

Alemães cargos técnicos

Italianos área comercial

Portugueses área comercial

Brasileiros áreas menos especializadas

Total de empregados

15 mil Paulista (PE)

15 mil Rio Tinto (PB)

Outros números

200 km de ferrovia própria

20 mil hectares para o plantio de 150 milhões de pés de eucaliptos usados para gerar energia nas caldeiras

6 milhões de metros de tecido por mês eram produzidos
na fábrica

CLIQUE AQUI E SAIBA MAIS.

Fonte: Diário de PE.





A HISTÓRIA DAS COISAS

23 06 2011

CLIQUE NO LINK ABAIXO E VEJA ESTE VÍDEO MUITO INTERESSANTE E ESCLARECEDOR ( EM PORTUGUÊS ).
http://video.google.com/googleplayer.swf?docid=-7568664880564855303&hl=pt-BR&fs=true





HISTÓRIA DO BRASIL EM FILMES PELA INTERNET

17 06 2011


O Instituto Claro, em parceria com a Conspiração Filmes, apoia a série “Histórias do Brasil”, que mostra fatos importantes do país nos últimos cinco séculos a partir de uma mescla de dramaturgia e documentário. Unindo cenas de ficção a entrevistas com alguns dos maiores estudiosos da vida brasileira, o projeto reconta passagens da trajetória dos brasileiros através dos hábitos, costumes e “pequenas histórias” dos cidadãos de cada época retratada.

Clique aqui para ver.





A COLONIZAÇÃO DA ÁFRICA DO SUL

10 06 2010

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OS CÃES TAMBÉM TÊM HISTÓRIA

18 05 2010


O melhor amigo
Companheiros há cerca de 13 mil anos, os cães ganharam centenas de formatos
por Tiago Cordeiro

Há 135 mil anos, alguns lobos cinzentos do leste asiático ganhavam características diferentes. Logo eles passariam a acompanhar os hominídeos, ajudando-os na busca de alimentos – e, claro, deliciando-se com as sobras. Com o passar do tempo, no entanto, os cães foram totalmente integrados à rotina humana. De acordo com estimativas mais conservadoras, há 13 mil anos (no mínimo) eles estão completamente domesticados. “A parceria entre seres humanos e cães é uma das mais bem-sucedidas da natureza. É algo extremamente vantajoso para ambos”, diz a pesquisadora americana Karen Overall, do Centro de Neurologia e Comportamento da Universidade da Pensilvânia.

Os cachorros acompanharam a humanidade desde as primeiras viagens exploratórias – há quem diga que a travessia pelo estreito de Bering (entre Ásia e América) só foi possível com o suporte deles. São caçadores, protetores e policiais. Ao longo do tempo, desenvolveram a capacidade de se moldar às necessidades do amigo bípede. “Nenhum outro mamífero existe com tal variação de cores, tamanhos, pesos e tipos de pelo”, afirma Adam Miklosi, chefe do departamento de Etologia da Universidade Eötvös, na Hungria. São 701 diferentes linhagens (o termo “raças” é incorreto). E o futuro promete que esse número se multiplique exponencialmente.

Para todos os gostos
As principais linhagens e a época em que elas surgiram

5000 a.C. – Força e rapidez
Existem alguns candidatos a primeiro tipo de cão conhecido. O mais forte deles é uma versão do greyhound. Variedades desse animal forte e rápido (corre até 65 km/h) foram localizadas no Egito antigo, no Oriente Médio e no atual Afeganistão.

4000 a.C. – Apoio e comida
Na China, o chow chow é companheiro nas caçadas e o sharpei é colocado em rinhas de luta – ambos também vão para o prato (hoje, de 11 milhões a 13 milhões são consumidos na Ásia por ano). Cerca de 2 mil anos depois surgiriam os pequineses.

3500 a.C. – Nobreza árabe
Cerâmicas do Irã documentam a existência do saluki – cuja imagem está presente em tumbas egípcias de 2100 a.C. Seu porte nobre e sua agilidade na caça conquistaram povos avessos ao animal, como os árabes. Na Índia, os saluki deram origem aos kanni.

1000 a.C. – Companhia no gelo
Fundamentais para os primeiros moradores da região gelada da Sibéria, os huskies siberianos são uma das poucas linhagens ligadas diretamente aos mais antigos antepassados. O nome vem de “eskie”, como eram chamados pelos inuits, tribo que habitava a região.

800 a.C. – Moradores de mosteiros
No Tibete, os lhasa apso eram usados como cães de guarda dos monges. Séculos depois, viajantes europeus encontrariam outra linhagem, que batizaram de “terrier tibetano” – ele não é um terrier, mas uma linhagem que remonta aos antepassados da raça.

Século 4 a.C. – Latidos mitológicos
A mitologia grega fala de Cérbero, o cão infernal de três cabeças. Homero cita Argus em sua Odisseia. Os gregos são considerados os primeiros povos ocidentais a tratar os cachorros como parte da família. Platão dizia que o seu era um “amante do aprendizado”. Os cães antigos da Grécia dão origem ao atual mastim espanhol.

Século 1 – No pastoreio
As legiões romanas usavam o rottweiler no pastoreio. Em viagens para os recantos da Europa, também descobriram as variedades de hounds e mastifes dos britânicos. Essas linhagens dariam origem a várias outras conhecidas. Dos hounds, por exemplo, saem os beagles.

1000 – Linhagens nobres
Os reis do fim da Idade Média valorizam as raças consideradas puras, cujo cruzamento é estritamente controlado. Os bloodhounds (nome que vem de “sangue puro”) ganham coleiras de ouro. Misturados ao mastife e ao antigo buldogue, eles iriam gerar o fila brasileiro.

1880 – Bom companheiro
O labrador começou a surgir no Canadá, na província que ganharia o nome da linhagem. Era uma mistura de cães de origem europeia, incluindo o mastim. Um dos cachorros foi levado à Inglaterra, onde nobres ingleses continuaram fazendo cruzamentos até chegar a esse animal dócil.

1890 – Cão de guarda
O alemão Karl Friedrich Dobermann (1834-1894) tinha um emprego perigoso (coletar impostos) e queria um animal que o defendesse. Ele cruzou pelo menos quatro raças para gerar o dobermann, uma versão gigante do pincher – que existe desde pelo menos o século 15.

1899 – Sob medida
A fim de gerar e identificar novas linhagens, a Sociedade Phylax busca novas espécies para isolar e reproduzir. Um de seus líderes, Max von Stephanitz (1864-1936), anuncia a descoberta mais famosa do grupo: o pastor alemão, criado a partir da mistura de diferentes animais.

2010 – Sem limite
Fazendeiros norte-americanos fazem cruzamentos para criar (e vender) novas raças. A atividade deu origem a labradoodles (labrador com poodle) e cookerpoos (cocker spaniel americano com poodle miniatura).





A ANOREXIA NA HISTÓRIA

18 05 2010


Anorexia
Anorexia: A magreza já foi santa
Se hoje as mulheres param de comer para atingir um padrão de beleza, na Idade Média as anoréxicas procuravam a comunhão com Deus
por Álvaro Oppermann
A adolescente italiana Catarina Benincasa, filha de um artesão da Toscana, não conseguia mais comer. Magérrima e extremamente pálida, ingeria por dia um pedaço de pão com ervas cruas. Às vezes, o estômago não suportava nem esse pouco e ela vomitava. Catarina não era obcecada por um corpo esbelto. Longe disso – estava se lixando para a beleza física. Mais tarde, ficou conhecida como Santa Catarina de Sena (1347-1380). E virou uma das jejuadoras mais ilustres da história.
Por toda a Idade Média, centenas de moças, como Catarina, deixaram de comer para sofrer como Jesus Cristo. Caso, por exemplo, das mulheres que ficaram conhecidas como Santa Clara de Assis (1193-1253) e Santa Rosa de Lima (1586-1617), esta última peruana. Só assim acreditavam entrar em comunhão com Deus.
Hoje, historiadores denominam esse tipo de comportamento de “anorexia santa”, que tem sintomas parecidos com os da moderna anorexia nervosa. A doença, atualmente, é considerada um transtorno do comportamento alimentar que se caracteriza por uma grave restrição de ingestão de alimentos, pela busca incessante da magreza, distorção da imagem corporal (a pessoa acha todo mundo magro, menos ela), medo mórbido de engordar e ausência de fluxo menstrual. “Através dos séculos, os médicos depararam com sinais e sintomas similares, mas suas interpretações foram coloridas pelas crenças da sociedade em que viveram”, diz o médico inglês J.M. Lacey, autor de um artigo sobre o tema para o British Medical Journal.
O hábito de jejuar existe na história ocidental desde pelo menos o Egito antigo. Lá, quem quisesse ser iniciado nos mistérios dos deuses Ísis e Osíris tinha de passar antes uns bons dias sem comer. A Bíblia está repleta de casos de jejuns voluntários, praticados, por exemplo, por Moisés e Jesus Cristo. Até no Oriente, reza a lenda que Sidharta Gautama, o Buda histórico, jejuou intensamente antes de atingir a iluminação. Mesmo quem desconhecia o jejum para fins místicos, como os gregos, o adotavam: Hipócrates (460-370 a.C.) o receitava como tratamento de doenças.
Segundo a psicanalista Cybelle Weinberg e o psiquiatra Táki Cordás, autores do livro Do Altar às Passarelas – Da Anorexia Santa à Anorexia Nervosa, depois da Idade Média a Igreja começou a ver com maus olhos os casos das santas jejuadoras – poderia ser possessão diabólica, e não santidade – e o hábito caiu em desuso. Nos conventos, bem entendido, porque o jejum migrou para as feiras populares. No século 17, várias moças que, garantia-se, passavam semanas sem comer, se apresentavam para o povão. Eram as “virgens jejuadoras”. Uma delas, a inglesa Martha Taylor, de 19 anos, dizia ter jejuado por 13 meses. No século 19, outra virgem, Sara Jacobs, teve um fim trágico. Aos 10 anos, foi posta pelos pais como atração de circo nos Estados Unidos, mas acabou morrendo aos 12 de inanição. Os pais de Sara, considerados culpados de negligência, foram condenados a trabalhos forçados.

Greve de fome
Conheça algumas mulheres famosas que tiveram a doença
Santa Vilgefortis (século 8)
Diz a tradição que, quando o pai a prometeu em casamento para um nobre dissoluto, a portuguesa Vilgefortis – que queria entrar para o convento – fez um jejum rigoroso. Pediu também para Deus que a enfeasse. Dito e feito. Pêlos teriam começado a crescer em seu corpo cadavérico. O nobre, assustado, pulou fora.
Santa Clara de Assis (1193-1253)
A italiana não comia nada durante três dias da semana. Nos outros, passava quase sempre a pão e água. Para as irmãs da sua ordem, porém, recomendava moderação.
Santa Rosa de Lima (1586-1617)
A peruana comia apenas três dias por semana. O cardápio nunca mudava: batatas com ervas amargas.
Santa Verônica Giuliani (1660-1727)
Na sexta-feira, esta italiana só comia cinco sementes de laranja, em memória às cinco chagas de Cristo.
Sara Jacobs (1857-1869)
A irlandesa começou a jejuar cedo. Virou atração de circo, mas morreu aos 12 anos de inanição.
Santa Catarina de Sena (1347-1380)
Também italiana, a moça, além dos jejuns rigorosos que fazia, só dormia uma hora a cada dois dias.
Mary Stuart (1542-1587)
Herdeira do trono inglês, suspeita-se que teve anorexia – mas morreu executada, a mando da rainha Elizabeth I.
Katherine Anne Porter (1890-1980)
Escritora americana anoréxica, foi a primeira a tratar do tema na ficção, no romance Old Mortality, de 1937.
Juliette Greco (1927)
A cantora francesa teve anorexia – dizem que após o jazzista Miles Davis acabar um romance com ela, em 1949.
Jane Fonda (1937)
A atriz americana lutou contra a anorexia dos 15 aos 40 anos.
Sally Field (1946)
Quando a americana fazia A Noviça Voadora, nos anos 60, pesava 45 quilos para 1,70 metro.
Karen Carpenter (1950-1983)
A americana da dupla pop The Carpenters era gordinha na infância e ficou obcecada com a magreza ao se tornar famosa. Morreu em 1983, de anorexia.
Diana Spencer (1961-1997)
A princesa de Gales confessou que teve anorexia e bulimia (comia e provocava o vômito).
Victoria Désirée Bernadotte (1977)
A princesa é filha do rei Gustaf da Suécia e da rainha brasileira Silvia. Em 1997, veio à tona o seu distúrbio alimentar.
Keira Knightley (1985)
A atriz inglesa, do filme Piratas do Caribe, teve avó e a bisavó anoréxicas. Ela garante que não é…
Ana Carolina Reston (1985-2006)
A modelo Ana Carolina Reston Macan morreu em novembro do ano passado por causa de problemas decorrentes da anorexia. Ela tinha 19 anos e pesava 42 quilos – e reacendeu a polêmica da ditadura da magreza.





HISTÓRIA DAS COPAS DO MUNDO

28 04 2010


PROMETI PARA ALGUNS ALUNOS, DISPONIBILIZAR INFORMAÇÕES SOBRE A HISTÓRIA DAS COPAS DO MUNDO E ENCONTREI UM SITE DE DOCUMENTÁRIOS CONFIÁVEL ( BBC DE LONDRES ), QUE É UM DOS MAIORES E MELHORES DO MUNDO NO RAMO.

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DURANTE A COPA, PUBLICAREI HISTÓRIAS E CURIOSIDADES SOBRE ALGUNS PAÍSES E POVOS ENVOLVIDOS, NO MAIOR EVENTO FUTEBOLÍSTICO DA TERRA.





HIPÁCIA, MORTA POR INTOLERÂNCIA

3 04 2010


Em época de Páscoa (passagem), é sempre bom lembrar que a arrogância e a intolerância religiosa negam historicamente o sacrifício de Jesus. Um desses momentos se deu em Alexandria (Egito), num mês de março, no ano de 415.

Uma mulher foi arrastada pelas ruas, despida, descarnada dentro de uma igreja e seus membros foram arrancados e queimados por ser pagã. Ou melhor, por não ser Cristã. Hipácia é o nome desta filósofa, matemática, professora, conselheira política e belíssima mulher. Que certamente não foi morta apenas por questões religiosas, mas também por questões políticas e ser uma mulher que se destacava num mundo controlado pelo masculino.

Clicando aqui, o leitor/ra será conduzido/a a uma página que tratará do assunto com bastante propriedade.

Boa leitura!





Joaquim José, o Tiradentes

27 03 2010


Herói, idealista e líder que demonstrou caráter ímpar em face do julgamento e da morte, ou simples figurante numa conspiração de ricos e poderosos?
por F. G. Yazbeck
Manhã de 21 de abril de 1792. O condenado é conduzido pelas ruas do Rio de Janeiro, cercado pela tropa, desde a prisão até o patíbulo instalado no largo da Lampadosa. A cabeça e a barba raspadas, coberto por uma túnica grosseira e portando um crucifixo, sobe calmamente os degraus, acompanhado do frei encarregado de lhe dar o amparo de orações na hora da morte. A multidão reunida assiste a tudo consternada. Ao atingir o patamar, o homem dirige-se ao carrasco e pede-lhe que abrevie seu sofrimento, ao que este responde pedindo perdão, pois apenas cumpria o que mandava a lei. Tão logo o corpo ainda vivo do Tiradentes projetou-se no espaço vazio, o carrasco Capitania jogou-se sobre seus ombros, firmando-se na corda e forçando seu peso sobre o do enforcado para apressar sua morte.

Cumpria-se assim a sentença pronunciada três dias antes, que condenava o réu “a com baraço e pregão ser conduzido pelas ruas publicas ao lugar da forca e nella morra morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Villa Rica aonde em lugar mais publico della será pregada, em um poste alto até que o tempo a consuma, e o seu corpo será dividido em quatro quartos, e pregados em postes pelo caminho de Minas” (sic).

SAIBA MAIS. CLIQUE.





O JESUS HISTÓRICO

25 03 2010


Estamos bem próximos da Semana Santa e tantas “vias crucis” serão realizadas pelo mundo afora. E tantas opiniões e polêmicas devem circular acerca deste homem (?) e ou mito (?) chamado Jesus Cristo, cuja história comove milhões.
O Mania de História para não ficar de fora desta polêmica boa, deixamos o link abaixo para os curiosos e insatisfeitos de plantão darem uma pesquisada e quem sabe, chegarem a alguma conclusão.
Boa Leitura!

CLIQUE AQUI.





BREVE HISTÓRIA DO CARNAVAL DE PERNAMBUCO

14 02 2010


A História do Carnaval
de Pernambuco, Brasil.

A História do Carnaval

Os festejos carnavalescos foram trazidos pelos portugueses com o nome de entrudo. Era uma brincadeira violenta, onde os foliões lançavam farinha, tinturas e até água suja. Foi proibida oficialmente e aos poucos as batalhas passaram a usar confete e serpentina.

No século XIX, surgem o frevo e o passo, dando ao carnaval de Pernambuco uma identidade única no Brasil. A partir de então, operários urbanos organizaram as primeiras agremiações nos bairros populares.

No início, muitas corporações mantiveram identidade profissional: os caiadores desfilavam juntos, assim como os lenhadores. Mas, com o tempo, foram sendo criados clubes mais abertos, com nomes engraçados: Canequinhas Japonesas, Marujos do Ocidente, Toureiros de Santo Antonio.

Ao lado dos maracatus, dos ursos, dos caboclinhos, das escolas de samba, estes clubes, troças e blocos, unindo as influências européias, africanas e indígenas, transformaram o carnaval de Pernambuco no maior caldeirão cultural do Brasil.

Para saber mais da História do Carnaval

A palavra carnaval deriva do latim carnem levare (abstenção da carne) – pois a festa sempre foi comemorada no período que antecede a quaresma, quando se praticava a abstinência da carne. Como diversão popular, o carnaval assume as peculiaridades dos lugares onde ocorre. Todos os carnavais são reminiscências das festas dionisíacas da Grécia Antiga, das bacanais de Roma e dos bailes de máscara do Renascimento.

Se você quer saber mais sobre o Carnaval de Pernambuco, visite a Casa do Carnaval. Ela fica no Pátio de São Pedro, casa 52, bairro de São José, e possui um belo acervo de máscaras, estandartes, roupas de antigas agremiações, além de documentos e mais de mil partituras carnavalescas. Os telefones são: 0055 – 081 – 3424.4942 e 0055 – 081 – 3424.1561.





A FORÇA DOS NATIVOS

28 11 2009


O retorno dos incas

Depois de quase cinco séculos, os índios voltam a ganhar espaço na vida política da América Latina
por Fred Linardi

No ano 1533, o assassinato do rei Atahualpa marcou a queda do Império Inca, que havia surgido no século 13 e rapidamente alcançado o posto de maior território unificado da América pré-colombiana, com 1,8 milhão de quilômetros quadrados de extensão. Depois que os espanhóis dominaram a região, passaram-se quase 500 anos sem que os nativos tivessem espaço na política da América Latina. E, de fato, ainda hoje vários países de grande população indígena têm poucos representantes no governo – entre eles, o Peru, onde fica Cuzco, a antiga capital dos incas. Nos últimos anos, essa situação começou a mudar, pelo menos em um local: a Bolívia.

“Antes, os indígenas bolivianos só trabalhavam como carregadores em supermecados ou como empregados domésticos. Agora é possível encontrá-los diante de uma mesa de escritório”, afirma Vivian Urquidi, professora do Observatório de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo. Essas alterações começaram em outubro de 2005, quando o descendente de índios Evo Morales foi eleito presidente. Além de declarar como oficiais as 36 línguas faladas em território nacional, ele levou os nativos a cargos políticos de grande responsabilidade. A ministra da Justiça, Casimira Rodríguez, que era líder sindical da etnia quíchua, é um desses casos. A vereadora Gumercinda Quisbert, o ministro da Água, Abel Mamani, e o deputado Ricardo Díaz são outros nomes locais situados em importantes gabinetes.

Mas não é só a eleição de Morales que explica essa mudança. “O contingente indígena da Bolívia é bem mais politizado que em outros países vizinhos. Há décadas essas pessoas se organizam em sindicatos”, diz a professora Vivian. Desde que o país se tornou uma república independente, em 1825, a população índia, que hoje soma 85% do total, organiza protestos contra a política de distribuição de terras, que, segundo os manifestantes, é discriminatória. Em meados do século 20, os nativos chegaram a ocupar o poder por poucos anos. Foi em 1952, quando uma revolução levou o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) ao governo. O grupo nacionalizou as minas bolivianas, iniciou uma reforma agrária e instituiu o voto universal – até então, mulheres e índios não votavam. Também nessa época surgiram os movimentos campesinos, formados por plantadores de coca, uma planta muito consumida por etnias locais, que a usam para fazer chá ou mastigar sua folha. A grande importância cultural dos “cocaleros” deu força política à Federação do Trópico de Cochabamba. Em 1997, a entidade levou seu presidente, Morales, a conquistar uma vaga no Congresso. Como mandatário do país, em 2007 ele elaborou uma nova Constituição. Entre as leis que encontram mais resistência estão a que obriga todo presidente boliviano a falar pelo menos um dialeto indígena e a que cria tribunais locais com juízes nascidos na região onde atuam. A Carta precisa ser aprovada em plebiscito.

FORÇA NATIVA
A situação dos índios no continente

EQUADOR
População indígena: 25%
Situação: Lideram uma grande entidade social, a “Confederación de Nacionalidades Indígenas del Ecuador”. Em 1990, paralisaram o país com confllitos por terra. Em 1997, ajudaram a derrubar o presidente Abdalá Bucaram

PERU
População indígena: 40%
Situação: Na terra de Cuzco e Machu Picchu, os poucos índios que alcançam cargos políticos evitam assumir publicamente a condição de mestiços

CHILE
População indígena: 5%
Situação: No início deste ano, o assassinato de um estudante de ascendência mapuche causou forte pressão contra o governo, que reagiu criando às pressas uma coordenadoria de políticas indígenas.

GUATEMALA
População indígena: 40%
Situação: Depois de forte repressão nos anos 70 e 80, hoje o país conta com quase 20 deputados indígenas e uma ministra descendente de maias.

BRASIL
População indígena: 0,2%
Situação: Em 2005, o índio José Nunes se tornou o primeiro prefeito a governar um município brasileiro. O local é São João das Missões, aldeia ao norte de Minas Gerais, que também passou a ter dois vereadores descendentes.





PROJETO “CONHECENDO PERNAMBUCO”

4 12 2008

Em parceria com a Empresa de Transportes NORTE-SUL, a Escola Monsenhor João Rodrigues de Carvalho realiza mais uma aula-passeio sob a coordenação do Prof. de História Luís Carlos Lins. A visita foi ao Sítio Histórico de Igarassu/PE. Um dos espaços de preservação histórica mais importantes do Brasil.

As imagens expostas são do Convento do Sagrado Coração de Jesus( o mais antigo do Brasil), do Museu Histórico de Igarassu e da Igreja dos Santos Cosme e Damião, a mais antiga igreja em funcionamento do País.
Clique nas imagens para aproximar





A MÃO-DE-OBRA INDÍGENA

8 12 2008

A mão-de-obra indígena
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Os europeus acreditavam que o trabalho braçal denegria o caráter e a importância da pessoa. Por isso, recusavam-se a trabalhar na terra e no artesanato. No Brasil, não foi diferente. Os colonizadores associaram imediatamente o trabalho à ausência de liberdade, ou seja, à escravidão.

Recusa da escravidão

Os indígenas foram os primeiros escravos do Brasil. A partir de 1570, a Coroa começou a tomar medidas para impedir essa escravização, ao mesmo tempo que incentivava a importação de africanos. Em 1758, Portugal determinou a libertação definitiva dos índios. Vários motivos influenciaram essa decisão:

• Os índios resistiam à escravização, guerreando, fugindo ou negando-se a trabalhar.

• Os indígenas não resistiam às doenças dos brancos, como sarampo, varíola e gripe. Morriam aos milhares.

Índios dizimados: Entre 1562 e 1563, por exemplo, mais de 60 mil índios foram dizimados por duas epidemias de varíola, conhecidas como a ‘peste de bexigas’.





DIVULGAÇÃO: ENCONTRO DE ANTROPOLOGIA

8 12 2008

O próximo encontro de antropologia Norte-Nordeste e Equatorial será na UFRN, em Natal, de 19 a 22 de Agosto.

Prof. Carlos Guilherme do Valle
Dep. de Antropologia, PPGAS/UFRN
Coordenador Geral REA/ABANNE 2009

Propostas de GTs, Mesas e Fóruns, até dia 29 de Dezembro.
Veja detalhes no edital, no link:

http://www.cchla.ufrn.br/REA2009/REA.html





CAUSAS ESTRUTURAIS DA CORRUPÇÃO NO BRASIL

8 12 2008

TEXTO REFLEXIVO EM ALUSÃO AO “DIA INTERNACIONAL DE COMBATE À CORRUPÇÃO”
Causas estruturais da corrupção no Brasil

ANTÔNIO INÁCIO ANDRIOLI
Doutorando em Ciências Sociais na Universidade de Osnabrück

1. O conceito de corrupção

Existem no Brasil muitas palavras para caracterizar a corrupção: cervejinha, molhar a mão, lubrificar, lambileda, mata-bicho, jabaculê, jabá, capilê, conto-do-paco, conto-do-vigário, jeitinho, mamata, negociata, por fora, taxa de urgência, propina, rolo, esquema, peita, falcatrua, maracutaia, etc. A quantidade de palavras disponíveis parece ser maior no Brasil e em países onde a corrupção é visualizada cotidianamente. Originalmente, a palavra corrupção provém do latim Corruptione e significa corrompimento, decomposição, devassidão, depravação, suborno, perversão, peita. A corrupção, entretanto, dependendo do contexto, nem sempre assume uma conotação negativa. Ela constitui, por exemplo, a base para o desenvolvimento da linguagem: a língua portuguesa resultou de um “corrompimento”, da modificação do latim, cuja variante brasileira é ainda mais dinâmica e viva (mais corrompida, portanto) do que o português de Portugal. Na linguagem política contemporânea, no entanto, a corrupção sempre assume uma conotação negativa, o que, visto numa perspectiva histórica, não foi sempre assim. Historicamente, a corrupção esteve associada ao conceito de legalidade, ou seja, corrupto era caracterizados aquele que não seguia as leis existentes. Mesmo determinados termos extremamente negativos que atualmente são usados para designar formas de corrupção, como a peita, o nepotismo e o peculato, não tinham essa conotação até há poucas décadas atrás: a peita estava instituída como um pacto entre os fidalgos e a plebe nos regimes monárquicos para garantir o pagamento de tributos do povo aos nobres; o nepotismo era reconhecido como um princípio de autoridade da Igreja na Idade Média, segundo o qual os parentes mais próximos do Papa tinham privilégios sociais aceitos pela sociedade da época; o termo peculato, originalmente, indica que o gado constituía a base da riqueza de determinados grupos sociais privilegiados e, posteriormente, a expressão “receber o boi” passou a ser usada para designar “troca de favores”, pois o gado servia como uma forma de moeda em certas regiões rurais. O termo peculato, atualmente utilizado para caracterizar favorecimento ilícito com o uso de dinheiro público, continua com essa referência histórica de que para ter acesso a determinados privilégios é necessário um favor em forma de contrapartida.

No Brasil se associa a esse contexto histórico a assim chamada Lei de Gérson, ou seja, o comportamento de querer “tirar vantagem em tudo”, pressupondo que os sujeitos aguardam o máximo possível de benefícios, visando exclusivamente o beneficio próprio. Esse tipo de comportamento, contudo, se adapta perfeitamente ao “espírito capitalista”, como pré-condição esperada dos seres humanos numa sociedade centrada nos valores da economia de mercado. Adam Smith, por exemplo, caracterizava esse comportamento como a melhor forma de contribuir com o progresso social (Smith, 1990).

É claro que a corrupção é mais antiga que o capitalismo, mas ela encontra neste modo de produção condições ideais para sua continuidade. Através da instituição da dominação forçada do capital sobre o trabalho[2], a qual permite aos capitalistas a apropriação privada da mais valia gerada pelo trabalho de outros seres humanos, uma das formas mais básicas de corrupção passou a ser reconhecida legalmente na sociedade capitalista. Nesse sentido, a forma moderna da corrupção precisa ser compreendida no contexto da injustiça fundamental presente em todas as sociedades de classes: a injustiça no acesso aos meios de produção, que constitui a origem da desigualdade social e está em frontal contradição com os ideais de democratização, justiça social e solidariedade entre os seres humanos. É por isso que, historicamente, a corrupção é proporcionalmente maior em sociedades com maior injustiça social: onde o contraste entre ricos e pobres é maior. A ausência e a dificuldade no acesso a bens e serviços facilita a privatização de setores públicos e sua transformação em mercadoria, tendo como resultado o seu uso/abuso em benefício privado. Nesse contexto, por exemplo, bens e serviços públicos passam a ser usados como mercadorias em troca de votos em períodos eleitorais e parlamentares votam a favor de determinadas leis se houver a possibilidade de, com isso, aumentar recursos no orçamento para as regiões onde se concentra o maior número de seus eleitores (através das famosas “Emendas Parlamentares”).

A corrupção é um fenômeno mundial e, de acordo com a declaração final do IV Fórum Global de Combate à Corrupção, realizado de 7 a 10 de junho de 2005 em Brasília, ela impõe “ameaças à democracia, ao crescimento econômico e ao Estado de Direito”. De acordo com esse entendimento, o IPC (Índice de Percepção da Corrupção)[3] serve de parâmetro internacional para investimentos do Banco Mundial, supostamente para impedir que os créditos internacionais sejam utilizados de forma indevida por governos corruptos e para comprometer governos a tomar medidas de combate à corrupção. Por outro lado, essa forma de proceder vem sendo usada como argumentação para justificar o subdesenvolvimento de países pobres. Nos países mais pobres, especialmente na África, há uma ampla aceitação da tese de que a corrupção origina o subdesenvolvimento, como se a existência da estrutura social injusta nestes países fosse meramente o resultado de “maus governos”. Com essa linha de argumentação são omitidas as causas estruturais e históricas da corrupção, por um lado, e, por outro, a responsabilidade dos países colonizadores (os quais continuam sendo beneficiados através da dependência e subordinação de muitos países pobres) passa a ser transferida à população oprimida ou a seus governos, como se estes fossem os “culpados pelo seu subdesenvolvimento”.

A percepção do tamanho da corrupção e da sua amplitude, entretanto, está pouco vinculada à existência do IPC, se comparada à importância dos meios de comunicação, do acesso a informações, da transparência de governos e, não por último, do próprio combate à corrupção. Governos que tomam medidas efetivas de combate à corrupção contribuem de forma decisiva para que a opinião pública se ocupe desta temática e identifique ações corruptas como um problema. No Brasil, historicamente, a maioria dos casos de corrupção se tornaram públicos somente em função de conflitos privados. Por isso, o país está confrontado com uma situação completamente nova, pois, no governo Lula, as denúncias de corrupção resultaram de um confronto político: políticos subornados foram à imprensa apresentando-se como “vítimas” à opinião pública, com o objetivo de atacar o PT, reforçar a oposição e impedir a reeleição de Lula. Isso explica a satisfação de políticos de direita no país, alguns deles (como Jorge Bornhausen[4]) acreditam inclusive, terem a oportunidade de, finalmente, poderem “acabar com essa raça” (referindo-se ao PT). A corrupção segue servindo de instrumento político na campanha eleitoral, coerente com a estratégia das elites brasileiras corruptas de apresentá-la à sociedade como um “problema endógeno da cultura brasileira”. A naturalização da corrupção, ou seja, a tentativa de apresentá-la como sendo algo natural e óbvio (utilizando expressões típicas de que “ela sempre existiu”, “todos são corruptos e corrompíveis”, “precisamos saber conviver com a corrupção, assim como convivemos com as estações do ano”), reduz a possibilidade de combater efetivamente ações corruptas, embora estas sejam construídas por seres humanos e, por isso mesmo, poderiam ser justamente controladas e modificadas pela ação humana.

2. O sistema político brasileiro

No debate teórico sobre a corrupção no Brasil podem ser visualizadas, no mínimo, duas grandes correntes de pensamento: a) alguns cientistas políticos partem do pressuposto de que a corrupção brasileira é uma herança do patrimonialismo ibérico; b) outros autores apresentam a ausência de uma história feudal no país como um elemento importante para descrever a falta de separação entre as esferas públicas e privadas, o que seria similar ao patrimonialismo oriental. Em nosso entendimento, entretanto, o desenvolvimento do Brasil está marcado por um processo de modernização e de manutenção do patrimonialismo, ambos ocorrendo ao mesmo tempo. Isso significa que continua existindo uma estrutura de dependência[5] do país em consonância com a manutenção do status quo das elites no país. Por isso, pode-se falar de uma modernização conservadora no Brasil, pois não se trata de uma nova ordem e sim de mudanças pontuais que, em última instância, contribuem para a consolidação da estrutura social injusta e desigual. O conceito de “modernização”, portanto, é constantemente influenciado por elementos econômicos, sociais, políticos e culturais que constituem a base de um debate acerca de diferentes processos de modernização possíveis ao país, diante dos quais os diferentes atores políticos estão confrontados. O desigual acesso aos meios de produção, desde os tempos da colonização, constitui a base do patrimonialismo brasileiro, uma corrupção original que se expressa no âmbito político e que pode ser encontrada de forma semelhante também em outros países latino-americanos. Uma importante particularidade de todo o continente sul-americano é a coexistência entre modos de produção pré-capitalistas e semi-capitalistas, embora o capitalismo tenha se desenvolvido como predominante e sobre ele se concentre prioritariamente a maioria dos estudos e análises críticas. Por isso, particularmente no Brasil, é possível constatar um desenvolvimento capitalista de forma desigual e dependente, com um acesso à modernidade sem que tenha havido uma ruptura com o seu passado patrimonialista.

Nesse sentido, não há um Estado de Direito consolidado no Brasil, e muito menos se poderia falar da existência de um Estado de bem-estar social. O Estado neopatrimonial surgido em decorrência do desenvolvimento desigual e dependente do país serve prioritariamente aos interesses de grandes proprietários de terras, empresários e outros representantes do capital. Trata-se, portanto, de um Estado autoritário e centralizado. Nós defendemos a tese de que quanto mais autoritário e centralizado estiver organizado o poder, maior será a probabilidade de se confundir o interesse público (res publica) com interesses privados. Muitos crimes no Brasil surgem no interior da própria estrutura do Estado e estão com ela conectados, de forma que a criminalidade muitas vezes é incentivada por estruturas estatais (especialmente no interior de setores da polícia e do Poder Judiciário). A maioria dos políticos é eleita como representante de poderosos interesses na sociedade e concorre visualizando a possibilidade de ter acesso a benefícios da estrutura do Estado. Inclusive criminosos se candidatam em eleições com a finalidade de serem protegidos pela imunidade parlamentar, constituindo a assim chamada “bancada do crime” que, de acordo com Francisco Weffort, já chegou a atingir 10% do Congresso Nacional.

A falta de transparência, a exclusão da maioria da população das decisões políticas mais importantes, a baixa participação política da sociedade civil e a impunidade com relação à corrupção são as conseqüências do sistema político brasileiro, constituindo um ciclo vicioso que facilita ações corruptas. Soma-se a isso a tendência de crescente profissionalização da política, o que aumenta o custo das campanhas eleitorais e a dependência de candidatos de empresários dispostos a “investir em seu futuro”. Também não devemos subestimar que o interesse de obter um cargo público como troca de favor em governos aumenta significativamente em tempos de altas taxas de desemprego. Somente no governo federal brasileiro há em torno de 25 mil cargos de confiança que podem ser “trocados” dependendo do resultado de cada eleição. Especialmente o sistema eleitoral brasileiro contribui para que a corrupção seja vista como parte integrante da política. A ausência de limites no financiamento privado de campanhas eleitorais aumenta a probabilidade de um futuro beneficiamento de empresas com dinheiro público e o fato da maioria dos partidos políticos não terem um programa político claramente definido os transforma em instrumentos políticos a serviço de grandes empresários. O voto na pessoa (motivado por critérios e influências pessoais), a ausência de fidelidade partidária, a constante troca de partidos e a constituição de alianças políticas antes das eleições são fatores que aumentam significativamente a tendência de transformar votos em mercadorias. Soma-se a isso o sigilo bancário que facilita a “lavagem de dinheiro” e as concessões de meios de comunicação a políticos, aumentando o potencial de manipulação da opinião pública. A experiência política brasileira demonstra claramente que a tão propalada democracia representativa não é democrática nem representativa, pois não existe a soberania popular, não há a responsabilidade dos eleitos com relação aos eleitos, e inexistem mecanismos de controle dos eleitos após as eleições, um contexto no qual o combate efetivo à corrupção se torna realmente muito difícil.

3. A cultura política

Mesmo que a corrupção no Brasil esteja principalmente relacionada ao sistema político e ao modelo de desenvolvimento econômico, é possível visualizar uma linha de continuidade entre a vida cotidiana e a corrupção. Essa percepção vem sendo constantemente estimulada por parte de jornalistas e políticos conservadores, os quais apresentam a corrupção como uma espécie de “lei da natureza”. Roberto Pompeu de Toledo escreveu em 1994 na Revista Veja: “Hoje sabemos, sem sombra de dúvida, que a corrupção faz parte de nosso sistema de poder tanto quanto o arroz e o feijão de nossas refeições”. Adib Jatene, Ministro da Saúde no governo Collor, afirmou em 1992: “Quem faz o Orçamento da República são as empreiteiras”. Maria Helena Guinle, socialite carioca, em uma entrevista concedida à Revista Interview, se referia a Collor como sendo uma “uma pessoa fascinante”, que “se veste bem, sabe falar” e que, como presidente, “só nos orgulhava”. Mesmo após todas as provas terem sido apresentadas e o ex-presidente ter sido afastado do cargo através do processo de Impeachment, Guinle não deixou de defender Collor, desta vez com a seguinte argumentação: “Deslizes acontecem a vida inteira. No momento em que você ocupa um cargo que te favoreça de alguma forma, acho até um pouco de burrice não aproveitar a situação”. Mário Amato, ex-presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), disse, categoricamente, que “somos todos corruptos”. Essas declarações demonstram que há uma relativa tolerância com a corrupção no Brasil ou, no mínimo, uma atitude de compreensão para com os corruptos, o que acaba apoiando-os e reforçando-os em suas atitudes.

Um dos elementos culturais mais importantes da corrupção no Brasil é o acima referido patrimonialismo. A cultura patrimonialista concebe as estruturas públicas como áreas privadas, o que está estreitamente imbricado com a história de desenvolvimento do Brasil, marcada pela apropriação privada e pela dependência. No período colonial os 10% mais ricos possuíam dois terços da riqueza do país. Naquele período sequer se falava da existência de uma ética geral, pois a ética ficava restrita ao âmbito familiar. Atualmente os 10% mais ricos possuem 50% das riquezas geradas no país. Será que isso poderia ser interpretado como um sinal de que há mais de 500 anos o país está no caminho errado? De acordo com a opinião hegemônica da elite brasileira, porém, os grandes problemas sociais do Brasil há séculos, como a fome, a concentração de riquezas, a crescente desigualdade social, a privatização do setor público e, não por último, a corrupção, jamais foram encarados como obstáculos ao desenvolvimento do país. Segundo as elites, trata-se de “promover mudanças para que tudo fique como está”. Diretamente relacionados à concepção patrimonialista da cultura política das elites brasileiras se situam os fenômenos do coronelismo e clientelismo, os quais constituem a base histórica do populismo e do assistencialismo no país. O coronelismo está baseado no poder político de grandes proprietários rurais (os coronéis), exercido através da estrutura de dependência da propriedade da terra sobre os trabalhadores rurais. Amizade e parentesco assumem uma importância decisiva nas relações sociais predominantes nas fazendas, assim como a subordinação dos oprimidos em forma de fidelidade e reconhecimento em troca de proteção patriarcal e do acesso a determinados “privilégios”. O clientelismo é a versão urbana do coronelismo, uma vez que a maioria dos proprietários rurais era também advogado ou médico, tratando seus eleitores, tradicionalmente, como “clientes”. Tanto o coronelismo como o clientelismo estão, historicamente, fortemente vinculados ao desenvolvimento brasileiro, pois a assim chamada economia de mercado foi, originalmente, controlada pelos proprietários de terra. Em seus territórios de influência os coronéis foram constituindo pequenos “reinos de poder” nos quais sentiam orgulho ao mostrar “seu povo” publicamente, como símbolo do seu poder local e regional. Apesar da “modernização” capitalista do país ficou conservado um equilíbrio na distribuição de poder entre os grandes proprietários industriais e rurais na maioria dos Estados da federação. O presidente Getúlio Vargas, como liderança rural carismática e populista, foi quem melhor soube se adaptar a essa realidade. Com sua estratégia de combinar interesses do povo com os dos grandes proprietários rurais e industriais, Getúlio governou o Brasil por 15 anos. Para evitar maiores conflitos políticos com o povo, o getulismo ficou marcado pela manipulação da classe trabalhadora, instituindo importantes políticas sociais e extinguindo a autonomia das organizações sociais e populares existentes no período. O getulismo é a base do populismo e do assistencialismo no Brasil, propondo concessões sociais para conservar o poder ou, em outras palavras, a política de “entregar os anéis para poder seguir conservando os dedos”.

Um outro elemento importante da cultura política brasileira é a tendência de não encarar determinados crimes (como, por exemplo, o contrabando e a corrupção) como problemas se o seu objetivo é visto como positivo ou justificável. Assim, a corrupção passa a ser tolerada e pessoas corruptas são, tendencialmente, encaradas como espertas ao invés de serem caracterizadas como criminosas, o que também está fortemente relacionado à forma sensacionalista como os escândalos de corrupção geralmente são apresentados à opinião pública. Essa forma de encarar determinadas situações é comumente chamada de “jeitinho brasileiro”, como sendo a “criatividade de encontrar uma saída para tudo”. De acordo com pesquisas de opinião, no entanto, a maioria do povo brasileiro condena a corrupção: 83% afirma, por exemplo, que jamais venderia seu voto; ao mesmo tempo, porém, 73% dos entrevistados acredita que seus compatriotas o fariam, um sinal evidente da predominância da idéia de que a maioria das pessoas no país seja corrupta. Também as justificativas de caráter pessoal assumem uma importância central no debate sobre a corrupção no Brasil. A referência à amizade é geralmente mais forte do que à idéia de responsabilidade política dos eleitos. Trata-se de um acordo de reciprocidade, do reconhecimento da idéia de que os seres humanos dependeriam uns dos outros e, por isso, a confiança e a lealdade deveriam ser vistas como os valores mais importantes para a convivência. A confiança é, muitas vezes, caracterizada como o cimento das relações interpessoais, assim como a solidariedade e a predisposição à ajuda, valores que, muitas vezes, são corrompidos ao servirem de base à justificação de atitudes corruptas. Nessa lógica, instituições públicas passam a ser utilizadas com a finalidade de retribuir favores pessoais e boas relações são usadas como instrumento de intermediação para obter benefícios e privilégios, já que estão baseadas na intimidade, na confiança mútua, numa maior facilidade de comunicação e acesso a pessoas em cargos importantes. Nessa concepção, a corrupção, assim como a vida, são encaradas como um intercâmbio, como um constante processo de “trocas” entre pessoas. Nessa perspectiva, vale a pena investir em boas relações com políticos e funcionários públicos, o que, obviamente, tem seu preço político: concessões econômicas são trocadas por concessões políticas e as dificuldades inerentes à concessão dos benefícios esperados aumentam proporcionalmente o preço político na relação de “troca”.

O PT pagou um preço político alto. Trata-se, acima de tudo, de poder e governabilidade. Ao invés de constituir alianças políticas com vistas à implementação de reformas sociais previstas em seu programa, o PT constituiu alianças com o objetivo de alcançar poder. O meio se transformou em fim e os pragmáticos do partido, aparentemente, posam como vitoriosos na disputa interna sobre os rumos do PT. Em nosso entendimento, isso não pode ser caracterizado como traição, pois não partimos do pressuposto de que Lula ou o PT tenham sido modificados ou cooptados pelo “aparelho de poder do Estado”. O contrário é mais provável: não por ter poder no governo, mas exatamente para obter poder, para poder governar, é que o PT está abandonando seu programa. Esse processo de abandono programático está em curso desde o início da década de 1990 e, gradativamente, foi constituindo uma estratégia política para a maioria da direção do partido, tendo seu auge na eleição de Lula em 2002: progressivamente, o partido abriu suas portas para filiações em massa, integrando novos membros sem qualquer relação com a tradição do PT; abriu espaço para a filiação de parlamentares, que começaram a ver no PT melhores chances individuais para se eleger; introduziu as eleições diretas para a direção partidária em todas as suas instâncias, reduzindo a importância do debate interno; aumentou os investimentos em marketing e profissionalização da estrutura partidária; e, não por último, reduziu drasticamente a formação política e o debate programático (Pont, 2003). Como no presidencialismo há a tendência de um presidente com minoria parlamentar se ver obrigado a construir alianças com outros partidos para poder governar, os acordos políticos representam um importante meio para alcançar maior governabilidade. Considerando que a maioria dos partidos no Brasil conquista votos, normalmente, de forma corrupta no período eleitoral, supostamente com o objetivo de aumentar seu poder político, é muito provável que os acordos políticos entre partidos e parlamentares também sejam marcados pela corrupção. Isso, porém, não pode, de forma alguma, servir de justificativa ao PT, pois, na maioria das situações em que o partido governou até hoje, ele não pôde contar com uma maioria parlamentar. Mas não era somente por contar com uma minoria parlamentar que o PT priorizava a mobilização da sociedade civil com vistas à implementação de reformas sociais em benefício da maioria da população. A mobilização social constituía o elemento central da sua estratégia de construção de hegemonia política, baseada na compreensão de que o poder precisa ser conquistado num processo de contra-hegemonia, no qual a participação e a auto-organização dos trabalhadores permitem o avanço na tomada de consciência política da população.

Essa é a mudança fundamental do PT com o governo Lula, o qual não se dispõe a avançar na democracia participativa (seguindo a exitosa experiência do partido com o Orçamento Participativo), correndo o risco constante de degenerar politicamente e eticamente ao se adaptar à lógica corrupta da democracia representativa brasileira. Para o Brasil esse processo de degeneração representa um enorme retrocesso na história de democratização do país, pois o PT incorporava, até então, como único partido programático existente, a grande esperança de transformações sociais, as quais poderiam ser conduzidas de forma democrática (de baixo para cima) através de uma crescente mobilização social. A degeneração política do PT, através da sua adaptação cada vez maior à tradição historicamente autoritária, populista e fisiologista da política brasileira, é profundamente lamentável porque desta forma o partido abandona seu papel de protagonista e de portador de esperanças em transformações sociais construído duramente nas últimas décadas. E a degeneração ética do PT, que também está em curso, contribui decisivamente para uma maior naturalização da corrupção, o que dificulta ainda mais a construção de medidas efetivas de combatê-la.





Vida e obra de Claude Lévi-Strauss

9 12 2008

O link abaixo leva ao documentário produzido pela Globo News sobre Levi-Strauss, no programa Arquivo N da semana passada.

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM920831-7823-VIDA+E+OBRA+DE+CLAUDE+LEVISTRAUSS,00.html





História das crises econômicas do século XX

10 12 2008

Retrospecto das crises econômicas mundiais ocorridas no século XX. Como o mundo conseguiu se recuperar de cada uma delas? O professor de história do pensamento econômico, Eduardo Giannetti, analisa.
Clique no link abaixo.

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM887516-7823-AS+CRISES+ECONOMICAS+DO+SECULO+XX,00.html





EM HOMENAGEM AOS 60 ANOS DA DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS

10 12 2008

Declaração Universal e Direitos Indígenas
 
Dalmo de Abreu Dallari – Jurista e professor da Faculdade de Direito da USP.
 
Por coincidência, na mesma ocasião em que o mundo comemora os sessenta anos da aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos pela ONU, por meio de uma decisão do Supremo Tribunal Federal o mundo ficará sabendo se o Brasil respeita os direitos proclamados naquela Declaração, da qual é signatário. A oportunidade para reafirmar sua fidelidade aos compromissos internacionalmente assumidos, ou de se desmoralizar perante o mundo e a história, está concentrada na decisão de manter a demarcação contínua da área indígena Raposa Serra do Sol, garantindo aos índios os seus direitos constitucionalmente consagrados e indispensáveis para sua sobrevivência digna, ou presentear os fraudadores dos direitos indígenas, mandando para o despejo das inutilidades, a um só tempo, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Constituição brasileira.
 
Diz o artigo 8º da Declaração que “toda pessoa tem direito a receber, dos tribunais nacionais competentes, remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela Constituição e pelas leis”.  No caso da Raposa Serra do Sol está ocorrendo a violação dos direitos aí referida, cabendo ao Supremo Tribunal Federal, neste momento, dar o remédio efetivo para a violação, restabelecendo a plenitude dos direitos indígenas. Com efeito, pelos registros históricos e com base em perícia antropológica recentemente realizada de modo plenamente regular e com absoluta competência técnica, não resta qualquer dúvida de que toda a área abrangida pela reserva em questão vem sendo tradicionalmente ocupada pelos índios, com ininterrupta continuidade no tempo e no espaço. Ora, nos termos claros e expressos do artigo 231 da Constituição, “são reconhecidos aos índios os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, cabendo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”. A União cumpriu o seu dever constitucional realizando a demarcação. Entretanto, uma parte da área indígena foi invadida por ambiciosos e ricos grileiros, que vêm resistindo a tentativas dos índios de recuperação da plenitude de seus direitos.
 
Neste momento o Supremo Tribunal Federal tem várias responsabilidades, concentradas na decisão sobre os direitos das comunidades indígenas. De acordo com o artigo 102 da Constituição, “compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição”, cabendo-lhe a responsabilidade de mostrar que é bom guardador. Ao mesmo tempo, é dele, na presente conjuntura, a responsabilidade de assegurar aos índios os direitos que lhes são conferidos pelo artigo 231 da Constituição. A par disso, tem o Supremo Tribunal Federal a responsabilidade de comprovar, perante a comunidade internacional, que o Brasil é fiel cumpridor dos compromissos assumidos e por isso merecedor do respeito dos Estados que com ele se relacionarem. Uma decisão comprovando o contrário seria profundamente desmoralizante e colocaria o Brasil no rol dos que não são como confiáveis nem respeitáveis, reduzindo a uma farsa a comemoração no Brasil, dos sessenta anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.





EVENTO HISTÓRICO

11 12 2008





BLOG DO PROTÓGENES QUEIROZ

12 12 2008

Atenção!!! Divulgamos aqui, o “BLOG DO PROTÓGENES”. Se você quiser conhecer o perfil, a bibliografia e ações deste ousado e polêmico policial federal, é só clicar na imagem abaixo.





13 DE DEZEMBRO – 40 ANOS DO AI-5

13 12 2008

GENERAL COSTA E SILVA
O Ato Institucional nº 5, AI-5, baixado em 13 de dezembro de 1968, durante o governo do general Costa e Silva, foi a expressão mais acabada da ditadura militar brasileira (1964-1985). Vigorou até dezembro de 1978 e produziu um elenco de ações arbitrárias de efeitos duradouros. Definiu o momento mais duro do regime, dando poder de exceção aos governantes para punir arbitrariamente os que fossem inimigos do regime ou como tal considerados.

O ano de 1968, “o ano que não acabou”, ficou marcado na história mundial e na do Brasil como um momento de grande contestação da política e dos costumes. O movimento estudantil celebrizou-se como protesto dos jovens contra a política tradicional, mas principalmente como demanda por novas liberdades. O radicalismo jovem pode ser bem expresso no lema “é proibido proibir”. Esse movimento, no Brasil, associou-se a um combate mais organizado contra o regime: intensificaram-se os protestos mais radicais, especialmente o dos universitários, contra a ditadura. Por outro lado, a “linha dura” providenciava instrumentos mais sofisticados e planejava ações mais rigorosas contra a oposição.

Também no decorrer de 1968 a Igreja começava a ter uma ação mais expressiva na defesa dos direitos humanos, e lideranças políticas cassadas continuavam a se associar visando a um retorno à política nacional e ao combate à ditadura. A marginalização política que o golpe impusera a antigos rivais – Carlos Lacerda, Juscelino Kubitschek, João Goulart – tivera o efeito de associá-los, ainda em 1967, na Frente Ampla, cujas atividades foram suspensas pelo ministro da Justiça, Luís Antônio da Gama e Silva, em abril de 1968. Pouco depois, o ministro do Trabalho, Jarbas Passarinho, reintroduziu o atestado de ideologia como requisito para a escolha dos dirigentes sindicais. Uma greve dos metalúrgicos em Osasco, em meados do ano, a primeira greve operária desde o início do regime militar, também sinalizava para a “linha dura” que medidas mais enérgicas deveriam ser tomadas para controlar as manifestações de descontentamento de qualquer ordem. Nas palavras do ministro do Exército, Aurélio de Lira Tavares, o governo precisava ser mais enérgico no combate a “idéias subversivas”. O diagnóstico militar era o de que havia “um processo bem adiantado de guerra revolucionária” liderado pelos comunistas.

A gota d’água para a promulgação do AI-5 foi o pronunciamento do deputado Márcio Moreira Alves, do MDB, na Câmara, nos dias 2 e 3 de setembro, lançando um apelo para que o povo não participasse dos desfiles militares do 7 de Setembro e para que as moças, “ardentes de liberdade”, se recusassem a sair com oficiais. Na mesma ocasião outro deputado do MDB, Hermano Alves, escreveu uma série de artigos no Correio da Manhã considerados provocações. O ministro do Exército, Costa e Silva, atendendo ao apelo de seus colegas militares e do Conselho de Segurança Nacional, declarou que esses pronunciamentos eram “ofensas e provocações irresponsáveis e intoleráveis”. O governo solicitou então ao Congresso a cassação dos dois deputados. Seguiram-se dias tensos no cenário político, entrecortados pela visita da rainha da Inglaterra ao Brasil, e no dia 12 de dezembro a Câmara recusou, por uma diferença de 75 votos (e com a colaboração da própria Arena), o pedido de licença para processar Márcio Moreira Alves. No dia seguinte foi baixado o AI-5, que autorizava o presidente da República, em caráter excepcional e, portanto, sem apreciação judicial, a: decretar o recesso do Congresso Nacional; intervir nos estados e municípios; cassar mandatos parlamentares; suspender, por dez anos, os direitos políticos de qualquer cidadão; decretar o confisco de bens considerados ilícitos; e suspender a garantia do habeas-corpus. No preâmbulo do ato, dizia-se ser essa uma necessidade para atingir os objetivos da revolução, “com vistas a encontrar os meios indispensáveis para a obra de reconstrução econômica, financeira e moral do país”. No mesmo dia foi decretado o recesso do Congresso Nacional por tempo indeterminado – só em outubro de 1969 o Congresso seria reaberto, para referendar a escolha do general Emílio Garrastazu Médici para a Presidência da República.

Ao fim do mês de dezembro de 1968, 11 deputados federais foram cassados, entre eles Márcio Moreira Alves e Hermano Alves. A lista de cassações aumentou no mês de janeiro de 1969, atingindo não só parlamentares, mas até ministros do Supremo Tribunal Federal. O AI-5 não só se impunha como um instrumento de intolerância em um momento de intensa polarização ideológica, como referendava uma concepção de modelo econômico em que o crescimento seria feito com “sangue, suor e lágrimas”.
Maria Celina D’Araujo

Matérias vinculadas http://jc.uol.com.br/jornal/2008/12/13/not_311407.php

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/12/13/not_311406.php

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/12/13/col_53.phphttp://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1312200819.htm





O testemunho da ACO- Ação Católica Operária e o AI-5(1968)

14 12 2008

Este livro e outras publicações da ACO/MTC, você encontra à Rua Gervásio Pires, 404, Boa Vista, Recife/PE. Fone/fax: (81)3222-0241 – E-mail: mtcrecife@ig.com.br

A ACO -Ação Católica Operária(NE II) teve ação destacada no combate à ditadura militar. Com o apoio decisivo de Dom Helder Câmara e a participação de militantes como Lorena Araújo, Vicente Fernandes, Chico Caetano e dos inestimáveis Pe Reginaldo Veloso e Romano Zufferey, este movimento deu testemunho inconteste de sua opção preferencial pela classe trabalhadora num dos momentos mais duros da história política deste País.

Abaixo, segue reprodução de reportagem do Jornal do Comercio(14/12/08) em matéria especial sobre esta data.
» HISTÓRIA
Há 40 anos, o Brasil era jogado nas trevas
Publicado em 14.12.2008

No dia 13 de dezembro de 68, o presidente Costa e Silva assinou o Ato Institucional nº 5, cassando liberdades e estabelecendo o terror. Por outro lado, estimulou a resistência dos movimentos sociais

Sérgio Montenegro Filho
smontenegro@jc.com.br

Caía a tarde da sexta-feira, 13 de dezembro de 1968. Há 40 anos, começava a noite mais escura e longa do regime de exceção no Brasil, iniciado quatro anos antes, com o golpe militar. Embalado pelos focos de resistência popular ao governo e pelas vozes de parlamentares que insistiam em clamar por democracia, o general-presidente Arthur da Costa e Silva assinou o mais cruel dos atos institucionais, o AI-5. Entre outras ações, fechou o Congresso Nacional por prazo indeterminado e passou a legislar por decretos, autorizou intervenção federal nos Estados e municípios, suspendeu garantias individuais, habeas corpus e direito de reunião, e estabeleceu a censura prévia aos meios de comunicação.

O AI-5 amordaçou partidos, associações, movimento operário e estudantil, e passou a reprimir a cacetete as manifestações de rua. Por outro lado, porém, estimulou o trabalho clandestino, o corpo-a-corpo, reforçando um novo tipo de resistência: os movimentos sociais. Focos se formaram nas comunidades. Ganharam mais dimensão os que tinham a simpatia da Igreja Católica progressista. Entidades como a Ação Católica Operária (ACO) e as pastorais da terra e operária eram vistas como um novo meio de mobilização. Exerciam o papel dos partidos e sindicatos, mas sem exposição pública. trabalhavam no sistema “formiguinha”, em pequenas reuniões e conversas pessoais.

Em Pernambuco, o movimento contava com a proteção do arcebispo de Olinda e Recife, dom Hélder Câmara. Mas não era tão fácil. Menos de três anos após a assinatura do AI-5, esses setores – que se reuniam em igrejas, salões paroquiais, residências particulares e até em bares e restaurantes mais discretos – divulgariam o documento “Ouvi os clamores do meu povo”, no qual narravam as perseguições, torturas e mortes promovidos pela ditadura. “O documento foi uma pancada no sistema, com uma solidez tão forte que deixou o regime sem resposta”, conta o padre Reginaldo Veloso, ligado à ACO e responsável pela paróquia da Macaxeira.

Mas a resposta viria, e da forma mais dura, com o seqüestro e tortura de militantes e religiosos – inclusive o próprio Veloso, que resistiu a dez horas de interrogatório sem revelar os autores do documento. A investida principal aconteceu em 1973, na sede da ACO – hoje Movimento dos Trabalhadores Cristãos – na rua Gervásio Pires, invadida pelo DOI-CODI, a polícia política. “Era tarde. O documento já havia sido distribuído no País e no exterior”, diz Veloso. Alguns dias depois, a casa de dom Hélder seria metralhada. Em maio de 1969 ele havia sofrido um duro golpe, com o assassinato do padre Henrique Pereira Neto, que trabalhava na conscientização da juventude. “Não havia nada que o regime temesse mais que os movimentos estudantil e operário”, explica Veloso.

Outro foco de resistência estava no campo. Embora alvo da repressão, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetape) foi mantida na ativa. Ali, abrigavam-se líderes de sindicatos fechados pelo regime, que se somavam às pastorais da terra, vinculadas à igreja. “Mas qualquer mobilização era vigiada”, lembra José Rodrigues, um dos ex-presidentes da entidade.

Matérias vinculadas:

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/12/14/not_311509.php

http://jc.uol.com.br/jornal/2008/12/14/not_311510.php





INDICAÇÃO DE LIVROS

16 12 2008

Pequena enciclopédia de doutrina social da Igreja
Por Fernando Bastos de Avila
Publicado por Edicões Loyola, 1991
ISBN 8515004690, 9788515004690
447 páginas

Conheça nossa biblioteca virtual:
http://books.google.com/books?uid=6335462046149941564&hl=pt-BR





COLETIVA DO DELEGADO PROTÓGENES QUEIROZ NO MTC

17 12 2008

MILITANTES DO FÓRUM PELA ÉTICA, PE REGINALDO VELOSO, MTC E JOCISTAS PARA SEMPRE, PRESTIGIARAM A COLETIVA DO DELEGADO QUE INVESTIGOU E PRENDEU O BANQUEIRO DANIEL DANTAS E ESTREMECEU A REPÚBLICA BRASILEIRA(Clique nas fotos menores para ampliá-las)
MILITANTES DO MTC, JOC E FÓRUM PELA ÉTICA PRESTIGIARAM O EVENTO





COLETIVA DO DELEGADO PROTÓGENES QUEIROZ NO MTC

17 12 2008

O DELEGADO PROTÓGENES FOI INTERPELADO POR JORNALISTAS DA FOLHA DE SÃO PAULO, FOLHA DE PERNAMBUCO E JORNAL DO COMMERCIO. APÓS A COLETIVA, FOI EXTREMAMENTE SIMPÁTICO E CORDIAL COM TODOS OS PRESENTES, QUE LHE PRESTARAM INÚMERAS HOMENAGENS, ALÉM DE VOTOS DE APOIO E SOLIDARIEDADE.(Clique nas imagens para ampliá-las)

Para ler matérias sobre a coletiva, acesse:

http://jc.uol.com.br/blogs/blogjamildo/





BIBLIOTECA GRATUITA

18 12 2008

Clique aqui e leia gratuitamente as páginas principais dos livros em nossa biblioteca
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CONFRATERNIZAÇÃO DO MTC – MOVIMENTO DE TRABALHADORES CRISTÃOS

21 12 2008

Esta foi a grande festa(20/12) de confraternização dos militantes e amigos do MTC(Ação Católica Operária) em homenagem àquele que pelo seu nascimento, vida e morte, deixou transparente sua opção pelos pobres e excluídos do mundo, Jesus Cristo.
A celebração foi das mais emocionantes, tendo como dirigente e animador o Padre Reginaldo Veloso(ex-pároco de casa amarela e assessor das cebs, mac e mtc).
Além dos militantes de hoje e de ontem do MTC, recebemos amigos e admiradores, como: o ver. de Olinda, Marcelo Santa Cruz, O dep. fed. Fernando Ferro, Jurandir Bezerra(filho do herói do povo, Gregório Bezerra), militantes da JOC, entre outros.
O encerramento foi de “comes e bebes” com muita alegria e verdadeira confraternização.
O MTC – Movimento de Trabalhadores Cristãos, deseja a todos e todas muita paz, alegria e coragem para lutar e transformar o mundo seguindo as exortações do santo evangelho.
Que Deus nos ilumine no ano vindouro!!!
(clique nas imagens para ampliar)





MENSAGEM DE NATAL

23 12 2008

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Que consigamos ver nas pessoas, em todas elas, o Cristo que clama por justiça, solidariedade e amor! E que nossos desejos de felicidade, transformem-se em ações… concretas.
Feliz Natal e Próspero Ano Novo!
Do amigo, Luís Carlos Lins.





JOSUÉ DE CASTRO

29 12 2008

MEMÓRIA
Josué de Castro, pensador indispensável

No momento em que a humanidade se depara com crises simultâneas de mudança climática e escassez de alimentos, vale a pena revisitar um pernambucano que dirigiu a FAO. Há meio século, ele já sugeria que só se pode combater a fome distribuindo renda e respeitando os limites da natureza
Marilza de Melo Foucher

(29/06/2008)

O encontro recente da FAO — Organismo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura — reuniu a maioria dos governos e presidentes de várias nações para debater sobre a fome e a pobreza no mundo. Ao dizer em suas premissas que o encontro de Roma oferecia uma ocasião histórica de retomar a luta contra a fome e a pobreza, se poderia supor que o governo brasileiro iria aproveitar desta reunião de cúpula para relembrar o centenário de um brasileiro nordestino, conterrâneo do Presidente Lula da Silva. Nascido no estado de Pernambuco, o médico, geógrafo e sociólogo Josué de Castro (1908-1973) foi o pioneiro no combate à fome no mundo. Ele representou do Brasil na conferencia da FAO em Genebra em 1947, tornando-se presidente deste organismo internacional no período de 1952 a 1956. É autor de dois livros conhecidos mundialmente, traduzidos em 24 línguas: Geografia da Fome e Geopolítica da Fome.

O conterrâneo de Lula, Josué de Castro, viveu seu exílio em Paris, ficando conhecido por sua incansável luta contra a fome e a miséria. Dizia que não adiantava somente produzir os alimentos, era necessário também que pudessem ser comprados e consumidos pelos grupos humanos necessitados. Josué de Castro aproveitou-se do otimismo reinante do pós-guerra para chamar atenção das grandes potências, alertando que já era tempo de sair da economia colonial para a economia baseada na reciprocidade da cooperação, levando em conta os interesses comuns. Ele salientava que essa reciprocidade não ia provocar a falência das metrópoles colonizadoras, bastava vontade política para libertar o homem da miséria. Entretanto, até hoje os paises ricos não aplicam a reciprocidade na cooperação, principalmente na área da agricultura. Os países pobres não têm condições de competir com uma agricultura altamente protecionista e subvencionada. Só em 2007, cerca de 320 bilhões de dólares foram concedidos aos agricultores dos paises ricos. No mesmo ano, os preços dos alimentos básicos subiram entre 20 a 70%. A continuar este ritmo, assistiremos a um verdadeiro “tsunami” silencioso da fome, como alguns evocaram durante na Cimeira da FAO em Roma.

O humanista Josué de Castro cultivava, desde a década de 1950, uma visão sistêmica do desenvolvimento. Segundo ele, a questão da fome não seria resolvida somente com o aumento de produtividade agrícola e distribuição de alimentos: era necessário pensar também nos que trabalhavam a terra nos paises pobres. Dizia sim à produtividade, mas com uma melhor repartição do fruto do progresso. Dizia sim à produtividade, mas chamava atenção para degradação dos solos. Não escondia sua admiração pelo sábio inglês Albert Howard (1873-1947), um dos fundadores da agricultura biológica, que desde 1943 contesta o uso de fertilizantes químicos para uma boa conservação do solo. Daí que a leitura ou releitura, hoje, da Geopolítica da Fome, pelos organizadores do encontro da FAO, seria uma bela homenagem ao grande humanista que dirigiu os destinos da instituição nos anos 50. O resgate da memória é sempre uma condição sine qua non para se projetar o futuro.

Que balanço temos hoje do papel da FAO e de outras Instituições que integram o sistema das Nações Unidas no combate a fome e a pobreza? Tivemos, desde o século 20, uma proliferação de encontros internacionais, fóruns, reuniões de cúpula etc. Muitos discursos, relatórios e inúmeras convenções internacionais. As conferências internacionais da ONU passaram a ser excelentes tribunas para os atores globais demonstrarem, aos canais de televisões internacionais, que estão comovidos com a fome que continua a se alastrar, e perplexos com a degradação sócio-ambiental do planeta.

A crise de civilização exige um novo modo de viver e de pensar. Trata-se de alcançar não apenas um melhor nível de conforto, mas também uma melhor qualidade de vida em todos os sentidos

Segundo os protagonistas do poder político em escala mundial, chegou a hora de fazer proposições inovadoras, concretas e realistas e definir novos paradigmas de desenvolvimento! Bla-bla-blá e pouca vontade política para agir de forma conseqüente. Até quando os países mais pobres do planeta esperarão que a ajuda pública ao desenvolvimento atinja a meta prevista, de 0,7% do Produto Nacional Bruto dos paises ricos? Nos últimos dez anos, esta contribuição caiu em 30%. Segundo a OCDE, em 2007 ela representava apenas 0,28% do PNB dos mais favorecidos. A proteção ambiental compromete hoje menos de 1% do orçamento total da ONU.

Os países ricos impuseram, ao longo do século passado, estratégias de desenvolvimento que pilharam e devastaram o meio ambiente e destruíram relações sociais sem levar em conta a especificidade cultural e dinâmica locais. As desigualdades sociais, o aumento da pobreza, as diferenças de renda entre os países, a degradação dos ecossistemas rurais e urbanos são indicadores do fracasso das políticas de desenvolvimento e do atual modelo da governança global. Esse modelo difunde imagem de uma sociedade reunificada em torno de valores comuns da ideologia neoliberal, onde primam a competitividade, o “livre”-comércio, o individualismo, produzindo um modo de ser e de pensar consensual em torno do capitalismo. Esse modelo tornou-se prisioneiro de suas próprias contradições, os governos soberanos das grandes potências delegaram os poderes a uma governança mundial que constrói legitimidade sem democracia representativa e resolve os conflitos internacionais sem necessidade de contar com maioria. E ainda deixa de fora dos processos de decisões os governos dos chamados paises do Sul. Basta ver as inúmeras tentativas feitas para mudar as regras de funcionamento da OMC. A realidade só emerge como consciência, como problema, quando apresenta uma reação para a qual não achamos resposta.

O crescimento econômico vem se movendo há séculos entre dois infinitos: o infinito dos recursos naturais da Terra e o infinito do desenvolvimento econômico. Chega a seus limites a crença de que poderíamos crescer indefinidamente, produzir o máximo possível, explorar sem barreiras os recursos dos solos, ter cada vez mais acesso à tecnologia, ter e ter mais. A questão do desenvolvimento como sinônimo de progresso econômico, de conforto material, de consumo perdulário desencadeou, ao longo dos tempos, um processo de degradação socio-ambiental em larga escala, comprometendo a vida de muitas espécies, inclusive a espécie humana. E esta é a mais ameaçada, sobretudo quando se trata de populações empobrecidas.

Para os dirigentes da FAO e chefes dos governos presentes no encontro de Roma bastava buscar resposta concreta para esta questão: como salvar a vida do ser humano pobre, explorado, preservando o equilíbrio da natureza? Estamos diante de uma crise de civilização que exige uma reformulação do nosso modo de viver e de pensar. Trata-se de alcançar não apenas um melhor nível de vida, mas também uma melhor qualidade de vida em todos os sentidos. Este é o momento para redefinir valores, comportamentos e idéias à luz de uma nova ética que defenda o equilíbrio entre natureza e intervenção humana — um desenvolvimento harmônico e não predatório, que assegure condições dignas de existência às gerações futuras.

MAIS

2008 marca o centenário do nascimento de Josué de Castro (5/9/1908), que morreu no exílio, em Paris, há 35 anos (24/9/2003). Para maiores informações sobre sua vida e obra, pesquisar em www.josuedecastro.com.br. Há também um verbete na Wikipedia





ENSAIO: Chico Science encontra Josué de Castro

29 12 2008

No mês de centenário do pensador pernambucano, uma análise instigante identifica laços entre sua obra e a do criador do manguebeat. É como se os “homens-caranguejos” de Josué ressurgissem na obra de Chico — não mais como heróis frustrados, mas celebrando a vitória que realmente importa

Para ler mais:
http://maniadehistoria.wordpress.com/ensaio-chico-science-encontra-josue-de-castro/





OPINIÃO: CONFLITO ENTRE ISRAEL E PALESTINA

30 12 2008

SIONISMO E NAZISMO

Antonio Louçã

Se a comparação entre Ramallah e Auschwitz é certamente incorreta, esse não é um motivo bastante para a colocar na conta de uma emotividade desculpável num escritor ou artista. Saramago autojustificou-se com o seu dever, como escritor, de provocar reações na opinião pública. Mário Soares desculpou Saramago, invocando o direito do escritor à indignação. Ambas as explicações pecam por demasiado displicentes. Para além do fundo emotivo, é preciso discutir o fundo racional, se existe algum, nas palavras de Saramago. Estou à vontade para propor essa discussão porque fui por vezes, no tratamento de diversos temas da história do século XX, alvo de uma conotação maliciosa com o “judaísmo internacional” – uma acusação muito do agrado da extrema-direita.

As analogias históricas são legítimas desde que se recorra a elas tendo presentes os seus limites. O sionismo e o nazismo não são irmãos gêmeos. Mas a guerra em curso tem sublinhado de forma dramática alguns paralelos entre ambos.

O sionismo não tem campos de extermínio com câmaras de gás, e nisto continua a distinguir-se claramente do nazismo. Mas a jornalista israelita que retoricamente perguntou a Saramago onde estavam as câmaras de gás parecia reconhecer que essa era a última trincheira em que podia refugiar-se para marcar diferenças entre sionismo e nazismo. A resignação é precipitada, porque ainda há algumas outras diferenças de monta. Só que elas tendem a reduzir-se a um ritmo alarmante.

Para chamar as coisas pelos nomes, não podemos limitar-nos, como a habitualmente rigorosa Esther Mucznik, a um eufemismo sobre a “disputa pela terra”. A limpeza étnica que o sionismo realiza contra os palestinos é em tudo semelhante à limpeza étnica que o nazismo realizou nos anos 30 contra os judeus, quando ainda não era evidente que iria dedicar-se a exterminá-los. A combinação de violências físicas com pressões econômicas era a receita do nazismo para afugentar os judeus, e volta a ser a receita do sionismo para afugentar os palestinos – com uma intensidade aliás superior à do nazismo até Novembro de 1938.

Há várias modalidades de genocídio. Algumas começam antes mesmo da limpeza étnica e muito antes das câmaras de gás. Ao decidir privar os polacos de qualquer instrução que fosse além das contas de somar e das primeiras letras mal soletradas, Heinrich Himmler formulava um programa genocida – eis uma reflexão lapidar que ouvi ao grande historiador israelita Yehuda Bauer e que só pode redundar na condenação de Israel como potência genocida.

A “lei do regresso” foi comparada com as leis de Nuremberg por intelectuais israelitas íntegros e corajosos. Ela tem, efetivamente, em comum com aquele abominável precedente a concepção de que alguém que nasceu longe e nunca conheceu o país pode ter o direito a vir instalar-se nele expulsando pela força alguém que aí nasceu e construiu a sua vida.

Com um critério racista, os nazis encorajavam a vinda dos alemães ou germano-descendentes do estrangeiro para ocuparem o lugar dos judeus a expulsar. Com um misto de critérios raciais e religiosos, os sionistas encorajam a vinda de judeus residentes no estrangeiro para ocuparem progressivamente o lugar dos palestinos. Os colonatos são atualmente um monumento póstumo ao nazismo construído à sombra da Estrela de David e das metralhadoras do Tsahal.

A “limpeza étnica” não consistiu para o nazismo, nem consiste para o sionismo, nem pode nunca consistir para ninguém, num simples e inócuo plano de transplantar populações.

Esses planos têm sempre por trás uma pulsão “eliminacionista”, porque não se transplanta milhões de pessoas sem fazer morrer muitos milhares. Assim, os planos do nazismo para deportar judeus em direção à Polônia, ou a Madagascar, não podem ser vistos como uma modalidade mais benigna do genocídio, e sim como parte orgânica de um processo cuja lógica interna já apontava para Auschwitz.

Há israelitas, colonos e não só, que dizem diante das câmaras de filmar o mesmo que pensa Sharon: que os palestinos devem ser expulsos porque têm muitos países árabes onde reorganizar as suas vidas. Que eles adoecessem ou morressem “como piolhos”, na expressão do falecido ministro israelita Rehavam Zeevi, seria indiferente. Esta é uma atitude genocida idêntica à dos nazis nos anos 30.

A política de confinar os grupos de população considerados indesejáveis em guetos onde vão definhando também é comum ao nazismo e ao sionismo. A miséria e a doença que grassam nesses guetos tornam-se depois uma pretensa confirmação da sub-humanidade dos grupos discriminados. A revolta generalizada que germina torna-se o pretexto para expedições punitivas, em que toda a população é considerada terrorista. A detenção de todos os homens acima dos 14 anos é um procedimento típico dos ocupantes nazis.

Sob esse aspecto, é verdade o que dizia o historiador militar israelita Martin van Creveldt: marcar os braços dos detidos com um número, como os nazis faziam em Auschwitz, “apenas” é chocante por ser um sinal exterior e altamente simbólico do parentesco entre nazismo e sionismo. Mas o mal está, segundo o próprio Creveldt, na ocupação dos campos de refugiados, na criminalização em massa da população. A partir do momento em que são estes os ingredientes da política adotada, também é inevitável que os seus sinais exteriores se assemelhem aos do nazismo, porque a marcação dos números é uma forma óbvia de identificar um grupo tão extenso como a população masculina acima dos 14 anos.

Também o entusiasmo dos estrategas israelitas pelas técnicas nazis aplicadas na destruição do gueto de Varsóvia em Abril-Maio de 1943 resulta de um parentesco iniludível: o caráter suicidário das revoltas nos guetos judeus de então e nos guetos palestinos de agora apresenta semelhanças que levam as receitas repressivas a mimetizar-se.

Tal como o general nazi Jürgen Stroop, o exército israelita compartimenta os campos de refugiados, identifica os edifícios onde existem franco-atiradores, destrói esses edifícios, captura toda a população capaz de combater. Quando o diário israelita Ha’aretz de 25 de Janeiro denunciou o estudo do modelo contra-insurreccional nazi pelo exército israelita, o porta-voz de Ariel Sharon, Ra’anan Gissen, limitou-se a explicar à imprensa que os seus oficiais acharam que “era parecido, porque iam andar a combater rua a rua contra a Autoridade Palestina”. A comparação é de Gissen, não de Saramago.

Os refuseniks israelitas que se sujeitam à prisão por desobediência têm bons motivos: eles não querem encontrar-se a si próprios no papel dos jovens nazis que esmagaram a Intifada do gueto de Varsóvia e massacraram os seus avós insurretos. Existe atualmente na sociedade israelita uma fratura fundamental entre os que, ao referirem-se ao Holocausto, dizem “aquilo nunca mais pode acontecer” – e aqueles que dizem “aquilo nunca mais pode acontecer-nos”.

Há os que condenam os crimes do nazismo em nome de direitos humanos considerados universais e aqueles que os condenam porque foram cometidos contra judeus. Na evocação do passado esquecem ciganos, russos, comunistas, testemunhas de Jeová, homossexuais. Na apreciação do presente nada vêem de reprovável, porque as prepotências de hoje não são contra os judeus, mas contra os árabes. Diga-se aliás de passagem: ao exercerem-se contra os árabes, essas prepotências são também anti-semitas.

As execuções de prisioneiros a sangue-frio, cuja denúncia motivou a fúria do exército israelita e os seus sucessivos disparos contra jornalistas, ainda não têm o caráter sistemático que tinham as execuções dos Einsatzkommandos na Frente Leste. Mas já o tiveram, nos massacres de Sabra e Chatila, e podem voltar a tê-lo. Dir-se-á que esses dois massacres não foram realizados pelo exército israelita e sim pelos mercenários libaneses ao seu serviço. Admitamos essa versão, embora recentemente tenham surgido indícios de que Sharon fez muito mais do que abrir as portas dos campos com a intenção de propiciar o massacre. Ainda assim mantém-se a analogia com o nazismo: muitos dos pogroms realizados na Frente Leste, massacrando aldeias inteiras, foram obra da soldadesca ucraniana ou lituana ao serviço das SS.

Num ponto, o sionismo continua e continuará sempre a distinguir-se do nazismo. Este era a expressão de um imperialismo alemão que aspirava ao domínio do mundo no segundo quartel do século XX. O sionismo está condicionado, com rédea curta, pelos estímulos e pressões do imperialismo que domina o mundo no alvorecer do século XXI. Para além de contradições secundárias, encontra-se em Washington, na Casa Branca, a responsabilidade última das acões de Israel e a explicação última para o fato de o criminoso de guerra Ariel Sharon nunca se ter sentado perante um tribunal internacional.





Selo de nascimento do centenário de Dom Helder Camara

2 01 2009

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Para saber mais sobre Dom Helder Camara e seu centenário de nascimento, clique neste link:

http://www.pernambucodeaz.com.br/dh/index.html





GAZA:UM POVO EM ESTADO DE COMA

4 01 2009

Gaza: um povo em estado de coma
ESCRITO POR LUIZ EÇA

“Israel usa políticas genocidas na faixa de Gaza” (Ilan Pappé, israelense, ex-professor de História na Universidade de Haifa).

Relata Marie Corvin, no Times On Line de 14 de dezembro: “Às vezes a refeição da família Abu Amra – pai, mãe e 8 filhos – é grama. Sua casa não tem móveis pois todos já foram usados como lenha. Como eles, a metade dos 1,5 milhão de habitantes da faixa de Gaza depende da ajuda internacional para sobreviver.

O bloqueio decretado por Israel só permite entrar em Gaza quantidades mínimas de alimentos, combustível, medicamentos e produtos de uso hospitalar. A pesca foi proibida. E ninguém nem nada pode sair ou entrar sem permissão especial das autoridades israelenses.

O único alívio é conseguido com as mercadorias contrabandeadas por túneis que vêm do Egito e são vendidas por alto preço, que poucos podem pagar. Naturalmente, a inflação chegou a níveis insuportáveis.

Devido à carência de combustível, a única usina elétrica funciona poucas horas por dia. Por causa disso e da proibição de exportar e importar, quase todas as indústrias fecharam. As estações de tratamento de água pararam e o povo tem de consumir água poluída. Com a escassez de medicamentos e de energia, os serviços prestados pelos hospitais são extremamente precários.

Relatório da Cruz Vermelha Internacional fala na “progressiva deterioração da segurança alimentar de 70% da população de Gaza”, com a maioria das famílias vivendo em níveis de sobrevivência, alimentando-se de derivados de farinha, açúcar e óleo, freqüentemente sem combustível para cozinhar. E conclui: “A desnutrição crônica tem uma permanente tendência ascendente enquanto que as deficiências em micronutrientes são fonte de graves preocupações.” É a radiografia de um povo que vive à beira da inanição.

O desemprego chega a 60%, sendo 90% somente na indústria. Abaixo do nível de pobreza extrema vivem 50% da população, com uma renda per capita inferior a 600 dólares anuais.

O martírio de Gaza começou quando o Hamas ganhou as eleições parlamentares de janeiro de 2006. Quatro dias depois, os americanos e europeus cortaram sua ajuda econômica, causando o caos no serviço público, pois não havia como pagar médicos, professores, policiais e outros funcionários públicos. Por sua vez, os judeus fecharam suas fronteiras para trabalhadores palestinos. Queriam desestabilizar o Hamas por ele não reconhecer Israel e praticar atos de terrorismo.

Acusações furadas, pois Israel é um país sólido e assente, na ocasião com 58 anos de vida. Quem precisa de reconhecimento é o Estado palestino, ocupado pelos israelenses contra as decisões da ONU. Quanto a ataques do Hamas, tinham parado há 19 meses.

Depois, seguiram-se trocas de disparos envolvendo militantes palestinos e forças armadas judaicas. No primeiro semestre de 2006, elas lançaram 8.500 mísseis e granadas contra a faixa de Gaza, matando 90 palestinos – a maioria civis – e ferindo 200, contra 900 foguetes domésticos disparados pelos rebeldes (a maioria inócuos).

Em junho desse ano, em represália contra mais um ataque de foguetes contra Israel, sem permissão do Hamas, uma lancha israelense disparou mísseis numa praia de Gaza, atingindo uma família que fazia piquenique e matando 4 dos seus 9 membros, inclusive crianças.

Em resposta, um comando palestino independente atacou um posto militar israelense, matando dois soldados e raptando um cabo. Para soltá-lo, exigiu a libertação de todas as mulheres e menores de idade presos em Israel.

Como sempre, a reação foi desproporcional. Aviões bombardearam pontes, agências do correio, a Universidade Islâmica e a principal usina elétrica de Gaza, além de destruir 70% dos laranjais “por questões de segurança”.

Mas o governo Olmert foi além. Sua força aérea atacou edifícios do Ministério do Interior, postos policiais e o próprio escritório do primeiro-ministro. Mais grave ainda, tropas do exército seqüestraram 8 ministros do governo palestino, 30 congressistas e 30 assessores.

Em dezembro desse ano, a organização de direitos humanos judaica Betzelem publicou um balanço da situação: 660 cidadãos palestinos haviam sido mortos pelo exército israelense, que demoliu 300 casas, matando famílias inteiras.

Tendo, em junho de 2007, o Hamas assumido o controle de Gaza, até então partilhado com o moderado Fatá, o governo de Tel-Aviv declarou Gaza uma “entidade inimiga”, estabelecendo um bloqueio total. Mas as hostilidades continuaram. Segundo a Anistia Internacional, 310 palestinos (a maioria civis) foram mortos, sendo 50 crianças e 40 por falta de recursos médicos, além de 1200 casas destruídas. Por sua vez os árabes mataram 6 soldados judeus e 7 civis.

Em janeiro de 2008, discutiu-se uma trégua. Mas as negociações foram rompidas: forças especiais judaicas assassinaram quatro membros do Hamas, em Belém. Em resposta, foguetes voltaram a ser lançados sobre Sderot.

Por fim, conseguiu-se um cessar fogo provisório em junho deste ano. O bloqueio foi aliviado e a situação da população tornou-se menos dramática. Mas cinco meses depois, soldados israelenses invadiram Gaza e mataram seis militantes do Hamas, provocando nova onda de foguetes sobre o sul de Israel. Novamente as fronteiras foram fechadas completamente. E Gaza tornou-se uma cidade fantasma.

Tel-Aviv justifica seus atos como sendo uma forma de forçar os árabes a interromper seus ataques.

A explicação parece ser outra, conforme deixou escapar a ministra Tzip Livni: “Não podemos deixar Gaza sob controle do Hamas”. Os Estados Unidos apóiam.

E os dóceis europeus os seguem, embora alguns não concordando, como Gordon Brown, primeiro-ministro inglês: “O bloqueio é uma barreira que evita alcançar o acordo (na Palestina) que todo mundo crê ser possível”.

Eles estão cientes de que as sanções de Israel constituem punição coletiva contra todo um povo, o que é capitulado como crime de guerra pela IV Convenção de Genebra. Mais exatamente “um crime contra a humanidade”, no dizer de Richard Falk, professor judeu da Universidade de Princeton e relator da ONU sobre a ocupação da Palestina.

De pouco adianta. Nenhum governo do Ocidente terá coragem de levar os culpados ao banco dos réus da Corte Internacional de Justiça ou pedir uma intervenção dura da ONU.

“Israel tem o direito de se defender”, repetem Bush, Hillary, Cheney, Gates, Condolezza… Talvez até Obama.

Enquanto isso, um milhão e quinhentos mil palestinos morrem aos poucos. De fome, doenças e alguns até de frio, pois o inverno é duro em Gaza e eles já queimaram seus móveis. Não têm mais nada com que se aquecer.

Luiz Eça é jornalista.





O holocausto da faixa de Gaza(imagens fortes!)

4 01 2009

A mídia internacional(vide Rede Globo) está escondendo imagens de uma das maiores atrocidades deste século.
Acesse os links abaixo e tenha uma vaga idéia dos horrores dessa guerra desigual entre Israel e o Hamas.
Atenção: São imagens fortes!!!

http://www.ccun.org/Documents/The%20Gaza%20Holocaust%20Israeli%20Attacks%20on%20Jabalia%20February%2027-March%203,%202008.htm





ABAIXO-ASSINADO: PELO FIM DO HORROR NA FAIXA DE GAZA!!!

6 01 2009

PELO FIM DO HORROR NA FAIXA DE GAZA!!! :
Destinatário: GOVERNO FEDERAL / CONGRESSO NACIONAL / ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS

ABAIXO-ASSINADO

Os interesses são muitos e de muitos agentes poderosos! Sabemos que são interesses basicamente econômicos, e potências como os EUA têm, segundo muitos analistas, a meta de controlar o Oriente Médio com o apoio do Estado de Israel, devido sua principal riqueza: o petróleo.

A comunidade internacional não está passiva. O povo brasileiro no entanto, não está reagindo a altura da gravidade da situação!

PEDIMOS SUA PARTICIPAÇÃO! PRECISAMOS DEMONSTRAR NOSSA INDIGNAÇÃO CONTRA O HORROR DAS MORTES – EM ESPECIAL DAS CRIANÇAS PALESTINAS – ASSINANDO ESTE DOCUMENTO QUE SERÁ DISTRIBUÍDO ENTRE VÁRIAS INSTITUIÇÕES, COMO: GOVERNO FEDERAL, CONGRESSO NACIONAL, E ÓRGÃOS DA ONU!

ACREDITE!!! FAÇA SUA PARTE!!!

LINK DO ABAIXO-ASSINADO: http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/3624





CRIANÇAS: AS MAIORES VÍTIMAS DA INSANIDADE DE ISRAEL NA FAIXA DE GAZA

9 01 2009

Após 15 dias de combate extremamente desigual, as crianças (mais de 200, segundo órgãos de notícia internacionais), são as maiores vítimas desse holocausto promovido em nome do interesse econômico da indústria bélica americana e da ambição no controle das reservas de petróleo no Oriente Médio.

Acesse este site: http://maniadehistoria.ning.com/profiles/blogs/criancas-as-maiores-vitimas-da
O NAZISMO AINDA ESTÁ PRESENTE ENTRE NÓS!





CONVITE

9 01 2009

PALESTRA/DEBATE

Com Gilvan Rocha

“Atuação dos Movimentos Sociais de forma autônoma e independente”

14 /JAN/ 2009

ÀS 15h30

Sede do MTC

Rua Gervásio Pires 404

Boa Vista

Promoção

Fórum Permanente Pela Ética na Política

Associação Pernambucana de Anistiados Políticos – APAP





Esquecidos e mal pagos

13 01 2009

Esquecidos e mal pagos
Professores reclamam de baixos salários e se sentem humilhados pelo governo. Há exatos 137 anos
Daniel Cavalcanti Lemos

“Não vedes que, tratados os professores como escravos, só conseguireis moldar por eles uma sociedade indigna do século em que viveis?!” Atualizada a linguagem, este questionamento valeria para os dias de hoje. Mas o alerta foi feito em 1871 por professores públicos primários da Corte imperial. Em manifesto aberto para chamar a atenção da sociedade civil, eles exigiam melhores condições de trabalho, respeito por parte do poder público, pagamento dos prêmios a que tinham direito, a desistência do Estado de promover uma reforma do ensino e, principalmente, aumento de salários.

Classificados pelo ministro do Império como “incompetentes”, estavam submetidos a salários que, segundo eles próprios, os condenavam à miséria. Além disso, reclamavam que o poder público ignorava solenemente suas reivindicações, como fizera com o primeiro “Manifesto dos Professores Públicos de Instrução Primária da Corte”, elaborado por um grupo de mestres em 1870. Enviado à Assembléia Legislativa, ao ministro do Império Paulino José Soares de Souza e ao imperador D. Pedro II, o documento não recebeu nenhuma resposta satisfatória.

Sentindo-se desprezados, os docentes acrescentaram-lhe então um novo trecho e o endereçaram desta vez ao “poder real da nação”, aquele que estaria acima dos políticos e do imperador: a sociedade civil. Publicado em julho 1871, divulgado na forma de um pequeno livro de 21 páginas, o manifesto aos cidadãos começa em tom de verdadeiro desabafo: “Em uma época de patriotismo e de reformas, quando parece despontar nos horizontes da pátria uma nova era de prosperidade; uma classe inteira de funcionários públicos, classe talvez a mais importante dos servidores do estado, vive oprimida, ludibriada e escarnecida, e, o que mais é, humilhada pela injustiça com que os poderes do estado a apelidam constantemente de ignorante”.

Ao escrever para a sociedade, os professores reuniram todos os manifestos produzidos anteriormente, como se juntos formassem um histórico de suas reivindicações. A coletânea incluía uma carta enviada a D. Pedro II. Nela, faziam referência à “época de patriotismo e de reformas”, já que, com o fim da Guerra do Paraguai (1864-1870), se anunciavam grandes mudanças. Uma das reformas era a da instrução, anunciada pelo próprio imperador: em suas palavras, os professores deixariam de ser uma “classe deslembrada” (esquecida) entre os funcionários públicos.

Em 1870, D. Pedro II, em sua fala do trono, reconheceu a situação difícil em que se encontrava o magistério. Conhecido como amante da cultura, das letras e das ciências, certa vez afirmou que, se não fosse imperador, gostaria de ser mestre-escola. Mas nem esta declarada simpatia nem o reconhecimento público do problema garantiram aos professores primários qualquer acréscimo aos seus ordenados.

Com a promulgação da Lei do Ventre Livre (1871) e a força crescente do movimento abolicionista, parecia claro que o fim da escravidão, cada vez mais próximo, reforçaria a importância da instrução popular. Não à toa, o texto fala em uma época de “justiça, quando os direitos de uma parte da humanidade oprimida vão ser reconhecidos”. O cenário favorável à valorização da escola estimulou a classe a reagir em público contra a forma como estavam sendo tratados pelo Estado. Queixavam-se, por exemplo, do relatório do conselheiro Paulino Soares de Souza sobre os negócios do Império. Apresentado em 1869, o documento dizia que “as condições da instrução primária nessa Corte estão ainda longe de satisfazer as necessidades sociais”. Os motivos apresentados pelo conselheiro eram a carência de escolas e “falta de bons professores”.

Ofendidos com a afirmação, os docentes respondem no manifesto dizendo que têm “sofrido resignados toda sorte de injustiças. Agora, porém, a taça transbordou com a repulsa que acabamos de sofrer”. A culpa pela degradação do sistema educacional público, afirmam, é do governo. Indignados por serem tratados como lacaios, rebatem as acusações feitas pelo conselheiro e respaldadas pelos deputados com o intuito de “humilhá-los com o baldeão de ignorante”. Afinal, argumenta o texto, a ignorância no Brasil não é uma característica da sua classe, mas “uma espécie de epidemia, que não respeita muitas vezes as mais elevadas posições”. As duras declarações iniciais abrem espaço para o arremate: “Nenhum de nós ignora o que pertence ao seu ofício, como acontece com muitos de vossos sábios bochechudos que se alimentam de vosso suor!”

Na pauta das críticas entra também a construção dos modernos edifícios escolares. Chamados de “palácios”, vinham sendo projetados para servirem ao ensino público primário, substituindo as escolas isoladas que funcionavam em diversas regiões do Rio de Janeiro. A maioria das antigas escolas não contava com espaços agora considerados indispensáveis para o bom ensino, como salas amplas, bem ventiladas e iluminadas, laboratórios, bibliotecas e salas para conferências. Com capacidade para receber aproximadamente 600 alunos, os “palácios” se apresentavam como expressões de um novo tempo e de um novo conceito de escola. As ressalvas não se dirigiam às construções em si, mas ao dinheiro empregado nelas: dentro daqueles “custosíssimos prédios”, o professor, segundo o manifesto, morria de fome.

Outra queixa ao novo modelo argumentava que a centralização do ensino nesses grandes edifícios levaria a uma interferência indevida do Estado nas atividades letivas. Pelo mesmo motivo, denunciavam a proposta do governo de criar uma inspeção vigilante, comparando os inspetores a feitores: “Mandai-nos feitores, um para cada escola, se vos aprouver. Falai-nos de emancipação, e quereis o professor escravo! Ah! (…) É que não compreendeis os vossos próprios interesses”.

O grupo que elaborou a série de documentos tinha à frente três professores: Candido Matheus de Faria Pardal, João José Moreira e Manoel José Pereira Frazão, que assinam “em nome da classe”. Maior expoente do grupo, Frazão foi o relator do manifesto e tentou organizar uma associação classista, o Instituto Profissional dos Professores, que, por brigas internas, não foi adiante. No ano seguinte, ele fundaria e seria redator do jornal A verdadeira Instrucção Pública, e havia quase uma década vinha escrevendo artigos relativos à situação da educação em vários periódicos, sendo os primeiros publicados sob o pseudônimo de “professor de roça”, no jornal Constitucional, em março e abril de 1863. Esses artigos continham críticas à política e às condições salariais a que estavam submetidos os professores. Num deles, de abril de 1863, o “professor da roça” afirmava que “o professorado hoje é a peior das recommendações! Perguntai a um pai o que é o professor de seu filho, e elle vos responderá: “Um criado de ensinar meninos!”

O tom duro do manifesto gerou descontentamento na Inspetoria Geral de Instrução Primária e Secundária da Corte. Quando o documento chegou às mãos do imperador, houve uma grande agitação na cúpula da Inspetoria, com trocas de ofícios e cartas em caráter reservado entre o inspetor geral e o ministro do Império. Em uma dessas correspondências, o inspetor José Bento da Cunha Figueiredo prometeu ao ministro João Alfredo obter informações sobre “os procedimentos a que podem estar sujeitos os professores Frazão, Pardal e Moreira pelo manifesto publicado no Jornal do Commercio no dia 30 do mês de julho”. Porém, apesar de a Inspetoria buscar uma forma de punir os professores, nada poderia ser feito: o próprio imperador defendia o direito de manifestação, ainda que as críticas ferissem a sua administração. Diante disso, o inspetor sugeriu que o Ministério dos Negócios do Império fizesse apenas uma “repreensão” por escrito, o que não afetou os rumos das reivindicações.

Mesmo sem alcançar nenhum de seus propósitos, a mobilização dos professores não foi em vão. Eles conseguiram melhorar sua forma de organização, tornando aquele um período de várias realizações. Em poucos anos, foram criadas suas primeiras associações profissionais e fundados jornais, revistas, associações de auxílio, científicas e beneficentes.

Nas novas publicações, eram discutidos métodos pedagógicos e as políticas do Império para a instrução. Na década de 1870, dois jornais organizados por professores travaram intensos debates. Um foi A Instrucção Publica, lançado em abril de 1872 e chefiado pelo diretor da escola normal de Niterói, José Carlos de Alambary Luz, e o outro, A Verdadeira Instrucção Publica, lançado dois meses depois. É possível perceber já pelos nomes o clima de disputa presente entre a classe, que em seguida se organizaria em diferentes associações. Algumas tinham caráter científico, como a Sociedade Literária Beneficente Instituto dos Professores Públicos da Corte, de 1874. Outras eram mais assistencialistas, com o objetivo de auxiliar financeiramente os professores em dificuldade, pagar enterros e uma pequena pensão às viúvas. Era o caso da Caixa Beneficente da Corporação Docente do Rio de Janeiro, criada em 1875.

Essa participação organizada de professores, produzindo jornais, abaixo-assinados e manifestos, teve importante papel na articulação e na criação das primeiras associações profissionais, como a Associação dos Professores Públicos da Corte (1877) e o Grêmio dos Professores Públicos Primários da Corte (1881).

Hoje, quase 150 anos depois, a classe dos professores permanece entre as “deslembradas” do poder. Os problemas da educação pública continuam a ser um dos grandes empecilhos enfrentados pelo Brasil. É preciso continuar lutando pelas mesmas causas às quais se entregaram o professor Frazão e seus colegas. Como dizia o pedagogo Paulo Freire, a luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente: um exercício de ética.

DANIEL CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE LEMOS é doutorando em Educação na UFMG e autor da dissertação “O discurso da ordem: a constituição do campo docente na Corte Imperial” (Uerj, 2006).

Saiba Mais – Livros:

GONDRA, José G. e MAGALDI, Ana Maria. A reorganização do campo educacional no Brasil: Manifestações, Manifestos e Manifestantes. Rio de Janeiro: 7letras, 2003.
GONDRA, José G. Emergência da Escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.
VILLELA, Heloísa. “O mestre e a professora”. In: LOPES, Eliane M. & FARIA FILHO, Luciano (orgs.). 500 anos de educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.





MAYSA – UMA BIOGRAFIA

14 01 2009

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Maysa Figueira Monjardim, de tradicional família de classe média alta, era filha de Alcebíades Guaraná Monjardim (Monja), boêmio, que Quando jovem jogou futebol amador, formado em direito tendo exercido cargo de deputado no Espírito Santo. Monja pertencia a uma família tradicional italiana onde seus antepassados seguiram a carreira militar e política. Casou-se com Inah Figueira, bela moça de olhos claros, que havia sido coroada Miss Vitória, Inah, também pertencia a uma tradicional família do Espírito Santo, era mestiça de lusitanos com brasileiros.
Maysa nasceu no Rio de Janeiro, no dia 6 de junho de 1936, às 11:50 horas, na casa de seu avô paterno que era médico e ex-senador e fez o parto. O nome de Maysa é uma mescla dos dois primeiros nomes de uma grande amiga de Dona Inah, Maria Luysa.
Seu pai, o popular Monja, tinha muitos amigo no meio mundo artístico do Rio de Janeiro e São Paulo. Costumava promover noitadas homéricas, em sua casa, regadas a uísque e muita musica, com presenças quase obrigatórias de artistas como Silvio Caldas e Elizeth Cardoso. Monja era um hedonista em um clã que se orgulhava da ascendência histórica e nobre. Maysa admirava a total ausência de convencionalismo com que fora criada.
A fama de Monja era de ser um sujeito amigo do samba e da noite. Seu
sogro não gostou muito do seu cartaz de mulherengo e bom de copo, quando o viu interessado em sua filha Inah, uma jovem de grande beleza.

SAIBA MAIS: http://www.fmu.br/site/graduacao/psicologia/arquivos/biografia_maysa_07.pdf

CRÍTICA DO JORNALISTA ARTHUR CARVALHO SOBRE A MINISSÉRIE DA REDE GLOBO DE TELEVISÃO

Pobre Maysa!
Publicado em 14.01.2009 no JC

Arthur Carvalho
Maysa, minissérie exibida na telinha, foi uma peça de singular mediocridade, representando, no mínimo, uma absurda simplificação, cheia de clichês, da vida de uma grande cantora – e também compositora –, transformando-a em lixo televisivo. Ainda mais porque a tal minissérie, com ou sem hífen, vem assinada pelo próprio filho da infeliz artista, que já havia transformado a biografia de Olga Benário em piada de mau gosto. Nesse filme, Jayminho Monjardim Matarazzo conseguiu ser pior do que a pantaneira novela da falecida Rede Manchete, ao mostrar, entre outros “assuntos relevantes”, a determinada ativista desvirginando o Cavaleiro da Esperança, Luís Carlos Prestes. Isso mesmo: Jayminho considerou importantíssimo o fato de Olga ter sido a primeira experiência sexual do casto tenente e comandante da Coluna…

O que vimos, recentemente, foi a dramática vida de uma mulher extraordinária, pasteurizada sob a assinatura do próprio filho “diretor” de TV. Jayminho poderia tentar se redimir do que fez com a história (trágica) de Olga, ao se dedicar, por fim, à trajetória da mãe, que ele deveria conhecer melhor do que ninguém. Ele não somente permitiu, como se associou ao projeto de transformar Maysa numa minissérie sensaborona com todos os chavões que a Globo pensa ter o direito de impingir a uma platéia que julga completamente analfabeta. Como se não bastassem a inteligência fulgurante, a envolvente simpatia, a erudição à flor da pele, a comovente humildade, as constantes e chocantes demonstrações de falta de ética profissional nas transmissões de futebol, o ufanismo histérico e a cultura enciclopédica de Gavião Bueno, o gênio da raça. Enfim, a pobre mãe de Monjardim terminou – coitada! – “pagando o pato” de ser mostrada como uma adolescente pré-gordinha que se casa com um homem mais velho (André Matarazzo) antes de ser cantora, sob a censura do marido paulista quatrocentão. E o que virá agora? Um retrato polaroide do mundo do rádio e da televisão “engatinhante”, entre 1950 e 1970? É o que prevejo. Vê-se que se Jayminho fosse o filho de Billie Holiday (outro azar da negona?), de quem sou admirador, ele teria transformado até a história – ainda mais sofrida – da magistral intérprete de blues americanos numa espécie de resumo biográfico da existência de Xuxa com a de Rita Pavone (lembram-se dela?)…

Estava no ar, portanto, uma distorção televisiva (mais uma, na verdade) de todas as vidas que se perdem – ou se ganham – entre as antigas fumaças etílico-tabagistas do chamado “show-business”. Só os “boêmios” de hoje conseguiram engolir essa Maysa, calados, “até o amargo fim”.

Existe um filme admirável – The Rouse (1979) – dirigido pelo americano Mark Rydell, com roteiro baseado na vida da difícil Janis Joplin. Ele conquistou o disputado prêmio Globo de Ouro e deveria ter sido visto (ao menos esse filme do competente Rydell) por Jayminho, como dever de casa, antes de derrapar na tele-biografia da criadora de Ouça. A fita que Clint Eastwood realizou sobre Charlie “Bird” Parker também poderia ser citada. O título é Bird, e foi rodada em 1988. Uma boa mostra, também, do que se pode fazer – de honesto – com o material da saga de pessoas como Joplin, Charlie Parker e… Maysa.

Hoje, dia em que escrevo esta matéria, já não verei o quarto capítulo de Maysa, nem sequer para ouvir velhos hits na trilha sonora (a única coisa boa da mini, mal roteirizada e burocraticamente dirigida por Jayminho). Quando o Brasil aprender a tratar gente, na TV, como pessoas de carne, osso e sangue, voltarei a ficar acordado para assistir a “minisséries” de fim de noite. Só espero que a poderosa Rede Globo – que alardeou grandes índices de audiência de Maysa, vista pelo “povão” anestesiado, indiferente(?) – não resolva exibir mais uma novelita cor-de-rosa, em outubro próximo, nos 50 anos da morte prematura de Dolores Duran, em 23 de outubro. Que seria de Amy Winehouse, Cássia Eller, Dalva de Oliveira e Elza Soares, nas mãos sacrossantas da “vênus platinada”?

» Arthur Carvalho, advogado, é da Federação Internacional de Jornalistas





AS MULHERES DE DOM PEDRO II

15 01 2009

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Fonte: Aventuras na História





ENTREVISTA

19 01 2009


Falsa neutralidade
A crença de que a ciência e a tecnologia são politicamente neutras e de que as inovações são sinônimo de progresso afastam o conhecimento das necessidades sociais
Fábio de Castro, da Agência FAPESP

A ciência e a tecnologia estão longe de ser politicamente neutras e as novas descobertas não correspondem necessariamente a progressos para a sociedade, segundo o professor Fernando Tula Molina, da Universidade de Quilmes, na Argentina. Para ele, embora façam parte do senso comum, as noções de neutralidade científica e determinismo tecnológico representam obstáculo para uma ciência democrática, capaz de melhorar a sociedade.

Ideias como essas foram expostas por Molina em nove sessões entre agosto e dezembro de 2008, durante o 15º Seminário Internacional de Filosofia e História da Ciência, realizado pelo Grupo de Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia do Instituto de Estudos Avançados (IEA), da Universidade de São Paulo (USP).

O seminário foi um produto do Projeto Temático Gênese e significado da tecnociência: relações entre ciência, tecnologia e sociedade, Universidade de São Paulo, apoiado pela FAPESP e coordenado por Pablo Rubén Mariconda, do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Doutor em filosofia pela Universidade de Buenos Aires, Molina permaneceu no Brasil como professor convidado do projeto. No evento, discutiu o tema “Controle, rumo e legitimidade das práticas científicas”.

Para avaliar as implicações científicas e sociais das práticas tecnológicas, o professor propõe uma distinção entre a “eficácia” e a “legitimidade” dessas práticas – e busca elementos conceituais para a compreensão das origens culturais dessa distinção e da complexidade dos diferentes atores envolvidos.

Segundo Molina, que também é pesquisador adjunto do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet), na Argentina, “essa compreensão contribuirá para que se encontrem os caminhos que levem ao acordo requerido pelas políticas científicas nos espaços de diálogo das instituições democráticas”.

Agência FAPESP – Uma das idéias centrais desenvolvidas pelo senhor durante o seminário realizado no mês passado em São Paulo é a de que a ciência não pode ser dissociada da política. Como essa questão foi tratada nos debates?
Fernando Tula Molina – As discussões tiveram origem em um Projeto Temático apoiado pela FAPESP dirigido pelo professor Pablo Mariconda, do Grupo de Filosofia, História e Sociologia da Ciência e da Tecnologia do IEA, responsável pelo seminário. Esse projeto discute a gênese e os significados da tecnociência. Isso envolve questões históricas, filosóficas e sociológicas, mas no fundo tudo está virando uma área importante ligada à política. Tentamos problematizar duas idéias que hoje são muito fortes em nossa cultura: a neutralidade da ciência e o determinismo tecnológico. Essas duas noções estabelecem no imaginário popular uma idéia de que a ciência é neutra, desprovida de política, quando, na verdade, a ciência – e sobretudo a tecnologia – tem muita política.

Agência FAPESP – Como esse aspecto político se manifesta?
Molina – Uma das linhas que está sendo desenvolvida é que essa política pode ser vista com clareza, por exemplo, no chamado código técnico. Esse gravador digital que você está utilizando, por exemplo, possui um design que encerra em si todo o contexto de sua concepção e está ligado a determinadas estratégias. Essas estratégias representam interesses – que, no caso de uma sociedade capitalista, correspondem aos interesses das corporações. São interesses que têm a ver com o consumismo tecnológico. O projeto do gravador já prevê quando ele sairá de linha, isto é, carrega consigo uma estratégia de obsolescência programada. Para que você consuma mais, é preciso que na sua cabeça a aquisição de novos produtos tecnológicos seja entendida como um progresso. Você acredita que está progredindo e tem um aparelho melhor, de última tecnologia. Mas eventualmente os aparelhos mais antigos tinham mais qualidade. Isso é pura política.

Agência FAPESP – Essa é a idéia do determinismo tecnológico? Uma crença de que o produto que acaba de ser lançado é necessariamente melhor, mais eficiente e mais desejável?
Molina – Sim. É uma estratégia de consumo que se baseia na novidade. O produto é um bem cultural que se vale do valor simbólico que tem a “eficácia” na nossa cultura, levando a pessoa a pensar que os produtos desenvolvidos mais recentemente são melhores. Mas isso é uma falácia. Outra falácia está no discurso político oficial dos nossos países: a idéia de que o cientista pode dizer o que é melhor para a sociedade. O cientista não sabe o que é melhor para a sociedade. Não existem nem mesmo elementos conceituais para abordar essa questão. O seminário teve, portanto, a tarefa central de instalar uma discussão e conscientizar sobre alguns erros. Muitos desses erros, como o individualismo, têm origem filosófica.

Agência FAPESP – Como o individualismo é tratado nessa discussão?
Molina – Quando a lógica predominante é a de que alguém só consegue ganhar quando os demais perdem, o resultado é que as pessoas passam a achar que podem ser livres apenas de portas fechadas. O que gostaríamos de opor a essa idéia individualista é a possibilidade de pensar que, ainda hoje, apesar das assimetrias e desigualdades do capitalismo, podemos aprender a nos organizar de um jeito diferente e reaprender a conviver. A convivência é o ponto central da política em um sentido muito antigo, do qual já falava Sócrates. Como todos os atores, tão diferentes, podem conseguir a felicidade e a plenitude no meio de todos, no espaço restrito da pólis? A ideia de democracia que está por trás do seminário é mais profunda que uma noção de igualdade: é a ideia de que somos todos diferentes.

Agência FAPESP – Qual o efeito desse contexto dominado pelo individualismo sobre o desenvolvimento tecnológico e científico?
Molina – Vamos tentar falar do conjunto ciência e tecnologia: a tecnociência. Se as pessoas acreditam que o investimento em ciência e tecnologia leva o país a crescer automaticamente, melhorando a vida da população, temos o determinismo tecnológico. Nesse caso, já que o resultado seria necessariamente bom para todos, o investimento poderia ser feito sem preocupação com a participação da coletividade – esse determinismo tecnológico é favorecido em um contexto individualista.

Agência FAPESP – Então, sem a participação da coletividade nas decisões científicas e tecnológicas, os avanços do conhecimento não chegam a beneficiar a sociedade?
Molina – Acho que é por isso que temos que combater o determinismo tecnológico. Com essa lógica, o investimento não volta diretamente para a população, mas para as corporações. Os investimentos públicos formam técnicos, especialistas e recursos humanos para a universidade e para o sistema tecnológico. Mas essas pessoas poderão desenvolver tecnologias que melhorem as corporações, não necessariamente o país. Se nossa sociedade tem base tecnológica e capitalista, mesmo que se possa desenvolver a melhor tecnologia, ela irá se limitar a desenvolver a tecnologia com melhor custo-benefício. Tudo o que está envolvido com essas tecnologias será avaliado do ponto de vista quantitativo, porque estará orientado pela produtividade. Incluindo as relações com trabalhadores.

Agência FAPESP – Esse tipo de modelo tecnológico tenderia a agravar o quadro de exclusão social?
Molina – Acredito que sim. A tecnologia orientada pela produtividade só é acessível a quem tem determinado poder de consumo. As distâncias sociais que deveriam ser diminuídas por conta da tecnologia começam a aumentar. O crescimento das diferenças sociais agrava a violência. No fim, a tecnologia, que poderia ter um papel de inclusão, acaba fazendo o contrário.

Agência FAPESP – As tecnologias sociais seriam um possível caminho para contornar esses problemas?
Molina – O Brasil tem uma rede muito boa de tecnologia social. Ela tem 700 organizações – a maioria organizações não-governamentais –, sendo 400 muito ativas. Todas pensam em confrontar essa idéia da tecnologia capitalista associada à corporação. Nesse modelo fundamentado na produtividade, não se pode acessar o conhecimento – que deve ser patenteado. O usuário não é dono do meio onde essa tecnologia vai se produzir e não se pode decidir para onde vai o benefício do desenvolvimento.

Agência FAPESP – Essas tecnologias teriam então mais legitimidade?
Molina – As tecnologias sociais têm um papel importante na democratização do conhecimento, mas elas não chegam a garantir a legitimidade da forma como a entendemos. É preciso distingui-la da eficácia. A tecnociência tem eficácia, mas não tem legitimidade social. Esses dois conceitos muitas vezes são confundidos no próprio discurso do desenvolvimento tecnológico, que está baseado na ideia de controle. O que é o controle? Uma coisa é poder controlar a matéria ou a partícula – como pode a nanotecnologia – no espaço e no tempo. Esse é o controle científico, que é necessário e desejável. Mas não suficiente. Outra coisa é poder dar legitimidade a esse controle.

Agência FAPESP – E como dar mais legitimidade ao controle das práticas científicas?
Molina – Para mim, a legitimidade não está no conteúdo das decisões sobre os rumos tecnológicos, mas no jeito como essas decisões são tomadas. Se a decisão foi tomada de maneira coletiva e democrática e daí gerou os rumos e decisões, isso a legitima, não pelo conteúdo, mas pela forma coletiva. O que temos que pensar é quais são os atores em cada âmbito que deveriam participar democraticamente, sendo reconhecidos como diferentes e igualmente importantes, do rumo mais democrático da enorme capacidade tecnológica que já temos. Mas se não conseguimos dar a isso um caráter democrático, então o rumo será tecnocrático e corporativo. A responsabilidade é nossa. A palavra-chave é participação.

Agência FAPESP – Há propostas para melhorar essa participação?
Molina – O controle tecnológico, voltado para o controle da matéria no espaço e no tempo, não tem, em si, nenhuma legitimidade. Propomos dois novos eixos para pensar essa legitimidade: o tempo da educação e o espaço da participação política. Para melhorar essa participação, temos que gerar um espaço de protagonismo social em que os outros atores possam interagir com os cientistas. O especialista tem uma função consultiva importante, um compromisso de indicar as possibilidades, mas não a prerrogativa de ditar os rumos. Com a ajuda dele, o leigo poderia ter a possibilidade democrática de decidir o futuro. Mas isso não acontece. Na nossa organização estamos excluídos de todas as decisões tecnológicas. Não temos o espaço da participação política.

Agência FAPESP – E quanto ao tempo da educação?
Molina – Levamos tempo para educar alguém a ser crítico com a tecnologia e a conhecer sua própria capacidade de decisão e sua autonomia de criatividade. Essa é a dimensão do tempo da educação. Temos que introduzir essa discussão na escola inicial, porque ali as crianças já têm celular, videogames e muitas possibilidades tecnológicas. Seria importante começar a combater cedo a idéia introjetada de que a ciência é apolítica. Ao superar as idéias de neutralidade e determinismo do desenvolvimento tecnocientífico, só nos restará a possibilidade de um desenvolvimento político, democrático, com participação cidadã. Mas esse cidadão crítico ainda não existe, daí a importância dessa dimensão da educação.

Agência FAPESP – Ainda estamos muito distantes da formação desse cidadão crítico?
Molina – Talvez nem tanto. Podemos pensar no que aconteceu com a cultura ecológica. As crianças e as novas gerações já colocam o problema ecológico de forma mais prioritária. Isso ocorreu, entre outros fatores, porque a ecologia começou a ser apresentada às crianças de forma muito forte, desde a escola inicial. Acho que poderia acontecer o mesmo com o problema tecnológico. Para isso temos que começar a refletir com mais clareza sobre lixo tecnológico, obsolescência planejada, qualidade tecnológica, durabilidade, tecnologias para o futuro, tecnologias sustentáveis, tecnologias adequadas aos problemas – e não apenas ao consumo em massa – e tecnologias customizadas, que não impõem uma única solução, como se fôssemos todos iguais.





25 ANOS DAS DIRETAS JÁ!

25 01 2009

1984 – Cresce o movimento pelas Diretas Já
25 January, 2009 |
Enviado por: denisedealmeida

O comício pelas eleições diretas para a Presidência da República levou 200 mil pessoas à Praça da Sé, em São Paulo, em um dia chuvoso. Artistas e políticos se revezavam nas apresentações conduzidas pelo locutor Osmar Santos. A palavra de ordem mais ouvida era um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos eleger o presidente do Brasil.

O então presidente do PMDB, Ulysses Guimarães, declarou que o comício marcou o fim do Colégio Eleitoral: “A bastilha, que é um símbolo da usurpação do povo, e que se chama Colégio eleitoral, caiu hoje aqui”.

Com o sucesso do comício em São Paulo todos os governadores de oposição resolveram fazer o mesmo. O governador do Rio, Leonel Brizola, garantiu a realização de uma manifestação ainda maior. A partir de fevereiro, os comícios foram se sucedendo nas principais capitais do país. O comício do Rio levou 1 milhão de manifestantes à Candelária. Em Belo Horizonte compareceram 300 mil manifestantes. Número igual ao de Goiânia. Até que no dia 16 de abril, pouco antes da votação da emenda Dante de Oliveira, que instituía o voto direto para a Presidência da República, realizou-se um último comício em São Paulo, que reuniu 1,5 milhões de pessoas no vale do Anhangabaú.

Para obter a aprovação, a emenda teria de obter 2/3 dos votos. A proposta recebeu 298 votos a favor e 65 contra, e foi derrotada por 22 votos. A população não pode acompanhar a votação dentro do plenário. Os militares reforçaram a segurança ao redor do Congresso Nacional com tropas, tanques e metralhadoras.

Restou a eleição indireta para a presidência, que foi disputada por Paulo Maluf (PDS) e Tancredo Neves (PMDB). Com o apoio das mesmas lideranças da campanha Diretas Já, Tancredo Neves venceu a disputa, mas não tomou posse. Um dia antes da cerimônia passou mal, foi internado e morreu no dia 21 de abril, de infecção generalizada. O vice-presidente José Sarney assumiu o cargo.





HOMENAGENS A DOM HELDER CÂMARA PELO MUNDO

5 02 2009

dom-helder-iiiAté agora, o Instituto Dom Helder Câmara já recebeu comunicações de ações que serão desenvolvidas ao longo deste ano, no exterior: Vejamos:

PROGRAMAÇÃO NA ALEMANHA – Sob a coordenação da Adveniat alemã:

· Um Seminário em parceria com a Miserior e a Universidade de Munster;
· Duas noites de leitura, meditação e música destinada à população, em parceria com a Faculdade Popular de Essen e a Casa de Formação;
· Exposição sobre Dom Helder, em parceria com a Associação Dom Helder – Memória e Atualidade, da França;
· Uma noite de programa de rádio sobre Dom Helder, em parceria com a Rádio da Diocese de Colônia;
· Publicação de Artigos sobre Dom Helder na revista trimestral Blickpunkt (“Ponto de vista”);
· Inclusão de textos de Dom Helder no site da Adveniat.

PROGRAMAÇÃO NA FRANÇA

Diversos atos estão sendo organizados pela “Associação Dom Helder – Memória e Atualidade”, sediada em Paris, sob a coordenação da José de Broucker,
Hoje, dia 1º de fevereiro, está sendo colocado no ar, o Web Site www.heldercamara-actualites.org,

PROGRAMAÇÃO NO CANADÁ
Em Quebec, estão sendo organizadas, pelo clero local, homenagens canadenses para o Centenário de Dom Helder.

São realizações pelo mundo que evidenciam a importância do profeta que marcou o seu tempo!





Artigo: Pe REGINALDO VELOSO em Homenagem ao Centenário de Dom Helder Câmara

8 02 2009

Meninos, eu não ouvi!
Reginaldo Veloso* – Recife, 08.02.09
Foi muito bom, foi uma graça, ter tido Dom Geraldo Lírio, Presidente da CNBB, na presidência da celebração de ação de graças pelo Centenário de Nascimento de Dom Helder Câmara, muito embora tenha sentido a ausência de Dom Paulo Evaristo Arns, de Dom José Maria Pires, Dom Thomás Balduíno, de Dom Valdir Calheiros, de Dom Clemente Isnard, de Dom Pedro Casaldáliga, Dom Orlando Dotti, de Dom Angélico Sândalo, de Dom Moacyr Greick, de Dom Erwin Kräutler, de Dom Afonso Gregori, de Dom Manoel João Francisco, de Dom Franco Masserdotti, de remanescentes da mais significativa e honrosa plêiade de pastores que esse país já conheceu, mandados por Deus, em boa hora, para resgatar a essência do Evangelho, o compromisso com o excluído, no seio de uma Igreja, que tem passado séculos tentando alargar o buraco da agulha e emagrecer o camelo. Certamente, estes evangélicos pastgores não foram representados por Dom José Cardoso Sobrinho, Sua Excelência o Indesejado, cuja presença foi a nota mais destoante deste inesquecível evento.

Foi muito bom o devoto Senador Marco Maciel ter escutado da boca do Presidente da CNBB o relato bastante detalhado sobre o que significou para a Igreja e, particularmente, para a pessoa e o ministério de Dom Helder, textualmente, “o Golpe militar”, que implantou no país a mais longa e cruel ditadura da sua história, decretou o silêncio, a não existência do Bispo dos Pobres e engendrou o assassinato do Pe. Antônio Henrique Pereira Neto (dia 27.05.69, o seu martírio completará 40 anos! E é bem provável que o Senador saiba quem possa ter sido o responsável).
Mas teria sido muito bom que a profética homilia de Dom Geraldo, tão explícita sobre a ditadura militar, tivesse sido igualmente explícita com relação à ditadura eclesiástica que fechou o Instituto de Teologia do Recife, o ITER, e o Seminário do Regional Nordeste 2, o SERENE 2. Sua Excelência, o Arce-Bispo merecia ter passado pelo mesmo constrangimento que Sua Eminência, mo Senador. Pe. José Comblim, Prof. Zildo Rocha, Dom Sebastião Armando, Bispo Anglicano, Pe. Ernane Pinheiro, que estiveram à frente dessas duas importantes criações do gênio pastoral de Dom Helder, e estavam presentes à celebração do seu Centenário… o antropólogo José Maria Tavares, que chegara de Estrasburgo e fora seminarista da primeira leva do SERENE e de estudantes do ITER… os professores Degislando e Artur Peregrino, da UNICAP, que participaram das últimas turmas do ITER e do SERENE… Ir. Visitatio e Ir. Ivone Gerbara, que talvez aí estiveram, mas não cheguei a vê-las… e muitos outros e outras, padres, religiosas e agentes pastorais aí presentes… todos eles e elas mereciam ter ouvido uma palavra que, de certa forma, resgatasse o mérito de um Seminário e de um Instituto de Teologia, criados para formar presbíteros e animadores pastorais, capazes de se inserirem no meio do povo da periferia, como pobres no meio dos pobres, a fim de caminhar com eles para um mundo de dignidade, de justiça, onde todos pudessem “ter vida e vida em plenitude”, sonho de Dom Helder e, muito antes dele, do Mestre dos Mestres, JESUS.

Dom Geraldo, o senhor terá tido seus motivos ou conveniências, facilmente compreensíveis e identificáveis nos meios clericais, mas ficou devendo a nós esta profecia, porque, no seio da própria Igreja, “eu tive fome e sede de justiça e não me destes de comer, nem me destes de beber; estive nu e desabrigado, doente, perseguido, preso, e não vos solidarizastes comigo”. Mas não seja por isso. O senhor ainda tem muito chão e muito tempo pela frente. Deus o abençoe em seu ministério episcopal, à frente da CNBB.

* Padre Reginaldo Veloso, foi um dos fundadores do ITER – Instituto Teológico do Recife e um dos braços direitos de Dom Helder Câmara. Ex-Pároco do Morro da Conceição, atualmente é assessor das CEBs, do MAC e do MTC – Movimento de Trabalhadores Cristãos.
Reginaldo Veloso é Mestre em Teologia e História, escritor, compositor e especialista em liturgia.





O Imperio Bizantino

13 02 2009

Por Rainer Sousabizancio
Entendida como um dos sinais de crise do Antigo Império Romano, a criação do Império Romano do Oriente ou Império Bizantino, em 330, não só foi resultado do desgaste das estruturas sócio-políticas do Império Romano, mas também assinalou as diferenças entre suas partes Ocidental e Oriental.

O Império Bizantino foi historicamente influenciado pelos valores da cultura helenística, criada pelo imperador Alexandre, O Grande. Além disso, essa maior influência das tradições gregas e orientais também pode ser compreendida enquanto um desdobramento da tradição comercial da própria economia bizantina. Com sua capital em Constantinopla (atual Istambul), o Império Bizantino conseguiu se firmar durante toda a Idade Média,mas foi tomado, em 1453, pelos turco-otomanos.

O sistema político bizantino era monárquico. O rei, além de responder as questões de cunho político, também tratava dos assuntos religiosos e militares. Mesmo concentrando muito poder em mãos, os reis ainda contavam com o auxílio de um amplo corpo de funcionários responsáveis pelos aspectos burocráticos do poder imperial. O mais notável imperador do Império Bizantino foi Justiniano, que entre os anos de 527 e 565 realizou conquistas territoriais e reformou alguns pontos da estrutura jurídica de seu governo.

No governo de Justiniano, o Império ampliou as suas fronteiras chegando a tomar controle sob a cidade de Roma. Visando reavivar os domínios do Antigo Império Romano, Justiniano ainda conquistou o Norte da África (533), o sul da Itália (536 – 539) e a Espanha (554). A nostalgia de Justiniano em relação ao Antigo Império Romano também se manifestou quando ele criou o Código Justiniano, um conjunto de leis inspirado no Direito Civil Romano. Além disso, Justiniano foi responsável pela construção da Catedral de Santa Sofia, um dos maiores centros de adoração cristã do império.

No aspecto religioso, podemos dar destaque sobre as feições que o cristianismo tomou em solo bizantino. Até o processo de centralização do poder papal, em 455, o rei do império também era considerado chefe supremo da Igreja. Essa submissão ao poder do Papa de Roma nunca foi aceita pelos clérigos bizantinos. Além disso, os cristãos bizantinos ainda divergiam em alguns pontos da doutrina romana. Entre outras heresias, a Igreja Bizantina rejeitava a adoração a imagens, liderando o chamado movimento iconoclasta. Esse movimento incentivava a destruição das imagens de santos e do Cristo. As tensões político-ideológicas entre Roma e Constantinopla acabariam por deflagrar o Cisma do Oriente (1054). O Cisma foi responsável por dividir a Igreja: de um lado a Igreja Católica, sediada em Roma; de outro a Igreja Ortodoxa, sediada em Constantinopla.
Entre os séculos VI e VIII os domínios do império foram tomados por constantes invasões promovidas tanto pelo lado ocidental quanto pelo oriental do território. Até o fim da Idade Média, durante os séculos X ao XV, outras pressões territoriais, incluindo o movimento das Cruzadas, e o renascimento comercial da Europa Ocidental foram responsáveis pelo enfraquecimento do Império Bizantino. Durante a expansão turco-otamana sob o território dos Bálcãs e da Ásia Menor, o império se viu reduzido à própria cidade de Constantinopla. Em 1453, os trucos conseguiram invadir a cidade, mudando o seu nome para Istambul.

LINKS RELACIONADOS:


ANÍBAL E SEU EXÉRCITO – O INFERNO DE ROMA (CLIQUE AQUI)





FREVO CENTENÁRIO

14 02 2009

frevo_marciomelo2Os três tipos de frevo
Frevo-canção, de rua e de bloco

São três os tipos de frevo:

Frevo-de-Rua

Primeiro gênero a surgir, diferencia-se dos outros por não conter letra alguma, pois é destinado exclusivamente para ser dançado. Ele ainda pode ter três subdivisões: frevo-abafo, ou de encontro, que levou esse nome porque é tocado quando uma troça ou agremiação quer “abafar” alguma outra que esteja passando na rua. Tem predominância dos instrumentos metálicos, como pistões e trombones. Já o frevo-coqueiro possui notas altas e agudas. O frevo-ventania é o mais suave dos três.

Frevo-canção

Por conta desse estilo, o frevo-de-rua passou a incorporar melodias às suas músicas. Chamado também de marcha-canção, por assemelhar-se muito às marchinhas cariocas, o frevo-canção possui uma parte introdutória e outra cantada. Elementos do frevo, como o surdo e o tarol, lhe foram logo incorporados, diferenciando-o das marchinhas. Um artista emblemático do frevo-canção é Nelson Ferreira, com criações belíssimas, como “Borboleta não é ave”.

Frevo-de-bloco

Criado pelos rapazes que faziam serenatas e, no carnaval, saiam para as ruas, o frevo-de-bloco surgiu a partir de 1915 e é formado por famílias pertencentes às classe média de Recife. Sua música e dança têm traços marcantes dos pastoris e sua orquestra é composta por instrumentos de pau e corda, como violões, banjos e cavaquinhos. Além de terem sido incorporados recentemente clarinetes e coral de mulheres. É no frevo-de-bloco que existe a Frevioca. Diferentemente dos trios eltétricos, a Frevioca é um carro aberto, que comporta todos os músicos e percorre as ruas de Recife seguido por foliões.

SAIBA MAIS: http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=14a href=”http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=14″>





REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

17 02 2009

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A Revolução Industrial ocorrida na Inglaterra, integra o conjunto das “Revoluções Burguesas” do século XVIII, responsáveis pela crise do Antigo Regime, na passagem do capitalismo comercial para o industrial. Os outros dois movimentos que a acompanham são a Independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa, que sob influência dos princípios iluministas, assinalam a transição da Idade Moderna para Contemporânea.
Em seu sentido mais pragmático, a Revolução Industrial significou a substituição da ferramenta pela máquina, e contribuiu para consolidar o capitalismo como modo de produção dominante. Esse momento revolucionário, de passagem da energia humana para motriz, é o ponto culminante de uma evolução tecnológica, social, e econômica, que vinha se processando na Europa desde a Baixa Idade Média.

A) O PROCESSO DE PRODUÇÃO

Nessa evolução, a produção manual que antecede a industrial conheceu duas etapas bem definidas, dentro do processo de desenvolvimento do capitalismo:

O artesanato, foi a forma de produção característica da Baixa Idade Média, durante o renascimento urbano e comercial, sendo representado por uma produção de caráter familiar, na qual o produtor (artesão), possuía os meios de produção ( era o proprietário da oficina e das ferramentas) e trabalhava com a família em sua própria casa, realizando todas as etapas da produção, desde o preparo da matéria-prima, até o acabamento final; ou seja não havia divisão do trabalho ou especialização. Em algumas situações o artesão tinha junto a si um ajudante, porém não assalariado, pois realizava o mesmo trabalho pagando uma “taxa” pelo utilização das ferramentas.
É importante lembrarmos que nesse período a produção artesanal estava sob controle das corporações de ofício, assim como o comércio também encontrava-se sob controle de associações, limitando o desenvolvimento da produção.
A manufatura, predominou ao longo da Idade Moderna, resultando da ampliação do mercado consumidor com o desenvolvimento do comércio monetário. Nesse momento, já ocorre um aumento na produtividade do trabalho, devido a divisão social da produção, onde cada trabalhador realizava uma etapa na confecção de um produto. A ampliação do mercado consumidor relaciona-se diretamente ao alargamento do comércio, tanto em direção ao oriente como em direção à América, permanecendo o lucro nas mãos dos grandes mercadores. Outra característica desse período foi a interferência do capitalista no processo produtivo, passando a comprar a matéria prima e a determinar o ritmo de produção, uma vez que controlava os principais mercados consumidores.

A partir da máquina, fala-se numa primeira, numa segunda e até numa terceira e quarta Revolução Industrial. Porém, se concebermos a industrialização, como um processo , seria mais coerente falar-se num primeiro momento (energia a vapor no século XVIII), num segundo momento (energia elétrica no século XIX) e num terceiro e quarto momentos, representados respectivamente pela energia nuclear e pelo avanço da informática, da robótica e do setor de comunicações ao longo dos século XX e XXI, porém aspectos ainda discutíveis.

B) O PIONEIRISMO DA INGLATERRA

A Inglaterra industrializou-se cerca de um século antes de outras nações, por possuir uma série de condições históricas favoráveis dentre as quais, destacaram-se: a grande quantidade de capital acumulado durante a fase do mercantilismo; o vasto império colonial consumidor e fornecedor de matérias-primas, especialmente o algodão; a mudança na organização fundiária, com a aprovação dos cercamentos (enclousures) responsável por um grande êxodo no campo, e consequentemente pela disponibilidade de mão-de-obra abundante e barata nas cidades.

Docas de Londres

Outro fator determinante, foi a existência de um Estado liberal na Inglaterra, que desde 1688 com a Revolução Gloriosa. Essa revolução que se seguiu à Revolução Puritana (1649), transformou a Monarquia Absolutista inglesa em Monarquia Parlamentar, libertando a burguesia de um Estado centralizado e intervencionista, que dará lugar a um Estado Liberal Burguês na Inglaterra um século antes da Revolução Francesa.

C) PRINCIPAIS AVANÇOS DA MAQUINOFATURA

Em 1733, John Kay inventa a lançadeira volante.
Em 1767 James Hargreaves inventa a “spinning janny”, que permitia a um só artesão fiar 80 fios de uma única vez.
Em 1768 James Watt inventa a máquina a vapor.
Em 1769 Richard Arkwright inventa a “water frame”.
Em 1779 Samuel Crompton inventa a “mule”, uma combinação da “water frame” com a “spinning jenny” com fios finos e resistentes.
Em 1785 Edmond Cartwright inventa o tear mecânico.

D) DESDOBRAMENTOS SOCIAIS

A Revolução Industrial alterou profundamente as condições de vida do trabalhador braçal, provocando inicialmente um intenso deslocamento da população rural para as cidades, com enormes concentrações urbanas. A produção em larga escala e dividida em etapas irá distanciar cada vez mais o trabalhador do produto final, já que cada grupo de trabalhadores irá dominar apenas uma etapa da produção.Na esfera social, o principal desdobramento da revolução foi o surgimento do proletariado urbano (classe operária), como classe social definida. Vivendo em condições deploráveis, tendo o cortiço como moradia e submetido a salários irrisórios com longas jornadas de trabalho, a operariado nascente era facilmente explorado, devido também, à inexistência de leis trabalhistas.
O desenvolvimento das ferrovias irá absorver grande parte da mão-de-obra masculina adulta, provocando em escala crescente a utilização de mulheres a e crianças como trabalhadores nas fábricas têxteis e nas minas. O agravamento dos problemas sócio-econômicos com o desemprego e a fome, foram acompanhados de outros problemas, como a prostituição e o alcoolismo.

Os trabalhadores reagiam das mais diferentes formas, destacando-se o movimento “ludista” (o nome vem de Ned Ludlan), caracterizado pela destruição das máquinas por operários, e o movimento “cartista”, organizado pela “Associação dos Operários”, que exigia melhores condições de trabalho e o fim do voto censitário. Destaca-se ainda a formação de associações denominadas “trade-unions”, que evoluíram lentamente em suas reivindicações, originando os primeiros sindicatos modernos.
O divórcio entre capital e trabalho resultante da Revolução Industrial, é representado socialmente pela polarização entre burguesia e proletariado. Esse antagonismo define a luta de classes típica do capitalismo, consolidando esse sistema no contexto da crise do Antigo Regime.





ESTAMOS DE PARABÉNS!!!

19 02 2009

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Desde dezembro do ano passado (2008) resolvemos migrar do domínio “blogspot” para o “wordpress”, e a partir daí, implementar uma série de inovações em nosso blog “Mania de História“. Com um objetivo muito simples: oferecer informação histórica de qualidade com a contribuição de sites confiáveis nesta área do conhecimento e de forma voluntária, prestar este serviço -educativo- aos nossos visitantes.
Agradecemos a todos que nos visitam, deixam seus comentários e colaboram com este espaço, e desde já, está lançado o desafio dos 2000 acessos, sempre servindo e (in) formando estudantes e curiosos em geral.

Um forte abraço,
Luís Carlos Lins





HISTÓRIA DO CARNAVAL DE PE / BRASIL

21 02 2009

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A História do Carnaval

Os festejos carnavalescos foram trazidos pelos portugueses com o nome de entrudo. Era uma brincadeira violenta, onde os foliões lançavam farinha, tinturas e até água suja. Foi proibida oficialmente e aos poucos as batalhas passaram a usar confete e serpentina.

No século XIX, surgem o frevo e o passo, dando ao carnaval de Pernambuco uma identidade única no Brasil. A partir de então, operários urbanos organizaram as primeiras agremiações nos bairros populares.

No início, muitas corporações mantiveram identidade profissional: os caiadores desfilavam juntos, assim como os lenhadores. Mas, com o tempo, foram sendo criados clubes mais abertos, com nomes engraçados: Canequinhas Japonesas, Marujos do Ocidente, Toureiros de Santo Antonio.

Ao lado dos maracatus, dos ursos, dos caboclinhos, das escolas de samba, estes clubes, troças e blocos, unindo as influências européias, africanas e indígenas, transformaram o carnaval de Pernambuco no maior caldeirão cultural do Brasil.

Para saber mais da História do Carnaval

A palavra carnaval deriva do latim carnem levare (abstenção da carne) – pois a festa sempre foi comemorada no período que antecede a quaresma, quando se praticava a abstinência da carne. Como diversão popular, o carnaval assume as peculiaridades dos lugares onde ocorre. Todos os carnavais são reminiscências das festas dionisíacas da Grécia Antiga, das bacanais de Roma e dos bailes de máscara do Renascimento.

Se você quer saber mais sobre o Carnaval de Pernambuco, visite a Casa do Carnaval. Ela fica no Pátio de São Pedro, casa 52, bairro de São José, e possui um belo acervo de máscaras, estandartes, roupas de antigas agremiações, além de documentos e mais de mil partituras carnavalescas. Os telefones são: 0055 – 081 – 3424.4942 e 0055 – 081 – 3424.1561.

Livros sobre o Carnaval de Pernambuco

Barbosa de Araújo, Rita de Cássia
FESTA: MÁSCARA DO TEMPO.
Fundação de Cultura da Cidade do Recife, 1996.

Benjamin, Roberto
FOLGUEDOS E DANÇAS DE PERNAMBUCO.
Editora Liceu, 1989.

Bonald, Olímpio
OS GIGANTES FOLIÕES EM PERNAMBUCO.
CL Gráfica e Editora, 1991.

Dantas Silva, Leonardo
ANTOLOGIA DO CARNAVAL DO RECIFE.
Editora Massangana, 1991.

Real, Katarina
O FOLCLORE NO CARNAVAL PERNAMBUCANO.
Editora Massangana, 1990.

Fonte:http://www.pousadapeter.com.br





LIVROS DE GRAÇA!!!

22 02 2009

livros
Quer baixar livros de graça para seu computador, pen drive ou cd? Conheça o site “Viciados em Livros”. Acesse o endereço abaixo e aproveite. Ah! Não se esqueça de divulgar entre seus amigos.

http://www.esnips.com/web/ViciadosHistoria/

Atenção: Para baixar os livros é muito simples. É só passar o cursor (mouse) sobre o título do livro e clicar. Pronto, faça o download e boa leitura!!!





OS 10 MAIS !!!

23 02 2009

Atenção visitantes! Este é o ranking dos títulos mais acessados desde dezembro/2008. O tema “Povos Indígenas” é o líder nos acessos e pesquisas não só porque está de fácil visualização, mas certamente, devido à curiosidade dos/as nossos/as visitantes sobre o assunto.

Agradecemos pelas visitas e consultas!

Nosso objetivo é tornar este espaço cada vez mais lido, em especial pela juventude, e contamos, com sua colaboração na divulgação deste blog que tem o propósito de basicamente disponibilizar informações históricas e de fontes confiáveis.

Título e Visualizações

1. ALDEIA DE ESCADA: ESBULHOS DE TERRAS -50
2 .OPINIÃO: CONFLITO ENTRE ISRAEL E PALEST -25
3. O holocausto da faixa de Gaza -25
4. Ó, DESPREZÍVEIS SOLTEIRONAS -24
5. A FUGA DA FAMÍLIA REAL PORTUGUESA -24
6. PROJETO “CONHECENDO PERNAMBUCO” -20
7. copia-de-pict0064 -17
8. BLASFEMAR ERA COISA COMUM NA COLÔNIA -15
9. GUERRA DO PARAGUAI: GENOCÍDIO AMERICANO -14
10. MINERAÇÃO NO BRASIL COLÔNIA -12





CARNAVAL MULTICULTURAL DO RECIFE

24 02 2009

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Acesse:http://www.carnavaldorecife.com.br/#





ABELARDO E HELOÍSA: CONSIDERAÇÕES SOBRE A SITUAÇÃO DA MULHER NA IDADE MÉDIA

27 02 2009

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ABELARDO E HELOÍSA: CONSIDERAÇÕES SOBRE A SITUAÇÃO DA
MULHER NA IDADE MÉDIA
Ana Paula Schlesener
Laureanda de Lingua e Letteratura Italiana
Università per Straneri di Siena, Itália
Resumo: A obra Abelardo e Heloísa é conhecida como uma das mais belas e trágicas histórias de amor. O objetivo deste ensaio é analisar algumas de suas cartas para refletir sobre o mistério da situação da mulher na sociedade medieval.

O poder pertenceu aos homens e essa tradição tornou-se mais dura para a mulher durante a Idade Média, período em que ela se encontrava em absoluta dependência, primeiro do pai e, depois, do marido. As causas históricas mais conhecidas da submissão da mulher ao homem são a constitução e manutenção da família, à qual se vincula a conservação e a transmissão da propriedade (BEAUVOIR, 2002). Entretanto, em todos os períodos históricos sempre existiram mulheres excepcionais, que escaparam da dependência masculina fugindo da estrutura familiar (principalmente no celibato monacal) ou rompendo as regras sociais vigentes por meio de uma instrução muitas vezes superior à dos homens.
A história de Heloísa e Abelardo é conhecida como uma das mais belas
histórias de amor, contada por meio de cartas que são verdadeiras preciosidades literárias, que geraram profundas reflexões filosóficas sobre o tema do amor, o mais belo vínculo.

LEIA O ARTIGO COMPLETO:

http://www.unicentro.br/editora/revistas/analecta/v4n1/artigo%206%20abelardo%20e%20heloisa.pdf





VII SEMANA DA UFRPE

28 02 2009


ufrpe

Para saber mais, acesse:http://semanadehistoriaufrpe.com





SIMPÓSIO TEMÁTICO

28 02 2009


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CHAMADA DE TRABALHOS: 05 de janeiro a 15 de março/2009

SIMPÓSIO TEMÁTICO:

nº 36. Os Índios na História: Organização, Mobilização e Atuação Política

Coordenadores: EDSON HELY SILVA, JOHN MANUEL MONTEIRO

SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA/ANPUH (Fortaleza/CE, 12 a 17/07/2009)
Informações: http://www.snh2009.anpuh.org

Abçs.,
Edson Silva





PEQUENA CRONOLOGIA DA RELAÇÃO ENTRE O CRISTIANISMO E A ESCRAVIDÃO DOS POVOS AFRICANOS

2 03 2009

AS ETAPAS DA OPRESSÃO
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Em 1341, uma expedição Ítalo-portuguesa fundou um povoado nas ilhas Canárias. Os habitantes do lugar somavam em cerca de 80 mil pessoas. Em 1344, p papa Clemente VI ordenou a conquista da ilha. Os nativos foram totalmente exterminados.
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Em 1441, Antonio Gonçalves, ofereceu dez escravos ao infante de Portugal. Este os ofereceu ao papa Martinho V, que em troca, concedeu a Portugal a “soberania” sobre a África ao sul do Cabo Branco.

Em 1460, os jesuítas convenceram Ngola, rei angolano-congolês a conceder ao navegador Dias de Novais a permissão para capturar escravos e levá-los para Lisboa.

(…)

Em 1505, a cidade de Kilwa resistiu aos missionários e à conquista. Foi saqueada e destruída enquanto os missionários abençoavam o massacre.

Em 1534, São Tomé, sede principal do comércio, foi declarada cidade e arcebispado submisso aos missionários brancos.

Em 1553, uma nova missão Jesuíta chegou a Mbanza, no Congo, onde se ocupou também do tráfico de escravos.

(…)

Em 1633, o cardeal Richelieu concedeu à Companhia Senegaleza de Dieppe e Rouen, o monopólio do comércio de escravos por dez anos.

(…)

Em 1676, as revoltas contra os missionários latifundiários e escravocratas obrigaram os bispos portugueses abandonar São Salvador, na Angola Setentrional.

(…)

Em 1700, os escravistas retomaram Angola, mas a parte setentrional do país e São Salvador eram praticamente desertas e despovoadas, por causa do comércio de escravos. Calcula-se que,(…), foram massacrados 25 milhões de escravos.

Em 1707, na África do Sul, um escravo iniciou uma revolta. Os missionários holandeses, a título de demonstração, torturaram quatro rebeldes com a roda e estrangularam uma escrava com as mãos.

Em 1721, na África do Sul, os missionários holandeses obrigaram as crianças nativas a serem batizadas, mas proibiram os escravos, pais das crianças, presenciassem a cerimônia.

A relação é extensa. Resolvemos adiantar no tempo e encerrar o texto com o ano de 1977, onde na África do Sul, pela primeira vez no século, as escolas “brancas” católicas, anglicanas e metoditas admitiram não-europeus, através de critérios seletivos e limitados e com o consentimento tácito do governo, objetivando “desintrincar” a situação pós-Soweto.

Muita gente não consegue compreender o porquê das guerras e conflitos tribais em diversos países do continente africano na atualidade. Alguns dirão, que estes conflitos inter-tribais sempre existiram, mas a história, jamais, poderá esconder que a Europa Cristã Colonialista é uma das maiores, se não a maior, responsável pelo quadro de abandono e desastre humanitário vividos pela grande maioria dos povos africanos nos dias atuais.(grifo meu)

Fonte de pesquisa: O Livro negro do Cristianismo – Dois mil anos de crimes em nome de Deus, dos autores Jacopo Fo, Sergio Tomat e Laura Malucelli, Editora Ediouro, tradução de Monica Braga, Rio de Janeiro, 2007.





COMENTÁRIO EM DESTAQUE

4 03 2009

O artigo: “PEQUENA CRONOLOGIA DA RELAÇÃO ENTRE O CRISTIANISMO E A ESCRAVIDÃO DOS POVOS AFRICANOS”, repercutiu bastante e resolvemos publicar na íntegra o comentário de nosso visitante que assina como “boppë”, que com um texto muito interessante enriqueceu por demais nossa postagem.
Os comentários bem embasados e pertinentes de nossos/as visitantes terão sempre, espaço garantido em nossa primeira página.

Muito obrigado!

Luís Carlos Lins
-Editor-

boppë (01:40:04) :
Pena que essa cronologia comece em 1341 e, portanto, não mencione todos os muitos séculos em que a escravidão já ocorria na África antes da mencionada incursão às Canárias. Exemplo conhecidíssimo eram os escravos núbios e etíopes no Antigo Egito.

E é pena, sobretudo, que a cronologia termine no caso da África do Sul, e não mencione a abjetíssima escravidão que existe ainda, com todas as letras, na Mauritânia, onde, duas leis foram votadas nos últimos 25 anos, na tentativa de eliminar algo que é visto como um “costume”, uma “tradição”. Muçulmanos que escravizam muçulmanos, negros que escravizam negros. E, embora ilegal, a escravidão continua a ser praticada naquele país escandaradamente.

Aliás, sempre é bom lembrar que as primeiras expedições de europeus “modernos” para o interior da África só ocorreram no século XIX, pois antes o que havia eram entrepostos portugueses, espanhóis, franceses, ou ingleses na costa africana, onde os europeus negociavam a “mercadoria” com comerciantes africanos ou árabes, que tinham realizado as expedições para o interior do continente, na captura de pessoas de outras etnias para serem escravizadas.

Nenhum dos lados é totalmente mau ou totalmente inocente na triste história da escravidão. Todos foram coniventes, pois a escravidão é uma marca que se viu em todos os continentes, em todos as épocas, em todas as etnias, em todas as religiões, em todos os graus de desenvolvimento social, como algo considerado “normal” e “justificável” nas lutas e guerras.

Não podemos ver a História (com letra maiúscula) com os olhos com que enxergamos nossa sociedade atualmente.





DIA INTERNACIONAL DA MULHER

4 03 2009

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No dia 8 de março de 1857, operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve ocupando a fábrica, como reinvidicação pela diminuição da carga horária diária de trabalho, de 16h para 10h. Estas operárias – que recebiam menos de um terço do salário dos homens – foram fechadas na fábrica onde iniciou-se um incêndio. Cerca de 130 mulheres morreram queimadas.
Em 1903, profissionais liberais norte-americanas criaram a Women’s Trade Union League, associação que tinha como principal objetivo ajudar todas as trabalhadoras a exigirem melhores condições de trabalho. Cinco anos depois, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque protestando pelo mesmo motivo das operárias no ano de 1857, além de reinvidicarem o direito de voto. Caminhavam sob o slogan Pão e Rosas, em que o pão simbolizava a estabilidade econômica e as rosas uma melhor qualidade de vida.
Na Conferência Internacional de Mulheres realizada na Dinamarca em 1910, ficou decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de março como Dia Internacional da Mulher. Esta data, porém, só foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas em 1975.

Fonte: http://viajandocombete.blogspot.com/2008





LEI MARIA DA PENHA

4 03 2009

Contra a violência e todas as formas de dor provocadas por ela, o conhecimento e aplicação da lei.
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Pause o mouse sobre a imagem, acesse e conheça a lei Maria da Penha.





06 DE MARÇO: DATA MAGNA DE PERNAMBUCO

4 03 2009

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BANDEIRA DA REVOLUÇÃO DE 1817
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BANDEIRA ATUAL
Rebelião inspirada nos ideais da Revolução Francesa e da Independência dos Estados Unidos, ocorrida no Recife às vésperas da Independência do Brasil. O comércio era dominado pelos portugueses e ingleses; as exportações de açúcar enfrentavam dificuldades e a economia da província estava de mal a pior.

Insatisfeitos com o domínio português, proprietários de terra, padres, comerciantes, bacharéis, militares descontentes passaram a se reunir no Recife e iniciaram a conspiração.

O golpe foi planejado para abril de 1817, mas o complô foi descoberto pelo governo e iniciou-se a caça e prisão dos líderes do movimento. No dia 06 de março, o comandante do Regimento de Artilharia do Recife (Manuel Joaquim Barbosa) deu voz de prisão ao capitão José de Barros Lima (o Leão Coroado), este reagiu, sacou da espada e matou o comandante.

Explodia, assim, a revolta que estava marcada para dali a um mês. Em seguida, os revoltosos derrotaram as forças portuguesas e o governador da capitania (Caetano Pinto de Miranda Montenegro) fugiu.

Foi, então, instalado um governo provisório, formado por cinco representantes de categorias da sociedade: Domingos Teotônio Jorge (representando os militares), Padre João Ribeiro (Igreja), Domingos José Martins (comerciantes), José Luís Mendonça (Judiciário) e Manuel Correia de Araújo (representando os proprietários de terras). Foi instalada uma República, criada sua bandeira, etc.

Os revoltosos pretendiam estender o movimento e enviaram representantes para a Bahia, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. Mas a pretendida expansão não aconteceu: os enviados a Bahia (General Abreu e Lima e o Padre Roma) e ao Ceará (o seminarista José Martiniano de Alencar) foram presos logo ao desembarcar.

E só aderiram ao movimento, ainda assim timidamente, as capitanias da Paraíba e Alagoas. A República duraria apenas 75 dias, não resistiu à reação da Coroa: tropas enviadas do Rio de Janeiro ocuparam o Recife no dia 18 de maio e sufocaram o movimento. Os líderes foram presos e executados.





IMAGENS QUE CONTAM HISTÓRIA:REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817

5 03 2009

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Para saber mais
http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/revolucao_pernambuca.html





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5 03 2009

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REVOLUÇÃO DE 1817

5 03 2009

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Em quase todo o período colonial, Pernambuco teve uma formação acentuadamente patriarcal e aristocrática, onde havia praticamente senhores e escravos. Não havia ainda condições de uma classe média, dado o número insignificante de pessoas entre as duas classes acima.

No início do século XIX essa situação perdurava: havia grandes proprietários rurais (na maioria senhores de engenho), e grandes plantadores de algodão (que enriqueceram com a alta de preços internacionais provocada pela guerra entre os Estados Unidos e Inglaterra), comerciantes (portugueses e brasileiros) e a população pobre formada por escravos, pretos e mulatos livres.

Os plantadores de cana desejavam combater os comerciantes portugueses (seus credores e inimigos). Eles temiam uma revolução liberal pois identificavam a sua autoridade nas propriedades com o absolutismo do rei. Achavam que por trás do liberalismo defendido pelos maçons, estava a abolição da escravatura; os escravos ainda eram essenciais à prosperidade da agricultura que praticavam.

Recife na época da revolução de 1817

Já se formava uma pequena burguesia comercial urbana, na maioria formada por portugueses, embora existem comerciantes brasileiros como Cruz Cabugá e Gervásio Pires, que desejavam a independência de Pernambuco, ambos imbuídos pelas idéias francesas. Grande parte dos oficiais nascidos no Brasil, embora alguns fossem filhos de portugueses, também tiveram que aderir a essas idéias liberais, uma vez que sentiam preteridos nas nomeações e promoções, pois os oficiais portugueses sempre eram contemplados, embora os brasileiros questionassem a capacidade e a lealdade dos estrangeiros.

Havia exceções como os Suassunas, os irmãos Manoel e Francisco Carvalho Paes de Andrade e outros. Mas a maioria dos donos de engenho e plantadores de algodão era, claro, contrário as essas novas idéias.

O comércio era desenvolvido principalmente em Olinda e nas vilas de Goiana e Recife, sobretudo nesta onde estava o porto.

Como se vê, já se começa a delinear um sentimento de patriotismo, de nacionalismo, embora não se desse conta.

O interessante é que entre os maçons, a maioria era constituída de padres, originário do foco das idéias liberais: o Seminário de Olinda, fundado pelo bispo D. José da Cunha de Azeredo Coutinho, em 16 de fevereiro de 1800, de onde saíram o padre João Ribeiro, o padre Tenório, padre Venâncio, o padre Miguel Joaquim de Almeida Castro, conhecido como padre Miguelinho e outros. Por causa do grande número de padres maçons e de padres liberais, se dizia que a Revolução de 1817 foi uma Revolução de Padres!

As idéias liberais eram vista com temor pelos donos de engenho e plantadores de cana, na sua maioria, e ignorada pela metade da população (escravos, pretos e mulatos livres).

A persistência dos privilégios – As contradições da política de D. João VI foram sentidas com particular intensidade no nordeste, onde os interesses colonialistas estavam mais fortemente enraizados. Os comerciantes portugueses, instalados nos principais portos nordestinos, continuavam tão monopolistas quanto antes, de modo que os lucros produzidos nas áreas rurais continuaram a se transferir para os comerciantes.

Em 1810 através de um tratado, a Inglaterra fixava em 15% o imposto de importação sobre mercadorias inglesas, enquanto os próprios portugueses eram taxados em 16% e os demais paises em 24%, tornando o Brasil ainda mais dependente, importador de manufaturados e essencialmente praticando uma agricultura de exportação, baseada na mão de obra escrava. Esse quadro se agravou por volta de 1817, com uma crise econômica que teve a sua origem na queda do preço internacional do açúcar e do algodão – principais produtos de exportação do nordeste.

Tensões sociais – Com isso afloraram as tensões sociais. Contra os comerciantes portugueses protestavam os grandes senhores rurais e toda a massa de homens livres não proprietários. Entretanto, essas duas últimas camadas sociais opunham-se ao domínio comercial português por motivos inteiramente diferentes: enquanto para os grandes senhores a questão era sobretudo política, pois aspiravam a autonomia do governo e à liberdade econômica, para os homens livres não-proprietários, era a sua própria sobrevivência que estava em jogo, pois o monopólio comercial português encarecia os gêneros de primeira necessidade. Por isso, tendiam a ser mais radicais e lutavam não só pelo fim do regime colonial, mas também esperavam alterar a própria ordem social da colônia em favor de maior igualdade entre seus membros.

O quadro ideológico – A Revolução de 1817, apesar dos fatores específicos apontados, não foi um acontecimento isolado. Ela se inspirou na corrente do pensamento iluminista e liberal, tal como acontecia, por esse mesmo tempo, com a luta pela independência na América espanhola e com as revoluções burguesas contra o Antigo Regime na Europa.

Nascido em 1752 e formado em medicina em Montpellier, na França, o padre Manuel de Arruda Câmara foi, no final do século XVIII, um importante propagador do pensamento iluminista em Pernambuco. O padre João Ribeiro, que iria participar da Revolução de 1817, era um de seus principais discípulos.

O Areópago de Itambé – Ao padre Arruda Câmara deveu-se, aparentemente, a fundação de uma sociedade secreta o Areópago de Itambé, em fins do século XVIII, com as mesmas características das lojas maçônicas que apareceram posteriormente. O Areópago de Itambé, como outras sociedades secretas, foi um centro de propagação de ideais anticolonialistas e, ao contrário da maçonaria, não admitia europeus em seus quadros.

A conspiração dos Suassunas – Expressando os ideais libertários em Pernambuco, ocorreu em 1801 a conspiração dos Suassunas, que, entre outras coisas, preconizava tomar Napoleão como protetor. Encontram-se aqui os germes da Revolução de 1817. Os principais líderes da conspiração foram os três irmãos, Francisco de Paula, Luís Francisco de Paula e José Francisco de Paula Cavalcanti e Albuquerque, sendo o primeiro o dono do engenho Suassuna, nome pelo qual ficou conhecida a conspiração. Todavia, esse episódio é pouco conhecido, por não ter ultrapassado o plano das tramas e porque a devassa ocorreu sigilosamente, dada a importância dos implicados. A conspiração fracassou e a devassa ocorreu sigilosamente em face da importância dos implicados, sendo libertados os irmãos Francisco e Luiz, a 26 de maio de 1802. E apesar das repressões, a academia ressurgiu e o espírito de contestação continuou a ser difundido, ganhando novos adeptos. Mas o fracasso da conspiração trouxe conseqüências imediatas, como o fechamento do Areópago de Itambé em 1802, que, no entanto, ressurgiu em seguida com o nome de Academia dos Suassunas, cuja sede era o próprio engenho dos antigos inconfidentes de 1801. Apesar das repressões, o espírito de contestação difundido pelas sociedades secretas e pelo Seminário de Olinda não se desfez, ganhando, ao contrário, novos e numerosos adeptos.

A elite atuante – Formou-se por esse tempo uma elite atuante, formada no espírito do Areópago e disposta a colocar em prática as suas idéias. A fermentação revolucionária, que vinha do início do século, deu origem, em 1817, a uma conspiração inúmeras vezes denunciada. Dentre as figuras representativas destacavam-se o padre João Ribeiro, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada – ouvidor-mor de Olinda e irmão de José Bonifácio -, o erudito padre Miguelinho e o comerciante Domingos José Martins, que tramavam abertamente contra a opressão colonial. Domingos José Martins, ex-comerciante em Londres, homem de espírito prático, parece ter conhecido o célebre revolucionário venezuelano Francisco de Miranda, de quem se diz ter recebido influências decisivas. Participou ainda Frei Caneca, que se tornaria célebre ao liderar uma revolta contra D. Pedro I – a Confederação do Equador (1823 – 1824).

A Revolução de 1817 foi a primeira manifestação significativa que marcou a passagem do Brasil, do antigo sistema colonial português para uma nova perspectiva. Foi ainda a primeira tentativa de libertação política, que atenderia principalmente aos interesses das camadas dominantes e nacionais : a aristocracia rural, mercadores, militares e o clero.

Por outro lado, a mudança da Côrte para o Brasil em 1808, não provocara nenhuma transformação no panorama sócio-econômico do Nordeste. As tensões persistiam . De um lado, os monopolistas com amplos deveres; do outro, a junta da Real Fazenda que recorria à inábil política de empréstimos públicos para cobrir os prejuízos causados pela corrupção e pela venalidade. Além disso, a escassez da população de gêneros de primeira necessidade, agravada pela seca de 1816, ocorrida num momento desfavorável da conjuntura econômica, acelerou a crise. Pouco a pouco, pioravam as relações entre a aristocracia nativa e os antigos mercadores que articulavam o sistema colonial portugueses.

A Situação do Recife. Já dissera o bispo Azeredo Coutinho, fundador do Seminário de Olinda a 16 de fevereiro de 1800, onde ferviam idéias liberais: ” Nessa cidade pobre, as idéias estão crescendo. “

A miséria em Recife não era um fato estranho : fervilhava de mulatinhos livres, cujos pais, entretanto não encontravam emprego fixo e formavam a grande massa miserável do Recife.

O Recife era uma cidade insatisfeita, pelo mau governo, pela carestia de vida, pelos privilégios dos reinos. Mesmo nas tropas da guarnição, eram constantes os desentendimentos e brigas entre oficiais brasileiros e portugueses.
Tudo ocorria para a fermentação revolucionária que já vinha se desenvolvendo, cuja data do levante fora marcada para 8 de abril.

O Desfecho. O governo via toda essa movimentação dos sediciosos com muita inconsequência, apesar das inúmeras denúncias, até que em 6 de março de 1817, o governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro resolveu agir, destacando o marechal José Roberto para deter os civis. No mesmo dia convoca-se para o dia 6 de março, na Fortaleza de Cinco Pontas, um conselho de guerra. O brigadeiro Barbosa de Castro e seu ajudante, tenente José Mariano de Albuquerque Cavalcanti, encarregaram-se do setor militar da revolta, no qual encontraram resistência. Paralelamente, foram detidos vários líderes civis. Tomado de surpresa, o movimento poderia ter sido desmantelado. Contudo, a inesperada resistência do setor militar da rebelião e a firme decisão de um de seus líderes, o capitão Pedro Pedroso, fizeram o movimento triunfar. O governador Caetano Montenegro se refugiado numa fortaleza e capitulou com o marechal José Roberto. Sua vida foi poupada, permitindo-se a sua partida para o Rio de Janeiro.

Consolidada a revolução, foi formado um governo provisório baseado no sistema republicano, com nova bandeira. Dentre os princípios estabelecidos pela lei orgânica destacavam-se o da liberdade de pensamento ( É proibido a todos os patriotas o inquietar e perseguir alguém por motivo de consciência, e o de liberdade de imprensa ( sendo vedados, porém, os ataques à Igreja, à Constituição, etc).

O governo provisório – No dia 7 de março de 1817 (portanto, no dia seguinte à inesperada resistência militar) os rebeldes formaram o governo provisório, constituído da seguinte maneira: Manuel Correia de Araújo como representante da agricultura; Domingos José Martins como representante do comércio; padre João Ribeiro, representando o clero; José Luís de Mendonça, representante da magistratura; Domingos Teotônio Jorge, representante das Forças Armadas.

Esse primeiro governo, formado pela elite colonial dominante, era secretariado pelo padre Miguelinho e auxiliado por José Carlos Mayrink da Silva Ferrão. Foi criado um Conselho de Estado, constituído pela elite intelectual pernambucana: Antônio de Morais e Silva, José Pereira Caldas, Deão Reinaldo Luís Ferreira Portugal, Gervásio Pires Ferreira e Antônio Carlos Ribeiro de Andrada. Instalou-se, assim, um governo republicano; adotou-se uma bandeira; substituiu se o tratamento pessoal tradicional pelo de “patriota” e “vós”, numa consciente imitação da Revolução Francesa; elaborou-se, enfim, a Lei Orgânica.

A Lei Orgânica – As aspirações revolucionárias foram incorporadas à Lei Orgânica. Esse documento tratava dos seguintes itens, entre outros: liberdade de consciência (“É proibido a todos os patriotas inquietar e perseguir alguém por motivo de consciência”); liberdade de imprensa, ressalvando os ataques à religião e à Constituição; tolerância religiosa, muito embora a religião católica fosse reconhecida como oficial e seu clero “assalariado pelo Estado”. Os estrangeiros aqui estabelecidos que dessem provas de adesão seriam considerados “patriotas”; e o governo provisório duraria até a elaboração da Constituição do Estado, por uma Assembléia Constituinte, a ser convocada dentro de um ano.

Além do que ficou estabelecido na Lei Orgânica, várias outras medidas de caráter popular foram tomadas, como, por exemplo, a abolição dos tributos que oneravam os gêneros de primeira necessidade.

A propagação – A revolução pernambucana difundiu-se para outras regiões: na Paraíba, em 16 de março, a revolução triunfou sob a liderança de Amaro Gomes Coutinho. Em 28 de março, o senhor de engenho André de Albuquerque Maranhão venceu no Rio Grande do Norte. Ali, José Martiniano de Alencar – pai do famoso romancista José de Alencar – foi enviado como emissário para o Ceará, mas foi preso e conduzido a Salvador. O padre José Inácio de Abreu e Lima – conhecido como padre Roma – chegou à Bahia como emissário, mas foi preso e fuzilado pelo governador conde dos Arcos. Com a preocupação de obter apoio internacional, emissários foram enviados também ao exterior. Antônio Gonçalves da Cruz – vulgo Cabugá – e Domingos Pires Ferreira incumbiram-se de ir aos Estados Unidos pedir auxílio e oferecer aos comerciantes norte-americanos, por vinte anos, os gêneros de Pernambuco, livres de direitos; Félix Tavares de Lima foi mandado à Argentina, e o negociante inglês Kesner foi enviado à Inglaterra a fim de conseguir a adesão de Hipólito José da Costa, do Correio Braziliense.

Contudo, no dia 19 de março, a vila de recife amanheceu abandonada pelos revolucionários. Nessa fuga, o padre João Ribeiro acabou suicidando-se ( como Condorcet, seus inspirador).

A repressão – A repressão tornou-se cada vez mais violenta. Um a um, os implicados foram sendo abatidos : uns arcabuzados, outros enforcados, outros enforcados. Na Bahia, tão logo se soube da rebelião, o governador D. Marcos Noronha e Brito, conde dos Arcos, montou a repressão por terra e por mar. D. João, por sua vez, dirigiu pessoalmente os preparativos da tropa a ser comandada pelo coronel Luís do Rego Barreto – futuro governador de Pernambuco. A onda repressora abrangeu Alagoas, Rio Grande do Norte e Paraíba. Em Pernambuco, o bloqueio forçou a formação de um governo revolucionário de caráter ditatorial, com plenos poderes conferidos a Domingos Teotônio Jorge, a fim de resistir eficazmente ao assédio. Contudo, no dia 19 de maio de 1817, a resistência dos rebeldes foi quebrada.

As punições – As punições foram rigorosas: Domingos José Martins, José Luís de Mendonça e padre Miguelinho foram fuzilados em Salvador; no Recife, a comissão militar presidida por Luís do Rego Barreto condenou à forca Domingos Teotônio Jorge, José de Barros Lima, padre Sousa Tenório e Antônio Hemopos.

Em 1818, D. João ordenou o encerramento da devassa, libertando aqueles sem culpa formada. Os restantes 117 prisioneiros na Bahia, afinal libertos, foram anistiados após a Revolução do Porto (1820).

Baseado em Movimentos Nativistas em Pernambuco (Setembrizada e Novembrada) de Manuel Correia de Andrade (meu professor de História no Ginásio Pernambucano)

Evaldo Cabral de Mello lança ensaio de história pernambucana

No começo, chamava-se Nova Lusitânia, e os primeiros colonos a aportar no século 16 sonhavam em construir ali um prolongamento de Portugal. De Nova Lusitânia a Pernambuco, muita coisa mudaria. A capitania que, a princípio, fora fiel à metrópole, se transformaria, ao longo dos séculos, em verdadeiro pomo de discórdia da ordem colonial e de parte do período pós-Independência.

Em “A Ferida de Narciso – Ensaio de História Regional”, o historiador pernambucano Evaldo Cabral de Mello, que escreve mensalmente no Mais!, investiga as razões pelas quais a região assumiu postura combativa em vários momentos de sua história, em relação à dominação holandesa (no século 17), na Guerra dos Mascates (no século 18) e, por fim, no processo que se iniciou na revolução de 1817 e terminou na Confederação do Equador (1824).

Tudo começa quando o primeiro donatário de Pernambuco, Duarte Coelho, importa da Ilha da Madeira o modelo dos engenhos de açúcar. Para o historiador, Coelho desconfiava de que o sistema -implementado na ilha com características urbanas e mais democráticas-, ao se espalhar por uma grande área, como eram as terras de Pernambuco, poderia causar danos gravíssimos a outras culturas. Cabral de Mello apresenta o processo e suas consequências políticas e sociais. “Ao conjunto importado da Madeira, a única adição importante feita no Brasil foi a da senzala.”

A partir daí, o livro resume a história de Pernambuco, mas foca em especial o momento em que o nativismo toma força na região.

Isso teria acontecido depois da expulsão dos holandeses, em 1654. Cabral de Mello explica que o fato de Pernambuco ter até então se considerado um prolongamento de Portugal fez com que se criasse uma expectativa de que, depois de expulsos os holandeses, a província recebesse um tratamento especial da metrópole. Como isso não aconteceu, o nativismo teria tomado força e estaria na base dos movimentos revolucionários vindouros.

O historiador não concorda com a “acusação” de separatismo quando se fala dos movimentos revolucionários de 1817 e 1824. Acredita que esse conceito não cabia numa época em que o Brasil não se encontrava ainda estabelecido, senão formalmente. Para ele, o objetivo dos movimentos era o de instaurar um Estado de direito descentralizado, garantindo autonomia ao Nordeste. (SYLVIA COLOMBO da Folha de S. Paulo).





SÍMBOLOS DE PERNAMBUCO

5 03 2009

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A Bandeira de Pernambuco foi idealizada pelos revolucionários de 1817 e oficializada, anos depois, pelo governador Manoel Antonio Pereira Borba.
A cor azul do retângulo superior simboliza a grandeza do céu pernambucano; a cor branca representa a paz; o arco-íris em três cores (verde, amarelo, vermelho) representa a união de todos os pernambucanos; a estrela caracteriza o nosso estado no conjunto da Federação; o sol é a força e a energia de Pernambuco; finalmente, a cruz representa a fé na justiça e no entendimento.
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O Brasão de Pernambuco foi oficializado pelo governador Alexandre Barbosa Lima, em 1895.
O leão representa a bravura do povo pernambucano; os ramos de algodão e de cana-de-açúcar simbolizam nossas riquezas; o sol é a luz cintilante do equador; as estrelas são os municípios. Ainda estão no brasão o mar e o farol de Olinda. Na faixa, aparecem as datas históricas mais importantes do estado: 1710 (guerra dos Mascates), 1817 (Revolução Pernambucana), 1824 (Confederação do Equador) e 1889 (Proclamação da República).

Fonte: http://www.viagemdeferias.com/recife/informacoes/simbolos.php





PEQUENO RESUMO DA RELAÇÃO ENTRE O CRISTIANISMO E O MASSACRE DOS POVOS DA AMÉRICA

6 03 2009

indios
- Desde o início, o massacre dos nativos americanos foi “abençoado por Deus”. Nos “Contos Astecas sobre a Conquista”, colhidos pelo clero franciscano, lê-se que Cortés era apoiado pelo Estado Pontifício: “Esta era a vontade do papa, que dera seu consentimento à vinda deles”.

- No México, só a título de exemplo, a população passou de 12 milhões, em 1519, a menos de 1,3 milhão na metade de 1600.

- No início do século XVI, a população nativa do continente centro e sul-americano girava em torno de setenta milhões de pessoas. Na metade do século XVII, havia sido reduzida a sete milhões.

- Cortés, para coibir uma rebelião popular, convocou sessenta caciques (dignatários astecas) e ordenou que cada um levasse consigo o próprio herdeiro. Então, mandou queimá-los vivos na presença de seus parentes…

- Um povo nativo, guiado pelo chefe indígena Hatuey, tentou se rebelar contra a escravidão. Tentaram uma fuga em massa, mas foram novamente capturados pelos espanhóis. Hatuey foi queimado vivo.

- Os espanhóis eram criativos. Chegaram a construir forcas enormes em que os pés mal tocavam o chão (para evitar o sufocamento) e penduraram em cada uma – em honra do redentor e dos 12 apóstolos- grupos de treze indígenas, colocando embaixo lenha e brasas e queimando-os vivos.

- Em outras ocasiões inventavam outras gracinhas: “Os espanhóis arrancavam o braço de um, a perna ou a coxa de outro, para de um só golpe a cabeça de alguém, de modo não muito diferente de como faz um açougueiro… Vasco de Balboa fez quarenta dessas pessoas serem devoradas pelos cães”.

- Em 1517,nas ilhas caribenhas, “alguns cristãos encontraram uma índia que segurava uma criança em um braço, dando-lhe de mamar. Como os cães… estavam famintos, tiraram o menino dos braços da mãe e o jogaram vivo como alimento para os cães, que o fizeram em pedaços diante dos olhos da mulher (…).

- Las Casas, bispo católico, presenciou um verdadeiro massacre em Caonao, Cuba, . Uma centena de espanhóis armados, para verificar se suas espadas estavam bem afiadas, “começaram a estripar, perfurar e massacrar ovelhas e cordeiros, homens e mulheres, idosos e crianças que estavam tranqüilamente sentados ali perto… Las Casas escandalizado, denuncia o caso à coroa espanhola.

- O viajante Pietro Martire assim descreve a expedição de Vasco de Nuñez de Balboa: “Assim como os açougueiros cortam em pedaços a carne de bois e das ovelhas para vendê-las penduradas em ganchos, os espanhóis arrancavam com um só golpe o traseiro de um, a coxa de outro, as costas de outro ainda. … Vasco mandou os cães esquartejarem quarenta deles”.

- Ainda em 1550, o monge Jerônimo de San Miguel denunciou que os espanhóis “queimaram vivos alguns índios, arrancaram mãos, nariz, língua e membros de outros; outros foram jogados aos cães; mulheres tiveram os seios cortados…” Talvez o massacre dos nativos do novo mundo tenha humanizado alguns poucos cristãos (grifo meu).

- O bispo de Yucatán, Diego de Landa, disse ter visto “uma grande árvore com galhos onde um capitão havia enforcado várias índias; e em seus tornozelos pendurara, pela garganta, seus filhos.

- E se durante o transporte os indígenas, arrastados com a corda no pescoço, não andassem animados como seus companheiros, os espanhóis cortavam sua cabeça, para não precisar parar para desamarrá-lo.

- Um cronista de 1570 fala de um “oidor” (juiz) “que afirmava em público, de cima de seu tablado e em voz alta, que se faltasse água para irrigar as fazendas dos espanhóis, seria utilizado o sangue dos indígenas”.

Fonte: O LIVRO NEGRO DO CRISTIANISMO – Dois Mil Anos de Crimes em Nome de Deus; Autores: Jacopo Fo, Sergio Tomat, Laura Malucelli, tradução de Monica Braga, Ediouro, Rio de Janeiro, 2007.

Obviamente que o choque cultural conseqüente da presença européia entre os nativos da América não resultou apenas em extermínio e perda de identidade. A versão histórica do “povo vencido” está superada como demonstra vários artigos escritos sobre o tema e os próprios dados demográficos do IBGE apresentam crescimento populacional dos povos indígenas, isso falando do caso específico do Brasil, como prova irrefutável dessa resistência.
Para saber mais, leia o artigo do historiador e professor, Edson Hely Silva neste link (Passe o mouse e vá direto para a página), colocado à sua disposição.

https://docs.google.com/Doc?id=dmg2ff5_13cjsm45dp&btr=EmailImport





A POLÊMICA DO ABORTO E A SANTA INQUISIÇÃO

7 03 2009

dom-jose – Imagem DP
O Arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, está envolto em mais uma, das tantas polêmicas em que se envolveu durante o seu “reinado” a frente dessa arquidiocese.
Devido sua posição em relação à gravidez e ao aborto induzido em uma menina estuprada de apenas 9 anos de idade, sua “sugestão” está sendo classificada por muitos como “conservadora” e trouxe para o centro do debate o tema “inquisição”, termo utilizado por alguns que emitem opinião sobre a postura do religioso e da igreja que representa.
Como é de nossa missão, tentar na medida do possível, explicar os termos que tenham relação com fatos relevantes da história, publicaremos aqui algo sobre a matéria.

A IGREJA NA IDADE MÉDIA

HERESIA E A “SANTA” INQUISIÇÃO

Heresia – (do grego hairesis, ‘escolha’, pelo latino haeresis + -ia) opinião, escolha, preferência, opção

Em fins do século XVIII, a Igreja Católica sentiu-se ameaçada por uma série de críticas feitas aos dogmas sobre os quais se apoiava a Doutrina Cristã. Essas críticas e dúvidas sobre a verdade absoluta da mensagem da Igreja aumentaram, e os indivíduos que partilhavam dessas idéias contestadoras da doutrina oficial do catolicismo eram chamados de hereges.

A palavra herege origina da palavra grega “hairesis” e do latim haeresis e significa doutrina contrária ao que foi definido pela Igreja Católica em matéria de fé. No que diz respeito propriamente ao conceito de heresia, foi aceita a definição do teólogo medievalista M. D. Chenu, de que herege é “o que escolheu’’ , o que isolou de uma verdade global uma verdade parcial, e em seguida se obstinou na escolha. A heresia é uma ruptura com o dominante e ao mesmo tempo é uma adesão a uma outra mensagem. É contagiosa e em determinadas condições dissemina-se facilmente na sociedade. Daí o perigo que representa para a ordem estabelecida, sempre preocupada em preservar a estrutura social tradicional.

No fim do século XV, isto é, no início da época moderna, foi criada na Espanha uma instituição, que se inspirou nos moldes das que haviam funcionado na Europa durante a época medieval: O Tribunal do Santo Ofício da Inquisição. O caráter cruel e desumano de seu funcionamento talvez não tenha precedentes na história da civilização, até o surgimento do nazismo e do imperialismo no século XX. Há contudo um fato importante que deve ser cuidadosamente anotado para que possamos entender o complexo fenômeno da perseguição as heresias na Espanha e Portugal: a palavra “heresia” adquiriu com o tempo diversas conotações, e para os inquisidores portugueses tinha um sentido muito definido e específico, que estava registrado em seus regimentos. Diz textualmente o Regimento da Inquisição de 1640, no Livro III, p.151: “contra os hereges e apóstolos que, sendo cristãos batizadores, deixam de ter e confessar nossa fé católica”. E também contra os indivíduos “que confessam nela” ( na Inquisição ) “as culpas de judaísmo, ou de qualquer outra heresia ou apostasia”. E pois o português batizado, descendente de judeus convertidos ao catolicismo e praticante secreto do judaísmo, um herege perante a Igreja Católica em Portugal.

A Santa Inquisição

Tribunal da Igreja Católica instituído no século XIII para perseguir, julgar e punir os acusados de heresia. A Santa Inquisição foi fundada pelo Papa Gregório IX (1148-1241) em sua bula Excommunicamus, publicada em 1231. Heresias são doutrinas ou práticas contrárias ao que é definido como matéria de fé. Na época inicial da Igreja elas eram punidas com a excomunhão. Quando no século IV o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano, os heréticos passam a ser perseguidos como inimigos do estado.

Na Europa , entre o século XI e XV, as heresias são geradas principalmente pelo desenvolvimento cultural, acompanhado de prosperidade econômica e crescimento urbano. As reflexões filosóficas e teológicas da época produzem conhecimento que contradizem a concepção de mundo defendida até então pelo poder eclesiástico. Além disso, surgem movimentos cristãos, como os cátaros em Albi, e os valdenses em Lyon, no sul da França, que pregam a volta do cristianismo às origens, defendendo a necessidade de a Igreja abandonar suas riquezas. Em resposta a essas heresias, milhares de albigenses são liquidados por exércitos papais, entre os anos de 1208 e 1229.

A Inquisição é criada dois anos depois. A responsabilidade pela ortodoxia da religião passa dos bispos aos inquisidores, sob a direta jurisdição do Papa, e são estabelecidas punições severas. As penas podem variar, desde a obrigação de fazer uma abjuração pública ou uma peregrinação a um santuário até o confisco dos bens e a prisão em cadeia. A pena mais severa é a prisão perpétua, mas as autoridades civis automaticamente a converte em execução pública na fogueira ou na forca. Os heréticos não podem recorrer ao direito de asilo, e em geral, duas testemunhas constituem suficiente prova de culpa.

Em 1252, o Papa Inocêncio IV sanciona o uso da tortura como método de obtenção da confissão de suspeitos. As condenações dos culpados são lidas numa cerimônia pública no fim dos processos. É o chamado auto-de-fé. Nos séculos XIV e XV, os tribunais da Inquisição diminuem sua atividade e são recriados sob a forma de uma Congregação da Inquisição contra os movimentos da Reforma Protestante e contra as “heresias” filosóficas e científicas saídas do Renascimento. Vítimas notórias da fogueira da Inquisição são a heroína francesa Joana D’Arc (1412-1431), executada por declarar-se mensageira de Deus e usar roupas masculinas, e o italiano Giordano Bruno (1548?-1600), considerado o pai da Filosofia moderna, condenado por concepções intelectuais consideradas contrárias às aceitas pela Igreja.

Uma forma ainda mais violenta da Inquisição surge em 1478, na Espanha, a pedido dos reis católicos Fernando e Isabel, contra os judeus e muçulmanos, que são convertidos pela força ao catolicismo.

As Perseguições

Embora a Inquisição tenha alcançado seu apogeu no século XIII, suas origens remontam ao século IV:

· no século X muitos casos de execuções de hereges, na fogueira ou por estrangulamento;

· em 1198 o Papa Inocêncio III liderou uma cruzada contra os “ALBIGENSES” (hereges do sul da França), com execuções em massa;

· em 1229, no Concílio de Tolouse, foi oficialmente criada a Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício, sob a liderança do Papa Gregório IX;

· em 1252, o Papa Inocêncio IV publicou o documento intitulado “AD EXSTIRPANDA”, em que vociferou: “os hereges devem ser esmagados como serpentes venenosas”. Este documento foi fundamental na execução do diabólico plano de exterminar os hereges. As autoridades civis, sob a ameaça de excomunhão no caso de recusa, eram ordenadas a queimar os hereges. O “AD EXSTIRPANDA” foi renovado ou reforçado por vários papas, nos anos seguintes: Alexandre IV (1254-1261); Clemente IV (1265-1268), Nicolau IV (1288-1292); Bonifácio VIII (1294-1303) e outros. Inocêncio IV autorizou o uso da tortura.

Fonte: http://www.miniweb.com.br/Historia/artigos/i_media/heresia_inquisi%E7%E3o1.html





DOM JOSÉ CARDOSO SOBRINHO, O ABORTO E O OUTRO LADO DA MOEDA

9 03 2009

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Pois é, a polêmica envolvendo a menina de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto e que engravidou de gêmeos, tomou contornos midiáticos e espetaculares após a posição da igreja, mediante seu arcebispo, Dom José Cardoso Sobrinho que afirmou: “abortar é pior que estuprar”. A declaração incendiou tanto o País que levou até o Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, a se posicionar, além de ministros e médicos, e tantos outros profissionais.
Dando continuidade a divulgação de notícias relativas ao fato, acabei de receber de um amigo, uma carta assinada pelo Padre Edson Rodrigues, pároco da cidade de Alagoinha-PE, cidade natal da menina vitimada e que traz versões e pontos de vista contrastantes com o que foi lido e apresentado até agora na grande mídia. Abaixo, reproduzimos na íntegra este documento.

Outro lado da moeda …
————————————————————————————-
GRÁVIDA DE GÊMEOS EM ALAGOINHA

Por Pe. Edson Rodrigues

Fonte: http://padreedson.blogspot.com/
O lado que a imprensa deixou de contar

Há cerca de oito dias, nossa cidade foi tomada de surpresa por uma trágica notícia de um acontecimento que chocou o país: uma menina de 9 anos de idade, tendo sofrido violência sexual por parte de seu padrasto, engravidou de dois gêmeos. Além dela, também sua irmã, de 13 anos, com necessidade de cuidados especiais, foi vitima do mesmo crime. Aos olhos de muitos, o caso pareceu absurdo, como de fato assim também o entendemos, dada a gravidade e a forma como há três anos isso vinha acontecendo dentro da própria casa, onde moravam a mãe, as duas garotas e o acusado.

O Conselho Tutelar de Alagoinha, ciente do fato, tomou as devidas providências no sentido de apossar-se do caso para os devidos fins e encaminhamentos. Na sexta-feira, dia 27 de fevereiro, sob ordem judicial, levou as crianças ao IML de Caruaru-PE e depois ao IMIP (Instituto Médico Infantil de Pernambuco), de Recife a fim de serem submetidas a exames sexológicos e psicológicos. Chegando ao IMIP, em contato com a Assistente Social Karolina Rodrigues, a Conselheira Tutelar Maria José Gomes, foi convidada a assinar um termo em nome do Conselho Tutelar que autorizava o aborto.
Frente à sua consciência cristã, a Conselheira negou-se diante da assistente a cometer tal ato. Foi então quando recebeu das mãos da assistente Karolina Rodrigues um pedido escrito de próprio punho da mesma que solicitava um encaminhamento ao Conselho Tutelar de Alagoinha no sentido de mostrar-se favorável à interrupção gestatória da menina, com base no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e na gravidade do [UTF-8? A Conselheira guardou o papel para ser apreciado pelos demais Conselheiros colegas em Alagoinha e darem um parecer sobre o mesmo com prazo até a segunda-feira dia 2 de março. Os cinco Conselheiros enviaram ao IMIP um parecer contrário ao aborto, assinado pelos mesmos. Uma cópia deste parecer foi entregue à assistente social Karolina Rodrigues que o recebeu na presença de mais duas psicólogas do IMIP, bem como do pai da criança e do Pe. Edson Rodrigues, Pároco da cidade de Alagoinha.

No sábado, dia 28, fui convidado a acompanhar o Conselho Tutelar até o IMIP em Recife, onde, junto à conselheira Maria José Gomes e mais dois membros de nossa Paróquia, fomos visitar a menina e sua mãe, sob pena de que se o Conselho não entregasse o parecer desfavorável até o dia 2 de março, prazo determinado pela assistente social, o caso se complicaria. Chegamos ao IMIP por volta das 15 horas. Subimos ao quarto andar onde estavam a menina e sua mãe em apartamento isolado. O acesso ao apartamento era restrito, necessitando de autorização especial. Ao apartamento apenas tinham acesso membros do Conselho Tutelar, e nem tidos. Além desses, pessoas ligadas ao hospital. Assim sendo, à área reservada tiveram acesso naquela tarde as conselheiras Jeanne Oliveira, de Recife, e Maria José Gomes, de nossa cidade.

Com a proibição de acesso ao apartamento onde menina estava, me encontrei com a mãe da criança ali mesmo no corredor. Profunda e visivelmente abalada com o fato, expôs para mim que tinha assinado alguns papéis. A mãe é analfabeta e não assina sequer o nome, tendo sido chamada a pôr as suas impressões digitais nos citados documentos.

Perguntei a ela sobre o seu pensamento a respeito do aborto. Valendo-se se um sentimento materno marcado por preocupação extrema com a filha, ela me disse da sua posição desfavorável à realização do aborto. Essa palavra também foi ouvida por Robson José de Carvalho, membro de nosso Conselho Paroquial que nos acompanhou naquele dia até o hospital. Perguntei pelo estado da menina. A mãe me informou que ela estava bem e que brincava no apartamento com algumas bonecas que ganhara de pessoas lá no hospital. Mostrava-se também muito preocupada com a outra filha que estava em Alagoinha sob os cuidados de uma família. Enquanto isso, as duas conselheiras acompanhavam a menina no apartamento. Saímos, portanto do IMIP com a firme convicção de que a mãe da menina se mostrava totalmente desfavorável ao aborto dos seus netos, alegando inclusive que ninguém tinha o direito de matar ninguém, só Deus.

Na segunda-feira, retornamos ao hospital e a história ganhou novo rumo.. Ao chegarmos, eu e mais dois conselheiros tutelares, fomos autorizados a subirmos ao quarto andar onde estava a menina. Tomamos o elevador e quando chegamos ao primeiro andar, um funcionário do IMIP interrompeu nossa subida e pediu que deixássemos o elevador e fôssemos à sala da Assistente Social em outro prédio. Chegando lá fomos recebidos por uma jovem assistente social chamada Karolina Rodrigues. Entramos em sua sala eu, Maria José Gomes e Hélio, Conselheiros de Alagoinha, Jeanne Oliveira, Conselheira de Recife e o pai da menina, o Sr. Erivaldo, que foi conosco para visitar a sua filha, com uma posição totalmente contrária à realização do aborto dos seus netos. Apresentamo-nos à Assistente e, ao saber que ali estava um padre, ela de imediato fez questão de alegar que não se tratava de uma questão religiosa e sim clínica, ainda que este padre acredite que se
trata de uma questão moral.

Perguntamos sobre a situação da menina como estava. Ela nos afirmou que tudo já estava resolvido e que, com base no consentimento assinado pela mãe da criança em prol do aborto, os procedimentos médicos deveriam ser tomados pelo IMI dentro de poucos dias.
Sem compreender bem do que se tratava, questionei a assistente no sentido de encontrar bases legais e fundamentos para isto. Ela, embora não sendo médica, nos apresentou um quadro clínico da criança bastante difícil, segundo ela, com base em pareceres médicos, ainda que nada tivesse sido nos apresentado por escrito.

Justificou-se com base em leis e disse que se tratava de salvar apenas uma criança, quando rebatemos a idéia alegando que se tratava de três vidas. Ela, desconsiderando totalmente a vida dos fetos, chegou a chamá-los em embrião e que aquilo teria que ser retirado para salvar a vida da criança. Até então ela não sabia que o pai da criança estava ali sentado ao seu lado. Quando o apresentamos, ela perguntou ao pai, o Sr. Erivaldo, se ele queria falar com ela. Ele assim aceitou.
Então a assistente nos pediu que saíssemos todos de sua sala os deixassem a sós para a essa conversa. Depois de cerca de vinte e cinco minutos, saíram dois da sala para que o pai pudesse visitar a sua filha. No caminho entre a sala da assistente e o prédio onde estava o apartamento da menina, conversei com o pai e ele me afirmou que sua idéia desfavorável ao aborto agora seria diferente, porque a moça me disse que minha filha vai morrer e, se é de ela morrer, é melhor tirar as crianças , afirmou o pai quase que em surdina para mim, uma vez que, a partir da saída da sala, a assistente fez de tudo para que não nos aproximássemos do pai e conversássemos com ele. Ela subiu ao quarto andar sozinha com ele e pediu que eu e os Conselheiros esperássemos no térreo. Passou-se um bom tempo. Eles desceram e retornamos à sala da assistente social. O silêncio de que havia algo estranho no ar me incomodava bastante. Desta vez não tive acesso à sala.
Porém, em conversa com os conselheiros e o pai, a assistente social Karolina
Rodrigues, em dado momento da conversa, reclamou da Conselheira porque tinha me permitido ver a folha de papel na qual ela solicitara o parecer do Conselho Tutelar de Alagoinha favorável ao aborto e rasgou a folha na frente dos conselheiros e do pai da menina. A conversa se estendeu até o final da tarde quando, ao sair da sala, a assistente nos perguntava se tinha ainda alguma dúvida. Durante todo o tempo de permanência no IMIP não tivemos contato com nenhum médico. Tudo o que sabíamos a respeito do quadro da menina era apenas fruto de informações fornecidas pela assistente social. Despedimo-nos e voltamos para nossas casas. Aos nossos olhos, tudo estava consumado e nada mais havia a fazer.

Dada a repercussão do fato, surge um novo capítulo na história. O Arcebispo
Metropolitano de Olinda e Recife, Dom José Cardoso, e o bispo de nossa Diocese de Pesqueira, Dom Francisco Biasin, sentiram-se impelidos a rever o fato, dada a forma como ele se fez. Dom José Cardoso convocou, portanto, uma equipe de médicos, advogados, psicólogos, juristas e profissionais ligados ao caso para estudar a legalidade ou não de tudo o que havia acontecido. Nessa reunião que se deu na terça-feira, pela manhã, no Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, estava presente o Sr. Antonio Figueiras, diretor do IMIP que, constatando o abuso das atitudes da assistente social frente a nós e especialmente com o pai, ligou ao hospital e mandou que fosse suspensa toda e qualquer iniciativa que favorecesse o aborto das crianças.. .
E assim se fez.

Um outro encontro de grande importância aconteceu. Desta vez foi no Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, na tarde da terça-feira. Para este, eu e mais dois Conselheiros, bem como o pai da menina formos convidados naquela tarde. Lá no Tribunal, o desembargador Jones Figueiredo, junto a demais magistrados presentes, se mostrou disposto a tomar as devidas providências para que as vidas das três crianças pudessem ser salvas. Neste encontro também estava presente o pai da criança. Depois de um bom tempo de encontro, deixamos o Tribunal esperançosos de que as vidas das crianças ainda poderiam ser salvas.

Já a caminho do Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, por volta das cinco e meia da tarde, Dom José Cardoso recebeu um telefonema do Diretor do IMIP no qual ele lhe comunicava que um grupo de uma entidade chamada Curumins, de mentalidade feminista pró-aborto, acompanhada de dois técnicos da Secretaria de Saúde de Pernambuco, teriam ido ao IMIP e convencido a mãe a assinar um pedido de transferência da criança para outro hospital, o que a mãe teria aceito. Sem saber do fato, cheguei ao IMIP por volta das 18 horas, acompanhado dos Conselheiros Tutelares de Alagoinha para visitar a criança. A Conselheira Maria José Gomes subiu ao quarto andar para ver a criança.
Identificou-se e a atendente, sabendo que a criança não estava mais na unidade, pediu que a Conselheira sentasse e aguardasse um pouco, porque naquele momento estava havendo troca de plantão de enfermagem. A Conselheira sentiu um clima meio estranho, visto que todos faziam questão de manter um silêncio sigiloso no ambiente. Ninguém ousava tecer um comentário sequer sobre a menina.

No andar térreo, fui informado do que a criança e sua mãe não estavam mais lá, pois teriam sido levadas a um outro hospital há pouco tempo acompanhadas de uma senhora chamada Vilma Guimarães. Nenhum funcionário sabia dizer para qual hospital a criança teria sido levada. Tentamos entrar em contato com a Sra. Vilma Guimarães, visto que nos lembramos que em uma de nossas primeiras visitas ao hospital, quando do assédio de jornalistas querendo subir ao apartamento onde estava a menina, uma balconista chamada Sandra afirmou em alta voz que só seria permitida a entrada de jornalistas com a devida autorização do Sr. Antonio Figueiras ou da Sra. Vilma Guimarães, o que nos leva a crer que trata-se de alguém influente na casa. Ficamos a nos perguntar o seguinte: lá no IMIP nos foi afirmado que a criança estava correndo risco de morte e que, por isso, deveria ser submetida aos procedimentos abortivos. Como alguém correndo risco de morte pode ter alta de um hospital. A credibilidade do IMIP não estaria em jogo se liberasse um paciente que corre risco de morte? Como explicar isso? Como um quadro pode mudar tão repentinamente? O que teriam dito as militantes do Curumim à mãe para que ela mudasse de opinião? Seria semelhante ao que foi feito com o pai?

Voltamos ao Palácio dos Manguinhos sem saber muito que fazer, uma vez que nenhuma pista nós tínhamos. Convocamos órgãos de imprensa para fazer uma denúncia, frente ao apelo do pai que queria saber onde estava a sua filha.

Na manhã da quarta-feira, dia 4 de março, ficamos sabendo que a criança estava internada na CISAM, acompanhada de sua mãe. O Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (FUSAM) é um hospital especializado em gravidez de risco, localizado no bairro da Encruzilhada, Zona Norte do Recife. Lá, por volta das 9 horas da manhã, nosso sonho de ver duas crianças vivas se foi, a partir de ato de manipulação da consciência, extrema negligência e desrespeito à vida humana.

Isto foi relatado para que se tenha clareza quanto aos fatos como verdadeiramente eles aconteceram. Nada mais que isso houve. Porém, lamentamos profundamente que as pessoas se deixem mover por uma mentalidade formada pela mídia que está a favor de uma cultura de morte. Espero que casos como este não se repitam mais.

Ao IMIP, temos que agradecer pela acolhida da criança lá dentro e até onde pode cuidar dela. Mas por outro lado não podemos deixar de lamentar a sua negligência e indiferença ao caso quando, sabendo do verdadeiro quadro clínico das crianças, permitiu a saída da menina de lá, mesmo com o consentimento da mãe, parecendo ato visível de quem quer se ver livre de um problema.

Aos que se solidarizaram conosco, nossa gratidão eterna em nome dos bebês que a esta hora, diante de Deus, rezam por nós. Vinde a mim as crianças, disse Jesus. E é com a palavra desde mesmo Jesus que continuaremos a soltar nossa voz em defesa da vida onde quer que ela esteja ameaçada. Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente (Jo, 10,10). Nisso cremos, nisso apostamos, por isso haveremos de nos gastar sempre. Acima de tudo, a Vida!

Pe. Edson Rodrigues
Pároco de Alagoinha-PE





FEMINISTAS REAGEM A DOM JOSÉ

10 03 2009

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A peleja parece que está longe de ter fim. Um grupo de feministas lançaram um abaixo-assinado eletrônico em apoio à equipe médica que realizou o aborto na criança de 9 anos do município de Alagoinha/PE.
Reproduzimos aqui a página virtual dessa campanha. Quem quiser participar é só passar o mouse no texto e acessar a página.

APOIO POLÍTICO A FEMINISTAS E AO CISAM, NO CASO DA MENINA DE 9 ANOS DE ALAGOINHA (PE), SUBMETIDA A UM ABORTO LEGAL EM CONSEQÜÊNCIA DE VIOLÊNCIA SEXUAL E RISCO DE VIDA

Reconhecemos e aplaudimos a solidariedade, compromisso e eficiência que determinou o aborto legal realizado pela equipe de atenção à saúde do CISAM – Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, e em especial aos médicos Prof. Olimpio Moraes e Dr. Sérgio Cabral. Esta instituição mostrou seu compromisso com a saúde, com a vida, com a cidadania e direitos humanos da população que por ela é atendida.

A crítica contundente de setores conservadores religiosos a um trabalho tecnicamente competente e em consonância com as leis nacionais e normativas internacionais reflete uma vez mais seu arcaísmo e desumanidade.

O mundo acompanha atentamente a história desta menina pernambucana de 9 anos de idade, e seguramente apoiará a perspectiva daquelas/daqueles que defendem os direitos reprodutivos como direitos humanos.

SUPPORT TO FEMINISTS AND CISAM ON THE CASE OF 9-YEAR-OLD GIRL FROM ALAGOINHA (PE), SUBJECTED TO LEGAL ABORTION DUE TO SEXUAL ABUSE AND LIFE RISK.

We appreciate and applaud solidarity, compromise and efficiency that determined the legal abortion carried out by the health attention team of CISAM – Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, “Amaury de Medeiros Integrate Health Center”, specially the performance of doctors Prof. Olimpio Moraes and Dr. Sérgio Cabral. The institution proved fully committed to health, life, citizenship and human rights of the population attended.

The sharp criticism of conservative religious sectors to a technically competent job that is in accordance to national laws and international norms reflects once again their archaism and inhumanity.

The world population follows closely the history of the 9-year-old girl from Pernambuco and will certainly support the perspective of those who defend reproductive rights as human rights.

Essa manifestação foi assinada 3321 vezes.
This manifestation has now 3321 signatures

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DOM HELDER: UM CONSPIRADOR NO VATICANO

11 03 2009

Se estivesse vivo Dom Helder Camara estaria completando 100 anos. E quando pensávamos que já teríamos ciência de tudo ou das principais passagens da vida desse místico do século XX, a Revista Continente Multicultural, traz uma reportagem especial sobre o “Bispo Vermelho” onde mostra novas revelações da personalidade daquele que promoveu “por dentro” da Igreja Católica Apostólica Romana, uma verdadeira “conspiração do bem”, como diria Frei Betto.
Aqui, reproduzimos algumas passagens desta matéria especial.
Para ler, deslize o mouse (cursor) sobre o link abaixo e tenha acesso a mais informações sobre uma das grandes personalidades do século passado.

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Por que ele nunca chegou a Cardeal?

Os militares estavam chegando
Escrito por Vandeck Santiago padre
Não se passaram nem 48 horas de sua posse como arcebispo de Olinda e Recife e Dom Helder logo viu o que estava por vir. Quatro soldados armados de metralhadora invadiram o palácio da arquidiocese para prender o francês Pierre Gervaiseau, que estava acompanhado de Violeta Arraes (irmã de Miguel Arraes) e Maria Antonia McDowell. Os três haviam entrado na arquidiocese fugindo à perseguição dos soldados.
O fato não saiu nos jornais; é descrito na carta que o arcebispo escreveu em 14 de abril de 1964, incluída no I Tomo de Circulares interconciliares. Pierre estava sendo procurado como “espião francês”, ligado ao Partido Comunista Francês, coisa que ele nunca fora – trabalhava com um padre francês, no Recife. “Tentei fazer ver aos rapazes a gravidade do que faziam: invadir de metralhadora a casa do arcebispo…”, conta Dom Helder, que em seguida ligou para o homem forte dos militares no Nordeste, o general Justino Alves Bastos. Este se disse surpreso e mandou o coronel Antonio Bandeira ir até a casa do arcebispo para fazer sair os soldados e evitar a prisão das três pessoas que se refugiaram lá. Foi o primeiro problema do arcebispo com os militares; outros, mais tensos e sem final feliz, ocorreriam mais tarde.
A postura de Dom Helder ficara clara desde o seu discurso de posse – uma histórica peça de coragem num momento em que mandatos eram cassados e as cadeias viviam abarrotadas de presos políticos. “Ninguém se espante me vendo com criaturas tidas como envolventes e perigosas, da esquerda ou da direita, da situação ou da oposição, antirreformistas ou reformistas, antirrevolucionárias ou revolucionárias, tidas como de boa-fé ou de má-fé”, afirmou ele. “Ninguém pretenda prender-me a um grupo, ligar-me a um partido, tendo como amigos os seus amigos e querendo que eu adote as suas inimizades. Minha porta e meu coração estarão abertos a todos, absolutamente a todos. Cristo morreu por todos os homens: a ninguém devo excluir do diálogo fraterno.” Falou também do seu tema preferido: “(…) cuidaremos dos pobres, velando sobretudo pela pobreza envergonhada e tentando evitar que da pobreza se resvale para a miséria”.
O pronunciamento saiu nos jornais; o que não saiu foram os preparativos que Dom Helder fez para a sua elaboração e divulgação, mais um exemplo de como ele agia nos bastidores. “O Comando Supremo da Revolução pode achar ruim”, conta em carta na véspera da posse. “Hoje, se Deus quiser, e sobretudo amanhã, espero articular-me com os bispos do Nordeste. Contra um é fácil agir; se a Região inteira estiver unida, já dá mais trabalho”.
O “Comando Supremo” achou ruim, mas não reclamou naquele momento. Reclamaria muito depois, à medida que o arcebispo começou a agir e a falar. Não só o Comando Supremo; igualmente intelectuais favoráveis ao regime militar, como o dramaturgo Nelson Rodrigues e o sociólogo Gilberto Freyre. Em uma de suas tiradas mais célebres, Nelson dizia que Dom Helder só olhava para o céu para saber se ia chover. Era o tom costumeiro das críticas ao arcebispo, que o acusavam de “ser mais político que religioso”. Já as afirmações de Freyre tinham menos graça, mas eram igualmente difamatórias. Em artigo para O Estado de S. Paulo de 23 de agosto de 1966, ele o compara ao nazista Goebbels, “até pela semelhança física”.





AS MAIS VISITADAS

11 03 2009

Vez por outra divulgamos a lista dos temas mais pesquisados no blog Mania de História e para nossa surpresa, a curiosidade em torno da “Revolução Pernambucana de 1817″ aumentou de forma significativa o número de visitas em nosso espaço virtual em busca do assunto.
Segue abaixo, a lista dos dez mais até a presente data. Na medida do possível a cada final de mês publicaremos esta lista.

Muito obrigado pelas consultas.
Luís Carlos Lins

Título Visualizações
06 DE MARÇO: DATA MAGNA DE PERNAMBUCO
ALDEIA DE ESCADA: ESBULHOS DE TERRAS E R
IMAGENS QUE CONTAM HISTÓRIA:REVOLUÇÃO
REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
REVOLUÇÃO DE 1817
A PRIMEIRA CONSTITUIÇÃO(CARTA MAGNA) D
OPINIÃO: CONFLITO ENTRE ISRAEL E PALEST
MINERAÇÃO NO BRASIL COLÔNIA
O holocausto da faixa de Gaza(imagens fo
PROJETO “CONHECENDO PERNAMBUCO”





PEQUENA HISTÓRIA E ALGUNS SEGREDOS DA (odiada e adorada) COCA-COLA

12 03 2009

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Uma breve história da Coca-Cola (parte 1)
Escrito por Maria Lectícia Monteiro Cavalcanti
De produto farmacêutico caseiro a fenômeno internacional de mercado, a Coca-Cola é a bebida que melhor representa o espírito empreendedor norte-americano

No início era apenas remédio – segundo seu inventor, o farmacêutico e militar aposentado John Styth Pemberton. No quintal de sua casa em Atlanta (Geórgia, EUA), passava o tempo inventando fórmulas complicadas, capazes de curar “todos os males do corpo e da alma”: para doenças do fígado (Triplex Pillole) e do pulmão (Gingerina), afinar o sangue (Styllinger) ou escurecer os cabelos (Regina Indiana). Em março de 1885, foi a vez de um tônico reconstituinte contra “enjôo, ressaca, cansaço, exaustão física e mental”, feito a partir de uma mistura de ingredientes vindos de longe: coca (do Peru e da Bolívia), com folhas que eram usadas pelos nativos como estimulante, além de pequena quantidade de cocaína; e cola (da África), cuja noz é rica em cafeína e teobromina, empregada para combater fadiga e sede. Não foi original na escolha desses ingredientes, já usados (embora com proporções diferentes) num xarope produzido na Córsega (França) – o Vin Mariani. Na esperança de que viesse a ser sua mais importante invenção e reproduzindo no rótulo o tipo de bebida e sua procedência, deu o próprio nome ao produto – Pemberton’s French Wine Coca.
Por esse tempo, tratava-se ainda de um xarope escuro, grosso e muito amargo. Insatisfeito, Pemberton continuou acrescentando novos ingredientes à receita original, como ácido cítrico e essências de frutas. Mais tarde, com a colaboração do amigo (também aposentado) Frank Robinson, patenteou a fórmula; trocou o nome para Coca-Cola (inspirado nos seus principais ingredientes); criou logotipo, já com as letras inclinadas que tem hoje; e uma embalagem de atacado, em barris de madeira (antes usados para armazenar uísque) pintados de vermelho – mesma cor que viria, depois, a ser usada nos rótulos do produto. Segundo anúncio no The Atlanta Journal, era “Coca-cola! Delicious! Refreshing! Exulareting! Invigorating!” (“Coca-cola! Deliciosa! Refrescante! Fantástica! Revigorante”). Seu tônico passou então a ser vendido na Jacob’s Pharmacy, ao preço de 5 cents o copo, puro ou misturado com água (natural ou gasosa). Mas não foi um início economicamente promissor. Em média, eram vendidas por dia apenas nove doses. Por todo um ano, apenas 94 litros. Faturamento de 50 dólares, contra 74 aplicados nos gastos com propaganda. Em 1891, doente e quase falido, o pobre Pemberton vendeu sua fórmula a outro farmacêutico, Asa Griggs Candler, por 2.300 dólares. Sem nem desconfiar de que estava fazendo o pior negócio de sua vida.
Candler aperfeiçoou o produto – cancelou a cocaína, reduziu a cafeína, substituiu ácido cítrico por ácido fosfórico, acrescentou glicerina e um saborizante à base de óleo de lima. Assim nascia a fórmula conhecida, até hoje, como “Merchandise 7x”. Um segredo guardado a sete chaves, num cofre do Trust Co. Bank (em Atlanta), que só pode ser aberto com autorização de todos os diretores da empresa. E apenas dois executivos de produção (sem identidade revelada) têm acesso, cada um, à metade da fórmula. Tão grande é esse zelo, que a Coca-Cola preferiu abandonar um país como a Índia, que em 2012 será o mais populoso do mundo, a ter que cumprir ordem governamental de revelar a fórmula. O produto era, nesse início, oferecido em garrafinhas de 185 ml, concebidas por Joseph Biedenharn. Bem diferentes, ainda, daquelas que viriam a ser definitivas, com 200 ml, verdes (no Brasil são brancas), em estilo art nouveau – criadas, em 1915, por Earl Dean. Segundo o próprio artista, inspirada nas curvas do corpo da mulher, escondidas nas saias pregueadas que vestiam na época. Não por acaso a embalagem recebeu o nome de Mae West, um símbolo sexual da América. Deu certo. Sucesso de marketing e de vendas. Candler ganhou milhões de dólares, foi eleito prefeito de Atlanta e entregou o negócio ao filho Howard – que, em 1923, por 25 milhões de dólares, vendeu a Coca-Cola Company a Ernest Woodruff. Logo depois, o velho Candler teve um derrame cerebral e acabou morrendo. Muito triste e muito rico.
Para Woodruff, “Coca-Cola era o sonho americano numa garrafa”. Sua estratégia de venda era “um cartaz em cada esquina, e garrafas de coca em todos os estabelecimentos”. Para conquistar o público infanto-juvenil, em 1931, contratou o publicitário sueco Haddon Sundblom. Assim nasceu – como conhecemos hoje – a figura de Papai Noel. Desde 1881, por conta dos desenhos de Thomas Nast na Harper’s Weeklys, o bom velhinho era magro e se vestia de azul, amarelo, verde e vermelho. Acabou gordinho (como a garrafa) e vestindo as mesmas cores do rótulo (vermelho e branco).

Para ler a parte II, clique aqui.





RECIFE: VALE SABER MAIS

13 03 2009

Esta cidade encantadora, cortada por rios, de tantos contrastes e desigualdades, de tanta beleza também, de tanta arte e poesia, de um povo tão corajoso, de tantas insurreições libertárias, de tanto protagonismo, está fazendo mais um aniversário. Por isso, publicamos esta imagem e deixamos um link para você conhecer mais da história e curiosidades desta que é também carinhosamente chamada de “A Veneza Brasileira”.recife-ii

Clique aqui para saber mais da História do Recife





EXPOSIÇÃO DE FOTOS HISTÓRICAS EM HOMENAGEM AO RECIFE

13 03 2009

12 de Março

Em 12 de março de 1537 exatamente, a capital do estado de Pernambuco, Recife, era fundada. O nome foi escolhido por causa dos arrecifes – rochedos de coral e arenito formando uma muralha natural que circundam todo seu litoral.

Localizada na foz dos rios Capiberibe e Beberibe, Recife é conhecida como a “Veneza brasileira”, em alusão à cidade italiana que tem inúmeros canais e pontes atravessando seus rios.

É considerada uma cidade histórica por ter várias construções tombadas pelo Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade e muito visitada por turistas fascinados pela beleza de seu litoral.

AS IMAGENS EM EXPOSIÇÃO ABAIXO FORAM EXTRAÍDAS DO SITE: MEMORIALPERNAMBUCO.COM.BR
CAIS DO TRAPICHECASA DE DETENÇÃOPRAÇA CHORA MENINOHOSPITAL DO PORTUGUÊSLARGO DA ALFÂNDEGAPONTE DA BOA VISTAPONTE DA BOA VISTA





CHAMADA DA ANPUH EM FORTALEZA/CEARÁ

14 03 2009

Os Índios na História: Organização, Mobilização e Atuação Política

Coordenadores: EDSON HELY SILVA, JOHN MANUEL MONTEIRO

Em anos recentes, a temática indígena tem ocupado um espaço cada vez maior entre os historiadores. Este seminário temático visa dar continuidade às atividades em torno deste tema realizadas regularmente nos Simpósios Nacionais desde a adoção deste formato de trabalho, atividades essas que têm enfocado prioritariamente o papel desempenhado por índios enquanto agentes históricos. Como em anos anteriores, o Simpósio Temático está aberto, em princípio, a todos os recortes temáticos compatíveis com a história dos índios, com enfoque especial no Brasil porém não restrito a este espaço nacional-territorial. Daremos prioridade, no entanto, a trabalhos que apresentem pesquisas originais e enfoques inovadores sobre formas de organização, mobilização e atuação política. Estas formas abrangem várias possibilidades, tais como: o papel de lideranças indígenas, do século XVI ao XXI; a articulação de movimentos de protesto, reivindicação e rebelião; a formação de alianças em situações militares, políticas e administrativas; a relação intrínseca entre políticas indigenistas e a atuação política dos índios; o papel de mediadores não-índios; as relações entre índios e outros grupos sociais (quilombolas, afrodescendentes, camponeses, mestiços) na luta pela terra e outros direitos; os usos da história na articulação de movimentos etnopolíticos. A seleção de trabalhos levará em conta a originalidade da abordagem, a densidade da pesquisa e o diálogo com a bibliografia vigente.

Encerramento das inscrições: 15 de março/2009

SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA/ANPUH (Fortaleza/CE, 12 a 17/07/2009)
Informações: http://www.snh2009.anpuh.org





A SUSPEITA MORTE DE JOÃO GOULART

14 03 2009

A Carta Capital desta semana traz novas revelações sobre as causas da morte do ex-presidente do Brasil, João Goulart. Para aqueles que não conhecem com profundidade a história do ex-líder político, conhecido também por Jango, e que foi cassado pelos militares, publicamos aqui um pouco de sua biografia extraída dos arquivos da Fundação Getúlio Vargas/CPDOC.
Ao passar o mouse sobre a matéria o leitor poderá acessar o arquivo e ler mais sobre o assunto.

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Após rápida passagem por Porto Alegre, onde encontrou seu cunhado Leonel Brizola, o ex-governador do Rio Grande do Sul e então deputado federal pelo PTB da Guanabara, João Goulart decidiu partir para o exílio, chegando a Montevidéu no dia 4 de abril de 1964. No Uruguai, recebeu diversas manifestações de solidariedade do Brasil e do exterior, principalmente vindas de países da América Latina, entre os quais Chile, Argentina e Uruguai.
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Durante seu período de exílio, o ex-presidente se correspondeu com vários políticos, mantendo-se informado sobre a conjuntura política do país e sobre as medidas de exceção tomadas pelos militares logo após o golpe. Parte da correspondência com um desses políticos, Doutel de Andrade, refere-se ao Inquérito Policial Militar (IPM) a que Goulart foi submetido e que resultou em seu indiciamento como principal responsável pelos crimes arrolados no processo, em 1969. A sindicância desenvolvida pelo regime militar, iniciada ainda em 1964, visava a averiguar possíveis irregularidades em seu patrimônio material. O processo, com 19 volumes de documentos, concluiu que o ex-presidente havia cometido crimes contra o Estado e a ordem política e social, tais como “corrupção administrativa; aplicação indevida do dinheiro público; concessão de vantagens, favores e privilégios a apadrinhados e a organizações de classe que (…) conturbavam a vida nacional (…); diluição do princípio de autoridade e solapamento das instituições” (JG e 1969.06.02).

Em uma das cartas enviadas a Doutel, em 4 de maio de 1964, logo nos primeiros tempos do exílio, Goulart revela que “com profunda mágoa, tomo conhecimento da opressão, injustiças e violências praticadas contra o povo e contra as pessoas que cometeram o único crime de serem meus amigos ou de apoiarem minha orientação, que entendiam certa para os destinos do país”. Mais adiante, nessa mesma correspondência, referindo-se a uma matéria publicada por um jornal de Porto Alegre relativa ao seu patrimônio, afirma que se sentia no dever de “enviar alguns rápidos esclarecimentos (…) que servem para desmascarar a miséria moral do seu autor”. Em seguida, fornece informações detalhadas sobre a origem dos seus bens, segundo ele, todos adquiridos até 1961, ano em que assumiu a presidência da República. Afirma ainda que algumas das propriedades em Mato Grosso, a ele atribuídas pelo jornal, nunca constaram do seu patrimônio e conclui solicitando que todos os dados fornecidos fossem publicados, se possível, como matéria paga (JG e 1964.04.04/2).

Nesses cinco anos de investigações e acusações, sem poder usar o direito de defesa e sem que seus advogados tivessem acesso aos autos, Goulart se deprime, adoece e envelhece precocemente, como demonstram alguns dos documentos encontrados no seu arquivo pessoal, inclusive fotografias. Em correspondência dirigida a um deputado estadual do Rio Grande do Sul, em agosto de 1964, comenta seu estado de saúde, dizendo que já se encontra em fase de recuperação e que já retomou a leitura dos “jornais da terra” (JG e 1964.04.04/12). A referência feita diz respeito às complicações cardíacas que surgiram nesse período e que o perseguiram até a sua morte em 1976.

Nesses 12 anos, concedeu várias entrevistas a jornalistas brasileiros e estrangeiros e recebeu relatórios semanais de ex-colaboradores, como José Gomes Talarico, com informações sobre a conjuntura política e a atuação dos militares e dos políticos, inclusive da oposição. Entre 1966 e 1968, tomou parte das articulações relativas à constituição da Frente Ampla, movimento que visava à restauração democrática do país, por meios pacíficos, e do qual também participaram Carlos Lacerda e Juscelino Kubitschek.

Jango passou a residir em Buenos Aires em 1973, a convite do então presidente Juan Domingo Perón. Faleceu na sua fazenda La Villa, no município argentino de Mercedes, vítima de um ataque cardíaco, sem ter conseguido regressar ao Brasil. Sua morte teve grande repercussão tanto no Uruguai como no Brasil, a despeito da censura imposta ao noticiário relativo ao fato. Goulart foi sepultado em sua cidade natal, São Borja. O cortejo foi acompanhado por cerca de 30 mil pessoas, entre as quais políticos oposicionistas e antigos colaboradores de seu governo.





A ÍNDIA QUE A REDE GLOBO IGNORA E ESCONDE

15 03 2009

Recebi estas imagens fortíssimas que retratam a pobreza e a desigualdade na Índia. Uma das grandes potências econômicas do mundo. Resolvi suprimir algumas delas e caso o leitor/ra queira visualizar mais imagens, acesse o maniadehistoria.ning.com.
Abaixo das imagens colocaremos um link com uma análise econômica sobre este grande país.

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IMAGENS DE DOM HELDER CAMARA

15 03 2009

Para os interessados, colecionadores de imagens, admiradores de Dom Helder Camara, o site Dom Total está disponibilizando no Centenário do Dom da Paz, imagens históricas do religioso brasileiro que recebeu quatro indicações ao “Prêmio Nobel da Paz” e mais de trinta títulos “Honoris Causa” pelo mundo afora.
Logo abaixo da imagem, clique no link e visite a página Dom Total.
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Clique e acesse o site Dom Total.





200 ANOS DE CHARLES DARWIN

15 03 2009

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DARWIN, O EVOLUCIONISTA

CHARLES ROBERT DARWIN não só não foi o primeiro evolucionista como muitos pensam, como sequer foi o primeiro Darwin evolucionista. Seu avô ERASMUS DARWIN, médico e filósofo, já havia publicado em 1795 uma obra onde apresentava idéias evolucionistas precursoras de Lamarck. “Mal de família”, diriam os Criacionistas.

Charles Darwin nasceu em 1809 e desde cedo se interessou por história natural. Cursou sem concluir teologia e medicina, mas preferiu se ocupar de botânica, zoologia e geologia. Recebeu várias influências, entre elas do botânico John Stevens Henslow e do geólogo Adam Sedgwick.

Se você quer saber mais sobre a história pessoal do homem que revolucionou a ciência em sua época, assista ao documentário produzido pela Globo News em homenagem aos 200 anos de nascimento de Charles Darwin.

Clique aqui.

FRITZ MÜLLER
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O alemão naturalizado brasileiro que defendia as teorias de Darwin e foi seu correspondente aqui do Brasil, por mais de 17 anos.

Johann Friedrich Theodor Müller (Erfurt, 31 de março de 1821 — Blumenau, 21 de maio de 1897), foi um naturalista, (zoólogo de invertebrados, botânico) e professor de matemática e ciências naturais. Foi pioneiro no apoio factual à teoria da evolução apresentada por Charles Darwin.
Seu pai foi o pastor protestante Johannes Friedrich Müller, e seu avô materno o químico J. Bartholomaeus Thomsdorff.
Fritz Müller foi aprendiz de boticário de seus treze anos até o fim do colegial. Em 1840 vai para Naumburg trabalhar numa botica. Em 1841 estuda matemática e história natural na Universidade de Berlin, formando-se no final de 1844 em filosofia. Em 1845 volta a Erfurt como professor ginasial, ensinando álgebra e história natural. Em 1845, Fritz Müller inicia o estudo de medicina em Greifswald, não se formando devido ao seu ateísmo, que o levou a não querer jurar a Deus, pedindo para fazer o juramento judaico, que lhe foi negado.
Ele foi filiado por carta a “Comunidade Livre” formada e comandada por Gustav Adolf Wislicenus (1803-1875) em Halle. Grupo que era contra a tutela espiritual feita pela Igreja Protestante, e a sua vinculação ao Estado Absolutista. Neste grupo houve a filiação dos chamados iluministas luteranos, católicos e descontentes com o Estado Absolutista. Era também membro de um clube democrático, que sofreu perseguições governamentais, assim como as “comunidades livres”.
Provavelmente, para fugir das perseguições governamentais devido a frustrada Revolução de 1848, Fritz Müller se muda para Pomerânia Ocidental, para trabalhar de 1849 a 1852 como professor particular. Em 1852, imigra para o Brasil, juntamente com uma leva de descontentes com a Revolução de 1848.
Em 1852, Fritz Müller e sua família se estabelecem na Colônia Blumenau. Em 1855, Hermann Blumenau entra em contato com o Presidente da Província João José Coutinho, para recomendar Fritz Müller e o seu irmão Herman Müller para assumirem como professores do novo colégio que o Presidente de Província desejava fundar. O motivo da recomendação era o temor que Hermann Blumenau tinha da influência nos colonos da irreligiosidade dos irmãos.
Entre 1857-1864, Fritz Müller assumiu a cadeira de matemática no Colégio Liceo (1857-1864), ministrando, também, aulas de ciências naturais por um curto periodo de tempo. O Liceo foi combatido pela elite católica, formada em sua maioria por comerciantes e politicos locais, que temiam o fato de haver luteranos((Ricardo Becker, Carlos Parucher, Bukart e Fritz Müller)) ministrando aulas, em um colégio laico subsidiado pelo governo da Província de Santa Catarina. O colégio foi fechado e os professores despedidos, entretanto Fritz Müller, Amphiloquio Nunes Pires e João José das Rosas Ribeiro de Almeida tentaram reaver seus cargos, bucando reverter judicialmente a decisão de substituição do colégio Lyceo pelo colégio Santíssimo Salvador(1865-1869), mantido por jesuítas italianos. No processo fica decidido que o professor Fritz Müller seria alocado no cargo de Naturalista da Província, em detrimento do cargo de professor vitalício.

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Fonte : Wikipédia

CHARLES DARWIN – O GÊNIO ATORMENTADO (CLIQUE AQUI PARA LER ESTE ARTIGO)





HISTÓRIA DA (deficiente) LEITURA NO BRASIL

15 03 2009

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Leiam atentos/as a esta matéria da Agência Senado e publicada pelo Blog da Folha/PE em 14 de março do corrente:

O brasileiro lê bem menos que os habitantes dos países desenvolvidos.

Aqui, são, em média, 2,5 livros por ano, contra 10 nos Estados Unidos ou 15 em países como a Suécia ou a Dinamarca. Mas apenas 0,9 desses 2,5 livros anuais lidos não são obras didáticas, que as escolas exigem dos alunos. As diferenças regionais brasileiras também conspiram contra o crescimento do hábito da leitura, já que só há livrarias em 30% dos 5.564 municípios.

Não é exato o número de livrarias existentes no país porque é fácil obter-se um registro de funcionamento, mesmo que o negócio principal não seja a venda de livros. Mas é seguro afirmar-se que o Brasil tem hoje menos de 2.700 livrarias, 70% das quais são de pequeno e médio porte. Um número muitíssimo inferior ao que seria ideal, na visão da Organização das Nações Unidas (ONU) para um país com 190 milhões de habitantes.

Para ler mais, clique aqui.

Para encontrar as raízes dessa nossa deficiência vergonhosa, pesquisamos e encontramos uma das explicações para o fato, e ela está na história de nossa colonização.
Reproduzimos abaixo, parte do artigo “A CENSURA NO BRASIL- Do século XVI ao século XIX, de Aguinaldo Martino e Ana Paula Sapaterra, mestrandos da USP.

Em 5 de abril 1768, instituída por ordem do Marquês de Pombal, a Real Mesa Censória unifica o sistema censório anteriormente dividido entre o Santo Ofício, o Ordinário e o Desembargo do Paço. A intenção de Pombal era secularizar a censura, para atender às necessidades do Estado. Então, o rei nomeava os censores, que eram Estudos Lingüísticos XXXV, p. 234-243, 2006. [ 236 / 243 ] eclesiásticos e funcionários leigos. Cabia à Real Mesa Censória fiscalizar a impressão e a circulação de livros no Reino e também aqueles vindos de outros lugares, pois nenhum material impresso deveria entrar na Colônia sem antes ser submetido à vistoria dos censores régios. Em 18 de maio de 1768, estabeleceu-se um regimento no qual constavam todas as atribuições e normas de funcionamento da Mesa. O seu regimento previa que os censores fossem particularmente ativos contra livros que disseminassem heresias, superstições, sátiras pessoais e críticas sediciosas ao Estado. Destacava-se que estavam proibidas “as pequenas obras dos pervertidos filósofos dos últimos tempos”, que deveriam ser conhecidas apenas pelos intelectuais capazes de refutá-las. Nessa época, a censura agia, principalmente, junto às bibliotecas conventuais, pois, até então, havia poucas livrarias particulares e as tipografias ou comércios de livros eram inexistentes.

“Foram proibidas em Portugal e em suas colônias as obras das seguintes categorias:
1) os livros de autores ateus,
2) os de autores protestantes que combatessem o poder espiritual do Papa e dos bispos ou
atacassem os artigos da Fé Católica,
3) os que negassem a obediência ao Papa,
4) os livros de feitiçaria, quiromancia, magia e astrologia,
5) os que, apoiados num falso fervor religioso, levassem à superstição ou fanatismo,
6) os livros obscenos,
7) os infamatórios,
(…)
9) os que utilizam os textos das Sagradas Escrituras em sentido diferente do usado pela Igreja,
10) dos autores que misturassem artigos de fé com os de mera disciplina,
11) os que impugnassem os Direitos, Leis, Costumes, Privilégios etc da Coroa e dos Vassalos,
12) as obras “dos pervertidos filósofos destes últimos tempos…”,
13) os livros publicados na Holanda e na Suíça atribuídos a advogados do Parlamento da França
e que tratavam da separação entre o “Sacerdócio e o Império,”
14) todas as obras de autores jesuítas baseadas na “autoridade extrínseca da razão particular,”
15) os livros “compostos para o Ensino das Escolas Menores que forem contrários ao sistema estabelecido por lei anterior,”

A burocracia pombalina utilizava-se de um dos meios criticados aos jesuítas, a leitura de obras censuradas era permitida a um número restrito de funcionários encarregados de contestá-las. Os limites eram relativamente claros: autores científicos como Bacon, Galileu, Descartes, Newton, Leibnitz, Linneu,Quesnay ou Buffon eram recebidos pelo grupo político intelectual português e brasileiro; já sobre as obras dos “pervertidos filósofos”, contrárias ao Absolutismo e fiéis ao Iluminismo, constavamnautores como Voltaire, Montesquieu, Holbach, Mably, Rousseau ou Diderot.

Para ler o artigo completo, clique aqui.

AOS 19 ANOS, ELE LÊ MAL. LEIA MAIS…





CONVITE

16 03 2009

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A REVOLUÇÃO AMERICANA

17 03 2009

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1775: a revolução americana

» 1775: a revolução americana
» cresce a agitação anticolonialista

A Revolução Americana de 1776 foi a primeira grande rebelião do mundo colonial contra uma metrópole, no caso o reino da Grã-Bretanha. Uma série de incidentes crescentemente violentos foram colocando os colonos ingleses na América do Norte contra a sua terra natal. A repressão ordenada pelos ministros do Rei George III de nada adiantou. Os colonos mostraram-se cada vez mais decididos a conseguirem a sua independência total. Então deram-se as primeiras batalhas.
Na história muitas são as ações que terminam por transcender a vontade imediata daquele que a desencadeia. Pretendendo eliminar num ato de vingança o inimigo, um homem ateia fogo a um rastilho para lhe destruir a casa. As labaredas do incêndio terminam por fugir-lhe do controle e toda a região, inclusive sua residência, é devorada pelas chamas. Há pois um plus além da finalidade pretendida, uma substância da ação que, excedendo-se, volta-se contra o próprio autor. Este exemplo, dado por Hegel, serve perfeitamente para determinar o papel histórico do general Thomas Gage — comandante da guarnição militar de Boston às vésperas da Revolução.

Tomando ciência de que os colonos americanos haviam armazenado armas e munições num pequeno vilarejo nas cercanias de Boston, ordenou uma operação de busca e captura. Como este obscuro militar poderia saber que os tiros dados pelos colonos, tentando travar a marcha da coluna inglesa, terminariam por ecoar pelo mundo, ensurdecendo o despotismo e desencadeando a primeira revolução das Americas contra o colonialismo europeu? Revolução iniciadora de um ciclo de rebeldias e insurgências que — nas Américas — somente se encerraria cinqüenta anos depois, quando nos altiplanos peruanos, em 1824, os espanhóis foram definitivamente batidos em Ayacucho pelos chefes “criollos” sul-americanos.

De Concord a Bunker Hill

A milícia americana enfrenta um império
O porto de Boston, no decorrer do século XVIII, nada indicava ser um ninho revolucionário. Seu acolhedor ancoradouro, protegido pelas penínsulas de Charlestown e Dorchester, faziam da capital de Massachusetts um local aprazível para os esgotados marujos da rota atlântica. As suas lojas e mercados acolhiam os mais variados artigos, desde os exóticos produtos da manufatura oriental aos mais simples mantimentos nativos. Entre as colônias inglesas da América do Norte , ela era a terceira cidade em população, inferior apenas à Filadélfia e Nova York.

Os seus doze mil habitantes eram tidos como ordeiros e pacatos. Suas ruas estreitas apontavam para o mar e seus parques e bosques atulhavam-se durante as comemorações religiosas. Sim, porque Boston era a capital do puritanismo. A moral pública era severamente vigiada por sisudos pastores que não hesitavam em aplicar, com rigor, punições severas às ovelhas desgarradas. Uma sólida e ativa burguesia mercantil dominava as atividades econômicas, bem como a Assembléia Provincial, de onde os funcionários da coroa recebiam os proventos.

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A REVOLUÇÃO FRANCESA

17 03 2009

Revolução Francesa
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A Revolução Inglesa do século XVII marca o início da Era das Revoluções Burguesas, na medi da em que cria condições para o desenvolvimento acelerado do capitalismo. A Revolução Francesa, cabe definir o perfil ideológico desses movimentos, por seu caráter liberal e democrático.

Para muitos historiadores, a Revolução Francesa faz parte de um movimento revolucionário global, atlântico ou ocidental, que começa nos Estados Unidos em 1776, atinge Inglaterra, Irlanda, Holanda, Bélgica, Itália, Alemanha, Suíça e, em 1789, culmina na França com violência maior. O movimento passa a repercutir em outros países europeus e volta à França em 1830 e 1848. Há traços comuns em todos esses movimentos, mas a Revolução Francesa tem identidade própria, manifestada na tomada do poder pela burguesia, na participação de camponeses e artesãos, na superação das instituições feudais do Antigo Regime e na preparação da França para caminhar rumo ao capitalismo industrial.

Antecedentes

A França era ainda um país agrário em fins do século XVIII. Novas técnicas de cultivo e novos produtos melhoraram a alimentação, e a população aumentou. O início de industrialização j á permitia a redução de preços de alguns produtos, estimulando o consumo.

A burguesia se fortaleceu e passou a pretender o poder político e a discutir os privilégios da nobreza. Os camponeses possuidores de terras queriam libertar-se das obrigações feudais devi das aos senhores. Dos 25 milhões de franceses, 20 milhões viviam no campo. A população formava uma sociedade de estamentos (formas de estar), resquício da Idade Média. Mas j á se percebia uma divisão de classes. O clero, com 120 000 religiosos, dividia-se em alto clero (bispos e abades com nível de nobreza) e baixo clero (padres e vigários de baixa condição); era o primeiro estado. A nobreza constituía o segundo estado, com 350 000 membros; os palacianos viviam de pensões reais e usufruíam de cargos públicos; os provinciais vi viam no campo, na penúria. A nobreza de toga, constituída de gente oriunda da burguesia, comprava seus cargos. O terceiro estado compreendia 98% da população: alta burguesia, composta por banqueiros, financistas e grandes empresários; média burguesia, formada pelos profissionais liberais, os médicos, dentistas, professores, advogados e outros; pequena burguesia, os artesãos, lojistas; e o povo, camada social heterogênea de artesãos, aprendizes e proletários. As classes populares rurais completavam o terceiro estado; destacavam-se os servos ainda em condição feudal (uns 4 milhões); mas havia camponeses livres e semilivres.

O terceiro estado arcava com o peso de impostos e contribuições para o rei, o clero e a nobreza. Os privilegiados tinham isenção tributária. A principal reivindicação do terceiro esta do era a abolição dos privilégios e a instauração da igualdade civil.

No plano político, a revolução resultou do absolutismo monárquico e suas injustiças. O rei monopolizava a administração; concedia privilégios; esbanjava luxo; controlava tribunais; e condenava à prisão na odiada fortaleza da Bastilha, sem julgamento. Incapaz de bem dirigir a economia, era um entrave ao desenvolvimento do capitalismo.

O Estado não tinha uma máquina capaz dê captar os impostos, cobrados por arrecadadores particulares, quê espoliavam o terceiro estado. O déficit do orçamento sê avolumava. Na época da revolução, a dívida externa chegava a 5 bilhões de libras, enquanto o meio circulante não passava da metade. Os filósofos iluministas denunciaram a situação. Formavam-se clubes para ler seus livros. A burguesia tomava pé dos problemas ê buscava conscientizar a massa, para obter-lhe o apoio.

As condições estavam postas; faltava uma conjuntura favorável para precipitar a revolução.

A revolta aristocrática

A indústria sofreu séria crise a partir dê 1786. Um tratado permitiu quê produtos agrícolas franceses tivessem plena liberdade na Inglaterra em troca da penetração dê produtos ingleses na França. A principiante indústria francesa não agüentou a concorrência.

A seca de 1788 diminuiu a produção dê ali mentos. Os preços subiram ê os camponeses passavam fome. Havia miséria nas cidades. A situação do tesouro piorou depois quê a França apoiou a Independência dos Estados Unidos, aventura quê lhe custou 2 bilhões dê libras. O descontenta mento era geral. Urgiam medidas para sanear o caos. Luís XVI encarregou o ministro Turgot dê realizar reformas tributárias, mas os nobres reagiram ê ele sê demitiu. O rei então indicou Calonne, quê convocou a Assembléia dos Notáveis, dê nobres ê clérigos (1787). O ministro propôs quê esses dois estados abdicassem dos privilégios tributários ê pagassem impostos, para tirar o Estado da falência. Os nobres não só recusaram como provocaram revoltas nas províncias onde eram mais fortes.

O novo ministro, Necker, convenceu o rei a convocar a Assembléia dos Estados Gerais, quê não sê reunia desde 1614. As eleições dos candidatos para a Assembléia realizaram-se em abril dê 1789 ê coincidiram com revoltas geradas pela péssima colheita desse ano. Em Paris, os panfletos dos candidatos atacavam os erros do Antigo Regime ê agitavam os sans-culottes, isto é, os sem-calções, em alusão à peça de roupa dos nobres, que os homens do povo não usavam. Os nobres eram cerca de 200 000 numa Paris com 600 000 habitantes.

Em maio de 1789, os Estados Gerais se reuni ram no Palácio de Versalhes pela primeira vez. O terceiro estado foi informado de que os projetos seriam votados em separado, por estado. Isto daria vitória à nobreza e ao clero, sempre por 2 a 1. O terceiro estado rejeitou a condição. Queria votação individual, pois contava com 578 deputados, contra 270 da nobreza e 291 do clero, ou seja a, tinha maioria absoluta. E ainda contava com os votos de 90 deputados da nobreza esclarecida e 200 do baixo clero.

Revolução Burguesa

Reunindo-se em separado em 17 de junho de 1789, o terceiro estado se considerou Assembléia Nacional. Luís XVI, pretextando uma reforma na sala, dissolveu a reunião. Os deputados do terceiro estado foram então para a sala de Jogo da Péla, onde receberam adesão de parte do clero e de nobres influenciados pelo Iluminismo. O rei não teve alternativa senão aceitar a Assembléia Nacional.

Os fatos se desenrolaram com rapidez, como se algumas décadas fossem comprimidas em algumas semanas.

9 de julho – Proclamou-se a Assembléia Nacional Constituinte. Os deputados juraram só se dispersar depois de dar uma Constituição à França. Luís XVI procurava ganhar tempo, enquanto reunia tropas.

12 de julho – Necker se demite. Aumenta a tensão.

13 de julho – Forma-se a milícia de Paris, organização militar-popular. O povo armazena armas e prepara barricadas.

14 de julho – O povo toma a Bastilha. A explosão revolucionária alastra-se por todo 0 país. No campo, a violência é maior. Procurando destruir o jugo feudal, camponeses saqueiam as posses da nobreza, invadem cartórios e queimam títulos de propriedade.

Correm boatos de que bandidos aliciados pelos senhores vão atacar os camponeses, gerando o grande medo.

4 de agosto – A Assembléia Constituinte inicia reunião em que, para conter o movimento, os deputados aprovam a abolição dos direitos feudais: as obrigações devidas pelos camponeses ao rei e à Igreja a são suprimidas; as obrigações devidas aos nobres devem ser pagas em dinheiro.

26 de agosto – E aprovada a Declaração dos Diretos do Homem e do Cidadão. De inspiração iluminista, o documento defende o direito à liberdade, à igualdade perante a lei, à inviolabilidade da propriedade e o direito de resistir à opressão. Na sessão que votou o direito de veto (poder concedido ao rei de vetar decisões da Assembléia), os aristocratas sentam-se à direita do presidente; os democratas, à esquerda. Tal fato deu origem à separação que chega aos dias de hoje, entre direita e esquerda na política.

O rei se recusou a aprovar a Declaração e a massa parisiense revoltou-se novamente. Foram as jornadas de outubro: o Palácio de Versalhes foi invadido e o rei obrigado a morar no Palácio das Tulherias, em Paris.

Em 1790, foi aprovada a Constituição Civil do Clero. Estabelecia que os bens eclesiásticos seriam confiscados para servir de lastro à emissão dos assignats (bônus do Estado) e os padres passariam a ser funcionários do Estado. Muitos aceitaram e juraram fidelidade à Revolução, desobedecendo ao papa, que já se manifestara contra. Outros, os refratários, emigraram e de ram início às agitações contra-revolucionárias nas províncias.

A Constituição ficou pronta em 1791. O poder executivo caberia ao rei, e o legislativo, à Assembléia. O trono continuava hereditário e os deputados teriam mandato de dois anos. Só seria eleitor quem tivesse um mínimo de riqueza. Foi abolido o feudalismo. Foram suprimidos os privilégios e as antigas ordens sociais, com a proclamação da igualdade civil. Reorganizou-se e descentralizou-se a administração. Foram confirmadas a nacionalização dos bens eclesiásticos e a Constituição Civil do Clero. Foi mantida a escravidão nas colônias.

Luís XVI, em contato com outros soberanos absolutos, julgou o momento oportuno para escapar e, com apoio estrangeiro e dos emigrados, iniciar a contra-revolução. Fugiu em julho de 1791, mas foi preso em Varennes, recambiado ao Palácio e mantido sob vigilância.

O êxito da Revolução estimulou movimentos na Holanda, Bélgica e Suíça. Na Itália, Inglaterra, Irlanda, Alemanha e Áustria, simpatizantes organizaram demonstrações de apoio. Os déspotas esclarecidos sustaram as reformas e se reaproximaram da aristocracia. Escritores reacionários defendiam a idéia de uma contra-revolução. As potências européias, de início indiferentes, uni ram-se. A ameaça de invasão da França aumentou, o que tornou inevitável a radicalização inter na da Revolução.

A unidade inicial entre patriotas contra os aristocratas desapareceu, dando origem a complexa composição político-partidária. Os girondinos, representantes da alta burguesia, defendiam as posições conquistadas e evitavam a ascensão da massa de sans-culottes; os jacobinos, representando a pequena e média burguesia, constituíam o partido mais radical, ainda mais sob a liderança de Robespierre, que buscava o apoio dos sans-culottes; os cordeliers, independentes liderados por La Fayette, procuravam ficar no centro e oscilavam entre os feuillants, à direita, e os jacobinos, à esquerda.

Os girondinos tinham a maioria e o apoio do rei, que neles confiava para conter o avanço revolucionário. Graças a isto, o rei conseguiu vetar o projeto que deportava os refratários e convocava o exército para enfrentar os inimigos da Revolução, cada vez mais ativos fora da França.

Os inimigos, representados pelo exército austro-prussiano e pelo exército de emigrados, comandados pelo duque prussiano Brunswick e apoiados secretamente por Luís XVI, invadiram a França. Radicalizou-se a posição contra os nobres, considerados traidores. A massa parisiense, mais forte politicamente, apoiando os jacobinos e liderada por Danton e Marat, atacou os aristocratas nas prisões: foi o massacre de setembro.

O exército nacional foi convocado, com apresentação obrigatória de todos os homens válidos. Em 20 de setembro de 1792, os austro-prussianos foram batidos em Valmy. À noite, em Paris, foi proclamada a República. O rei, suspeito de traição, aguardaria julgamento.

Revolução Popular

Uma nova assembléia foi formada, a Convenção, que deveria preparar nova Constituição. Os girondinos perderam a maioria para os jacobinos, reforçados pelos montanheses, grupo mais radical. Robespierre e Saint-Just lideravam os jacobinos. O julgamento de Luís XVI abalou a opinião pública européia. Os girondinos trataram de defendê-lo. Saint-Just e Robespierre pediam a condenação. O rei acabou guilhotinado em 21 de janeiro de 1793.

O primeiro ano da República, 1793, foi chamado Ano I, no novo calendário. Uma nova representação tomou posse, eleita por sufrágio universal masculino, o que acentuou seu caráter popular; saíram vitoriosos os jacobinos e a Montanha. Pela nova Constituição, os 750 deputados eleitos escolheriam a mesa dirigente, com funções executivas.

Europa afora, coligavam-se forças absolutistas: Inglaterra, Holanda e Santo Império. A Convenção se defendeu, organizando uma série de instituições: Comitê de Salvação .Pública, encarregado de controlar o exército; Comitê de Segurança Nacional, para garantir a segurança interna; Tribunal Revolucionário, encarregado de julgar os contra-revolucionários. Os jacobinos controlavam a Convenção e os principais Comitês.

Começa então o expurgo de adversários. Os girondinos são acusados de partidários do rei e vários vão para a guilhotina. A jovem Charlotte Corday se vinga assassinando o jacobino Marat. Também é guilhotinada. Entramos no período do Terror, que se estenderia de junho de 1793 a julho de 1794.

A Montanha de Robespierre dirigia essa política. As perseguições se espalharam. Os indulgentes de Danton temiam que a onda os envolves se. Protestavam e pediam o fim das perseguições. No extremo oposto, os hebertistas, seguidores de Hébert, pregavam mais violência.

Robespierre tentava manter-se entre os extremistas da esquerda. Como a pressão popular era grande, fazia concessões: os preços foram tabela dos; os exploradores, perseguidos; os impostos sobre os ricos, aumentados; pobres, velhos e desamparados, protegidos por leis especiais; a instrução tornou-se obrigatória; bens de nobres e emigrados foram vendidos para cobrir as despe sas do Estado.

As leis sociais provocaram ondas contra-revolucionárias. Sobrevieram medidas drásticas. O Tribunal Revolucionário prendeu mais de 300 000 pessoas e condenou à morte 17 000. Muitos morre ram nas prisões esperando julgamento.

O Terror chegou ao auge e atingiu a própria Convenção. Para se manter no poder, Robespierre precisava eliminar toda oposição. Condenou Danton à morte. O radicalismo dos hebertistas igualmente criava problemas, levando-os também à guilhotina.

O sucesso militar diminuiu a tensão interna, e a população passou a desejar o afrouxamento da repressão. Os girondinos, que tinham se isolado durante o Terror para salvar suas cabeças, volta­ram à carga. Robespierre não tinha mais a massa parisiense para apoiá-lo, pois havia liquidado seus líderes. Em julho de 1794, ou 9 Termidor pelo novo calendário, Robespierre e Saint-Just foram presos e guilhotinados em seguida. A alta burguesia voltava ao poder através dos girondinos.

Contra-Revolução Burguesa

O poder da Convenção caiu nas mãos do Pântano, movimento formado por elementos da alta burguesia, de duvidosa moralidade pública e grande oportunismo político. Ligados aos girondinos, instalaram a Reação Termidoriana. Os clubes jacobinos foram fechados. Preparou-se nova Constituição, a do ano III (1795), que estabelecia um executivo com cinco diretores eleitos pelo legislativo, o Diretório. Os deputados com poriam duas câmaras: o Conselho dos S00 e o Conselho dos Anciãos.

A configuração política da Assembléia mu dou: no centro, os girondinos, que tinham deposto Robespierre; à direita, os realistas, que pregavam a volta dos Bourbon ao poder; à esquerda, jacobinos e socialistas utópicos, que reclamavam medi das de caráter social.

Os diretores equilibravam-se em meio a golpes, da esquerda e da direita. Em 1795, os realistas tentaram dar um golpe, abafado por um jovem oficial, Napoleão Bonaparte, presente em Paris por acaso. Como recompensa, ele recebeu dos diretores o comando do exército na Itália.

Em 1796, estourou a conspiração jacobina do Clube de Atenas. No ano seguinte, foi a vez dos realistas, derrotados novamente, pelo general Augereau, enviado por Napoleão, que acabava de assinar uma paz vantajosa com a Áustria. Em 1798, os jacobinos venceram as eleições. A burguesia queria paz. Queria um governo forte que conduzisse a França à normalidade. Alguns diretores, como Sieyès e Ducos, prepararam o golpe que levaria Napoleão ao poder, em 9 de novembro de 1799 ou 8 Brumário. Napoleão evitaria as tentativas jacobinas de tomar o poder, consolidando o poder da burguesia no contexto da Revolução. Uma revolução cujos ideais não tardariam a repercutir em longínquas terras, inclusive no Brasil.

Leia mais aqui.

A HUMILHAÇÃO DAS COLABORACIONISTAS NA FRANÇA – II GUERRA MUNDIAL(CLIQUE AQUI)





MULHERES DE ATENAS

18 03 2009

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Este texto se propõe a uma interpretação histórica do papel da mulher na sociedade grega, tendo como referência a famosa música de Chico Buarque de Hollanda: Mulheres de Atenas. Além de uma interessante explicação da canção do Chico, com certeza nos ajuda a compreender um pouco o papel exercido pela mulher em nossa sociedade.
Logo abaixo, a canção completa.

Elas tecem longos bordados

A principal ocupação das atenienses de todas as classes sociais era usar lã para fazer tecidos. O processo, longo e trabalhoso, envolvia desde a preparação do fio até a criação de peças em teares manuais.

Os novos filhos de Atenas

Cuidar das crianças também era uma ocupação exclusivamente feminina. Até os 7 anos, meninos e meninas passavam quase todo o tempo na barra da mãe. Depois os meninos podiam estudar, enquanto as meninas continuavam em casa.

Quando fustigadas não choram

As camponesas não precisavam ficar trancafiadas em casa, como ocorria com as atenienses urbanas ricas. Mas elas tinham de dar duro o ano inteiro. Uma de suas principais atividades era plantar e colher ervas, verduras e legumes.

Não fazem cenas

Além de cultivar feijão, cebola, condimentos e verduras silvestres, era preciso limpar constantemente o jardim para evitar ervas daninhas.

Ajoelham

As mulheres do campo também eram responsáveis pela pecuária. Elas ordenhavam cabras e ovelhas e usavam o leite para preparar queijo e coalhada. Ocasionalmente, ainda criavam abelhas para produzir mel. Tudo isso sem reclamar.

Vivem pros seus maridos

Fora o trabalho de fiar e de supervisionar o criados, as donas-de-casa de casa abastadas deixavam quase todo o trabalho para as escravas domésticas. As crianças, e às vezes até a amamentação, podiam ficar por conta das cativas.

Fonte: Revista Aventuras na História

Mulheres de Atenas
>> Chico Buarque

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seu maridos, orgulho e raça de Atenas
Quando andas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas
Cadenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos, poder e força de Atenas
Quando eles embarcam, soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam sedentos
Querem arrancar violentos
Carícias plenas
Obscenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar o carinho
De outras felenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas
Helenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm presságios
Lindas sirenas
Morenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas
Serenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas





CARTA DE DOM PEDRO II: DECIFRE SE FOR CAPAZ

18 03 2009

Abaixo, uma carta de D. Pedro II para a condessa de Barral, sua grande amiga e preceptora das princesas Isabel e Leopoldina.
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Se não conseguiu ler, clique aqui.





AS GRANDES NAVEGAÇÕES: PROFISSÃO DE ALTO RISCO

21 03 2009

Nas escolas do Brasil inteiro durante o mês de abril, relembra-se e discute-se a conquista do Brasil pelo Império Português. Em virtude dessa necessária curiosidade histórica, publicamos esta matéria muito interessante extraída de “Veja na História” e logo abaixo do artigo, colocamos à disposição dos leitores/as o link para os interessados terem acesso a mais informações sobre o tema.
Boa pesquisa!

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A vida nos navios que partem para alto-mar é muito dura. Oficiais e marinheiros espremem-se em espaços exíguos, enfrentam os perigos dos mares desconhecidos e padecem de doenças terríveis. A principal causa de mortalidade, além dos naufrágios, é o mal das gengivas, um flagelo das tripulações. Depois de algumas semanas no mar, as gengivas incham e começam a apodrecer, exalando um odor insuportável. Às vezes, é preciso cortar a carne apodrecida antes que o inchaço cubra os dentes e leve o doente à morte – sem conseguir mastigar, os infelizes definham de fome. A tripulação se ressente da falta de alimentos frescos. Os oficiais têm permissão para embarcar animais vivos, como galinhas, cabritos e porcos, mas essa carga geralmente é consumida nos primeiros dias de viagem. A partir daí, a principal comida a bordo são os biscoitos da regra, feitos de farinha de trigo e centeio. Cada tripulante tem direito geralmente a 400 gramas diários de biscoito, a ração básica de sobrevivência no mar.

A má conservação dos alimentos é um problema grave. Armazenada em paióis pouco arejados, quentes e úmidos, a comida apodrece rapidamente. Os navios vivem infestados de ratos, baratas e carunchos. Insetos e vermes disputam com os homens o alimento escasso e comprometem as já precárias condições de higiene. Os temperos fortes são usados para disfarçar o gosto dos alimentos deteriorados. Peixes frescos são uma raridade – além de difíceis de pescar em alto-mar, a tripulação prefere não gastar o pouco alimento disponível como isca de resultados incertos. As refeições são preparadas num fogão a lenha existente no convés e cuidadosamente vigiado para evitar incêndios. À noite e durante as borrascas, os fogões ficam apagados. A água, transportada em grandes tonéis, também apodrece pelo acúmulo de algas e parasitas. Quando ela escasseia, nas longas viagens, o racionamento aumenta e cozinha-se com água do mar. Talvez venham daí as febres e diarréias que atormentam a todos. Essas doenças não só minam o corpo como entorpecem a mente. Suspeita-se que uma diarréia intermitente tenha contribuído para os delírios do grande almirante Cristóvão Colombo, que ultimamente deu até para duvidar que o mundo é redondo, atribuindo-lhe, ao contrário, o formato de uma “teta de mulher”, conforme escreveu em arrebatada carta enviada à piedosíssima rainha Isabel de Castela.

Os navios funcionam como organizações militares, com hierarquia e tarefas bem definidas, o que não tem impedido motins e rebeliões. Não é só a marujada ignara que se subleva nos momentos de desespero. Na viagem de volta das Índias, a tripulação da frota de Vasco da Gama estava tão devastada pelas doenças e pela exaustão que até os mestres e pilotos pediram ao almirante que retornasse à terra (numa reação típica de seu temperamento irascível, Gama prendeu os pilotos e assumiu ele mesmo o comando da navegação). A elite da tripulação é composta de representantes da nobreza e profissionais altamente especializados na arte de navegar. O posto mais alto é o do capitão-mor. Depois vêm o mestre e o contramestre, responsáveis pela contratação dos marujos e pela rotina de bordo. O piloto é o comandante das operações náuticas. Deve conhecer a posição do navio o tempo todo, definir seu curso, saber ir e retornar em segurança. O escrivão, representante direto da coroa, encarrega-se de fazer os relatos da viagem e os registros no livro de contabilidade. Agora, com a expansão da empresa das navegações, já começam a ser sistematicamente embarcados os representantes da Igreja. Eles prestam assistência espiritual à tripulação e viajam imbuídos da missão de propagar os ensinamentos cristãos entre os bárbaros e infiéis das novas terras, tarefa na qual até agora têm obtido pouco sucesso.

O restante da tripulação é dividido em três categorias. Os marinheiros são profissionais do mar com experiência em viagens anteriores. Nesse grupo estão os carpinteiros, calafates, tanoeiros, meirinhos, despenseiros, cozinheiros e bombardeiros. Os grumetes são aprendizes de marinheiros, novatos de primeira viagem. Aprendem a içar e recolher as velas, operar as bombas para drenar o navio e outras rotinas náuticas. Os que mostram aptidão são promovidos a marinheiros. Por fim, há os pajens, menores embarcados que servem os oficiais de bordo. Limpam as cabines, arrumam a mesa, servem as refeições e cantam hinos religiosos. Também cabe aos pajens virar a cada meia hora a ampulheta, o relógio de areia que marca as jornadas de trabalho a bordo e o progresso do navio durante a viagem. Os navios levam ainda a gente de guerra, os soldados equipados com os canhões que tanto efeito causam no além-mar.

Só os oficiais têm aposentos próprios. A maioria da tripulação vive esparramada pelo convés e dorme em lugares improvisados. Expostos ao sol, ao frio e à chuva, muitos marinheiros morrem de doenças pulmonares. Não há banheiros. As necessidades são feitas diretamente no mar, com a ajuda de pequenos assentos pendurados sobre a amurada. O uso de urinóis à noite e durante as tempestades aumenta a pestilência a bordo. O responsável pelos raros cuidados com a higiene da tripulação é o barbeiro. Seu estojo é composto de seis navalhas, duas pedras de limar, duas tesouras, dois espelhos, dois pentes, uma bacia de barbear e outra para se lavar. Também inclui apetrechos parar curar feridas e uma farmácia de bordo com ungüentos, óleos aromáticos, purgantes, água destilada e ervas medicinais. A função do barbeiro é tão importante que ele é dos poucos tripulantes com o privilégio de dividir a mesa de jantar com o capitão e o piloto.

Na longa solidão dos mares, as viagens são intermináveis e tediosas. O jogo de cartas constitui uma das poucas atividades de lazer a bordo, mas é malvisto pelos padres. Embora seja muito pequeno o número dos tripulantes instruídos nas letras, os padres também se opõem à leitura de livros profanos. Em seu lugar, distribuem obras que contam histórias de santos. A atividade religiosa a bordo é intensa. Os padres promovem rezas, ladainhas e representações teatrais de episódios religiosos, como o Mistério da Paixão. A adesão da tripulação é entusiasmada. Desde tempos imemoriais, os marinheiros demonstram grande fervor religioso, quando não superstição pura e simples. Sua profissão de alto risco explica esse apego.

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DICIONÁRIO DO TUPI-GUARANI

22 03 2009

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Antecipando o 19 de abril, pois “todo é dia de índio”, publicamos esta matéria especial em homenagem aos povos indígenas do nosso Brasil.

19 de abril – Dia do Índio

O dia do Índio é comemorado em 19 de abril, data instituída em 1940 no México durante um congresso indigenista. A data antes lembrada por comemorações oficiais e atividades e pesquisas escolares passa a ter hoje uma conotação profunda, sendo marcada por encontro políticos-culturais, debates, encontros protagonizados pelos índios e parceiros de causa durante todo este mês em vários estados do país.

“No dia em que eu conseguir abrir as páginas de minh’alma e contar essas linhas de meu inconsciente coletivo, com alegrias ou dores, com prazeres ou desprazeres, como amores ou ódio, no céu ou na terra – aí sim, aí sim, vou soltar a minha voz num grito estrangulador, sufocado há cinco séculos, porque 500 anos de pretenso reconhecimento de nossa identidade, não pagam o sangue derramado pelas avós, mães e filhas indígenas deste país. Esse dia, certamente chegará, mesmo que eu esteja em outros planos.”

Eliane Potiguara
Elaine é uma escritora indígena, remanescente da etnia Potiguara, professora formada em letras, fundadora da ONG GRUMIN (Grupo Mulher Educação Indígena)

DICIONÁRIO TUPI-GUARANI

Muito interessante este dicionário tupi-guarani. Estudando a língua de nossos ancestrais, nativos de Pindorama (do Brasil), identificamos a forte contribuição desta vertente linguística em nosso vocabulário que muitos chamam de língua portuguesa.
Logo abaixo, deixo o link pra você consultar as demais letras do dicionário.
Boa Leitura!
A

Aamo lua (xavante)
Aaní não, nada
Aaru espécie de bolo
Abá homem, índio, gente, pessoa
Abaçaí o que espreita
Abacataia espécie de peixe de água salgda
Abacatuaia abacataia, aracangüira
Abacatuia abacataia, aracangüira
Abaetê pessoa boa, pessoa honrada – abaeté
Abaetetuba lugar cheio de gente boa
Abaité gente ruim, repulsiva, gente estranha
Abanã cabelo forte, cabelo duro
Abanheém língua de gente, a língua que as pessoas falam
Abanheenga abanheém
Abapy pé de homem
Abaré amigo do homem
Abaquar homem que voa
Abaruna amigo de roupa preta, padre, amigo preto – abuna
Abati cabelos dourados, louro
Abequar Senhor do vôo
Abuna padre de batina preta
Acag cabeça
Açaí pequeno côco amarronzado
Acamim espécie de pássaro, espécie de árvore
Acará garça, ave branca
Acaraú rio das garças
Acemira o que faz doer
Açu grande, comprido, longo, considerável
Acuba quente
Aé mas, antes, finalmente, senão, ante
Aguapé redondo e chato, como a vitória-régia
Aiaiá colhereiro (espécie de garça)
Aicó ser, estar
Aimara árvore, araçá-do-brejo
Aimará túnica de algodão e plumas
Aimbiré aimoré, amboré
Aimirim formiguinha
Aimoré mordedor, tribo pertencente ao grupo dos jês, peixe cascudo
Airequecê lua
Airumã estrela d’alva
Airy variedade de palmeira
Aisó formosa
Aiyra filha
Ajajá colhereiro, espécie de garça de bico comprido – aiaiá – ayayá
Ajeru ajurú
Ajubá amarelo
Ajuhá fruta com espinho
Ajuru árvore de madeira dura, com frutos de polpa comestível
Akag cabeça – acag
Akitãi baixo, baixa estatura
Amana chuva
Amanaci a mãe da chuva – amanacy
Amanacy a mãe da chuva – amanaci
Amanaiara a senhora ou o senhor da chuva
Amanajé mensageiro
Amanara dia chuvoso
Amanda chuva
Amandy dia de chuva
Amapá árvore de madeira útil, cujo látex, amargo, atua no tratamento da asma, bronquite e afecções pulmonares
Amary espécie de árvore
Ama-tirí raio, corisco – ama-tirí
Amerê fumaça
Amãtiti raio, corisco – ama-tirí
Amboré Amboré
Ami aranha que não tece teia
An sombra, vulto, fantasma
Anaití grande
Anamí espécie de árvore
Ananã fruta cheirosa, ananás
Anauê salve, olá
Anassanduá da mitologia indígena
Andira o senhor dos agouros tristes
Andirá morcego
Anhangüera diabo velho
Anicê fogo
Anira anel
Anhana empurrado, impelido
Anacã dança
Anama grosso, espesso
Anomatí além, distante
Antã forte
Anacê parente
Anajé gavião de rapina
Anãmiri anão, duende
Anhê pois, assim é
Anjé até, até que
Aondê coruja
Angassuay nome de um espírito
Apê longe
Apecu coroa de areia feita pelo mar
Apecum apecu – apicum – apicu
Apicu apicum – apecu
Apicum mangue, brejo de água salgada – apicu – picum – apecu
Apoena aquele que enxerga longe
Apuama que não pára em casa, veloz, que tem correnteza
Apuê longe
Aquitã curto, pequeno
Ara relativo a ave, que voa, dia, luz, tempo, clima, hora, nascer
Aracambé espécie de peixe de água salgada – aracangüira
Araçary variedade de tucano
Aracê aurora, o nascer do dia, o canto dos pássaros(pela manhã)
Aracema bando de aves
Aracy a mãe do dia, a origem dos pássaros
Aram sol
Arani tempo furioso
Aracangüira espécie de peixe de água salgada – aracambé
Arapuã abelha redonda
Arapuca armadilha para aves
Arara ave grande
Araraúna arara preta
Ararê amigo dos papagaios
Araruna ave preta
Aratama terra dos papagaios
Ararama terra dos papagaios
Araruama terra dos papagaios
Arassá Araçá
Arassatyba araçazal (muito araçá)
Araueté povo de lígua da família do tupi-guaraní
Araxá lugar alto de onde primeiro se avista o Sol
Áribo em cima
Ariry depois
Assui logo, portanto, assim que
Assurini tribo pertencente à família lingüistica do tupi-guarani
Atá andar
Atã forte
Atássuera o que anda, ambulante
Ati gaivota pequena
Atiadeus tribo guaiacuru do Mato Grosso
Atiati gaivota grande
Atiçu tipo de cesta
Auá homem, índio
Auati gente loura, milho, que tem cabelo loiro (como o milho) – abati – avati
Auçá caranguejo – uaçá – guaiá
Aussuba amar
Avá homem, índio
Avanheenga língua de gente, língua que as pessoas falam
Avaré amigo, missionário, catequista – abaré – abaruna – abuna
Avati gente loura, milho – abati – auati
Awa redondo – ava
Awañene língua de gente – abanheém
Awaré avaré
Ayty ninho
Aymberê lagartixa
Ayuru árvore de madeira dura – ajuru

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GUERRAS POR ÁGUA

22 03 2009

Em virtude do Dia Mundial da Água e pela sua importância vital, não poderíamos deixar de publicar uma matéria sobre um assunto tão urgente. O artigo abaixo não é recente, mas continua cada vez mais atual, e logo abaixo, o leitor/ra terá acesso a uma tabela de conflitos relacionados com a água pelo mundo inteiro.
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Guerra da água ameaça o século*
Previsões de escassez global impõem ação rápida para evitar catástrofe de abastecimento e crise de segurança

Por Flávio Henrique Lino**

A fartura de água no planeta Terra é enganadoramente aparente. Apenas 2,5% da massa líquida são compostos de água doce, e menos de 0,01%, de potável. Com o explosivo crescimento demográfico no século XX, a população triplicou nos últimos 70 anos, enquanto o consumo de água sextuplicou. Cerca de 1,1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável e 2,4 bilhões, a saneamento básico. Dos recursos hídricos disponíveis anualmente, 54% já são utilizados e, em 2025, poderemos estar usando 70%. As previsões da ONU são de que nesse ano dois terços da Humanidade viverão em países sofrendo de escassez de água. Para atender às demandas de água potável e saneamento básico são necessários investimentos de US$ 23 bilhões por ano, mas apenas US$ 16 bilhões são investidos, abrindo espaço, segundo a Organização Mundial de Saúde, para a morte anual de 3,4 milhões de pessoas por doenças transmitidas pela água.

Acabar com o desperdício, o maior desafio das próximas décadas

O quadro anunciado de escassez mundial de água nas próximas décadas põe na ordem do dia uma questão básica: como aproveitar melhor os recursos hídricos em função do crescimento populacional acelerado. O melhor aproveitamento da água é um dos caminhos apontados para tentar desativar o que especialistas consideram uma bomba-relógio.

Nas últimas três décadas, a área de terra irrigada – que responde por 40% da comida produzida no planeta – subiu de 200 milhões de hectares para 270 milhões, sugando 70% da água doce consumida anualmente. No entanto, 60% dessa água (ou seja, 42% do total geral consumido a cada ano) se perdem por ineficiência dos sistemas de irrigação. Para corrigir esse e outros problemas estruturais de aproveitamento da água, a ONG de pesquisa ambiental americana Worldwatch Institute propõe uma “revolução azul”.

- À medida que a água se torna mais escassa no mundo, o desafio é descobrir como melhorar sua utilização e gastar menos – explica Sandra Postel, diretora do Projeto de Políticas Globais para Água do Instituto. – Teremos de combinar um uso mais eficiente da tecnologia com políticas corretas de alocação e gerenciamento de água. Assim, conseguiremos satisfazer as necessidades humanas sem tirarmos mais água do meio ambiente, protegendo a saúde dos rios, lagos e ecossistemas que sustentam nossas vidas e nossa economia.

Segundo Postel, está ocorrendo uma rápida deterioração dos ecossistemas de água doce e a não utilização do precioso líquido de forma sustentável já está gerando sérias conseqüências atualmente.

- Vários rios importantes secam em parte de seu percurso durante certas épocas do ano e muitas espécies de peixes e moluscos de água doce estão correndo o risco de extinção por mudanças em seu hábitat – adverte ela.

Uma outra mudança que o manejo adequado dos recursos hídricos vai exigir é a criação de uma nova mentalidade em relação à água. Até países como o Brasil – dono de quase um quinto das reservas de água doce da Terra e em tese a salvo de escassez – terão de se adaptar à futura realidade de um planeta que até 2050 verá sua população aumentar em 50%, passando a abrigar nove bilhões de habitantes.

- Precisamos mudar essa visão da sociedade de que a água é um recurso inesgotável e mostrar quer seu uso nos últimos séculos não foi eficiente – diz o pesquisador Samuel Roiphe Barreto, da sucursal brasileira da ONG ambientalista WWF, cujo Projeto de Conservação e Gestão de Água Doce visa a implantar um novo modelo de gerenciamento dos recursos hídricos do país por parte das autoridades e incutir uma nova mentalidade na população.

Além de incentivar uma postura mais responsável da sociedade em relação ao uso da água, Barreto cobra também do poder público uma linha de atuação diferente da atual.

- Qualquer intervenção nos rios hoje no Brasil passa por obras de engenharia, enquanto na Europa, por exemplo, já estão “renaturalizado” os cursos d’água, deixando-os correr livremente. Queremos garantir o atendimento da demanda de água, mas mantendo ao mesmo tempo a integridade dos sistemas aquáticos.

O Brasil já está dando passos na direção de uma nova visão de seu patrimônio líquido. Em 1997 foi aprovada a Lei no 9.433, instituindo a Política Nacional de Recursos Hídricos, que estabeleceu processos participativos da sociedade e novos instrumentos econômicos visando ao uso mais eficiente da água. Em 2000, foi criada a Agência Nacional de Águas (ANA) para implementar a lei. Com isso, espera-se que o país esteja finalmente rumando para corrigir a distorção de ser o detentor de 17% da água doce do planeta e ter 8,8 milhões de residências sem água. Estima-se que para garantir acesso à água a todos os brasileiros até 2010 seriam necessários investimentos da ordem de R$ 38 bilhões.

Na questão de saneamento básico, as estatísticas são piores: somente 49% dos brasileiros têm acesso a esses serviços. O investimento para resolver os dois problemas, no entanto, é autofinanciável a médio e longo prazos.

Estima-se que 70% das internações hospitalares no Brasil decorram de doenças transmitidas por água contaminada, gerando um gasto adicional anual de US$ 2 bilhões ao sistema de saúde. Ou seja, com água corrente na torneira e esgoto em casa garantidos a todos os brasileiros, tais recursos poderiam ser redirecionados para outras áreas.

Um outro aspecto importante em relação à água é que, num futuro de possível escassez generalizada, ela tem um potencial significativo de tornar-se fonte de conflitos armados, assim como o petróleo no século XX.

Há mais de 200 bacias hidrográficas partilhadas por dois ou mais países, abrigando 40% da população do planeta. Treze dos maiores rios – como o Amazonas, o Danúbio e o Nilo – cruzam as fronteiras de mais de cem nações.

- Uma feroz competição por recursos hídricos pode resultar em violentos conflitos internacionais – alertou o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, no Dia Mundial da Água, em março.

A solução, apontam os pesquisadores da área, é o manejo integrado dos recursos hídricos pelos países que partilham a mesma bacia hidrográfica, de forma que todos possam utilizá-la sem que uns prejudiquem os outros.

*Flávio Henrique Lino é jornalista.

** Artigo publicado no suplemento especial Planeta Terra do jornal O Globo, em 7 de agosto de 2002.

Tabela de conflitos relacionados com água. Clique aqui.

Leia também:
Na guerra do momento – Israel em Gaza -, por que a mídia não fala sobre a água – um dos itens mais importantes dos conflitos no Oriente Médio? Embora Israel tenha sérios problemas com recursos hídricos, detém o controle dos suprimentos de água, tanto seus como da Palestina. Além de restringir o uso d’água, luta pela expansão do seu território para obter mais acesso e controle deste recurso natural.

“Para além das manchetes do conflito do Oriente Médio, há uma batalha pelo controle dos limitados recursos hídricos na região. Embora a disputa entre Israel e seus vizinhos se concentre no modelo terra por paz, ‘há uma realidade histórica de guerras pela água’ – tensões sobre as fontes do Rio Jordão, localizadas nas Colinas de Golã, precederam a Guerra dos Seis Dias”. Raymond Dwek – The Guardian, [24/NOV/2002].

Para ler mais, clique aqui.





O POVOAMENTO DA AMÉRICA

26 03 2009

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Povoamento das Américas: um debate sem fim

O cenário

Milênios antes do período geológico e climático atual, o clima da Terra era mais frio. Grandes geleiras estendiam-se imediatamente ao norte das regiões hoje ditas temperadas do hemisfério norte; na maior parte das regiões intertropicais, embora o clima não fosse tão frio, imperavam climas geralmente mais secos que os de hoje. Como as águas ficavam retidas sob a forma de gelo nas zonas polares, o nível dos oceanos era cerca de 100m mais baixo. Assim, podia-se transitar a pé por uma passagem de terra entre a Sibéria e o Alasca na região da Beríngia. Com as precipitações, as geleiras aumentavam, bloqueando essa passagem. Os períodos em que a travessia podia ser feita eram, portanto, bastante restritos.

A probabilidade de que alguma leva de imigrantes tenha vindo pelo mar há mais de dez mil anos, quando as técnicas de navegação eram muito precárias, é remotíssima. A propósito, o povoamento das ilhas do Pacífico é comprovadamente muito mais recente.

Infelizmente, as regiões através das quais os imigrantes asiáticos alcançaram a América do Norte estão hoje sob as águas geladas do Ártico ou foram em algum momento ocupadas por geleiras. Os mais antigos locais de habitação da Beríngia e do Alasca encontram-se, portanto, submersos ou foram destruídos pelo gelo. Os sítios identificados pelos arqueólogos localizam-se mais ao sul e não correspondem às regiões habitadas pelas primeiras gerações de colonos.

Os indícios

Vestígios inquestionáveis da presença humana entre 12 e 11.500 anos atrás foram encontrados em abrigos ou, mais raramente, a céu aberto, na Califórnia e México (América do Norte) e no Chile central, no Peru e nas regiões Central e Nordeste do Brasil (América do Sul). Os sítios que permitem essa afirmação categórica contêm instrumentos de pedra lascada feitos com matéria-prima de boa qualidade trazida de fora da região. Muitos desses objetos, produzidos por meio de golpes certeiros, são complexos demais para terem sido feitos por fenômenos naturais. Foram datados a partir do carvão de fogueiras e, por estar associados a artefatos, pode-se inferir que resultem de ação humana. Muitas vezes os sítios apresentam ainda vestígios alimentares característicos.

O estudo das condições de deposição do sedimento (a terra dentro da qual se encontram os vestígios) permite verificar que não houve perturbações tardias capazes de misturar objetos recentes e antigos. A partir de onze mil anos atrás, aparecem também esqueletos, particularmente numerosos nas imediações de Lagoa Santa, Minas Gerais: Lapa Vermelha, Cerca Grande e Santana do Riacho.

Há vários sítios, no Brasil inclusive, com indícios de uma ocupação possivelmente mais antiga. Infelizmente, todos apresentam algum problema que impede de se chegar a uma conclusão definitiva. Vários parecem conter instrumentos de pedra, mas estes são feitos a partir de rochas do próprio local ou podem ter sido trazidos por fenômenos naturais. São tão toscos que o lascamento rudimentar pode ter resultado de um choque acidental: pedaços de blocos do teto, ao cair uns sobre os outros durante milênios, acabam se lascando espontaneamente. Restos de carvão e pedras queimadas podem ter sido produzidos por ação de raios. Embora, em outros casos, instrumentos e fogueiras pareçam inquestionáveis, há indícios de que as camadas sedimentares foram perturbadas e de que os vestígios arqueológicos podem ter-se infiltrado a partir de uma camada sedimentar mais recente.

Não há por que recusar a priori a possibilidade de uma presença humana mais antiga na América, mas os indícios propostos devem ser meticulosamente avaliados. Muitas vezes os arqueólogos acabam interpretando os dados disponíveis de modo divergente, fazendo com que o público não saiba em quem acreditar. Nos últimos anos, foi divulgada na imprensa a existência de sítios que comprovariam a presença do homem no Brasil há dezenas e até centenas de milhares de anos. É preciso que se saiba que os especialistas estão longe de alcançar unanimidade em torno desse assunto. De qualquer modo, se havia gente no sul dos Estados Unidos a 11,5 mil anos atrás e no Chile a 12.500 anos atrás, deduz-se que seus antepassados tenham chegado ao norte do continente — a milhares de quilômetros de lá — muito tempo antes.

A única possível conclusão é, quaisquer que sejam os trabalhos relacionados as Antigüidades, das mais distintas áreas do conhecimento, eles fornecem hipóteses reflexivas e de comparação que permitem levar mais longe a análise, e isto em todos os setores da ciência, contribuindo para um conhecimento mais profundo da história humana.

Os atores

Quem eram os primeiros imigrantes? Nada podemos dizer a respeito de possíveis indígenas anteriores a doze ou onze mil anos atrás. Verifica-se, no entanto, a partir desse instante a presença de populações muito diferentes tanto dos atuais asiáticos como dos índios modernos. Só a partir de aproximadamente oito mil anos atrás é que aparecem vestígios de homens com traços asiáticos, ditos “mongolizados”, já bastante parecidos com os indígenas atuais.

Estudos muito recentes sugerem que os primeiros habitantes das Américas (autores da cultura Clóvis nos Estados Unidos e de outras culturas da mesma época na América do Sul) descendiam de uma população não mongolizada da Ásia central. Parte dessa população teria migrado para o sul, chegando à Austrália, enquanto outra parte teria viajado para o norte, penetrando as Américas. Pode-se, assim, explicar a semelhança entre o chamado Homem de Lagoa Santa e as populações aborígines da Austrália, embora tenhamos certeza de que não houve navegação entre esses dois continentes. Na região de origem, esses primitivos Homo sapiens teriam sido substituídos por populações mongolizadas, que, por sua vez, produziram novas ondas migratórias em direção às Américas.

Essa hipótese, ainda em discussão, sugere que quatro ondas migratórias principais vindas da Ásia penetraram as Américas (os esquimós são representantes da última delas), sendo que pelo menos duas teriam alcançado a América do Sul.

Podemos chegar a um julgamento definitivo?

Enquanto a arqueologia fornece provas definitivas da presença humana na América entre 12,5 e 11 mil anos atrás, lingüistas e estudiosos de ADN mitocondrial acreditam que a diversificação biológica e lingüística que se verifica no continente permite supor um período de tempo maior, da ordem de vinte a trinta mil anos. Os arqueólogos não devem descartar essa possibilidade, mas o fato de os primeiros colonizadores terem sido provavelmente pouco numerosos faz com que sejam remotas as chances de identificação de seus vestígios. Caso alguns dos sítios polêmicos mencionados anteriormente sejam de fato marcas da sua presença, isso significaria que seus habitantes trabalhavam a pedra de modo muito grosseiro se levarmos em conta a habilidade de populações contemporâneas de outras partes do mundo. Mas essa hipótese é plausível, já que, sobretudo em meio tropical, a madeira pode ter sido muito mais utilizada do que a pedra.

Os cientistas devem, portanto, continuar buscando indícios dos primeiros americanos e discutir sua validade caso a caso. O papel da controvérsia na arqueologia, que não está no domínio das ciências experimentais, é essencial. Os “advogados do diabo” são necessários para obrigar os que defendem a existência de sítios supostamente pleistocênicos na América a controlar suas informações, refinar seus argumentos e comprovar suas asserções. Mas nem sempre é fácil manter as discussões sobre esse tema — o mais polêmico da arqueologia americana hoje — nos limites da elegância desejável.

In: Ciência Hoje, vol.25, nº149, maio 1999

André Prous

Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas/Museu de História Natural,

Universidade Federal de Minas Gerais

Pesquisador do CNPq responsável pela Missão Arqueológica Franco-Brasileira de Minas Gerais





MARCO POLO

27 03 2009

As viagens e histórias contadas por este homem, inundou a cabeça dos europeus de curiosidade e desejo de riqueza. O Eldorado, “terra de ouro sem fim”, esta imagem das Índias do Oriente, selou para sempre o destino de milhares de pessoas e culturas e terras distantes. Marco Polo deu uma contribuição decisiva para que os aventureiros da Europa invadissem, fizessem fortuna e provocassem um choque cultural sem precedentes.
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As fantásticas (e verdadeiras) aventuras de Marco Polo

A narrativa de uma viagem de 24 anos ao longínquo Oriente, que encantou a muitos durante séculos, teve sua autenticidade confirmada no século XIX.
por Jacques Brosse

Quando Marco Polo voltou a Veneza em 1295, seus compatriotas não o reconheceram – o que não foi uma surpresa, já que ele os havia deixado 24 anos antes, quando tinha apenas 17. Foi isso, sem dúvida, que inspirou o relato exagerado, quase lendário, narrado por Giovanni Battista Ramusio (1485-1557), autor que escreveu sobre os Polo, três séculos depois. Marco, Niccolo, seu pai, e Matteo, seu tio, teriam chegado em casa como peregrinos, vestidos com trajes miseráveis.

Tiveram, dificuldade em se fazer reconhecer pelos parentes, que, ocupavam a casa, pensando que estavam mortos. Os três viajantes convidaram, então, todos os seus aparentados para um banquete, no qual surgiram vestidos com hábitos de cetim violeta, logo trocados por outros de seda estampada, ainda mais preciosos, antes de retomarem seus hábitos à moda veneziana. Em seguida, Marco Polo trouxe os trapos com que estavam vestidos quando de sua chegada a Veneza; descosturou-lhes a barra, fazendo tombar “uma grande quantidade de jóias de um valor inestimável, rubis, safiras, granadas, diamantes e esmeraldas”. Imediatamente, sua família “lhes devotou sinais de estima e de respeito”.

Apesar de se tratar apenas de um apólogo, essa cena reflete a emoção que tomou conta dos venezianos ao rever esses três homens, que há tempos se pensava que estavam mortos, e contemplar as riquezas trazidas de países tão longínqüos, dos quais nunca tinham ouvido falar.

Muitos curiosos dirigiam-se à casa dos Polo, em uma pequena praça perto da ponte do Rialto. Com bastante complacência, Marco relatava suas extraordinárias aventuras e descrevia os países que tinha percorrido. Como bom homem de negócios veneziano, avaliava suas enormes riquezas em milhões de moedas de ouro.

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Marco Polo foi à China?





PROCURANDO DARWIN

28 03 2009

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A Revista de História da Biblioteca Nacional lançou um desafio super interessante. Os leitores estão convidados/as a embarcarem numa investigação com o objetivo de identificar onde Charles Darwin ficou hospedado durante sua passagem pelo estado do Rio de Janeiro. A pista que o famoso evolucionista que se estivesse vivo estaria completando 200 anos, é que ele esteve por alguns dias no bairro do botafogo.
O projeto Caminhos de Darwin é patrocinado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e aquele/aquela que elaborar o melhor trabalho de pesquisa, que necessariamente não precisa desvendar o mistério mas apresentar um bom texto e fontes de qualidade, estará concorrendo a uma assinatura da Revista de História da BN, DVDs e livros sobre Darwin.
Mande sua pesquisa para o e-mail: redacao@revistadehistoria.com.br ou pelo correio: Av. Churchill, 109/1.101, Rio de Janeiro, CEP: 20020-050, com o assunto “Procurando Darwin”.

Para saber mais, acesse o site da revista clicando aqui.





PRINCESA ISABEL ABORTOU CRIANÇA DE OITO MESES

29 03 2009

Reproduzimos aqui parte de matéria que o Jornal do Commercio/PE fez sobre documentos da Assembléia Legislativa de Pernambuco que estariam sendo digitalizados e que virão a público em breve, via internet. Um deles traz este furo historiográfico. Nunca li ou ouvi comentários que a Princesa Isabel tenha abortado uma criança. E talvez este seja o primeiro blog a tratar do assunto.
isabel
Revelado aborto da Princesa Isabel
Publicado em 29.03.2009 – Jornal do Commercio/PE

A despeito das violações, o trabalho de digitalização dos documentos revela a riqueza dos arquivos da Assembleia, principalmente referente ao Brasil Império. Um exemplo é um documento que relata um aborto que a princesa Isabel teria sofrido em 1874 de uma menina, aos oito meses de gestação, antes do nascimento seu primogênito, Pedro de Alcântara. O fato é pouco conhecido. A informação oficial sobre o caso consta de um comunicado do imperador d. Pedro II à Assembleia Provincial de Pernambuco. Um documento raro em meio a tantos outros, depositado nos arquivos do Legislativo.





QUEM CONQUISTOU O BRASIL? CABRAL OU GOUVEIA?

29 03 2009

Quem descobriu (invadiu ou conquistou) o Brasil?
cabral
Pela tradição portuguesa de então os livros didáticos deveriam grafar : Pedro Álvares Gouveia. É o seguinte: como o tal Pedro era o segundo filho de dois irmãos, ele só poderia herdar o sobrenome do pai (Cabral) após a morte do irmão mais velho. Portanto, o invasor europeu desembarcou em terras de Pindorama com o sobrenome da mãe (Gouveia). Quando perguntarem pra vocês o nome do colonizador português que aportou por essas bandas em 1500, podem dizer sem medo de errar: “PEDRO ÁLVARES GOUVEIA”

Fonte: RHBN





AGRADECIMENTOS!!!

30 03 2009

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Não importa se os visitantes deste blog nos encontram casualmente ou de forma deliberada. O que interessa de verdade é que não pára de crescer o número de pessoas que contatam nossa página, seja porque tem as informações que lhes interessam, seja porque buscando nos sites de busca os temas que pesquisam, encontram acolhida no endereço Mania de História.

De dezembro do ano passado até o final do mês de março/2009 foram mais de 7.300 acessos, com cliques em diversos de nossos links. Por isso, é com muita satisfação que venho a público agradecer a todos e reforçar nosso desejo de dar continuidade a esta parceria exitosa entre o Mania de História e vocês.

Mais uma vez, muito obrigado!!!!!!!!!!!





A DITADURA MILITAR NO BRASIL – 45 ANOS ( 01 DE ABRIL DE 64 / 31 DE MARÇO DE 2009)

30 03 2009

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Gregório Bezerra, símbolo da luta e da resistência do povo contra a ditadura militar no Brasil

O 1º de abril está chegando de novo! Para muitos brasileiros e brasileiras é uma data fatídica de péssimas recordações, de se ter saudade de entes queridos que se foram (mortos!) e nunca mais voltaram, de tantas crueldades contra nosso povo, nossos intelectuais mais comprometidos, de tanta perseguição e cassação de direitos políticos vitimando governadores, deputados, vereadores, prefeitos, artistas, escritores, operários, camponeses, professores, religiosos, pessoas que sonhavam com um País melhor e mais decente. Tantos jovens arrancados de seus lares, tantos livros queimados como numa grande inquisição.
Quarenta e cinco anos e parece que foi ontem!
Os militares dão um golpe em nosso presente e promessas de futuro, tiram do poder o presidente João Goulart e sob as bençãos dos Estados Unidos da América (sempre eles!) mergulharam o Brasil numa escuridão e atraso de toda ordem por longos anos. Até hoje sente-se os efeitos nefastos da época!
Mas teve resistência, organização, clamores públicos no Brasil e no exterior e luta… muita luta e muitos personagens que desfraldaram suas bandeiras na conquista pela democracia.
Em memória desse período lembro aos nossos visitantes que bem ao lado em nosso blog temos vários sites à disposição, onde você leitor/pesquisador, encontrará farto material sobre o tema. Logo abaixo, deixo um link do Brasil Cultura, que considero um bom ponto de partida para que você conheça ou recobre um dos momentos mais impactantes de nossa história.
Boa pesquisa e boa reflexão!

Luís Carlos Lins.

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TIRADENTES E A INCONFIDÊNCIA MINEIRA

1 04 2009

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O fim do século XVIII foi palco de um conjunto de transformações que abalaram tanto as bases do Antigo Regime europeu, quanto a sustentabilidade dos pactos coloniais mantidos no continente americano. Nesse contexto podemos destacar o processo de Independência dos Estados Unidos (1776) e a Revolução Francesa (1789) como os primeiros exemplos dessa transformação.

No caso do Brasil, a crise do sistema colonial se elaborou a partir do momento em que a administração colonial portuguesa se voltou para um conjunto de medidas políticas de caráter fiscalizante e repressor. Na época, a principal atividade exploratória girava em torno da exploração e extração dos metais preciosos. Em Minas Gerais, principal centro da atividade mineradora, a presença das instituições e autoridades portuguesas se fazia mais presente.

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ELIS REGINA, A DITADURA MILITAR E LUIS INÁCIO LULA DA SILVA

1 04 2009

Este artigo é um primor. O autor: Sérgio Luz. A revista: Continente Multicultural, uma das melhores do País.
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Clique aqui para ouvir músicas da artista.
Elis – Do inferno ao paraíso

Por Sérgio Luz

Sair da vida para um cemitério, é comum, acontece com todo mundo. Mas sair de um cemitério para a vida, só mesmo simbolicamente. Pois foi o que aconteceu com uma gaúcha chamada Elis Regina Carvalho Costa que, em 36 anos de vida, gravou 27 LPs, 14 compactos simples e seis duplos, que venderam um total de quatro milhões de cópias – um número até hoje impressionante.

Em poucos anos, Elis sai do Inferno para o Paraíso. Ao Inferno, ela chega ao ser “enterrada” no Cemitério dos Mortos-Vivos do Cabôco Mamadô – para onde o cartunista Henfil, no semanário O Pasquim, mandava pessoas que, na opinião dele, colaboravam com a ditadura militar no início da década de 70. Ao Paraíso, Elis ascende ao liderar um grupo de artistas de esquerda (Fagner, Belchior, Gonzaguinha, João Bosco, Macalé e Carlinhos Vergueiro, entre outros), que faz vários shows para levantar dinheiro para o Fundo da Greve do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, no ABC paulista, em 1979.
Essa vivência política é um lado pouco conhecido de Elis Regina que, aos 18 anos, foi sozinha para o Rio de Janeiro, onde chegou a morar num quarto-e-sala na Rua Barata Ribeiro, 200, em Copacabana (um prédio tipo balança-mas-não-cai, celebrizado numa peça de teatro, “Um Edifício Chamado 200”, de Paulo Pontes).

Em 1965, acontece o estouro: Elis vence o I Festival de Música Popular, da TV Excelsior, com “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes. Elis fez pelo menos três shows antológicos: Falso Brilhante (1975), Transversal do Tempo (1977) e Saudade do Brasil (1980). Dos seus discos, a maioria de qualidade acima da média, o melhor é o que gravou com Tom Jobim, em 1974, nos EUA, considerado uma obra-prima, mesmo por quem não gosta de Elis Regina. Por causa do seu gestual no palco, agitando os braços como se nadasse de costas, Elis foi chamada de Elis-Cóptero e Élice-Regina, mas o apelido que pega, mesmo, é o que lhe dá Vinicius: Pimentinha. Sim, porque, dali em diante, já como estrela conhecida no país inteiro, ela iria, por assim dizer, apimentar muitos aspectos da vida cultural brasileira, durante praticamente duas décadas.

Do cemitério à anistia – O episódio mais apimentado da vida de Elis, sem dúvida, foi o seu “enterro” no Cemitério do Cabôco Mamadô. Lá, ela fez companhia a gente como Wilson Simonal, Amaral Neto (um deputado carioca de direita, defensor da pena de morte e alcunhado de Amoral Nato), e Flávio Cavalcanti (um apresentador de TV que liderou, metralhadora na mão, a invasão e depredação do jornal Última Hora, no Centro do Rio de Janeiro, logo no início de abril de 1964).

Elis foi “enterrada” por Henfil por duas atitudes em relação ao Governo Federal, na época chefiado pelo ditador-de-plantão general Garrastazu Médici, o mais sanguinário dos militares-presidentes. Primeiro, foi a gravação de uma chamada veiculada em todas as TVs, a partir de abril, conclamando o povo a cantar o Hino Nacional no dia 7 de setembro de 1972. Foi o ano do Sesquicentenário da Independência, uma data que a ditadura aproveitou ao máximo (inclusive com a organização de uma Mini-Copa de futebol, vencida pela Seleção Brasileira).

Vários outros artistas também apareceram em chamadas de TV, promovendo a Olimpíada do Exército, em filmes produzidos pela Assessoria Especial de Relações Públicas da Presidência da República. A AERP foi uma reedição atualizada do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) do Estado Novo (1937-1945). Por isso, Marília Pêra, Paulo Gracindo, Tarcísio Meira e Glória Menezes, entre outros, também foram “enterrados”.
A segunda atitude de Elis que provocou a ira-santa de Henfil (e um segundo “enterro…”) foi a apresentação dela na Olimpíada da Semana do Exército, em setembro do mesmo ano, 1972.

Hoje, mais de 30 anos depois do Cemitério do Cabôco Mamadô do Pasquim, é preciso entender aqueles tempos-de-chumbo para compreender a postura radical de Henfil. Vivia-se um momento de intensa repressão política. Mas a razão principal do “enterro” de Elis, está no próprio Henfil – um artista engajado que não fazia concessões, e pagou por isso –, que tinha um irmão exilado, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, um militante que fugiu do Brasil para não ser assassinado pelos órgãos de segurança.

E Betinho, indiretamente, teve a ver com um dos motivos para a passagem de Elis do Inferno para o Paraíso: a gravação, em março de 1979, de uma das músicas politicamente mais engajadas da MPB, “O Bêbado e a Equilibrista”. De João Bosco e Aldir Blanc, a música foi uma espécie de hino de um dos mais importantes movimentos políticos da História do Brasil: a luta pela anistia ampla, geral e irrestrita. A campanha foi lançada em janeiro de 1978, com a criação do Comitê Brasileiro de Anistia (CBA), no Rio de Janeiro. “O Bêbado e a Equilibrista” – que emociona até hoje, fala na “volta do irmão do Henfil”. Na época, Betinho – que, como Henfil e o outro irmão, Francisco Mário, era hemofílico e pegou Aids numa transfusão de sangue – estava no México, esperando, justamente, a anistia.

Elis e Henfil: cara-a-cara – O “coveiro” Henfil e sua “defunta” Elis acabaram se encontrando, por iniciativa dela. Sobre esse momento, Henfil deu, três anos depois da morte da cantora, um depoimento tão sincero quanto comovente a Regina Echeverria, autora de “Furacão Elis” (Nórdica – Rio de Janeiro, 1985). O cartunista não pediu desculpas por tê-la “enterrado”, mas se arrependeu. Os dois acabaram amigos sinceros, trabalharam juntos e se falaram até dois meses antes da morte da cantora. Com a palavra, Henfil:
– Foi igualzinho a hoje. De repente, os artistas são arrebanhados pelo Governo, só que – eu não sabia – debaixo de vara, de ameaças, para fazerem uma campanha da Semana do Exército. O que eu vi, na realidade, foi o comercial de televisão. Me aparece o Roberto Carlos dizendo: “Vamos lá, pessoal, cantar o Hino Nacional”. E, de repente, a Elis surge regendo um monte de cantores, de fraque de maestro, regendo o Hino Nacional. E nessa época nós estávamos no Pasquim e eu, mais que os outros, contra-atacando todos aqueles que aderiram à ditadura, ao ditador-de-plantão. (…). Eu só me arrependo de ter enterrado duas pessoas – Clarice Lispector e Elis Regina. (…) Eu não percebi o peso da minha mão. Eu sei que tinha uma mão muito pesada, mas eu não percebia que o tipo de crítica que eu fazia era realmente enfiar o dedo no câncer. Quando nos encontramos anos depois, (…) fomos jantar numa cantina perto do Teatro Bandeirantes e ela fez questão de sentar na minha frente. (…) De repente, ela começou a falar: “Pô, bicho, eu te amo tanto, bicho, te gosto tanto”. E eu já não estava gostando dessa história de “bicho”, porque eu não gostava do jeito que ela falava, nunca gostei. Daí me irritei e disse: “Elis, o que você está querendo dizer com isso? ”. Aí, ela começou a chorar. As pessoas na mesa enfiaram a cara no prato, todos sabiam o que eu tinha feito, só eu não sabia. Ela disse: “Pô, você me enterrou”, e começou a me esculhambar, dizendo que aquilo foi uma covardia, que ela estava ameaçada. (…) Elis nunca me perguntou se eu estava atacando porque ela estava defendendo um regime militar que queria matar meu irmão. (…) Resolvi engolir. Ela terminou de falar, entendeu meu subtexto: “Tá, Elis, eu aceito”. (…) Evidente que os militares estavam pressionando o país inteiro. Eu sabia disso, os militares faziam censura prévia no meu jornal (Pasquim), presença física, todo dia. (…) Então, tinha todo o direito de criticar uma pessoa que ia para a televisão se entregar. Eu não mudei em nada e ela percebeu isso. (…)

– Ela tinha a preocupação de me provar que tinha mudado. Que continuava uma pessoa de confiança ideologicamente. (…) Como se eu fosse inspetor de quem não é de esquerda. Aí, mandava dinheiro: do show que fez no Canecão, inclusive para que eu entregasse aos grevistas de São Bernardo. (…)

No enterro, uma roupa censurada – A atividade política de Elis Regina não se limitou apenas aos shows para os grevistas do ABC ou à gravação do Hino da Anistia. Por exemplo: ela se engajou no esforço de vários artistas para saber o paradeiro do pianista Tenório Júnior, que fazia uma excursão a Buenos Aires, acompanhando Vinicius de Moraes e Toquinho. O músico foi preso na rua, em março de 1976 – sem documento, quando ia a uma farmácia comprar remédio para asma – possivelmente confundido pela repressão argentina com um guerrilheiro.

Elis casou duas vezes (com o compositor Ronaldo Bôscoli e com o músico César Camargo Mariano), e teve três filhos (o músico e produtor João Marcelo Bôscoli e os cantores Pedro Mariano e Maria Rita). Morreu em São Paulo por overdose de cocaína, às 11h45 do dia 19 de janeiro de 1982. O velório foi no Teatro Bandeirantes, por onde passaram mais de 60 mil pessoas. No dia seguinte, 20 de janeiro, Elis é enterrada no Cemitério (de verdade) do Morumbi. Seu corpo vestia uma roupa que ela foi proibida, pela Censura, de usar no show Saudade do Brasil – uma camiseta com um desenho da Bandeira do Brasil onde, no lugar do “Ordem e Progresso”, estava escrito: ELIS REGINA. Quer dizer: Elis Regina Carvalho Costa, politicamente falando, riu por último ao ser enterrada com a roupa censurada. Tanto que, hoje, é lembrada pela música “O Bêbado e a Equilibrista” e a anistia, e não pela sua “passagem” pelo Cemitério dos Mortos-Vivos do Cabôco Mamadô do irmão do Betinho.

(Leia mais na edição 48 da Revista Continente Multicultural.)

COMO A ELITE ARTICULOU 1964 (CLIQUE AQUI)

HOMENAGEM À ELIS REGINA





MESOPOTÂMIA

2 04 2009

Novas descobertas (monumentais) de artefatos da antiga Babilônia alegram Arqueólogos Iraquianos e o Ministério do Turismo daquele país. Considerada berço da civilização mundial e de povos como os Sumérios, que foram precursores da escrita segundo especialistas, o atual Iraque é um das fontes históricas mais importantes do mundo.
Abaixo disponibilizamos o link para a matéria sobre essa nova descoberta que promete ajudar na revitalização do turismo daquele País, após os norte-americanos terem promovido um dos maiores genocídios da história da humanidade de olho em outro grande patrimônio daquela nação, o petróleo.

Clique aqui.
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O DISCURSO QUE DETONOU O AI-5

4 04 2009

O Presidente da República era Costa e Silva. O discurso proferido na câmara dos deputados foi feito pelo parlamentar Marcio Moreira Alves. Inicia-se a fase mais dura da repressão militar no Brasil.
Abaixo, republicamos matéria descrevendo o ocorrido e uma pequena biografia do personagem que entrou, com um breve discurso, para a história da Nação e que faleceu nesta semana – semana da instauração do regime militar em nosso País- de falência múltipla dos órgãos, aos 80 anos.

Após a matéria, colocamos à sua disposição dois links, através dos quais o leitor poderá ver e ouvir o histórico pronunciamento.
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Márcio Moreira Alves
Márcio Emanuel Moreira Alves nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, no dia 14 de julho de 1936, filho de Márcio de Melo Franco Alves e de Branca de Melo Franco Alves.

Aos 17 anos começou a trabalhar como repórter do Correio da Manhã e, em 1956, foi correspondente de guerra do jornal durante o conflito anglo-egípcio, que resultou na nacionalização do canal de Suez.

Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro em 1958. Em 1960 participou da comitiva do então candidato à presidência da República, Jânio Quadros, em uma visita a Cuba a convite do Primeiro-Ministro Fidel Castro. Como jornalista, apoiou a candidatura de José Magalhães Pinto, que se elegeu governador de Minas Gerais.

Inicialmente apoiou o movimento político-militar de 31 de março de 1964, voltando-se contra o regime por ele instituído a partir da edição, em abril, do Ato Institucional nº 1, do qual foi um dos primeiros opositores.

Elegeu-se deputado federal pelo antigo Estado da Guanabara na legenda do Movimento Democrático Brasileiro — MDB.

No dia 2 de setembro de 1968, dois dias após a invasão da UnB, Universidade de Brasília, pela Polícia Militar, fez um pronunciamento na Câmara conclamando o povo a realizar um “boicote ao militarismo” não participando dos festejos comemorativos da Independência do Brasil no dia 7 de setembro.

Em 30 de dezembro de 1968, logo após a edição do AI-5, foi divulgada a primeira lista de cassações, encabeçada por Márcio Moreira Alves; dela faziam parte onze deputados, e todos tiveram seus mandatos cassados. Márcio Moreira Alves deixou o País clandestinamente e permaneceu no Chile até 1971. Seguiu então para a França, onde se doutorou pela Fundação Nacional de Ciências Políticas de Paris. Em 1974 foi para Lisboa, tornando-se professor do Instituto Superior de Economia.

Retornou ao Brasil em setembro de 1979, beneficiado pela Lei da Anistia, promulgada pelo Presidente João Figueiredo em 28 de agosto do mesmo ano. Com a extinção do bipartidarismo, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro — PMDB, e concorreu a uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo Estado do Rio de Janeiro em novembro de 1982, obtendo uma suplência.

Casou-se com Marie de Preaulx Moreira Alves, de nacionalidade francesa, com quem teve três filhos.

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Para ouvir o pronunciamento, clique aqui.

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AS ARBITRARIEDADES DA DITADURA

5 04 2009

herzogditadura
» HISTÓRIA
Atas expõem arbitrariedades dos militares
Publicado em 05.04.2009 – Jornal do Commercio

Documentos do Conselho de Segurança Nacional mostram os diferentes critérios que o regime militar utilizava para absolver ou cassar mandatos e direitos políticos com base no AI-5. Julgamento de Mário Covas é citado

Agência O Globo
BRASÍLIA – As atas do Conselho de Segurança Nacional mostram que os militares usavam critérios distintos, além de arbitrários, para absolver ou cassar mandatos e direitos políticos com base no AI-5. Em alguns casos, ter um bom amigo nas Forças Armadas bastava para salvar a pele de um acusado de subversão. Em outros, uma suspeita vaga de simpatizar com o comunismo era suficiente para decretar o fim da carreira de políticos jovens e promissores. Os dois fatores pesaram no julgamento do ex-governador de São Paulo Mario Covas, em 16 de janeiro de 1969.

Ao anunciar seu processo, o presidente Costa e Silva definiu Covas: “Um rapaz que conheço pessoalmente, simpatizo muito com ele, mas que se excedeu demais em sua atuação política”. O vice-presidente Pedro Aleixo citou um pronunciamento do então deputado do MDB, acusando-o de porta-voz de agitadores: “Embora muito inteligente, ele não tem capacidade literária para fazer discursos dessa natureza”.

O ministro da Justiça, Gama e Silva, foi mais incisivo: “Posso dar meu testemunho, como homem de São Paulo, da ativa atuação comunista do senhor Mario Covas”. O presidente ainda tentou aliviar a punição: propôs a cassação do mandato sem suspender os direitos políticos de Covas por dez anos. “Por ser religioso, desejo que não haja vingança pessoal. É um homem que ainda pode ser recuperado”, apelou. Isolado, o marechal acabou aplicando a pena máxima.

Costa e Silva foi menos piedoso com Niomar Moniz Sodré Bittencourt, dona do Correio da Manhã, presa por publicar artigos contra a ditadura. “Ela é violentamente agressiva”, disse.

As atas traçam um perfil peculiar e inconstante do marechal do AI-5. Em alguns momentos, mostrava-se ansioso para cassar os acusados. “Vamos agora ver o caso de dois homens da Arena. Eles têm um passado que ninguém sabe explicar como não foram cassados antes”, disse, em 1969. No mesmo dia, aceitou reduzir a pena do deputado João Herculino Lopes: “Em face da brilhante defesa do senhor vice-presidente, o presidente resolve castigá-lo apenas com a cassação do mandato”.

Os motivos para perder o mandato podiam ser mais prosaicos. Um deputado carioca da Arena perdeu o mandato por batizar uma rua no Méier com o nome de um sargento comunista. No governo Geisel, as acusações de corrupção pesaram em julgamentos como o do deputado estadual Eurico Guimarães Neves. Sua ficha no SNI era contundente: “É apontado como desonesto, corrupto e aproveitador. Muito ligado a um maconheiro e distribuidor da erva maldita, o que robustece as acusações de que conseguiu fortuna explorando tráfico de entorpecentes. É considerado pistoleiro e indivíduo de péssimo caráter.”

Mas o governo Geisel também punia discursos. Em 1976, o deputado Lysaneas Maciel desabafou na tribuna: “Estamos nos acostumando com a falta de liberdade (…). Estamos nos acostumando com o desaparecimento de brasileiros, sua tortura, sua morte presumida. Este Congresso aceita tranquilamente o fato de que, neste momento, pelo menos cinco ex-parlamentares estejam sendo mortos e torturados”. Foi cassado dias depois.

DOCUMENTOS CITAM LULA (CLIQUE AQUI).





DILMA E DELFIM: ANTES, INIMIGOS. HOJE, ALIADOS!

6 04 2009

MEMÓRIA DA DITADURA
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Delfim é este mais gordo à esquerda da foto, participando de reunião com a turma do General Costa e Silva
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Esta é a ministra Dilma, ex-guerrilheira e combatente contra a ditadura militar.
Da Folha de São Paulo

Grupo de Dilma planejava sequestrar Delfim
Ex-integrante da cúpula da organização terrorista dá detalhes do plano, do qual a ministra declara jamais ter tido conhecimento

Delfim confirma localização de sítio mostrado em um mapa, apreendido durante a ditadura, que indicava onde o sequestro seria realizado

FERNANDA ODILLA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Luiza, 22, abandonou a faculdade de economia e agora sabe montar e desmontar um fuzil de olhos fechados. Na clandestinidade, seu grupo planeja uma das ações ousadas da luta armada em 1969 contra a ditadura militar: o sequestro de Delfim Netto, símbolo do milagre econômico e civil mais poderoso do governo federal.
Quarenta anos depois, o antigo alvo é agora aliado de Luiza, aliás Dilma Rousseff, na empreitada que tenta fazer da ex-guerrilheira, também conhecida à época como Estella, Wanda, Marina e Patrícia, a sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ambicioso sequestro era uma espécie de “lenda urbana” entre poucos militantes de esquerda nos anos 70. Sem mencionar o nome de Dilma, foi citado de passagem no livro “Os Carbonários” (1981), do hoje vereador carioca Alfredo Sirkis (PV), e esquecido. Na página 180, há uma citação ao possível sequestro do ministro: “Preparavam, na época, o sequestro do ministro Delfim Netto”. A Folha obteve documentos inéditos e o primeiro testemunho de um dos idealizadores do plano.
Antonio Roberto Espinosa, 63, doutorando em Relações Internacionais na USP, contou à reportagem segredos que diz não ter revelado sob tortura. Ex-comandante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e da VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares), assumiu que coordenou o plano.
Mais: afirmou que os quatro outros integrantes da cúpula da VAR-Palmares concordaram com o sequestro do então ministro da Fazenda, que sustentava a popularidade dos generais com um crescimento econômico de 9,5% em 1969.
“O grupo foi informado. Os cinco [ele, Dilma e os outros três dirigentes da VAR] sabiam”, disse Espinosa, no primeiro relato que aponta o envolvimento de Dilma, negado, porém, “peremptoriamente” pela ministra à Folha.
Em um dos processos que condenou militantes da VAR, consultados no Superior Tribunal Militar, há um mapa da emboscada e outro que sugere o local do cativeiro do sequestro planejado.
A ação tinha data e local definidos. Seria num final de semana de dezembro, durante uma das visitas do ministro a um sítio no interior de São Paulo.

A “juba”, o cofre, o Fusca
Em 1969, a hoje ministra experimentava a vida clandestina com audácia. No Rio de Janeiro, ela e a amiga Iara Iavelberg, namorada do líder guerrilheiro Carlos Lamarca, foram cortar o cabelo no salão Jambert, que servia champanhe aos clientes. Iara, de acordo com o livro “Iara – Reportagem Biográfica”, de Judith Patarra (editora Rosa dos Tempos), quis arrumar a “juba fora de moda” da companheira -para valorizar o rosto e os olhos dela- e sugeriu também roupas novas.
A extravagância foi bancada depois da ação que deu fama à VAR-Palmares: o assalto ao cofre do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros, guardado na casa da amante dele, com cerca de US$ 2,4 milhões. Dilma não participou diretamente do crime.
Mas, de acordo com depoimentos e relatórios policiais, ela administrou parte do dinheiro roubado para bancar salários de militantes, achar abrigo para eles e comprar um Fusca cinza. Como não sabia dirigir, ela escalava uma colega da VAR como motorista.
Do carro, Dilma se lembra. Do dinheiro, não. “Não me lembro que eu era do dinheiro. Se fosse, eles tinham me matado a pau. Tudo o que eles queriam era o dinheiro”, afirma.
Dilma-Luiza havia chegado ao comando da organização após um racha que, logo depois do roubo do cofre, levara à saída de Lamarca, Iara e um expressivo grupo de militantes em um tumultuado congresso em Teresópolis (RJ).
A ministra ficou na VAR, trocou o Rio por São Paulo e assumiu a missão de evitar debandada ainda maior.
A VAR priorizava o recrutamento de estudantes e de operários, sem abandonar os planos de ações armadas esporádicas. De forma colegiada, de acordo com Espinosa, a cúpula decidiu sequestrar Delfim e montar uma fábrica de explosivos acionados por controle remoto em uma fazenda na serra da Mantiqueira (entre São Paulo e Minas Gerais).
Além de Dilma, assumiram o comando do grupo Espinosa (Hélio), Carlos Araújo (codinome Max, o segundo marido da ministra) e os hoje mortos Carlos Alberto Soares de Freitas (Breno) e Mariano Joaquim da Silva (Loyola).
Ouvido pela Folha, Araújo afirmou que não se recorda do plano nem de nenhuma ação armada depois do racha. Ressaltou, no entanto, que não é “boa fonte”, pois perdeu parte da memória do período depois de ter sido torturado.
Ao longo de uma hora de conversa com a Folha, Dilma disse algumas vezes não se lembrar da ideia de capturar o ministro e duvidar “que alguém lembre”.
Ao saber do testemunho dado por Espinosa, ela declarou que o ex-colega “fantasiou”. No final da entrevista, pediu que registrasse a sua “negativa peremptória”.

O sítio, o plano, a queda
Classificado como “alvo fácil” por militantes e militares, Delfim era também um alvo antigo. Antes da fusão entre Colina (Comando de Libertação Nacional) e VPR, que resultou na VAR-Palmares, Juarez Guimarães de Brito, militante da Colina e mentor do roubo ao cofre de Adhemar, havia utilizado o emprego no Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro) para levantar os passos do pai do milagre econômico.
O sequestro nunca foi executado porque os principais envolvidos na ação começaram a ser presos semanas antes.
Coordenador do plano, Espinosa foi capturado em 21 de novembro de 1969, no Rio. “Ainda levaria 15 ou 20 dias. Aconteceria por volta de dezembro. O comando nacional sabia, não houve nenhum veto. Mas não detalhou o plano do ponto de vista político. Havia uma preparação militar que não estava concluída”, disse ele.
Caberia aos outros integrantes do comando nacional decidir os procedimentos políticos, como o conteúdo do manifesto e as exigências para libertar o refém. A repressão, contudo, foi mais rápida.
O mapa com a indicação do local onde a organização planejava agir foi apreendido em um “aparelho” em Lins de Vasconcelos, no Rio. Dividiam a casa de dois andares o casal Espinosa e Maria Auxiliadora Lara Barcelos, além do estudante de medicina Chael Schreier, que foi preso vivo e chegou morto ao Hospital Central do Exército. Com o trio, foi encontrado um arsenal de armas, munições e explosivos, além de levantamentos de áreas onde o grupo tencionava agir.
Espinosa disse à Folha que os mapas apreendidos só podiam ser os dele. “Tínhamos o endereço, sabíamos tudo. Era um local em que ele [Delfim] ia sem segurança porque imaginava que ninguém soubesse.”
A Folha encaminhou cópia do mapa a Delfim, que confirmou ter frequentado um sítio na região indicada em vermelho de forma simplificada na folha de papel já amarelada. Trata-se do Sítio Gramadão (cujo nome aparece no mapa), de propriedade do cunhado e melhor amigo, Mario Nicoli, próximo a Itu e Jundiaí, no interior paulista.
Delfim contou à Folha que recebeu recomendações para redobrar o cuidado diante da onda de atentados promovida pela esquerda contra o regime. Mas disse não saber do plano da VAR e que nunca deixou de andar com pouca, ou nenhuma, segurança.

REPERCUSSÃO CONTRÁRIA

Jornalista denuncia a Folha de São Paulo de armar contra a ministra Dilma. Seus críticos apontam o jornal da Paulicéia como opositor ao governo Lula e de ser Serra desde criancinha.

Leia aqui a matéria contrária.





OS HEBREUS

9 04 2009

Em época de Páscoa ( que do hebreu significa “passagem”, do cativeiro para a liberdade) é de fundamental importância conhecer a história do povo que nos legou este tributo cultural tão relevante e vivenciado nos dias atuais.
No final do texto, deixaremos à sua disposição o link que lhe levará às informações que parcialmente expomos na página principal do Mania de História.
Boa leitura!
moises
Os Hebreus

O povo hebreu tem o início de sua organização na Mesopotâmia. Segundo Jaime Pinsky, “Isso é contado na Bíblia e comprovado por diversas evidências. O hebraico é uma língua semita, pertencente ao mesmo grupo do aramaico e de outras faladas na Mesopotâmia, baseada em estrutura de raízes triconsonantais, uma particularidade delas. Notável mesmo é verificar a utilização de mitos mesopotâmicos entre os hebreus.” Mitos mesopotâmicos incorporados na teologia judaica, como o Dilúvio, a Epopéia de Gilgamesh. Da Mesopotâmia os hebreus migraram para o território hoje conhecido como Palestina, sempre travando contato, usualmente belicoso, com seus vizinhos mais próximos desde tempos imemoriais.

Possivelmente uma seca muito grave na Região os tenha forçado a nova migração, desta vez para o Egito, ali se estabelecendo como um povo associado. Não há – fora dos textos considerados sagrados do judaísmo e do cristianismo – confirmação quanto ao fato de os hebreus de Goshen haverem, em algum momento, sido escravizados pelos egípcios. Fosse como fosse, estavam sujeitos à mesma tributação – que incluía o trabalho para o Estado – que os nativos de sua nova terra.

Moisés e o monoteísmo

O Mito

Segundo o sociólogo peruano José Carlos Mariátegui, os povos capazes de construir um mito multitudinário, unificador e sólido, têm maiores chances de se perpetuar. O povo hebreu construiu um dos mais duradouros mitos multitudinários de que se tem notícia.

Conta a Torah – que consta do Pentateuco, bastante similar aos cinco primeiros livros da Bíblia cristã: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio – que Moisés era filho do casal hebreu Jocheber e Amram que, temendo por sua vida diante de um decreto de faraó sobre a morte dos recém-nascidos (de quem os hebreus esperavam um redentor para a escravidão em que viviam), colocou-o numa cesta de vime e o lançou a Nilo. Dali foi recolhido pela filha de faraó que o criou como se fosse fruto de seu próprio ventre, criando-o como príncipe de sangue real egípcio. Por algumas circunstâncias acaba descobrindo sua origem e passa a lutar pela libertação da escravização de seu povo, sendo banido por faraó, dali se dirige à região de Midiã, encontra o sacerdote Jetro e se casa com sua filha Zípora. Ao pé do monte Sinai vê uma sarça que arde em chamas sem queimar, fica curioso, se dirige ao local e recebe a voz do “Deus sem Nome” decretando que volte ao Egito e liberte seu povo da escravidão.

De volta ao Egito, realiza uma série de milagres inclusive lançando uma série de pragas sobre o Egito (nuvens de gafanhotos, chuva de granizo em chamas, o rio Nilo se converte em sangue por sete dias e assim por diante) que acabam por “abrandar o coração de faraó” que se decide por permitir ao povo hebreu sair do Egito e voltar à Canaã, “terra onde emana Leite e Mel”.

Subindo ao Monte Sinai, ficando o povo no sopé à sua espera, Moisés medita e ergue profundas preces por quarenta dias. O povo, fatigado de esperar no deserto, retorna às crenças egípcias populares construindo ícones de deuses animais e se propõe a voltar ao Egito. No entretempo, o “Deus sem Nome” fala a Moisés dando-lhe as Tábuas da Lei com os Dez Mandamentos. Ao descer, enfurece-se com a idolatria e falta de fé de seu povo, arroja sobre os hereges as Tábuas da Lei, sobe novamente ao Monte e obtém novas Tábuas, desta vez escritas “pela própria mão de Deus” e decide que o povo seja punido com 40 anos de peregrinação no deserto até a chegada a Canaã – havia um caminho bem mais curto.

Para ler mais, clique aqui.





HISTÓRIA DO CHOCOLATE

10 04 2009

A época é mais do que apropriada para este artigo. Os Europeus se apropriaram desta iguaria maravilhosa (aliás, como de muitas coisas que vendem como suas) e tornaram-se grandes fabricantes e vendedores do “ouro negro”. Porém, muitos/muitas não sabem da origem, das transformações advindas a partir da descoberta dessa preciosidade que, remonta ao período colonial americano.
Se o Europeu conquistou a América, não é exagero dizer que o chocolate- antes mesmo do açúcar e do café – seduziu o velho continente.
Abaixo, reproduzimos parte de um artigo sobre o assunto e no final disponibilizamos um link para levá-lo/la à mais informações a respeito deste tema curioso e, delicioso.
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Montezuma, Rei Asteca, grande consumidor de chocolate

O caminho de uma delícia

Do xocolatl asteca aos bombons europeus, o cacau originário da Amazônia foi produto rentável no Brasil colonial e se transformou no chocolate, adorado em todo o mundo
Isabel Drumond Braga

Quando os castelhanos fizeram contato com os astecas pela primeira vez, no início do século XVI, não era possível prever o quanto esse encontro mudaria o mundo. Populações seriam dizimadas, civilizações desapareceriam, a Europa conheceria um fluxo de metais preciosos capaz de mudar seus rumos, e seus hábitos alimentares passariam por transformações definitivas com a introdução à mesa de novos ingredientes, como a batata, o milho e o tomate. O cacau, uma outra novidade nascida desse encontro, levaria muito tempo até chegar à forma apreciada nos dias de hoje por crianças e adultos das mais diferentes nacionalidades: ele, o chocolate.

Produto nativo da região amazônica, o cacau se espalhou pelas florestas tropicais da América, sendo consumido pelas populações indígenas do continente. Os maias do período clássico (séculos III–X) foram os primeiros a cultivar o fruto de forma sistemática: usavam as favas como moeda e descobriram que as secando, moendo e misturando com água se obtinha uma bebida – o xocolatl. O cultivo do cacau passou ao povo toltec (séculos X–XII) e, posteriormente, aos astecas (séculos XII–XVI), que também o utilizavam como moeda e como bebida nutritiva consumida quente ou morna, considerada fortificante e afrodisíaca, à qual juntavam baunilha, especiarias – como a pimenta – e farinha de milho.

No Brasil, o cacau era inicialmente colhido pelos índios nas matas da Amazônia. Mas a Coroa portuguesa não demorou para perceber seu valor econômico e, assim, ordenou seu cultivo em ordem régia de 1º de Novembro de 1677. Na verdade, desde os primeiros relatos dos descobridores, a planta do cacau e a bebida despertaram a atenção no velho continente. As referências e as descrições do cacau, do cacaueiro ou da utilização das amêndoas como moeda e as alusões ao consumo da bebida foram abundantes por parte de viajantes, cronistas e até médicos. A primeira carga chegou a Sevilha em 1585, como tributo sobre a produção mexicana. Logo os castelhanos se esforçaram para intensificar a produção, para atender a demanda do consumo de cacau que se espalhava por outros reinos europeus. Mas é apenas no século XVII que os castelhanos passam a ter uma “paixão obsessiva” pelo chocolate, quando a bebida já tinha sofrido diversas transformações. A mais importante, atribuída aos carmelitas de Oaxaca, no México, constituiu em acrescentar açúcar de cana ao cacau e à baunilha, ao mesmo tempo em que suprimiram as especiarias anteriormente misturadas.

Clique aqui para saber mais.





MILHARES DE FOTOS PARA PESQUISA

11 04 2009

Milhares de fotos históricas

Pesquisa de milhares de fotografias de arquivo, o alongamento de 1750 até hoje. A maioria nunca foi publicada e já estão disponíveis pela primeira vez através do trabalho conjunto da revista LIFE e Google.
Imagens como estas que expomos abaixo, refletem parte do cotidiano dos EUA.
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clique aqui.





OPINIÃO

12 04 2009

Vez por outra, expomos aqui a opinião de nossos leitores/as e colaboradores/as. Portanto, reproduzimos com muita satisfação a opinião desta Professora do Município de Gravatá/PE, pela pertinência de seu comentário e por ser uma pessoa ligada à causa indígena e acima de tudo da Educação.
Para a Professora Sunamita, nossos sinceros agradecimentos!
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Por Sunamita Oliveira

Considero admissível o fato de algumas pessoas ainda não acreditarem que o homem pisou na lua, mas negar o massacre dos povos indígenas é mais que degradante. Um pensador disse certa vez: “Aquele que não conhece a verdade é simplismente um ignorante, mas aquele que conhece e diz que é mentira, este é um criminoso!”
Parabéns pelo texto! Bravo!

P.S.: Quem quiser conhecer o interessantíssimo blog da Professora Sunamita, clique ao lado no link EDUCAR ENCANTANDO
, na seção blogroll.





PENA PARA ESTRUPADOR EM SERGIPE – SÉCULO XIX

12 04 2009

Excepcional esta matéria de jornal que recebi do Prof. Dr. Edson Hely (UFPE). É uma decisão judicial do século XIX no estado de Sergipe e pode servir como instrumento de pesquisa do cotidiano, da linguagem, e no âmbito do judiciário, às penas previstas em nosso código penal.
Leiam com bastante atenção e curiosidade.
decisao





RETOMADA DOS POVOS INDÍGENAS

14 04 2009

Após séculos de opressão, os povos indígenas recuperam, aos poucos, os seus direitos. Além da terra, eles lutam por respeito e manutenção de costumes e tradições. Os índios buscam um espaço igualitário na sociedade brasileira, mas não querem deixar de lado o espírito de coletividade que os une.
JC ONLINE
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CLIQUE AQUI PARA TER ACESSO À ESTA MATÉRIA MULTIMÍDIA.





DIA DO ÍNDIO

15 04 2009

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Por Edson Hely

O Dia do Índio

O 19 de abril foi escolhido como Dia do Índio em assembléia realizada na cidade de Patzcuaro (México), em 1940. Não é data de batalha, nem data que celebre a resistência indígena propriamente dita, mas sim a data em que pela primeira vez delegados indígenas se reuniram em assembléia no 1º Congresso Indigenista Interamericano que se realizava naquela cidade. Todos os países da América foram convidados a participar dessa celebração. Esse dia seria dedicado ao estudo dos problemas dos índios pelas diversas instituições de ensino, no sentido de facilitar aos governos a adoção de normas necessárias à orientação de suas políticas indigenistas. Pelo Decreto-lei nº 5.540, de 02 de junho de 1943, o Brasil adotou a recomendação do Congresso, sendo o Dia do Índio celebrado pela primeira vez no país em 1944.

No Brasil o dia 19 de abril, escolhido como DIA DO ÍNDIO, correspodeu a data de aniversário do então Presidente Getúlio Vargas.

Muita coincidência o populismo getulista!





TIRADENTES: O HERÓI DESPEDAÇADO

16 04 2009

Interessante este texto do historiador Laurentino Gomes, que demonstra como as punições contra os adversários políticos da Coroa Portuguesa no Brasil Colonial eram desumanas e chocantes.
tiradentes

História do Brasil
Suplício judiciário: A vingança de Portugal

Uma forma radical de punição na época do Brasil Colônia incluía tortura com ferro em brasa, trituração dos ossos, decapitação e esquartejamento
por Laurentino Gomes
Os estudantes de História costumam ficar chocados com a forma implacável com que Portugal punia os culpados de crimes políticos na época do Brasil Colônia. Depois de enforcado, Tiradentes, o herói da Inconfidência Mineira (1789), teve seu corpo esquartejado. Troncos e membros foram espalhados ao longo da estrada que ligava Minais Gerais ao Rio de Janeiro. Sua cabeça, espetada no alto de um posto em Vila Rica, atual Ouro Preto, foi misteriosamente roubada. Até hoje não se sabe seu paradeiro. Na Revolta dos Alfaiates, ocorrida em Salvador em 1798, 47 suspeitos foram presos, e três deles acabaram decapitados e esquartejados. Pedaços de seus corpos foram colocados na ponta de estacas pelas ruas da capital, onde ficaram até se decompor totalmente. Na Revolução Pernambucana de 1817, a sentença contra os revoltosos determinava que, “depois de mortos, terão cortadas as mãos, e decepadas as cabeças e se pregarão em postes (…) e os restos de seus cadáveres serão ligados às caudas de cavalos e arrastados até o cemitério”.

Para ler o artigo completo, clique aqui.

IMAGEM DE MÁRTIR, PERFIL DE HERÓI (CLIQUE AQUI)





OPINIÃO DO LEITOR

18 04 2009

Reiteramos a gratuidade de nosso trabalho. Ele é movido a incentivos e comentários elogiosos ou não, da parte de nossos visitantes e, vez por outra, publicamos alguns desses pontos de vista.
Abaixo, a opinião de Josy, que não conhecemos pessoalmente, mas fazemos questão de agradecer-lhe à generosidade!

JOSY said 1 day ago:
Descobri, por acaso, esta importante fonte de pesquisa.
Já coloquei nos meus favoritos.
Parabéns pela iniciativa e principalmente pelos textos apresentados.
Textos ricos de informações.

Voltarei, com certeza, buscando aumentar meus conhecimentos.

PARABÉNS MAIS UMA VEZ





CIA – A INTELIGÊNCIA DOS EUA

18 04 2009

Quem dá as cartas no EUA: o Presidente da República ou a CIA?
Não se espantem com esta indagação! Uma companhia de inteligência como esta, a CIA, pode tornar-se tão poderosa que por dentro do Estado pode se constituir num Estado Paralelo, conspirando por fora – em outros países – e tramando por dentro do seu próprio país a serviço de forças e interesses inconfessáveis.
Para conhecermos um pouco – superficialmente – dessa organização espiã e também criminosa, publicamos a matéria abaixo que teve como fonte a “Revista Aventuras na História”, e disponibilizamos ao leitor/ra, o link de acesso à página original com o artigo completo.
Boa leitura!
cia
O surgimento da CIA: Nas garras da águia

Criada no início da Guerra Fria, a CIA se especializou em sabotar e derrubar governos. Conheça sete casos em que a agência mudou os rumos da história – nem sempre do jeito que ela tinha planejado
por Tiago Cordeiro
Quando a Segunda Guerra acabou, em 1945, os americanos tinham mostrado ao mundo o alcance de seu poderio militar, selando o destino da Alemanha nazista na Europa e tirando o Japão de combate no Pacífico. Por trás desse sucesso, entretanto, se escondia uma perigosa fraqueza. Enquanto os soldados dos Estados Unidos haviam vencido no campo de batalha, os espiões americanos tinham colecionado fracassos, mostrando-se muito inferiores aos agentes britânicos, russos e alemães. Para um país que pretendia conter a crescente influência da União Soviética, era preciso investir num recurso decisivo: informação.
Foi pensando nisso que o presidente americano Harry Truman criou a Agência Central de Inteligência, a CIA (sigla para Central Intelligence Agency), em 1947. Tudo o que ele queria era saber o que acontecia nos países do bloco socialista. A missão incluía, é claro, infiltrar agentes na União Soviética. Mas os diretores da agência logo perceberam que isso era quase impossível – há alguns anos, Richard Helms, diretor da CIA entre 1966 e 1973, chegou a declarar que, naquela época, colocar e manter um espião em Moscou era tão difícil quanto mandar um homem para Marte.
Incapaz de vigiar de perto os rivais da Guerra Fria, os diretores da CIA ampliaram o ramo de atuação da agência. Em vez de se concentrar apenas em investigações, ela passou a intervir diretamente na política de diversos países, sempre procurando destruir qualquer possibilidade de aproximação com Moscou. A primeira intervenção bem-sucedida foi o financiamento do partido Democrata Cristão nas eleições italianas de 1948, para bloquear a ascensão da esquerda na Itália. Em pouco tempo, a CIA estaria apoiando grupos rebeldes e desestabilizando governos por todos os cantos do mundo.
“A agência deveria ser a cura para uma fraqueza crônica: a capacidade de guardar segredo e usar disfarces nunca foi nosso forte”, afirma o jornalista americano Tim Weiner em Legacy of Ashes (“Legado de cinzas”, inédito no Brasil), livro que conta a trajetória da CIA lançado recentemente nos Estados Unidos. “Quando a compreensão falhou, os presidentes do país ordenaram que a CIA mudasse o curso da história à força, por meio de operações clandestinas.” E assim foi. A seguir, você vai conhecer melhor sete momentos em que a agência foi capaz de mudar o mundo. E perceber que as mudanças nem sempre aconteceram do jeito que o governo americano desejava.
A arte de criar inimigos
O alvo da primeira intervenção militar da CIA foi o primeiro-ministro do Irã, Mohammed Mossadegh. Depois de assumir o poder, em 1951, ele propôs a nacionalização das companhias petrolíferas. A proposta irritou profundamente os ocidentais que lucravam com o petróleo iraniano. Nos Estados Unidos, Dwight Eisenhower assumiu a presidência em 1953 e encomendou à CIA a Operação Ajax, cujo objetivo era a deposição de Mossadegh. A ação ficou a cargo de Kim Roosevelt, chefe da divisão da agência no Oriente Médio e neto do ex-presidente Franklin Roosevelt. Com 1 milhão de dólares, ele iniciou uma campanha contra o premiê.
Contratadas pelos americanos, multidões de pessoas, em especial jovens religiosos, foram às ruas pedir a queda de Mossadegh – a agência fornecia a elas dinheiro e infra-estrutura (como carros e escritórios). Ao mesmo tempo, outros grupos, compostos por pessoas humildes, foram contratados pela CIA para fazer manifestações que vinculassem a imagem do premiê a Moscou – com palavras de ordem como “Eu amo Mossadegh e o comunismo”. A um preço de 150 mil dólares, os jornais passaram a criticar o primeiro-ministro. O problema é que o líder dos golpistas, o general Fazlollah Zahedi, não reuniu o apoio necessário.
No dia do golpe, 7 de julho, tudo saiu errado: os dissidentes foram presos e Mossadegh se manteve no poder. Mas Kim Roosevelt não desistiu. Em 19 de agosto, ele e um grupo de religiosos, liderados pelos aiatolás Ahmed Kashani e Ruhollah Khomeini, levaram centenas de pessoas armadas às ruas. O ataque à guarda de Mossadegh custou 200 vidas. Dessa vez o premiê não resistiu. Em seu lugar, assumiu Zahedi. “Gerações de iranianos cresceram sabendo que o governo americano tinha interferido em sua soberania. No médio prazo, essa ação foi péssima para a imagem dos Estados Unidos no Oriente Médio”, afirma Tim Weiner em seu livro.
O golpe mais duro contra os americanos veio em 1979. Foi quando o aiatolá Khomeini liderou a revolução que transformou o Irã em uma república islâmica. No mesmo ano, Khomeini deteve 52 americanos na embaixada dos Estados Unidos em Teerã. Eles só foram libertados após 444 dias – durante os quais a CIA participou de diversas ações de resgate malsucedidas. Meio século após a intervenção planejada pela agência, o Irã é uma enorme pedra no sapato da política externa americana.

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Kissinger, o arquiteto da Guerra Fria

Guerra Fria: o mundo por um fio





COMO O BRASIL FOI (RE) INVENTADO

18 04 2009

Apesar de estarmos no mês de abril, não vou cair na tentação de escrever sobre nossa conquista pelos portugueses. Achei essa pérola de matéria, que com certeza deixará muita gente curiosa: que é como o Brasil foi (re)inventado com a chegada da família real portuguesa em nossas paragens.
Tenho discutido bastante sobre como a “Era Napoleônica” influenciou toda a América (Espanhola e Portuguesa em destaque) e este artigo é um verdadeiro achado sobre o assunto. Deleitem-se!
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Rascunho de Brasil: como era o país em 1808
Até 1808, os brasileiros comiam com as mãos e viviam numa terra sem universidades, imprensa ou médicos. Com a chegada da corte ao Rio de Janeiro, a colônia começou a ficar com cara de país
por Reinaldo José Lopes
Naquela manhã quente, seu Barroso levantou cedinho. Próspero comerciante carioca, ele tinha de ir até o Valongo, na zona portuária, examinar mercadorias recém-chegadas. Mandou um escravo enrolar as esteiras onde havia dormido, enquanto outro colocava uma tábua em cima de dois cavaletes e trazia as gamelas com o almoço. Entre um bocejo e outro, Barroso mergulhava os dedos na papa de farinha e feijão-preto. Terminou de comer limpou as mãos na roupa de algodão e, antes de ir para a rua, deu uma chinelada na ratazana que tentava invadir sua casa.
O comerciante precisou aplicar um golpe de bengala para atravessar a esquina – um bando de urubus estava distraí do demais para lhe dar passagem, banqueteando-se com um cachorro morto na véspera. Numa rua estreita, Barroso passou por seu barbeiro, o mulato Sebastião, e se deteve um instante. Suas hemorróidas estavam de matar. Seria o caso de pedir ao velho homem uma rápida aplicação de sanguessugas? Talvez uma outra hora. Mais alguns minutos e Barroso finalmente chegou ao Valongo, onde trocou uma bela quantidade de carne-seca e couro curtido por alguns negros trazidos da África.
Embora a cena descrita acima seja fictícia, ela traça um retrato fiel do que era o Brasil no começo do século 19. O pedaço mais lucrativo do império português também era um local tosco, desprovido de saneamento básico, educação superior, hospitais e até de moeda circulante (nosso Barroso não era um adepto do escambo à toa). A fuga do príncipe regente dom João e de todo o aparato estatal português para cá, entre o fim de 1807 e o começo de 1808, deu os primeiros passos para acabar com esse marasmo (o que colocaria a colônia, sem querer, no caminho da independência). E tudo graças a um certo Napoleão Bonaparte, que tinha decidido acabar com o sossego de Portugal e ocupar o pequeno país ibérico.
Deus-nos-acuda
Portugal tinha virado alvo de Napoleão por causa da sólida aliança do país com a Inglaterra. Enquanto expandia seus domínios pela Europa, o imperador da França enfrentava uma guerra prolongada com os britânicos e queria expulsá-los dos portos da Europa. Como Portugal era um dos poucos países ainda abertos à Marinha inglesa, Napoleão pressionava dom João a abandonar seus velhos aliados.
O indeciso príncipe regente adotou por meses sua tática favorita: enrolar. Mas a pressão britânica foi mais forte que a francesa, em especial porque a Inglaterra ameaçava ocupar o Brasil caso o monarca não concordasse com o plano de fugir para a colônia. Quando dom João finalmente aprovou a retirada estratégica, a situação logo virou um deus-nos-acuda. Os cerca de 40 navios carregavam um amontoado de cerca de 11500 pessoas. A frota, escoltada pelos britânicos, deixou Lisboa em 29 de novembro de 1807, quando o Exército francês já estava entrando na capital.
A comitiva aportou em Salvador em 22 de janeiro de 1808. Antes de rumar para o Rio de Janeiro, dom João ficou pouco mais de um mês na Bahia. Foi apenas o tempo estritamente necessário para se recuperar da travessia e emitir a famosa ordem de abertura dos portos brasileiros às “nações amigas” – leia-se Inglaterra –, acabando com o monopólio naval português por aqui. Era a primeira prestação devida aos britânicos por seu papel de cães de guarda do império lusitano. E a primeira mudança de peso a afetar uma colônia que estava, sob muitos aspectos, parada no tempo.
Tigres e bandoleiros
Os que estudam a situação brasileira em 1808 são quase unânimes: chamar a América portuguesa de “Brasil” seria quase força de expressão. A unidade estava longe de ser clara. “Os habitantes do Brasil se auto-identificavam como portugueses, sentimento que convivia com identidades particularistas, como ‘ser das minas’ ou ‘ser bahiense’”, diz Ana Rosa Cloclet da Silva, doutora em História pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Estima-se que o Brasil da época tivesse 3 milhões de habitantes – incluindo 1 milhão de escravos e 800 mil índios.
Cerca de 60 mil pessoas viviam no Rio de Janeiro, contra 46 mil em Salvador e 20 mil em São Paulo. Embora os paulistas já tivessem parado de falar tupi – que, durante séculos, chegou a ser mais usado que o português em São Paulo –, eles ainda tinham muito de índio, dormindo em redes, vestindo imensos ponchos que hoje nos lembrariam os gaúchos e usando, para cortar a carne no almoço, a mesma faca que manejavam em duelos.
Os paulistas com jeitão de bandoleiros eram só uma faceta da vida urbana caótica que dom João encontraria no Brasil. As ruas das principais cidades só poderiam ser definidas como uma zorra total. Estreitas e mal iluminadas, eram lotadas de vendedores ambulantes cuja gritaria não deixava ninguém em paz, bichos (principalmente porcos e galinhas) e lixo. Sem falar nos urubus, que se esbaldavam com tanta fartura.
No entanto, em termos de, digamos, saneamento básico, nada superava o sistema dos “tigres”, os escravos que desempenhavam o papel de carregadores de esgoto e lixo em cidades como o Rio, Recife e Salvador. Eles colocavam barris cheios de dejetos nas costas e os levavam para o mar. Com o passar do tempo, as substâncias que caíam em seus ombros deixavam listras brancas na pele negra – daí o apelido felino. As praias mais glamurosas do Rio moderno provavelmente eram um fedor completo no começo do século 19.
Os “tigres” eram só mais um lembrete de que, no dia 8 de março, dom João e sua corte tinham desembarcado no maior mercado de escravos das Américas, o Rio de Janeiro, cidade onde um terço da população de 60 mil pessoas correspondia aos cativos.
No olho da rua
O primeiro problema que o príncipe precisou resolver na chegada foi onde enfiar 11500 membros sem-teto da elite portuguesa. Simples: dom João mandava pintar as iniciais P.R. (oficialmente “Príncipe Regente”, mas interpretadas como “Ponha-se na rua”) nas casas desejadas para sua nobre trupe. Os donos originais tinham que deixá-las livres para os novos moradores e, supostamente, deveriam ter sido recompensados com uma espécie de aluguel, mas isso acabou acontecendo com freqüência bem inferior à necessária.
Dom João trouxe para o centro do Rio um novo tipo de música: a dos explosivos, pondo abaixo morros e rochedos que, segundo os urbanistas portugueses, atrapalhavam a circulação do ar e das águas e tornavam a cidade propensa a enchentes. Na base da pólvora, a região foi ficando mais plana e ampla. Era preciso expandir a cidade: em 1808, o Rio tinha apenas 46 ruas e um punhado de becos e travessas. Segundo cálculos do viajante inglês John Luccock, cada residência carioca espremia, em média, 15 pessoas.
Apesar do “Ponha-se na rua”, a elite carioca se mostrou mais que disposta a sustentar a corte nem um pouco austera de dom João. O maior exemplo disso veio com a fundação do Banco do Brasil, que iniciou um lucrativo sistema de toma-lá-dá-cá entre o rei e seus súditos brasileiros. O banco seria sustentado inicialmente pelos investimentos dos cariocas, que podiam comprar ações da instituição. Quem fosse generoso podia ser recompensado com títulos de nobreza e, melhor ainda, com dividendos bem superiores ao rendimento real do banco. Isso porque, como conta o jornalista Laurentino Gomes em seu livro 1808, o Banco do Brasil se pôs a emitir papel-moeda sem lastro correspondente em ouro – receita ideal para que a instituição quebrasse, o que aconteceu anos após a Independência.
A colônia não tinha autonomia completa nem para julgar seus próprios crimes. “Antes de 1808, o Judiciário do Brasil era composto essencialmente pelos Tribunais da Relação, com sedes no Rio de Janeiro, na Bahia e no Maranhão, mas a última instância ficava em Lisboa”, conta Márcio Antônio Ribeiro, consultor histórico do projeto Bicentenário do Judiciário Independente no Brasil, organizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Uma das medidas tomadas pelo príncipe regente foi criar a Casa de Suplicação no Rio, transformando a nova capital na última instância de todos os casos julgados em seus domínios. A Casa de Suplicação, após uma série de metamorfoses institucionais, daria origem ao atual STF.
Quase medieval
A verdade é que criar um banco e um tribunal ou abrir os portos era até a parte fácil do trabalho de dom João. Difícil mesmo seria cumprir o objetivo declarado de tornar o país “digno” da corte recém-chegada. O primeiro baque deve ter sido a diferença brutal de vestuário entre os fugitivos e os nativos. De um lado estavam as perucas empoadas, os sapatos de salto alto e os casacões bordados que Portugal copiara da corte francesa. De outro, os chinelos de dedo, calças leves e jaquetas de chita dos homens do Rio de Janeiro. Já as cariocas usavam rosários, camisas simples, saias curtas e mais chinelos.
Não demorou para que os brasileiros se pusessem a imitar o estilo da corte – até escravos libertos adotaram cartolas, bengalas e casacas. Mas estava na cara que esse tipo de vestuário não funcionaria direito num país tropical. Um diplomata da Prússia relatou o desastre de uma recepção de gala: “Às 8 horas, ombros e costas das damas, que trajavam vestidos decotados da moda, já tinham sido tão picados por mosquitos que, de tão vermelhos, assemelhavam-se a soldados após apanharem de chicote”.
Em vários aspectos do cotidiano, até mesmo os brasileiros mais ricos levavam uma vida quase medieval em 1808 (com a exceção do costume de tomar banhos regulares, impensável para os portugueses). Quem vivia por aqui em geral não sabia o que era usar talheres à mesa. Enquanto os homens utilizavam facas de cabo prateado para cortar carne – num almoço formal, cada convidado tinha de trazer a sua de casa –, mulheres e crianças mergulhavam as mãos na papa de comida.
O menu não era muito variado, incluindo em geral carne-seca, toucinho, feijão-preto, farinha de milho e, para beber, água. Vez por outra, as famílias comiam à mesa, embora o mais comum fosse fazer as refeições no chão, sentados em esteiras, com o prato no colo, enquanto ratazanas passavam correndo pelo aposento – se você queria saber se duas pessoas sentadas lado a lado eram íntimas, era só prestar atenção se uma delas enfiava a mão no prato da outra e pegava um pedaço do rango.

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Brasil: milagre do crescimento com a família real portuguesa

CURIOSIDADES DA HISTÓRIA

Dos réis ao real: as moedas no Brasil

A história do dinheiro no Brasil é cheia de reviravoltas
A gente sempre quis ter. Comida, roupas, terras – e coisas que pertenciam a outras pessoas. Há 10 mil anos, como não existia dinheiro, a solução era darmos algo que tínhamos de bastante valor em troca do que queríamos. De lá para cá, muita coisa foi usada para fazer essas negociações: bois (provavelmente a primeira forma de moeda), conchas (muito usadas na China e na Austrália), sal (que os gregos trocavam por escravos), sementes de cacau (adotadas pelos maias e pelos incas) e até tulipas (dadas na Holanda como dote de casamento).
No Brasil, já usamos açúcar, tabaco e até notas estrangeiras (no século 17, o florim holandês foi fabricado em Recife), além de um sem-número das nossas próprias moedas, que perdiam valor rapidamente. Com base no novo livro Linha do Tempo – Uma Viagem pela História da Humanidade, de autoria da editora de História Cláudia de Castro Lima, conheça os melhores momentos dos cinco séculos do dinheiro em nosso país.

Trocas malucas
Até concha já foi usada por aqui
1500 – Tostão
Ao chegar ao Brasil, os portugueses encontram cerca de 3 milhões de índios vivendo em economia de subsistência. Já os colonizadores usam moedas de cobre e ouro, que têm diversos nomes de acordo com a origem: tostão, português, cruzado, vintém e são-vicente.
Século 16 – Jimbo e réis
A pequena concha era usada como moeda no Congo e em Angola. Chegando ao Brasil, os escravos a encontram no litoral da Bahia e mantêm a tradição. Desde o descobrimento, porém, a moeda mais usada é o real português, mais conhecido em seu plural “réis”, que valeu até 1942.
1614 – Açúcar
Por ordem do governador do Rio de Janeiro, Constantino Menelau, o açúcar é aceito como moeda oficial no Brasil. De acordo com a lei, comerciantes eram obrigados a aceitar o produto para pagar compras.
1695 – Cara e coroa
A Casa da Moeda do Brasil, inaugurada na Bahia um ano antes, cunha suas primeiras moedas de ouro. Em 1727, surgem as primeiras moedas brasileiras com a figura do governante de um lado e as armas do reino do outro, conforme a tradição européia. Os termos “cara” e “coroa” vêm daí.
1942 – Cruzeiro
Na primeira troca de moeda do Brasil, os réis são substituídos pelo cruzeiro durante o governo de Getúlio Vargas. Mil réis passam a valer 1 cruzeiro; é o primeiro corte de três zeros da história monetária do país. É aí que surge também o centavo.
1967 – Cruzeiro novo
O cruzeiro novo é criado para substituir o cruzeiro, que levou outro corte de três zeros. Mais uma vez, isso ocorre por causa da desvalorização da moeda. Para adaptar as antigas cédulas que estavam em circulação, o governo manda carimbá-las.
1970 – Cruzeiro
A moeda troca de nome e volta a se chamar cruzeiro. Dessa vez, porém, só muda o nome, mas não o valor. Ou seja, 1 cruzeiro novo vale 1 cruzeiro.
1986 – Cruzado
Por causa da inflação, que alcança 200% ao ano, o governo de José Sarney lança o cruzado. Mil cruzeiros passam a valer 1 cruzado em fevereiro deste ano. No fim do ano, os preços seriam congelados, assim como os salários dos brasileiros.
1989 – Cruzado novo
Por causa de inflação de 1000% ao ano, ocorre uma nova troca de moeda. O cruzado perde três zeros e vira cruzado novo. A mudança é decorrência de um plano econômico chamado Plano Verão, elaborado pelo então ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega.
1990 – Cruzeiro
O cruzado novo volta a se chamar cruzeiro, durante o governo de Fernando Collor de Mello. O mesmo plano econômico decreta o bloqueio das cadernetas de poupança e das contas correntes de todos os cidadãos brasileiros por 18 meses.
1993 – Cruzeiro real
No governo de Itamar Franco, com Fernando Henrique Cardoso como ministro da Fazenda, o cruzeiro sofre outro corte de três zeros e vira cruzeiro real. No fim do ano, o ministro cria um indexador único, a unidade real de valor (URV).
1994 – Real
Após uma inflação de 3700% em 11 meses de existência do cruzeiro real, entra em vigor a Unidade Real de Valor (URV). Em julho, a URV, equivalendo a 2750 cruzeiros reais, passa a valer 1 real.





HISTÓRIA DA LÍNGUA ÍNDIGENA

19 04 2009

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Quantas línguas indígenas se falam no Brasil?
por Sylvia Estrella
ENVIADO POR EDSON HELY SILVA
História das línguas indígenas

O tupi era a língua indígena mais falada no tempo do descobrimento do Brasil, em 1500. Teve sua gramática estudada pelos padres jesuítas, que a registraram. Era também chamada de língua Brasílica. O padre José de Anchieta publicou uma gramática, em 1595, intitulada Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil. Em 1618, publicou-se o primeiro Catecismo na Língua Brasílica. Um manuscrito de 1621 contém o dicionário dos jesuítas, Vocabulário na Língua Brasílica. O tupi é considerado extinto hoje e deu origem a dois dialetos, considerados línguas independentes: a língua geral paulista e o nheengatú (língua geral amazônica). Esta última ainda é falada até hoje na Amazônia.

Nos primeiros tempos da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos índios Tupinambá (tronco Tupi) era falada sobre uma enorme extensão ao longo da costa. Já no século 16, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que, de início, eram minoria diante da população indígena. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de Brasílica, intensificou-se e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população da colônia.

Em 1758, o Marquês de Pombal proibiu o uso da língua geral para favorecer o português. Nesta época, todos os habitantes da colônia falavam a língua geral, ou tupi, que deixou fortes influências no português falado no Brasil. No vocabulário popular brasileiro ainda hoje existem muitos nomes de coisas, lugares, animais, alimentos que vêm do tupi, o que leva muita gente a pensar que “a língua dos índios é (apenas) o tupi”, como explica o professor e pesquisador de tupi da Universidade de São Paulo, Eduardo Navarro.

A língua geral amazônica ou Nheengatú desenvolveu-se no Maranhão e no Pará, a partir do Tupinambá, nos séculos 17 e 18. Até o século 19, ela foi veículo da catequese e da ação social e política portuguesa e brasileira.

Apesar de suas muitas transformações, o Nheengatú continua sendo falado nos dias de hoje, especialmente na bacia do rio Negro (rios Uaupés e Içana). Além de ser a língua materna da população cabocla, mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas. Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os Baré e os Arapaço.

Língua original do Brasil

O Padre José de Anchieta foi o principal compilador do tupi
A língua tupi é aglutinante (uma frase é dita em uma palavra), não possui artigos, como o Latim e não flexiona em gênero e nem em número. Um bom exemplo do tupi é: Paranapiacaba = parana+epiaca+caba, mar+ver+lugar+onde. Ou, lugar de onde se vê o mar, a vila fica a 40km de São Paulo, bem na Serra do Mar e de lá se avista a Baixada Santista.

Por causa da obra do padre Anchieta, no final do século 16, com sua Arte de Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil e do jesuíta Luís Figueira, com a A Arte da Língua Brasílica, “o tupi é a língua indígena mais bem-documentada e preservada que temos”, diz o professor Eduardo Navarro, pesquisador da matéria na Universidade de São Paulo.

Ele afirma que o tupi é importante para se entender a cultura brasileira. “O brasileiro já nasce falando tupi, mesmo sem saber. O português falado em Portugal diferencia-se do nosso principalmente por causa das expressões em tupi que incorporamos. Essa incorporação é tão profunda que nem nos damos conta dela. Mas é isso o que faz a nossa identidade nacional. Depois do português, o tupi é a segunda língua a nomear lugares no País”.

A lista de nomes é extensa e continua aumentando. Há milhares de expressões, como:

* Ficar com nhenhenhém – que quer dizer falando sem parar, pois nhe’eng é falar em tupi.
* Chorar as pitangas – pitanga é vermelho em tupi; então, a expressão significa chorar lágrimas de sangue.
* Cair um toró – tororó é jorro d’água em tupi, daí a música popular “Eu fui no Itororó, beber água e não achei”.
* Ir para a cucuia – significa entrar em decadência, pois cucuia é decadência em tupi.
* Velha coroca é velha resmungona – kuruk é resmungar em tupi.
* Socar – soc é bater com mão fechada.
* Peteca – vem de petec que é bater com a mão aberta.
* Cutucar – espetar é cutuc.
* Sapecar – é chamuscar é sapec, daí sapecar e sapeca.
* Catapora – marca de fogo, tatá em tupi é fogo.

O significado de grande parte dos nomes de lugares só se sabe com o tupi. Como nomes de bairros da cidade de São Paulo.

* Pari é canal em que os índios pescavam,
* Mooca é casa de parentes,
* Ibirapuera é árvore antiga,
* Jabaquara é toca dos índios fugidos,
* Mococa é casa de bocós – bocó é tupi.

Na fauna e flora brasileiras, o tupi aparece massivamente: tatu, tamanduá, jacaré. Até nas artes ele é encontrado – como o famoso quadro de Tarsila do Amaral, o Abaporu, que quer dizer antropófago (canibal) em tupi.

Segundo o professor Navarro, o tupi foi a língua mais falada do Brasil até o século 18 e foi a segunda língua oficial do Brasil junto com o português até o século 18. Só deixou de ser falado porque o Marquês de Pombal, em 1758, proibiu o ensino do tupi. O tupi antigo era conhecido até o século 16 como língua brasílica. No século 17, ele passou a ser chamado de língua geral, pois incorporou termos do português e das línguas africanas. Mas continuava sendo uma língua indígena, assim como é até hoje o guarani no Paraguai, falado por 95% da população. A dissolução do tupi foi rápida porque a perseguição foi muito violenta. Mesmo assim, até o século 19 ainda havia muitos falantes do tupi. Hoje, a língua geral só é falada no Amazonas, no alto Rio Negro – chama-se nhengatú e tem milhares de falantes entre os caboclos, índios e as populações ribeirinhas.

O professor Navarro conta que o nheengatú foi preservado na Amazônia porque lá a presença do Estado era mais fraca. “Na Amazônia, o português só se tornou língua dominante no final do século 19. Isso porque, em 1877, houve uma seca terrível no Nordeste, o que ocasionou a saída de 500 mil nordestinos da região, que foram para a Amazônia levando o português”.

Apesar do tupi ser uma língua morta, é também uma língua clássica, pois foi fundamental para a formação de uma civilização, assim como o foram o latim, o sânscrito e o grego, que é uma língua clássica ainda falada. O tupi foi fundamental também para a unidade política do Brasil. Havia outras línguas indígenas que não tinham relação com o tupi, como a dos índios Guaianazes e Goitacazes. Mas eram línguas regionais. O tupi evoluiu para outras línguas além da geral. No Xingu, há línguas que vêm do tupi antigo e são faladas até hoje.

O curso de tupi da Universidade de São Paulo (USP) foi fundado em 1935, pelo professor Plínio Airosa e é o único dessa língua em todo o Brasil. Tem duração de um ano e a procura é muito grande – em cada semestre há cerca de 200 alunos.

MAIS DE MIL LÍNGUAS ERAM FALADAS NO BRASIL (CLIQUE AQUI E SAIBA MAIS)





DIVULGAÇÃO

22 04 2009

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Visite o site do evento. Clique aqui.





SITE MUNDIAL DA UNESCO

24 04 2009

Biblioteca Digital Mundial
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A Unesco lançou oficialmente, nesta terça-feira, o site da Biblioteca Digital Mundial , em que é possível navegar pelo excepcional acervo de livros, manuscritos e documentos visuais e sonoros procedentes de bibliotecas e arquivos do mundo todo. Reproduções das mais antigas grafias e fotografias estão entre os vários documentos raros apresentados em sete idiomas (árabe, chinês espanhol, francês, inglês, português e russo). O lançamento aconteceu na sede parisiense da Unesco, na presença de seu diretor-geral Koichiro Matsuura, e de James H. Billington, diretor da Biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos, idealizador do projeto.

Veja alguns exemplos do que pode ser encontrado na Biblioteca Digital Mundial:

Crônica de Terras Estrangeiras (1623)

Trata-se de um mapa do mundo em chinês produzido pelo missionário italiano Matteo Ricci, em 1574. O mapa, que seguia os princípios ocidentais da cartografia, então desconhecidos na China, passou por várias revisões entre 1574 e 1603. Os sacerdotes compatriotas de Ricci, Diego de Pantoja e Sabatino de Ursis, foram instruídos, por ordem imperial, para compor um livro explicando o mapa. Acervo: Biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos.

O Códice Huexotzinco (1531)

Coleção de oito páginas de documentos em linguagem pictográfica de parte do testemunho em um processo jurídico contra representantes do governo colonial no México, dez anos após a conquista espanhola em 1521. Acervo: Biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos.

Evangelho de Miroslav (1180)
Manuscrito do evangelho de Miroslav é uma obra litúrgica considerado o mais importante e o mais belo dos livros manuscritos Sérvios. Acervo: Biblioteca Nacional da Sérvia.

Cópia do Mapa do Novo Mundo (1562)

Desenhado pelo cosmógrafo Diego Gutierrez a mando do rei da Espanha. Acervo: Biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos.

Imperatriz Thereza Christina Maria , mulher do último imperador do Brasil, D. Pedro II. A foto faz parte do acervo de mais de 21 mil fotografias reunidas pelo Imperador D. Pedro II. Acervo: Biblioteca Nacional.

Pragmática (1584) é o primeiro documento impresso da América do Sul sobre a mudança do calendário juliano para o gregoriano, Lima, Peru. Acervo: Biblioteca John Carter Brown (Estados Unidos).

Evangelho de São Mateus (1840)

Tradução Aléute (referente ao povo nativo das ilhas Aléutas – próximas ao Alasca) feita pelo missionário russo Ioann Veniamiov. Acervo: Biblioteca Nacional da Rússia.

Ilustrações da China (1874)

Conjunto de 200 fotografias e cartas descritivas feitas pelo geógrafo escocês John Thomson durante a primeira incursão fotográfica feita sobre a China e seu povo. Acervo: Biblioteca da Universidade de Yale (Estados Unidos)

CLIQUE AQUI PARA ACESSAR.





BREVE HISTÓRIA DA CLASSE OPERÁRIA EM ALUSÃO AO 1º DE MAIO

25 04 2009

Este artigo é em homenagem àqueles/as que fazem a produção, que fizeram e podem fazer revolução e que acima de tudo, são protagonistas da História.
Proletariado
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

classe
Proletariado (do latim proles, “filho, descendência, progênie”) é um conceito usado por anarquistas, comunistas e marxistas para definir a classe antagônica à classe capitalista. O proletário consiste daquele que não tem nada além da força de trabalho, vendendo-a para sobreviver. O proletário se diferencia do simples trabalhador, pois este pode vender os produtos de seu trabalho (ou vender o seu próprio trabalho enquanto serviço), enquanto o proletário só vende sua capacidade de trabalhar, e, com isso, os produtos de seu trabalho e o seu próprio trabalho não lhe pertencem, mas àqueles que compram sua força de trabalho e lhe pagam um salário. Ao vender sua força de trabalho, o proletário aliena-se de seus próprios atos e submete-os à vontade do comprador, que o domina autoritariamente. O comprador (o capitalista) comanda o trabalho do proletário e se apropria de seus produtos para vendê-los no mercado. A palavra proletariado define o conjunto dos proletários considerados enquanto formando uma classe social.

Na Roma Antiga, o rei Sérvio Túlio usou o termo proletarii para descrever os cidadãos de classe mais baixa, que não tinham propriedades e cuja única utilidade para o Estado era gerar proles (filhos) para engrossar as fileiras dos exércitos do império. O termo proletário foi utilizado num sentido depreciativo, até que, no século XIX, socialistas, anarquistas e comunistas utilizaram-no para identificar a classe operária do capitalismo.

História

Historicamente, o proletariado surge com o capitalismo (na Europa, entre os séculos XIV e XIX), quando todas as relações sociais entre os indivíduos passaram a ser mediatizadas pelo mercado, que substituiu os laços comunitários que caracterizavam as sociedades anteriores. Com isso, todos os bens passaram a ser mercadorias, ou seja, o acesso à eles passou a ser permitido apenas a quem tivesse o dinheiro para comprá-los. Isso só foi possível mediante a chamada acumulação primitiva do capital, que se caracteriza por expulsões de camponeses de suas terras e pela destruição dos laços não-mercantis do artesanato urbano (por exemplo, as corporações de ofício), formando uma massa de indivíduos destituídos de meios de produção e que nada tinham para oferecer ao mercado senão sua força de trabalho. Essa separação dos homens dos seus meios de produção é também chamada de proletarização e foi na maioria das vezes imposta pelo Estado. Além disso, os artesãos urbanos não podiam concorrer no mercado com os capitalistas, cujos capitais rapidamente se acumulavam mediante o uso de força de trabalho e pela extração da mais-valia que esta proporciona, e esses artesãos falidos contribuiram para aumentar ainda mais a massa de proletários disponíveis para a indústria capitalista nascente. A formação, manutenção e o controle (através do aparato repressivo do Estado) de uma massa de indivíduos destituídos de tudo e tendo somente a sua força de trabalho para vender (qualificada ou não) é a condição sine qua non da acumulação do capital em qualquer lugar do mundo, até os tempos presentes, pois a força de trabalho é a única mercadoria que produz mais-valia.

A idéia de proletariado como uma classe antagônica à dos capitalistas surgiu no século XIX, quando operários conseguiram pela primeira vez organizar greves de dimensões consideráveis e questionar a situação em que viviam de maneira que, para muitos, suas exigências eram irreconciliáveis com a sociedade capitalista. Os proletários desenvolveram idéias comunistas, socialistas e anarquistas que depois ficaram conhecidas através de autores como Karl Marx, Mikail Bakunin e Piotr Kropotkin. Do fim do século XIX até meados do século XX, mediante a pressão constante das lutas radicais dos operários, os Estados de diversos países resolveram conceder direitos trabalhistas e regular os sindicatos, que passaram a ser instituições de negociação entre o Estado, os empresários e os operários. Em 1917, na Rússia, também mediante a pressão de lutas radicais dos operários, os bolcheviques tomaram o poder do Estado usando o nome do proletariado, que, no entanto, foi massacrado por eles e submetido a um regime de trabalho militarista [2] que não tem absolutamente nada a ver com as reivindicações dos proletários, os quais, em suas lutas, sempre se opuseram à intensificação do trabalho, à ditadura dos chefes e à própria escravidão assalariada.

Atualmente, nos países capitalistas avançados, o proletariado tem padrão de vida muito superior em relação às suas condições do início da Revolução Industrial, quando jornadas de mais de doze horas e a intensa utilização de mão-de-obra infantil eram a regra. Apesar de que as condições de trabalho nesses países vem regredindo nos últimos anos com a introdução de reformas neoliberais, o trabalho infantil e jornadas cada vez maiores são práticas comuns na flexibilização do trabalho, chegando até o extremo do uso de mão-de-obra escrava. Os trabalhadores imigrantes, em especial, têm sido submetidos a condições de trabalho degradantes na Europa. E temos a migração das fábricas para países sem leis trabalhistas.

SOBRE A CLASSE OPERÁRIA NO BRASIL. CLIQUE AQUI.

1º DE MAIO

COMO FAZÍAMOS SEM EMPREGO?

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AGRADECIMENTOS

1 05 2009

Chegamos ao final de Abril com uma intensa e crescente participação de visitantes e comentaristas em nosso blog. Desde dezembro até agora (final de abril), foram exatamente “30.881 acessos” e isso não é pouca coisa considerando que nosso espaço não trata de sexo explicito ou futebol – as grandes manias da internet – e sim, de História.
Por isso, além de agradecer, reproduzimos abaixo alguns comentários de nossos/as leitores sobre o que têm achado dos artigos aqui publicados e do Mania de História. Ah! Vale lembrar que alguns deixaram críticas também, só que com expressões desrespeitosas e que não merecem ser amplificadas.

Obrigado pelas visitas e das próximas vezes deixem sugestões para continuarmos aprimorando nosso blog!

Luís Carlos Lins
- Editor -

- Caramba, muito legal esse blog!

Vou adicionar nos meus favoritos do iGoogle :D

Abraços,

Juanna

- Sempre tive curiosidade em saber um pouco mais da história de Lampião e após ler aventuras na história, tirei todas as minhas dúvidas e matei a minha curiosidade. Realmente vocês são maravilhosos e dominam o que escrevem, parabéns.

Veruska

-
Concordo que existe falta de interresse sobre um assunto tão importante que é a “história indigena”, principalmente no contexto do perodo colonial. Sinto falta de mais trabalhos academicos sobre o assunto. Estou cursando o 3º semestre de Liçenciatura em História e pretendo fazer minha monografia sobre essa temática nesse periodo.
Caso os senhores disponham de matériais para pesquisa gostaria de recebe-los.

Obrigado.

FErnando Dantas.





OPERARIADO

2 05 2009

marx
Em tempos de crise econômica e superexploração de mão-de-obra, é fundamental lembrar da obra daquele que melhor pensou, escreveu e sonhou com uma classe operária unida e revolucionária em todo o planeta: KARL MARX.

ARQUIVO MARXISTA (CLIQUE AQUI).





13 DE MAIO?

7 05 2009

escravidão
Há um bom tempo que o Movimento Negro no Brasil vem desconstruindo a imagem de “salvadora dos negros” da Princesa Isabel. Aquela mesmo que assinou a famosa Lei Áurea. A grande experiência que serve de modelo de luta por libertação das agruras impostas pela escravidão negra foi o Quilombo dos Palmares, e Zumbi, é a figura mais emblemática dessa passagem histórica.
Nas proximidades de comemoração do 13 de maio (o renegado) e da Princesa Isabel como a mãe do acontecimento – reinterpretado e revisto por diversos olhares e especialistas -, publicamos a matéria abaixo e colocamos ao seu dispor um link que lhe guiará à diversas outras fontes de pesquisa sobre o tema.

Zumbi, esse desconhecido

Ninguém sabe detalhes da vida do último e mais importante líder do Quilombo dos Palmares

por Reportagem Reinaldo Lopes

O nome dele era Zumbi, mas talvez o certo fosse Zambi. Ele pode ter nascido na África e ter sido trazido para cá à força, mas há quem diga que ele era brasileiro e livre. Nem temos certeza de que ele era filho de africanos – se ele nasceu no Brasil, é possível que seu pai fosse africano e sua mãe, índia. Sua morte também é envolta em mistério. Só não existem dúvidas a respeito de uma coisa: até seus adversários o definiam como um homem forte, orgulhoso, inconformado com sua condição social, que resolveu enfrentar seus algozes e libertar seu povo. E ele foi longe nesse objetivo. O Quilombo dos Palmares deu trabalho ao governo de Portugal.
O quilombo foi construído na serra da Barriga, uma área que hoje faz parte do estado de Alagoas. O terreno era uma espécie de fortaleza natural: tinha barrancos que dificultavam o acesso e palmeiras fazendo uma espécie de muralha. Palmares surgiu por volta de 1580, quando escravos que fugiam de Pernambuco e da Bahia construíram uma pequena vila fortificada, onde eles podiam ser livres e estavam protegidos dos soldados que capturavam e matavam os fugitivos dos engenhos de cana-de-açúcar do litoral. No auge da ocupação, em 1670, o quilombo teria chegado a 30 mil moradores – talvez esse número seja um exagero. Mesmo depois da morte de Ganga-Zumba e de Zumbi, seus dois maiores líderes, os escravos ainda resistiram até o ano de 1710.
Se os criadores do quilombo realmente vieram de um engenho, a grande maioria deveria ser homem, pois as fazendas abrigavam poucas mulheres. Talvez por isso, já nos primeiros anos de organização, o aglomerado de fugitivos virou uma pedra no sapato dos portugueses. Volta e meia, os habitantes de Palmares invadiam engenhos para libertar escravos, roubar comida e armas e, principalmente, raptar mulheres. Em 1602, o governador-geral do Brasil, Diogo Botelho, mandou uma expedição contra eles. Foi a primeira das mais de 40 missões de ataque. Era difícil vencer os escravos porque, quando as tropas chegavam, eles abandonavam a cidade e se escondiam no mato.
Quando os holandeses invadiram o Nordeste, os engenhos de açúcar perderam o controle sobre seus escravos e as fugas aumentaram. Palmares recebeu milhares de novos moradores e, em 1654, quando os holandeses foram expulsos, a vila tinha virado uma potência formada por vários aglomerados populacionais, que vendiam e compravam produtos das cidades vizinhas. Nessa fase, pode ser que até brancos tenham vivido dentro do quilombo. E com certeza havia índios morando lá dentro ou por perto. Escavações arqueológicas têm encontrado cerâmica indígena, provavelmente da mesma época de Zumbi.
Crescimento
Essa confederação de povoados escolheu como chefe um guerreiro conhecido como Ganga-Zumba, que morava em Macaco, a principal vila do refúgio. Não se sabe se “Ganga-Zumba” seria nome próprio ou um título dado ao líder. “A palavra ganga significava ‘poder’ ou ‘sacerdote’ em várias sociedades da África central”, diz o historiador Flávio Gomes, professor do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Para a maioria dos especialistas, foi nessa época de relativa calmaria que Zumbi teria crescido em Palmares. Um dos motivos para sustentar que o líder nasceu ali mesmo e não chegou depois, fugindo da escravidão, é o fato de que ele seria sobrinho de Ganga-Zumba. Mas o parentesco também não é garantido, já que a palavra “sobrinho” podia ter um sentido simbólico.
Não há relatos confiáveis sobre a juventude de Zumbi. É em um relatório do comando militar da capitania de Pernambuco, escrito por volta de 1670, que seu nome aparece citado pela primeira vez. Ele seria o homem de confiança do chefe Ganga-Zumba, uma espécie de general dos exércitos de Palmares. Outros documentos da mesma época destacam a capacidade militar de Zumbi. Um deles diz que, ao enfrentar uma expedição liderada por Manuel Lopes Galvão, Zumbi levou um tiro na perna que o teria deixado manco, mas ele continuou lutando mesmo assim.
Missões de ataque
Por volta de 1670, matar Ganga-Zumba e Zumbi virou questão de honra para o governo português. Mas, em 1678, a raiva já tinha passado um pouco. Cansado das derrotas seguidas, o governador-geral propôs um acordo de paz. Ganga-Zumba aceitou, e deixou Palmares com algumas centenas de seguidores. Ele morreu pouco tempo depois, e há quem diga que foi Zumbi que mandou envenená-lo por ter abandonado seu povo. O novo líder do quilombo não quis saber de trégua. Em 1690, o governo enviou o bandeirante Domingos Jorge Velho para atacar a região. Apanhou na primeira tentativa, mas voltou em 1692, com 9 mil homens e alguns canhões. Depois de semanas de luta, os bandeirantes invadiram a capital de Palmares. Zumbi fugiu. Ele só viveria mais um ano, até ser traído e morto por um companheiro, Antônio Soares. Os bandeirantes deram ao corpo de Zumbi o destino de várias outras pessoas que na época eram consideradas traidoras da pátria. Seus olhos foram arrancados, sua mão direita foi cortada e seu pênis foi decepado e enfiado em sua própria boca. Já a cabeça foi salgada e levada para Recife, onde apodreceu em praça pública.

A lenda do suicídio coletivo
Logo depois de se aproximar de Zumbi e cumprimentá-lo, o traidor Antônio Soares o matou com uma punhalada. É assim que os historiadores acreditam que o líder dos Palmares foi assassinado. Mas, antigamente, existia uma outra explicação, bem mais dramática. “Até o início dos anos 60, os historiadores diziam que Zumbi e seus seguidores tinham cometido suicídio ao se atirar dos penhascos da serra da Barriga”, diz o historiador Flávio Gomes. Não é verdade, mas essa lenda pode ter surgido por causa de uma das últimas batalhas da guerra de resistência. O bandeirante Jorge Velho construiu uma muralha de apoio, em diagonal, para levar seus canhões para perto do quilombo. A única forma de atacá-la era subir por um barranco. Alguns quilombolas tentaram usar essa estratégia para fazer um ataque-surpresa contra o bandeirante. Quem era baleado rolava pelo barranco, o que pode ter dado a falsa impressão de suicídio.
Saiba mais
• A Hidra e os Pântanos, Flávio Gomes, Unesp, 2005. Compara os quilombos do Brasil com outros grupos de rebeldes em outros países do continente
• Palmares, Ontem e Hoje, Pedro Paulo Funari e Aline V. de Carvalho, Jorge Zahar, 2005. Ótima introdução à história do quilombo. O professor Funari trabalhou nas primeiras escavações feitas no local

Fonte: Aventuras na História.
Para saber mais, disponibilizamos pra você um endereço com diversos outros links de acesso. Clique aqui.

OPINIÃO DO LEITOR

Olá,boa tarde, fico feliz em ver espaços como estes, de temas tao relevantes em especial ao Povo Negro Povo marcado,onde faz brilhatimente referencia academica de um grande Dr .Ubiratan Castro de Araujo.
Aproveito o tema sem me aproveitar, de forma particular,mas se faz nessesario lucidar a ocorrencia do que esta acontecendo ,com referencia ao 13 de maio eo sentido da data em especial ao Bembé do mercado em Santo Amaro,que corre o risco de perder o sentido memorial do evento socioreligioso,para folclorizaçao e comercializaçao. de costumes.
Cidadão.compositor,negro e candomblecista.
Agradecemos também a D.Zilda Paim,Maria Mutti,Ana Rita Araújo ,D.Canô e Ubiratan Castro Araújo, que enriquecem de forma oral ou acadêmica, a memória na resistência da cultura respeitando as tradições.
Ass;
Josenilson Aragão Cerqueira Ney Didan

Santo Amaro, Ba.

Faz Historia no 13 de maio de 1889 no Bembé do Mercado, quando a cidade foi palco, relevante, das primeiras expressões de manifestações apos a abolição, de cunho sociocultural e religioso no Brasil,evento este proferido liturgicamente em praça publica. Ao longo dos anos o sentido real da festa,se perdeu,em alguns períodos, ficando mais no imaginário popular de forma oral aos que praticavam,e os que ouviam falar,e sem registros oficiais,provavelmente pela resistência imposta por toda uma classe social, que ainda inseridas no contesto da cidade “NAQUELA ÉPOCA “ obvio pelas elites, os brancos e capitães mestiços do mato,que não aceitavam os abolidos,como gente cidadã, marginalizando excluindo da sociedade e evidenciando o não interesse por coisa de preto, em todos segmentos,mesmo porque, ate os pro pios,brancos e negros militantes abolicionistas,da bahia não fizeram referencia da festa,como marco,exaltando o sentido da grandeza minuciosa deste
evento.Por tanto, 13 de maio de 2009 foi o dia `D´ da reflexão ou do inicio de uma nova abolição, de idéias,impostas e encravadas na memória dos afro-descendentes,culturalmente colonizados, que nada sabe ainda da avalia do seu povo, e que esse evento, saibamos diagnosticar lucidamente os interesses e motivos reais de sua evidencia hoje na sociedade, depois de 120 anos, sendo reconhecida pela sociedade, que antes oprimida e esquivada o nosso Bembé,que mts anos foi sucumbida,pela historia da Bahia, á sua notoriedade e sua grandeza na historiografia brasileira,tenhamos cuidado para que a festa não se transforme nada mais, de um canal de interesses avessos ao do sentido real, e seja desviado para interesses políticos,interesses financeiros,etc.e assim seja apenas fonte de promoção para uma pequena parcela da sociedade dominante que se beneficie mais uma vez da coisas de preto,e novamente provocar-mos, equívocos históricos,perdendo nossas referencias do que á nos é de
direito,a nossa cultura a nossa crença,a nossa fé,e erroneamente poderemos criar o folclore do Bembé do Mercado,pra turista ver!!! Já é chegado a hora do povo mudar, e façamos dos nossos saberes armas, contra a exclusão de nossa historia,que não deixemos folclorizar a memória á fé, do nosso povo tão sofrido mais vibrantemente cheios de axé!.Assim o tema pautado no 13 de maio 2009 foi“Qual o sentido real da Festa do Bembé“ á tão genuína e relevante,festa do Bembé do Mercado,abordado em mesa redonda,compreendida por convidados especiais,expuseram assim suas interpretações sobre a festa de 120 anos.
Veja o vídeos da festa,que revela dois entendimentos e discurso da festa.O poeta e compositor Caetano Veloso.fala do Bembé.

O discurso dos demais convidados exibidos pelo Mosaico Baiano.
,em especial Ana Rita Araújo Machado,historiadora,negra cidadã, santamarensse ,que pesquisou o Bembé.

E viva “O candomblé do Mercado“Viva o Bembé!!
Viva todos aqueles que fizeram e faz desta festa a continuidade da historia, para toda posteridade, mostrando a tradição de Fé cultura e resistência do negro de ontem do negro ao hoje
Cidadãos genuinamente brasileiros.
Em especial damos Viva tds ORIXAS,viva a mãe OXUM a YEMANJA,que espiraram aos idealizadores voduncis q fez fé com tradições cidadania
VIVA.Ao Zé de Obá !Ao Tidu do Pilar!!Ao Nôca de Jacó.!
E agradecimentos dos afrodecendentes,aos mantenedores da tradição.
A Ya mãe Donalia!A Ya mãe Belinha!A Ya mãe Lídia!Ao Pai Poty José Raimundo,Agradecendo também a todos os 30 Terreiros que participaram MaesYas,Ogans,Equedis,Yaos,apreciadores.Viva ao povo negro.
Agradecemos também a D.Zilda Paim,Maria Mutti,Ana Rita Araújo ,D.Canô e Ubiratan Castro Araújo, que enriquecem de forma oral ou acadêmica, a memória na resistência da cultura respeitando as tradições historicas.

Ass;
Josenilson Aragão Cerqueira Ney Didan,
Cidadão.compositor,negro e candomblecista.





CURIOSIDADES SOBRE A ESCRAVIDÃO NEGRA NO BRASIL

8 05 2009

escravidão i
Favor não tomar estes escritos como uma romantização da escravidão negra no Brasil. O sofrimento dos escravos perdura até os dias atuais em seus descendentes, e quase são inesgotáveis, as formas de percepção do preconceito que se abate sobre os herdeiros daqueles que outrora – com sangue, suor e vidas perdidas – constribuiram decisivamente para as bases do desenvolvimento econômico, cultural e social deste país.

Seguem publicadas aqui, algumas curiosidades do cotidiano dos escravos/as no período colonial brasileiro que podem nos dar uma vaga idéia da dureza e crueza da vida dessas pessoas no seu fazer diário.

1. Terra de branco, a Casa Grande era fortaleza, banco, escola e hospedaria;

2. Na sala, as orações eram feitas em latim. Os africanos reinterpretavam: RESURREXIT SICUT DIXIT ( ressuscitou, como havia dito), que virou, na prática, “reco-reco Chico disse”;

3. Crianças brancas e negras andavam nuas e brincavam até os 5 ou 6 anos anos de idade. Tinham os mesmos jogos, baseados nos mesmos personagens fantásticos do folclore africano. Mas aos 7 anos, a criança negra enfrentava sua condição e precisava começar a trabalhar;

4. Não havia escola para escravos e forros, mas, algumas poucas vezes, aqueles que trabalhavam na casa-grande, bilingues na prática, ia à sala de aula;

5. A cozinha era muito valorizada na casa-grande. Conquistou o gosto dos europeus e brasileiros para os pratos de origem africana como vatapá e caruru, comuns na mesa patriarcal do Nordeste. A cozinha ficava num anexo da casa, separada dos cômodos principais por depósitos ou áreas internas ;

6. A senzala, um único espaço se destinava ao lazer e sono de todos os escravos;

7. Normalmente, divisões internas da senzala separavam homens e mulheres. Mas, algumas vezes, era permitido aos poucos casais aceitos pelo senhor morarem em barracos separados, de pau-a-pique, cobertos com folhas de bananeira;

8. Aos domingos, os escravos tinham direito de cultivar mandioca e hortaliças para consumo próprio. Podiam, inclusive, vender o excedente na cidade. A medida combatia a fome do campo, pois a monocultura de exportação não dava espaço a produtos de subsistência;

9. Quando a noite caia, o som dos batuques e dos passos de dança dominava a senzala. As festas e outras manifestações culturais eram admitidas, pois a maioria dos senhores acreditava que isso diminuia as chances de revolta;

10. Em Salvador, primeira capital do Brasil, quase a metade da população era escrava;

11. Com a expansão das cidades, multiplicam-se escravos urbanos em ofícios especializados, como pedreiros, vendedores de galinhas, barbeiros e rendeiras. Os carregadores zanzam de um lado a outro, levando baús, barris,, móveis e, claro, brancos.

12. Forras quituteiras faziam doces de tabuleiro e rivalizavam com as receitas das escravas que pilotavam as cozinhas das senhoras. Além de atrair clientes, elas tinham de cuidar dos filhos, brincando à sua volta. Pelas ruas das cidades, haviam crianças aos montes e muito barulho;

13. Nas esquinas, forros e escravos de mesmas etnias ou ofícios se reuniam à espera de clientes. Eram “cantos”, agrupamentos estimulados pela administração pública, que instigaca hostilidades entre os negros para evitar a associação em massa contra a elite branca.

Fonte: Aventuras na História.

No espaço para “comentários”, o leitor/leitora pode contribuir com suas análises, criticando, aprofundando e acrescendo o texto com mais riqueza de informações. Estes comentários podem ser publicados aqui no Mania de História, a depender da qualidade e pertinência dos mesmos.
joaquim

Nota: O Pernambucano Joaquim Nabuco foi e é tido por muitos como um dos grandes abolicionistas do Brasil. De fato, a história não pode negar-lhe esta bandeira, mas em sua trajetória de vida são encontradas muitas fissuras e contradições que são explicadas como: “era um homem de seu tempo”.
Clicando aqui, você encontrará um artigo da revista Veja (2005) com observações bem postas a respeito da formação e das idéias do renomado embaixador e defensor do fim da escravidão no Brasil.

O fator Nabuco (Revista Continente Multicultural)

Quem quiser saber sobre a vida da Princesa Isabel, clique aqui.





POVO NEGRO, POVO MARCADO

10 05 2009

1. Foram 350 anos de trabalho forçado, humilhação, de fugas, mas também de resistências, assimilações e trocas culturais ;
2. A maior leva de negros/negras escravizados de toda a América do Sul; Somos o 2º maior País negro do Planeta atrás apenas da Nigéria ;
3. A última abolição a ser declarada e oficializada no mundo dito “moderno” e em plena Revolução Industrial e posteriormente abandonados pelos que levantaram a bandeira da “liberdade”;
4. Um dos países mais racistas do planeta em face da desigualdade entre seus semelhantes e em especial, entre os oriundos da raça negra;
5. São infindáveis os mecanismos de discriminação e aviltamento da pessoa humana cometidos até hoje contra o povo negro em terras brasileiras, a contar pelos que morrem primeiro, pelos mais suspeitos, pelos que estão fora das universidades e superlotam as penitenciarias;
6. Os índices sociais e econômicos apontam para um sofrimento e um apartheid ainda fortemente presentes entre aqueles ligados a Mãe África ou os afrodescendentes;
7. O Brasil se apresenta para o mundo como uma democracia racial e talvez, por isso, seja uma das formas mais sorrateiras e maldosas de se punir os herdeiros da escravidão pela sua “liberdade” forçada pela Revolução Industrial e pelas lutas desde a colonização dos quilombolas e posteriormente abolicionistas.

O 13 de maio não é uma data comemorativa para o povo negro e seus descendentes, é verdade. Mas não podemos deixá-la passar, sem reflexão, sem discussão, sem análise da realidade presente e principalmente sem o vislumbro do que poderemos ser de melhor como fruto de nossas ações.

Como singela contribuição apresentamos uma sólida análise do Prof. Dr. Ubiratan Castro de Araújo, que a partir da realidade baiana, traça uma panorâmica dos efeitos da escravidão do ponto de vista histórico em terras brasileiras e aponta-nos alguns caminhos de reparação necessários àqueles que sofreram/sofrem um dos maiores atentados aos direitos humanos da civilização moderna e pós-moderna.

PARA LER O EXCELENTE ARTIGO DO HISTORIADOR UBIRATAN CASTRO DE ARAÚJO, CLIQUE AQUI.

negrosnegros inegros ii

O TRÁFICO DE SERES HUMANOS HOJE. CLIQUE AQUI.

OPINIÃO DO LEITOR

Olá,boa tarde, fico feliz em ver espaços como estes, de temas tao relevantes em especial ao Povo Negro Povo marcado,onde faz brilhatimente referencia academica de um grande Dr .Ubiratan Castro de Araujo.
Aproveito o tema sem me aproveitar, de forma particular,mas se faz nessesario lucidar a ocorrencia do que esta acontecendo ,com referencia ao 13 de maio eo sentido da data em especial ao Bembé do mercado em Santo Amaro,que corre o risco de perder o sentido memorial do evento socioreligioso,para folclorizaçao e comercializaçao. de costumes.
Cidadão.compositor,negro e candomblecista.
Agradecemos também a D.Zilda Paim,Maria Mutti,Ana Rita Araújo ,D.Canô e Ubiratan Castro Araújo, que enriquecem de forma oral ou acadêmica, a memória na resistência da cultura respeitando as tradições.
Ass;
Josenilson Aragão Cerqueira Ney Didan

Santo Amaro, Ba.Faz Historia no 13 de maio de 1889 no Bembé do Mercado, quando a cidade foi palco, relevante, das primeiras expressões de manifestações apos a abolição, de cunho sociocultural e religioso no Brasil,evento este proferido liturgicamente em praça publica. Ao longo dos anos o sentido real da festa,se perdeu,em alguns períodos, ficando mais no imaginário popular de forma oral aos que praticavam,e os que ouviam falar,e sem registros oficiais,provavelmente pela resistência imposta por toda uma classe social, que ainda inseridas no contesto da cidade “NAQUELA ÉPOCA “ obvio pelas elites, os brancos e capitães mestiços do mato,que não aceitavam os abolidos,como gente cidadã, marginalizando excluindo da sociedade e evidenciando o não interesse por coisa de preto, em todos segmentos,mesmo porque, ate os pro pios,brancos e negros militantes abolicionistas,da bahia não fizeram referencia da festa,como marco,exaltando o sentido da grandeza minuciosa deste
evento.Por tanto, 13 de maio de 2009 foi o dia `D´ da reflexão ou do inicio de uma nova abolição, de idéias,impostas e encravadas na memória dos afro-descendentes,culturalmente colonizados, que nada sabe ainda da avalia do seu povo, e que esse evento, saibamos diagnosticar lucidamente os interesses e motivos reais de sua evidencia hoje na sociedade, depois de 120 anos, sendo reconhecida pela sociedade, que antes oprimida e esquivada o nosso Bembé,que mts anos foi sucumbida,pela historia da Bahia, á sua notoriedade e sua grandeza na historiografia brasileira,tenhamos cuidado para que a festa não se transforme nada mais, de um canal de interesses avessos ao do sentido real, e seja desviado para interesses políticos,interesses financeiros,etc.e assim seja apenas fonte de promoção para uma pequena parcela da sociedade dominante que se beneficie mais uma vez da coisas de preto,e novamente provocar-mos, equívocos históricos,perdendo nossas referencias do que á nos é de
direito,a nossa cultura a nossa crença,a nossa fé,e erroneamente poderemos criar o folclore do Bembé do Mercado,pra turista ver!!! Já é chegado a hora do povo mudar, e façamos dos nossos saberes armas, contra a exclusão de nossa historia,que não deixemos folclorizar a memória á fé, do nosso povo tão sofrido mais vibrantemente cheios de axé!.Assim o tema pautado no 13 de maio 2009 foi“Qual o sentido real da Festa do Bembé“ á tão genuína e relevante,festa do Bembé do Mercado,abordado em mesa redonda,compreendida por convidados especiais,expuseram assim suas interpretações sobre a festa de 120 anos.
Veja o vídeos da festa,que revela dois entendimentos e discurso da festa.O poeta e compositor Caetano Veloso.fala do Bembé.

O discurso dos demais convidados exibidos pelo Mosaico Baiano.
,em especial Ana Rita Araújo Machado,historiadora,negra cidadã, santamarensse ,que pesquisou o Bembé.

E viva “O candomblé do Mercado“Viva o Bembé!!
Viva todos aqueles que fizeram e faz desta festa a continuidade da historia, para toda posteridade, mostrando a tradição de Fé cultura e resistência do negro de ontem do negro ao hoje
Cidadãos genuinamente brasileiros.
Em especial damos Viva tds ORIXAS,viva a mãe OXUM a YEMANJA,que espiraram aos idealizadores voduncis q fez fé com tradições cidadania
VIVA.Ao Zé de Obá !Ao Tidu do Pilar!!Ao Nôca de Jacó.!
E agradecimentos dos afrodecendentes,aos mantenedores da tradição.
A Ya mãe Donalia!A Ya mãe Belinha!A Ya mãe Lídia!Ao Pai Poty José Raimundo,Agradecendo também a todos os 30 Terreiros que participaram MaesYas,Ogans,Equedis,Yaos,apreciadores.Viva ao povo negro.
Agradecemos também a D.Zilda Paim,Maria Mutti,Ana Rita Araújo ,D.Canô e Ubiratan Castro Araújo, que enriquecem de forma oral ou acadêmica, a memória na resistência da cultura respeitando as tradições históricas.

Ass;
Josenilson Aragão Cerqueira Ney Didan,
Cidadão.compositor,negro e candomblecista.





DIA INTERNACIONAL DO MUSEU – 18 DE MAIO

16 05 2009

museu do homem
O propósito principal de um museu é de salvaguardar e preservar o patrimônio como um todo. Os museus realizam estudos científicos necessários à compreensão e o estabelecimento do significado e da posse desse patrimônio. Neste sentido, os museus colaboram para gerar uma ética global baseada na prática da conservação, proteção e difusão dos valores do patrimônio cultural. A missão educacional de um museu, seja ele de qualquer natureza, é tão importante quanto sua missão científica. Os museus também são locais onde as relações entre cultura e natureza são mostradas: há um número crescente de museus enfocando seus interesses nas ciências, na natureza e na tecnologia.
Fonte: Unesco

Conheça alguns dos principais Museus com seus endereços e telefones para contato e agendamento de visitas no estado de Pernambuco/Brasil.

MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA (MAC)
Rua treze da maio, 149, Varadouro – Olinda
Fone: 3429-2587

MUSEU DO HOMEM DO NORDESTE
Av. 17 de agosto, 2187, Casa Forte – Recife
Fone: 3073-6363

MUSEU DO BARRO DE CARUARU
Pça. Coronel José de Vasconcelos, 100, Centro – Caruaru
Fone: 3701-1533

MUSEU REGIONAL DE OLINDA
Rua do Amparo, 128, Amparo – Olinda
Fone: 3493-0018

MUSEU DE ARTE SACRA DE PERNAMBUCO
Rua Bispo Coutinho, 126 – Olinda
Fone: 3429-0032

INSTITUTO ARQUEOLÓGICO, HISTÓRICO E GEOGRÁFICO
Rua do Hospício, 130, Boa Vista – Recife
Fone: 3222-4952

MUSEU OFICINA DE FRANCISCO BRENNAND
Propriedade Santos Cosme e Damião, s/n, Várzea – Recife
Fone: 3271-2466

CASA DO CARNAVAL
Cais da Detenção, s/n, Santo Antonio – Recife
( Em frente ao Pátio de São Pedro)

MUSEU DO ESTADO DE PERNAMBUCO
Av. Rui Barbosa, 960, Graças – Recife
Fone: 3427-9322

INSTITUTO CULTURAL BANCO REAL
Av. Rio Branco, 23, Bairro do Recife – Recife
Fone: 3224-1110

MUSEU DO MAMULENGO
Espaço Tiridá – Olinda
Rua de São Bento, 144, Varadouro
Fone: 3493-2753

MUSEU DA CIDADE DO RECIFE
Forte da Cinco Pontas, s/n, Bairro de São José – Recife
Fone: 3232-2812

MEMORIAL CHICO SCIENCE
Pátio de São Pedro, casa 21, Bairro de São José – recife
Fone: 3232-2492

MEMORIAL LUIZ GONZAGA

Pátio de São Pedro, casa 35, Bairro de São José – Recife
Fone: 3232-2965

MUSEU DE ARTE POPULAR DO RECIFE
Pátio de São Pedro, casas 45 e 49, Bairro de São José – Recife
Fone: 3232-2492

INSTITUTO RICARDO BRENNAND
Alameda Antônio Brennand, s/n, Várzea – Recife
Fone: 2121-0352

MUSEU FORTE DO BRUM
Pça. Luiz-Brasileira, s/n, Bairro do Recife – Recife
Fone: 3224-4620

MUSEU MURILLO LA GRECA
Rua Leonardo Bezerra Cavalcanti, 366, Parnamarim – Recife
Fone: 3232-4276

MUSEU DA ABOLIÇÃO
Rua Benfica, 1150, Madalena – Recife
Fone: 3228-3248

MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL LOUIS JACQUES BRUNET
Rua da Aurora, 703, Santo Amaro – Recife
Fone: 3303-5315





ENEM – FIQUE POR DENTRO

17 05 2009

enem2009

FIQUE POR DENTRO DO ENEM 2009. CLIQUE AQUI.





RECONHECIMENTO

20 05 2009

Vez por outra alguns de nossos visitantes deixam comentários e críticas que são todas levadas em muita consideração. Tanto as elogiosas, quanto as que sugerem mudanças e fazem críticas mais severas.
Porém, não poderíamos deixar de publicar esta opinião (reproduzia logo abaixo), que pela área de atuação de quem escreveu – uma agência de publicidade de uma grande editora – tem obviamente um peso e ressonância muito grande.
Nós, que fazemos o Mania de História, agradecemos, e nos cobrimos de uma responsabilidade ainda maior.

Luís Carlos Lins
– Editor -

Olá, tudo bem? Sou a Cecília e trabalho na Edelman, que é a agência de comunicação da Jorge Zahar Editor. Excelente blog, com bastante informação relevante. Muitos dos temas dos posts têm sincronia com a linha editorial da Zahar. No livro “Escravidão e abolição no Brasil”, os autores fazem uma revisão completa sobre diversas obras publicadas sobre o assunto. Pode ser de interesse – http://www.zahar.com.br/catalogo_detalhe.asp?id=0138&ORDEM=A
Abraços!





O PASSADO NO PRESENTE, O PRESENTE NO FUTURO.

20 05 2009

dedo de deus
Muitas pessoas já devem ter refletido sobre como projeções do passado tornaram-se realidade. O que era apenas ficção, ganhou concretude, ficou presente em nossas vidas.
Sobre este tema, o programa Espaço Aberto da Globo News, fez um documentário muito esclarecedor, que abre nossas perspectivas inclusive, em relação a um futuro cada vez mais acelerado e próximo. Um professor de hipermídia da Universidade de Westminster e o cientista-chefe da IBM no Brasil avaliam as ideias que pareciam ser ficção científica no passado e que hoje convivemos com elas em nosso dia-a-dia.

Clique aqui e assista o vídeo. Imperdível!

HISTÓRIA DA TECNOLOGIA. CLIQUE AQUI.





MAIO NA HISTÓRIA

23 05 2009

invasao_holandesa
TEM HOLANDÊS NA BAHIA

“Não se ouviam por entre as matas senão os gemidos lastimosos das mulheres que iam fugindo; as crianças choravam pelas mães, e elas pelos maridos, e todos, segundo a fortuna de cada um, lamentavam sua sorte miserável” – Padre Antonio Vieira
O breve relato do ainda noviço, Pe Vieira, nos dá uma noção do impacto causado pela invasão holandesa na cidade de Salvador, em 2 de maio de 1624, que chegaram com 26 navios, comandados pelo almirante Jacob Willekens.
Para saber mais sobre os reais interesses que cercaram a invasão e a posterior presença holandesa no Nordeste do Brasil, clique aqui.

guerra

GUERRA CONTRA O PARAGUAI

No dia 1º de maio de 1865, reunidos em Buenos Aires, os representantes da Argentina, Brasil e Uruguai, assinam o Tratado da Tríplice Aliança, com o intuito de combater e derrotar o Presidente Paraguaio Solano López.

Saiba mais sobre este episódio, os interesses envolvidos, e que marca até os dias de hoje as relações entre Brasil e Paraguai. Clique aqui.

SÍMON BÓLIVAR, O LIBERTADOR (CLIQUE AQUI)





TEMPO PRESENTE: INJUSTIÇA CONTRA OS ÍNDIOS XUKURU DO ORORUBÁ

30 05 2009

marcos
Parece hilário, para não dizer trágico! Após a colonização portuguesa -macomunada com a Santa Igreja Católica Apostólica Romana -, ter dizimado (mediante armas brancas, de fogo e biológicas), milhares de índios em terras brasileiras, o poder econômico e a truculência continuam tentando dar às cartas pelas bandas do sertão -onde resistem bravamente os Xukurus de Ororubá. Incriminando as vítimas da luta perversa pelo DIREITO SAGRADO A TERRA E A CULTURA e contra a negação da identidade dos povos autóctones. Mas apesar da violência que se arrasta desde tempos remotos, a articulação e o poder de mobilização dão o tom neste momento em que querem punir com a prisão o cacique Marcos, filho do saudoso cacique Xicão.
Cartas, Manifestos, Religiosos, Intelectuais, Personalidades de vários recantos deste imenso Brasil, têm prestado apoio não só à causa do Cacique Marcos, mas acima de tudo, à causa dos povos primeiros de nossa terra.
Abaixo, reproduzimos várias dessas manifestações que nos foram enviadas pelo Professor e Pesquisador da UFPE, Edson Hely Silva e o Mania de História se soma a essa corrente de luta por justiça ao Cacique Marcos e os Xukurus.

NOTA DE SOLIDARIEDADE AO POVO XUKURU DO ORORUBÁ

Nós Pesquisadores, Professores e Estudantes do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães/FIOCRUZ, da Universidade de Pernambuco, da Universidade Federal Rural de Pernambuco e da Universidade Federal de Pernambuco, que trabalhamos com a temática da Saúde e Ambiente na Etnia Indígena Xukuru do Ororubá:

Conhecemos os processos históricos de esbulhos, perseguições, violências, assassinatos e prisões de lideranças do povo Xukuru que se organiza, se mobiliza e se articula para reivindicar e garantir seu território e seus direitos;
Sabemos que apesar da demarcação de considerável parte do território tradicional Xukuru, continuam as perseguições àquele povo;
E, em razão dos 43 indígenas processados, dos 31 condenados, dois presos e da recente condenação judicial de seis xukurus, incluindo o Cacique Marcos, expressamos a nossa grande indignação pelas contínuas ingerências externas de grupos e forças econômicas e políticas que objetivam a desmoralização do povo Xukuru e de suas lideranças, provocando conflitos e procurando impedir o pleno desenvolvimento desse povo.
Identificamos a criminalização como um problema de saúde pública que acarreta, além das repercussões psicológicas e psicossomáticas das lideranças, de seus familiares e de outros membros da etnia, o grande aumento de medicalização de antidepressivos constatado inclusive pelas autoridades sanitárias.

Vimos manifestar publicamente a nossa solidariedade ao povo Xukuru do Ororubá, diante do contínuo processo de criminalização de suas lideranças.

Esperamos que as decisões judiciais levem sempre em conta o amplo e livre direito de defesa, os processos históricos, os contextos políticos e as atuais situações vivenciadas pelo povo Xukuru.

Por fim, reafirmamos o nosso propósito de continuar colaborando com o povo Xukuru para conquista, garantia e consolidação de seus direitos junto à comunidade científica, os poderes públicos e a sociedade em geral, que devem ter em consideração as formas socioculturais próprias Xukuru.

Recife, 28 de maio de 2009

André Monteiro Costa

Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães/FIOCRUZ – Pesquisador Doutor e Chefe do Departamento de Saúde Coletiva

Idê Gomes Dantas Gurgel

Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães/FIOCRUZ – Pesquisadora Doutora
Paullete Cavalcanti de Albuquerque

Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães/FIOCRUZ e Universidade de Pernambuco – Pesquisadora e Professora Doutora

Edson Hely Silva

Colégio de Aplicação e Centro de Educação/UFPE – Professor Doutor
Rafael da Silveira Moreira

Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães/FIOCRUZ – Pesquisador Mestre

Tatiane Fernandes Portal de Lima

Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães/FIOCRUZ – Colaboradora/Assistente de pesquisa Mestre
Ederline Suelly Vanini Brito

Universidade de Pernambuco – Enfermeira, colaboradora/Assistente de pesquisa
Ana Lucia Martins de Azevedo

Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães/FIOCRUZ – Doutoranda

Ludimila Raupp de Almeida

Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães/FIOCRUZ – Bióloga, colaboradora/Assistente de pesquisa
Angélica Sá

Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães/FIOCRUZ – Odontóloga, residente em Saúde Coletiva
Ana Catarina Veras Leite

Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães/FIOCRUZ – Mestranda

Juliana Siebra

Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães/FIOCRUZ – Residente em Saúde Coletiva
Marcondes Pacheco

Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães/FIOCRUZ – Sociólogo, colaborador/Assistente de pesquisa
Simone Brito

Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães/FIOCRUZ – Psicóloga, colaboradora/Assistente de pesquisa

Carlos Fernando dos Santos Júnior

Universidade Federal de Pernambuco – Bacharelando em História
Alyne Isabelle Ferreira Nunes

Universidade de Pernambuco – Licencianda em História

Luiz Paulo Pontes Ferraz

Universidade Federal de Pernambuco – Licenciando em História

Bruna Fernandes Teixeira Cavalcanti

Universidade Federal de Pernambuco – Licencianda em História

Júlia Ribeiro da Cruz Gouveia

Universidade Federal de Pernambuco – Licencianda em História

Edmundo Cunha Monte Bezerra

Universidade Federal Rural de Pernambuco – Licenciado em História
Denise Batista de Lira

Universidade Federal Rural de Pernambuco – Licenciada em História

DECLARAÇÃO DO BISPO DE PESQUEIRA

APÓS A CONDENAÇÃO DO CACIQUE MARCOS LUIDSON, LÍDER DO POVO XUKURU

Lamento muito a condenação do cacique Marcos Luidson, líder do povo Xukuru, assim como a prisão “preventiva” de Rinaldo Feitosa Vieira e a criminalização de várias lideranças do povo Xukuru.

Por exercermos a cidadania, respeitamos as decisões da justiça e a autoridade dos delegados e das polícias. A pergunta que surge, após esta afirmação de respeito, é se a justiça é exercida de forma isenta e imparcial e se as ações policiais são realizadas de forma respeitosa dos direitos humanos fundamentais, também a respeito das minorias, entre as quais incluímos os indígenas.

Não é um chavão repetir a afirmação que sempre são presos, punidos e condenados os mais pobres e os mais indefesos: é uma realidade! Como é possível condenar sumariamente uma liderança sem antes ter ouvido as testemunhas, cerceando assim o direito de defesa? Como é possível prender antecipadamente um acusado sem provas, só com o “pretexto” de que se trata de uma pessoa “perigosa”? Já declarei por escrito e reafirmo que o Rinaldo é uma das pessoas mais pacíficas que tenha conhecido e de boa família. Desde o direito romano vale o princípio que uma pessoa é considerada inocente de qualquer crime até que seja provado o contrário! Trata-se de um princípio universal, aceito em todos os códigos e em todas as culturas.

Temos a impressão que a justiça no nosso país seja um poder dentro do poder, exercido em certos casos arbitrariamente e sem nenhum controle social! Ainda numa sociedade que se proclama democrática, como a nossa, a violência policial e o desrespeito dos direitos humanos acontecem à luz do sol, deixando-nos pasmos e impotentes! Só a imprensa, às vezes denuncia de forma eclatante alguns desses abusos, e normalmente, passado o impacto da notícia, depois de uma semana a própria denúncia cai no esquecimento!

Costumo dizer, até brincando, que também os índios, como os brancos, não são isentos do “pecado original”! Se houve crimes, seja de índios como de brancos, seja de pobres como de ricos que sejam averiguados e punidos, atendendo a todas as formalidades da lei que garante para todos, brancos e índios, liberdade, defesa e apresentação de provas!

Criminalizar uma nação indígena significa minar a sua auto estima, exercer a tentativa da divisão interna de um povo e, portanto, enfraquecer a sua luta diminuindo a sua resistência diante da cultura dominante.

Há quase seis anos conheço cada dia mais profundamente o povo Xukuru. Preparamos um padre e um diácono, através de cursos especializados no conhecimento da cultura indígena a fim de atender pastoralmente e de forma inculturada esta nação indígena e sempre mais estou convicto de que a alma deste povo é pacífica, orgulhosa de resgatar a sua cultura, altaneira na defesa de seus direitos.

Por isso cheguei à conclusão que a criminalização sistemática de suas lideranças não passa de uma armação de elites incomodadas com a sua organização ou até de autoridades que, tendo encontrado limites no exercício arbitrário de seu poder, estão retribuindo desta forma, que considero desumana, injusta e prevaricatória, às atitudes que o povo Xukuru tomou, na defesa de seus direitos e de suas prerrogativas.

Faço votos que as autoridades competentes tomem as providências cabíveis e que a justiça seja exercida de acordo com os cânones do direito, isenta de todo tipo de interesses a fim de estabelecer um clima de paz e de concórdia entre a sociedade civil de Pesqueira e a nobre nação Xukuru.

Pesqueira, 28 de maio de 2009

+ Dom Francisco Biasin

Bispo de Pesqueira

Peço a vocês do CIMI que façam chegar a nossa mensagem até o Marquinho.

Pedro Casaldáliga

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Querido povo Xukuru, povo do patriarca Xikão, mártir dos direitos do
seu povo; e do meu afilhado Marcos, o Marquinho, tão admirado.

Me associo ao testemunho de milhares do Brasil e do exterior, que
respaldam vossa luta pelos direitos fundamentais de terra, cultura,
justiça e paz. Denunciamos os fraudes, a corrupção comprada e a
insensibilidade de certas autoridades estaduais e federais.

Com vocês e com esses milhares de irmãos e irmãs solidários, louvamos
de coração a declaração tão certeira do Bispo de Pesqueira, Dom
Francisco e renovamos nosso compromisso de vivenciar a causa indígena,
e concretamente a causa Xukuru, em uma solidariedade fraterna.

O sangue dos nossos mártires e o testemunho dos nossos patriarcas e
matriarcas nos batizam de coragem e de esperança.

Recebam um forte abraço de comunhão e um beijo no coração de cada um e
na terra Xukuru mesmo.

Pedro Casaldáliga

LIBERDADE PARA O POVO XUKURU!

Como professores e alunos da Universidade Federal da Paraíba, vimos de público manifestar nossa solidariedade ao Povo Xukuru do Ororubá, em Pesqueira – PE, que vem sofrendo seguidos ataques e violações dos seus direitos sociais, por parte da ganância do latifúndio e da insensibilidade da Justiça, que tem penalizado seguidamente diversas lideranças e outros membros do Povo Xukuru.

Até o presente, tem-se conhecimento de 43 Indígenas processados, 31 condenados, dois presos, ao que se soma a recente condenação de mais seis, inclusive o Cacique Marcos Kukuru, sempre com o aval e a ingerência de poderosas forças econômicas e políticas da região, como numa orquestrada do processo de criminalização dos movimentos sociais e da pobreza, em curso no País.

Reivindicamos que a Justiça cumpra seu papel, inclusive assegurando ampla defesa aos acusados, o que nem sempre tem ocorrido.

João Pessoa, 30 de maio de 2009

Alder Júlio Ferreira Calado

Marcos Antônio Freitas de Araújo

Eízia de Assis Romeu

Thayse Carla Barbosa Ribeiro

Ana Maria Fernandes da Silva

Glaucineth C. de Albuquerque Lima

Cristiane Cavalcanti Freire

Elismar Maria Nunes de Sousa

Márcio de F. Lucena Lira

Almira Almeida C.

Jussara F. de Sousa

Fernanda Wachesi

Juliana Carneiro do Nascimento

Enyjeanny Machado

Surya A. de Barros

Marcelo Xavier de Oliveira

João Paulo da Silva

Amanda M. Vaz de Lima

Waldomiro Cavalcanti da Silva

Alexandre Gadelha Reis

Edvaldo Carvalho

Rejane G. Carvalho

Edilane A. Heleno

Rubens Elias da Silva

Rolando Lazarte

Flávio Nascimento

Gabriela de Souza Arruda

Henry Tavares de Araújo

Wanessa Belarmino de Morais

Giulia Carolina de Melo

Francisco Xavier Pereira da Costa

Yure Silva Lima

Mara Edilara B. de Oliveira

Shousne Itoinhora Freire Nunes

Paula A. Coelho

Márcio Marciano

Jacqueline Alves Carolino

Ariana N. R. Oliveira

Adathiane Farias de Andrade

Emanuel Luiz Pereira da Silva

Josefa Adelaide Clementino Leite

Ângela Maria Pereira

Custodia Brito de Araujo

Felipe Baunilha T. de Lima

Paulo Jorge Barreira Leal

Maria de Fátima Pereira Alberto

Coralina Morais

Jailton dos Santos Silva

Cleonice Lopes

José Inaldo Chaves Jr

Jonathan Elias Teixeira Lucena

Nilza Maria Fernandes Barreto

Raissa Vale Miranda Cavalcante

Kelly Samara do N. Silva

Francisco Ramos de Brito

Anselmo de Oliveira Nunes

Edgard Afonso Malagodi

Maria Patrícia ? Pereira

Tâmara Ramalho de Sousa

Gabriel Pereira de Sousa

Tamires R. Sousa

Melissa R. G. Sousa

Laís Azeredo Alves

Eymaral Mourão Vasconcelos

Bruno Pontes da Costa

Ana Elvira S.S. Raposo

Isabelle Maria Mendes de Araújo

Thiago F. de Castro

Maria Socorro Silva Miranda

Maria Rosangela da Silva

Abrahão Costa Andrade

Ivana Silva Bastos

Nathália Aquino de Carvalho

Arturo Gouveia de Araújo

Maria de Lourdes S. Leite

Marilene Inácio Pereira

Fernanda Gomes Mattos

André Berquó

Fellipe Souza

Artur Cavalcanti

Núbia Roberta A. da Costa

Francisca Rodrigues

Josimery Amaro de Melo

Kallyne Lígia Dantas e Dantas

Rebeca Medeiros da S. Santos

Lívia Lima Pinheiro

Lucas Trindade da Silva

Artur Barbosa L. Maia

Serge Katembera

Romero Antonio de M. Leite

Lucicléa Teixeira Lins

Maria Costa

Jorge Mário Fernandes

Marlene Eduardo dos Santos

Solange P. Góes Silva

Camila Maria Gomes Pinheiro

Mayk Andrade do Nascimento

Emilia de Rodat F. Moreira

Janilson Nóbrega

Araújo Nascimento

Janaína Brasileiro Formiga

Maria do Socorro Xavier Batista

/Luiz Gonzaga Gonçalves

Ernandes de Queiroz Pereira

Maria da Conceição Miranda Campelo

Romero Venâncio Júnior

Germana Alves Menezes

Maria do Socorro Xavier Batista

Luiz Gonzaga Gonçalves

Ernandes de Queiroz Pereira

Maria da Conceição Miranda Campelo

Romero Venâncio Júnior

Germana Alves Menezes

Senhores e Senhoras,

Eu sou Domilto Inaruri Karajá, estudante de direito na Universidade Federal do Tocantins, licenciado em Ciencias Matematicas pela Universidade do Estado do Mato Grosso, atualmente, eu estou fazendo o curso de especializaçao em Povos Indígenas, Direitos Humanos e Cooperaçao Internacional na Universidade Carlos III de Madrid em Espanha, sou membro da Uniao dos Estudantes Indígenas do Tocantins, Membro do Iny Mahadu Coordenaçao (Organizaçao Karaja), Instituto Teribre (organizaçao na aldeia Teribre).

O que acontecendo com os povos indígenas no Brasil, o fato é preocupante, qual pela estou se preparando melhor com intuito de enfrentar nos tribunais, estamos na era de enfrentamento ou de luta pelo qual os indigenas estao nao preparados. Pelos quais os jovens indigenas estao se aventurando em buscando dos conhecimentos juridicos e de outras areas que atendem necessidades dos povos.Entendo que a educaçao a melhor forma de preparar os jovens para enfrentarem novos desafios nas atualidades…

Os povos indigenas tem garantia constitucional no artigo 231 e que preveleça a favor, que nao acontecer de outra forma de colonizaçao, se refere as instituiçoes ou a administaçao de justiça no Brasil esta sendo usado pelos descedentes dos colonizadores ou matadores indígenas ,porque as instituiçoes foram os produtos de politica colonial. Espero que se aplicar a justiça historica, devolvendo a terra aos povos indígenas dessas terras e assim manter a dignidade humana como necessidade basica e o Estado garante a Paz para esse povo dando o direito a terra ja permanencia há muitos seculos antes da chegando dos colonizadores que mataram os indígenas aos defenderem as suas terras, esse tempo ja estrategia da resistencia dos povos indígenas.

E mantenha seguridade juridica e valores dos povos indigenas nos seus habit natural, e organizaçoes indigenas vem lutando intensamente na proteçao dos direitos indigenas, podemos considera isso descolonizaçao, democratizando o acesso a universidade federais e estaduais e desmercantizaçao, devemos buscar a emancipaçao, autonomia, democracia e a justiça social…

E que se aplique a justiça historica, chegar de matança dos lideranças indigenas…

Bom, eu vou elaborar carta de apoio junto colegas indigenas do Chile, Peru, Venezuela, Equador, Panama, Guatemala, Honduras,Colombia e Bolivia. Peço as informaçoes endereço eletronico para distribuir o apoio a esse Povo Indigena.

Saudaçoes Indígenas

Bill Karaja

PARA SABER MAIS SOBRE OS XUKURU DE ORORUBÁ, CLIQUE AQUI, E LEIA EXCELENTE ARTIGO DO PROF. EDSON HELY SILVA.





ESTAMOS TODOS DE PARABÉNS!

1 06 2009

Mês a Mês acompanhamos o desenvolver do Mania de História, os assuntos mais lidos, os comentários com críticas e sugestões dos leitores, e claro, a quantidade de visitas que recebemos.

E é com muita satisfação que detectamos uma crescente em números de acessos por parte daqueles que utilizam a internet como fonte de pesquisa e informação histórica.

De dezembro de 2008 ao mês de maio deste ano, foram mais de 54 mil acessos, num espaço que não tem propaganda, não visa o lucro de nenhuma forma e que se presta única e exclusivamente à (in) formação.

Estamos todos de parabéns! Nós que fazemos o Mania de História e você, que tem este espaço virtual para seu enriquecimento cultural.

Abraços,
- Equipe Mania de História -





PEQUENA HISTÓRIA DAS FESTAS JUNINAS

2 06 2009

festas
Nasceram com a fogueira, as celebrações da colheita. Portugueses juntaram-se a índios e africanos, e as festas viraram coisa nossa, as festas “joaninas”.

Texto: Ronaldo Evangelista
Produção e Fotos: Laura Huzak Andreato

Das comemorações brasileiras, as festas juninas estão entre as mais antigas e mais recheadas de histórias. Em nosso País, figuram ao lado do Natal e do Carnaval em popularidade. Ressaltemos seu caráter tão festivo, a animação e a quantidade de costumes e rituais. Fogueiras, bandeiras, danças, fogos de artifício, comidas, quermesses, pau-de-sebo, correio elegante, casamento caipira, balões, quentão, mil superstições.

De onde vêm tantas tradições? Por que dançamos quadrilha? Por que passamos a noite ao redor do fogo? Como tudo na história de nosso País, as festas juninas misturam rituais que se perdem nos confins da história, assimilados e adaptados ao jeito brasileiro.

Cai, cai, balão!
Você não deve subir
Quem sobe muito
Cai depressa sem sentir.
Cai, Cai, Balão (Assis Valente, 1956).

“Essas canções são diabólicas!”

O folclorista Gustavo Barroso (1888-1959), em O Sertão e o Mundo, escreve que a comemoração a que tradicionalmente chamamos festa de São João não é brasileira e muito menos católica. Ela é tudo o que há de mais profundamente humano e de mais visceralmente pagão. Velha como o mundo, se tem transformado ao sabor de cada meio e ao gosto de cada povo.

As milenares festas remontam a tempos bem anteriores à rememoração católica dos santos a cada dia de cada mês. Fontes apontam como provável origem dos festejos a celebração dos solstícios de verão, na França, em meados do século 12.

Gustavo Barroso, no livro citado, defende que devemos levar em consideração também as mais antigas festas em louvor de Agni, deus hindu do fogo (segundo o dicionário Houaiss, Agni é o fenômeno e a divindade do fogo, na mitologia védica).

A festa de São João é a festa de Agni, do fogo, a festa que comemora o solstício do verão, escreve Barroso. Lembra que, no século 7, antes de a Igreja popularizar o lado cristão das comemorações juninas, Santo Elói, em plena Idade Média, condenava aquelas festas “pagãs”:

“Não vos reunais”, dizia ele, numa encíclica aos diocesanos, na época dos solstícios. “Nenhum de vós deve dançar, ou pular em torno do fogo, nenhum de vós deve cantar no dia de São João. Porque essas canções são diabólicas!”

No Brasil, trazidas pelos portugueses com seus costumes europeus, as festas ganham ares de regozijo igualmente pelo período das colheitas, início do ano agrícola. O solstício de verão deles se torna o nosso solstício de inverno. A isso, somam-se aos poucos o sentido religioso introduzido pelo cristianismo, os costumes dos indígenas e os dos escravos africanos.

Assim, as festas juninas constituem produto único e nacionalíssimo, resultado de toda essa mistura de influências.

Capelinha de melão
É de São João
É de cravo, é de rosa
É de manjericão
São João está dormindo
Não me ouve, não
Acordai, acordai
Acordai, João.
Capelinha de Melão (domínio público).

Um mês (ou mais) de festa para três santos

Dizemos “as festas”, no plural. Concentram-se em três dias dedicados a santos cristãos: Antônio (13), João (24), o mais festejado -o povo até diz “festas joaninas”-, e Pedro (29). Mas em certas regiões a festa vara o mês e entra pelo começo de julho.

Antônio

Casamenteiro e encontrador de coisas perdidas

Santo Antônio é conhecido principalmente pela fama de casamenteiro. Na véspera do dia 13, instituiu-se entre nós o Dia dos Namorados, o que reforça a simbolização do santo como cupido. São comuns as simpatias feitas por fiéis em busca de um amor.

Também se atribui a Santo Antônio a fama de encontrador de coisas perdidas – tarefa que divide com São Longuinho. Mas, enquanto Longuinho ganha três pulinhos, Antônio sofre: sua imagem fica de cabeça para baixo até atender ao pedido.
Santo da fartura. Todo 13 de junho, fiéis vão à igreja receber o pãozinho de Santo Antônio. Dispõem o pão bento e sagrado junto das comidas para não faltar nada em casa.

Chamado às vezes de Antônio de Lisboa ou Antônio de Pádua, nasceu em Lisboa, em 1195, e morreu em Pádua, Itália, aos 35 anos. Português, o culto foi introduzido com força pela colonização.

Eu pedi numa oração
Ao querido São João
Que me desse matrimônio
São João disse que não
São João disse que não
Isso é lá com Santo Antônio.
Isso É Lá com Santo Antônio (Lamartine Babo, 1934).

João

Fogueira anuncia o nascimento do primo de Cristo

João Batista, historicamente, é um dos santos mais próximos de Cristo – inclusive parente de sangue: sua mãe, Isabel, era prima de Maria, a Nossa Senhora, e estavam grávidas ao mesmo tempo.

Em Didática do Folclore, Corina Maria Peixoto Ruiz conta a história, segundo a qual Isabel visita Maria e conta que também daria à luz em breve. As duas combinam: Isabel, assim que seu filho chegasse ao mundo, acenderia fogueira bem grande para que Maria ficasse sabendo e fosse visitar o recém-nascido.

João pregava, como Cristo, e sempre reconheceu o primo como o Messias, divulgava Sua vinda. Adultos, João batizou humildemente Jesus no Rio Jordão. Daí ter no nome o Batista (do grego, através do latim, “aquele que batiza”).

Foi numa noite igual a esta
Que tu me deste teu coração
O céu estava assim em festa
Pois era noite de São João
Havia balões no ar
Xote e baião no salão
E no terreiro o seu olhar
que incendiou meu coração.
Olha pro Céu (Luiz Gonzaga e José Fernandes, 1951).

Pedro

“Farei de ti um pescador de homens.”

Pedro, o pescador, tem especial importância para a religião cristã: um dos fundadores da Igreja Católica, é considerado o primeiro papa. Foi um dos 12 apóstolos escolhidos pessoalmente pelo Cristo para criar sua Igreja:
“Segue-Me e farei de ti um pescador de homens”, é a famosa frase do Filho de Deus.

A presença de São Pedro é repetidamente afirmada ao longo do Livro Sagrado. Segundo a história, morreu também crucificado. Mas pediu para que o pusessem de ponta-cabeça: declarou-se indigno de morrer da mesma maneira que Jesus Cristo.

Vibram nossas almas

Gustavo Barroso escreve: No nosso interior, essa comemoração assume aspectos maiores e muito mais interessantes. Ela recorda todo o nosso passado de costumes singelos e profundamente nacionais. Nela vibram todas as almas rudes dos nossos matutos.

Foram muitos os costumes que viraram coisas novas, coisas nossas. Como fazemos com tudo que nos aparece, pegamos as tradições e os rituais e os recheamos de novos sentidos, relevantes à nossa
realidade. Talvez os dois principais e mais conhecidos ritos das festas juninas sejam a fogueira de São João e a dança da quadrilha.

O balão vai subindo
Vem caindo a garoa
O céu é tão lindo
E a noite é tão boa
São João! São João!
Acende a fogueira
No meu coração
Sonho de Papel (Alberto Ribeiro e João de Barro, 1935).

Com a filha de João
Antônio ia se casar
Mas Pedro fugiu com a noiva
Na hora de ir pro altar.
Pedro, Antônio e João (Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago, 1939).

Saruê! Anavã! Anarriê!

No Dicionário de Folclore, de Mário Souto Maior e Rúbia Lóssio, lemos que a quadrilha é dança palaciana francesa do século XIX que se popularizou no Brasil depois que os mestres da orquestra Millet e Cavalier trouxeram-na para o Rio de Janeiro, onde causaram muito sucesso.

E Maria Amália Corrêa Giffoni, em Danças Folclóricas e Suas Aplicações Educativas, diz que a quadrilha surgiu em Paris, no século XVIII e é derivada da contredanse française, que por sua vez é uma adaptação da country danse, inglesa, introduzida na França. No Brasil, acrescenta, esta dança ultrapassou os salões e a sua difusão foi tamanha que deu origem a outras danças no mesmo estilo, como a quadrilha caipira. Quanto à sua música, os compositores brasileiros deram-lhe colorido nacional.

As quadrilhas francesas se abrasileiraram. Os comandos do animador do baile ganharam muito charme. Soirée (reunião social noturna, ordem para todos se juntarem no centro do salão) virou “saruê”; en arrière (para trás) virou “anarriê”; en avant (para frente) virou “anavã”.

Cerimônia ancestral: atear fogo à lenha

Há muitas explicações para a indispensável fogueira. Dançar em torno do fogo é ritual antiqüíssimo, quem sabe tão antigo quanto a própria descoberta do fogo. A fogueira atual é uma soma de várias histórias e já ganhou um sentido só seu, adaptado aos nossos rituais. Comemoração da chegada do solstício, do ano agrícola, do nascimento de São João, revivificação, tudo já faz parte do folclore brasileiro.

O historiador e pesquisador Alceu Maynard Araújo (1913-1974), no livro Folclore Nacional, conta que a fogueira é em geral acesa logo que o Sol se põe. Sempre antes da meia-noite. Em geral quem acende é o dono da festa, ou melhor, o dono da casa. Nos lugares onde há abundância de lenha é costume fazê-la a mais alta possível, pois tal dará prestígio a quem a armou.

(© Almanaque Brasil de Cultura Popular)

AS FESTA JUNINAS NASCERAM NO ANTIGO EGITO (SAIBA MAIS CLICANDO AQUI)

FONTE: NORDESTE WEB

PARA QUEM QUISER CONHECER CARUARU, A CAPITAL DE FORRÓ E DO AGRESTE PERNAMBUCANO, CLIQUE AQUI.

ARTISTAS DE CARUARU. LEIA MAIS…





SITE INDÍGENA PARA CRIANÇAS

5 06 2009

ISA lança site de povos indígenas para o público infanto-juvenil
[03/06/2009 16:59]

Destinado à pesquisa escolar, o novo site Povos Indígenas no Brasil (PIB) Mirim mostra a diversidade cultural desse povos de forma didática e em linguagem acessível. Uma das formas encontradas pela equipe do ISA para despertar o interesse das crianças foi a criação da Aldeia Virtual – jogo online com referências reais sobre diferentes etnias com o qual eles podem interagir e se sentir parte daquele ambiente.

Ilustração do jogo Aldeia Virtual criado especialmente para as crianças

indios
O site PIB Mirim entra no ar com conteúdo preparado especialmente para as crianças sobre as culturas dos povos indígenas no Brasil. Por meio de material destinado à pesquisa escolar, no qual temas centrais se desdobram em uma série de questões organizadas pela equipe do Instituto Socioambiental (ISA), e do espaço Aldeia Virtual – jogo online situado em uma aldeia circular no Cerrado brasileiro – pretende-se apresentar a diversidade de povos, romper com a idéia do “índio genérico” e despertar o interesse e o respeito das crianças às culturas indígenas existentes no Brasil. Tudo isso escrito em linguagem acessível para o público infanto-juvenil.

LEIA MAIS…

PESQUISADORES INDÍGENAS SE REÚNEM NA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA. LEIA MAIS…

CONHEÇA TAMBÉM O BLOG DA ARTICULAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL. CLIQUE AQUI.





LUIZ GONZAGA

6 06 2009

Não tem jeito não!

É chegar a época das “Festas Joaninas (juninas)” que vem na lembrança o arrasta-pé, a fogueira ( que em tempos de aquecimento global, precisamos rever), as comidas gostosas de milho, brincadeiras diversas, os fogos de artifício e muita musicalidade.

O Nordeste brasileiro é berço de “Monstros Sagrados” de ontem e de hoje, porém o velho Gonzagão é inesquecível e singular.

Em homenagem ao leitor – Luiz Gonzaga já é mais do que venerado -,publicamos aqui, uma pequena história da vida do homem que melhor cantou a “alma” do povo nordestino e deixamos um link – no final do artigo – para que vocês escutem as melhores e insuperáveis canções do Rei do Baião.

luiz_gonzaga
Fonte: Fundação Joaquim Nabuco

Conhecido como o rei do baião, Luiz do Nascimento Gonzaga nasceu no dia 13 de dezembro de 1912, na fazenda Caiçara, município de Exu, localizado no sopé da Serra do Araripe, Pernambuco. Filho de Januário José dos Santos, sanfoneiro e consertador de instrumentos e Ana Batista de Jesus.
Passou toda a sua infância ao lado do pai, acompanhando-o desde os oito anos de idade aos bailes, onde o ajudava a tocar sanfona. Trabalhou também na roça, nas feiras e tomando conta de rebanhos de bode.

Em 1924, aos doze anos, comprou sua primeira sanfona, fole de oito baixos, da marca Veado e aos quinze já tinha adquirido prestígio na região como sanfoneiro.

Em 1930, por causa de uma paixão frustrada, desentendeu-se com a família e fugiu à pé até o Crato, no Ceará, alistando-se no Exército. Com a eclosão da Revolução de 30 viajou por todo o país com sua tropa. No Exército, ficou conhecido como o Corneteiro 122.

Quando recebeu baixa do serviço militar, em 1939, foi para o Rio de Janeiro, na época a capital da república e passou a cantar e se apresentar no Mangue, zona de prostituição da cidade, onde havia muitos cabarés e gafieiras.

Apresentou-se no programa de auditório de Ary Barroso, bastante popular na época, cantando música nordestina e conquistou a nota máxima, sendo depois contratado pela Rádio Nacional. Em 1941, gravou seu primeiro disco pela RCA.

Em 1945, nasceu o seu filho, Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha, e no mesmo ano ele inicia sua parceria com Humberto Teixeira.

Casou-se, em 1948, com a professora pernambucana Helena Cavalcanti que havia conhecido nos bastidores da Rádio Nacional.

Como Humberto Teixeira resolveu dedicar-se à carreira de deputado, Luiz Gonzaga encerrou sua parceria com ele, passando a compor com o médico pernambucano José de Souza Dantas, o Zédantas, seu outro grande parceiro. Com Humberto Teixeira, Zédantas e outros, compôs uma grande quantidade de baiões, toadas, xotes, polcas, mazurcas, valsas, deixando registrada na discografia brasileira mais de 600 músicas. Muitos desses discos podem ser encontrados no acervo da Coordenadoria de Fonoteca, do Centro de Documentação e Estudos da História Brasileira Rodrigo Mello Franco de Andrade, da Fundação Joaquim Nabuco.

Em 1980, cantou para o Papa João Paulo II, em Fortaleza, quando da sua visita ao Brasil. Nessa ocasião, retirou da cabeça o seu chapéu de cangaceiro, que se tornara sua marca registrada e colocou-o, respeitosamente, na cabeça do Papa que o abençoou e disse Obrigado, cantador!

Luiz Gonzaga tornou-se um símbolo cultural brasileiro: subiu em palanques de presidentes da República, animou jantares de reis e chegou, inclusive, a se apresentar no Olimpia de Paris, em 1986.

Morreu no dia 2 de agosto de 1989, às 15h15, no Hospital Santa Joana, no Recife, onde estava internado há 42 dias. Seu corpo foi velado na Assembléia Legislativa de Pernambuco e enterrado na capela do Parque Asa Branca, em Exu, sua cidade natal.

Entre suas composições mais conhecidas estão:

Asa Branca, Juazeiro, Assum preto, Cintura fina, A volta da asa branca, Boiadeiro, Paraíba, Respeita Januário, Olha pro céu, São João do carneirinho, São João na roça, O xote das meninas, ABC do sertão, Riacho do Navio, O cheiro da Carolina, Derramaro o gai, A feira de Caruaru, Dezessete e setecentos, A morte do vaqueiro, Ovo de codorna, Forró nº 1.

Quando ôiei a terra ardendo
Quá fogueira de São João
Eu perguntei, ai, pra Deus do céu, ai
Pruquê tamanha judiação

Qui braseiro, qui fornáia
Nem um pé de plantação
Pru falta d´água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão

Inté mesmo a Asa Branca
Bateu asas do sertão
Entonce eu disse, adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
Hoje longe muitas légua
Numa tristea solidão
Espero a chuva cair de novo
Pra mim vortá pro meu sertão

Quando o verde dos teus óio
Se apoiá na prantação
Eu te asseguro, num chore não, viu?
Que eu vortarei, viu, meu coração!

Asa Branca, toada de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1947

Fontes consultadas:
CÂMARA, Renato Phaelante da. Luiz Gonzaga e o cantar nordestino: memória. Recife: UFRPE, [199-]
FERRETTI, Mundicarmo Maria Rocha. Baião dos dois: Zédantas e Luiz Gonzaga. Recife: FJN, Ed. Massangana, 1988.
A VIDA e os 60 maiores sucessos do rei do baião Luiz Gonzaga. Recife: Coqueiro, [199-].

ESCUTE MÚSICAS DE LUIZ GONZAGA AQUI.





CONHECENDO PERNAMBUCO

22 06 2009

O “Projeto Conhecendo Pernambuco”, coordenado pelo Prof. Luís Carlos Lins da Escola Monsenhor João Rodrigues de Carvalho e a Empresa de Viação Norte Sul, através do “Projeto Viagem Solidária”, empreenderam mais uma aula-passeio.

Desta vez o destino foi o Alto do Moura, localizado em Caruaru no agreste Pernambucano.

O Alto do Moura (Caruaru/PE) é considerado o maior Centro de Arte Figurativa das Américas ( segundo a UNESCO) e foi o ambiente de morada e de trabalho do Mestre Vitalino, que se vivo estivesse, estaria completando 100 anos.

Abaixo, algumas imagens ilustrativas da viagem, que foi considerada pelos alunos/as e professores presentes, um verdadeiro sucesso!
FOTOS - ESCOLA MONSENHOR 043
A viagem contou com o apoio muito agradável e competente do Motorista da Empresa Norte Sul, Zé Mário
FOTOS - ESCOLA MONSENHOR 041
Os estudantes do “2º A”, os Professores Luís Carlos, Elionais Alves, Akassi e Dayse Rufino, no ponto de partida da viagem
FOTOS - ESCOLA MONSENHOR 044
Posando para foto com muita ansiedade antes da partida
FOTOS - ESCOLA MONSENHOR 046
Professoras Akassi e e Dayse Rufino, em clima de festa
FOTOS - ESCOLA MONSENHOR 048
Portal de entrada do Alto do Moura em Caruaru, cidade considerada a Capital do Agreste Pernambucano
FOTOS - ESCOLA MONSENHOR 049
Casa onde morou o Mestre Vitalino, totalmente preservada e transformada em Museu
FOTOS - ESCOLA MONSENHOR 050
Busto em homenagem ao Mestre Vitalino, que além de artesão, era um exímio tocador de pífano
FOTOS - ESCOLA MONSENHOR 051
Os alunos/as da Escola Monsenhor fazem registro fotográfico do Museu Mestre Vitalino
FOTOS - ESCOLA MONSENHOR 053
Olaria onde trabalhava o Artista Mestre Vitalino
FOTOS - ESCOLA MONSENHOR 054
O senhor à esquerda de chapéu é o filho mais velho (74 anos) de Vitalino, Amaro Vitalino
FOTOS - ESCOLA MONSENHOR 056
Trabalho artesanal feito em barro (reprodução do trabalho de Vitalino)
FOTOS - ESCOLA MONSENHOR 060
O Alto do Moura é um grande pólo de arte feita em barro e que mobiliza muitas pessoas, herdeiras do Mestre Vitalino
FOTOS - ESCOLA MONSENHOR 057
Área interior do Museu Mestre Vitalino com recepção de Severino Vitalino, filho e herdeiro do Mestre e em plena atividade


Vitalino de barro e luz Caruaru
Com fotos de Helder Ferrer e instalação de um casario, exposição celebra o centenário do ceramista
André Dib
andredib.pe@diariosassociados.com.br – Do Diário de PE

No próximo 10 de julho, Mestre Vitalino completa cem anos de nascimento. Uma das comemorações já começou e

Fotógrafo optou por privilegiar detalhes das peças que pertencem ao Museu do Homem do Nordeste e à coleção particular do senador Jarbas Vasconcelos. Foto: Helder Ferrer/Divulgação
se chama 100 Olhares de Vitalino, exposição fotográfica em cartaz em Caruaru, terra natal do ceramista. Os realizadores montaram uma estrutura que privilegia a imagem fotográfica e vai além ao reproduzir o ambiente das antigas moradias à base de taipa. Todo o barro usado pela exposição foi retirado do Ipojuca, rio onde Vitalino brincava quando criança e, anos depois, retirava a matéria-prima que deu forma à sua arte. A exposição segue até 10 de julho, na antiga Estação Ferroviária de Caruaru, hoje conhecida como Galpão das Artes.

Como o nome sugere, 100 Olhares de Vitalino apresenta uma centena de fotos produzidas por Helder Ferrer, dispostas nas fachadas de um casario cenográfico, como fossem portas e janelas iluminadas por trás (backlight). A força dessas imagens, literalmente sustentadas pelo barro, é amplificada por uma “instalação” formada por lamparinas e cercas de ripa. Tudo contribui para provocar uma experiência sensorial-afetiva incomum, até mesmo para os visitantes acostumados com esse tipo de paisagem. “As pessoas da região se encantam, e beliscam o barro para ver se é de verdade”, diz a idealizadora Lina Rosa, da Aliança Comunicação e Cultura. Desde que foi inaugurada, a exposição promovida pela Prefeitura de Caruaru precisou refazer o acabamento algumas vezes.

Frente aos inúmeros registros existentes do trabalho de Vitalino, Hélder Ferrer optou por retratar não somente os bonecos internacionalmente famosos, mas o universo em que eles foram produzidos: fornos de queima de barro, bandas de pífano e outros artesãos na lida com o barro. Os bonecos fotografados são do acervo do Museu do Homem do Nordeste e da coleção particular do senador Jarbas Vasconcelos. “Em vez de retratar peças inteiras, busquei os detalhes. Levei as peças para o estúdio, onde usei luz ‘dura’ e alguns planos desfocados. Isso gerou sombras de expressão que me surpreenderam”, explica Ferrer.

Rosa ainda explica que, para chegar ao conceito final, foi necessário fazer um levantamento da trajetória pessoal e profissional do mestre. “Queria fazer algo que não fosse baseado somente nas fotos, mas no diálogo com a arte de Vitalino, ou seja, entre o tradicional e o contemporâneo”.

Por isso, além de trazer um texto sobre Vitalino assinado por Joaquim Cardozo, a exposição convidou o músico Ortinho (que também é de Caruaru) para compor uma trilha sonora baseada em sons de pífano e depoimentos de “herdeiros” do artista popular, como Manoel Eudócio, Luis Antonio da Silva, Zé Galego, Elias Francisco e os familiares Maria e Severino Vitalino.

Serviço

100 Olhares de Vitalino
Onde: Galpão das Artes – Antiga Estação
Ferroviária – Rua Frei Caneca, s/n, Centro, Caruaru
Quando: Hoje, 28 e 29/06 e 10/07, das 17h à 0h; nos demais dias, das 18h às 23h. Até 10 de julho
Quanto: Entrada franca





A ORDEM DOS ILUMINADOS

4 07 2009

anjos
A ordem dos iluminados
A illuminati, sociedade secreta que aparece no enredo do filme Anjos e demônios, surgiu na Baviera, no século XVIII, e já foi alvo de tantas teorias da conspiração que chegou a ser relacionada com a Revolução Francesa e o processo de independência dos estados Unidos

Por Sérgio Pereira Couto de Leituras na História

Perigosos e dominadores. Assim são lembrados os membros da sociedade secreta Illuminati. Muito antes de surgirem nas telas de cinema no filme Anjos e demônios (Estados Unidos, 2009), baseado no livro homônimo do escritor norte-americano Dan Brown, os participantes desse misterioso grupo já eram relacionados com teorias conspiratórias que se referem à dominação do mundo. A Illuminati parece ter sido tão poderosa, que a escritora norte-americana Shelley Klein, autora de As sociedades secretas mais perversas da história, chegou a dizer: “de todas as sociedades secretas que pesquisei, essa é a mais vil”.

A palavra “illuminati” vem do latim e significa “iluminado” (no plural, illuminatus). Pesquisar sobre a história da Illuminati não é fácil, já que a maioria dos textos existentes sobre o assunto são artigos de pouca ou nenhuma base acadêmica e que fazem a festa de “conspirólogos”. Mesmo assim é possível usar as poucas fontes existentes para estabelecer uma origem para a ordem.

ILLUMINATUS DA BAVIERA

A seita Illuminati foi fundada em 1° de maio de 1776 pelo alemão Adam Weishaupt (1748- 1830), filósofo e professor de lei canônica da Universidade de Ingolstadt, localizada na Baviera, Estado federal da Alemanha. Weishaupt era adepto do Iluminismo, movimento do século XVIII que buscava o conhecimento por meio da razão e da Ciência, contradizendo os dogmas da Igreja Católica.

Para fugir do controle imposto pelos católicos, homens como Weishaupt fundaram diversas sociedades secretas. Além da Illuminati, apare- ceram outras como a Estrita Observância (ligada à maçonaria e à tradição templária) e a Rosacruz (que propaga o mito de Christian Rosenkreuz, personagem lendário que teria vivido entre os séculos XIII e XIV).

O objetivo inicial de Weishaupt era que sua organização servisse para que as pessoas pudessem entrar em contato com ideias do progresso e da razão. Para isso, ele buscou a adesão de intelectuais e membros da maçonaria e elaborou um esquema em que o iniciado no grupo passaria por um processo de adesão em três passos: no- viciado, minerval e minerval iluminado, também chamado de illuminatus minor. A cada etapa, as pessoas deveriam ter contato com ideias de auto- res como o escritor Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781), o filósofo Johann Gottfried von Herder (1744-1803) e o poeta Christoph Martin Wieland (1733-1813).

Diferente das demais sociedades secretas, que utilizavam um sistema de aprendizado contínuo para revelar informações ocultas, o projeto de Weishaupt era mais ambicioso: ele faria que os interessados ampliassem seu conhecimen- to por meio de leituras acessíveis e, assim, se subvertessem à sua causa.

A finalidade era minar a autoridade da Igreja Católica. A sociedade de Weishaupt ficou conhecida como a Illuminati da Baviera, tendo em vis- ta que existiram outros grupos que também se chamavam de “ilumina- dos”, em latim.

Weishaupt utilizou toda uma nova nomenclatura para definir a hierarquia da Illuminati. Até mesmo rebatizou as cidades onde os membros de sua sociedade estavam ativos. Para isso, ele se inspirou em nomes das pólis gregas. Assim, Ingolstadt ficou conhecida com o codinome de Elêusis; Muni- que se tornou Atenas; Ravensberg virou Tebas, e assim por diante. Já os apelidos dos membros tinham origem na mitologia: o líder tornou-se conhecido como Spartacus e os outros membros assinavam com nomes clássicos como Tibério, Ájax e Agaton.

Porém, apesar de todo o trabalho de Weishaupt, até 1780 a Illuminati só contava com cerca de uma centena de membros. Foi nessa época que o ale- mão tentou ampliar o poder e influência do grupo, voltando-se para a loja maçônica em que havia sido iniciado por volta de 1777, em Munique, chamada Zur Behutsamkeit (“A Prudência”, em português). Weishaupt esperava que, com a aproximação entre a Illuminati e a maçonaria, ele pudesse usar a rede de contatos maçônica para difundir seus ideais.

MUDANÇA DE ORDEM

Placa em memória à illuminati, localizada na Universidade de ingolstadt
Um dos primeiros maçons que aderiram tam- bém à organização de Weishaupt foi o escritor Adolf Von Knigge (1752-1796), até então mem- bro da Estrita Observância. Um dos motivos que o levaram a se juntar à Illuminati foi o desejo de encontrar um grupo que permitisse realizar ex- periências alquímicas. Não demorou muito para que Adolf Von Knigge se tornasse um membro quase tão influente quanto o próprio Weishaupt, a quem ele acusava de ser exagerado em seu sen- timento anticlerical.

O envolvimento de Von Knigge com a Illuminati deixou a Estrita Observância, que era profundamente cristã, em estado de alerta. O que não adiantou muito, já que a Illuminati, codiri- gida por Weishaupt e Von Knigge, tirou proveito dessa competição de uma maneira mais agressiva. Como primeira provocação, Von Knigge criou três altos graus na hierarquia da Illuminati e deu a eles títulos originalmente maçônicos: franco- maçom, illuminatus major e illuminatus dirigens. Pouco depois é acrescentada uma segunda classe de altas posições: sacerdote, regente e magnus rex.

Essa hierarquia fez que a Illuminati conquis- tasse centenas de maçons que se mostravam insatisfeitos com a Estrita Observância. Não demorou muito para que a seita fundada por Weishaupt chegasse ao impressionante número de 3 mil membros e se tornasse influente não apenas na Ba- viera, mas também em regiões da Áustria e Hungria. Logo o processo de seleção para ingressar na sociedade tornou-se mais exigente e a Illuminati passou a aceitar apenas banqueiros, mercadores em franca ascensão financeira, militares de altas patentes e, por incrível que pareça, até mesmo alguns membros do clero que entram por causa da fachada maçônica que a ordem divulgava.

AS MARCAS DO DÓLAR

Para aqueles que acreditam que os membros da Illuminati sempre estiveram infiltrados no governo dos Estados Unidos, as provas estão nos símbolos da moeda norte-americana

Estariam os adeptos da illuminati infiltrados no governo dos estados Unidos desde a formação do país? apesar de essa ideia parecer mirabolante demais para a maioria das pessoas, há quem acredite nela, incluindo pesquisadores como paul H. Koch e Robert Goodman.

A teoria conspiratória foi divulgada no livro La conspiración de los Illuminati, do jornalista espanhol santiago camacho. segundo ele, para verificar a influência da illuminati no governo norte-americano, basta analisar a nota de 1 dólar. Vire-a e observe a figura da pirâmide, do lado esquerdo da nota, com um triângulo em seu ápice e um olho brilhante. esse é o famoso “olho que tudo vê”, um símbolo que os pesquisadores creem que seja originalmente da illuminati e que os maçons tenham se apropriado, já que representa o olho de deus. na visão dos “conspirólogos”, o olho significa uma mensagem da illuminati: “estamos em todos os lugares e vemos tudo o que acontece ao nosso redor”

A base da pirâmide é cega e feita de tijolos de tamanhos e formas iguais, que sim- bolizariam a população que a ordem quer controlar. abaixo da pirâmide, há a inscrição “novus ordo seclorum”, que significa “nova ordem dos séculos” e que os “conspirólogos” afirmam ser uma alusão à “nova ordem mundial”, o conceito de domínio mundial da illuminati.

A base da pirâmide é cega e feita de tijolos de tamanhos e formas iguais, que sim- bolizariam a população que a ordem quer controlar. abaixo da pirâmide, há a inscrição “novus ordo seclorum”, que significa “nova ordem dos séculos” e que os “cons- pirólogos” afirmam ser uma alusão à “nova ordem mundial”, o conceito de domínio mundial da illuminati.

Esse progresso todo acabou atraindo muitos inimigos importantes, como membros da realeza. Um deles foi Frederico Guilherme II (1744-1797), da Prússia, que já era um iniciado na Rosacruz.

Foi o apoio dele que demarcou o conflito entre as lojas maçônicas de Berlim, adquiridas pela Rosa- cruz, e a Illuminati, acusada de minar a religião cristã e fazer da sociedade um sistema político.

O pesquisador brasileiro A. Tenório de Albu- querque descreveu em sua obra Sociedades secretas o pensamento de Weishaupt: “Adam Weishaupt negava a legitimidade política e religiosa, jul- gando que o melhor meio para alcançar resul- tados a que se propunha era cercar os príncipes de pessoas idôneas, capazes de dirigi-los com os seus sábios conselhos, induzindo-os a confiar o exercício da autoridade em mãos de homens de provada pureza e retidão”.

O trecho do livro de Tenório de Albuquerque reflete a ideologia da Illuminati. Foi por causa dessa forma de agir e pensar que a sociedade ganhou a fama de tentar se envolver com os grandes líderes mundiais a fim de assumir o controle da situação e dominar o panorama social e político. No entanto, os membros da Illuminati nunca se identificavam como tais e agiam sorrateiramente

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TEMPO PRESENTE: MICHAEL JACKSON

4 07 2009

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Da SuperInteressante

Na noite de 16 de maio de 1983, 3 mil celebridades norte-americanas lotaram um teatro em Los Angeles para assistir a uma apresentação comemorativa dos 25 anos da gravadora Motown. De suas casas, 50 milhões de norte-americanos acompanharam pela TV a apresentação dos vários artistas negros até que Michael Jackson se viu sozinho no palco. Ele começou a cantar “Billie Jean”, sucesso do álbum que havia lançado seis meses antes. De repente, Jackson parou de cantar, andou até o canto esquerdo do palco e voltou… deslizando de costas. A cena, que ficou gravada para a posteridade, é impressionante: são 3 mil queixos caídos.
Naquela noite, mais do que mostrar pela primeira vez o passo que batizou como moonwalk (algo como “andando na Lua”), Michael Jackson foi dormir consagrado como nada menos que o Rei do Pop. “Foi aquele momento que cristalizou o status de celebridade de Michael Jackson”, cravou a prestigiada revista americana Rolling Stone. “Moonwalk, no mundo do entretenimento, só é comparável ao andar de vagabundo de Chaplin, à seqüência de Gene Kelly em Dançando na Chuva e aos passos de Fred Astaire no filme Núpcias Reais”, compara o jornalista britânico Nick Bishop em Freak (“Esquisito”, inédito no Brasil), uma das várias biografias não autorizadas do cantor. Pois depois daquela apresentação, tanto Fred Astaire quanto Gene Kelly foram atrás de Jackson para parabenizá-lo. “Kelly veio à minha casa. Depois, ensinei o passo a Astaire”, conta o astro em sua autobiografia, não por acaso chamada Moonwalk (1988).
Hoje é seguro dizer: 16 de maio de 1983 foi a primeira noite do resto da vida de Michael Jackson. A partir daquele momento, ele nunca mais seria esquecido (mas também não poderia andar sozinho nas ruas), nunca mais deixaria de realizar seus sonhos (mas também passaria a ser ridicularizado por cada um deles), nunca mais deixaria de ser adulado pelos fãs (mas também teria passaporte vip para as manchetes sensacionalistas de todo o mundo). Nunca mais, enfim, teria vida normal. E por isso acabaria se refugiando no único lugar onde poderia ser ele mesmo: a Terra do Nunca, nome em português do rancho Neverland.

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COMO MICHAEL JACKSON FICOU BRANCO





WOODSTOCK 40 ANOS

24 07 2009

WOOD
AGITADÍSSIMA FOI A DÉCADA DE 60. ÉPOCA DE GUERRA FRIA, CHEGADA NA LUA, GUERRA DO VIETNÃ, MORTE DE LUTERKING, REVOLUÇÃO ESTUDANTIL (MAIO DE 68) E DO MAIOR FESTIVAL DE MÚSICA DA HISTÓRIA: WOODSTOCK.

EM MERECIDA HOMENAGEM PELOS 40 ANOS DE HISTÓRIA DO FESTIVAL HIPPIE, REPRODUZIMOS ESTA MATÉRIA PARA DELEITE DE NOSSOS/AS LEITORES/AS CONTANDO O QUE FOI, COMO ACONTECEU E O QUE REPRESENTOU O ACONTECIMENTO HISTÓRICO.

Toda História de Woodstock 69…

Texto e direito autorais de: The Times Herald-Record – 1994.
Tradução: Helen Dias.
Adaptação e texto final: Mário Santos.

O último fã encharcado de lama deixou o pasto de Max Yasgur a mais de 25 anos atrás. Isso foi quando o debate sobre o significado histórico de Woodstock começou. Verdadeiros crentes na cultura hippie chamam Woodstock de “o marco final de uma era dedicada ao avanço humano”. Os cínicos dizem que foi “o fim adequado e ridículo de uma era de ingenuidade”. Há ainda os que dizem que tudo aquilo foi apenas uma festa dos infernos!
A Feira de Arte e Música de Woodstock, em 1969, trouxeram mais de 450.000 pessoas para um pasto no Condado de Sullivan. Durante quatro dias, o local se tornou uma mini-nação contra-cultural na qual as mentes estavam abertas, drogas eram o que havia de mais legal e o amor era “livre”. A música começou na tarde de 15 de agosto, sexta-feira, às 17:07h e continuou até a metade da manhã do dia 18 de agosto, segunda-feira. O festival fechou a via expressa do Estado de Nova Iorque e criou um dos piores engarrafamentos da nação. Também inspirou um monte de leis locais e estatais para assegurar que nada como isto jamais aconteceria novamente.
Woodstock, como poucos eventos históricos, se tornaram uma espécie de herança cultural, para os EUA e para o mundo. Assim como “Watergate” representa uma crise nacional e “Waterloo” representa derrota, “Woodstock” se tornou um adjetivo imediato que denota o poder dos jovens e os excessos dos anos 60.

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AGOSTO NA HISTÓRIA

3 08 2009

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O MÊS DE AGOSTO É SOMBRIO, ESPECIALMENTE PARA O MUNDO DA POLÍTICA BRASILEIRA. É MÊS DE ACONTECIMENTOS MARCANTES, PARA O BEM OU PARA O MAL. ESPERA-SE ATÉ QUE SARNEY CAIA JUSTAMENTE NO MÊS QUE MORREU TANCREDO NEVES.

FOI NUM MÊS DE AGOSTO QUE SUICIDOU-SE ( ?) O EX-PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS E EM SUA MEMÓRIA REPRODUZIMOS AQUI UMA MATÉRIA DA REVISTA HISTÓRIA VIVA, PARA DELEITE DE NOSSOS LEITORES/AS.

As duas cartas de Getúlio Vargas
A história ainda não tem um veredicto sobre as mensagens atribuídas ao presidente, deixadas como testamento político, por ocasião de seu suicídio

ACERVO ÚLTIMA HORA/ AESP

O adeus: foto publicada em jornais, em agosto de 1954, para anunciar o suicídio/ Enterro em São Borja (RS): comoção popular varreu o país
Antes de se suicidar com um tiro no peito, Getúlio Vargas (1882-1954) escreveu uma carta-testamento ainda hoje polêmica, pois existem dela duas versões: uma manuscrita, bastante concisa, e outra mais longa, datilografada, que foi distribuída para a imprensa como a mensagem oficial do político ao povo brasileiro. Em ambas, porém, Getúlio informa que deu cabo à própria vida em virtude de pressões de grupos internacionais e nacionais contrários ao trabalhismo – ou seja, criou sua versão das “forças ocultas” que algumas vezes leva a rupturas no poder.

Os dois documentos são ainda um libelo pró-nacionalismo e recendem personalismo, uma das marcas registradas do político. Getúlio se colocou, até na hora da morte, como defensor do povo e líder martirizado justamente para libertar os brasileiros. “Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco”, registra a versão datilografada. No manuscrito, há um trecho com recado semelhante. “Velho e cansado, preferi ir prestar contas ao Senhor, não dos crimes que não cometi, mas de poderosos interesses que contrariei, ora porque se opunham aos próprios interesses nacionais, ora porque exploravam, impiedosamente, aos pobres e aos humildes.”

Há quem atribua o estilo do texto “oficial” ao redator dos discursos de Vargas, o jornalista José Soares Maciel Filho. De fato, Maciel Filho confirmou à família do presidente que datilografou a versão lida para a imprensa, mas nada disse sobre tê-la modificado. De todo modo, por causa da carta-testamento, Maciel Filho é conhecido como o ghost-writer que saiu da sombra habitual do redator de aluguel para entrar para a história.

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AGOSTO NA HISTÓRIA

8 08 2009

Juscelino Kubitschek
Presidente entre 1956 e 1960, morre vítima de acidente de carro entre Rio de Janeiro e São Paulo, Jucelino Kubitschek. A morte do ex-presidente é envolta em mistério até hoje, pois suspeita-se que o líder político não perdeu a vida por uma fatalidade e sim, por ação secreta das forças militares, que governavam o Brasil naquele período através de uma ditadura.

Para saber mais sobre o Político e sua Obra, acesse o Memorial JK. Clique aqui.





EUCLIDES DA CUNHA – 100 ANOS

15 08 2009

euclides
Num dia de agosto, exatamente 15 deste mês fatídico no ano de 1909, tombou vítima de um tiro e por amor (e ciúmes ), um dos maiores escritores de nossa história. O autor do grande clássico, OS SERTÕES, Euclides da Cunha.

Em sua homenagem, Mania de História traz dados biográficos e coloca à disposição de nossos leitores informações a perder de vista sobre o consagrado escritor, extraídas de sua página na ABL – Academia Brasileira de Letras.

Dados biográficos

Euclides Rodrigues da Cunha nasceu em Cantagalo, 20 de janeiro de 1866. Foi escritor, sociólogo, repórter jornalístico, historiador e engenheiro brasileiro. Órfão de mãe desde os três anos de idade, foi educado pelas tias. Freqüentou conceituados colégios fluminenses e, quando precisou prosseguir seus estudos, ingressou na Escola Politécnica e, um ano depois, na Escola Militar da Praia Vermelha.

Cadete republicano
Contagiado pelo ardor republicano dos cadetes e de Benjamin Constant, professor da Escola Militar, atirou durante revista às tropas sua espada aos pés do Ministro da Guerra Tomás Coelho. Euclides foi submetido ao Conselho de Disciplina e, em 1888, saiu do Exército. Participou ativamente da propaganda republicana no jornal O Estado de S. Paulo.

Proclamada a República, foi reintegrado ao Exército com promoção. Ingressou na Escola Superior de Guerra e conseguiu ser primeiro-tenente e bacharel em Matemáticas, Ciências Físicas e Naturais.

Euclides casou-se com Ana Emília Ribeiro, filha do major Frederico Solon de Sampaio Ribeiro, um dos líderes da República.

Ciclo de Canudos
Em 1891, deixou a Escola de Guerra e foi designado coadjuvante de ensino na Escola Militar. Em 1893, praticou na Estrada de Ferro Central do Brasil. Quando surgiu a insurreição de Canudos, em 1897, Euclides escreveu dois artigos pioneiros intitulados “A nossa Vendéia” que lhe valeram um convite d’O Estado de S. Paulo para presenciar o final do conflito. Isso porque ele considerava, como muitos republicanos à época, que o movimento de Antonio Conselheiro tinha a pretensão de restaurar a monarquia e era apoiado pelos monarquistas residentes no País e no exterior.

“Tragédia da Piedade”
Morreu em 1909. Ao saber que sua esposa, mais conhecida como Ana de Assis, o abandonara pelo jovem tenente Dilermando de Assis, que aparentemente já tinha sido ou era seu amante há tempos – e a quem Euclides atribuía a paternidade de um dos filhos de Ana, “a espiga de milho no meio do cafezal” (querendo dizer que era o único louro numa família de tez morena) -, saiu armado na direção da casa do militar, disposto a matar ou morrer. Dilermando era campeão de tiro e matou-o. Tudo indica que o matou lealmente, tanto que foi absolvido na Justiça Militar. Ana casou-se com ele.

O corpo de Euclides foi examinado pelo médico e escritor Afrânio Peixoto, que também assinou o laudo e viria mais tarde a ocupar a sua cadeira na Academia Brasileira de Letras.

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PROJETO CONHECENDO PERNAMBUCO: O CICLO DO AÇÚCAR

30 08 2009

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A parceria entre a Escola Monsenhor e a Empresa Norte-Sul vem rendendo bons frutos!
Várias foram as viagens promovidas a partir do desejo de ambas as instituições em promover a educação e a cultura entre jovens estudantes desta Escola da Rede Pública Estadual.
Desta vez, nosso destino foram as ladeiras do Sítio Histórico de Olinda ( Patrimônio Histórico da Humanidade ) e o Museu do Homem do Nordeste. O objetivo: estudar o impacto provocado pela colonização portuguesa em Pernambuco no contexto do “ciclo da cana-de-açúcar”. As mudanças foram muitas e profundas. As imagens retratam muito bem este acontecimento histórico.





INDEPENDÊNCIA DO BRASIL: A MAIS CONSERVADORA DAS AMÉRICAS

10 09 2009

INDEPENDENCIA
1822: a Independência escravizada
ESCRITO POR MÁRIO MAESTRI do Correio da Cidadania
08-SET-2009

Em janeiro de 1821, no Rio Grande do Sul, Auguste de Saint-Hilaire anotava em seu diário que o Brasil perigava ser “perdido pela casa de Bragança” e que “suas províncias” podiam explodir em nações independentes, “como as colônias espanholas”, considerando-se a tamanha diferença entre elas. Escrevia enfaticamente o arguto naturalista: “Sem falar do Pará e de Pernambuco, a capitania de Minas e do Rio Grande, já menos distanciadas, diferem mais entre si que a França da Inglaterra”.

Desde sua origem, a América portuguesa foi mosaico de regiões semi-autônomas, de frente para a Europa e África, de costas umas para as outras. As diversas colônias exportavam seus produtos e importavam os manufaturados e cativos que consumiam pelos portos da costa. Eram muito frágeis os contatos entre as capitanias e, mais tarde, as províncias, inexistindo o que hoje definimos como mercado nacional.

Nas diversas regiões, os grandes proprietários controlavam o poder local e viviam em associação subordinada às classes dominantes portuguesas metropolitanas. Os proprietários luso-brasileiros sentiam-se membros do império lusitano, possuíam laços de identidade regional e desconheciam sentimentos ‘nacionais’, impensáveis devido à inexistência de entidade nacional .

Quando do projeto recolonizador da Revolução do Porto, em 1820, as classes dominantes provinciais mobilizaram-se por independência restrita aos limites das regiões que controlavam. O Brasil seguia sendo entidade sobretudo administrativa, sem laços econômicos e sociais objetivos e subjetivos. A construção do Estado-nação brasileiro esboçou-se no II Império e foi sobretudo produto do ciclo nacional-industrialista dos
anos 1930.

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NÚMEROS DA HISTÓRIA

10 10 2009

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Para pesquisadores, estudiosos e curiosos em geral, este site reúne documentos raros sobre memória estatística e econômica brasileira. Clique aqui.





2009: O ANO DA FRANÇA NO BRASIL

29 10 2009

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Como a França moldou o Brasil

Apesar do fracasso em ocupar o território da antiga colônia portuguesa, os franceses exerceram uma influência decisiva na formação brasileira

por Laurentino Gomes

Este é o Ano da França no Brasil. De 21 de abril até novembro, brasileiros de 15 cidades poderão ver o que os franceses têm de melhor. A lista inclui exposições de arte, concertos musicais, espetáculos de dança, teatro e cinema, debates e celebrações. É parte de um projeto ambicioso de intercâmbio, que começou em 2005, comemorado como o Ano do Brasil na França, com o objetivo de mostrar as novidades da cultura dos dois países.

Essa história é bem mais antiga do que se imagina. Envolve uma relação de confronto e sedução de parte a parte, que acabaria por moldar de forma decisiva a identidade brasileira. Nos bistrôs e cafés parisienses, a música brasileira é onipresente. Os franceses adoram o samba, o carnaval, a literatura e o cinema brasileiros. O escritor Paulo Coelho é mais celebridade nas ruas de Paris que no Rio de Janeiro. Mas a França já era obcecada pelo Brasil antes mesmo da chegada de Pedro Álvares Cabral à Bahia. A recíproca se provaria verdadeira ao longo dos cinco séculos seguintes. Atualmente, os brasileiros fazem negócios com os Estados Unidos, mas cultuam a gastronomia, a moda, a arte e os prazeres da vida franceses.

No período colonial, o Brasil deixou de ser francês por pouco. Foram os franceses que precipitaram a decisão do rei dom João III (1502-1557) de criar, em 1534, o sistema de capitanias hereditárias, o primeiro esforço de povoamento do Brasil. Nas primeiras décadas do século 16, franceses exploravam pau-brasil no litoral do Nordeste como se fossem donos do território. Há evidências de que já conheciam a costa brasileira bem antes de 1500. Um deles, Jean de Cousin, teria tentado se estabelecer na Amazônia em 1488.

A guerra entre França e Portugal pela posse do Brasil durou mais de dois séculos. O primeiro confronto de que se tem notícia aconteceu em novembro de 1529, quando a nau La Pellérine invadiu a feitoria do rio Igaraçu, em Pernambuco, onde os portugueses tinham uma pequena fortaleza. Os franceses foram expulsos em 1532 pelo comandante Pero Lopes de Sousa (1497-1539). Meio século mais tarde, em 1550, Nicolas Durand de Villegaignon (1510-1571) ocupou o Rio de Janeiro por 12 anos, até ser derrotado por Mem de Sá (1500-1572). Em 1612, outra tentativa de ocupação, dessa vez no Maranhão, reconquistado após dois anos por Jerônimo de Albuquerque (1510-1584). No começo do século 18, haveria ainda mais duas investidas de corsários franceses contra o Rio. A última ocorreu em 12 de setembro de 1711. Ao amanhecer, encobertas pelo denso nevoeiro, 18 embarcações comandadas por René Duguay-Trouin (1673-1736) tomaram a cidade. Trouin foi embora em troca de um grande resgate pelos bens que havia saqueado.

Marcas culturais

Cessada a luta pela ocupação territorial, a influência francesa no Brasil se daria no campo das artes, dos costumes e das ideias. As consequências seriam profundas e duradouras. Seu marco foi a transferência da família real portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808, fugindo das tropas de Napoleão Bonaparte (1769-1821). Ao chegar ao Brasil, dom João VI (1767-1826) iniciou um acelerado período de transformações. O esforço não foi apenas administrativo. Enquanto mandava abrir estradas, construir fábricas e organizar a estrutura de governo, dom João também se dedicava ao que o historiador Jurandir Malerba chamou de “empreendimentos civilizatórios”. Nesse caso, a meta era promover as artes e a cultura e tentar infundir algum traço de refinamento e bom gosto nos hábitos atrasados da colônia.

A maior dessas iniciativas foi a contratação, em Paris, da famosa Missão Artística Francesa. Chefiada por Joaquim Lebreton (1760-1819), secretário perpétuo da seção de belas-artes do Instituto de França, a missão chegou ao Brasil em 1816 e era composta por alguns dos mais renomados artistas da época, incluindo o pintor Jean-Baptiste Debret (1768-1848), Auguste Taunay, escultor (1791-1687), e Grandjean de Montigny (1776-1850), arquiteto.

Oficialmente, o objetivo da missão francesa era a criação de uma academia de artes e ciências. O plano nunca saiu do papel, mas alguns historiadores consideram a chegada da missão o início efetivo das artes no Brasil. Na época da corte, a influência francesa era marcante no Rio de Janeiro. As lojas estavam repletas de novidades que chegavam de Paris. Incluíam vestidos e chapéus da última moda, perfumes, água-de-colônia, luvas, espelhos, relógios, tabaco, livros e uma infinidade de mercadorias até então proibidas e ignoradas na antiga colônia.

Mas foi no campo das ideias que os franceses mais ajudaram a transformar o Brasil. Elas estavam por trás da Inconfidência Mineira, da Revolta dos Alfaiates na Bahia, da Revolução Pernambucana de 1817, da Confederação do Equador, em 1824, e de inúmeros outros movimentos de rebelião. Nos Autos de Devassa da Inconfidência foi encontrada uma coleção dos enciclopedistas francesas na casa de um dos conspiradores. Isso num tempo em que a circulação dessas obras era reprimida. O movimento da Independência, em 1822, foi tramado, em boa parte, dentro das Lojas Maçônicas, que tinham seu berço na França.
Em resumo: às vésperas de sua independência, o Brasil dormia com o autoritário e conservador Portugal, mas sonhava mesmo era com a charmosa e libertária França.

Saiba mais

LIVROS

Capítulos da História Colonial, Capistrano de Abreu, Civilização Brasileira, 1976
Descreve a sociedade brasileira em formação.

Brasil 5 Séculos, Hernâni Donato, Academia Lusíada de Ciências, Letras e Artes, 2000
Um passeio pela história do Brasil até os dias atuais.

A Corte no Exílio, Jurandir Malerba, Companhia das Letras, 2000
Relata o encontro dos nobres com os comerciantes locais.

Versalhes Tropical, Kirsten Schultz, Civilização Brasileira, 2008
Analisa o impacto da mudança da corte para o Brasil.

Dicionário do Brasil Colonial (1500-1808), Ronaldo Vainfas (org.), Objetiva, 2000
Descreve os hábitos públicos e privados do Brasil Colônia.





CARLOS MARIGHELLA

3 11 2009

Este homem não pode cair no esquecimento.
Nas escolas praticamente não se ouve falar dele. Saiba que este Brasileiro morreu pelo seu País, e principalmente por uma causa ainda maior, pela emancipação do nosso povo.
clique aqui e saiba tudo sobre a vida e a obra de Carlos Marighella.
mariguella





MEMÓRIAS DO AÇUCAR – ESCADA: MATA SUL DE DE PERNAMBUCO

8 02 2011

Engenho Matapiruma

Distante 18 km, da sede do município. Foi uma das residências do Barão de Suassuna.
A casa-grande também ficou famosa por ter hospedado o Imperador D. Pedro II. Em 1859. do Conjunto arquitetômico; Casa-grande, capela e senzala, só a senzala continua de pé, sendo hoje, ultilizada por trabalhadores do engenho, como moradia. Foi construída entre a casa-grande e a capela. Seu alpendre arqueado em alvenaria, de fustes cilíndricos e capitéis toscos. A casa-grande possuia um estilo colonial altêntico. Hoje avistamos só ruinas dos trechos de uma fundação e raros pedaços de paredes.
Ela datava do ano de 1800. A capela cuja padroeira era Nossa Senhora da Conceição, Foi construida em 1817, também estar em ruínas resta apenas um pedaço da fachada, da parede central e da parede posterior. Possui grande valor histórico e cultural.

Livro: ESCADA, Riqueza de Pernambuco.

SAIBA MAIS.





Os 10 piores barracos protagonizados por políticos

1 05 2010

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Como as figurinhas da Copa invadiram as redes sociais – VEJA.com

1 05 2010

Como as figurinhas do álbum da Copa do Mundo de 2010 invadiram redes sociais como o Twitter

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